• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Otherside - Como a vida deveria ser
  • Capitulo 2 - O último dia do castigo

Info

Membros ativos: 9583
Membros inativos: 1619
Histórias: 1963
Capítulos: 20,884
Palavras: 52,821,418
Autores: 809
Comentários: 109,191
Comentaristas: 2603
Membro recente: Ali

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • 10 anos de Lettera
    Em 15/09/2025
  • Livro 2121 já à venda
    Em 30/07/2025

Categorias

  • Romances (874)
  • Contos (476)
  • Poemas (235)
  • Cronicas (229)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • Otherside - Como a vida deveria ser
    Otherside - Como a vida deveria ser
    Por Elin Varen
  • A Marca do Prazer
    A Marca do Prazer
    Por Naahdrigues

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • O contrato
    O contrato
    Por caribu
  • Um brinde ao inesperado
    Um brinde ao inesperado
    Por hipolita

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (874)
  • Contos (476)
  • Poemas (235)
  • Cronicas (229)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Otherside - Como a vida deveria ser por Elin Varen

Ver comentários: 1

Ver lista de capítulos

Palavras: 2065
Acessos: 134   |  Postado em: 26/02/2026

Capitulo 2 - O último dia do castigo

 

Capítulo 2 – O último dia do castigo

 

15 anos antes...

O despertador tocou às seis.

Rebeca acordou antes do segundo alarme.

A cama foi arrumada com precisão. Lençol esticado. Travesseiro alinhado.

Ela escovou os dentes. Prendeu o cabelo. Vestiu o uniforme. Camiseta branca, saia preta na altura dos joelhos e tênis simples.

Tudo em silêncio.

Desceu as escadas.

O cheiro do café tomava conta da casa.

Moisés estava sentado. Bíblia aberta ao lado do prato. Caneca de café preto.

Débora colocou uma torrada no prato da filha e lhe entregou um copo de leite.

— Obrigada, mãe.

A voz de Rebeca estava neutra.

Ela se sentou e comeu devagar.

O leite era quase sem gosto. A torrada raspava o céu da boca.

Moisés a observava por cima da xícara.

— Está aprendendo a dar valor às coisas? — ele perguntou, sem levantar o tom.

Rebeca engoliu antes de responder.

— Sim, senhor.

Não havia ironia.

Mas também não havia arrependimento.

Débora percebeu o que Moisés ainda não queria ver: Algo havia mudado.

Rebeca não estava abatida.

Não estava chorosa.

Estava… quieta demais.

O olhar dela não baixou quando encontrou o do pai.

Sustentou.

Só por um segundo.

Mas sustentou.

Moisés voltou para o café.

Talvez ele esteja fingindo não perceber. – Débora pensou. -  Talvez não queira acreditar.

O castigo terminaria hoje.

Rebeca terminou o leite. Colocou o copo e o prato na pia. Deu um beijo no rosto da mãe.

— Bom dia.

Pegou a mochila que estava largada em canto da sala e caminhou até a porta.

Sem olhar para o pai.

— Rebeca.

Ela parou.

Não se virou.

— Não esqueça que essa é uma casa de pessoas da Igreja.

Silêncio.

— Você tem que ser um exemplo para a Comunidade.

Ela fez um gesto leve com a cabeça.

Não discutiu. Não respondeu.

Só saiu.

***

 

Janis já estava lá.

Encostada em um muro, esperando por Rebeca.

Um lado do fone no ouvido. O outro pendurado.

Na mão direita, uma garrafinha surrada. Na esquerda, algo embrulhado em papel.

Quando viu Rebeca, abriu um sorriso torto.

Sem discurso. Sem perguntas.

Apenas colocou o fone no ouvido dela.

A guitarra explodiu.

Cherry Bomb estava tocando.

Rebeca fechou os olhos por meio segundo e o mundo mudou de frequência.

- Pra você - Janis estende a garrafa.

Rebeca abriu. E tomou dois goles longos.

Achocolatado. Do jeito que ela gostava. Doce demais. Exagerado.

Depois abriu o papel.

Pão com queijo e presunto.

Ela deu uma mordida grande. Sem culpa.

Janis observava com satisfação silenciosa.

— Seu pai é biruta — sussurrou.

Rebeca terminou de mastigar. Engoliu.

Limpou o canto da boca com o polegar.

E só então respondeu:

— Estou começando a achar que você está certa.

A música continuou.

E, pela primeira vez naquela manhã, Rebeca sorriu de verdade.

 

***

Elas entraram na escola juntas.

Não de mãos dadas. Não encostadas. Mas próximas o suficiente para que qualquer pessoa que quisesse ver, visse.

Os corredores estavam cheios.

Rebeca sentiu os olhares.

Não eram insultos. Não eram acusações abertas.

Era curiosidade misturada com reprovação.

Um sussurro aqui. Outro ali.

— É a filha do pastor…

— Eu a vi outro dia…

— Dizem que…

Rebeca manteve o queixo levemente erguido.

Não olhou para ninguém.

Janis percebeu.

— Tá tudo bem? — perguntou baixo.

— Tá.

Mas não estava.

Durante a aula, Rebeca trabalhou com atenção exagerada.

Não queria dar munição e virar assunto na mesa do jantar outra vez.

Quando o sinal da última aula tocou, Rebeca fechou o caderno. Guardou o material na mochila de qualquer jeito e tentou alcançar a porta. Mas, antes que conseguisse sair da sala, uma das meninas da igreja entrou no caminho dela.

Sorriso doce demais.

— Você sumiu. – O tom era leve. Mas, Rebeca consegue perceber a dissimulação nos olhos da garota. – A célula se reuniu ontem.

Rebeca levantou os olhos devagar.

Poderia responder muita coisa.

Poderia dizer que aquela mesma menina já tinha mentido para a mãe sobre onde passou a tarde.

Poderia lembrar que o filho do diácono fumava escondido atrás do ginásio.

Poderia mencionar que metade dos membros da célula dos jovens da Comunidade vive de aparência e a outra metade de medo.

Se precisasse escrever os pecados de cada um deles, pensou, precisaria de um papel tão comprido que daria duas voltas no globo terrestre — e ainda faltaria espaço nas bordas.

Mas ela não disse nada disso.

Não valeria o esforço.

— Tinha muita lição de casa.

Simples.

Sem explicação extra.

Sem pedido de desculpa.

A menina inclinou a cabeça, avaliando.

— Hum.

Rebeca já estava passando por ela.

Não ia jogar o jogo.

Não ia disputar santidade.

Não queria provar nada para ninguém.

Ela só queria viver.

E, pela primeira vez, isso não parecia rebeldia.

Parecia decisão.

Janis a alcançou no corredor.

— Tudo certo?

Rebeca deu de ombros.

— Tudo.

Não estava tudo certo. Mas também não estava desmoronando.

E isso, para ela, já era vitória suficiente.

***

A casa da Janis era menor do que a Rebeca.

Bagunçada de um jeito confortável e com cheiro de tempero no ar.

 

Moisés permitia que a filha visitasse Janis todas as tardes, com a condição de que Rebeca ensinasse música para Janis.

Janis não fazia parte da Comunidade, mas Moisés consentiu com as aulas sob o pretexto de evangelizar uma alma que estava perdida no mundo.

No início Rebeca tentou ensinar Janis a tocar, mas a amiga estava pouco interessada em aprender.

- Eu só queria que você pudesse respirar um pouco. – Janis confessou um dia.

- E o que pretende fazer com seu teclado?

- É um excelente item de decoração. – Janis deu um sorriso torto. – Faz meu quarto parece mais sofisticado do que realmente é.

Janis e Rebeca largaram as mochilas no sofá.

— Vamos fazer pizza? — Janis perguntou.

Rebeca soltou o cabelo.

Ali, ela podia respirar de outro jeito.

— A gente sabe fazer? – brincou.

— A gente descobre.

Farinha na bancada. Molho espalhado demais. Queijo em excesso.

Rebeca riu quando a farinha grudou no nariz de Janis.

Um riso alto.

Solto.

Não contido.

O forno esquentou a cozinha.

Quando a pizza ficou pronta, elas levaram a forma para a sala.

Janis colocou o filme escolhido especialmente para aquela tarde.

O tubarão surgiu na tela.

A trilha criou tensão exagerada.

Rebeca se encolheu um pouco quando a música subiu.

Janis provocou:

— Coragem só na vida real, né?

Rebeca revirou os olhos.

— Cala a boca.

Mas quando o susto veio, ela segurou o braço da Janis.

Elas comeram pizza direto da forma.

O queijo esticava. A borda estava um pouco queimada.

Mesmo assim, Rebeca se sentia feliz.

Aquelas duas horas diárias com Janis eram as melhores partes de seu dia.

***

O sol já estava mais baixo quando Rebeca foi para a rua.

Os risos das duas ainda ecoavam dentro dela.

Infelizmente, fora da casa de Janis, a rua tinha outra frequência.

Mais quieta. Mais rígida.

E ali estava a irmã Dalila.

Sacola de compras pendurada no braço. Olhos atentos demais.

Ela não sorriu.

Ela examinava.

Da cabeça aos pés.

Como quem procura um erro visível.

Rebeca sentiu o olhar.

Sabia o que significa.

Sabia que qualquer coisa pode virar comentário.

A vontade era clara, quase física:

Mandar aquela mulher para o inferno.

Ela não podia fazer nada disso.

Mas, não ia abaixar a cabeça. Não ia forçar simpatia.

Passou com o queixo levemente erguido.

Sem cumprimentar.

O silêncio era o gesto.

E a irmã Dalila não deixou passar.

— Boa tarde, Rebeca.

A voz tem açúcar demais.

Rebeca parou por meio segundo.

Sem virar o corpo.

— Boa tarde.

E continuou andando.

Não havia desrespeito explícito.

Mas havia ausência de submissão.

E isso era suficiente.

***

A mesa estava posta.

Frango assado. Arroz. Feijão.

Rebeca se sentou.

Moisés serviu os pratos.

Quando chegou no dela, ignorou o frango.

Só arroz. Só feijão.

Débora percebeu.

— Moisés… hoje não era o último dia do castigo de Rebeca?

Ele não olhou para a esposa.

— Era.

Silêncio.

— Mas parece que ela ainda não aprendeu.

Rebeca mastigou devagar.

- Senhoras e senhores. – Pensou. Está entrando no ar mais uma edição do Rebeca News.

— A irmã Dalila comentou que nossa filha passou por ela e agiu como se ela não existisse.

Débora respirou fundo.

— Talvez ela não tenha visto…

— Ela viu.

Moisés olhou para Rebeca.

— Você viu?

Rebeca levantou os olhos.

Sustentou o olhar.

— Vi.

A tensão na mesa cresceu.

— E por que não cumprimentou direito?

Silêncio.

Ela poderia dizer que cumprimentou.

Poderia se explicar.

Poderia pedir desculpa.

Mas ela estava cansada.

— Eu disse boa tarde.

A resposta era simples.

Mas o tom saiu neutro demais.

Moisés inclinou levemente a cabeça.

— Essa casa é exemplo para a Comunidade.

A frase voltou.

Como mantra.

Rebeca continuou olhando para ele.

Tempo demais.

O olhar dela não era insolente.

Mas também não era submisso.

Era… indiferente.

Isso feriu mais do que um grito.

— Se você continuar me olhando com essa carinha blasé — a voz dele endureceu — vai ficar sem jantar.

A palavra pesou.

Blasé.

Rebeca manteve o olhar por mais um segundo.

Só mais um.

Depois baixou os olhos.

E um meio sorriso quase invisível surgiu no canto da boca.

Não era deboche.

Era resistência contida.

Ela pegou o garfo.

Colocou uma garfada de arroz e feijão na boca.

Mastigou.

Em silêncio.

Débora apertou os dedos sob a mesa, esperando a explosão.

Mas ela não veio.

Moisés voltou a comer.

O silêncio era mais pesado do que qualquer grito.

***

Rebeca lavou o próprio prato.

Depois o da mãe.

Depois o do pai.

Moisés não pediu.

Mas ela fez.

Silêncio na cozinha. Som da água. Louça batendo leve.

Quando terminou, secou as mãos no pano.

— Vou praticar um pouco.

Moisés não respondeu.

Só virou a página da Bíblia.

Ela subiu.

O teclado estava no canto do quarto. Sempre esteve ali. Refúgio silencioso.

Normalmente ela começava com hinos. Escalas. Exercícios.

Mas naquela noite, os dedos hesitaram.

E depois encontraram outra coisa.

Um riff simples. Reconhecível. Mas deslocado naquele ambiente.

“The Man Who Sold the World.”.

Ela tocou baixo. Quase delicado. Mas suficiente.

Não era escândalo. Era mensagem.

No andar de baixo, Moisés franze a testa.

A melodia não era familiar.

Não era louvor.

Não era congregacional.

Ele fechou a Bíblia devagar.

— Débora.

Ela já sabia.

— Sobe lá. Vê o que ela está tocando.

Débora subiu rápido demais.

O coração acelerado.

Abriu a porta sem bater.

Rebeca estava sentada no banco.

Dedos ainda nas teclas.

E um sorrisinho discreto no canto da boca.

Ela estava esperando.

Débora fechou a porta atrás de si.

— Rebeca…

A música continuou por mais dois compassos.

Depois ela parou.

Silêncio.

— Desliga isso, minha filha.

A voz da mãe não era dura.

Era cansada.

— É só música, mãe.

— Você sabe que não é “só”.

Rebeca girou no banco, encarando a mãe.

— Ele não gosta de mim.

A frase veio simples. Sem choro.

Débora engoliu seco.

— É claro que gosta.

Rebeca balançou a cabeça devagar.

— Ele gosta da Rebeca que vive dentro da cabeça dele.

Silêncio.

A mãe se aproximou e se sentou na beirada da cama.

Não defendeu Moisés.

Não o justificou.

Apenas disse:

— Eu gosto da Rebeca de carne e osso.

Rebeca piscou.

A frase atingiu fundo.

— Justamente por isso… — Débora continuou — eu não quero que você vá dormir com o coro quente por causa de umas cintadas.

Não era ameaça.

Era medo real.

Rebeca desviou o olhar por um instante.

A bravura diminui um pouco.

— Eu não estava fazendo nada demais. – Reclamou. – Em nenhuma das vezes que ele me castigou.

— Eu sei.

Pausa.

— Infelizmente, é uma coisa que seu pai não consegue enxergar.

Silêncio pesado.

Débora tocou o rosto da filha com cuidado.

— Não o provoque hoje.

— Eu não provoquei.

— Provocou um pouco.

Um quase sorriso triste.

Rebeca suspirou.

Desligou o teclado.

A mãe se levantou.

Antes de sair, disse:

— Vai dormir.

Rebeca falou baixo:

— Eu nunca vou ser a filha que ele quer que seja.

Débora parou.

Não respondeu.

Mas não foi capaz de contradizer.

E isso, talvez, fosse a resposta.

 

 

 

 

 

Fim do capítulo


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior
  • Próximo capítulo

Comentários para 2 - Capitulo 2 - O último dia do castigo:
menteincerta
menteincerta

Em: 14/04/2026

O estrago que a religião faz na vida das pessoas quando usada como arma me entristece tanto. Pensar que a arte só existe nesse molde porque a vida veio antes, trazendo essa crueldade disfarçada de amor a Deus


Elin Varen

Elin Varen Em: 15/04/2026 Autora da história
Obrigada por compartilhar esse sentimento comigo.
Esse é um tema que também me atravessa muito, e acabou encontrando espaço na história de forma bem natural.

Acho que, quando algo tão humano como a fé é distorcido e usado como arma, as marcas acabam sendo profundas… e, de certa forma, a arte acaba refletindo essas vivências mesmo.

Fico feliz que a história tenha despertado esse tipo de reflexão em você. Obrigada por ler com tanto cuidado.


Responder

[Faça o login para poder comentar]

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web