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Otherside - Como a vida deveria ser por Elin Varen

Ver comentários: 1

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Palavras: 1442
Acessos: 236   |  Postado em: 24/02/2026

Capitulo 1

 

Otherside

Como a vida deveria ser

 

Tempo presente.

O teatro estava quase vazio quando Rebeca tocou a última nota.

O som não morreu imediatamente. Ele se espalhou pelo espaço, subiu até o teto ornamentado, voltou pelas paredes e repousou suave sobre as cadeiras.

Ela manteve as mãos sobre o teclado do piano por alguns segundos a mais.

Silêncio.

Não o silêncio da infância — pesado, vigilante.

Esse era diferente.

Era escolha.

As luzes técnicas ainda estavam acesas. Não havia plateia. Apenas alguns técnicos de som ao fundo, organizando cabos, e o eco suave da própria respiração.

— Quer repetir a última canção? — alguém perguntou da coxia.

Rebeca balançou a cabeça negativamente.

— Não. Já terminamos.

Ela sabia quando algo estava pronto.

Fechou a tampa do piano com cuidado, como quem encerra um capítulo de um livro querido.

O teatro tinha cheiro de madeira aquecida e verniz antigo. Ela passou os dedos pela superfície do piano uma última vez.

A temporada terminava naquela semana, depois de um ciclo de apresentações lotadas. Críticas generosas. Um jornal descrevera sua composição como: “Uma prece sem igreja.”

Ela tinha recortado a frase de um jornal e guardado dentro de seu diário.

Houve um tempo em que ela tocava escondido.

Em que o som precisava ser baixo.

Em que a música era quase um pedido de desculpas.

Agora, ela tocava em concertos.

E, dali a poucos dias, caminharia até o altar.

Sem pedir desculpa.

Ela guardou as partituras na pasta preta. Entre elas, a composição final da noite.

Título manuscrito no topo da página:

“Duas Horas.”

O nome sempre a fazia sorrir.

Porque fazia aflorar lembranças muito boas.

Duas horas de adolescência.

Duas horas de música.

Duas horas de liberdade.

Duas horas de amor crescendo devagar.

Rebeca foi para o camarim, pegou suas coisas e saiu pela porta de artistas. Foi para o carro. O celular vibrou antes que ela entrasse.

Janis.

Ela sorriu antes mesmo de abrir a mensagem.

- Como foi?

Rebeca digitou:

- Última nota tocada.

Demorou dois segundos.

- Você chorou?

- Só por dentro.

Três pontinhos apareceram.

- Dorme aqui hoje?

- A gente mora juntas. – Rebeca riu sozinha. – Esqueceu?

A resposta veio imediata.

- É claro que não. Mas hoje eu quero você chegando em casa como quando a gente era adolescente.

Rebeca acariciou a borda do telefone, como se, de algum modo, aquele gesto pudesse ser sentido por Janis.

- Eu peguei pizza. E achei aquele filme que você tanto gosta.

Rebeca fechou os olhos.

O celular vibrou novamente.

- Beca? Você está pensando demais. – Janis reclamou. – Vai me dar bolo?

- É claro que não. – Rebeca digitou: - Mas preciso fazer uma coisa primeiro.

A noite estava morna.

A cidade seguia normal demais para alguém que estava encerrando uma fase inteira da vida.

Enquanto dirigia, pensou na caixa que a aguardava no antigo apartamento que dividira com Janis, onde os convites do casamento delas esperavam por uma revisão final.

Pensou na lista de nomes.

Pensou em quem ficava.

Pensou em quem não.

Pensou em quem a ajudou a sobreviver até ali.

 

***

 

O antigo apartamento estava praticamente vazio. A maior parte dos pertences das duas já havia sido levada para a casa nova. Ao entrar naquele espaço, Rebeca sentiu algo que não era nostalgia — era reconhecimento.

Aquelas paredes, que outrora abrigaram as cores vibrantes de Janis e agora estavam completamente brancas, foram testemunhas dos melhores e mais felizes anos da vida de Rebeca.

Ela segurava uma pequena caixa marrom, semelhante a outras que estavam espalhadas pela sala. Dentro dela, pequenos tesouros em feitos de papel: os convites de seu casamento, enviados por engano para o antigo endereço. A curiosidade acabou vencendo sua força de vontade e Rebeca decidiu desfrutar aquele momento antes de se encontrar com Janis. Vasculhou as caixas que estavam espalhadas pelo chão, em busca de uma tesoura.

No meio de cadernos, pinceis, lápis e tintas, encontrou algo inesperado. Seu antigo diário. O primeiro de todos os que havia escrito ao longo da vida. A capa era de papelão simples, mas Janis conseguira deixá-la especial, decorada com pequenos desenhos e adesivos que conseguira para Rebeca. Ali, a adolescente que Rebeca fora deixara registrados seus conflitos e aflições. Separou-o e continuou sua busca pela tesoura.

Sentou-se no chão e, finalmente, conseguiu abrir a pequena caixa em que estavam guardados os convites.

Segurava um dos convites entre os dedos, observando as cores que Janis escolhera. O grafite que antes pulsava apenas nas paredes, agora estava impresso em papel grosso. Na parte inferior, em letras menores, estava escrita a frase que se tornara símbolo do amor delas: “Não há pecado em florescer.”.

Rebeca tocou o nome de Janis com a ponta dos dedos e sorriu. Perdida em pensamentos, Rebeca assustou-se com o telefone vibrando mais uma vez:

- A pizza está esfriando!

Rebeca sorriu. Levantou-se, pegou a caixa com os convites, seu antigo diário e foi-se ao encontro de Janis.

***

 

A porta já estava entreaberta.

— Eu sabia que você não ia esperar eu tocar a campainha — ela disse, empurrando devagar.

Janis apareceu no corredor com uma caixa de pizza nas mãos e aquele sorriso torto que nunca mudou.

— Você demora de forma dramática quando está emocionada. Eu me adiantei.

Na mesinha de centro, duas taças de vinho. E, ao lado delas, algo que fez Rebeca parar.

O velho fone de ouvido.

Um lado enrolado cuidadosamente sobre o outro.

— Você guardou isso? — ela perguntou.

Janis deu de ombros.

— Algumas coisas não se jogam fora.

Silêncio.

Rebeca atravessou a sala devagar. Pousou a bolsa no chão. Tocou os fones como quem toca um relicário.

— Eu tinha tanto medo. — ela confessou baixinho.

Janis fechou a caixa de pizza e a colocou sobre a mesa.

— Eu sei.

— Medo de ser feliz demais e Deus se zangar comigo por isso. Às vezes me pego esperando que algo dê errado.

Janis respirou fundo. Aproximou-se.

— Ele não se zangou com você. E está tudo em paz.

Rebeca ergueu os olhos.

— Sim, está.

Elas ficaram a poucos centímetros uma da outra. Não havia urgência. O amor delas nunca mais precisou correr.

Janis pegou o controle remoto e deu play.

A música de abertura começou.

O mar apareceu na tela.

Rebeca soltou uma risada suave.

— Você realmente escolheu esse filme.

— Eu pensei que estava na hora de assistir direito.

Elas se sentaram no chão, costas apoiadas no sofá, como faziam antes. A pizza esquecida por um instante.

Rebeca tirou algo da bolsa.

O antigo diário.

Janis reconheceu na hora. O rosto dela mudou — menos piada, mais verdade.

— Você o encontrou.

— Eu queria ler uma coisa.

Rebeca abriu na primeira página. A folha já levemente amarelada pelo tempo.

Ela leu:

— Estávamos assistindo Tubarão. Mas eu só conseguia pensar no mar. Como uma coisa tão grande poderia caber em um mundo tão pequeno quanto o meu?

A voz dela falhou um pouco.

Janis apoiou o queixo no ombro dela.

— E coube?

Rebeca fechou o diário devagar.

— Não.

Janis levantou uma sobrancelha.

— Não?

Rebeca virou-se para ela, os olhos brilhando.

— O mundo que eu vivia era pequeno demais. Então eu fui embora dele.

Silêncio.

A televisão iluminava as duas com reflexos azulados.

Janis ficou séria. De um jeito raro.

— Eu nunca te perguntei uma coisa.

— O quê?

— Se você teria escolhido tudo de novo. Mesmo sabendo do caos.

Rebeca não pensou.

— Escolher você nunca foi o caos.

Foi simples assim.

Janis engoliu em seco. E, como se não aguentasse mais manter aquilo guardado, levantou-se de repente.

— Espera.

Ela foi até o quarto antigo.

Rebeca ouviu o som de uma gaveta abrindo.

Quando Janis voltou, trazia uma caixinha pequena nas mãos.

Não era surpresa — o pedido já tinha sido feito meses antes, entre risos e lágrimas. Mas aquilo parecia diferente.

Janis ajoelhou mesmo assim.

— Eu queria fazer de novo — ela disse. — Para celebrar sua chegada ao novo mundo.

Rebeca já estava chorando antes mesmo das próximas palavras.

— Você ainda quer casar comigo?

A pergunta não era insegura. Era reverente.

Rebeca desceu para o mesmo nível, ajoelhando também.

— Eu ainda quero crescer com você.

Janis riu, emocionada.

— Isso não estava no script.

— Melhorar o roteiro faz parte.

Elas se beijaram ali mesmo, no chão da sala, enquanto o som do mar preenchia o apartamento.

Do lado de fora, a cidade seguia indiferente.

Mas dentro daquele espaço pequeno, o mundo — finalmente — era grande o suficiente

 

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 1 - Capitulo 1:
menteincerta
menteincerta

Em: 14/04/2026

Fazia tempo que eu não lia nada por aqui e hoje bateu vontade de voltar. Sua história foi a primeira que vi, e a sinopse me fez ficar para ler por curiosidade.

Que sensibilidade com as palavras nesse primeiro capítulo!


Elin Varen

Elin Varen Em: 15/04/2026 Autora da história
Muito obrigada pelo seu comentário.
Fico feliz de verdade por saber que a história te chamou atenção logo pela sinopse, e mais ainda por você ter decidido ficar para ler.

Esse primeiro capítulo foi escrito com muito carinho, então ler que você sentiu essa sensibilidade nas palavras significa muito pra mim.
Espero que a história continue te acompanhando daqui pra frente.


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