Segredos por Elliot Hells
Capitulo 65 Vamos fazer uma trilha?
Havia acontecido muitas situações nos últimos meses[1], a ex-namorada de Elizabeth Heinz havia surgido, tornando-se a nova CEO do estúdio do Pierre, local que trabalhava e também colaborava. Depois disso, a detetive Van Dahl foi escalada para a missão de repatriação de alguns brasileiros que estavam no território Ucraniano. Além dessa missão, seu esquadrão ficou responsável por resgatar um outro grupo de pessoas.
Essa missão custou quase a sua vida, todo seu esquadrão foi dizimado e a jovem detetive, sofreu sérios traumas, ferimentos e uma perda temporária de sua memória. Com esforço e dedicação da legista, a doutora Sophie, Valquíria foi recobrando suas memórias perdidas até a plena capacidade.
Por outro lado, os pais de Charlie e de Izzy e Bess faleceram, o que deixou todos em um clima muito depressivos e desanimador durante várias semanas. Mas aos poucos pequenas felicidades batiam a porta, como as descobertas da fuga da jovem Lorelai muitos anos atrás.
Isso fez com que Henrique e Kitty reunissem a turma mais uma vez para uma aventura. Ambos queriam rever todas juntas e levar a Blues em mais outra aventura com eles. Os dois encontravam-se no apartamento do empresário que andava sem camisa, apenas uma bermuda preta. A outra não o fitava muito, o que ambos já tinham desenvolvido era aquela amizade fraternal. H2 era tão próximo de Kitty como de Vivienne que os três se respeitavam como uma família, sem segundas intensões. Embora, para os de fora, a intimidade que possuíam, pudesse ser interpretada equivocadamente.
Kitty fazia uma busca no notebook do rapaz que tinha o outro notebook aberto. Ela já tinha selecionado alguns locais para ambos decidirem, enquanto H2 iria expor todo o roteiro de viagem. Ela parou de digitar e com o Word e o Excel abertos começou a falar:
- Pronto, fiz a tabela de preços e separei cada item de aventura e o que precisaremos e gastaremos em cada um deles, precisamos definir qual será – Kitty virou a tela do notebook na direção do Henrique que se inclinou com a mão no queixo com uma barba por fazer para ver e ler melhor.
- Adorei todas as cinco opções – informou ele satisfeito em como a amiga pesquisou bem. Kitty abriu um sorriso de satisfação. Por sua vez, ele voltou a fita-la com um olhar reflexivo e tornou a falar – Mas precisamos levar em conta alguns interesses de cada.
Kitty, imitou o amigo, e também colocou a mão no queixo em gesto de reflexão mutua.
- Exatamente, acredito que nós dois somos cartas coringas dessa aventura, pois toparemos qualquer coisa, certo? – buscava uma confirmação do outro que veio imediatamente.
- Com toda certeza! Eu topo qualquer uma dessas aventuras! – dizia animado. – Vamos listá-las, temos: praia, rapel, off-road, montanhismo e trilha. – digitava no seu notebook, enquanto falava.
Kitty suspirou com o que iria dizer a seguir
- Agora a parte chata, colocar os contras das viagens. – mexeu um pouco os lábios inferiores para analisar os contras. – Quanto a praia, embora seja um bom momento, elas precisem relaxar não acho que será o ideal para o que cada uma presenciou. Sem mencionar que é tão próximo de nós e vamos quase sempre.
Henrique a olhou e foi para o próximo item da lista.
- Rapel eu sou amante demais! Porém, sabemos que a Enne precisa superar o seu medo de altura. Valquíria e Liz são duas aventureiras que topariam também, contudo nunca parei para saber se a Sophie tem problemas com altura também. Acho que temos alguns imprevistos nisso aqui e a Enne, com toda certeza não topará logo de primeira. Também não sei se a Carole ou a Ruby possuem algum medo. – a irmã também concordava com aqueles fatos, balançando a cabeça negativamente.
- Próximo tópico – disse a ruiva – off-road. Por mais que eu tenha adorado e é unanime que todos toparíamos de novo, nós já fizemos e embarcamos nessa aventura, eu queria algo diferente, mas não poderia deixar de mencionar algo que tanto amamos. – Henrique também apoiava a visão da amiga, amava off-road, mas de fato, uma outra aventura, totalmente diferente, cairia bem.
- Quanto ao montanhismo, na certa sofreríamos com dois quesitos, primeiro que deveremos sair do Estado e para um final de semana, a disponibilidade delas não está muito boa. Segundo que teremos o dilema de altura com a Enne, novamente. Talvez uma próxima vez, antes do rapel até. Podemos salvar, esses dois elementos para uma próxima aventura. – sugeriu. Enquanto H² acaba de criar uma pasta de aventuras futuras para eles.
- Perfeito, concordo plenamente. E só sobrou uma última opção, trilha! – Kitty começou a ler – Os argumentos contra são um tanto fracos, sedentarismo da minha irmã, alguns mosquitos e o desconhecimento de algum guia para fazermos essa jornada.
- Nem se preocupa com isso, Kitty! Conheço trilhas ótimas que a Vivi não terá como recusar e algumas delas são leves. – ele parou e começou a pensar. – Sabe, a Vivi tem saído muito com a Blues para passear, uma vez conversei com a Liz de que a border delas precisa de treinos regulares e passeios constantes. – continuou, fazendo a ruiva se virar para ouvi-lo melhor – A Vivi tem levado a Blues para passear e contado quantos quilômetros andam fazendo, talvez ela não esteja tão sedentária quanto antes. Namorar com a Liz trouxe um outro estilo de vida e energia para a Enne, é tão bom poder vê-la feliz.
Kitty se recostou-se no sofá com o final da fala do amigo:
- Quando a Enne casou com o Alexander, mesmo que ela falasse que era feliz, sempre senti que faltava algo pelo olhar dela. – Kitty se recordava de como era a irmã naquela época. Henrique a olhou e tinha aquela expressão de quem buscava uma cena exata. – Enne sempre foi muito fechada e subserviente, você recorda disso?
- Claro, por qual razão acha que discutíamos? Ela conseguia se abrir, apenas para você e para mim. Porém, depois do Alexander, dos dois primeiros anos de casamento, ela foi se tornando mais fechada e outra pessoa. Uma marionete sem desejos e vida própria. Alexander tirou tudo dela, inclusive a vontade de viver. – completava ele com um tom fraco.
Kitty o olhou de volta de soslaio com um sorriso travesso e zombeteiro para amenizar o clima que se instalou.
- Engraçado como ela acabou se envolvendo com a sua vizinha. Sem contar que antes elas eram um verdadeiro cão e gato. Nunca vi duas pessoas brigarem tanto. – Kitty soltou um ar de riso, por recuperar a cena na praia que encontrou a vizinha correndo. Elizabeth despertava todos os lados ocultos da sua irmã caçula. Lados que Kitty não costumava ver, inclusive, o verdadeiro sorriso de Enne, que havia sido roubado por tantos anos por Alexander, agora ele ressurgira, mais belo e mais forte.
- Elas brigaram muito mesmo e a intensidade que se entenderam também foi instantânea. – Henrique deu dois tapinhas suaves em Kitty apenas como lembrete de que agora elas eram um lindo casal.
- Sim, uma canceriana e uma escorpiana juntas! Isso dá o que falar – começou a rir. – intensidade e drama em dose quadrupla!
- Lá vem você de novo! – revirou os olhos. – Mas a senhorita também não fica de fora, a grande sagitariana, de espírito livre foi fisgada totalmente por outra Heinz! Charlie laçou você mesmo, não foi?
Kitty abria o sorriso, não podia negar que a loira a fisgou totalmente.
- Você está certíssimo, acho que os Heinz são as criptonitas dos Lamartines, só pode, porque ficamos de quatro para essas mulheres. – Kitty ria alto, enquanto H2 se juntava na risada.
- Só você para inventar uma frase dessas – dizia o amigo. - Bom, vamos voltar com o plano da viagem que é o melhor a se fazer. Acho que devemos jogar toda essa planilha e os pros e contras no nosso grupo. – sugeriu o moreno, já abrindo o app no notebook.
Kitty sentou direito novamente, segurando o notebook e digitando.
- Acho uma boa ideia – fez o mesmo, até que parou. – Por que não fazemos uma chamada de vídeo com todas? – estava animada com a sua brilhante ideia.
- Acredito que a detetive e a Sophie estão trabalhando, Liz e Enne podem estar no transito voltando para cá. Charlie, você deve saber que é corrido em hospitais e Carole e Ruby... bom possuem horários mais flexíveis. Vamos arriscar uma mensagem. – ele dizia, começando a escrever.
“Henrique H.: Hello, ladies!
Tivemos uma brilhante ideia e queremos a confirmação de vocês. O que acham desse final de semana fazermos uma trilha? Enviarei a planilha com todas as informações, fotos, atividades que podemos fazer no local. Aguardo respostas!”
“Kitty L.: Antes que eu esqueça, seria primordial a presença de todas! Sabemos o quanto o trabalho de vocês é demasiadamente estressante, em especial, @Valquíria V.D e @Sophie S. Então, venham! Precisamos fazer algo assim novamente. Principalmente porque o momento pede um contado com a natureza. Assim, a turma estará toda reunida!”
Após três minutos do envio das duas mensagens, uma das pessoas responde no grupo.
“Vivienne L: Kitty, você e o Henrique juntos aprontam, não é? Rapel? (risos) Talvez quando eu estiver com pensamentos mórbidos. Mas é um talvez. Enfim, adorei a sugestão, Elizabeth e eu concordamos que devemos sim, nos reunir, tivemos muitos acontecimentos fortes, algo para relaxar seria bem-vindo. Inclusive ela adorou a ideia da trilha.”
Enquanto Kitty e Henrique liam a mensagem da Vivienne e morriam de rir, por saber que ela colocaria algo assim, estava sendo gravado um áudio do contato da Vivienne, porém, a voz era de Elizabeth.
“Vivienne L (Elizabeth H.) áudio de trinta segundos: Estou de acordo com a trilha. Fantástico a ideia dos dois! Estou com a Enne e vamos para casa, passaremos por aí para sabermos dos detalhes! Contem com a nossa presença”
Após mais dez minutos, Charlie respondeu:
“Charlie Heinz: Oi amor, acho que não preciso nem confirmar, sabe que estarei em todas, concordo com a Lizz, ideia fantástica, foram tempos sombrios, acho que um contato com a natureza, amigos e família fará bem para levantar os animos! Estou um pouco atolada aqui no hospital, mas o que for, a Kitty decide e vamos todos.
A próxima a mandar mensagem foi Carole e Ruby, um áudio alegre, contendo a voz de ambas, sendo gravado do celular de Ruby.
“Ruby (Carole) áudio de trinta segundos: Estamos mesmo precisando de um momento com o contato da natureza. (falava Ruby). Isso, eu também concordo, seja o que for, estamos dentro! (Carole falava por fim).
Assim foi a vez de Sophie mandar uma mensagem:
“Sophie S: Saudações amigos,
As opções anteriores são satisfatórias, embora, também tenha me interessado pela trilha, em alguns casos, temos chances de conhecer algumas comunidades indígenas e seus costumes. Será uma experiência maravilhosa com a natureza! Contem comigo! Na certa a @Valquíria V.D irá.”
Quando Kitty e Henrique leram a resposta de Sophie começaram a rir.
- Nossa, a doutora que está colocando as ordens! – Kitty começava a rir alto e mandou emogis com risos no grupo, enquanto Henrique respondia com “gostei de ver”. Kitty segurou no ombro do amigo e mostrou a tela do notebook, colocando o indicador no que queria mostrar. – A detetive está digitando!
Henrique e Kitty levaram a mão na boca e riram juntos.
Todos esperaram calmamente, parecia um suspense que estava reinando ali. Um minuto se passou. Kitty começava a pensar que ela estava escrevendo um artigo com todos os argumentos para não ir. Henrique mordiscava o lábio, também apreensivo, mas o aplicativo apenas mostrava: Valquíria está digitando...
Após dois minutos e ainda aparecendo que Valquíria estava digitando cogitaram que os computadores de ambos haviam travado.
- Será que está com problemas? – questionou o moreno, tentando carregar a página de novo, porém impedido pela ruiva.
- Não espera, olha! Ela acabou de enviar.
O suspense enfim acabou e a mensagem que veio foi:
“Valquíria V.D: Ok, irei!”
A mensagem que custou os maiores minutos e tensões da vida dos dois, só continha aquelas duas palavras. Kitty estava horrorizada com o que havia acontecido, começou a digitar o que a detetive iria escrever realmente para ter digitado por mais de minutos e só aparecer aquilo.
- Não, você não vai enviar isso! – bronqueou Henrique.
- Eu vou sim, que negócio foi esse que ela fez?
“Kitty L: Todo esse tempo para isso, Val? O que de fato iria digitar, detetive?” – provocou a ruiva.
Henrique colocou a mão no rosto, Kitty não conhecia muito o significado da palavra limite. Novamente o nome “Valquíria está digitando” apareceu na tela dos dois e outra vez um suspense pairava ali. Só que dessa vez a resposta não tardou muito.
“Valquíria V.D: Eu ia dizer que depois respondia, mas como a Sophie está aqui do lado, ela me fez apagar e estava prestes a digitar por mim. Então, apenas peguei o celular, apaguei a mensagem que ela escreveu e digitei o que já viram, por isso toda a demora.”
A expressão de ambos foi de pura surpresa com aquilo. Henrique então resolveu mandar a última mensagem daquela conversa, informando que mais tarde todos fariam uma chamada de vídeo para oficializar a nova aventura dos nove.
Algumas horas mais tarde...
O relógio batia 22 horas da noite, foi quando todos estavam desocupados. No apartamento de Liz se encontravam as irmãs Lamartine, Henrique e a própria Liz que tinha conectado o notebook em sua tela de 72 polegadas para realizaram melhor a chamada de vídeo. Enquanto do outro lado da tela, Sophie estava com a detetive Van Dahl em sua casa aguardando os planos de viagem. Na casa de praia de Elizabeth, estava Carole e Ruby, onde moravam e cuidavam do local. Charlie estava com o jaleco de médica, estava em seu horário livre e estava pelo celular, tomando um café preto quente.
- Então, como todos e todas aqui concordam em fazermos uma trilha, Henrique dirá o que ele e Kitty planejaram. – Liz foi uma das primeiras a falar e depois voltou a sentar ao lado de Vivienne, passando o braço envolta dos ombros da outra que se aconchegou. Um gesto que já estava normalizado entre as duas.
- Como grandes aventureiros, tivemos uma ótima ideia. – Começou Henrique.
- Melhor do que ótima! Perfeita! – completou Kitty que compartilhou um arquivo com todas, demonstrando a rota de viagem e tempo. – Como sabem, decidimos fazer uma trilha, não é tão pesada assim, logo podemos fazer um dog trekking[2]!
Liz abriu um sorriso e acariciou a cabeça da Blues que já estava com todas as características de um border collie adulto.
- O percurso será o seguinte, uns 14 quilometros, sete de ida e mais sete de volta. No local, chamado Het pad van de vallei[3] conta com rios, caminhada na maior parte pela sombra, caminhada leve, travessia de cordas, caiaque e muito mais. – explicava Henrique.
- Quanto custa toda essa diversão? – quis saber Valquíria.
– Iremos pagar pelo guia uns R$ 50,00 reais por pessoa, taxa de R$ 10,00 reais por cachorro e o que consumir e utilizar lá. A alimentação é fora parte e também o transporte. – Kitty explicava, indo de um lado para o outro lendo as informações -. Devemos nos reunir por volta das 6h45 e tudo deve terminar por volta de umas 16h. O local da reunião será enviado pelo guia e eu já coloquei nossos nomes.
- Bom, nós já concordamos em ir – Sophie foi a próxima a falar, através da vídeo chamada, estando ao lado de Valquíria. – só preciso que me passem a conta de vocês para fechar o pagamento.
- Isso, passem a conta que iremos depositar. – Carole falava ao lado de Ruby, concordando com o pensamento de Sophie.
- Nada disso! – Henrique levantou os braços as interrompendo, fazia gestos de pausas. – A última viagem foi tudo proporcionado por Liz, dessa vez, eu e a Kitty estamos responsáveis por isso. Na próxima vocês pensam em algo! – ele sorriu de forma brincalhona. – Não precisa! Vocês só irão ficar responsáveis pela comida de cada um de vocês mesmo. O resto é com a gente. Só precisamos ir, ok?
- Ah, mas fico incomodada de vocês bancarem tudo isso. – Charlie foi a próxima a falar. – amor, me deixe entrar nessa participação.
- Nem pensar, H² e eu já tomamos a frente, pensem o que podem contribuir na trilha.
Vivienne tomou a vez da fala.
- Eu fico responsável pelos lanches de todos, é o mínimo que podemos fazer e tem bastante tempo que não saímos todos em uma aventura na natureza, será divertido como na última vez! Organizo um piquenique – segurou a mão de Liz que apenas confirmou.
- Certo, então Valquíria e eu tomaremos conta da diversão por lá e do que precisar alugar, tudo bem? – Sophie sugeriu, sendo rapidamente acompanhada por Valquíria que concordava com essa sugestão. Todos entraram em um acordo e o final de semana estava decidido e organizado.
- Agora como faremos a divisão dos carros? – Valquíria quis saber.
- Podemos fazer da seguinte forma, Liz com a Enne e a Blues, Valquíria com a Sophie, Kitty, obviamente dessa vez vai com a Charlie, eu posso levar a Carole e a Ruby, o que acham?. – Henrique cansou de ficar em pé e sentou na outra poltrona, ainda de frente para o telão.
Liz interviu.
- Ou podemos usar apenas dois carros. No meu carro podem ir a Valquíria, Lora, Henrique e cabe a Blues, já Charlie com a Kitty, Carole e Ruby, o que for melhor – argumentou. – Economizaremos gasolina dos outros carros.
- Concordo com essa ideia, porém, vamos levar muita bagagem, cada um de nós levará uma mochila de camping, além disso uma mochila deverá ser de uns 40 litros para levar as coisas da Blues, logo, se usarmos dois carros será apertado para todos nós, a Blues e as mochilas de camping. – Valquíria abria uma cerveja e começava a tomar. Enquanto Sophie degustava um vinho e levantou a mão, como quem pede a vez da palavra.
- Valquíria está certa Albina, ficaria muito apertado. A capacidade do porta-malas da Wrangler é pequena, de apenas 142 litros. A Wrangler, às vezes, perde espaço quando o estepe é fixado no porta-malas. Isso nos consome alguns centímetros do porta-malas. – Sophie levantou um argumento pertinente, não recordado pelos demais.
- Mas estamos esquecendo que meu carro é uma picape ford raptor, com uma caçamba com capacidade de 1.496. Eu tenho espaço de sobra para levar nossas bagagens. – relembrou Charlie.
- Tudo bem, faremos dessa forma que a Charlie e a Lizz disseram, dará certo assim mesmo. – Henrique acabou por finalizar.
Alguns dias depois...
Era a noite de madrugada para fazer a trilha, o apartamento de Elizabeth e Vivienne, pois agora estavam vivendo juntas, enquanto Kitty e Henrique passaram a dividir o outro apartamento desde que o amigo a chamou para morar ali com a condição de não pegar sem avisar os seus produtos de pele e beleza. Elizabeth guardava quatro litros de água para ser utilizada por ela e Vivienne, enquanto colocava uma garrafa menor para a Blues. Colocou na bolsa com um kit de primeiros socorros para humanos como para cachorro, pois nunca sabiam que tipo de imprevisto poderia ocorrer, repelente, medicamentos para a pequena Blues, duas toalhas, roupas extras e calçados extras, além de carvão ativado em caso de picada de algum animal peçonhento para impedir qualquer situação mais grave com a Blues.
Em outro compartimento, seria colocado na manhã, as frutas desidratadas que compraram em um mercadinho estilo feira francesa com produtos naturais e desidratados. Além disso, petiscos e comidas separadas para a Blues. Necessariamente, Elizabeth iria carregar uma bolsa de 40 litros contendo o que era preciso para ela e Vivienne e a Blues. Enquanto a outra bolsa de 25 litros, era usado para mantimento para elas e os demais do grupo. Com as mochilas prontas e posicionadas para acordarem logo cedo, as duas mulheres foram deitar.
- Você acha que a Izzy iria querer ir? – indagou Vivienne, enquanto escovava os dentes. Bess que ajeitava a cama para dormirem parou, olhando a namorada.
- Ela iria gostar sim, mas ainda não podemos fazer nada para sermos socialmente duas pessoas. E sabe que ela está furiosa com o papai. – Bess colocava uma blusa mais confortável. – No lugar dela eu também ficaria, se ele tivesse feito isso conosco!
- Eu sei, Bess. – Enne terminou de se escovar e abraçava a namorada por trás, depositando um beijo em suas costas. A outra virou para fita-la e depositou um beijo no topo da sua cabeça.
- Precisamos deitar, acordaremos bem cedinho amanhã – Bess puxou Enne para a cama e foram deitar.
4 horas e trinta segundos da manhã...
Elizabeth encontrava-se tomando banho no banheiro do andar de baixo, enquanto Vivienne fazia o mesmo movimento no andar de cima. Henrique e Kitty sairiam dali do condomínio com as outras duas mulheres, porém Sophie e Valquíria partiriam da sua residência para o local de encontro, pois era de fácil conhecimento de todos.
Um ponto turístico muito famoso na zona sul da cidade de Nova Amsterdam, era um local como as feirinhas francesas, repletas de comidas típicas da região, frutas e outras coisas a mais. A noite o pessoal gostava de passear por ali para degustar da comida local, pois ficava bastante iluminada, ao que os norte-americanos chamariam de food truck.
Elas terminaram de se arrumar, tomaram um leve desjejum, finalizando tudo as cinco horas e meia da manhã. Até aí daria ainda tempo de chegar no local de encontro sem atraso. Com poucos minutos Henrique e Kitty bateram na porta das duas mulheres, informando que estavam prontos, todos desceram e foram para os seus respectivos carros. Blues estava animada por poder ir nessa aventura.
A Wrangler da Elizabeth saiu na frente, seguido pelo Tac Stark preto de Henrique. Não demorou muito e já estavam na frente da feirinha francesa, semelhantemente, o carro de Valquíria também já estava lá. Ao que parece, chegaram próximas uma da outra. Falaram entre si, deram seu bom dia, pegaram as mochilas e colocaram nas costas. Blues estava na guia de mãos livres que Bess havia comprado para esses momentos.
Eles se reuniram com um grupo que pareciam que fariam a trilha também. O guia, Diogo, deu bom dia e pediu a confirmação dos nomes, o que Henrique e Kitty assumiram o controle e começaram a fazer o check list. Como era esperado, o pessoal atrasou e tiveram que esperar alguns minutos pelo restante do pessoal. Somente as 8h00 saíram.
Começaram a descer uma estrada de asfalto que deveriam conduzir para a abertura da trilha. Todo o percurso em fila indiana foi mais ou menos de um quilometro, passando por casas, alguns animais soltos, e o mais intrigante, um pinscher fazendo pastoreio com diversos bodes. Blues ficou intrigada e Henrique disse:
- Parece que um pinscher está dando de 10 a zero na Blues, Liz. – ele riu sem piedade.
Liz rolou os olhos, e deixou a Blues se aproximar do pinscher que cheiraram um ao outro em gesto de reconhecimento e balançaram suas caldas. A tutora do pinscher logo chamou “Jededaia! Traga já esses bodes para cá!”. O pincher deu uma última cheirada em Blues e voltou a conduzir o bode.
Blues escutou o comando “vem” emitido por Liz e Enne e voltou a andar junto com elas. No caminho viram terra batida, gramados, folhagem até pararem no local que anunciava “Reserva Florestal”.
Diogo anunciou que boa parte daquele percurso seria feito abaixo das copas das árvores e deveria levar uns 3,5 quilometros até o vale. Lá, haveria pausa para banho, travessia de rio, passeio com caiaque. Foi anunciado que nunca ocorreu o aparecimento de animais peçonhentos como cobras, mas deveriam ficar atentos com a mata. Ele informou sobre o uso de repelentes e uma boa parte dos esquecidos começou a solicitar aos que já tinham. Blues ficou atenta a todo o momento, comportando-se e presa, por enquanto pela guia de mãos livres, presa a cintura de Elizabeth.
Quando começou a trilha, o trechinho estava tranquilo, foi indagado se a Blues poderia ser solta e Diogo aconselhou que aquela era uma das melhores travessias e recomendada para cachorros, tanto que era comum levar alguns. Naquela trilha, além da Blues, participavam, mais alguns cães: dois goldens retrivers caramelados irmãos com os nomes de: Lion, Jack, dois labradores pretos de pessoas distintas sob o nome de Gaia e Shiru, um lhasa apso, Joey, dois sem raça definida, Maylo e Tazz.
Alguns tinham certo receio de soltar seus cães na mata e eles tomarem o caminho errado. Apenas Shiru e Gaia, os dois labradores pretos, Joey, o pequeno Lhasa e a Blues foram o percurso livremente, sem guias. Obedecendo ao comando de seus tutores, enquanto os outros eram controlados.
O local era uma reserva florestal, no qual existia uma grande diversidade de agroflorestal com pomar de açaí, uma frutinha deliciosa e roxa. Estando localizado na nascente entre três rios de água doce, Fenrir, Skadi e Valhala, no distrito de Nova Amsterdam. Todo o acesso para Het pad van de vallei passa pela trilha que fizeram, contornando um condomínio Vallei inspirado no loca.
O local é bem acessível com espaço para camping, promovendo vivências holísticas como meditação, yoga, massoterapia, banhos de florais, ritos com fogueira, jardinagem, artesanato e pintura. Há um pouco de comida vegana e vegetariana, um excelente local para se conectar com a natureza.
Continuando com a trilha, todos estavam tendo um momento de conexão maravilhosa com os animais e a natureza, devido as perdas que ambas as Heinz sofreram, Charlie, Bess e Izzy sabiam que precisavam recuperar o animo para vingar o falecimento dos seus pais, pois brevemente ocorreria o retorno dos jogos, na qual elas decidiriam como haveria de ser esse retorno aos jogos.
Uma mente cuidada e um corpo treinado era necessário e a sugestão de Kitty e H² deixaram as jovens felizes. Todos realizavam e passavam pelas passagens, o grupo delas estavam no final do geral. Mas nada tão distante.
Vivienne estava feliz de poder ver a Bess mais relaxada, Izzy havia ficado em casa, como Lorelai não podia estar junto com ela em público, ambas se encontravam na mansão Heinz, deixando a outra com outros assuntos a serem resolvidos.
Contudo aquele dia estava ameno e radiante, quando Valquíria começava a perceber um movimento estranho nas copas das árvores.
- O que houve, Val? – indagou Sophie parando para fitar a detetive.
A detetive chegou ao redor atrás de si e não aparentava ser nada demais além de um vento forte.
- Apenas tive uma sensação de estarmos sendo observados. – Sophie se juntou a ela e falou mais baixo para não alardar ninguém.
- Você viu alguma coisa?
- Não sei ao certo, mas... – antes de terminar sua frase Henrique cortou elas.
- Pombinhas, vocês terão tempo de se curtirem quando chegarmos ao local de destino, vamos caminhar ou ficaremos para trás e nos afastaremos do grupo. – dizia ele.
- Estamos indo! – Respondeu Sophie, solicitando que a outra voltasse a caminhar.
Valquíria voltou a estar perto do seu grupo, mas ainda voltou a verificar uma última vez. O grupo inteiro fez uma pausa, os cachorros precisavam tomar água e descansar um pouco. Aquele momento era para todos descansarem e aproveitarem um pouco daquela vista antes de chegarem ao destino final. Um pequeno lago estava ali perto, com arvores abertas, muitos foram retirar algumas fotos e explorar o que dava sob a orientação do guia.
Ele se aproximou de Vivienne e deu algumas dicas por trás de uns arbustos que ali haveria um melhor local para retirar algumas fotos e que outra parte do grupo estava ali.
- Ah, mas eu vou esperar meus amigos terminarem de se refrescar e a Blues também para podermos todos apreciar esse local.
- Você vai com os outros e eu aviso para eles onde você estará, assim você já sabe chegar, enquanto eu oriento outros, o que acha? – sugeriu ele com um sorriso tranquilo.
Ela de fato achou uma boa ideia, já que seria assim.
Entrou por um pequeno caminho que o guia orientou e se adensou um pouco mais nos arbustos até ver uma vista linda da magnitude da natureza.
- O pessoal adorará ver isso. – Vivienne estava tão absorta naquela paisagem que retirou algumas fotos e não percebeu que ali não havia ninguém, o outro grupo de pessoas não estava ali do lado, mas ela sabia por onde deveria voltar e trataria de fazer logo isso caso não fosse uma mão com luvas pretas tapando a sua boca e seu nariz com um tipo de cheiro forte, adormecendo todos os seus sentidos. Ela não tinha forças para lutar ou pedir ajuda, o pânico se expandia por dentro, enquanto seus olhos se fechavam contra a sua vontade.
A trilha foi interrompida, quando perceberam que Vivienne estava ausente, o grupo começou a ficar agitado e preocupado. Valquíria tomou as rédeas da situação, tentando não fazer pânico, assim chamou o guia em particular e pediu explicações.
- Ah, eu não sei, na verdade eu estava organizando o grupo da frente, eu lamento. Mas toda essa trilha é segura, afinal estamos em uma reserva. Talvez ela possa ter se afastado um pouco. – tentava dar algumas sugestões sobre o acontecido, enquanto passava a mão na cabeça.
Valquíria estreitou os olhos e percebeu os traços evasivos, o não olhar nos olhos, o nervosismo aparente, a encabulação.
- Tem certeza que está falando tudo o que sabe, senhor? – Valquíria insistiu.
- Eu já disse é tudo o que sei, senhora. – ele se irritou drasticamente.
Valquíria fez um meio sorriso de irritação que o homem encolheu os ombros.
- Ótimo, talvez queira colaborar melhor no departamento de polícia, precisamente na sala de interrogações. – seu sorriso era simpático, os olhos apertaram, mas a aurea que a detetive emanava era pesada e assustadora, o homem engoliu em seco. Não tinha presenciado tal atmosfera assim antes, não, recordou que já tinha, porém, essa mulher aparentava ser pior.
Sophie foi até Valquíria que terminava de algemar o guia turístico.
- Val... interroguei superficialmente todos que estavam aqui e alguns viram Vivienne adentrar por aquela parte da clareira.
- Ótimo, Sophie, que bom que está aqui! Chamei reforços e precisamos procurar. Já solicitei um mapa de toda essa área para podermos cobrir.
Elizabeth chegou junto com os outros.
- Valquíria, a Blues está pronta para a missão dela, é avida, esperta e conhece o cheiro de Vivienne como ninguém! A equipe K-9 precisará de ajuda e temos que procura-la o quanto antes. – Elizabeth estava desesperada e preocupada com o desaparecimento da sua namorada.
Valquíria levou as mãos até o queixo refletindo no que Elizabeth dizia e ela estava certa.
- Sim, é a oportunidade perfeita... a equipe chegará, você... me permitiria conduzir a Blues? – Valquíria a olhou seria.
- Sim! Val... encontre a Enne, por favor! – Dizia Elizabeth.
- Traga a minha irmãzinha, Val – enfatizou Kitty.
- Eu a encontrarei!
Valquíria foi para junto de Sophie e a equipe policial começava a se juntar e elas foram se preparar.
[1] Agosto 2018
[2] Dog Trekking vem se tornando cada vez mais comum entre os tutores e seus cães. Saindo daquela visão do cachorro como cão de guarda e que vive do lado de fora para verdadeiros amigos e companheiros. Elizabeth Heinz, segue a filosofia de que os cães são verdadeiros companheiros e melhores amigos dos humanos, para isso devemos ser o deles também. Kitty e Henrique sabem disso e não podiam deixar de organizar um passeio sem englobar a canina. Então o Trekking, é uma caminhada que se faz por meio de trilhas naturais. A modalidade dog trekking é quando fazemos trilhas e caminhadas naturais com o cão. Uma modalidade que cada vez mais vem ganhando o gosto dos brasileiros e do mundo
[3] O caminho do vale
Fim do capítulo
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