Segredos por Elliot Hells
Capitulo 66 O rapto de Vivienne Lamartine (PART I)
Seus sentidos estavam lentos, não sabia onde estava, mas aparentava estar em uma cama muito confortável, seus olhos abriam lentamente para tentar se acostumar ao ambiente. Tudo estava confuso, aos poucos ela começou a sentar na cama e levou sua mão a cabeça.
Pelo que entendia o quarto era luxuoso, móveis ao estilo vitoriano, lençóis com mais de mil fios com toda certeza, tudo era do maior requinte. Seu coração começou a acelerar e sentiu estar hiperventilando, estava com um péssimo pressentimento sobre isso.
Longe dali, em outro local, a equipe da detetive já havia adquirido o mapa para a busca e resgate de Vivienne. Um grupo de três equipes cada um com 10 pessoas pessoas e cães seriam divididos para cobrir a área. Valquíria estava com Blues e por mais que cobrissem toda a extensa área, a detetive percebeu que border só fez o caminho que elas haviam percorrido e finalizava na última área ali perto. E toda vez Blues finalizava aquela área e indicava o sinal treinado de que ali era o último rastro.
Aquele de fato era o último local que Vivienne estava, sem dúvidas, Valquíria confiava no treino da Blues, era a border mais inteligente da turma dela e devido ao seu grande avanço de treino na infância o treino de resgate foi realizado de forma rápida e pouco desafiadora para a pequena Blues.
Aos poucos os outros cães da mesma turma dela fizeram o mesmo gesto, reenfatizando o que Valquíria suspeitava. Vivienne já não estava ali, ali era de fato o ponto e ela seguiu também o mesmo percurso, alguém a retirou.
- Quero um perímetro nessa área, ao que podemos perceber aqui é o local que ela foi raptada. – exigia a detetive. – Cada momento que demoramos, podemos estar perdendo ela! Quero a equipe forense já por esse lado, rapidamente.
Valquíria saiu dali e ligou para o Cobra
- Temos um caso que com toda certeza deverá estar interligado. Preciso que você invada o Sistema Federal junto com o Alvo para descobrir quem raptou Vivienne Lamartine, já passei os dados dela, precisamos saber se há algum envolvimento com o marido dela ou é apenas um rapto comum. – ela entrava no carro junto com Blues, pois durante essa investigação, a jovem Blues estava escalada para tratar dessa demanda.
- Certo, chefe! Faremos isso e manteremos informações.
- Excelente.
Enquanto os policiais faziam seu trabalho, Lorelai falava com Izzy pelo telefone e recebia a noticia do rapto da garota e o quanto Bess, bem como todas estavam desesperadas e preocupadas. Informou que mais tarde apareceria na mansão Heinz para prestar qualquer tipo de assistência que ela poderia fornecer. Izzy agradeceu e a jovem desligou.
Aquela expressão séria de Lorelai em casa era pouco vista e demosntrava total preocupação. Violet adentrou o escritório e a indagava qual era o problema.
- Vivienne Lamartine, uma das funcionárias do Estúdio do Pierre, e consequentemente, a assistente pessoal de Elizabeth foi sequestrada enquanto fazia uma trilha nessa manhã. – Lorelai dizia fixamente olhando para Violet.
- Então... você está preocupada, pelo que percebo, vai contatar a pequena?
- Só nós sabemos o que verdadeiramente ela faz e não sei se essa pessoa há relação com os planos que ela tem. Contudo, o sobrenome dela, Hoffman, é que chama atenção. Ligarei para ela.
Lorelai começava a discar aquele número familiar demais e ela atendeu.
- Sou eu, soube das novidades, a polícia não colocou a baila ainda, mas sei que suas fontes internas já devem ter revelado algo para você. – revelava Lorelai.
- Você está certa, a detetive Van Dahl acabou de sair daqui do arquivo atrás de mais informações sobre os Hoffmans. A jovem Vivienne Lamartine foi raptada, ela é a chave para o desenvolvimento dos nossos planos e destronar o senhor das armas! Palmer, já está cuidando de tudo isso. – a irmãzinha de Lorelai, Raphaelle falava ao telefone e explicava para a sua irmã. – Parece que esse fatídico evento pode ter adiantado nossos planos.
- Sim, eu também percebi isso! Então como esperado, vamos auxiliar a policia com esse sequestro, contudo de forma silenciosa. – finalizava Lorelai.
- Exatamente irmãzinha e como está você e a Heinz? Vocês se resolveram? – Raphaelle quis saber e com a relação estreita com a irmã, após a descoberta, ela conseguia desenvolver suas habilidades sociais com os neurotípicos.
- Conseguimos e aparentemente estamos indo bem, embora de forma lenta.
- Compreendo. Precisarei finalizar a nossa conversa agora.
- Voltará para casa ou ficará no seu loft com Palmer?
- Ficarei no Loft caso não haja problema, sabe que convívio e contato social demanda muita energia para mim e preciso sempre recarregar.
- Eu sei. Estou aqui para você.
Novamente Vivienne acordou e uma empregada entrava com o seu desjejum, parecia que estava sendo dopada. Não sabia desde quando, mas um de seus pulsos estavam algemados e havia uma corrente de mais ou menos 5 metros. O que a possibilitava andar pelo quarto até o banheiro para fazer suas necessidades e tomar um banho rápido supervisionado. Alguém a ajudava a trocar de roupas. Tinha cerca de um dia que estava ali e somente empregadas apareciam para fornecer a sua comida.
Ela pouco consumia qualquer coisa, aquilo era surreal demais, estava de volta aquela vida miserável, aquela situação de cativeiro. A empregada deixou a refeição na mesa e Vivienne apenas sentou-se na cadeira de forma indiferente.
Remexeu para o lado e para o outro lado a comida no prato até ouvir novas batidas na porta. Não precisou responder, pois sabia que independentemente a pessoa iria entrar não importava a sua vontade. Vivienne estava indiferente que não percebeu os sapatos lustrosos caminharem para perto de si, a calça preta social, camisa branca por baixo de um terno preto refinado e uma gravata preta fina. Estava com a fiel Lara ao seu lado, sendo seu guarda-costas. A braço direito de Alexander olhou para Vivienne de cima para baixo e sentiu pena ao ver aquela situação, mas não havia muito o que pudesse fazer.
Assim, Alexander acabara de entrar e sentar-se a sua frente.
- Olá, meu amor, quanto tempo? – ele cruzava as pernas e agia de forma normal, não ligando para o jeito apático de Vivienne. – Vejo que não encostou na comida, mas ela está fabulosa. Sabe quanto tempo demorou para encontrar você? Eu fico surpreso por você achar mesmo que poderia sumir e achar que eu não a encontraria.
Vivienne continuava calada, sem fita-lo. Não estava surpresa por ser ele o seu sequestrador.
- Mas você foi muito ousada ao descobrir que estava monitorando você com o GPS do celular, me fez ir em uma busca em um beco sem saída para a França. A partir daí, tivemos um trabalho para localizar você, mas sabe como são meus homens, nunca desistem! – ele começou a pegar algumas azeitonas do prato de Vivienne e comer sem dar a menor importância. – Depois disso, comecei a ser atualizado e descobri que a minha mulher estava trabalhando. Você sabe fazer alguma coisa então? – riu de forma pomposa e desqualificadora. – Fiquei incrédulo com isso, até me mostrarem fotos e lá estava você trabalhando duro. Parecia uma piada. – depois ele cortou seu riso. – Mas o que de fato me deixou ainda mais surpreso foi saber que a minha esposa estava tendo um tipo de relacionamento extra conjugal com uma mulher, a tal da Elizabeth Heinz! – sua mandíbula trincou e os nós dos dedos tornavam-se esbranquiçados devido a sua raiva.
- Ex-esposa. – foi a única coisa que Vivienne disse e Alexander bateu com força na mesa fazendo todos os utensílios tremerem.
- Minha mulher, você continua sendo a MINHA mulher! Eu sou o seu dono Vivienne e não se esqueça disso!. – ajeitou o cabelo que saiu um pouco do lugar e tentou recobrar a calma. – O que você sente por essa tal de Elizabeth afinal?
Houve um silêncio e Alexander a pressionou para responder, até que ela começou a falar:
- Eu a amo, Alexander, a muitos anos eu não me sentia viva, nosso casamento foi fadado ao fracasso, principalmente com seus esquemas obscuros, sua mudança de humor, irritabilidade, egocentrismo, narcisismo constante e sua falta total sobre o senso do que é um relacionamento saudável e claro, você ter sido a causa da morte da minha filha! – Vivienne bradou tudo de uma vez.
- Continua a me culpar por tudo, o que aconteceu com a Diana foi um acidente, um acidente. – trincou os dentes novamente. – E devido a isso, você quer se vingar de mim, falando que ama uma mulher? O amor... que fantástico Vivienne. – começou a agir com desdém. – O amor é lindo, não é? Mas há um problema bem pequeno.
Vivienne engoliu em seco e se desesperou.
- Meu amor, ao que eu percebi essa pessoa é muito famosa e reconhecida, leva uma vida extravagante. Eu recomendo, se você a ama tanto como diz que ama, recomendo você terminar com ela ou eu matarei ela e seus amigos – ele deu um meio sorriso.
Vivienne se assustou, seus olhos começaram a lacrimejar, sabia o quanto aquele homem poderia ser odioso, repulsivo e monstruoso e ele continuou a falar.
- Claro que seria absurdo você terminar repentinamente e de forma surreal, principalmente com o processo que vocês estão movendo contra mim para a ação de divorcio. Não queremos que isso seja algo falso ou suspeito. – ele se aproximou mais, retirando do bolso o diamante que encomendou para ela e colocando. Sussurrou no seu ouvido – Faça esse termino parecer natural e espontâneo, tudo bem? Em breve iremos soltar você e avisaremos as autoridades policiais, você já sabe de todo o procedimento, ok, não me desaponte ou haverá serias consequências, sei que fará o que for melhor, certo? – Alexander deixou aquele comodo junto com Lara e uma Vivienne estava devastada, aquele homem mal retornou para a vida dela e já destriu tudo o que construiu em meses.
Novamente Vivienne fora realocada, Alexander contratou descartáveis pessoas para serem presas e fingirem ser os sequestradores de Vivienne. Pistas estavam sendo deixadas e não demorou para o departamento de polícia encontrar uma casa abandonada e os policiais tentarem fazer a negociação para uma Vivienne sair ilesa. A troca de tiros foi inevitável, alguns dos “sequestradores” foram mortos, outros foram presos e uma Vivienne estava salva. Valquíria a soltou e tirou a venda dos olhos da ruiva.
- Vivienne, estamos aqui, já chamei a Elizabeth, e ela deve chegar a qualquer momento, você está segura agora! – Van Dahl passou um coberto por ela e a retirou dali, sentiu que Vivienne estava apática e aparentemente traumatizada.
Quando saiu da casa e viu diversos policiais ao redor, carros, não pode deixar de prestar atenção na pessoa que vinha para acolher, Elizabeth estava ali e a abraçava com força a sua pequena ruiva que tinha em mente a fala de Alexander! Chorou e abraçou a mulher fortemente.
- Não chora, meu bem, estou aqui, está tudo bem agora, vamos para casa!
Uma semana depois...
Elizabeth sentia a distância de Vivienne, mas também a experiência de ser sequestrada não some assim em poucos dias, porém, havia um maior distanciamento, um evitar que ela não conseguia compreender o motivo, contudo sabia que a namorada precisava de tempo e espaço e era isso que ela forneceria, além de fazer gestos de carinho para se sentir acolhida.
Mas algo incomodava e ela achava que alguma coisa estava fora de contexto.
- Por que está se martirizando? – Indagou Izzy.
- A Enne continua diferente nesses últimos dias. – relatou Bess, no quarto da mansão dos Heinz. – continua reclusa, distante.
- Bom, ela foi sequestrada, talvez devêssemos ligar para a Carol e ver o que ela acha, passou por um momento de trauma, deve ser interessante falar com alguém que entende de terapia. – explicava Izzy.
- Só que a Cah, não poderá atende-la, deverá encaminhar a um outro profissional.
- Mas isso será com a Cah, vamos falar com ela, ligue e coloque no viva-voz, ficarei quietinha. – Bess pegou o celular e discou para a amiga.
- Oi Lizz, está tudo bem? – dizia Cah do outro lado da linha.
- Está sim, só a Enne que anda um pouco... diferente. – Carole parou e depois retomou a fala.
- De fato, fez bem em me ligar, é comum ocorreu traumas em situações complexas como essas e requer um pouco mais de tempo e calma.
- Então, tem como nos ajudar?
- Eu posso auxiliar como amiga, sabe que estou proibida com base no meu código de ética.
- Eu entendo, mas queria saber se há alguém para indicar ou recomendar?
- Sim, tenho sim, mas o primeiro passo precisa ser dela, caso contrário um forçar, só tornarar tudo caótico. Não haverá como ajuda-la caso ela não queira. Anote o número e o nome dessa minha colega, ela é especialista em situações e eventos traumáticos, acredito que será muito útil.
Enquanto Carol indicava o número da profissional, Izzy anotava tudo. A ligação foi finalizada e resolviam repassar isso para Vivienne. Ali naquele exato momento, Bess enviou o número para o telegram da sua namorada explicando a razão e que talvez fosse melhor caso estivesse passando por alguma coisa, na qual não queria conversar.
Sentiu seu celular vibrar e a mensagem veio de volta.
“@Vivienne Lamartine: Eu estou bem, agradeço sua preocupação, mas não se preocupe com isso! Infelilzmente, não poderei ficar no apartamento hoje, precisarei resolver algumas coisas e ajudar a Kitty. Podemos nos ver depois.”
Izzy lia a mensagem e passava a mão no ombro da irmã, a mais nova sabia e reconhecia muito bem quando uma mulher passava a evitar, mas não queria expor isso para a irmã.
- Dê tempo para ela, afinal, a Vivienne não teve uma vida fácil, embora sempre cercada da vida luxuosa, a pobre Lamartine, esteve sempre dentro de uma redoma de vidro com um marido tôxico e abusivo, perdeu a filha e para completar, passou por um sequestro. Tantos eventos traumáticos assim, não é saudável para alguém. – dizia Izzy.
- E nossa família Heinz não é um exemplo de normalidade, afinal temos um jogo sanguinário. – Bess passava as mãos pela testa, sabia que era uma situação difícil para Vivienne. Suspirou e quis dar-se por vencida. – Você deve estar certa e deve ser só isso. Vamos mudar de assunto, como está você e a Lorelai?
- Ela andou investigando também sobre a ocorrência do sequestro da Vivienne, ela ajudou no máximo que pode, antes da polícia saber, Lorelai envivou para o software do departamento de polícia o que havia rastreado, como ela fez isso, não sei dizer e ela não compartilha. Apenas disse que conhece uma pessoa com dotes e dons nessa área.
- Eu agradeço o que ela fez, diga isso por mim. Vamos descer, devemos aproveitar o que podemos, antes do maldito jogo voltar a ativa.
Fim do capítulo
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