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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 2608
Acessos: 146   |  Postado em: 26/11/2024

Capitulo 67 Verdades sensíveis

Departamento de Policia de Nova Amsterdam...

 

Na autopsia do departamento de polícia, Sophie analisava o caso de um jovem homem branco, caucasiano, trinta e poucos anos de cabelo escuro. Aquela expressão fria, relembrava alguém. Os outros do departamento intimaram Valquíria para comparecer urgentemente ao necrotério.

A porta foi aberta e Sophie reconhecia aquele barulho de salto contra o linóleo.

- Sophie estava resolvendo algumas coisas quando o departamento mandou comparecer aqui com urgência, o que houve? – Valquíria foi até ela e visualizou o cadáver na mesa de forma indiferente como sempre fazia quando via um cadáver. Eram ossos do ofício. – O que tem para mim?

- Você conhece essa pessoa? – Sophie a olhava intrigada.

- Não, deveria? – Valquíria franziu o cenho.

- Você tem irmãos, Val? – Valquíria negou com a cabeça. – Você sabe dizer se seus pais deram algum outro bebê?

- Não, meus pais não deram nenhuma outra criança, eu fui filha única, Sophie, onde quer chegar? – Valquiria não compreendia.

- Val, esse homem deitado na maca, os alelos dele... batem com o seu DNA, ele é seu irmão. – a detetive ficou sem reação e pela primeira vez Sophie podia ver que ela não sabia de nada.

- Eu tive um irmão? – Valquíria estava sentada em outro local, aturdida, a rainha de gelo, finalmente demonstrava alguma reação na qual não era esperado. – Como pode ser? Meus pais faleceram no acidente do 11 de setembro, eu sempre fui filha única, Sophie. Meus pais nunca deram ou falaram sobre um filho que foi doado ou deixado. Eles nunca fariam isso.

Sophie suspirou.

- O que você sabe que eu não sei Sophie?

- Eu solicitei os dados e as informações dos seus pais, demorou para encontrar as amostras e devido ao tempo são provas mais sensíveis. Sabe que nossos dados estão salvos no departamento, cruzei suas informações com seus pais e... – ocorreu uma pausa.

- E o que Sophie? O que está querendo me dizer? – Insistiu Valquíria.

- Não bateu.

- O que quer dizer? – repetiu de novo Valquíria. – como assim não bateu?

- Você não é filha dos Van Dahl, Val.. acredito que tenha sido adotada.

Valquíria estava em choque com essa informação, sempre acreditou que era filha dos Van Dahl e durante muito tempo fora criada por uma tia que faleceu, não havia mais ninguém da família para verificar essa história, precisava fazer da forma antiga.

- Eu preciso ir.

- Val, espera... – era tarde demais, Valquíria já tinha saído porta a fora

Valquíria ligou para Alvo.

- Preciso de um favor extra confidencial!

- Basta falar chefe!.

Valquíria foi para casa, estava com a cabeça cheia e repleta de informações, não havia percebido uma sombra passar atrás de si até que seus sentidos ficaram mais apurados e ela pegou a arma no coldre e acendeu a luz, vendo aquela silhueta ganhar cada vez mais forma.

- Quem é você e como conseguiu entrar aqui? – dizia a detetive apontando a arma para o senhor.

- Me chamo Frederik King, uma portinha com alarmes não são o suficiente para me impedir de entrar em um local, senhorita Van Dahl. – relatou ele olhando em volta. Aquele nome era conhecido por Valquíria, já havia escutado rumores sobre Frederik King e toda sua antiga trajetória como um ex-traficande de armas.

- O que quer senhor King?

- Quero que investigue o homicídio do meu filho, o que se encontra no necrotério do seu departamento.

Valquíria o olhou novamente, os traços, o olhar frio, olhos tão azuis quanto gelo, cabeleira grilhasa que outrora já fora negra, ela não pode deixar de avaliar aquela pessoa a sua frente.

- Penso que deve saber a razão de estar aqui...

- Não, está aqui só para saber quem foi o responsável pelo assassinato do seu filho? – desdenhou.

- Acredito que deve saber que sou seu pai. – ele falou sério.

- Claro que você não é meu pai, meus pais morreram em um acidente aéreo e eu não sou filha de um ex-traficante de armas aposentado.

- Detesto desanimá-la, mas sou seu pai, posso fazer um teste de DNA se quiser verificar. A loirinha legista não se incomodará – falou de forma neutra e se referenciando a Sophie. – Pode não acreditar em mim, mas é a mais pura verdade.

- Então não irá se incomodar se eu o levar para o departamento de polícia.

- Sem tiras! – argumentou King.

- E por que?

- Estou trabalhando disfarçado, ninguém do outro lado pode saber que estive no DP. – explicava. – Estou trabalhando para os federales para desbancar o novo senhor das armas.

- E de quem você está falando?

- Alexander Hoffman!

Valquíria por um momento deu um meio sorriso, esse nome estava cada vez mais presente em suas investigações, junto com Vivienne, em torno de diversas formas.

- Vamos verificar se sua história é verdadeira.

 

Verificado as informações com superiores, comprovaram a veracidade dos fatos narrados por King, incluindo a paternidade e parentesco com a detetive Van Dahl, o que a pegou de surpresa. A partir daquele momento, ele estava designado para ajudar Van Dahl na captura, visto que uma das primeiras suspeitas do homicídio do filho estava relacionado com Alexander Hoffman, quanto a jurisdição, o comando superior reconhecia a capacidade de Valquíria e solicitava essa co-participação.

Valquiria não conseguia compreender o que estava ocorrendo. Em um minuto era órfã, seus pais que havia conhecido durante boa parte da sua vida, não eram seus pais. A familia durante muito tempo que achou que fosse sua, era uma ilusão. 

Quem era o King? o que sabia era que era um grande vendedor de armas da velha guarda. Que ironia do destino, caçava o novo senhor das armas, quando era filha de um. Por um momento achou que seu grupo paramilitar foi criado para fazer justiça, era isso que acreditava e que tentava fazer, varrer a escória. 

Porém... os genes de um ex-senhor das armas, percorria todo o seu corpo, Valquiria Van Dahl não se sentia mais a mesma, não se sentia a pessoa que lutava pelo que era certo. Fazia sentido, porque o trabalho paramilitar a estimulava mais do que como detetive. 

Por um momento desejou voltar no tempo e saber da verdade, seus pais jamais iriam contar. Seu raciocínio foi quebrado com a voz de King.

- Deve ter muito para assimilar após essa revelação. - ele começou a falar - eu era da mafia italiana dos Castellazzo, meu pai foi um poderoso chefão, mas queria ficar com o trafico normal. Estava sendo treinado para assumir os negocios da familia quando conheci sua mãe, Giuliana Biancci. Era a jovem mais linda que já vi, cursava belas artes e queria se especializar em reconstruções. Tudo foi rápido e digno de amor de verão. Me apaixonei perdidamente por ela. E ela engravidou... de você. 

Eu estava disposto a sair dessa vida, arrumar um trabalho honesto. Porem, meu pai faleceu antes e era meu dever assumir os negocios da família. Nos mudamos para a casa grande e Giu se viu obrigada a desistir dos seus sonhos por estar grávida e pelo perigo que seria. Claro que com isso, resolvi fazer realizar seu sonho de outra forma e contratei professores particulares. 

Os nove meses foram tranquilos até você nascer. A pequena Serena Biancci Castellazzo nascera, ou seja, você. No início, pareceu tudo as mil maravilhas. Estava até tentando me ajeitar, mas em uma noite, tivemos nossa casa invadida, Giuliana correu para o teu quarto para salvar você  e ir para a sala secreta, porém algo deu errado, ela foi atingida tentando te proteger. Quando vi, matei o infeliz que estava tirando a minha maior razão de vida. Giu, não iria conseguir resistir, o ferimento era grave, por mais que chamassemos a emergencia. Ela me fez prometer que você cresceria longe de tudo isso, que você teria uma vida em paz, que poderia crescer, sem riscos. Eu prometi, minha Giu não resistiu, desovei todos os malditos e iria começar um novo reinado! Contudo, precisava garantir sua segurança, assim a coloquei no sistema de adoção, mas nunca tirei o olho de você. Sabia de cada passo seu, cada pequena e grande conquista. Quando entrou para a academia de policia, suas missões, respeitei tudo. Sabia que estava em boas mãos e cumpri o que sua mãe pediu, bom, a maior parte. Após 10 anos.. conheci a mãe do Frédéric e.. o resto você deve imaginar.

Claro que com o falecimento da sua mãe e após ter colocado você no sistema me dediquei a criar meu próprio império das armas, saiu o nome Castellazzo do meu pai, e fui nomeado por King

Valquiria escutou toda aquela história, não sabia se tudo era real ou não, mas muitos fatos coincidiam. 

- Se você não se incomoda, gostaria de ficar sozinha.  Toda e qualquer notícia acerca do seu filho e do assassino dele manterei informado. Se me der licença, gostaria que fosse. - ela sai. E King percebe que é o melhor para se fazer é ir embora.

           

Distante dali, Raphaelle, junto com Palmer codificava a construção do seu programa, o projeto Fenrir que estava sendo desenvolvido desde muito tempo atrás.

- Palmer, alguma notícia dos cientistas sobre o desenvolvimento para o lançamento? Precisamos resolver isso o quanto antes. – dizia a pequena Raphaelle.

- Já falei com a chefe de equipe e os testes foram um sucesso, tudo indica que breve estaremos aptos para o lançamento.

- Excelente. Estamos na hora de colocarmos nosso plano em execução! – ela terminava de criptografar mais alguns detalhes para o arquivo se transmitido para o pendriver e levado por Palmer até a equipe de desenvolvimento e execução.  – Agora que ele está em terras brasileiras precisamos executar antes que se esconda novamente ou coloque mais alguém em perigo!

 

Na história A consolação da filosofia, o personagem principal é preso, condenado por crimes sem tamanho, perdeu sua fortuna que conseguiu em sua época de jovem. Perdeu exatamente tudo que conquistara com luta, pois era dedicado e estudioso. Para seu único conforto, eis que surge a filosofia que de encontro vai consolá-lo e demonstrar que nem tudo está perdido ou que seja complicado como ele tanto aparentava pensar.

Vivienne, não estava presa numa cadeia de fato, material e visível a todos, sua prisão era interna, invisível a olhos nus. Certamente não teria a sorte da própria filosofia consolá-la e trazê-la alguma informação brilhante para livrar a sua situação atual.

Ela sabia que todos a sua volta estavam em perigo, não poderia arriscar perder mais ninguém. Da última vez, ela perdeu a sua filha, não cometeria mais o engano ou a ilusão de que Alexander não faria nada, ela protegeria as pessoas que amava, protegeria as únicas que pessoas que sobraram. Elizabeth foi importante, aquela mulher havia dado de volta a luz e o brilho para a sua vida, bem como mostrado que ela era muito mais do que um ornamento que seu antigo marido exibia para cima e para baixo nos anos que se seguiram.

Mas para proteger aqueles que ama, ela teria que voltar para aquela antiga vida.  Escreveu três cartas: uma para Henrique e Kitty, outra para seus pais e uma para Elizabeth.

Aquela hora foi estratégica, pois nenhum dos três estariam naquele andar.  Com a chave extra que tinha do apartamento de Elizabeth, entrou e deixou a carta no local mais perceptível da casa. Blues foi em seu encontro com o rabo abanando e tentando lambê-la.

- Eu sei, eu sei! Também sentirei sua falta. – Vivienne abraçou ainda mais a cadela e depositou um beijo no topo da sua cabeça. – Eu terei que ir Blues, se eu ficar será perigoso para a sua mamãe e para todos os outros, talvez até para você também! Espero que um dia ela possa me perdoar... Mas não há outro jeito.

Blues fez um grunido como se estivesse entendendo tudo e apertando-se mais ainda em Vivienne.

- Também te amo! Seja uma boa menina e cuide dela por mim, ela precisará de você! Quanto a mim, eu preciso encarar o meu destino, eu jamais me perdoarei se Alexander fizer algo com a Bess, Kitty, H2, meus pais, com ninguém! Ninguém mais sofrerá pelas minhas escolhas, basta aquele fatídico dia. – relembrou-se no dia do parque que perdeu sua filha e Bess o pequeno Joe. Lagrimas caíram e Blues lambia o seu rosto.

- Sim, está ficando tarde, precisarei ir. Cuide dela Blues.

A porta da frente se fechou, as duas chaves reservas foram colocadas no local secreto que só os vinzinhos sabiam, e então, Vivienne Lamartine Hoffman se foi..

 

A história da sociedade humana está sempre atrelada a fatos históricos, por vezes como alguns estudiosos do campo das ciências sociais costumam chamar, de “pensamento mágico”. De fato, relembrar sobre o mito nórdico da queda dos deuses ou o fim do universo, o famoso Ragnarok, trazia um lado obscuro e trágico. A lenda conta que durante o período do Ragnarok “consumação do destino dos poderes supremos” ocorreriam grandes batalhas entre os deuses culminando na destruição do universo, tudo conduzido pelo famoso deus da trapaça, Loki.

Os filhos de Loki estariam a cabo de por o fim aos deuses e ao universo. Os filhos de Loki eram: Fenrir, o lobo, a serpernte do mundo chamada por Jormungandr e a deusa do mundo dos mortos, Hel. Esses três trariam o fim ao mundo que conheciam e aos deuses.

Raphaelle esperava pacientemente, a contagem regressiva começar a soar para o lançamento do satélite Fenrir iniciar a operação. Assim, esse projeto estaria responsável por reformar, como adaptou a frase, a ordem mundial. Para a jovem, o planeta era como um grande e imenso lar, por vezes, em uma casa pode ocorrer um surto de praga indesejadas, quando isso ocorre a melhor forma é acabar com a raiz do problema.

- Jovem senhorita, está tudo bom para o lançamento da sonda. – Palmer trazia as recentes notícias. – Aguardam o seu ok para iniciar a contagem.

- Já.

O lobo Fenrir, ou melhor, o satélite, seria responsável por incapacitar e tornar inoperante todos os outros sateletes globais, alastrando um vírus global que incapacitaria todo o sistema eletrônico e traria a sociedade ao período do caos.

Raphaelle admirava o foguete começar a subir até sumir do alcance das câmeras, a primeira parte começava a desacoplar. Todo processo era lindo de se ver e a mais nova estava totalmente orgulhosa do trabalho desenvolvido por longos anos estarem dandos frutos, principalmente quando falaram que sim, o satelete havia chegado e estava em órbita.

Rapidamente, em seu computador, ela apertou a tecla “enter” e nesse exato momento, as maiores informações do mundo todo, localizações, áreas, esquadrões, estratégias, o comando de misseis e muito mais estava sob a sua administração.

Um sorriso pequeno e sutil foi desenhado em seu rosto.

- Agora Palmer, está na hora de fazer uma limpeza na casa.

Que a humanidade estava sempre atrelada a fatos históricos, isso era algo que já se sabia. Que essa mesma humanidade sentia certo flerte por teorias da conspiração, talvez fosse algo a ser analisado. Mas não deixado de lado. Porém, uma das maiores conspirações ou melhor, sociedade secreta era o grupo Metaphisicus, estes que ninguém ousava falar, mas que sua existência não era negável.

O grupo em algumas páginas na web quando era citado, acusavam de ter sido um grupo responsável pelas maiores revoluções e assassinatos históricos, bem como eram eles os responsáveis por selecionar, comandar e controlar os chefes de Estado.

Fim do capítulo


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