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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 5771
Acessos: 142   |  Postado em: 26/11/2024

Capitulo 64 enterro dos Heinz.

Sigmund Freud escreveu uma obra intitulada de Luto e melancolia meados de 1915, cujo o texto norteia a diferença teórica-clínica dos estados depressivos do sujeito acometido desse mal. O luto ele não deve causar um dano psíquico para o Ego, afinal espera-se que quando passado por suas fases, o Ego tende a se tornar livre. Essas fases que Freud acaba mencionando são cinco: negação e o isolamento; raiva; o terceiro estágio seria a barganha; a depressão e por fim a aceitação. Os Heinz estavam todos de forma unanime no primeiro estágio.

Os Heinz estavam ajeitando o funeram de Holand Heinz. Para a mídia o nobre e mais famoso advogado havia tido um ataque cardíaco, enquanto o outro o médico de outra linhagem dos Heinz, tinha tido um Acidente Vascular Cerebral de natureza grave. Eram essas as notícias que rondavam no canal 7 de nova Amsterdam. Cada culto e familiar seria sepultado nas terras, conforme os costumes familiares.

O culto e as homenagens seriam sigilosas e somente para familiares e amigos próximos, não aberto ao público. Na mansão dos Heinz, dedicaram a fazer uma despedida somente com Cordelia, as duas filhas e Niles.

Os choros e as culpas foram enormes, mas Cordelia consolava ambas, afinal, ninguém ali era culpado. Precisavam ficar fortes e tudo ali estava previsto para um dia acontecer, ninguém saía isento do jogo. Durante anos, Holand e ela mesma garantiu a proteção deles, mas era chegado o jogo e cada um teria a sua parcela de perda.

Cordelia acalmou as filhas e sabiam que deveriam se preparar para receber alguns conhecidos próximos de Holand. Izzy se recolheu e ficou no quarto trancado a sete chaves. Enquanto a recepção era gerenciada por Elizabeth, Cordelia e Niles na capela longe da casa principal.

Muitos sócios do escritório apareceram e a própria família Lamartine, embora momentos depois, mas haviam chegado. Elas haviam acabado de sair do velório do pai de Charlotte e caminharam para o da mansão dos Heinz.

Camilla avistou Cordelia, a viúva mais forte que poderia imaginar, ela tocou gentilmente seu ombro e Córdelia não soube como reagir, não imaginava que ela apareceria. Mas a própria Camilla e os familiares Lamartines estavam na lista de pessoas que podiam ter acesso a mansão, assim, bastaria dizer seu nome para serem liberados e informados para onde deveriam seguir.

E ali estava ela, apoiando a loira no momento difícil, ela a abraçou e Cordelia retribuiu fortemente. Passaram vários minutos, não se importavam se fosse estranho, pois ali cabia aquele momento. Vivienne se dirigia para Bess, enquanto informava que Kitty havia mandado condolências, pois estava dando também o apoio a Charlie naquele momento. Carole e Ruby estavam com Kitty para fazerem o mesmo percurso, darem as condolências a ambas as Heinz.

Aos poucos chegaram Henrique, Sophie e Valquíria que havia conseguido alta e estava com a sua memória intacta, todos abraçaram a jovem atriz e davam suas condolências.

A cerimonia foi simples, alguns amigos do Holand deram seus votos, de como era como amigo, chefe, conselheiro, profissional e pessoa. Cada um deixou seus sentimentos e conforto para a família, por fim, Elizabeth falaria seguido de Córdelia que deveria encerrar os votos.

Até mesmo Lorelai apareceu, mas havia ficado distante para prestar as honras.

 

Todos ali seguiram para suas casas, Elizabeth desejou ficar com a mãe e a irmã, mas pediram para ela irem para casa, foi quando Vivienne relatou que estava tudo bem e esse momento deveria ser em família.

- Passe a noite, querida, sei que já conhece as minhas duas filhas. Então, não há nada para ser escondido, você é mais do que bem-vinda em nosso lar.

- Eu agradeço muito senhora Heinz, mas não quero incomodar – acrescentou Vivienne, logo após a oferta da matriarca.

- Por favor, Cordelia, e não é incomodo nenhum, acredito que sua presença fará bem para a Bess. – Cordelia olhou de forma afetuosa para ambas, quando o mordomo pediu licença anunciando que Lorelai Maia estava ali. Todas ficaram espantadas, mas de fato ali estava ela.

A jovem entrou de forma humilde e ficou parada, não sabia o que deveria saber, foi somente Cordelia que cortou aquele silêncio mais fúnebre do que o momento.

- Lorelai, quanto tempo. – Dizia a matriarca tentando sondar o que a jovem queria, afinal, todos estavam em luto naquele momento.

- Eu, gostaria de dar as condolências de forma apropriada. – antes que Elizabeth pudesse cortá-la, ela prosseguiu. – Eu sei que posso não ser bem-vinda nesse momento intimo. Mas eu também já perdi os meus pais e sei quão doloroso pode ser. Cordelia, Bess... eu trago verdadeiramente as minhas condolências pela perda do senhor Holand. Vocês podem não acreditar, mas minhas condolências são sinceras.

Todas ficaram em silêncio ainda analisando. O que encorajou a outra a prosseguir.

- Bess, sei que pode sentir que perdeu uma grande base, acredite, eu de fato sei como é. – os olhos de Lorelai, ficaram um pouco vermelhos ao lembrar do próprio trauma da perda de sua família. – O senhor Holand sempre quis proteger todas vocês, de qualquer um e acredite, sei que ele amava muito cada uma. Então, pode ser uma estrada complicada agora para você Bess, mas vocês três, Izzy e a senhora Cordelia, sei que vão se apoiar. Afinal, nos esperamos que um dia possamos ter um doce reencontro com aqueles que nos deixaram. – Lorelai entregou duas das três rosas que trouxe. – Eu sinto muito pela perda de vocês.

- Agradeço pelos seus votos e condolências Lorelai. – informou Cordelia, comovida com a fala da jovem, pois sabia o quão duro foi para aquela mulher, na época uma jovem menina perder sua base. Sabia que de fato ali ela estava sendo verdadeira.

Elizabeth que ainda estava imparcial, Cordelia a olhou e foi nesse exato momento que relaxou e disse um obrigado contido, mas sincero, porque de fato não podiam excluir aquele momento e situação que de fato a jovem também já tinha passado.

- Eu deverei ir, espero que a Izzy fique bem também. – suspirou e começou a voltar, sendo acompanhada pelo mordomo, quando Cordelia a chamou.

- Lorelai, fale com a Izzy... não posso garantir que ela seja tranquila, mas sei que está nas mais sinceras intensões. – expos a loira, sendo seguida atrás por Elizabeth e Vivienne que acompanhava tudo de perto.

- Mamãe, Izzy não irá tolerar isso! A morte do papai e a Lorelai no mesmo dia, não acha que é um pouco demais? – indagou Elizabeth.

- Bess, uma mãe sente quando um filho precisa de algo. Por mais doloroso que seja a Lorelai e a Izzy se verem, Lorelai sabe como confortá-la. Não que a gente não saiba, mas ela precisa também se encontrar, ambas. – Cordelia dizia por fim e olhou para Lorelai. – Sei que já amou demais a minha filha e não sei porque partiu, mas também entendo a situação naquela época. – dizia a mulher, recordando da própria dificuldade que já viveu com sua melhor amiga. – Tudo merece ser exposto e explicado. Mas no momento certo, por hora, se pode começar com as condolências, acredito que ainda lembra como chegar no quarto.

Lorelai engoliu em seco e balançou a cabeça afirmativamente. Ela começou a subir as escadas, enquanto as três mulheres ficavam la embaixo. Vivienne sussurrou.

- Nunca vi a Lorelai perder a fala, no estúdio ela parece ser outra pessoa, diferente da que vejo agora. – Dizia Vivienne.

- Também está diferente desde a ultima vez que falei com ela. – acrescentou Elizabeth.

- Deixaremos elas duas conversarem e vocês duas deveriam ir para um quarto de vocês. – Explicou Cordelia.

- Ficará bem, mamãe?

- Sim, não se preocupe, seu pai gostaria que eu terminasse a papelada. Irei para o escritório.

- Mãe, precisa descansar... respeitar ao menos essa noite. Amanhã planejaremos tudo. – retrucou a jovem Heinz.

- Certo, você está certa, não se vence uma guerra despreparada.

 

Lorelai chegou na porta daquele quarto que tantas vezes e durante anos era acostumada a entrar e sair. Não imaginava que estaria ali e naquela situação, não imaginava como a outra agiria. Mas ela deveria estar ali, era o que sabia. Bateu três vezes e estava silencioso no quarto. Cogitou que a gêmea mais nova deveria estar dormindo, quando estava perto de sair e dar-se por perdida a tentativa a porta abriu e ela virou rapidamente para ver aquele par de olhos azuis avermelhados. Ela sabia que Izzy estava chorando.

O olhar vulnerável foi rapidamente substituído por raiva.

- Como se atreve a pisar aqui novamente. – a loira saiu pisando forte.

- Eu queria dar as minhas condolências, antes de querer me matar ou qualquer coisa do tipo, será que poderia me ouvir só dessa vez?

- Não tenho nada para ouvir, saia, eu não estou em um bom momento. – vociferou a outra.

- Eu sei, Izzy, eu sei. – Lorelai segurou seus braços, sabia que a outra teria mais força do que ela, mas Izzy apenas mandava que se afasta-se e soltasse ela. Lorelai se atreveu e trouxe a outra para perto de si e a abraçou fortemente. – Eu sinto muito! De verdade, eu sinto muito por tudo, eu lamento pela perda do seu pai e não sou digna de estar aqui, mas você me apoiou uma vez e eu sei o que está acontecendo dentro de você. Já passei por isso. Amanhã pela manhã você me odeia, mas por hoje, só me deixe suportar isso junto com você.

Izzy se rendeu aquele abraço quente e chorou. Lorelai a conduziu para o quarto ainda se abraçando, até sentarem ambas no chão, encostada a cama. Acariciou a cabeça da outra e nada disse, sabia que agora o silêncio era a chave. A loira chorou por muito tempo e quando se acalmou mais, sentara na cama, até que a loira adormecera.

Lorelai sabia que se passasse a noite ali, pela manhã, a vulnerabilidade da outra poderia ter se extinguido e resolveu deixar a outra dormir em paz. Saiu do quarto, desceu as escadas e esbarrou novamente com Cordelia que saira do escritório, embora tenha dito que iria descansar, resolveu terminar as ultimas coisas para fazer tal quesito.

- E como foi? – indagou a mulher.

- Ela está dormindo agora.

- Eu estava certa afinal, que bom que conseguiu acalmá-la. Não passará a noite aqui? Afinal, é uma mansão, há muitos quartos.

- Não poderei, sei que aquela trégua há um prazo de validade, por hora eu prefiro deixar assim, obrigada pela hospitalidade e novamente, eu sinto muito por tudo. Não somente pelos fatos ocorridos hoje, mas por tudo mesmo.

Cordelia entendeu a referencia e quis indagar para coletar.

- Lorelai, sei que cada pessoa tem seus motivos, mas... quais foram os reais motivos de ter ido embora e partido o coração da minha filha, naquela época? – indagou com curiosidade e foi então que Lorelai entendeu que a matriarca podia não saber. Aquilo a deixou reflexiva.

- Cordelia, sabe que a adorava como uma mãe, posso estar enganada, mas acredito que a senhora não sabe os pormenores da minha ida, não é? Posso deduzir assim? – sondou Lorelai para confirmar sua suspeita.

- Sei apenas o que as minhas filhas sabem, porque? Deveria saber de algo mais? – Lorelai ao escutar essa fala, suspirou com pesar e isso fez com que Cordelia ficasse intrigada.

- Acredito que é melhor ficarmos com esses fatos e não mexermos muito nesse assunto. Mas espero que a senhora saiba, que jamais quis machucar ou magoar as suas duas filhas. Com a sua licença precisarei ir. – e assim a morena saiu pelo hall de entrada.

Cordelia voltou para o escritório de Holand e deixou-se posar naquela cadeira, parecia uma briga para entrar no quarto que dividia com o marido.  Niles seu mordomo foi visita-la e trouxera uma aspirana e um copo com água.

- Aqui, senhora.

- Como sabia que precisava disso? – Indagou a matriarca.

- Em todos os anos que sirvo, conhecer os Heinz é mais do que meu trabalho, é uma lealdade.

Ela sorriu com a fala dele. Quando ele iria se retirar, ela o interrompe e pede para que sente.

- Niles, está conosco a muito tempo e já viu de tudo por aqui, sabe que é um membro da família. Sei que guarda o segredo dos Heinz a sete palmos – ele balançava a cabeça de forma positiva, ouvindo com atenção. – Mas também sei que partilhamos tudo com você e pedimos sigilos e por vezes um do outro. Minha pergunta é, meu marido pediu sigilo com algo que tenha acontecido no passado sobre o caso de Izzy e Lorelai.

- Senhora, o mestre sempre foi muito categórico e precavido. Sempre jurou proteger a todos dessaa família com unhas e dentes.

- Sim... eu sei. – Concordou Cordelia.

- Houve um acordo a anos atrás entre o mestre e a jovem Lorelai na época. O mestre jamais se perdoou por isso e deixou aos meus cuidados que quando tudo estivesse mais calmo após alguma eventualidade com ele, que contasse e mostrasse a carta dele para vocês.

- Que coisa e que carta, Niles?

- O mestre Holand pediu perdão para a Izzy e a Bess por ter feito o que fez.

 

Niles havia deixado Cordelia no escritório novamente, dessa vez com a carta em mãos do seu falecido marido. Eis que abre a carta para ler e entender todo o conteúdo que ali carregava.

 

“Olá minhas filhas,

Nunca tomei coragem o suficiente para dizer para vocês pessoalmente o que trago nessa carta. Revelo que o conteúdo que há aqui, é do mais inteiro sigilo, algo que sua mãe jamais ousou sonhar, sendo assim, excluo a participação dela disso e integro a culpa somente a mim.

Na época em que vocês duas eram mais jovens e a Lorelai soube do segredo da nossa família, confesso que não foi algo que me deixou tranquilo de início. Claro que com o passar dos anos aquela jovenzinha começou a fazer parte de nossa rotina e nossas tradições. Pela primeira vez conseguia ver a felicidade bater na porta de ambas de um modo especial.

Mas essa felicidade começou a ser ameaçada quando os pais da jovem Lorelai faleceram. Quando isso ocorreu, fiquei um pouco incomodado com a forma da morte e contratei inúmeros, o que me levou a um nome suspeito, o patriarca da família Hoffman.

Partindo desse nome, fiz diversas conexões para poder entender mais quem era essa família Hoffman e por qual razão ocorreu a tragédia com os Maia.

Todo o capital da pobre família foi a ruina e Lorelai se viu sozinha no mundo, necessariamente comecei a me preocupar com a segurança de vocês, principalmente se esses Hoffman’s iriam atrás de mais informações.

Sendo assim, pedi para a Lorelai terminar com você e fingi toda a história com o marido falso produtor de cinema. Cuidei disso durante muitos e longos anos até a Lorelai conseguir erguer todo o patrimônio da família. Ela é uma jovem esforçada e inteligente, conseguiu se erguer em menos tempo do que previ.

Porém, havia explicado toda a situação para ela e com base na segurança de você, da Bess e até mesmo da própria Lorelai, ela concordou em jamais revelar o motivo de ter terminado com você Victória.

Como Holand, minha atitude foi deplorável, mas como pai que ama os seus filhos e por causa da família maluca na qual vivemos, eu tive que tomar medidas drásticas para garantir de toda forma, o segredo dos Heinz e da existência de vocês duas.

Eu preferiria morrer, do que perder uma de vocês! Ambas são meu maior tesouro e eu espero que possamos sair desse jogo maligno um dia.

Victória, minha amada filha, perdoe o seu pai pela atitude que tomei, por interferir no futuro lindo que poderia ter com a Lorelai, mas medidas precisavam ser tomadas e garantidas para garantir a segurança.

Espero que um dia possa me perdoa e também perdoar a jovem Lorelai.

Por todos esses anos ela se manteve longe, trocamos correspondências anônimas que deixarei nas suas mãos para que um dia as leia.

Graças as nossas investigações, entendemos quem foram os responsáveis pelo falecimento dos pais dela e da existência de uma irmã que ela não conhecia.

Quando um dia souber disso, deverá conversar com ela, pois eu a estava ajudando-a, sendo um pai que ela havia perdido. E durante todos esses anos, ela revela que por todas as pessoas que conheceu, nenhuma foi capaz de apagar o que viveu com você minha filha.

Talvez, não me perdoe, mas ao menos dê a chance dela se explicar. Espero, fortemente que entenda e que um dia perdoe o seu pai.

Atenciosamente,

Holand Von Heinz III”

 

Córdelia abriu a boca sem acreditar no que havia lido, eram informações que jamais cogitou imaginar. E ali além daquela carta do seu marido, haviam inúmeras cartas, algumas com destinatário para Holand que foram abertas, outras para Izzy que jamais foram abertas. Cordelia entendeu que nem mesmo o pai havia burlado a privacidade daquelas correspondências, o conteúdo daquelas cartas precisavam ser lidas pela dona endereçadas a elas.

Cordelia sentia de fato o mundo em suas costas, não acreditava que o marido fosse capaz de fazer o que fez, mas como mãe também o entendia. Era uma atitude errada e justificável ao mesmo tempo devido a situação na qual viviam.

- Então, o que ela veio fazer aqui hoje na verdade foram nas mais sinceras e verdadeiras intenções.  – a matriarca concluiu e viu o quanto Lorelai, ainda honrava a memória de Holand apesar dos pesares.

A matriarca da família mandou uma mensagem para o celular da sua filha mais velha, solicitando sua presença no escritório, sabia que Bess, dormia muito tarde como ela mesma. Como Lorelai conseguiu fazer a mais nova dormir, quis deixar como está.

Demorou apenas dez minutos quando três batidas foram depositadas na porta e Bess entrou.

- Chamou mamãe. – dizia ao entrar e fechar a porta, seguindo em direção a mãe.

- Sim, precisamos conversar. – Cordelia entregou a carta para a filha e disse – leia e depois me diga o que acha.

- O que é isso? – Bess ingadou, sem entender.

- Nem mesmo eu posso explicar com palavras do que se trata, mas acabei de receber esse conteúdo do Niles, seu pai deixou ele como guardião dessa informação por anos a fio. Acabei de ler agora e chamei você.

- Certo, irei ler.

 

 

Após um tempo de Bess lendo a carta do seu pai, ela ficou sem entender, estava incrédula ao que estava lendo. Não acreditava que o pai podia ter feito isso com elas e principalmente envolvendo outra pessoa. Durante todos esses anos pensava que Lorelai era a vilã da história e na verdade não existiam vilões, condenou por muitos anos a pessoa errada? Vivienne segurou a sua mão e tentou oferecer um conforto silencioso.

- Então, estivemos culpando uma pessoa durante anos que não tem nenhuma relação e era de fato inocente? – Bess estava confusa.

- Pelo jeito sim, mas agora precisamos pensar em como falaremos isso para a Izzy? – Cordelia indagava para todas ali quando a porta abriu vagarosamente, revelando uma Izzy com um copo de água na mão.

- Falar o que comigo? – indagava Izzy, entrando um pouco naquele escritório.

Todas ali, explicaram que encontraram uma carta de Holand e perguntaram porque Izzy estava acordada, e ela contou que foi até a cozinha, tomar um rémedio para enxaqueca, quando viu a luz do escritório acessa e vozes vindo, foi por isso que resolveu entrar.

Foi então que todas se juntaram e mostraram para ela duas dezenas de cartas, dez dela trocadas entre Lorelai e Holand, enquanto as outras dez, eram direcionadas para Izzy. Ela respirou fundo e leu a primeira carta do pai, suas mãos suavam frio e passava pelo cabelo.

Chegou na parte mais crítica da carta e seus olhos lacrimejaram, Bess sentiu uma dor imensa, queria apoiar a irmã nesse momento, mas também não tinha como protege-la.

- Isso que estou lendo é verdade? – Indagou para a mãe e para Bess. – Vocês sabiam disso?

- Ficamos sabendo nesse exato momento junto com você. E a Lorelai já tinha ido quando descobri essa carta do seu pai, estamos igual como você. – explicava a mãe.

- Acredito que precisamos falar com a Lorelai sobre isso. – dizia Bess.

- Eu concordo com a Bess, depois de lermos tudo isso e pelo que vocês falam, acho que há muito por trás do que simplesmente “um amor não correspondido”. – Vivienne completava aquele momento com essa analise.

- Acho que vocês estão certas, eu irei até a casa dela tirar tudo isso a limpo. – Izzy falava e pegava todas as cartas.

- Você quer que eu vá com você? – sugeriu a Bess.

- Não maninha, dessa vez eu acho que preciso fazer isso sozinha, certamente iremos demorar, mas eu aviso tudo para vocês e espero que ela venha para cá comigo para falar com todos. – Izzy explicou.

- Perfeito, tente fazer isso Izzy, precisamos saber de tudo o que está ocorrendo. – a mãe falou por fim.

 

Elizabeth saiu daquele local na Wrangler e seguiu para a antiga casa da família Maia, embora não fosse lá a anos, sabia muito bem como fazer aquele caminho. Decidiu pegar um atalho para chegar mais rápido, sua pulsação estava acelerada, toda sua mente estava confusa, precisava de explicações urgentes.

Quando falou seu nome para o porteiro, liberaram a entrada dela e ela estacionou no pátio de carros. Rapidamente seguiu para o hall de entrada e bateu, sendo aberta por um dos funcionários de Lorelai.

- Lorelai está? – indagou.

- Sim, na cozinha, siga o corredor a direita e pegue a esquerda e esquerda de novo. – explicou o funcionário.

Naquela casa iluminada, se deparou com fotos antigas de família, algumas com a Raphaelle e viu uma foto pequena e velha delas duas a anos atrás na infância. Seguiu até encontrar a cozinha e se deparar com uma cena estranha.

Lorelai estava apoiada nos ombros de uma mulher que não sabia dizer quem por suas costas, mas imaginou que deveria ser aquela motorista que estava em pé na bancada da ilha, segurando a outra. Uma senhora idosa falava com ela em italiano. Bessy tentava pular na bancada, enquanto cada uma dizia “calma, calma, ou vamos cair”. Seria uma cena cômica caso não fosse tão louca.

- Violeta, toma cuidado, assim poderá derrubar a Bambina, Mamma mia. – dizia a senhora com as mãos na cabeça ao ver a cena.

- Calma, Nonna, vamos trocar essa lâmpada. – dizia Violet, segurando Lorelai em suas coxas pelos ombros, enquanto a outra estava sentada, nos ombros dela se apoiando e tentando trocar a lâmpada.

- Eu até trocaria sozinha, mas.. – começava Lorelai retirando com dificuldade a lâmpada de cima.

- Mas a gênio aqui em cima tem mania de colocar coisas nos altos e esqueceu de que emprestou a escada para os vizinhos e gosta de resolver tudo. – começava Violet.

- Letty, não sei porque está reclamando, se alguém cair aqui, sou eu que irei me quebrar. – a lâmpada caiu da mão de Lorelai e espedaçou na bancada. – Oh, Mannaggia!

- Olha a boca, figlia mia. – Gioconda afastava Bessy para ele não se ficar perto dos estilhaços da bancada, quando o cachorro percebe Izzy e vai em direção a ela, pulando.

- Oi garotão! – Ela começa a acaricia-lo. Ao ponto que Lorelai reconhece aquela voz e fica nervosa, Violet começa a virar na direção daquela voz e a cena fica ainda mais estranha. – Vocês precisam de ajuda? Parece que está complicado aí.

- Só se você conseguir trocar melhor uma lâmpada do que a Lô aqui. – dizia Violet, rindo e recebeu uma cutucada com o pé pela sintura.

- Desculpe recebe-la dessa forma – ela estava envergonhada. – Nonna, poderia passar outra lâmpada para colocarmos.

Assim, a Gioconda fez e o trabalho começou a ser feito rapidamente e logo a luz que estava faltando voltou a brilhar. Instintamente Izzy subiu na bancada para ajudar a outra a descer. Violet começou a se ajoelhar calmamente, enquanto Lorelai acabou deixando ser ajudada pela outra, não sabia porque, mas era melhor aproveitar aquele momento.

Quando conseguiu descer e ficar em pé na bancada, Izzy desceu e segurou a outra pelo quadril para que ela também descesse e pousasse bem no chão. Perguntou se Violet precisava de ajuda e a outra recusou já estando ao lado de todas no chão.

- Obrigada, não precisava se preocupar. – sorriu Lorelai um pouco sem jeito.

Gioconda dizia que iria começar a limpar aqueles estilhaços quando Lorelai parou ela ali mesmo, não deixaria Gioconda mecher com vidros que poderia causar algum problema ou corte. As meninas, Violet e a própria Lorelai, limpavam aquilo. O que fazia Izzy ver a Lorelai por um outro ângulo que ela não imaginava.

Gioconda aproveitou esse momento e foi para geladeira pegar a sobremessa e colocar em pratos diversos para as meninas, um cheesecake de morango.

- Olha só, a Nonna voltou com nosso preferido! – Violet ajudava a senhora. – Elizabeth, correto? Lorelai falou muito de você, então acredito que é o seu preferido também, não fará desfeita em recusar, não é? A Nonna não aceita não como resposta!.

- Ah.. – Elizabeth estava sem reação. E Lorelai não sabia como ajuda-la nisso.

- Você não quer ao menos provar? A Nonna cozinha muito bem, acho que gostará, de verdade! Prove só duas colheres.

Elizabeth se rendeu para aquele momento.

Com tudo limpo, Gioconda colocou em cada prato uma sobremesa para as meninas e a comida para Bessy. Elizabeth sentou com todas ali, não imaginava que de repente estaria ali com todas juntas.

- Bom, Elizabeth, é uma satisfação enorme poder conversar e falar com você pessoalmente. Como disse, a Lô já falou muito de você. - Violet colocava um pedaço de cheesecake na boca.

- Dio mio, Violeta, ma che cosa! Mio perdones, Ma mia Violeta non sa stare zitta (nao sabe fechar a boca) - Gioconda da um aperto na bochecha de Violet que solta uns gemidinhos de dor. Fazendo Lorelai rir e Elizabeth não entender tão bem o fluxo de relação que todas ali tinham. - Ma, senhorita Elizabeth...

- Pode me chamar de Izzy ou Victoria e sem senhorita. Não há razões de formalidades. - Insistiu Izzy e Gioconda se surpreendeu, afinal, sabia que Elizabeth Heinz vinha de uma familia nobre e real.

- A Bambina estava certa, um belo coração tem aí. Ma che mal não pergunte, está tudo bem para vir aqui uma hora dessas? Se soubessemos que apareceria, teríamos organizado algo para sua recepção, cara mia. - Se explicava Gioconda com seu sotaque italiano abrasileirado como uma mãe preocupada em receber bem os convidados da filha. E como Lorelai não repreendia ou nada disso, ela entendeu que ali se tratava muito mais de funcionários comuns. Acreditava que o laço era muito maior.

- Não se preocupe, senhora Gioconda, foi um erro meu aparecer sem notificar à todos. - o que fez Lorelai fita-la com atenção. - Eu também não sabia que compareceria aqui. 

Isso deixou Violet e Lorelai um tanto alertas e a outra teve mais coragem de ir direto ao ponto.

- Então, se você está dizendo que não era dos seus planos comparecer aqui, por que veio? Não está aqui para discutir com a Lorelai, não é? Senhorita Heinz, apesar dos pesares, não permitiremos tal afronta com ela aqui no momento de hoje. - Lorelai segurou gentilmente o braço de Letty e ela se acalmou um pouco mais e Elizabeth percebeu o gesto e olhou para aquela mão tocando o braço da outra.

Gioconda interveio.

- Mamma mia, Violeta, são esses os modos que te dei menina? Non sei capace di tenerti un cece in bocca (nao é capaz de manter uma ervilha na boca? - revela mt coisa). 

- Ma Nonna!... -relutava ela para não levar bronca.

- Niente de "ma nonna". Para proteger a Bambina é certo, mas tudo se resolve com calma. Prima cosa, senti la parola de Elizabetha, sí? - explicava a idosa.

- Sí, Nonna. Scusi - dizia um pouco constrangida.

Elizabeth olhou para as três e alternando, enquanto falava

- Acredito que Lorelai deve ter falado um pouco sobre mim e tudo. Entendo a razão de estarem assim e é isso que se faz uma família. - Elizabeth relembrou que quando esteve em um momento difícil, Bess foi confrontar Lorelai, e sabe que com a irmã ela não deve ter passado bons momentos. Bess sabia aterrorizar quando queria. Assim, o que estava passando ali, não chegava ao rastro do que a outra teve que enfrentar.  -Eu não estou aqui para atacar, xingar ou tratar de forma negativa a Lorelai.

- Veio por algum motivo especial? - após muito tempo a propria Lorelai falou, o que fez Elizabeth olhar diretamente para ela agora.

- Sim, preciso de alguns esclarecimentos sobre isso. - ela colocou na mesa as cartas e Lorelai arregalou os olhos.

- Figlia mia, porque não leva a jovem Heinz para o escritório? Deveriam terminar de comer lá. Ficaremos por aqui para você. 

- Tudo bem, Nonna. - aceitou Lorelai.

- Elizabetha, escute o que mia Bambina tem a dizer, e espero que fiquem bem. Meus pêsames a sua família. - dizia Gioconda e depois Violet os pesames e consolação.

- Grazie Mille, Nonna Gioconda - tentou Elizabeth em um italiano.

Lorelai guiou a mulher para o escritório da casa, ao que foram seguidas por Bessy, que não abandonava a dona nenhum minuto sequer. O que fez Elizabeth lembrar muito da irmã ali. Sabiam que ambas compartilhavam muito esse amor.

Lorelai deu espaço para tanto Izzy e Bessy passarem e fechou o escritorio. Era um local confortavel, amadeirado, com muitos livros, fotos, estofado de couro e rústico. No fundo viu outra  foto das duas, só que dessa vez, elas eram maiores e namoravam. Pelo visto, a outra não se livrara das fotos juntas, diferente do que ela havia feito.

- Sente-se. - apontou um local. - Fique a vontade.

- Não obrigada, eu preciso mesmo saber sobre isso, é real ou mentira? - Elizabeth foi direto ao ponto.

- Você já leu? -indagou a outra e a Heinz confirmou positivamente- é tudo real o que seu pai disse. Tenho o contrato aqui. - retirou da mesinha o contrato dos Heinz que era padrão e ela conhecia muito bem aquele timbre. - Seu pai me ajudou no momento mais difícil e também me explicou a razão do pedido dele, não podia colocar a vida de vocês duas em perigo. Izzy, eu jamais colocaria você em perigo ou a Bess e isso me custou sim nossa relação, mas eu prefiro ser vista como vocês me olharam do que levar a culpa pela morte de uma de vocês. Jamais me perdoaria.

Elizabeth estava confusa, sentou no sofá por um momento e era muito para digerir. Até mesmo Lorelai não sabia o que deveria fazer, não esperava esse momento hoje. Na verdade, pensou que seria um segredo levado para o tumulo com Holand, mas ela se enganou. Lorelai se aproximou aos poucos e se ajoelhou na frente de Izzy, tocou o joelho da outra com receio de ter seu toque afastado, coisa que não ocorreu.

- Eu não casei, eu nunca fugi com ninguém ou troquei você por alguma pessoa. Meus pais falereceram, foi dificil para mim, eu estava sozinha no mundo, fomos a falência minha vida estava complicada e descobri que nada foi um incidente e sim um homicídio. Holand me ajudou, mas precisava manter o segredo de vocês intactos, me explicou que vidas corriam perigo. - ela começava a contar - Seu pai me ajudou a descobrir que eu tinha uma irmã de outra família do meu pai, me ajudou a saber o sobrenome do assassino, então...  foi mais ou menos isso. - explicou Lorelai.

Bessy passou e ficou no meio delas, pois sabia que Elizabeth estava triste.

- Você quer saber de alguma coisa? - Lorelai não sabia o que fazer.

- Todas essas cartas, esses sentimentos, Lorelai, sabe o quanto tudo isso me deixa confusa? - Izzy estava sensível. Tentava ser forte, mas deixou se abrir pela primeira vez.

- Izzy, eu sei que tudo isso é demais para você, sei que pode estar com sua mente à mil.  Estou aqui para escutar e apoiar você... - ver aquela mulher na sua frente tão frágil a quebrava. Não se controlou e  tentou abraça-la. Um abraço que nao foi recusado. - me perdoa, me perdoa mesmo. Mas foi tudo por um motivo maior.

Elizabeth chorou, desde o retorno de Lorelai, ela nao se reconhecia mais, não estava mais saindo com inúmeras mulheres. Estava bem mais quieta e centrada, diferente da Izzy que Vivienne tinha conhecido.

- Parece que meu talento é te fazer chorar e te magoar... - Lorelai dizia com o coração partido e secando aquelas lagrimas daquele rosto vermelho vivo.

- Então deveria parar de fazer isso, estou cansada de chorar por você e ser magoada.

Lorelai segurou suas mãos e a olhava profundamente. 

- Eu nunca quis fazer isso, mas quero ajeitar tudo isso que causei e tentarei todos os dias se assim você quiser e deixar. - Elizabeth a olhava.

- Eu não sei... é muito para assimilar.

- Victoria - Izzy a olhou significava que era algo sério que ela tinha a dizer - eu não estou aqui para brincar com você, mas respeitarei cada movimento seu. Só peço que me deixe fazer parte da sua vida aos poucos... me contentarei com sua amizade.

Aquela fala de Lorelai deixava inquieto os sentimentos que ali residiam por tanto tempo, por mais que tentasse fugir deles, sabia que estavam ali, bastava serem despertados pela pessoa certa, a pessoa destinada a eles, e de fato aquela pessoa estava ali.

Passado duas semanas, com Lorelai conversando pouco a pouco com a família Heinz e os jogos devendo ser respeitado o período de luto e perda tanto dos Heinz de segunda e terceira linhagem.

Enquanto Izzy e Lorelai tentavam se descobrir juntas, Kitty e Charlie, consolavam uma a outra, assim como Vivienne e Bess. Além disso, Sophie e Valquíria passavam o tempo mais em paz e de forma amena.

Sendo assim, mais duas semanas se passaram.

 

Fim do capítulo


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