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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 3802
Acessos: 151   |  Postado em: 26/11/2024

Capitulo 55 O jogo da Fami­lia Heinz

 

Desde o último encontro da família Heinz, na mansão dos Heinz terceiro, novo evento foi agendado para que todos os membros pudessem se encontrar novamente. Diferente da primeira reunião, voltada para uma introdução, apresentação e suspostamente, rever os familiares. A segunda reunião é mais descritiva.

Durante muitas gerações, a família Heinz sempre realizou o mesmo evento com o passar dos séculos. Eram realizados jogos brutais e mais explícitos, uma verdadeira carnificina. Testes de habilidade físico, mental e até espiritual. Era tido como o líder da família, aquele que sobrevivesse e suportasse todo o teste. Mas é claro que essas atividades sanguinárias começaram a se espalhar e isso não era o propósito ou objetivo da Metaphisicus, pois quem confiaria em um clã, família ou membro que matavam uns aos outros? Eles precisavam manter a boa aparência para continuar exercendo seu poder de influencia.

Sendo assim, nos séculos da modernidade e contemporaneidade esses assuntos e torneios tornaram-se cada vez mais restrito e privado. Por traz de toda essa fachada, haviam inúmeros funcionários que incubriam uma morte, informando que foi um acidente, ou morte natural, infarto, tudo para camuflar o que de fato ocorria.

Os jovens Heinz eram preparados desde novos para serem os melhores dentre todos. Aprendiam a arte de esgrima, de todo tipo de duelo medieval, moderno e pós-moderno. Para que pudessem competir. A primeira fase do grande teste era na infância, este era regido por seus atributos mentais e intelectuais. Quando crianças, nenhum teste mortal é infligido, cada família torna-se responsável de explicar para sua prole as raízes de sua família e certamente, treiná-los para serem inimigos no futuro, pois só um pode assumir o comando.

Quando os jovens Heinz eram pequenos, os testes mentais eram feitos semestralmente, o que acumulava pontos para a casa. Elizabeth, em sua infância sempre fora doce e isso a fez se aproximar da jovem Charlotte, diferente do pequeno Joseph que mostrava sempre seu ar superior e implicava com as meninas. É claro que naquela temporada, já tendo as duas primas unidas, a competição mental das melhores notas foram acirradas, deixando Charlotte atrás por 1 ponto e Elizabeth na liderança, enquanto Joseph ficava atrás numa diferença de dez pontos.

Quando eles cresceram, a adolescência tratou de cuidar de suas habilidades físicas e estrategistas. Esportes foram enquadrados nas disputas. O saber lutar também era um requisito. Nesse momento, as aptidões de esgrima, lutas e torneios corporais eram vencidas por Charlotte, sendo seguida por Elizabeth e um pouco atrás Joseph.

Nesse período, o jovem Joseph mostrava seus dons para a trapaça e as artes obscuras da malandragem. Em uma das disputas com as meninas, tentou jogar areia nos olhos de suas adversárias, que com sorte conseguiram evitar, declarando a vitória de ambas. Contudo, com o passar dos anos seus métodos ficaram mais requintados e as primas passaram a não confiar nele.

Agora, na fase adulta, estando todos reunidos, um novo torneio irá começar. No qual será exposto por aqueles que estão no último lugar do ranking que são os Heinz de primeira linhagem. O lar dos Heinz de primeira linhagem era extravagante, bonito, porém, não chegava aos pés do de terceira. Certamente o ar clássico e nobre reinavam naquele local.

Com metragens menores e um pátio menor para equipar e guardar seus carros, os Heinz de primeira linhagem tentavam expor o que não tinham tanto. Contrataram o dobro dos seguranças e empregados dos de terceira linhagem, fizeram o dobro de comida também para aquele evento e novamente todos os membros da família estavam lá. Incluindo a vovó Cristina com quem Patrícia fazia questão de implicar.

O jantar fora silencioso, quieto e frio, sem troca de palavras até todos se juntarem no salão de reuniões. Ali, a tecnologia estava correndo solta. Todos sentaram em uma enorme mesa ovalada, na qual ao apertar um botão projetou um holograma do ranking atual das competições com as fotos de Charlotte, Elizabeth e Joseph.

O irmão de Roland começava a explicar que o tão esperado momento havia finalmente chegado e o torneio iria começar. Passou a palavra para Joseph que se levantou.

- Como todos sabem, é tradição da nossa respeitada família definir o líder do clã com torneios. Ficou decidido pelo antigo patriarca, Holand Von Heinz, nosso ancestral, que quem estivesse no último lugar do ranking teria a oportunidade de se levantar escolhendo os jogos que desafiarão os demais membros. – começava a explicar, indo de um lado para o outro. – Como já passamos dos períodos de cavalheirismo, luta de espadas, tiros, lutas e sabe o que mais nossos ancestrais duelaram. Eu promovo os famosos jogos de azar. Cada um de nós poderá ser desafiado, certamente, a trapaça é permitida, desde que não seja percebida pelo seu adversário. – Joseph abriu um compartimendo dando uma ficha de poker para Charlotte, outra para Elizabeth e outra para ele mesmo. - Nosso objetivo é duelar entre nós e ir arrecadando mais e mais ficha, vence aquele que chegar aos 100 pontos primeiro. Todo e qualquer duelo será supervisionado para ter validade. Como não há tantas regras, além de que você não pode deixar que seu adversário saiba o que está tramando, é um vale tudo sanguinário. Depois de hoje, a nossa reunião será com os Heinz de segunda linhagem para confirmar ou recusar o nível do jogo.

Cada Heinz, com exceção dos da primeira linhagem que já estavam na sua própria residência ficaram. Chalotte se despediu de seus pais, pois gostaria de acompanhar seus tios e sua prima para a masão deles para terem uma outra discussão.

 

Charlotte sentou no sofá de veludo preto da casa dos Heinz e suspirava, certamente, o primo Joseph estava aprontando alguma coisa. Ao seu lado, Elizabeth sentou com a mesma expressão de preocupação. Holand e Cordelia se sentaram em outras poltronas divididas. Todos estavam sentados e o bilhete com as próximas instruções dadas por Joseph continha naquele manuscrito.

A sala estava silenciosa, esperando pacientemente que Charlotte abrisse aquela carta. Joseph havia enviado um envelope que estava endereçado para Charlotte. Atrás estava escrito uma solicitação para comparecer amanhã às 19h após o horário comercial e dos seus respectivos trabalhos para participar da Batalha real dos Heinz.

Holand foi o primeiro a quebrar o silêncio.

- Então é isso... – pausou para continuar. – finalmente o jogo mortal de nossa família começou. – controlava sua voz para não sair com tamanha preocupação, mas claramente, era impossível conseguir esconder.

-Sim, parece que o primo Joseph está bem animado com isso. – Falou Elizabeth.

- Eu fui a primeira a ser desafiada por ele. – Charlotte fitou a prima.

- Estaremos aqui para sermos seu suporte Charlie. – Elizabeth tranquilizou depositando a mão em seu ombro.

Naquela noite, as gêmeas Heinz ficariam nos seus aposentos. Vivienne deveria dormir na casa de Henrique, pois aquele momento todo seria dedicado para ser feito uma estratégia para a jovem prima. Charlotte voltaria para sua casa e de lá deveria seguir normalmente com o seu dia e ir às 19h para o local indicado pela carta.

Todas as instruções deveriam ser queimadas para evitar ter algum resquício de prova. Bem como o local. Joseph apareceu naquela porta, dando as boas vindas para a prima e a abraçando logo em seguida.

Charlotte detestava o primo Joe, mas tentou ser cortes com ele e recebeu aquele abraço. Ele convidou para entrar em sua casa, sendo conduzida para a sala de jogos, como ele assim gostava de chamar.

- Como sabe, nosso jogo terá um monitorador ao vivo, o meu pai se ofereceu para essa tarefa.

O tio de Charlotte estava ali, sentado já na mesa de jogos tomando sua bebida habitual, uísque.

- Olá – respondeu Charlotte friamente.

- Deixemos as cortesias para depois. Prossiga Joseph, ande logo com isso. – argumentou o pai.

Joseph sorriu de lado.

- Certamente, papai. – continuou e mostrou o lugar de Charlotte. – Além do papai aqui presente na sala, por trás desses vidros, na arquibancada temos a presença de todos os Heinz da primeira e última linhagem que poderão ser vistos por esses televisores.

Nos telões cada Heinz ocupava uma poltrona. Aquilo tudo lembrou a Charlotte como um verdadeiro jogo de beisebol, basquete, vôlei e qualquer outro esporte, no qual a plateia ficava na arquibancada, enquanto os jogadores se encontravam. O seu tio de primeira linhagem faria o papel de arbitro. Pelos telões Charlotte pode ver seus tios de terceira linhagem, seu Tio Holand, sua Tia Cordelia e sua querida prima Elizabeth que fez um gesto de “sim” com a cabeça, como se tivesse desejando boa sorte e conforto para ela. Assim, Charlotte correspondeu aquele singelo aceno.

- Vamos! – bravou o tio.

O mordomo da família apareceu ali também para puxar as cadeiras.

O tio como arbitro falou as instruções após todos sentarem.

- Os competidores de hoje serão Joseph Von Heinz I contra Charlotte Von Heinz II, está certo? – falou ele para dar início ao campeonato que estava para ser autenticado.

- Sim! – falaram em coro tanto Joseph como Charlotte.

- Excelente, o jogo será pif-paf ­– dizia o patriarca do Heinz de primeira linhagem. – Vocês receberão um total de nove cartas e só poderão permanecer sempre com esse total, nem mais ou menos que isso. Quando chegar a sua vez, devem descartar e puxar uma carta nova carta do baralho, ou pegar uma carta do jogador que descartou a carta dele se essa assim for útil para o seu jogo. Para formar um jogo será permitido cartas de naipes iguais com valores de números diferentes ou naipes diferentes com numeração iguais. Exemplo: se todos tiverem o número três e forem correspondentes a: três de paus, três de ouro, três de copas, temos um jogo. Por conseguinte, se tiver naipes iguais, como ouro, deverá ser correspondente a números distintos, exemplo: quatro, cinco e seis de ouro. Vence aquele jogador que vencer três vezes e formar, claro, o jogo primeiro. Todos entenderam as regras?

- Sim. – novo coro foi respondido por Charlotte e Joseph.

- Escolham o valor da moeda. – Dizia o velho ali na mesa.

- Coroa – disse Joseph.

- Cara – falou Charlotte.

A moeda foi lançada ao ar e quicou na mesa, sendo observadas por todos ali na mesa bem como na arquibancada, até afzer seu último movimento circular e cair em uma coroa.

A risada de Joseph foi ouvida por todos, e um suor escorreu pela testa de Charlotte. O baralho foi divido e embaralhado diversas vezes, depois cortado pelo mordomo para ser distribuído alternadamente entre os jogadores. Cada um estava com as nove cartas e Joseph fez o primeiro movimento de descarte, um três. A partida seguiu silenciosa com os jogadores fazendo seus movimentos e a tensão sendo levantada na arquibancada.

Elizabeth estava de olho em qualquer movimento suspeito por Joseph, afinal, ele não era flor para se cheirar. Após três minutos de jogo, Charlotte tinha mostrado os três jogos feitos antes de Joseph, garantindo a sua primeira vitória de três. O que fez Liz suspirar em alívio.

- Ah, parece que perdi esse. – ele sorriu descontraído e despreocupado. O que deixava Charlotte tensa e suando cada vez mais. Sua respiração estava pesada e ofegante. Estava suando mais do que o normal, o que estranhou, pois todos estavam em uma sala climatizada.

- Papai, o que está havendo com a Charlie? – dizia Liz.

Holand observou estreitando os olhos.

- E-eu não sei.

Charlotte levantou da mesa, repentinamente sem ar, respirando com dificuldade. Suas bochechas estavam avermelhadas, uma equipe de paramédicos de plantão adentraram para intervir. Elizabeth se levantou da sua cadeira e falou por intermédio do microfone.

- Ei, o que está acontecendo aí? Por que repentinamente a Charlotte se encontra assim, o que vocês fizeram? – indagava rispidamente.

- Não sei do que você está falando, Elizabeth, ela apenas ficou assim do nada. – Joseph estava com um ar despreocupado.

- Claramente isso é obra de alguma trapaça! – bradou ela, saindo da arquibancada e se dirigindo a sala do jogo. Abriu a porta e estava olhando Charlotte sendo observada por alguns médicos, que faziam testes nela.

- A sua acusação Elizabeth é muito forte e precisará de provas para isso. – o arbitro seu tio falou.

Do alto da arquibancada por meio das caixas de alto falante foi ouvido outros membros da família articulando. Foi a vez de Holand expor.

- Algo de estranho foi feito, como ela pode aparecer magicamente doente assim do nada?

Uma porta abriu atrás de Elizabeth e era seu tio de segunda linhagem pai de Charlotte, ele era médico e abriu caminho entre os médicos ali presente. Inspecionou e chegou a uma conclusão lógica rapidamente.

- O que pode ter ocorrido aqui é que minha filha foi vítima de envenenamento. – todos naquela sala ficaram surpresos.

- Então, é isso devemos parar o jogo. – bradou Holand pelo alto falante.

- Negativo. – informou o arbitro. – as regras do jogo eram claras, nada de suspeito ocorreu durante o jogo e claramente foi observado diante dos olhos de vocês.

Os burburinhos na sala eram notórios, pois o que o Heinz de primeira linhagem falava estava certo, para cada trapaça deveria ter sido percebida pelo apostador e ser explicada, diante daquele jogo, nada foi feito de forma misteriosa pelo jovem Joseph, o jogo não poderia ser parado e Charlotte não poderia sair do jogo assim livremente e facilmente.

- Nesse caso, se nada ocorreu durante o jogo e deixamos nossa filha saudável durante todo o momento – articulava o segundo Heinz – a resposta mais obvia é...

- Aconteceu antes de entrar na sala. – concluiu Elizabeth.

- Exatamente – respondeu o pai de Charlotte – não ferindo de fato as regras, ou seja...

- O jogo não pode parar – falou em coro tanto o pai de Charlotte quanto Elizabeth.

Todos observavam a situação da jovem que não parava de suspirar e suar frio. Do alto foi falado por Córdelia.

- É uma maluquice, precisamos levar a Charlie para o hospital agora!

- Será mesmo? – Joseph enfim falou. – Não sou médico aqui, mas certamente o titio deve saber que não é tão simples identificar o veneno e isso é deveras importante, sem falar que o tempo e a equipe médica até o hospital levará tempo e o tempo é primordial para nossa prima, pois até ela chegar no hospital, estará morta!

Elizabeth trincou os dentes.

- Joseph seu...!- a jovem cerrou seus punhos.

- Ora, mas não precisa de tanto alvoroço, - ele se levantou e jogou na mesa um frasquinho com o líquido. – aqui está o antídoto.

Elizabeth se apressou para pegar quando ele disse.

- Não tão rápido priminha – disse em seu tom irônico – para isso você terá que me vencer! Se vencer o antídoto é seu e poderá aplicar na Charlotte, se perder...  –fez uma breve pausa.

- Se eu perder...? – indagou Elizabeth.

- Deverá passar metade dos seus bens, lucros da família Heinz de terceira linhagem para mim.

Elizabeth engoliu em seco, dar metade do seu patrimônio bruto e lucros da família, principalmente a sua parte, levaria o seu nome para a lama, não só isso, ela ficaria endividada e declarada a falência. Mas certamente era esse o plano dos Heinz de primeira linhagem, acabar com a força e a influencia deles. Elizabeth estaria lutando agora não só pela vida da sua prima que poderia morrer, mas também por ela e sua família para não ser levada a beira da lama.

- Está certo!

- Liz não!! – bradou o pai.

- Não há nada o que possamos fazer pai. – Elizabeth foi até Joseph, ficando cara a cara com ele. – Vamos começar de uma vez esse jogo!

Ele sorriu.

Enquanto, era apenas feito uma forma paliativa para ajudar Charlotte, pois não havia todos os aparatos além dos primeiros socorros, a mesa de jogos era reorganizada e as cartas embaralhadas para serem distribuídas entre os jogadores.

A partida começou calma e tranquila, o ar de Joseph era ameno, prosseguindo despreocupado, algumas cartas eram descartadas e depois pega por outro jogador. Elizabeth tentava-se manter tranquila sem deixar se abalar.

Holand estava suando pela filha, Córdelia apertou e segurou a mão dele para tentar acalmá-lo, sendo que ela mesma precisava se acalmar. Naquela mesa apenas eles dois sabiam quem estava jogando, e era a Heinz mais velha, Bess. Ambos os pais não previam que Bess acabaria na mesa de jogos, pois a trouxeram por causa da sua mente analítica e lógica, diferente de Izzy que por vezes agia no calor do momento.

A aposta em trazer Bess, seria para analisar e averiguar se ocorreria alguma trapaça, pois assim poderia ser denunciado, contudo o tiro saiu errado e estava com a sua filha no abatedouro e com a sobrinha a beira da morte. Estavam mais preocupados do que os verdadeiros pais da jovem Charlotte. Córdelia, certamente lamentava, pela doce Charlotte ter sido filha do casal de cobras que a trouxeram ao mundo.

Elizabeth fitava impassível Joseph, enquanto sua irmã conseguiu ter acesso as câmeras e sala de jogos por meio de um hackeamento. Izzy estava com Bess através de um ponto de escuta muito bem aclopado em sua orelha, ninguém poderia perceber isso. As irmãs nunca deixariam de estar juntas nessa.

Bess ouviu que Izzy tentava hackear e descobrir que tipo de veneno estava sendo usado e injetado em Charlotte o mais rápido possível. O velho mordomo em sua sabia do segredo das meninas e estava acompanhando toda a parte cibernética, visto que seus patrões precisavam de toda a inteligência com eles.

A segunda rodada de cartas foi feita, deixando Joseph com um ponto e o ponto de Charlotte continuaria com Elizabeth, afinal ela estava representando a jovem. A competição estava empatada e haveria somente mais um turno de rodadas para garantir a vitória dos competidores. Joseph começava a sorrir de forma alucinante, cantando vitória, enquanto Elizabeth mantinhasse calma e serena.

Novamente ocorreu o embaralhamento das cartas e a nova distribuição dando um total de nove cartas para cada um. Holand e Córdelia assistiam atentos e nervosos, pois se Elizabeth perdesse aquela rodada, não significava só a perda significativa da metade dos seus bens, porém o principal, a sua sobrinha poderia morrer.

- Parece que a minha querida priminha não é muito boa no jogo de cartas. – ele sorria cantando vitória.

Nenhuma palavra era ouvida de Elizabeth.

Os minutos estavam passando e a situação de Charlotte se agravava. Como forma de pressionar ainda mais Elizabeth, Joseph fazia questão de demonstrar que a cada três cartas que ele juntava e colocava na mesa, representava um jogo feito. Enquanto Bess, ainda segurava as nove cartas na mão.

Ela descatava algumas cartas e puxava outras, enquanto Joseph parecia recolhe-las.

- Tsc... não posso acreditar que a vida da minha filha está nas suas mãos – reclamava o seu tio. – Não aparenta nem saber jogar direito, seu pai não ensinou para você um simples jogo de cartas, garota? – o pai de Charlotte parecia irritado. Se Charlotte morresse significaria que os Heinz de segunda linhagem estariam fora do jogo para serem os chefes da família Heinz.

- Vamos Elizabeth é sua vez... – sorria Joseph.

Elizabeth descartava outra carta e puxava outra, ajustando e reordenando as suas cartas na mão. Joseph sorria, pois juntava mais outra sequencia de três cartas e virava para baixo junto das outras, indicando que havia feito mais uma nova sequencia de jogo. Agora, ele possuía mais três cartas na sua mão, indicando para a sua prima que apenas faltava isso para ele ganhar.

Novamente eles descartavam e puxavam novas cartas para dar continuidade. A arquibancada estava tensa. Holand já havia desgrudado suas costas da parte macia da cadeira e observava aquele jogo com uma fenda entre as sobrancelhas.

O sorriso de Joseph aparentava está maior, ao que tudo indicava ele precisaria apenas de uma carta para fazer um novo jogo e aquela era a vez de Elizabeth, ele estava sentindo o gosto da vitória.

- Acho melhor começar a assinar a papelada priminha. – ele dizia sorridente e confiante.

- Eu não comemoraria tão rápido. – Elizabeth falou. Aquela fala fez o sorriso de Joseph minguar e erguer uma de suas sobrancelhas. Ela prosseguiu colocando suas nove cartas na mesa e apresentando uma sequencia de jogo completa e perfeita. – Eu venci.

- I-impossível! I-impossível!!! – gritava Joseph. – Como você pode ter vencido?

Elizabeth sorriu de lado e o fitou.

- O seu erro, “priminho” – disse em tom irônico como Joseph costumava fazer – é sempre ter o Ego nas alturas. Quando começou a juntar seu bloquinho de cartas em busca de tentar me intimidar e expor que estava fazendo a cada rodada um jogo novo isso só me fez perceber quão atrás você estava de mim. Eu certamente já tinha formado os dois jogos, enquanto você estava com um. A sua cede por vencer cegou você e não percebeu a grande ironia da vida que foi descartar a carta que eu precisava para vencê-lo e ter o antidoto para a Charlotte e claro, ver sua expressão de idiota. – Elizabeth sorriu largamente. – impagável. Fim de jogo!

- Isso foi uma armação  - levantou ele revoltado.

Em igual tom Elizabeth falou.

- Prove onde isso foi armação?? Joguei com suas regras do jogo, estou com uma prima envenenada que você fez isso antes de começarmos a jogar! Não fiz nada de errado ou desonesto se há alguém aqui que trapaceou, esse alguém é você! Mas devido as regras desse jogo, bem como da nossa família, não há como expor e provar isso. Agora se me der licença, o pai de Charlotte precisa aplicar esse antidoto antes que seja tarde demais.

Joseph iria agarrar Elizabeth para desferir um golpe, quando foi impedido por seu pai que se colocou na frente dele, negando com a cabeça.

- Foi um jogo limpo, Elizabeth venceu. – Dizia ele mais irritado do que o filho, porém, não podia fazer nada, além de decretar isso. – Deixe que salvem a Charlotte.

Assim foi feito, o pai de Charlotte aplicou a seringa com o antidoto um soro antiofídicos específico, e levaram a jovem para o hospital de Nova Amsterdam. O que se soube daquilo, horas mais tarde é que o estado de saúde da jovem estava estável e melhor. Estando livre de maior perigo. Elizabeth e os Heinz de terceira linhagem ficaram mais tranquilos e suspiraram por aquela notícia. Eles puderam perceber que aquele era o nível do jogo, não estavam apostando apenas míseros pontos, a posta era muito mais alta, uma aposta por suas vidas e sobrevivência. O jogo da família Heinz, finalmente havia começado e era brutal.

 

Fim do capítulo


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