Segredos por Elliot Hells
Capitulo 54 Heinz e Maia reencontro (PARTE 2)
Aquele espaço arborifico estava bastante ventilado e os cachorros esperavam as suas tutoras jogarem o frisbee. O primeiro a pegar foi o Bessy, enquanto Blues trazia junto com ele o objeto arredondado vermelho de borracha.
Após descobrir sobre o jogo que haviam mencionado, as duas mulheres observavam ambos cachorros felizes naquele grande campo verde em silêncio. Nenhuma palavra foi trocada por dois minutos até que Izzy foi a que quebrou o silêncio sem fitar para Lorelai.
- Por que você casou e fugiu com outro? – Essa pergunta era dolorosa para Izzy, durante anos nunca pode ter esse tipo de conversa com a outra e saber as reais motivações.
Lorelai suspirou, sabia que um dia essa pergunta a atingiria.
- É... complicado. – dizia sem jeito, quando organizava sua mente para poder formular frases compreensíveis, Elizabeth retomou a fala.
- Complicado? – disse um pouco irônica. – Acho que complicado foi durante esses longos anos tentar esquecer você, sem jamais entender as reais razões que te moveram para que terminássemos. Complicado foram os dias, semanas, meses e por fim anos que tentei me curar e superar a dor que você fez. – Lorelai a fitava, cada frase dita, a machucava. Ela fazia apenas uma ideia do quanto havia machucado Elizabeth, mas não sabia que era tanto.
- Izzy, eu nunca quis magoar você – Lorelai tentou tocá-la e a Heinz se esquivou.
- Eu tentei superar você, Lorelai, tentei com todas as forças, em cada boca, corpo... – começava a explicar as razões das suas atitudes. – Em cada uma delas, tentei sufocar você, ao mesmo tempo, que inconscientemente, procurava algum traço seu nelas. Algum sorriso parecido, a forma de olhar, o jeito doce de me tratar e apaixonado que eu pensei que fosse real.
- É real, Izzy! – Lorelai tentou segurar as mãos da outra que novamente a repeliu.
- Por favor, só escute e não me toque! – expressou de forma fria, um olhar que somente tinha visto em Bess e não em Izzy, ali estava aquele olhar. – Eu preciso dizer tudo que está engasgado aqui. – É claro que de fato você foi a única mulher que eu amei de verdade. Eu não posso fugir disso, muito menos me negar a ver isso. Esse sentimento, infelizmente, faz parte de mim. Não sei suas reais intensões naquela época, se casou com outro por interesse, amor, não sei e não quero saber. Já parei de me importar a muitos anos atrás. O que você fez no passado quero deixar lá, porque não me interessa mais, agora o que você está tentando fazer no presente isso me diz respeito e sinceramente, eu não entendo, porque depois de tantos anos, tanto tempo você teve a ousadia de aparecer no teatro do Pierre. Isso é difícil de engolir.
Lorelai estava em silêncio. Sabia que o pensamento da outra estava certo.
- Me diz, por qual razão de verdade você voltou, será que seu prazer é em me ver sofrer? – Izzy estava vulnerável, aquela pessoa ali na sua frente tinha um poder de deixa-la se sentir assim, completamente desarmada, sensível e dolorida.
- Nunca quis machucar você ou a Bess. Eu queria poder explicar tudo o que ocorreu naquela época, queria que você soubesse a verdade – tentou se aproximar, quando escutou uma voz chamando seu nome. Lorelai e Izzy se assustaram e olharam para a pessoa que estava chamando a CEO do estúdio do Pierre. Os cachorros correram de volta e estavam animados por aquela pessoa está ali.
A jovem Raphaelle havia aparecido, Lorelai se levantou e sorriu de forma verdadeira para aquela jovem que começava a analisar a cena. Olhou os cachorros e conseguiu cumprimenta-los. Cada um fazia um momento de respeito pela jovem sem estar animado demais.
- Olá, Lô, não precisava me esperar por tanto tempo. – dizia Raphaelle. – você está acompanhada.
- Queria leva-la para o arquivo hoje. Essa é a Elizabeth – explicava Lorelai.
- Eu conheço a Elizabeth Heinz, ela visitou o campus, me ajudou a recuperar o meu lugar na mesa do refeitório. – explicava a jovem. Lorelai franziu o cenho, quer dizer que Raphaelle conhecia Elizabeth e ainda tinha ajudado a sua irmazinhã mais nova?
- Oi, Raphaelle, não imaginava encontrar você por aqui. – Elizabeth também se levantava para falar com a jovem e estava surpresa por ela conhecer Lorelai, como diria seu pai “terras pequenas”.
- Isso é correto, não tinha como você saber que eu estaria aqui, afinal não foi informado. – explicava a jovem, o que fez Elizabeth abrir um sorriso gentil para ela. – era um evento não previsto.
- Izzy, a Raphaelle é a minha irmã mais nova. – Lorelai a olhou de volta, identificou a expressão de surpresa da outra. E de fato era, não sabia que Lorelai tinha alguma irmã mais nova, porém não podia negar a similaridade na parte física que ambas tinham. Elizabeth sempre achou Raphaelle com traços de Lorelai e agora entendia a razão, elas eram irmãs.
- Vocês são irmãs? – repetia o que a outra disse.
- Para ser mais precisa, somos meia-irmãs. – deixava mais claro Raphaelle. – somos irmãs por parte de pai, o que nos fornece o parentesco. Lo é minha irmã mais velha.
- Descobrimos após a morte do papai que ele possuía outra família, a da Rapha. Não só eu havia perdido a minha família, mas a Rapha também. E ela ainda era uma criancinha quando tudo ocorreu, enquanto eu estava enfrentando muitas coisas. Graças a justiça, podemos dizer assim, com os espólios do papai, Raphaelle se acionou como parte interessada, alegando ser filha do Adam. – explicava Lorelai. – Fizemos o teste de DNA e os alelos deram compatíveis para sermos irmãs, você entende dessas coisas legais. Posso ter perdido uma família, mas ganhei uma irmã.
- Sim. – Elizabeth não sabia muito o que poderia dizer, estava surpresa com tudo isso.
- Eu terei que levá-la para o estágio no arquivo, podemos continuar a nossa conversa em um outro momento? – Lorelai suplicava por esse outro momento.
- Tudo bem, deixe para lá, não se preocupe muito com isso. – Elizabeth se despediu de Raphaelle, chamou Blues e se despediu também do outro border collie.
Elizabeth saiu do campus, sabia que em um outro momento propício ela e Lorelai deveriam conversar novamente, mas, certamente, essa conversa não seria tão próxima. Assim, ela deveria voltar para sua casa, pois em breve outras atividades a aguardavam acerca da sua família Heinz.
Enquanto isso, Lorelai seguiu para o estacionamento do campus com Raphaelle e Bessy até o carro. Violet, encontrava-se encostada na porta do motorista aguardando as morenas. Deu um aceno para Raphaelle que retribuiu com um outro aceno de cabeça.
Abriu a porta para a Raphaelle e o border entrarem. Lorelai, foi no banco da frente, indo para o passageiro, sabia que a sua irmã gostava de ter certos momentos mais distantes de pessoas e respeitava a sua zona.
- E então, como foi hoje? - indagou Violet, conectando a chave e colocando a caixa de marcha, na ré. Soltava suavemente a embreagem e dando giros no volante para fazer a manobra perfeitamente.
Raphaelle, voltava a por seus fones de ouvido, afinal ela tinha certa sensibilidade auditiva, assim acariciava o border suavemente, transmitindo-lhe paz naquele momento.
- Vamos deixar a Rapha no arquivo, Letty. Hoje ela tem estágio e sabe que ela não gosta de atrasos. - relembrava a mais velha.
- Claro que lembro, jamais chegaria atrasada! Pegarei alguns atalhos - voltava a engatar a primeira para o carro ganhar força, segunda e depois terceira marcha.
O telefone tocou e estava em viva-voz.
- Olá, Nonna, algum problema? - questionava a senhora que cuidava da casa de Lorelai.
- Filha mia, como pode ambas esquecerem as pastas dos arquivos do tal Studio Pierre? Mamma mia, ma cos'hai in mente? (Mas que coisa tem na cabeça?)
- Oh Nonna, scusami. Ho dimenticato! Ma, grazie per avermi rocordato. (Eu esqueci, obrigada por me lembrar)
- Eh, sì, allora, se le cose stanno così, accetto. (Se esse for o caso, aceito) - Dizia a mulher na outra linha. - Ma, falou com a filha dos Heinz?
Lorelai suspirou e disse - Falei, Nonna.
- Você a viu?? - Violet estava em real surpresa. - como foi?
Lorelai contou detalhadamente os momentos relembrados por ambas, como os dois cachorros se entenderam e isso acabou deixando o clima entre elas mais ameno e favorável. Contudo, veio perguntas do passado, os motivos de terem acabado e do quanto Elizabeth ainda estava profundamente magoada.
- Ela ainda está profundamente magoada comigo, admitia e sabia o que sente por mim, porém o que eu fiz é imperdoável para ela. - Lorelai refletia a mais pura dor e tristeza.
- Lô, não fica assim! - Violet dizia ainda dirigindo - ela ainda sente algum sentimento por você e é isso que você precisa pensar também.
- Filha mia, escuta tua Nonna, uma xicará que quebrou jamais será como já foi, mas isso não quer dizer que não podemos juntar e colocar cada pedaço. É preciso de paciência, dedicação, sobretudo, resiliência para juntar todos os pedaços. Em uma conversa, você achava mesmo que tudo seria resolvido? - indagava a Nonna. De fato, Lorelai, sabia que a senhora do outro lado da linha tinha razão.
- Eu entendo Nonna, mas a forma como ela disse... eu não sei, talvez seja melhor desistir disso. Deixa-la ser feliz, como dizem os italianos "Chiodo scaccia chido!" - enfatizou a jovem.
- Ah, mamma mia, Lorelai, expressões italianas? Quer mesmo dizer que um prego enferrujado será substituído por um brilhante e novo? Você é o prego enferrujado nessa história? - a Nonna parecia chateada pela jovem falar assim de si própria.
- Ih, Lady parece que avere un diavolo per cabello in nonna! - Violet tentava dizer que Lorelai acabou de deixar a Nonna furiosa ao falar assim dando a ela ter um diabo por cabelo de raiva.
- Ah Nonna, semplicemente non ha peli sulla lingua - o que explicava a morena pela senhora não ter de fato papas na lingua na hora de confronta-la.
- Bambina, você não é um prego enferrujado, já disse que deve conversar direito com essa mulher. Agora preciso ir e cuidar das coisas, não esqueçam de pegar essa pasta.
- Certo, Nonna, iremos passar em casa após deixarmos a Rapha no arquivo.
- Ah, Bambina Raphaelle está ai? Farei o prato dela preferido para vocês depois levarem para ela, hoje é o dia que ela come. Andiamo, preciso partir, Ciao bellas! - a Nonna desligava e Violet foi a próxima a falar.
- Você sabe que a Nonna está certa, precisa conversar com ela. - surgiu um silêncio que logo fora quebrado por Raphaelle.
- Lô, é compreensível sua preocupação e cautela na aproximação da senhora Heinz. Mas escute a Nonna, elas sempre sabem o certo a ser feito e eu já havia dito isso para você. Em breve, ela saberá a verdade, então é justo que você prepare aos poucos esse terreno. - apontou para o prédio a frente, - eu desço aqui, Violet, agradeço a carona. Agora preciso ir, não posso me atrasar.
- Tchau, Rapha!! Bom trabalho. - dizia Violet.
- Tchau, maninha, eu agradeço por tudo, Nonna está fazendo seu prato hoje.
- Tudo bem. - se despediu e seguiu para o prédio.
Fim do capítulo
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