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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 1495
Acessos: 330   |  Postado em: 23/07/2024

Notas iniciais:

Cenas delicadas

Capitulo 49 Busca e Resgate

Em algum lugar no território ucraniano..

 

Resgatar cidadãos brasileiros é uma tradição das Forças Armadas, está na doutrina militar e conceituada como Operações de Recuperação de Nacionais. De fato, a missão de repatriação é determinada pelo Governo Federal, eles escutam o chamado dos que estão em situação complicada em algum país. Essas situações já ocorreram em 2006 na Turquia durante o conflito com o Libado.

O que ocorreu para Valquíria ser chamada para essa missão é que ocorreu uma análise de conjuntura internacional no qual foi observada as necessidades dos cidadãos. Ou seja, alguns dos brasileiros que estavam sitiados durante o ataque na Ucrânia pedem reforços e ajuda. Se ocorrerá isso ou não, será da decisão do Governo Federal.

O próximo passo fica sob a responsabilidade do Itamary e do Ministério da Defesa, eles serão acionados para cumprir a Operação de Recuperação de Nacionais. Caberá então ao Itamary a mobilização dos brasileiros no território que eles estão, no caso dessa missão, o território é a Ucrania, nesse ponto ocorrera uma coordenação com as embaixadas; depois tudo será um pouco mais burocrático quanto a articulação das autoridades, os órgãos e locais estrangeiros. Feito isso, o Ministério da Defesa aciona as Forças Armadas para planejamento da operação militar com os militares creditados.

Valquíria ha muito tempo é creditada e superlotada na lista de militares para operações exteriores. Depois de escolher os militares, o próximo passo é definir o meio de transporte e a melhor rota, eficaz, eficiente e segura para chegar ao local; solicitando autorização para adentrar ou sobrevoar outros países. O resgate começa quando a embarcação, veiculo ou aeronave parte e só vai terminar quando os repatriados chegam ao Brasil. [1]

Quando os militares chegaram ao seu destino a primeira equipe ficou responsável de organizar os 70 brasileiros que já haviam confirmado presença, Valquíria ajudou cada um a embarcar na aeronave militar. O primeiro dia naquele país, não foi calmo, foi agitado e poucos conseguiram dormir. Todo o procedimento demorou cerca de um dia para a equipe um ter seu trabalho feito.

Agora cabia a equipe dois, ao qual a detetive fazia parte encontrar os outros brasileiros que não haviam conseguido ultrapassar a fronteira. A caminhada foi feita a pé, uma marcha lenta, porém firme. Seu companheiros usavam roupas do exército camuflada, com a bandeira Nacional do Brasil bordada nas laterais de cada braço, botas de combate. Capacete azul da ONU, e carregavam uma metralhadora presa nas costas, facas enfiadas nas botas, fuzis. A equipe oficialmente era conhecida como “boinas azuis”, administrada pelo Major Intendente Rodolf Bastos.

Quando chegaram em Kiev a cidade não estava no seu melhor estado. Foi possível, de forma escondida e precavida, ver algumas forças russas se deslocando em pequenos veículos de guerra com seus soldados armados. Durante os próximos cinco dias o batalhão ficou marchando para fazer o reconhecimento de território. Alguns dos brasileiros iam sendo encontrados e ajudados a fugir daquele, que parecia, cenário apocalíptico.

Durante esses cinco dias metade dos homens começavam a voltar, quando encontrava mais sobrevivente. Ao todo faltavam agora apenas um grupo de cinco pessoas e assim poderia recuar, voltar para a base e principalmente, voltar para o país.

A caminhada durou mais três dias, os últimos militares que estavam com Valquíria eram um pouco mais de quatro pessoas. Todos estavam caminhando, aquela força especial estavam analisando qualquer movimento suspeito naquela região um pouco montanhosa de difícil acesso. Era lá que estava sendo indicado que os últimos brasileiros estavam.

A pequena equipe se posicionou numa colina, analisando e fazendo uma varredura daquele local. Até que passaram por cinco camponeses, não sabiam dizer se eram russos ou separatistas. Os Russos não estavam muito felizes de qualquer outra país ajudando os Ucranianos. Os pastores estavam desarmados, enquanto isso, temendo serem de um grupo inimigo, o grupo apontou seus rifles para eles. Pediram que sentassem no chão. Deixaram dois oficiais vigiando os pastores, enquanto os outros três militares discutiam a situação.

- Senhor, eles não parecem ser apenas civis. – alertou Valquíria.

- Pare com isso Van Dahl, são apenas jovens pastoreando, devemos pedir informações e continuar com nossa missão. – o comandante e responsável do esquadrão tinha plena convicção, mas Valquíria e os outros não estavam muito certo. – eles estão desarmados, nossa única escolha é mata-los e se eles não forem inimigos?

- Senhor, se deixarmos escaparem com vida, corremos o risco deles avisarem aos informantes que estão em território deles, e viemos em missão de resgate. Poderemos ser mortos, os brasileiros que dependem de nós também e a missão toda fracassará. – alertava Van Dahl. Olhando de soslaio para os pastores que aparentavam estar calmos demais para uma situação de armas mirando em suas cabeças.

- Senhor, escute a oficial Van Dahl. É arriscado. – outro oficial comentou.

- Bom, poderemos ao menos deixa-los amarrados para impedir que eles se comuniquem, alguém aqui tem uma corda? – perguntou o comandante da missão. Todos negaram com a cabeça. O dilema para aquele homem crescia cada vez mais, por um lado sabia que Valquíria estava certa, mas em contra partida, se aqueles homens fossem civis estaria condenando almas jovens. Ela não conseguiria dormir. Estaria matando pessoas inocentes.

- Senhor, nossa missão é resgatar os brasileiros, para isso nos foi dado ordens para fazer o que for possível para salvar nossas vidas e as dos brasileiros. Nossos superiores nos enviaram aqui para isso, além disso estamos no meio de uma guerra. Devemos decidir ante a doutrina militar! – argumentou outro oficial

A consciência do oficial pesava, a morte seria a sangue-frio, homens desarmados, nada muito digno. Embora quisessem fazer uma votação, a decisão final era do comandante que optou por soltar os homens que fugiram.

O pequeno grupo seguiu para o seu caminho, continuavam com aquela marcha apresada, caminharam cerca de 30 quilometros e cerca uma hora e meia depois o grupo se viu cercado por mais de cem combatentes russos armados com fuzis AK-47 e granadas de mão.

- Maldição! Estamos cercados senhor! – Valquíria atirava com seu fuzil, era uma atiradora de elite, matando dois soldados de uma vez que estavam correndo juntos. – Não temos munição suficiente para todos!

- Foi a pior decisão que já tomamos! – o comandante, jogava uma granada longe para explodir um grupo.

O combate era totalmente desigual, apenas havia restado cinco oficiais, pois o grupo foi diminuindo a cada novo grupo de brasileiros encontrados. Por mais que tivessem enviado pelo rádio um pedido de ajuda, não teriam tempo o suficiente para aguentar contra cem combatentes armados até os dentes.

Daqueles cinco oficiais da equipe de Valquíria, dois oficiais foram atingidos. Aquele grupo estava gigantesco. Dezesseis oficiais que estavam cada vez mais próximos. Por incrível que pareça, o comandante, Valquíria e o outro oficial que falou sobre matar aqueles homens, estavam conseguindo aguentar firme. A Equipe de resgate com dezesseis oficiais foi abatida, os russos mataram todos.

Valquíria estava ferida, havia levado pancadas fortes na cabeça, e sangrava, apenas conseguia sobreviver, pois aquela região era montanhosa e acabou rolando colina abaixo. Estava zonza, não ouvia barulho de bombas ou mesmo tiros devido ao zumbindo em seu ouvido que demoraria a passar.

- O que eu estou fazendo aqui? Quando eu parei aqui? – a detetive colocou a mão na cabeça que estava sangrando. Suas táticas de sobrevivência, fizeram-na improvisar um curativo para estancar o sangue.

Avistava um pouco longe dali o corpo ferido do comandante, ela indagou se ele estava bem, o homem pouco conseguia falar.

- Valquíria, precisa salvar a sua vida. – ali ainda era uma zona de guerra. Retirou o casaco que possuía e do comandante deitado, dali amarrou ele e conectou a cintura dela para poder arrastá-lo, pois o homem não conseguia caminhar.

Ela mal conseguia ficar de pé, seu inventário mental dizia que estava muito ferida, mas algo nela dizia que ela precisava sobreviver, não iria morrer ali. Uma voz dizia que ela tinha que voltar viva, seja lá onde ela estivesse.

Conduziu ela e aquele homem por mais de dez quilômetros até encontrar um vilarejo próximo com moradores que a mantiveram protegida dos russos e trataram do comandante. O acaso acabou conduzindo a detetive para o local que o resto dos brasileiros estavam esperando o resgate, seria questão de tempo para a equipe aparecer e levar todos dali. Durante aquele momento, a detetive apagou, não sabendo se conseguiria sobreviver.

As pessoas que cuidaram dela e do comandante tratavam do homem, ele narrou todo o acontecimento para ser repassado aos demais e que Valquíria tinha salvo a vida dele e aqueles sobreviventes ali. Porém, o pobre comandante não aguentou esperar até o resgate e faleceu, antes de voltar para casa.



[1] Como funciona a repatriação https://www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/exercicios-e-operacoes/operacoes-conjuntas/missao-de-repatriacao-entenda-como-funciona-essa-acao-de-ajuda-humanitaria#:~:text=Miss%C3%A3o%20de%20Repatria%C3%A7%C3%A3o%3A%20entenda%20como%20funciona%20essa%20a%C3%A7%C3%A3o%20de%20ajuda%20humanit%C3%A1ria,-Compartilhe%3A&text=Resgatar%20cidad%C3%A3os%20brasileiros%20em%20outros,descoberta%20pandemia%20de%20Covid%2D19%3F

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