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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 3977
Acessos: 224   |  Postado em: 23/07/2024

Capitulo 48 Operação Repatriação, resgate e Busca

Em setembro de 2001, a detetive Valquíria Van Dahl não passava de uma jovem de dezessete anos que almejava passar na escola de policiais. Naquele ano seus pais foram para os Estados Unidos, precisamente, Nova York para tirar umas férias.

Aos dezessete, Valquíria trabalhava como assistente de lutas com mãos livres, substituindo os professores de box, judô, jiu jitsu e kendô quando tinha a oportunidade. Desde que era pequena demonstrava interesse pelas lutas e esportes nesse quesito. Daquelas aulas tirava algumas rendas para economizar para o primeiro concurso da escola de policiais femininas.

Estava dando uma aula naquela manhã quando escutava o noticiário que dois aviões comerciais foram sequestrados por terroristas e arremessados contra dois edifícios do complexo World Trade Center, três mil pessoas morreram naquela manhã fatídica.

Mais tarde foi identificado que um daqueles aviões estavam seus pais, Kristopher Van Dahl e Hannah Van Dahl. Eles foram sequestrados por um grupo de terroristas liderado por um comerciante de armas. Segundo investigadores, a razão daquele atentado foi pelo domínio econômico, político e bélico das maiores potencias capitalistas ocidentais. O poder e o desenvolvimento dessa trindade seria hegemônico, liderado pelas três potencias Estados Unidos, Reino Unido e França.

Mesmo com a morte dos seus pais, a jovem não abandonou seu sonho. Pelo contrário, ela teve mais um motivo para passar e prender os assassinos dos seus pais e de todas aquelas pessoas. Valquíria passou no colégio e se formou como policial. Fez novos cursos para ingressar na área de direito, pós-graduações em perícia forense, medicina forense. Fez também um novo curso para detetive de homicídios e antes disso serviu como agente secreto em missões internacionais com vínculos terroristas. Participando de uma guerra para libertar alguns povos oprimidos.

Na manhã de quatro de abril de 2018, ela teve aquele sonho, ou talvez, pesadelo. Os corpos de seus pais perdidos, jamais encontrados, carbonizados. As autoridades estadunidenses haviam encontrado algumas semanas depois uma das duas caixas-pretas do Boeing 737 da Eartern América Airlines.

O aparelho estava drasticamente danificado devido ao impacto e as inúmeras explosões. No ano de 2001, a Administração de Aviação Civil dos Estados Unidos informaram que haviam encontrado o gravador de voz do cockpit. Uma aeronave possui duas caixas-prestas, que embora sejam chamadas de pretas, sua tonalidade é chamativa, um laranja tremendamente forte para que possa ser facilmente localizada.

 Uma das caixas pretas é responsável pelos registros dos dados do voo, enquanto a outra gravam os diálogos na cabine. O gravador de voz do cockpit (CVR) para as vozes do piloto e sons do cockpit foi o que foi resgatado.

Depois de encontradas as caixas foram enviadas para os técnicos retirarem o material de proteção e limparem cuidadosamente, garantindo que nenhum dado seja apagado. Após isso, os dados foram baixados para uma plataforma e copiados, para outra etapa foi necessário investigadores especializados para decodificar os arquivos e produzir gráficos compreensíveis sobre o caso.

Em 2001, ficou armazenado na caixa-preta cerca de 120 minutos de áudio digital. No qual foi possível ouvir que o comandante da cabine falava com um agente secreto chamado de Van Dahl, aquele agente lutou bravamente contra o terrorista e tentou salvar a todos no avião, mas foi gravemente ferido por um terceiro terrorista que estava neutro na situação e não aparentava ser parte do grupo. Ele atirou em Van Dahl, apenas pode-se ouvir os gritos. O avião perdeu altitude e colidiu com as torres, foi o primeiro avião a bater.

Valquíria pediu a cópia daquela gravação para ela e após escutar milhares de vezes, repetir cada trecho, certo dia, escutando aquele áudio, um nome fora ouvido. Alexander Hoffman. A partir daí sua luta tinha começado para prender e desmarcarar os Hoffmans. Claro que quando mostrou para seus superiores, aquele nome era incompreensível e por vezes, mesmo isolando, não era prova suficiente que conectasse os empresários a um ataque terrorista, era preciso mais. Durante toda sua carreira seu propósito era: pegar o cara responsável que matou os seus pais e as três mil vidas naquele incidente.

Ela acordou daquele pesadelo, seu relógio dizia que eram cinco horas da manhã. Seu telefone tocou, era o comissário, um novo crime em Nova Amsterdam esperava para ser resolvido. Valquíria se arrumou o mais rápido que pode, havia trocado seu civic grafite pelo Jeep Rubicon, e admitia que tinha adorado fazer trilha com os amigos de Sophie, adoraria passar mais tempos assim com a loira, mas era algo que parecia distante para o tipo de vida dupla que levava.

O comissário passou as informações para o telefone da detetive, havia encontrado um jovem de 23 anos morto na banheira, pulsos cortados, a porta estava trancada por dentro. Tudo parecia e apontava ser um suicídio. Sophie já estava lá colhendo amostras para dizer a hora da morte e o tipo de arma que o jovem havia usado, mas era fácil de identificar o objeto cortante, pois estava largado ao lado da banheira.

Um pequeno bisturi metálico, jazia sozinho naquele piso de linóleo. As duas mulheres esperaram o registro fotográfico, procuraram os pertences da vítima para avisar para seus familiares o que havia ocorrido com Kaleb Macron. O dia havia passado sem surpresas ou casos estranhos para a detetive. Fora a noite, na ultima hora do seu expediente que ela se surpreendeu com a notícia do comissário.

Sophie já havia saído, tinha ido para casa e somente ela, daquele turno estava na sala com o comissário quando ele a liberou para ir para casa, pois amanhã ela não estaria mais ali. Valquíria se despediu do comissário desejando-lhe boa noite. Ali no estacionamento da polícia ela ligou para seus agentes, informando que durante algum tempo eles ficaram off de suas missões. Eles deveriam apenas continuar com o que já estava em andamento e aguardarem as próximas ordens. Alvo e Cobra seus mais leais agentes concordaram e falaram que qualquer coisa, eles estariam lá para ela.

- Sim, durante esse tempo não usarei mais esse celular, devem apagar todo esse rastro e quando eu pisar os pés aqui novamente, me procurem, ok? Tudo ficaram salvos com vocês. – informava ela.

- Afirmativo, Yami! Já pode descartar o celular em qualquer lixeira, tomaremos conta durante a sua ausência! – desligaram a ligação e assim ela fez, jogou aquele aparelho telefônico fora, decidiu passar primeiro em casa.

 

Valquíria estava a uns quinze minutos em frente a casa de Sophie, as luzes da casa da patologista estavam acesas, o carro na garagem, os regadores das plantas ali, acionados, dando sinal de que sua moradora estava em casa. Olhou para o banco de trás, suas coisas já estavam arrumadas.

Ela pegou o embrulho que estava no banco do carro e saiu, fechando e travando o carro. Diferente de todas as vezes, Valquíria estava com os coturnos de soldado, calça camuflada do exército brasileiro e uma camisa babylook verde lodo, na qual , as laterais tinham a bandeira nacional, sob o peito estava escrito “agente especial de resgate Van Dahl”. As botas estavam lustradas, a blusa ensacada. Ela respirou fundo e soltou o ar pela boca e assim apertou aquela campainha.

Valquíria conseguiu ouvir um “já vou” atrás da porta e após dois minutos Sophie atendeu a porta e ao ver a detetive, ela abriu um imenso sorriso que foi se apagando a medida que olhava de baixo para cima as roupas da amiga. Ela partiria para a guerra.

- Oi, Sophie... – disse já sabendo que ela havia entendido tudo – posso entrar?

- Certamente, detetive. – Sophie afastou para dar passagem para a outra. Ela fechou a porta e guiou Valquíria para o sofá. Ofereceu uma bebida, comida, mas a morena recusou todas. – Vai me contar para onde está indo? – apontou para a roupa das forças militares especiais que ela estava usando.

- Acho que já deve imaginar – disse enquanto sentava e observava a outra fazer o mesmo gesto, sentando-se ao seu lado e fitando seus olhos. – O presidente irá enviar algumas tropas na madrugada de hoje para a Ucrânia. A aeronave KC-390 Millenium levará não só as tropas, mas também 11,6 toneladas de mantimentos para ajuda humanitária. Haverá um esquadrão responsável pela primeira missão de resgatar os brasileiros que conseguiram fugir da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, porém, também terá uma outra equipe que deverá resgatar alguns dos que não conseguiram. Iremos pousar em Varsóvia, na Polônia. Tudo está agendado para a primeira equipe voltar no outro dia, porém, a segunda equipe que além de ajudar a primeira, esta ficará um pouco mais e não temos uma data x do dia de retorno, porém, não deve se estender por mais de um mês.

Valquíria a olhava compenetrada, respirou fundo e retomou sua fala.

- Você deve ter visto no diário oficial, foi publicado esta manhã pelo Ministério da Defesa e o Itamaraty, a primeira tropa foi batizada de “Operação Repatriação”, enquanto nós “Operação de busca e resgate”. Vamos levar medicamento, alimentos e itens de necessidade básica projetado para as mais extremas situações. Os brasileiros que conseguiram fugir, segundo a informação do Itamaraty é de 150 brasileiros, porém, 22 ainda estão no território ucraniano. O ministro da defesa acredita que já no dia que chegarmos em Varsóvia, exista cerca de 70 pessoas confirmada para embarcar. – Valquíria ficou calada esperando o que a outra mulher teria para dizer.

Após dois minutos calada, Sophie tentava assimilar o que a outra contava. Era perigoso, muitos agentes foram mortos em missões como essa, é um trabalho lindo, porém perigoso e muitas vezes o preço é alto demais. Sophie fala:

- Eu sei que você já teve que participar de algumas guerras. Antes de te conhecer oficialmente você havia acabado de voltar da Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) em 2015. O chefe informou que você tinha sido convocada pelo Governo Federal, precisamente na parte do Ministério da Defesa. Naquele ano, o Governo Brasileiro tinha enviado aproximadamente 57.700 militares para missões de paz da ONU, mais de 42 soldados, seus companheiros, perderam a vida para cumprir o dever em uma operação de grande relevância e importância sob a égide da ONU. – Sophie olhava para seus dedos agora, estavam entrelaçados. Ela ficou calada por um tempo, até voltar a fitar a detetive e segurar em suas mãos, fitando-a com ainda mais intensidade do que antes. – Sei que naquela época ainda não nos conhecíamos tão bem, mas eu já a admirava por isso, as inúmeras vidas que ajudou naquela missão. Você teve que ir e voltou a salva, desde 2015 não ocorreram mais convocações ou operações até agora. Val, eu sei que é seu trabalho, mas eu peço que volte em segurança, eu quero que você volte, que fique viva – Sophie se aproximou ainda mais dela – por favor! – Valquíria apertou juntamente a mão da legista, correspondendo aquele mesmo sentimento.

Sophie soltou durante alguns minutos a mão da detetive e retirou de si um colar antigo, passado de geração em geração pela família Seyfried.

- Esse colar pertencia ao meu pai. – tirava do pescoço para mostrar a detetive. – É algo passado de geração em geração pelos Seyfried. Necessariamente a tradição diz que quando um Seyfried encontra alguém importante na sua vida e deseja unir-se, ele deve entregar para essa pessoa. Naturalmente minha mãe deu para o meu pai que ficou com ele até eu nascer, pois a segunda parte da tradição é dar para o primogênito para que ele possa continuar com essa tradição e dar para a sua pessoa especial. – Sophie pegou novamente a mão de Valquíria e colocou o colar em cima. – Eu vou querer esse colar de volta, Valquíria. Então eu estou emprestando para você e é bom você tomar cuidado com ele e não me faça quebrar uma tradição de mais de quarenta anos na minha família. Esse colar sempre deu boa sorte para os Seyfrieds, espero que para uma Van Dahl ele sirva também.

- Não posso aceitar Sophie! – dizia a outra tentando devolver sem sucesso. – É uma herança de família por mais de três séculos.

- Exatamente, eu sei que você leva promessas a sério, então, você tem que trazer de volta para mim com você a salva! – reforçou novamente essa informação.

- Eu irei retornar Sophie e irei te devolver – Valquíria colocou no pescoço imediatamente e guardou por dentro da blusa. – Isso me faz lembrar que também tenho algo para você. Seu aniversário será mês que vem, em maio. Eu quero te parabenizar antes, está aqui o seu presente. – Retirou atrás de si um embrulho não tão chamativo, discreto e com tons neutros.

- Não precisava se preocupar, Val! – agradecia estendendo a mão para pegar seu presente.

- Abra depois, quando eu sair... – sugeriu a detetive. – parabéns adiantado Sophie!

- Tudo bem. – Sophie colocou na pequena mesinha de decoração que havia ali e fitou a detetive que pela primeira vez demonstrava um olhar relutante. O silencio durou por um minuto até que Valquíria teve que anunciar a sua ida.

- Já? – Sophie não conseguia esconder seu olhar de frustração e decepção, não queria que a outra fosse agora.

- Infelizmente eu terei que ir agora, eles estão me aguardando para embarcar, irei dirigir para lá. Eu preciso ir. – Valquíria se levantou e Sophie fez o mesmo gesto.

- Eu te acompanho... – elas foram juntas até a porta, depois Sophie acompanhou Valquíria até a lateral do carro. A detetive virou e a fitou novamente. Sophie mordeu o lábio e puxou a outra para um abraço apertado.

Valquíria enlaçou seus braços pela cintura da legista e começou a apertá-la, gesto que não passou despercebido pela mais baixa que acabou fazendo o mesmo ao envolver seus braços pelo pescoço da outra e apertar aquele abraço. Ambas não queriam parar ou se separar naquele momento.

- Eu não vou para muito longe, Sophie, irei voltar! – sussurrou Valquíria no ouvido da outra que acabou arrepiando.

- Você precisa voltar! – ordenou a outra, o que fez Valquíria sorrir com esse lado da legista.

O abraço foi longo, demorou cerca de três a quatro minutos assim, abraçadas até ter que se separarem um pouco para se olharem. Sophie olhava os olhos atentos da detetive e depois descia sua vista para os lábios da morena. Essa troca de olhares fez Sophie sentir o aperto em sua cintura das mãos da detetive, ela suspirou e como um bote, precipitou-se para beijar a morena.

Um beijo lento que fora correspondido quase de imediato, aquele aperto na cintura da legista ficou mais forte e novamente trazendo seu corpo para junto do da detetive. Sophie vasculhou os lábios da outra com sua língua, até a outra resolver ch*pa-la. Foi o alarme de Valquíria que despertou a ambas as suas responsabilidades.

- Considere isso como uma segunda motivação para você voltar viva e termos uma conversinha. – comentou a outra após piscar.

- Eu concordo! De fato irei querer ter essa conversa! – Valquíria depositou um último selinho nos lábios da legista e depois um beijo na testa, se despediu e entrou dentro do carro. Sophie deu tchau e olhou o jeep da morena partir, virando a esquerda para fazer o retorno e sair daquela rua fechada. De longe pode ser ouvida duas buzinadas para ela. Valquíria havia ido embora.

Enquanto se afastava, Valquíria observou pelo retrovisor Sophie ficar cada vez mais para trás. Em todos esses anos, ela sempre fez suas missões, nunca fugiu de nenhum ou mesmo sentiu medo por elas. Sempre foi determinada, porém, percebeu que nos últimos quatro anos, havia feito uma grande amizade com a Dra. Seyfried e talvez por isso esteja sentindo esse incomodo de ter que partir. Mas o dever a chamava.

 

No avião, enquanto Valquíria pensava em tudo que havia acontecido com ela e Sophie não deixou de segurar o colar prateado que a doutora havia emprestado. Ela o olhou, era um pingente arredondado com uma inscrição com letra itálica “Minha melhor escolha”. Um tímido e imperceptível sorriso brotou no canto do lábio esquerdo ninguém percebera. A detetive olhou para a janela e podia ver uma camada fofa de nuvens inundando o céu claro, não sabia por onde estavam sobrevoando, mas sentiu falta de ter que partir e deixar a legista.

Passaram-se três dias, os dois últimos dias tinham sido estranhos no departamento de homicídios sem a Valquíria Van Dahl. Os casos estavam indo para um outro detetive, Ian Woolf. O detetive Woolf era diferente de todas as formas de Van Dahl. Ainda por cima era um tanto machista. Gostava de dizer o diagnóstico da morte da vítima antes mesmo da patologista fazer sua autopsia, era um rapaz prepotente.

Além de ser um rapaz impulsivo, Woolf não compartilhava a necropsia, todas às vezes que aparecia e via um cadáver acabava vomitando, o fato é que Ian Woolf tinha apenas três anos como detetive na homicídios e ainda não havia se acostumado ou controlado esse pequeno problema, isso fazia ser chacota dos outros colegas, deixando a personalidade de Ian ainda mais irritadiça.

Aqueles últimos dois dias foram exaustivos para Sophie, Ian Woolf sugava toda energia que a doutora poderia ter. Lembrou que nem no dia que ficou 24 horas seguidas com Van Dahl foi tão exaustiva quanto às 8 horas trabalhadas com Woolf. “Se controla Seyfried, você não pode cometer um homicídio no departamento de homicídios, em breve Valquíria estará de volta e tudo será como antes ou quase tudo.” Pensava consigo mesma.

Sophie adorava mesmo trabalhar, porém deu graças a Deus por se separar do departamento e do histérico Ian Woolf, ela não queria mais ouvir esse nome pelos próximos dois dias. Naquela manhã de sábado desejava relaxar, havia feito sua higienização, tomado café e estava prestas a lavar a louça quando escuta baterem em sua porta.

- Se for vendedores, eu realmente não estou interessada. – dizia ainda indo abrir a porta.

- E se for a sua melhor amiga que tira você da zona seca da vida, ainda sim não estaria interessada? – Elizabeth falava entrando – hum, alguém comeu a pouco tempo. Panquecas com um delicioso capuchino e estava indo lavar a louça.

- Deveria ter seguido a carreira policial – Sophie fechou a porta indo até a mulher. – Tem um bom olfato.

- Tenho mesmo, mas não posso acabar com a tradição da família Heinz e ser detetive por isso, acho que você estaria em maus lençóis apaixonada por duas detetives, embora eu toparia um relacionamento à trois. – Izzy sentou no sofá, chamando a amiga para sentar ao seu lado. – E então, qual a emergência? Você parecia desesperada quando me mandou aquela mensagem. E normalmente quando você manda “preciso de você” você está precisando de um alívio sexual.

Sophie sentou ao lado da amiga e Izzy a abraçou, podia sentir que dessa vez não era isso que a amiga queria. Ela abraçou fraternalmente a outra e depositou um beijo no topo da cabeça.

- Vamos, Lora, se você não me contar eu não saberei sobre o que se trata. – ainda estavam abraçadas quando Sophie começou a falar.

- Na noite de quarta feira, a uns três dias atrás, Valquíria esteve aqui. Ela foi convocada para participar de uma missão de repatriação, busca e resgate de alguns brasileiros que conseguiram fugir da guerra na Ucrânia e de salvar os que não obtiveram o mesmo êxito. – Izzy ouvia com atenção o rumo daquela conversa. Elas estavam ainda abraças, nenhuma sem olhar para a outra, pois Sophie estava ao lado da advogada, sendo segurada por ela. – Devido a essa convocação de última hora, ela adiantou o meu presente de aniversário. – apontou para o presente que estava em cima da mesinha de decoração já aberto. – Me parebenizou, eu a fiz prometer que ela deveria voltar viva e entreguei meu colar dos Seyfrieds. Nós caminhamos até o seu Jeep, tivemos um momento de um longo abraço, não sei dizer quantos minutos ficamos assim até que eu a beijei.

- Você o que? – pela primeira vez, Izzy a interrompeu. – Você a beijou? É algo inédito!

Sophie enfim olhou para a amiga e tornou a explicar.

- Eu a beijei porque ela está indo para o meio de uma guerra e tive medo, eu não sei, tenho medo de que alguma coisa possa ocorrer com ela, não aguentei e a beijei. – Sophie levou as mãos ao cabelo, puxando para trás, um claro sinal de que estava nervosa. Não era de se comportar assim.

Elizabeth se ajeitou no sofá e segurou as mãos dela em sinal de acalma-la.

- Tudo bem, tudo bem. Mas o que ocorreu depois que você a beijou? – quis saber a outra.

- Ela retribuiu. – um silêncio tomou conta daquela sala. Sophie olhou para sua amiga e Elizabeth ainda estava sem pronunciar nada. – Diga alguma coisa!

- Está com medo do que pode ocorrer depois ou está com medo de não poder beijá-la novamente? – Elizabeth sorriu descaradamente para ela. O que fez Sophie bater nela com uma almofada.

- Ah, parece que você está de bom humor! Às vezes eu prefiro quando o seu modo “séria” está ligado. – revirou os olhos a outra.

- Tudo bem, Lora, a rainha do gelo sabe se cuidar e acredito que ela mais do que você quer ter uma boa conversa sobre tudo isso. Então acredito que não seja as tropas Russas e o exército Ucraniano que irá impedir da sua detetive voltar para casa. – tocou na mão da loira que a olhou novamente. – Não é o que você quer ouvir, mas você precisa só esperar agora, minha amiga. Eu espero mesmo que ela volte a salva o que vai ocorrer! Vamos mandar nossos pensamentos positivos para ela.

Sophie se inclinou para a frente e pegou o presente que Valquíria havia dado para ela.

- Esse é o presente? – ela apontou para o embrulho já aberto.

- Sim... – a loira entregou o embrulho para a outra. Izzy pegou o embrulho e retirou o cartão um cartão branco com letras douradas. Nele estava escrito:

 

“Sophie,

Gostaria de parabeniza-la no seu aniversário pessoalmente, contudo fados me levam para longe. Embora, fisicamente não possa estar com você nesta data, quero que saiba que nos últimos quatro anos você foi um guia para mim. Os inúmeros casos que solucionamos, o desfecho das histórias que resolvemos. Você é o meu Norte nos casos, meu ponto de referência. Eu desejo meus sinceros votos de felicidade minha estrela guia!

Com muito carinho e amor

Valquíria Van Dahl”

- Uau! – Elizabeth perdeu o folego ao ler aquele cartão e viu o que continha, uma bússola de bolso feita de ouro com um pequeno fio delicado. – Há muita intensidade escrita aqui!

- Valquíria tem dificuldade em se expressar e baixa habilidade social desde que seus pais foram mortos em 2001, depois ela teve que passar por mais perdas dos seus companheiros de equipe e isso dificultou ainda mais seu processo de comunicação com as pessoas. Mas claramente ela tentou demonstrar todo o carinho, atenção e apoio que sente. Nesses últimos anos ela vem mudando drasticamente, inclusive comigo. Ganhando cada vez mais sociabilidade. Pode acreditar, alguns anos atrás ninguém teria feito a Valquíria ir para a sua casa de praia, nem mesmo eu.

- Com base no que você vem me dizendo, o beijo, a carta, o presente, claramente vocês terão muito o que conversar. Durante esse tempo, você quer ficar mesmo por aqui, podemos ver alguma coisa para se fazer. – sugeriu a advogada não querendo deixar a amiga só.

- Não, está tudo bem. Não vou te atrapalhar e está tudo controlado, agradeço a oferta. – recusou de forma polida.

Fim do capítulo


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