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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 2375
Acessos: 281   |  Postado em: 17/07/2024

Capitulo 42 “Conquiste-a ou ficará solteira por trinta anos”

Estava tarde no estúdio Pierre, Lorelai estava ainda comodada por trás daquela longa mesa de mogno. O dia tinha sido agitado para colocar tudo sob nova direção. Realizar reuniões, pagar as antigas dividas que o estúdio havia construído durante uns anos. Diversas reuniões e claro, o rever das duas Heinz que eram importantes em sua vida. Com toda certeza, sem dúvida aquela teria sido a reunião que mais esgotara a si.

Principalmente ver a dor nos olhos da Izzy, ela recostava sua cabeça na poltrona, tudo estava um silêncio, aqueles olhos intensos repleto de dor e fúria a feriam-na. Se esticou para pegar a garrafa de vidro contendo um líquido dourado, certamente, deveria ser uísque. Em um copo quadrado derramou aquele líquido por quatro dedos, pôs gelo e voltou a se encostar na cadeira em pura reflexão.

Sua mente vagava para o passado, muitos anos atrás quando ela estava com Izzy, os planos que desejava construir com a outra e a boa convivência que tinha com a Bess. Ela era, afinal, a sua melhor amiga na época. Tudo havia sido perdido naquela tempo. Havia de fato perdido tudo, sua família e o amor de sua vida.

Lamentava drasticamente a perda de seus país, ambos mortos e a declaração de falência repentina. Lorelai era francesa, para muitos seus pais eram empresários de uma grande firma de publicidade e shows. Muitas atrizes e atores europeus e até mesmo americanos foram descobertos por eles. Grandes nomes passaram por ali. Embora vivessem uma vida de luxo, eles deixavam sua vida pessoal muito privada e restrita, para que sua filha pudesse crescer em paz e longe da mídia.

Adam Nunez Maia era um espanhol e estava a negócios na França quando conheceu Isabelle Renoir, uma publicitária em ascenção. Ambos se conheceram no hall do Hotel La Belle vie cinco estrelas. Passaram os anos, se casaram e tiveram a bela Lorelai. Os negócios estavam indo bem, cresceram juntos, e isso implicava ter menor privacidade. Assim, decidiram ir para o Brasil quando Lorelai ainda era uma jovem criança.

Durante muito tempo Lorelai viveu no Brasil, mas sem negar suas origens francesa e espanhola. Havia se apaixonado perdidamente por Izzy e feito grande amizade com Bess. Ela desejou ter um futuro com a jovem, principalmente quando começaram a universidade. O novo ciclo na universidade também trouxe outros desafios. A empresa dos seus pais não estava indo bem, além disso soube da morte de seu pai no exterior.

Quando sua mãe Isabelle soube que Adam tinha uma amante e formado outra família, essa trágica notícia foi sufocante e humilhante para ela, levando a cometer suicídio. Sem seus país, as dívidas de Adam, acabaram sendo herdadas por Lorelai e boa parte dos bens de família herdado em seu nome tiveram que sanar as dívidas para os seus credores, o que a deixava apenas com uma pensão por morte básica para sobreviver e bancar seus estudos e uma antiga e simples casa.

Por meio de uma carta anônima, descobriu que comerciantes de armas haviam matado o seu pai e eles eram os culpados pela sua ruina, decadência e principalmente pela perda dos seus pais. Além daquela carta em anônimo, outra carta havia sido recebida por ela, uma que conhecia muito bem o sobrenome.

Essa segunda carta era mais uma proposta do que praticamente uma carta mesmo. Ela expressava as condolências e explicava todo um plano de fundo, ela lia aquelas palavras em caligrafia clássica e elegante:

 

“Cara Lorelai,

Soube de suas intensões com Elizabeth, e receio que para o bem de todos, tanto o dela quanto o seu que terminem a relação. Sei que o que peço é um tanto demais, contudo, se um dia você tiver seus filhos saberá do que estou falando. Sendo assim, em troca para que termine com Elizabeth, financiarei você e todas as suas necessidades até que possa caminhar com suas próprias pernas. Acho justo que o nome da empresa Nunez Maia volte a brilhar. Ajudaremos a colocar o antigo império devolta a ativa. Não se preocupe com os pequenos detalhes, criamos um noivado falso para você com um diretor fictício. Todos os dados forjados serão por minha conta. Bem como a herança que herdará desse marido, no qual poderá se separar quando você estiver bem financeiramente o suficiente. Em troca disso, guarde o segredo de Elizabeth, afaste-se dela e pronto, temos um acordo?”

 

Claro que na época era a única coisa que podia fazer, Lorelai sabia que não tinha como construir uma vida com Izzy daquela forma, jamais poderia ajuda-la como deveria e muito menos se ajudar. Foi forçada pelos momentos da vida a ter que aceitar aquele acordo. Então, magicamente surgiu um diretor falso, um casamento falso e claro, o ódio que Izzy e Bess tiveram dela. Porém, jamais poderia contar por enquanto tudo o que ocorreu, tinha que ser forte e aguentar o olhar fatal das duas mulheres que eram importantes para ela.

Sua cabeça doía e tomou de vez o conteúdo daquele copo. Batidas foram ouvidas e em seguida uma figura morena entrou, era sua secretária, Andy. Ela ainda não havia ido embora.

- Ainda aqui? – Inquiriu Lorelai colocando o copo na mesa de mogno.

- Sim, percebi que também estava aqui. – Andy fechou a porta atrás de si e ia se aprofundando mais naquela sala com pouca luz.

- Sim, ainda havia muita papelada para por em dia. – respondeu Lorelai objetivamente.

- De fato, ainda não entendo a razão por ter pego esse estúdio tendo tantos outros para comprar. Conhecemos a história em como reviveu arduamente o nome Nunez Maia e a grande empresa de família. Não há outra empresa tão famosa quanto a sua. – Andy chegava cada vez mais perto e colocava naquele copo vazio um novo líquido. – Será que está tentando reerguer esse estúdio também?

- De certo modo sim, Andy... – A secretária se aproximou da sua chefe e sentou em seu colo, o que fez Lorelai sobressaltar os olhos sem entender. – O que pensa que está fazendo?

- Tentando aliviar sua tensão, o que acha que estou fazendo? – Andy começava a beijar o pescoço da outra. Antes de voltar para o Brasil, ou mesmo antes de Lorelai cogitar sequer em comprar o estúdio do Pierre, ela manteve uma relação muito estreita com a sua secretária em busca de superar velhos momentos, porém, nunca levando a sério e tendo uma relação firme com ninguém. Deixava claro que tudo aquilo era apenas para alívio de tensão, nenhum envolvimento romântico ou para além disso era tolerado. Apenas prazer.

Lorelai segurou as mãos curiosas da jovem em seu colo e tentou acalmá-la.

- Está tarde, tivemos um dia cheio, tanto você quanto eu. Vamos para nossas respectivas casas e amanhã precisaremos estar de volta aqui. – Lorelai falou e Andy entendeu que precisava se levantar e foi isso o que fez. Se colocou de pé prontamente. Ajeitaram suas coisas para se retirarem, Andy foi na frente e Lorelai foi atrás. Sua secretária havia ido embora, enquanto ela seguia para o seu carro um porsche 959 com sua motorista Violet Rui Barbosa. Sua motorista tinha cabelos curtos, os braços repletos e fechado de tatuagem, olhos escuros e intensos.

- Pronta para ir Lady? – indagava a motorista particular abrindo a porta do seu carro prateado, deixando a passagem livre para ela entrar.

- Estou, acho que a Nonna já deve ter ajeitado tudo para o jantar, chegaremos atrasadas. – Lorelai dizia observando a hora, extremamente tarde.

Violet fechou a porta do carona e se dirigiu para o lado do motorista:

- Precisamos chegar logo ou a Nonna irá soltar os cachorros. – sorriu gentilmente. Ligou o carro para dar a partida.

A residência de Lorelai era afastada, como na sua juventude teve que se desfazer de alguns bens de família, tratou de recuperá-los quando começou a ganhar muito dinheiro. A antiga casa dos pais, sofreu uma forte reforma e ela a transformou em uma mansão de conceito moderno, piscina, jardim organizado, alta tecnologia e segurança. Tudo isso e os empregados possuíam seus respectivos chalés individualizados. Lorelai sempre gostou da ideia de casa cheia. Queria a muitos anos atrás uma família, sua vontade não havia sido realizada, então seus funcionários particulares eram escolhidos a dedo e principalmente despertavam entre si um princípio de irmandade.

A própria motorista, tinha a idade de ser uma irmã mais nova para ela, sendo depositado um apelido singelo entre elas duas. A mansão se erguia majestosa

Violet estacionou o carro na garagem subterrânea, na qual ali reinavam outros carros e motos. Três harleys davison, e um defender clássico da land rover, no qual seu pai possuía muito gosto por ele e outros nomes. Elas saíram do carro e pegaram a passagem que daria na sala de estar.

Entrando em casa, havia dezenas de empregados, todos frequentavam e moravam na mansão da jovem Nunez Maia. Ela possuía um cachorro border collie branco com preto chamado Bessy. Era um brincalhão e estava com três anos de idade, balançava seu rabo alegremente, enquanto a governanta da casa recebia a jovem Lorelai e atrás a Violet.

- Deixe-me pegar suas coisas Bambina. – Lorelai deixava seus subordinados mais antigos tratarem-na por um apelido carinhoso que cada um havia dado para si, muitos deles haviam se tornado agora sua família. – Como foi na nova firma hoje?

- Ah, Nonna – a governanta da sua casa era tratada por Nonna, por ser de origem italiana, Gioconda era seu nome. Uma senhora que caminhava nos seus 50 anos de idade. Seus pais eram imigrantes naturalizados no Brasil que estavam fugindo da Itália. Assim, Lorelai chamava a governanta por um jeito gentil de “Nonna” como avó em Italiano. – O dia foi de fato cansativo, reuniões e mais reuniões. – dizia tirando os saltos e colocando no canto para falar com seu peludo animado. Violet abaixavasse para cumprimentar Bessy e depositar um beijo no topo da cabeça da Nonna.

- Então, o que teremos para comer hoje? – indagava a motorista.

- Foram esses os modos que te dei? – indagava em tom sério a senhora, mas depois alargava o sorriso. – Vocês devem se trocar. Seu jantar está pronto, deveria tomar um banho para depois vir jantar e conversamos sobre isso. O jantar em 10 minutos nem mais nem menos, mocinhas, andaimo, andaimo!! – Dizia a governanta agindo literalmente como uma mãezona.

- Tudo bem, sargento! Seu pedido é uma ordem. – Lorelai subiu as escadas, sendo seguida pelo border. Enquanto, Violet seguia para seus cômodos em outra parte da mansão. Foi tomar banho e em menos de dez minutos estava completamente arrumada para o jantar. A senhora Gioconda estava sentada junto com ela disposta a ouvir sobre o seu dia, e logo depois se juntava a Violet.

Lorelai se abriu bastante com a Nonna e a Violet que pareciam literalmente como uma mãe e irmã mais nova. Claro que havia omitido os fatos de Elizabeth ser gêmea, mas havia contado como a outra agiu com ela.

- Bene, não era de se esperar que a jovem Elizabeth fosse a receber de braços abertos, havíamos conversado sobre isso, bambina. – Nonna dizia, retirando os pratos do jantar e servindo um cheesecake de morango, preferido de ambas ali para animar aquele momento triste de Lorelai. Ela pegava um prato para colocar para cada uma um pedaço. – Elizabeth não irá simplesmente aceita-la de volta, figlia mia. Primeiro você terá que provar que ainda está interessada, conquistar o seu perdão. – Enquanto a Nonna falava, Violet tentava passar o dedo na cobertura de morango, e rapidamente a dona Gioconda a repreendeu com um tapa na mão.

Violet recolheu imediatamente, fingindo sentir dor, o que fez Lorelai sorrir levemente.

- Acredito que terá que começar a conquistar essa mulher do zero Lady. – Violet pegava sua sobremesa e dava uma colherada e falava quase de boca cheia. – Sabe o que devia fazer? Cortejá-la.

A Nonna colocava a mão na cabeça e pensava de onde saía essas ideias da outra.

- Mamma mia, Violeta, ma che cosa pensa stai dicendo? De boca cheia não Violeta, quantas vezes devo repetir, mamma mia – falava a Nonna. Violet engoliu apressadamente e dizia como se fosse a melhor ideia do mundo.

- Mas Nonna, falo sério, sabemos que na infância elas duas eram melhores amigas que se gostaram, praticamente Lady você sabe tudo sobre ela ainda. E deveria se aproveitar desse conhecimento para tentar reconquistá-la. – Lorelai ponderava com a cabeça tentando raciocinar como a Violet. – Veja, você deve sim respeitar o espaço dela, claro. É muita informação para uma pessoa só, contudo ao mesmo tempo que você respeita, tente investir aos poucos e provar que você nunca a esqueceu.

Lorelai ficou em silêncio e ponderava.

- Acredito que estão certas mesmo. – colocou enfim um pouco de sobremesa na boca e percebeu o quanto estava maravilhosa. Levantou-se para depositar um beijo na bochecha da Nonna e abraçar a Violet por aquele apoio.. – obrigada, não sei o que faria sem vocês.

Violet respondeu prontamente.

- Certamente, ficaria solteira por mais uns longos 30 anos. – brincou a motorista.

Lorelai pegou um pouco de cobertura da sobremesa e passou no nariz dela.

- Quem você está insinuando ser encalhada?? – brincou a mais baixa.

Violet pegou a cobertura e melou a outra de igual modo. Enquanto escutaram um pigarro baixo, porém forte da Gioconda que estava com os braços cruzados, observando que ambas haviam se melado e melado a bancada.

- Ela começou – apontou Violet para Lorelai que revirou os olhos.

- E eu estou terminando com isso. Ambas vão se trocar e tomar outro banho agora, enquanto limpo isso aqui.

Enquanto Lorelai subia as suas escadas para o seu primeiro andar, Violet a chamou.

- Lady, boa sorte com a conquista da sua branquela ou como diria a Nonna in boca al lupo![1] – fez um legal e piscou. Lorelai sorriu fazendo um legal e depois a outra completou. – Melhor conquista-la ou ficará sozinha por trinta anos – riu.

- Você é incrível Letty. – voltou a subir as escadas, mas não deixou de rir.

 



[1] Boa sorte em italiano

Fim do capítulo


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