Segredos por Elliot Hells
Capitulo 43 – A reunião da família Heinz
Vivienne e Elizabeth estavam no apartamento da loira platinada, após terem chegado do encontro com a detetive para treinar a Blues. Como havia combinado com Izzy, esse deveria ser o momento de contar para Vivienne o lado obscuro da família Heinz.
- Em breve começará a reunião da sua família, não é? – indagou Vivienne sem saber ao certo. – Acha que Izzy está bem? – Ambas estavam sentadas no sofá. Elizabeth tentava demonstrar que estava tudo bem, porém, sentia-se tensa pela irmã.
- Sim, daqui a pouco tempo começará a tão esperada reunião da família Heinz. – Bess fitou o relógio, sabia o que ocorria com sua irmã, não era a primeira reunião que participavam, mas elas sempre ficavam tensas antes de começar e depois assumiam o controle, foi sempre assim. Ela podia lembrar de como foi a primeira reunião delas. Tornou, Bess.
- Tudo ocorreu há uns dez anos atrás, as três linhagens dos Heinz estavam reunidas no grande salão para delimitarem suas responsabilidades e sucessões. Holand Heinz, como sabemos, seguiu para o Brasil, em especial, fez seu nome crescer na cidadezinha tropical de Nova Amsterdam. Enquanto os outros seguiram por outras áreas. Todos teriam prazos para se realizarem. Tudo isso estava determinado, conforme o regimento interno da família Heinz, organizado pelo patriarca principal da linhagem e sendo repassado como uma verdadeira bíblia geração após geração. – dizia a jovem sentada no sofá com Vivienne, enquanto a outra escutava atentamente. Elizabeth continuava a falar.
- Cada antiga matriarca dos Heinz ficou de repassar os ensinamentos e códigos da família. Patrícia falaria pelos Heinz da primeira geração, Beatrix pelos da segunda e Cristina, minha avó pelos da terceira. A história passada era desde a morte do patriarca. Em como ele veio a falecer, moribundo, na sua grande mansão na Alemanha. Naquele aposento, estavam os três filhos sobreviventes da primeira, segunda e terceira linhagem, junto de suas esposas. Holand, chamou seus filhos, os vivos. Três dos filhos estavam mortos: a primeira geração, havia tido dois filhos, Franz e Friederich Heinz. Enquanto a segunda geração, tinha dois, dos quais um veio a falecer, o jovem Jürgen Heinz.
“Agora, somente três dos filhos do velho Holand Heinz estavam vivos, estes dariam continuidade a sua descendência, ao menos, enquanto ainda estivessem vivos. A história sempre fora repetida e contada desde esse ponto. O patriarca Holand Heinz, foi o décimo primeiro filho do anterior patriarca que tivera quatro esposas. Os onze filhos foram homens, assim, a disputa era mais brutal e sanguinária. Todos competiam e lutavam para obter o título do Grã Master.
Alguns dos onze irmãos do primeiro Holand Heinz foram assassinados, outros envenenados, empurrados, esquartejados. Sempre fora um jogo brutal, sem a permissão de mais de um comando. Agora, com a idade avançada, o patriarca e único sobrevivente de sua geração, pensava que seus seis filhos com suas três esposas seriam mais fácil de decidirem e não teria demorado tanto para está diante do verdadeiro herdeiro e assim passar seu título. Porém, enganara-se!
“A competição estava longe de acabar e passou ele a responsabilidade para as esposas de serem as coordenadoras desse evento alucinante e determinar quem havia sido o vencedor. Claro que tudo isso, com o avanço dos anos as fraudes poderiam ser realizadas e isso estava previsto por Holand Heinz que participava de uma antiga sociedade secreta.
“Esse “jogo” insano, não acontecia, somente com a nobre e distinta família Heinz, mas com muitas famílias nobres escolhidas a dedo para participarem da sociedade secreta que coordenava e organizava assuntos importantes do seu país como do mundo. Cada família deveria se destacar em suas atribuições, assim seriam dignas de fazer parte da sociedade secreta. A nobre família Heinz foi uma linhagem das três principais fundadoras, voltada para a arte das ciências aplicadas. Enquanto a outra linhagem dos fundadores foram responsáveis pela política e a última pela milícia.
Essas três correntes, geraram mais categorias e especializações, ramificando a sociedade secreta, denominada pelos antigos por Metafísicus*. Inspirados pelos ensinamentos do filosofo Aristóteles, ao menos, no que concerne a genealogia da sociedade, tão antiga, quanto os cavaleiros da maçonaria.
A sociedade Metafisicus foi fundada com um desejo latente de modificação da sociedade antiga, porém, seu primeiro objetivo era a expansão intelectual, com a sociedade moderna, seu objetivo modificou-se e o avanço das industrias e modernização social foi sua principal preocupação. Até o período contemporâneo, com a expansão da globalização e tecnologia seu objetivo alteram-se, embora, todas essas modificações estivessem ligadas ao primeiro ideal de “expansão intelectual”.
“Nesse ponto, com o desejo de globalização e tecnologia, uma corrente vinculada ao poder, dominação também se expandia. Cada família que fez, faz ou fazia parte da sociedade não pode sair ao menos se for expulsa. O que seria igual ao exterminada e apagada da face da terra. Todos deveriam seguir as regras, isso incluía, demonstrar suas maiores aptidões intelectuais. Por essa razão, os descendentes que não fossem classificados e não obtivessem uma boa desenvoltura, são eliminados pela família.”
Elizabeth terminava de finalizar a exposição de sua família e de todo o ar sinistro que os cercavam para Vivienne. A jovem ruiva estava impressionada, assustada, horrorizada e angustiada.
- Tudo isso foi criado pelo patriarca da família de vocês, mas com que lógica foi isso? – Vivienne indagou. – Isso é uma completa loucura!
- Infelizmente sim, não podemos, simplesmente desistir ou pedir ajuda ou qualquer outra coisa possível. – ela tentou explicar. – O fato de ter nascido gêmea é uma felicidade e uma maldição. Antes de duelarmos entre os outros das outras linhagens, nós duelamos entre nós.
Vivienne franziu o cenho sem entender.
- É assim, se meus pais tivessem tido duas meninas diferentes, uma de nós teria que matar uma a outra para sabermos quem era a mais apta a ser represente da linhagem terceira da família. – dizia com pesar. – Por sorte ou maldição, Izzy e eu nascemos gêmeas e nossos pais tiveram a ideia de nos proteger informando que somos uma pessoa. Como uma filha única. Isso iria garantir a nossa segurança.
Vivienne começava a entender o motivo da preocupação delas quando acidentalmente descobriu naquela madrugada meses atrás quando buscou Izzy na boate que haviam duas Elizabeth’s Heinz. De fato, saber esse segredo, colocaria a vida de ambas em risco, pois uma Elizabeth deveria morrer se assim descobrissem.
- Mas tudo isso é uma loucura, é um jogo insano! – Vivienne se levantava com as mãos na cabeça. – Não há nada que se possa fazer? – virou para fitar Elizabeth, pois estava assustada pela vida dela. Quer dizer que aquela pessoa ou melhor, Izzy e Bess corriam risco de morte?
Elizabeth a fitava triste, não havia nenhuma solução.
- Não há uma saída, se não fizermos conforme a tradição a sociedade irá dar um jeito em nós. E não será somente o desistente que irá perecer, mas toda a sua linhagem. Ao menos tem sido assim, não é algo que podemos simplesmente dizer “não farei isso!”. Tampouco podemos pedir ajuda. O máximo que se pode fazer é consultar o conselho e dizer a razão de abdicar, se for aceita tudo bem, caso não, você deve permanecer no jogo. Todavia, se você fugir das reuniões dos jogos... – uma pausa. – eles farão do jeito deles.
Vivienne estava em pé sem entender e Elizabeth se levantou e a abraçou.
- Quando eu disse que tinha influencia, de fato eu tenho. Minha família tem, toda a organização e tradição que comanda este mundo. Contudo, essa influência e esse poder vem com um preço. Meus ancestrais estão dentro dessa sociedade, uma sociedade que influência o mundo o qual conhecemos, nacionalmente e internacionalmente. Poder político, as leis e o poder bélico como já disse a você. Porém, eu não posso simplesmente desistir e fugir do meu destino, Enne. Minha família já conseguiu o título de lobo que nos concedeu imunidade durantes anos. Por isso, eu não sou apta a solicitar ao conselho abdicação.
Ela olhava para Vivienne que tinha lágrimas em seus olhos sem poder imaginar.
- Não chore, meu bem. Temos uma vantagem de sermos duas e acredite ou não, treinamos nossa vida toda para esse momento. – Elizabeth fitava distante. – Eu não deixarei nada acontecer!
Elas se abraçaram de forma carinhosa e acolhedora, as horas ali passavam e Bess sabia que em breve seus familiares estariam todos juntos na sala principal da mansão Heinz.
O relógio bateu 19 horas, Cristina Heinz adentrou aquela mansão com seu mordomo Sebastian segurando sua mão. A senhora já caminhava com uma idade avançada, embora, não perdesse o fio de beleza que já apresentou em outras décadas. A anciã, caminhava com uma saia turquesa com um conjuntinho do mesmo tom, relembrava ser da família real da monarca Elizabeth do Reino Unido.
Holand recebia sua mãe com os braços abertos, dando um saudoso abraço, a próxima a abraçar foi Cordélia e por fim, a jovem Elizabeth (Izzy), que depositou um beijo carinhoso na cabeça da anciã que a abraçou apertado.
- Como é bom ver todos vocês, meus filhos! – informava a senhora. – É lamentável, termos que nos reunir com a outra família nessas situações, mas sabem que o falecido Holand e esse jogo doentio são uma desgraça para o nosso lado. – Ela dizia sendo seguida para o salão principal. – Sempre eduquei Holand para não dar muita vasão a isso, como também o estimulei a se superar. Assim, poderíamos ser os melhores sem derramarmos uma gota de sangue. – A mãe de Holand sentou em um dos estofados.
- Sim, sempre conseguimos subir nossas colocações sem nos sujeitarmos a ações decadentes. Mamãe levou anos de longa pesquisa e trabalho duro para encontrar alguma alternativa de ficarmos a salvo. – começou Holand, sentando juntamente naquele estofado. – Foi com suas buscas que ela encontrou uma solução, o título do lobo cinzento. Sabemos o quanto um lobo é forte em uma alcateia, todavia, essa alcateia não deseja proteger os seus, mas eliminar. Assim, o título do lobo cinzento é agraciado a família nobre que cresce solitariamente e quando conquistado, recebemos imunidade. Nunca fomos atingidos ou participado de algo sanguinário graças a essa conquista e pelo grande conselho ter nos dado isso.
- Diferente do seu tio Rudolf, - era a vez de Cordelia falar – Rudolf sempre foi ganancioso e prepotente. Não me admira que o falecimento dos outros três Heinz tenha sido obra dele. Todos três falecidos por mortes misteriosas, uma substancia no sangue não detectável. O conselho apagou todos os registros, ninguém sabe que fim teve aquela linhagem. Tudo foi tão bem equipado e preparado que não sabemos se houveram descendentes. – Cordelia colocava a mão no queixo em reflexão.
- Precisamos tomar cuidado com Rudolf, o jovem Joseph segue a mesma artimanha do pai! É uma pequena cobra criada em ascensão. – a mãe de Holand falava novamente, esticando a mão para pegar o chá.
- Acho que a prima Beatrix Charlotte foi a única que se salvou. – foi a vez de Liz comentar, enquanto cruzava as pernas, naquele estofado para ficar mais confortável. – Soubemos que ela deseja se reunir conosco após a nossa reunião principal. Beatrix deseja fazer um acordo avulso dos pais e iremos dar essa audiência para ouvi-la. – Explicou para a sua avó e fez um olhar de reflexão.
- Sim, a jovem Beatrix é distinta dos seus pais. Sempre tive certa admiração por ela, embora, não se possa dizer o mesmo dos seus pais. Devemos esperar os próximos movimentos, esta noite é mais para observação, o próximo encontro será na mansão dos Heinz primeiros e o último nos Heinz segundos, conforme o costume. – Finalizou a avó, quando escutam ser anunciado a chegada dos outros membros. O jantar estava prestes a começar.
A primeira a entrar foi a jovem Beatrix Charlotte, de forma humilde cumprimentou os dois mordomos da família como o da sua tia avó Cristina, falou com a senhora de idade com todo o respeito e sem falsidade, depositando um abraço saudoso, carinhoso e amistoso, o que foi retribuído pela anciã que de fato gostava dela. Depois, abraçou seus dois tios, Holand e Cordélia, perguntando como estavam, sempre de forma sincera, carinhosa e amistosa como sempre fora desde pequena. Liz foi a próxima a ser abraçada e retribuiu o mesmo gesto amigável com o sorriso que retribuía.
- Oi prima, está um pouco magra, anda se alimentando corretamente, não é? – Beatrix era médica, ao menos, estava fazendo residência e sempre tinha certo cuidado com os Heinz de terceira linhagem. De quando em quando passava receitas que a sua Tia Cordelia precisava para a Liz, de fato, eram os Heinz que ela mais gostava e tinha o carinho de igual forma retribuído de forma honesta. Sabia que eles eram sinceros, não eram gananciosos e certamente não tramariam algo sujo contra eles. Lembrava que quando se assumiu homossexual, ainda na adolescência, foram seus tios e a prima que aceitaram de imediato, diferente da demora que teve com seus próprios pais. Isso a deixou ainda mais ligada com o Heinz terceiro. Porém, essa constatação, não era a mesma dos seus pais que já estavam envenenados pela ganancia dos de primeira linhagem.
- Ah, Charlie, você fez uma boa observação, a Liz tem estado um pouco sem se alimentar, em especial hoje. – dizia Holand preocupado. – o que sugere?
Charlie, analisou a prima e retomou - Por que você não passa na clínica para darmos uma olhada? – sugeriu a jovem de olhos azuis e sorriso cativante.
- Charlie, eu estou bem, não se preocupe, é apenas uma falta de apetite. – insistiu a outra. – Mas você está deslumbrante, ainda fazendo aqueles exercícios diferentes como sempre?
- Então, eu solicito sua presença depois na clínica, não precisa marcar hora! Só vá! – retrucou a outra. – e sim, o crossfit é um tipo de arte também, fortalece corpo, mente, equilíbrio e resistência. Deveria tentar, podemos fazer um treino juntas.
- Ouviu a doutora, mocinha. – Holand sorriu, e Liz sorriu e confirmou que iria.
Passos apressados começavam a se aproximar, os pais de Charlotte e todos os Heinz de primeira linhagem começavam a adentrar aquele recinto.
- Como sempre o ambiente começa a ficar desagradável quando se junta com certo tipo de gente. – Patrícia soltava uma lufada de fumaça, da sua piteira longa vintage. Estava com o colo repleto de perolas, brincos nas orelhas, um vestido tubinho preto e luvas acima do cotovelo de igual cor. Usava um coque trabalhado e apertado, na certa causaria dor de cabeça. Ao seu lado, como um mármore estava Rudolf Von Heinz I, sua mãe não se encontrava naquela reunião. Rudolf era austero, sempre apresentando uma expressão de puro desdém e superioridade. Em nenhum momento os Heinz de primeira viagem falaram com os empregados. Tratou de cumprimentar a todos com um aceno de cabeça cortês e polido.
Logo atrás estava Joseph, com seu terno social italiano sob medida. Um poderoso clássico com seus sapatos lustrosos. Tratou de se sentar perto da sua família. E por fim, adentraram os pais de Charlotte que atrasaram para estacionar, estes deram boa noite e se sentaram ao lado da filha.
- Não sabia que ainda convidavam a velha guarda para assuntos contemporâneos. – comentou Patrícia, dando um alfinetada na mãe de Holand. Como sempre, era esperado esses comentários desnecessários de Patrícia. – Acho que certas coisas deveriam ser administradas pelos jovens, se vocês me entendem, pois acaba sendo um processo desatualizado e burocrático, sem ofensas, claro. – disfarçou a mulher.
- Não ofendeu, Patrícia. – começou a idosa que já estava esperando as provocações da outra. – Certamente, concordo que há pontos que a contemporaneidade acaba indo além, afinal a tendência é essa. – Patrícia começava a dar um sorriso de vitoriosa, mas morreu com a continuidade da fala de Cristina. – Embora, não acredito que um olhar experiente desses tramites não vá causar interferência ou problema, pois é necessário o passado como exemplo para que o presente não volte a cometer os mesmos erros.
Patrícia torceu o nariz e sua expressão era de desprazer.
Todos estavam sentados na longa mesa da família Heinz III, Holand e Cordelia ocupavam as pontas como verdadeiros anfitriões. Ao lado de Córdelia estava Elizabeth, enquanto na outra ponta com Holand a sua mãe Cristina. Em frente a Elizabeth encontrava-se Charlotte e se seguiu assim, um pai e a esposa de frente para o outro e depois seus filhos até fechar.
A mesa era farta, totalmente alinhada, os talheres eram de prata legitima, os funcionários com roupa de gala também davam o ar exuberante e luxuoso. O jantar tinha se iniciado, junto dele algumas alfinetadas trocadas aqui e ali.
- Então Holand, todos os Heinz estão reunidos está noite, após finalizarmos esse primeiro encontro e depois seguirmos para o segundo e terceiro encontro em cada residência dos Heinz, sacramentaremos e iniciaremos mais outro torneio dos Heinz. – Rudolf parou para umedecer seus lábios. Sua voz era fria e cortante como sempre. – após assinado todo o protocolo haverá uma suspensão das atividades formais dos Heinz para que nossos filhos das três casas, possam “conversar” entre si. – outra pausa, mas dessa vez com ar malicioso. – Espero que as meninas Elizabeth e Charlotte estejam saudáveis o suficiente para conversarem com meu filho. Afinal, o fato de terem sobrado só mulheres para isso já é por si só devastador. A próxima geração ser governada por tais mãos. Deveria concordar comigo Holand que é uma vergonha para nossos ancestrais.
Holand mantinha-se complacente, calmo.
- Receio que não, meu caro irmão, as meninas estão em boa forma e também articulo que tanto Charlotte como Elizabeth seriam as melhores escolhas para a administração do legado dos Heinz, ambas possuem qualidades excepcionais e demasiado caráter. – desejou completar ‘diferente do Joseph”, mas resolveu parar por aí.
- Qualidades excepcionais você diz? – retomou Rudolf alfinetando o irmão – Mas será que isso é o suficiente?
- Verá que é, irmão! – disse Holand em tom seco, raramente visto, exceto quando se juntava ao Heinz de primeira linhagem.
Joseph sorriu com as provocações e resolveu participar da conversa.
- Certamente, papai, o titio deve estar se referindo as habilidades profissionais de Elizabeth e Charlotte. A fama da sociedade advocatícia apenas cresce na cidade, levando o maior reconhecimento e aos poucos Charlotte consegue ser lembrada como... – fez uma pausa com desdém e sarcasmo. – qual era mesmo a profissão? Ah, medica. Ficando atrás de uma das famílias mais conhecidas no ramo da medicina que pelo que me lembre bem são os Lamartines atualmente. – provocou Joseph – andei investigando priminha, pelo visto, você terá sorte, pois não localizei os nomes das filhas deles. Quando eles se aposentarem, seu nome será o principal na área médica. Deveria ficar feliz com isso.
Elizabeth trincou os dentes e percebeu que os punhos de Charlie a sua frente também estavam cerrados. Não conseguiu entender a razão, mas percebeu que a prima estava com raiva. Elizabeth iria responder, quando Charlie, que costumava nunca falar nos jantares ou responder, fez algo diferente do normal e falou com o primo.
- Então primo Joseph está dizendo que devo me aproveitar da aposentadoria dos grandes médicos Lamartines para depois ficar com a gloria e crescer na área como um urubu que se alimenta do resto de sua presa. – Charlie fitava o prato, cortando metodicamente o pato a sua frente. – Ora, ora priminho, - seu tom era sarcástico, algo que Charlie só fazia com o primo Joseph, a cobra da família como dizia a avó Cristina. - Embora sejamos da mesma linhagem Heinz, está esquecendo que não me alimento de carniça como vocês de primeira linhagem – fitou o primo que ficou furioso e se exaltou da mesa, jogando o guardanapo na mesa e logo foi segurado pelo seu pai para manter a compostura. – Não faço o que faz, espera as empresas colapsarem para assumir os negócios no seu ponto mais crítico.
Ele colocou o cabelo para trás, pois alguns fios haviam saído do local e tomou a postura. Rudolf assumiu dali.
- É claro que deve conquistar seu momento com seus esforços, jovem Charlotte. – sério e frio foi a fala do Heinz de primeira linhagem. – Entretanto, um bom estrategista sabe quando observar a vulnerabilidade dos outros ao seu redor. Isso não é se alimentar de carniça, mas sim, jogar conforme as regras do mais forte, pois os fracos sempre tendem a perecer.
O jantar foi um dos piores momentos já relatados, a hora passava se arrastando até que o compromisso foi finalizado e todos, com exceção de Charlotte haviam ido embora. Todos os Heinz estavam sentados na ala de descanso ao redor de muitas poltronas e sofás para descansarem.
- Eu gostei da sua resposta, Charlie. – começou a vovó. – aquele crápula do Joseph merecia ficar no seu lugar.
Todos os Heinz seguiram com enormes risadas, incluindo as mais novas.
- É mesmo prima, em todos esses anos nunca a tinha visto enfrentar ou provocar o Joseph, ele deve está surtando por ter sido silenciado. – Completou Elizabeth
- Esses últimos meses foram especiais para mim e tenho conhecido alguém que me faz ver o mundo de forma diferente. – continuava Charlotte, o que deixou todos os Heinz ali presente, felizes, pois ela parecia feliz. –
- Ah, você parece ter encontrado uma pessoa importante – articulava Holand.
- Sim, tio. – sorriu de lado. – Eu encontrei e isso me leva ao assunto que queria ter com todos vocês.
Todos os Heinz ficaram sem entender por um momento. O que fez Charlie continuar.
- Sabemos que é nossa obrigação nos enfrentarmos, todos esperam que Elizabeth, Joseph e eu nos enfrentemos e façamos de tudo para provar nosso valor para a família, o conselho e a sociedade Metaphisicus, expondo quem é o novo líder da família Heinz. – continuava e todos eles prestavam atenção – Também sabemos que os Heinz de primeira linhagem eles matam os seus sem dó nem piedade, tramam para que tudo passe apenas por um acidente normal e eles possuem mais influencia do que a minha linhagem de Heinz de segunda.
“ Tio, eu preciso que saiba com o conselho se posso abdicar do torneio, abrir mão para que a Elizabeth possa assumir a lideração dos Heinz. Ninguém aqui deseja que o Joseph controle tudo, seria a ruina dos Heinz. E eu também não quero fazer parte dessa matança, nem ferir pessoas que estão ao meu redor. Sendo assim, eu quero ajudar a Lizz a conquistar a liderança contra o Joseph. Sei que unindo nossas forças e nosso grau de influencia podemos vencê-lo”
- É isso que quer Charlie? Sabe que também daria uma boa líder de família – articulou Holand.
- Sim! Embora possa até ser verdade tio, eu tenho pais que são envenenados pelo da primeira linhagem, então correria o risco de serem marionetes e os de primeira passassem a assumir de forma indireta. Sendo assim, a forma mais lógica e segura é essa. – explicou Charlie.
- Querida já falou com seus pais sobre isso? – Cordelia queria saber.
- Não, eles deverão ser contra tal ato. É uma responsabilidade inteiramente minha.
- Falaremos com o conselho e daremos uma resposta o mais breve possível. – dizia Holand.
- Charlie, é isso mesmo que deseja? – Elizabeth tocou no ombro da prima.
- Sim, é a única pessoa mais próxima que tenho como irmã Lizz. Vocês me apoiaram muito mais do que a minha família. – dizia Charlie. – me acolheram quando ninguém lá fez. Cuidaram de mim, me trataram sempre bem e deram todo o amor que precisei nas horas mais difíceis. E avisavam como bons pais sobre cada caso amoroso. O mínimo que posso fazer para retribuir tudo que já fizeram é isso!
Todos olharam amorosamente para ela e deram um caloroso abraço em família. Cordelia e a avó se emocionaram, Holand limpou o canto do olho.
- Bom, parece que essa jovem é um premio e tanto, quando poderemos conhece-la? – Holand estava curioso.
- Em breve tio, em breve todos a conhecerão.
Fim do capítulo
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