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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 1827
Acessos: 232   |  Postado em: 17/07/2024

Capitulo 41 O Ataque

No salão principal do Estúdio do Pierre, Elizabeth informava que não estava se sentindo nada bem e iria voltar com Vivienne, o homem a olhava preocupado, pois de fato, a amiga estava da cor de pimenta. Com toda certeza a conversa com a nova administração não tinha sido nada fácil. Pierre pediu para ela se retirar e iria atualizar tudo por um e-mail.

Mesmo com uma nova administração, todos sabiam que grande parte dos lucros eram graças a Elizabeth e tudo o que ela já havia feito pela companhia de teatro. Ele as liberaram, afinal, Vivienne estava sob a guarda da Heinz. Elas seguiram para o Wrangler estacionado do lado de fora e entraram no carro ainda parado.

A ruiva percebeu como a outra estava vermelha, quase da cor dos seus cabelos. Ela retirou uma garrafinha com água e ofereceu para a outra que tomou dois goles fortes e respirou fundo. Quando terminou de devolver a água para Vivienne e agradecê-la, eis que seu telefone toca, aquela velha melodia conhecida por ela e já decorada pela ruiva. Por Vivienne já estar tão por dentro da vida das mulheres, ela deixou em viva voz que apenas elas poderiam ouvir.

- Oi Izzy, estou com Enne no carro, estamos estacionadas no estúdio do Pierre e acabei de falar com a serpente. – Vivienne já estava acostumada da conversa das duas serem totalmente detalhada quando podiam. – Eu coloquei a serpente no canto dela!

- Não a chame assim, Bess... – o tom de Izzy era totalmente diferente de antes, desanimada, seria. Ver aquela mulher parecia ter tirado a maior devassa do mundo dos eixos. – Eu agradeço por ter cuidado dela por mim e a você também Vivi, sem você tomado toda a iniciativa, acho que ainda estaria naquela sala.

- Não precisa agradecer Izzy, sou a assistente de vocês, correto? E estou dentro desse contrato também. Não foi nada. Amigos servem para isso. – Enne respondeu por fim.

- Obrigada em todo caso. Foi importante. Mas não foi só para isso que liguei. Bess.. – ela pausou no telefone até retomar – Hoje a noite nossa avó chegará. Começará a dizer as primeiras diretrizes para a reunião dos Heinz, sugiro que explique para a Vivi como é feita toda a cerimônia e precisaremos de uma boa estratégia durante uma semana que passaremos assim.

- Certo, hoje a noite eu explico para a Enne. – Elizabeth se virou para a ruiva perguntando se estava tudo bem e se hoje a noite ela teria algum compromisso. A ruiva negou e disse que poderia passar a noite lá sem nenhum problema, pois o Henrique e a Kitty iriam sair para se divertirem juntos, embora tenham a convidado, estava certa que teria um dia e noite de trabalho, então cancelou tudo. – Ótimo, então ficaremos hoje no nosso apartamento. Izzy, você assume sem problemas?

- Sim, é a vovó. Vamos ver o que o papai falará sobre hoje a noite. Mas já sabe como devemos falar ao telefone. A partir de agora, a mansão Heinz está em vigilância.

- Entendido! Cuide-se maninha! – disse Bess por fim.

- Você também, Bess, até depois Vivi. – se despedia e Vivienne fez o mesmo com a outra.

- Então, a famosa reunião de fato irá ocorrer. – Vivienne falava mais para si do que para Bess, porém ela começou a responder.

- Sim, também não posso acreditar. – ela dizia enquanto ligava o motor da Wranger e saia de lá. – vamos para casa.

Novamente antes de dar a partida, o telefone social de Elizabeth toca, era um número desconhecido, resolveu atender dessa vez. A voz era de uma mulher que já passou seu sobrenome: “Van Dahl”. Era a detetive.

- Olá, detetive! Excelente surpresa, algum problema? – indagava a loira, enquanto olhava para Vivienne.

- Olá, senhorita Heinz. Sobre aquela nossa conversa de algum tempo atrás, enquanto estávamos na casa de praia, gostaria de informar que estou agora mesmo no clube dos bombeiros, onde há um campo projetado para treinar cães. Quer passar aqui com a Blues?

- Sim, nós podemos passar aí detetive, Vivienne e eu saímos a pouco tempo do estúdio e iremos passar em casa para pegar a Blues. Pode enviar o endereço para o meu telegram, é esse mesmo número.

- Tudo bem, espero vocês.

 

O endereço do clube já foi passado, as mulheres pegaram a Blues no apartamento e seguiram para lá. A pequena estava roendo um casco no banco de trás para aprender a relaxar no carro também. O clube ficava perto de uma reserva florestal. Estacionaram e Vivienne pediu para a Blues ficar, enquanto colocava a guia no peitoral da border.

- Bom trabalho, Enne! – escutou a outra atrás de si, pegando em sua cintura. Ela se arrepiou, haviam se aproximado mais naquelas últimas semanas e principalmente, depois de terem tido uma relação sexual. Mas não haviam definido nada ou conversado sobre isso. Cedo ou tarde deveriam conversar sobre o que estava ocorrendo, mas por hora, estavam se conhecendo mais intimamente.

- Elizabeth, Vivienne e Blues! – a detetive apertou a mão das duas mulheres, o que fez Elizabeth soltar a cintura da outra. – Vamos por aqui, quero mostrar algo para vocês.

Elas se cumprimentaram e atravessaram algumas portas até chegarem em uma área verde com os instrumentos de treino. Blues foi solta para explorar a área e sentir mais confiança e independencia.

A pequena Blues estava crescendo cada vez mais e ficando ainda mais esperta como esperado de um Border Collie. Valquíria apresentou um senhor, um velho conhecido aposentado, que gostava de animais e já tinha servido em forças especiais, sabia desarmar uma bomba e outros tipos de coisas que eram necessário para um cachorro saber identificar.

- Elizabeth, Vivienne, quero que conheçam, o Darwin, consegui entrar em contato com ele, quando falei com o meu chefe. Eu contei do projeto e ele adorou, de fato aqui no nosso Estado estava faltando um grupo de cães mais treinados. Andei pesquisando também, soube que você adestra por hobbie a muito tempo, Elizabeth. Grandes cães vencedores de torneio de agility e exposição passaram por você. Acredito que com o seu conhecimento e o do Darwin, vocês podem colocar isso aqui para frente e termos os melhores cães. – informava a detetive, enquanto caminhavam na pista de obstáculos de agilidade que ali estava preparada.

- Olá! – todos se cumprimentaram.

Aquela tarde foi produtiva, não se exigiu muito da Blues, primeiro passo seria ela conhecer e se familiarizar com o local. Deixá-la livre para correr, explorar, enquanto todos conversavam era o melhor primeiro contato que poderia ser feito. Darwin falou um pouco dos cães que costumava treinar, dos concursos e cursos fora do Brasil sobre como treinar e educar cães. Agora com a sua idade e sua aposentadoria tinha mais tempo para se dedicar aos cães e utilizar seus conhecimentos especiais para treiná-los de forma eficaz. Darwin explicou que estava por trás desse programa junto com a Valquíria, porém, já estavam separando uma ótima equipe nas suas melhores categorias como “busca e resgate”. Blues, juntamente com alguns cães novatos com idades similares, iriam fazer parte desse primeiro projeto.

Assim, após uma longa conversa, ficaria acordado para entrarem em contato com a primeira reunião com todos da equipe com mais tempo para ocorrer o primeiro simulado. Três fases fariam parte do primeiro teste: a primeira fase era simples, o cão deveria obedecer aos comandos básicos de: fica, senta, deita, junto, não, vem. Passado o primeiro nível de obediência, seguiria para o segundo que tratava sobre a comunicação e a agilidade do cachorro. Eles deveriam passar por diversos obstáculos junto com seu tutor em um menor tempo. Para finalizar, a última prova consiste em encontrar três objetos escondidos que pertencem a “humanos”. Um treino de alta concentração e requer um bom faro do animal. Tudo isso feito também sob a supervisão da equipe e com um tempo a ser feito.

Essa prova ou melhor teste, para saber o nível de cada cachorro seria feita em três meses com um pouco mais de idade da Blues. Contudo a reunião deveria ocorrer o quanto antes, mesmo para quem não possa, ocorreria em uma sala virtual. As duas mulheres se despediram, enquanto Blues que ainda explorava e brincava escutou o chamado das duas tutoras, um longo: “Blues, vem!” e rapidamente foi obedecido.

Elizabeth e Vivienne foram para casa, o passeio que ambas iriam fazer com a Blues acabou ficando para mais tarde, já que haviam saído e a pequena tinha interagido tanto, explorado, recebido diversos tipos de informações, socializado e para um filhote, aqueles estímulos tinham sido demasiados para ela. A border collie, blue merle, deitou em sua caixinha de transporte e ali foi repousar, fazendo um dos comandos essenciais para essa raça, o “place”.

- Quando você leva a Blues para passear, eu fico na missão de ter que aumentar o nível do passeio. – Vivienne dizia sorrindo ao entrar no apartamento, sendo seguida por Bess e Blues. – fico é nervosa para leva-la para passear, porque você sempre sobe o nível do passeio.

A advogada sorriu com a brincadeira da outra.

- Ainda bem que não precisamos disputar pela atenção dela, afinal ela adora sair com as três. – Bess fechou a porta atrás de si, colocou as chaves do carro em um porta chaves. Abraçou Vivienne por trás e depositou um beijo em seu ombro. Vivienne se pegou sorrindo com esse gesto tão amoroso da outra. Mas algo nela, sempre se questionava se era seguro confiar, ela já havia sido ferida uma vez, Alexander também foi gentil com ela.

Como se lendo seu pensamento Bess a soltou por um momento e a virou para si.

- Vamos no seu tempo... – sussurrou, fazendo a outra franzir o cenho e se perguntar “como assim?”

- Do que está falando? – indagou, fitando os olhos azuis da outra, sem saber se iria ter uma resposta.

- Quando te abracei senti você suave, mas em algum momento você ficou tensa, deve ter pensado alguma coisa que a fez levantar a guarda. – Bess se abria com ela, era algo diferente, não estava acostumada em perguntar e ter respostas. – É compreensível, diante do que enfrentou. Não se preocupe, eu a entendo e Vivienne, você está me conhecendo de verdade – Bess tocou no ombro da outra, não com segundas intenções, apenas como forma de conforto.

Vivienne sorriu gentilmente e ao mesmo tempo feliz pela primeira vez está se envolvendo em algo assim, na qual ela tinha voz, ela era ouvida, ela podia ser como desejava e suas vontades eram respeitadas. Mas acima de tudo, possuía liberdade, algo que achava que não tinha mais.

As duas mulheres tomaram seus respectivos banhos, comeram e a noite já começava a dar seus primeiros sinais. Sim, junto daquela noite, Bess lembrava que sua irmã iria enfrentar o jantar tão esperado da família Heinz.

 

Fim do capítulo


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