Segredos por Elliot Hells
Capitulo 40 Informações
Boris Schmitt, um senhor de meia idade, outro ancora do canal onze fazia a cobertura no estúdio sobre a catástrofe humanitária que estava ocorrendo no leste da Ucrânia. Os civis estavam armados, a estrutura de comida e remédios haviam sido destruídas. Boris informava que as tropas russas haviam cercado a capital ucraniana, Kiev, que estava resistindo bravamente. O prefeito confessa em suas redes sociais, um pronunciamento de que não sabe por quanto tempo poderá aguentar a pressão russa. Ele diz que não há como evacuar os civis caso as tropas russas tomem a cidade, até o momento odiava admitir que todas as saídas estavam bloqueadas.
Os cidadãos ficaram a se preocupar quando as redes de mercados começaram a fechar e o metrô começou a ser utilizado como abrigo anti-bombas. Kiev estava com um toque de recolher, começando ao por do sol, segundo as ordens, qualquer pessoa nas ruas após esse horário seria considero um infiltrado russo e seria eliminado imediatamente. A situação era de pânico e caos!
A detetive Van Dahl observava aquela reportagem com atenção em sua casa. Na ilha que tomava seu café[1] haviam dois telefones, o dela como detetive e o outro que falava com seus subordinados, além de ver a reportagem pela televisão, ela passava pelos stories do seu instagram, pois detinha um perfil falso para analisar alguns de seus suspeitos. Nessa conta, acabava seguindo algumas fontes jornalísticas que apresentavam informações sobre o bombardeio e as armas de destruição.
Essas eram os tipos de informações que estava vendo até seu outro aparelho telefônico tocar.
- Yami? – dizia um de seus subordinados.
- Sim, Cobra! – Disse prontamente. Poucos dos seus subordinados mais próximos tinham aquele contato. – Você fez as pesquisas que eu ordenei?
- Fiz, não encontrei muita coisa dela, a jovem Vivienne é uma civil comum. Casou cedo, teve inúmeras mudanças de residência. Conseguimos contato com pessoas que nos deviam favores e eles liberaram algumas fotos da jovem Vivienne que não foram a publico. O marido pagou a todos da imprensa para abafar o caso. A situação foi a mais ou menos seis anos atrás nesta cidade. A jovem Vivienne estava de férias com a família e algum assassino atirou na filha e em um cachorro. Essa mesma notícia foi encontrada no acervo de dados de uma atriz, advogada famosa, a herdeira da Família Heinz, Elizabeth Heinz. O cachorro morto era dela. Então houveram esses registros, embora na manchete não identifique a garota, porém, o cachorro é o mesmo. Checamos as fontes. No atual momento estamos investigando sobre o assassino. – informava aquele homem
- Excelente. Veja o que conseguimos agora sobre o marido dela, tente sempre vincular os dois nomes e Cobra, sei que você tem infiltrados no comércio de armas. – olhava compenetrada a tevê - Devido a época do ano, aposto que haverá alguma exposição com novas armas, principalmente devido a invasão que a Rússia está fazendo com a Ucrânia. O cenário está propício para isso. Essa é nossa chance de conseguir informações dele!
- Eu pensei nisso, estou mantendo contato com a Karen, é uma dos braços direitos de um velho comerciante de armas que não está tão na ativa, mas frequenta as reuniões.
- Me mantenha informada, Cobra! – estava levantando da cadeira para colocar seu copo de café na pia.
- Afirmativo, Yami! – desligou e colocou o celular junto ao outro.
A reportagem passou a mudar, agora era a vez da Organização das Nações Unidas fazerem o seu pronunciamento sobre a guerra que estava ocorrendo. A Sessão estava sendo uma reprise, devido ao fuso horário entre o Brasil e os Estados Unidos, onde se localizava a ONU.
O embaixador russo fazia acusações distorcidas sobre a Ucrânia; informava que as razões da Rússia invadir a Ucrânia seria por ter encontrado duas regiões separatistas do país que mantinham forças militares. Ele acusou a Ucrânia da forte crise que estava ocorrendo no país devido as ações obscuras que estavam desempenhando.
Valquíriafitava aquele embaixador, um senhor idoso, careca, com óculos. Estava com um ponto no ouvido, parecia receber informações. A câmera vasculhava o enorme salão, haviam representantes de distintos países e convidados. Pessoas na arquibancada, o mais interessante que a detetive achou foi a presença de um ilustre empresário. Ele foi capturado pela câmera e a informação passava no telão, seu nome estava ali, não durou cerca de 4 segundos, era o suficiente. Van Dahl o viu: Ivo Hoffman, seu sorriso se alargou! Suas suspeitas e suposições pareciam se revelar corretas. Atualizou o Cobra, sobre a presença de Ivo Hoffman na reunião da ONU.
As outras informações daquela reunião, foi com o secretário-geral da organização falando sobre uma ajuda humanitária oferecida pela ONU aos ucranianos
Naquela mesma manhã, porém horas mais tarde do outro lado da cidade, no estúdio do Pierre, na sala da nova administradora, Lorelai Nunez. A atmosfera estava tensa, como uma guerra fria entre Nunez e Heinz. As duas mulheres se entreolhavam, Elizabeth estava com o semblante rubro e a outra sabia que era devido a raiva que sentia por ela. Não poderia a culpar por sentir isso. Suspirou pesadamente, Lorelai sentia que o mundo a estava esmagando naquela sala, foi difícil permanecer naquela mesma posição, então se endireitou. Ela esticou o braço indicando para se sentar em uma das cadeiras a sua frente, a mais alta ignorou aquele gesto.
- Bom, já que recusou o meu pedido para se sentar, creio que deseja ir direto ao ponto – Lorelai a encarava, estava dando toda a atenção que poderia para a outra.
- Primeiro ponto, por que você voltou para cá, não estava feliz o suficiente com o diretorzinho de cinema com quem você foi embora? Segundo ponto, além de você ter a audácia de voltar para cá, precisava comprar e administrar essa companhia de teatro, Lorelai? Eu não sou idiota, é mais do que óbvio que você fez suas pesquisas, então você comprou ela sabendo justamente onde nós estávamos! Terceiro e último ponto, em acréscimo ao que já estou dizendo, não se satisfez de acabar com a vida da Izzy naquela época e você decidiu voltar para afundá-la de vez? Será que você não pode desaparecer e deixar a gente em paz? – Bess falava com tamanha dor, de fato ver aquela mulher, aquele fantasma do passado era doloroso para sua irmã e para ela também.
Lorelai suspirou novamente, sim, o mundo a estava esmagando. Mas não poderia deixar que isso ocorresse agora, ainda tinham coisas a serem organizadas e colocadas no lugar.
- Bess, Bess, Bess, - ela se levantou de sua cadeira se dirigindo para frente da mesa e se encostou. – Como sempre, você toma as rédeas pela Izzy. – sorriu sem vontade - Eu voltei para cá, sim, voltei, você melhor do que ninguém sabe que o país é livre, tenho direito de estimular o mercado financeiro, ou seja, posso comprar a empresa, companhia de teatro que quiser. Minha vida privada se estou feliz ou não com quem tive que casar não diz respeito a ninguém, além de mim. Não ensinaram os direitos fundamentais e direito empresarial no curso de direito? Mas pelos velhos tempos irei dizer para você que pedi o divórcio. – Lorelai a olhava intensamente nos olhos da outra e usou do seu tom mais sincero e honesto. – Eu nunca quis afundar, acabar, destruir ou qualquer palavra que queira utilizar para me responsabilizar do que ocorreu no passado. Eu jamais quis machucar a Izzy ou você. Eu amei a Izzy demais e você goste ou não, você era minha melhor amiga também. Não quis perder ou ferir nenhuma de vocês e não queria perder nenhuma das duas. – confessou de forma sincera.
- Mas feriu e perdeu – Elizabeth a encarava segurando qualquer emoção que tivesse. – Você abandonou a Izzy para ficar com outro homem, você foi embora, traiu sem mais nem menos. Sabe que odiamos traições! – Elizabeth dava um passo para frente, se segurava para não explodir com aquela mulher. – Você nos enganou!
- Em que eu enganei vocês?! – questionou Lorelai dando um passo a frente também, ficando a centímetros da outra. – Quando eu falei que amava a Izzy eu nunca enganei, quando eu disse que queria mais no futuro, não foi mentira! Minha família foi a falência naquela época, perdi meus pais, eu precisava de mais e vocês não queriam dar o próximo passo. – desviou o olhar dela. Não queria discutir sobre isso.
- Qual era o próximo passo, irmos morar juntas? Nós três? Como isso iria funcionar? – questionava Elizabeth de braços cruzados. A outra se manteve em silêncio. – Eu estou só avisando, fique longe da Izzy, fique longe de nós!
Elizabeth deu meia volta e fechou a porta com força atrás de si. Lorelai deixou cair uma lágrima que não sabia que estava segurando. Ela limpou com as costas das mãos e escutou seu celular tocar, atendeu. A voz adulterada perguntava como ela estava.
- Estou bem ou melhor tentando ficar bem. – confessou, se dirigindo a sua poltrona.
- Problemas com o trabalho? – falou aquela voz que ela sabia de quem era, mas para segurança, mantinha o anonimato por aparelhos telefônicos.
- Mais ou menos isso, o dilema da minha vida acabou de sair pela porta do estúdio. – disse deixando-se repousar naquela poltrona.
- Um dia elas vão entender a razão do que você fez e por qual motivo você fez o que fez. – Lorelai ouvia aquelas palavras fitando a foto de Elizabeth na pasta de funcionários do estúdio.
- Eu só espero que um dia elas possam me perdoar e entender. – acariciava aquela foto do livro com seu indicador.
- Quando meu plano funcionar, tudo irá ficar no seu devido lugar, Lorelai. Apenas precisamos ir de acordo com o plano. É a chance que você tem de que elas possam entender o seu lado. – Lorelai se despediu daquela ligação e suspirou, de fato sua única solução era essa.
[1] Mês de abril de 2018
Fim do capítulo
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