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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 1544
Acessos: 374   |  Postado em: 08/01/2024

Capitulo 33 "Não consigo mais me controlar..."

Depois que todos saíram, o andar ficaria exclusivo para as duas mulheres ali. Elizabeth pegou toda a louça e colocou na máquina que lava louças de forma organizada. Percebeu que tinha uma border bem animada, hoje só havia saído com a pequena no braço pela manhã, pois ainda faltava acabar as últimas vacinas de V10. Tomaria a segunda dose agora no mês de março, em breve ChoHee Wei faria uma visita para elas.

Com isso, pegou algumas guloseimas da geladeira da outra, o pequeno frigobar que ela havia deixado exclusivamente para Blues por enquanto. Conduziu a pequena para a parte com um tapete de E.V.A preto e colocou no chão o Kong interativo e congelado, naquele mesmo espaço deu o brinquedo interativo dog smart outward hound Nina Ottosson. Um brinquedo laranja com objetivo de dispensador de tratamento para cães como esconde-esconde e ótimo estimulador mental.

Blues deveria retirar de cada dispenser as rações ali colocadas, recolheria cada quadrado dali que esconde sua ração. Elizabeth estava ali, sentada no seu chão quando viu Vivienne chegar e se sentar junto dela, o dia da outra foi pesado e cheio de grandes revelações e densas situações.

Elizabeth observava a Blues brincar e então falou sem fitar a Vivienne:

- Quer treinar comigo e com a Blues? – falou mais para descontrair a ruivinha ao seu lado.

- Sim, você precisa me ensinar mais algumas coisas ou ela não vai me reconhecer. – se juntou mais a ela.

Vivienne percebeu que Bess não se moveu, não fez a menção de que iria ficar como sempre costumava nesses momentos de treino com a Blues. A um tempo andava percebendo a outra sempre sentando atrás de si, mas também, a outra andava ensinando as formas corretas de gestos para realizar os comandos com a Blues. Ela achou diferente isso e se estranhou por perceber que havia estranhado a falta do contato da outra, pois já estava acostumada em tê-la atrás de si, por um momento acabou ruborizando.

- Está tudo bem? – Bess indagou por perceber a alteração de pigmentação no rosto da outra. Se questionava se era devido aos momentos que viveram hoje a tarde.

- Sim, sim. Por que está sentada aí? – acabou questionando naturalmente.

- Como assim? O que quer dizer? – indagou a outra intrigada, sem entender por qual razão Vivienne questionou algo tão aleatório.  - Você sempre senta atrás de mim e consegue me corrigir. – demonstrava o que era o óbvio para ela.

- Ah... – refletiu por um momento, de fato não conseguia mais sentar daquela forma com a outra, pois tinha medo de não se controlar mais e perder a amizade, principalmente diante de todo o acontecimento que sabia que a mais nova havia passado. Sua vontade era apenas de abraçar forte e beijá-la, mostrar que tudo ficaria bem. – você quer isso?

- Não, não. Está tudo bem, se está bom para você, então, tudo bem. – antes de concluir tudo, Bess já havia saído do seu lugar e sentado atrás de si, só que diferente de antes, ela puxou o corpo da outra para tocar o seu e sussurrou baixinho em seu ouvido dizendo: “assim posso te ver melhor”. Vivienne engoliu em seco, pois a mão da outra tocou quase seus seios. O clima estava estranho entre as duas, não sabia se era todo o clima que ocorreu hoje a tarde e o total apoio feito pela mais velha ou se era outra coisa, mas isso a deixou quente. Vivienne acaba por se desconhecer. Lembrou de quando Izzy disse que ao receber mensagens de Bess ela sorria. Também gostava de estar nos braços da outra, sentia-se segura e acolhida. Outra coisa que gostava era de compartilhar sua vida com ela, de ouvir a mais velha falar sobre as ações e diversos temas, gostava de ter novas experiências. Acima de tudo, os momentos com a Blues eram os mais íntimos em questão de troca de toques que tinham e isso a deixava com um misto de sentimentos desconhecidos.

Ambas acabaram treinando alguns comandos simples, de fica, senta, rola, deita, fingir de morto, gira, o comando para trás, as primeiras interações de autocontrole já estavam saindo tem algumas semanas.

- Há uma coisa que fiquei de te dizer, a Valquíria, a detetive Valquíria Van Dahl queria que participássemos de um projeto com a Blues sobre cães farejadores. Disse que iria ver com você, afinal, ela é nossa. – Elizabeth falava de forma calma no ouvido da mais nova.

- Como seria esse tipo de projeto? – Vivienne estava curiosa e continuava a fazer alguns comandos com Blues.

- Por enquanto é inicial, mas tem aquela ideia de encontrar pessoas desaparecidas, identificar armas, drogas. Cães com esse propósito. – explicava a outra que corrigia delicadamente a mão de Vivienne. – Isso, baixe a mão para que ela entenda o movimento do deitar.

- Acha que a Blues seria capaz disso e seria bom para ela? – Vivienne se inclinou de perfil para olhar Elizabeth.

- Acho sim, a Blues tem evoluído imensamente para os poucos meses que ela tem. Será bom para ela, Border Collies precisam ocupar sempre a mente. E como a detetive deseja começar esse projeto, seria bom um cão referência para começarmos a implantar alguma equipe K-9 aqui no Estado. – Elas fitavam uma a outra.

- Eu estou de acordo então, quando podemos começar? – Vivienne estava animada, pois se apaixonava cada vez mais por isso.

- A detetive ficou de retornar, vamos só esperar e fazer nossas atividades de treinar e estimular. Possa ser que demore um pouco ainda.

 Enquanto Vivienne realizava os comandos para a Blues obedecer, Elizabeth afastou seu cabelo para dizer que estava tentando por sobre o ombro dela. Blues acabara de fazer uma palhaçada que fez a outra jogar a cabeça para trás até o ombro da mais velha que achava fascinante cada movimento da mais nova e ela deixou escapar.

- Não consigo mais me controlar perto de você – em um sussurro audível para a outra que engoliu em seco e sentiu algo descompassado.

- O que? – a ruiva precisava reafirmar o que acabara de ouvir.

- Vivienne, eu sou uma mulher adulta, embora um pouco mais velha do que você. Diferente da minha irmã eu não sei fazer muitos jogos de sedução quando estou “paquerando”, então, eu vou direto ao ponto, estou atraída por você há um bom tempo e já não consigo me controlar perto de você. Por isso, evitei você para não fazer nada que esteja contra o seu consentimento como eu disse que não faria sem falar do ocorrido de hoje.

Vivienne mordeu os lábios e ficou calada, não sabia o que dizer em troca. Embora estivesse muito aquecida por dentro com esse fato. Blues lambeu e mordiscava a mão das duas, tirando a atenção delas e colocando para si. Vivienne desconversou aquele momento e disse que iria ajeitar o cantinho da Blues, pois já estava ficando tarde. Enquanto isso, Elizabeth sentia a rejeição, resolveu tomar um banho para processar tudo o que havia escutado.

Enquanto Elizabeth tomava banho, tudo da Blues já estava pronto e Vivienne também fora tomar um banho so que no andar de baixo. Quando Vivienne saiu do banho e estava pronta, percebeu que Lizz estava arrumado o sofá dormir. Vivienne se apressou para falar que naquela noite ela iria dormir ali, não achava justo a outra dormir naquele local na própria casa. Blues já estava adormecida ali no andar de baixo.

- Vamos coloca-la na caixinha de transporte – disse Elizabeth. Vivienne subiu com blues no braço e com a outra atrás de si. Vivienne colocou a pequena na caixa de transporte para ela se acostumar, pois era essencial para um border collie ter um local para descansar. Quando se ergueu sentia que Elizabeth estava atrás de si, a fitando. Ela se virou e percebeu que a outra colocava as mãos no bolso da calça de moletom preto e usava uma regata branca.

- Bom, durma aqui em cima com ela. Eu vou ficar lá embaixo, preciso ajeitar algumas coisas novamente e não há problema. – virou-se para descer e tudo que Vivienne pode dizer foi:

- Boa noite, Bess... – ambas se separaram. Aquela noite foi insone dos dois lados. Tanto para Vivienne que havia escutado tantas coisas quanto para Elizabeth que sentia-se rejeitada, embora sabia que essa era a única reação possível da outra.

A noite passou arrastada e quando assim o sol nasceu e Vivienne procurou por Bess, o local estava limpo, sem rastros de que havia dormido ali, exceto pelo bilhete.

 

“Bom dia, Vivienne,

Lamento pelo que falei, também por não estar com você essa manhã. Ocorreu uma urgência e precisarei destrocar com a minha irmã. Certamente em breve Izzy estará aqui, fique a vontade. Já ajeitei todas as coisas para a Blues. Espero que tenha dormido bem, tenha um bom dia.

Atenciosamente

Bess Heinz.”

 

As palavras estavam estranhas e por alguma razão, causava-lhe dor. Não entendia a razão, mas machucava não tê-la ali pela manhã. Vivienne suspirou e pela primeira vez não foi por Alexander, mas pela Bess e não era um suspiro de angústia ou cansaço, mas de uma pontada de tristeza.

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Eita que clima tenso


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