Segredos por Elliot Hells
Capitulo 32 A força dos Lamartines
Depois que os pais de Kitty e Vivienne deixam o apartamento de Elizabeth. Jonathan e Camilla ficaram abismados com toda a história contada pela filha mais nova. Os três, se dirigiam para o automóvel estacionado na vaga de visitas. O gosto de Jonathan por carros era clássico, para visitar sua filha pegou de sua coleção o famoso bentley blower conversível da década de 1920, uma réplica linda e reformada. Em seu tom verde musgo.
Saindo do condomínio de Henrique e Elizabeth, deixariam Kitty no seu apartamento e seguiriam para casa. Durante a viagem para deixar a filha, eles ainda estavam preocupados com Vivienne e essa história com o Alexander.
- Não posso acreditar que Vivienne teve que suportar tudo isso longe da família. – começava Jonathan. – O dever de um pai é cuidar dos seus filhos e eu sinto que falhei com vocês duas. Com você Kitty e com a Enne. – rapidamente Camilla o respondeu:
- Jonathan, não se cobre tanto assim, somos culpados na mesma medida. Não houve pai solo ou mãe solo. Se erramos quanto ao caráter do Alenxander, foi algo em conjunto. – explicava Camilla com pesar.
- Papai, mamãe – interveio Kitty – não acho que nenhum de nós temos culpa, na verdade a culpa toda é do próprio Alexander. Ele nos enganou, ele fingiu ser alguém que não era, manipulou nossas emoções, adulterou fatos. E principalmente, ele arruinou a vida da Enne! – Kitty estava rubra de raiva. – Fomos avós, fomos tias e na verdade nem chegamos a conhecer o que tivemos. Uma pobre criança pagar pelos pegados do Alexander! Isso não pode ficar assim e impune.
- Não ficará, Kitty! O Alexander irá pagar caro pelo que fez. – Jonathan apertava o volante firme, o que deixava os nós dos seus dedos esbranquiçados. – Acionarei alguns dos meus contatos mais influentes. Eu já fiz a cirurgia de grandes figuras políticas e salvei inúmeras vidas deles e de seus parentes. Inclusive do governador do Paraná. Irei ter algumas reuniões, encaminharei algumas consultas para meus residentes e amigos.
- Está certo, farei a mesma coisa! Posso conversar com alguns que já cuidei, lembro que cuidei de alguns comissários das forças internacionais. Tenho alguns colegas influentes e políticos na manga. Alexander não destruirá a nossa família e ficará impune. – era a primeira vez que Kitty via seus pais tão furiosos e obstinados. Essa era a força da sua família quando alguém de fora machucava um de dentro? Será que mexeriam céus e terra para si também? Ela pode ver que sim. Eles fariam isso por ela também, mas agora o foco era em ajudar a sua irmã.
- Não podemos esquecer de que a própria Elizabeth Heinz está cuidando do caso. – relembrou a ruiva.
- Sim, exatamente, os Heinz são muito mais do que influentes, eles escondem o verdadeiro poder e influencia que detém. – Jonathan começou a explicar. – a muitos anos atrás, quando conheci sua mãe lembro que ela era amiga da mãe daquela jovem. Cordelia Heinz, correto, Vivian?
Seu pai tinha a mania de chamar a sua mãe por Vivian, assim ficava próximo o de Vivienne. Deveria estranhar quando ele chamasse “Camilla” seria algo sério entre eles. Enquanto Camilla, costumava trata-lo por John. Kitty se surpreendeu pela mãe conhecer a mãe de Elizabeth, suas famílias possuíam algum tipo de ligação?
Camilla suspirou.
- Como é? Você e a mãe da Elizabeth se conheciam? – Kitty dizia estática.
- Sim, naquela época era muito comum termos colégios internos femininos e masculinos. Embora tenha nascido no Brasil, boa parte da minha família paterna veio da Alemanha. Quando casei com seu pai optei por perder meu nome de família, mas era conhecida por Camilla Vivian Klein. – explicava.
- O pai dela ficou uma fera por ela se casar comigo. – interveio Jonathan, lembrando do ocorrido.
- Sim, durante muitos anos meu pai parou de falar comigo por me casar com Jonathan, um Außenseiter ou forasteiro. Alguém não alemão. Mas são águas passadas – o ponto é que durante o tempo que passava aqui com minha mãe no Brasil, papai achou que deveriam me colocar em um colégio interno como era de tradição em nossa família.
- Foi lá que conheceu a mãe de Elizabeth? – interromou Kitty, vendo o aceno da mãe.
- Sim, Córdelia é alemã de berço, nos conhecemos lá. Desde os meus sete anos até os meus quinze anos estudamos juntas. Seu amor pelo Brasil começou quando passávamos as férias de verão aqui. – uma pausa foi feita até ocorrer a continuação. – Depois decidimos qual seria o nosso próximo passo. Eu queria me formar em medicina, enquanto a família da Córdelia sempre foi avida nos negócios. Suas formações extras incluíam finanças, banco de Estado e política. Com pouca idade ela já cursava disciplinas avançadas particulares.
- Uau, da para ver a quem Elizabeth puxou tanta a genialidade. – Kitty ficava ainda mais impressionada, já estava quando leu sobre os Heinz na Wikipedia, saber de detalhes íntimos só a deixava mais impressionada. – Então, o que aconteceu com a amizade de vocês duas?
Outro suspiro de Camilla, este não foi passado despercebido por Kitty.
- Seguimos caminhos diferentes, cursamos outra universidade, encontrei com ela na época da residência e demais estudos na Alemanha após a graduação, porém de forma rápida. Desde então não soube mais nada dela. – a mãe tentou ser rápida ao finalizar.
- Sim, mas ela e a família dela são as mais influentes e conhecidas daqui, todos soubemos quando eles chegaram na cidade anos atrás, porque não tentou falar com ela? – insistiu Kitty.
- A certas coisas do passado que não devemos mexer muito, Kitty. – outro suspiro. Kitty conhecia muito bem isso, Enne fazia a mesma coisa quando determinado assunto havia mais informações e demandava demasiada energia dela. Por hora decidiu não insistir, mas iria investigar a história contada pela mãe e da senhora Cordelia Heinz.
Seu pai a deixou no apartamento dela. Eles se despediram e cada um foi para sua respectiva residência. Kitty adentrava aquele recinto vazio e sua cabeça estava fervilhando. Primeiro descobria que tinha sido tia, que Alexander era um filho de uma pata choca, e por fim sua mãe e Córdelia Heinz se conheciam. Quantos segredos mais a sua família tinha?
Ela sentou no sofá, estava cansada de tanta informação. Principalmente, estava cansada também por não ter dormido bem na noite anterior, ou melhor, madrugada. Deixar aquela mulher de madrugada para depois seus pais a pegarem para a casa da Heinz sugou todas as suas energias. Olhava seu relógio e eram exatamente 18h44. Basicamente seu dia inteiro rodou em torno das famílias Lamartines e Heinz.
- Isso está ficando cada vez mais estranho. – falava sozinha, quando se assustou com seu aparelho telefônico. Uma mensagem no telegram de um número desconhecido acabara de chegar.
Abriu para ler:
“Olá, boa noite!
Lamento só poder dar algum retorno agora, o dia foi um tanto intenso no trabalho. Alguns dos supervisores do departamento não voltaram das suas férias e os preceptores estão lidando com tamanha demanda. Queria agradecer pela ajuda que me deu, por ter me levado para casa. Na verdade, acredito que dei bastante trabalho. Gostaria de recompensá-la alguma hora se estiver livre. Atenciosamente, Charlie.”
Kitty lia o conteúdo daquela mensagem e não pode deixar de sorrir, talvez fosse interessante ter um lazer para descontrair um pouco. Enquanto pensava no que responder, outra mensagem da pessoa veio logo em seguida.
“P.s: por curiosidade, seus pais seriam o doutor Jonathan Marcos Araújo Lamartine e sua mãe seria a doutora Camilla Vivian Lamartine?”
Kitty novamente leu aquela mensagem e achou estranho aquela pessoa falar o nome dos seus pais. Até um estalo bater em sua mente sobre a conversa de ambas. Ela era uma médica, necessariamente, deveria conhecer seus pais de algum momento, graduação, residência. A ruiva mandou a mensagem de que estava tudo bem e que ela não havia nenhuma dívida entre elas, mas se quisesse pagar, ela estava disponível para uma boa janta. Quanto a observação, disse que responderia a indagação da outra somente no jantar. Rapidamente, ela pode ver um digitando daquele número que ainda não havia salvo no telefone.
- Responde rápido a senhorita Charlie. Gosto de celeridade, já ganhou um ponto – disse Kitty ao rir consigo mesma.
A mensagem veio e Charlie confirmava que a levaria para jantar, deveria encaminhar o endereço e por volta das 20h estaria lá na porta dela. Kitty assim enviou toda a localização e se despediu, para ir tomar banho para se arrumar.
Fim do capítulo
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