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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 4107
Acessos: 427   |  Postado em: 08/01/2024

Capitulo 31 A visita dos Lamartines

 

A madrugada para a Heinz foi um pouco insone, não sabia a razão daquela ansiedade, acordou as 03h00 da madrugada para tomar um banho frio. Ela achava que Vivienne não havia escutado o barulho da ducha de baixo, mas a outra também estava um pouco insone sem saber a razão aparente. Elizabeth voltou para seu outro quarto do andar de baixo e demorou uma hora para enfim poder cair no sono.

Pela manhã, Elizabeth havia feito sua higienização matinal, preparado o café da manhã de Blues que comia satisfeita. Nesse exato momento tentava fazer panquecas como havia aprendido com Sophie a muito tempo atrás. Preparou a massa, usou um leite vegetal e começou a por na frigideira untada com azeite de oliva.

Separou cranberry e mirtilo para decorar o prato, além disso pegou uma geleia especial. Esperou a outra descer para tomarem o café juntas, pois já havia percebido passos, barulho de água e movimento no andar de cima e não demorou muito quando a Vivienne estava completamente pronta e higienizada para tomarem café.

- Bom dia – Elizabeth indicou o seu local para tomarem aquele desjejum e depois sentou.

- Bom dia, Bess! – Vivienne sentou e pegou os talheres – nossa isso está com uma cara ótima! – partiu o primeiro pedaço de panqueca com mirtilo e cranberry, e um pouco de chantilly, colocando na boca. – hum... que delicia!

Elizabeth não pode deixar escapar um sorriso ao ver a satisfação da outra.

- Fico feliz que tenha gostado, foi receita da Sophie, ela adora cozinhar nas horas vagas. – partiu o seu pedaço e começou a comer.

- Está tremendamente delicioso.  – colocou um pouco mais na boca que acabou melando o canto do lábio inferior de chantilly – O que faremos hoje?

- Tecnicamente nós duas estamos de férias forçadas devido a reforma do prédio. Porém, eu ainda trabalho como advogada e docente, agora terei uma montanha de trabalhos para corrigir dos artigos que pedi aos alunos naquele sábado. – explicava a outra enquanto se preparava para comer um novo pedaço de panquecas quando viu o lábio da outra melado. Elizabeth fitou fixamente o que despertou a curiosidade da outra que perguntou “o que havia de errado no rosto dela” – sua boca está com um pouco de chantilly.

Rapidamente Vivienne se preparou para limpar e perguntara se havia saído, mas ainda tinha resquícios. A jovem Heinz levou sua mão até o lábio da ruiva e limpou suavemente aquele local, passeando seu polegar sobre os lábios inferiores da ruiva que a fitou nos olhos e sentiu suas maçãs do rosto queimarem. Elizabeth percebeu que estava demorando e terminou aquele movimento, recolhendo para o seu lugar e desviando totalmente os olhos da ruiva. Um silêncio se estabeleceu ali, até ser quebrado pela ruiva que queria saber como poderia ajudar a outra no trabalho.

- Então, sobre o que falou antes como posso ajudar sobre isso? – voltava a por mais um pedaço na boca, enquanto esperava a resposta da pessoa ali ao seu lado.

A cada dia que se passava, estar ao lado de Elizabeth, ou melhor, da Bess, era algo natural para Vivienne, estava se tornando natural demais e às vezes, a deixava ansiosa por estarem assim, conversando, próximas.

- Na verdade está tudo sob controle, a quantidade de alunos em uma pós-graduação lato sensu é pequena, salvo em turmas de mestrado que chegam a ser maiores. Tenho apenas dez artigos para corrigir, e irei dividir com a Izzy. Quanto aos trabalhos advocatícios, temos duas ações de inventário que estão um pouco estagnadas, pois o de cujus deixou diversos bens não organizados e possuía cerca de dezoito filhos. Uma foi descoberta recentemente e agora todos os outros estão solicitando um teste de DNA. – explicava um de seus casos.

- Meu Jesus, dezoito filhos? O que ele fazia? – Vivienne indagava curiosa. Era uma história e tanto.

- Era da aeronáutica e com cada esposa diferente teve alguns filhos. No caso, a partilha acaba sendo morosa mesmo. Casos de inventários já são comuns por demorarem, alguns fatos se dão pela discussão entre irmãos, outros pelo de cujus ou falecido, não ter separado um testamento com o rol de bens que adquiriu em vida. Nesse caso, cabe aos filhos e até mesmo alguns momentos ao advogado consultar esses bens “fantasmas”. – Vivienne ficava admirada a cada explicação que a outra dava, era como ter uma aula ou um tipo de palestra, sempre que a outra falava. Rica e cheia de conhecimento.

- A quanto tempo vocês lidam com esse processo? – acabou de comer e se levantava, além de perceber que a outra terminava, pediu para retirar seu prato para lavar, o que foi consentido por Bess que limpou sua boca em um guardanapo e retomava a falar:

- Esse caso já rola no nosso escritório há um tempo. Completará dezoito anos no geral, porém, estamos com ele a três anos. – Vivienne engasgou, “como assim dezoito anos no geral”, tudo isso, ela ficou incrédula e a outra explicou. – Haviam diversos advogados como pode imaginar, eram muitos herdeiros, porém o tempo foi passando e nada era resolvido, o processo não andava, aos poucos cada membro da família desistia de seus advogados e contratavam nossos serviços e perceberam que o processo de fato começou a andar e a ser resolvido. Até que recentemente a última filha, até agora, uma outra colega advogada disse que era parte interessada nesse processo, sendo filha do falecido. Nesse caso, estamos reunindo a assinatura de todos os dezessete irmãos que moram em locais distintos do país e fora dele para fazer o exame de DNA para seguir.  – Bess terminava seu café e Blues chegava para por um brinquedo nos pés dela. O que foi feito, a outra jogou a bolinha pela casa e a border começava a brincar.

- Minha nossa que situação! parece que não estamos livres depois de mortos. – Vivienne lavava a louça e sentiu o corpo da outra atrás de si para colocar a xicara na pia. Uma tensão a esse contato surgiu, ela começou a pensar que só podia está começando a ficar louca. O que isso significava?

- Deveria deixar isso que eu lavo. – Bess sussurrou, pegando a esponja das mãos dela e entrelaçando com seus dedos. A ruiva arrepiou com aquela aproximação, sentiu uma batida forte e rápida no peito. Não sabia, há razão de seu corpo reagir assim, havia anos que não apresentava nenhuma reação e por quê fazer algo justo agora e com a Bess? Ambas eram mulheres, embora acreditava que a preferencia da outra deveria ser exatamente como a da irmã, por mulheres. Mas ela, Vivienne tem sido hetero a vida toda. As duas únicas situações na sua vida foi aquela confissão da menina de escola e o selinho roubado de Izzy, na qual não foi correspondido por ela.

Ela não lembrava de ter ficado assim com a Izzy, mas Bess não fez nada com ela, apenas estava ali, próxima a ela e seu corpo estava reagindo como se ambas tivessem feito o maior ato do século e uma vergonha enorme como se fossem pegas. Ela reuniu todas as forças para falar:

- Eu já estou aqui, deixe-me terminar isso, - tentou disfarçar o arrepio do seu corpo e a voz um tanto tremula - é o mínimo que posso fazer por me deixar passar a noite aqui. – a ruiva roubou novamente a esponja da mão da outra e acabaram lavando aquela última xicara juntas, com o corpo de Bess atrás do seu.

O celular de Vivienne vibrou contendo uma mensagem, eram os pais dela, parece que haviam voltado de viagem e queriam saber onde ela estava nesse momento, pois estavam a caminho dali. Ela ficou surpresa, não sabia o que fazer, não estava tão pronta para ver seus pais e não podia mais evitá-los principalmente por não estarem mais fora do país.

- Meus pais acabam de me mandar mensagem – ela terminava de ler – querem saber onde eu estou e estão vindo me visitar. – colocou a mão na boca, surpresa.

- Bom, ainda é cedo, acha que a Malu do encontro de ontem ainda está na casa do Henrique? – Elizabeth cruzava os braços e se dirigia para a porta. – Vamos ver...

Vivienne a seguiu, foram até a porta do rapaz e Vivienne abriu a porta silenciosamente, as duas estavam na porta sem fazer muito barulho, a cozinha estava sem movimento, porém era possível ouvir do quarto ecos de gemidos. Bess estava atrás de Vivienne, segurava um pouco a sua cintura para em qualquer caso, tirá-la dali. O arrepiou voltava a reinar na ruiva. Os gemidos continuaram, o que fez as duas se entreolharem e recuarem, fechando a porta e trancando com a chave reserva que H² a deu. Rapidamente voltaram para o apartamento da Bess.

- Não posso sair com meus pais para outro lugar e muito menos ficar com eles na casa do Henrique, não sei o que fazer. – sentou no sofá da outra que parecia ter a solução mais óbvia para essa situação.

Bess, veio logo atrás e estava em pé perto do sofá e começou a falar:

- Fale com eles aqui, quanto a roupas, isso é facilmente resolvível. Peço para uma loja amiga entregar as peças para você, o trabalho é impecável, irei fazer algumas ligações e estará tudo resolvido em menos de dez minutos. – explicava para a outra.

- Não posso me aproveitar ainda mais da sua hospitalidade. – Vivienne desencostava as costas do sofá e olhava para Bess.

- Não está aproveitando ou abusando – Elizabeth retirou seu celular e começava a fazer os pedidos, apenas deu para a outra solicitar e explicar o tamanho, já havia feito a encomenda. – Pronto. Agora é só dizer para os seus pais virem para cá. Acha que a Kitty deveria vir? Talvez fique mais a vontade tendo sua irmã.

- Suspeito que mamãe e papai irão pegar a Kitty, eles só querem saber onde eu estou para fingir que não sabem e aparecerem mesmo assim. Logo mais você conhecerá os Lamartines e como eles são.

- Bom, precisamos ajeitar alguns aperitivos então. Irei fazer algumas ligações – explicou a outra tomando controle da situação.

Com pouco tempo uma entrega havia chegado, eram as roupas da ruiva que Elizabeth havia solicitado, ela por sua vez se trocou, estava com um macacão de folhas sem mangas, havia uma abertura nas costas em “V” e um decote também assim, era soltinho nas pernas. Nos pés calçava uma sandália baixa e brilhosa.

Quando Elizabeth a viu, a achou linda, perfeitamente deslumbrante, sabia que ficaria bem na outra, seus cabelos estavam soltos e não pode parar de admirar. Percebeu que demorava tempo demais a fitando, quando tentou desviar o olhar.

Blues estava brincando em um canto, uma border collie era sempre bem agitada, o que fez Bess tirar o recheável do congelador da Blues e colocar no chão para ela roer aquele chifre bovino para cães, o que a deixou focada por vários minutos até que alguém bate na porta. Blues levanta a cabeça e Bess pede para ela ficar, de fato ela faz e voltou a interagir com seu chifre bovino recheável.

Elizabeth abriu a porta e lá estavam duas cabeleiras ruivas e uma grisalha na sua porta. A primeira, em sequencia, pertencia a um homem alto, magro, cabelos volumosos e cheios, acinzentados, com sobrancelhas também de igual tom, barba bem feita e aparada estilo europeu, calça caqui soltinha, sapatenis e camisa social de botão branca, com as mangas longas na altura do pulso.

Ao lado, estava uma mulher bastante majestosa, cabelos ruivos, este puxado por um tom mais escuro que o cabelo de Kitty, estava com uma calça marfim e blusa de seda preta, sapatos do Christian Louboutin com solas pretas, um último design produzido por ele. Segurava uma bolsa no antebraço da Louis Vuitton e carregada de joias de ouro nos pulsos e pescoço, sorria grandemente tirando seus óculos escuros, dobrando-os na mão.

E por fim, a última pessoa, que Elizabeth já sabia seu nome, Kitty estava ali com uma calça jeans apertada, saltos pretos, uma blusa por baixo de sua jaqueta vermelha de couro. Falou apresentando o doutor Jonathan Marcos Araújo Lamartine seu pai e a doutora Camilla Vivian Lamartine, ambos eram médicos surpreendentemente conhecidos.

Jonathan participava ativamente do conselho de medicina como um dos membros do conselho, sendo grande e renomado cirurgião cardíaco, membro e titular da sociedade brasileira de cirurgia cardiovasculas. O doutor Jonathan atuava como responsável em cirugia neo pediátrica, adulto e casos de transplante do incor em Nova Amsterdam; fundou a clínica Cardio Cirúrgica Jonathan Lamartine, onde realizou nos anos de 1984 e 1996 o primeiro transplante de pulmão coração no Brasil. É membro do DECA (Departamento de Estimulação Cardíaca Aritificial) e membro do EACTS (European Association for Cardio – Thoracic Sugery).

 Enquanto Camilla era uma médica formada na universidade federal de Nova Amsterdam, fez doutorado em medicina pela Zentrum für Ethik in den Wissenschaften der Universität Tübingen na Alemanha, especializou-se em policlínica na Universitätsfrauenklinik mit Poliklinik Tübingen, também se especializou em medicina na Praxis für Allgemeinmedizin Wolf-Dieter Erdmann. A mãe de Vivienne dava algumas aulas quando solicitada, cursos de curta duração envolvendo o ato médico e normativo, além de escrever artigos jornalísticos para algumas colunas. Trabalhava também como preceptora de cursos de residência, atendendo no Hospital Central de Nova Amsterdam

Os dois médicos cumprimentaram Elizabeth esticando a mão. Ela segurou de bom grado e se apresentou como Elizabeth Victória Heinz III. Jonathan apertou sua mão e sorriu, já Camilla a olhou de baixo para cima, algo que deixou Elizabeth incomoda pela primeira vez. A doutora apertou sua mão e demorou um tempo fitando os olhos da moça.

- Filha da Cordelia? – ainda segurando a mão da jovem, Elizabeth uniu as sobrancelhas e assentiu que sim. Camilla sorriu fraco, parecia um pouco forçado aquele sorriso. – Você lembra ela quando era jovem.

- Conheceu minha mãe? – questionou ainda sem se soltarem, Jonathan e Kitty já estavam próximos de Vivienne, dando abraços e cumprimentando sua filha.

- Muitos anos atrás em uma época quando éramos solteiras e jovens – sorriu fraco e soltou a mão da moça, indo abraçar a filha. Elizabeth não sabia que a mãe tinha tais amizades antigas, poucas pessoas frequentavam a mansão Heinz, sempre marcavam algo fora, nada tão intimista. Bess fechou a porta e decidiu ir servir algumas coisas para as visitas.

Conseguia ouvir ao longe risos, falas sobre as viagens, o momento embriagado que Jonathan teve e a dança com pessoas estranhas, as filhas riram do pai que desconversou, disse que achava que era algo nativo de lá. Bess continuava a separar as tortas doces em cada prato e percebeu que Vivienne veio para ajuda-la. A mais nova para passar por aquele espaço atrás dela, acabou pegando na cintura da outra que soltou um suspiro percebido pela mais nova que disse:

- Está tudo bem? – Vivienne tocou em seu ombro a fitando – você está sentindo alguma coisa?

- Não, não foi nada, você veio pegar alguns desses? Eu já servi quatro fatias, só colocar naquele recipiente de cristal e levar para eles. – Bess apontou onde estava tudo.

- Ok. – Vivienne montou tudo, conseguiu equilibrar naquele recipiente os quatro pratos com talheres e foi servir para eles.

Enquanto isso, Bess fazia em sua cafeteira alguns estilos de capucchino para servi-los. Tirou de sua geladeira, água tonica, muitas pessoas gostavam de água com limão para limpar o gosto do café. Então assim ela fez, serviu em cada taça, água tônica com limão e ao lado de cada as xicaras de capucchinos. Conseguiu equilibrar em cada receptáculo contendo os copos e xicaras até a mesa. Servindo cada um com seu respectivo conteúdo.

- Obrigada, minha jovem. – disse Camilla. – Tudo maravilhoso.

- Então, Enne, você está hospedada com o Henrique e onde ele está? – indagou o pai se servindo de outra fatia de torta alemã.

- O Henrique acho que estava ajeitando coisas no seu apartamento e a Lizz se ofereceu para nos receber. – explicava a filha.

 - É uma satisfação para mim receber todos os Lamartines – sorriu Elizabeth sentando-se perto de Vivienne e logo em seguida lançando um sorriso carinhoso e afetivo para ela, o que foi observado rapidamente pela mãe de Vivienne que escondeu um micro sorriso. E depois analisado por Kitty que se apressou em tomar alguma daquelas bebidas.

Outra batida é escutada na porta, dessa vez ninguém fazia ideia de quem seria. Elizabeth foi ao caminho da porta e lá estava o moreno, Henrique, enfim, tinha aparecido, usava roupas beges, claras e folgadas. Abraçou Lizz e depois falou como os demais que estavam na sala. Mais uma fatia de torta fora servida, feito mais capucchino e água tônica, conversas foram jogadas fora. A viagem a negócios que o Henrique havia feito para fazer conexões com outras empresas, as loucuras que a família Lamartine aprontou fora do país, - parecia que o lado aventureiro e descontraído de Kitty era mesmo herança de família - risos e descontração até aquela pergunta que Vivienne tanto temeu foi proferida.

- Mas o que aconteceu com o Alexander, ele não está com você? – Jonathan não conseguia compreender.

- Papai, é algo mais delicado do que pensa – interveio Kitty.

- O que está acontecendo? – Camilla alternava entre Kitty e Vivienne. – Por qual razão o Alexander não está aqui?

- O Alexander e eu, em especial, eu, estou me decidindo por me separar dele. – Vivienne falou e logo em seguida, Elizabeth fez menção para deixar todos a sós e iria se dirigir para o escritório dela. – Tudo bem Lizz, fique, estamos na sua casa. – Vivienne segurou a mão dela, impedindo que deixasse aquele cômodo e a fez sentar de volta ao seu lado e tornou a falar:

- Minha situação com o Alexander não é simples ou fácil de ser exposta. Sei que todos aqui querem saber que fim levou ele e por qual motivo estou aqui. Eu escondi de vocês todos, durante muito tempo muitas coisas, particularmente, uma vida de seis anos. – Elizabeth por reflexo segurou a mão da outra em apoio, pois lembrava de algumas coisas e sabia o quanto era pesado para a outra falar disso, novamente os olhos de Kitty e de Camilla sua mãe, observaram aquele reflexo - Peço que sejam compreensivos com o que vou dizer, é claro que quando voltei para Nova Amsterdam sabia que cedo ou tarde teríamos essa conversa.

Vivienne falou pausadamente e com muita calma cada ano do seu relacionamento, os momentos bons que eles já sabiam, a mudança para Curitiba, as ameaças que a família começou a sofrer, as viagens feita para fora do país e a primeira gravidez ocultada por anos.

- Vocês tiveram uma filha? E-eu fui avó? – Camilla estava chocada, seus olhos encheram de lágrimas, nunca imaginou isso, levou a mão rapidamente a boca. Jonathan segurou a mão dela e disse para deixarmos a filha falar.

- Sim, vocês foram avós... – no celular de Vivienne, dado por Elizabeth já havia sido feito o backup de todos os seus documentos, inclusive as fotos com a filha. Ela entregou para que todos vissem a jovem Diana e sua evolução dos meses e anos até o fim de sua vida. – Alexander não deixava que eu visitasse vocês, sempre estávamos sob suspeita, sob ameaça de alguma organização criminosa. E de fato não duvido que seja verdade, pois seus familiares morreram também. Não era seguro estarmos todos juntos, por isso durante anos vocês não me viram pessoalmente. Quando pensamos que tudo havia se acalmado voltamos anos atrás para cá, junto da pequena Diana. – houve uma pausa e Elizabeth apenas segurou mais forte aquela mão pequena. Vivienne buscava forças para dizer que ali havia perdido sua filha, ali deixara de ser mãe. Ela segurou as lágrimas que se acumularam ao redor de seus olhos.

Ela contou o que havia acontecido e naquele momento sem forças, Elizabeth a auxiliou com aquela história, pois também estava envolvida devido ao acontecimento com o Joe. Todos prestaram atenção em ambas as mulheres e suas histórias complementares.

- Lembro de algo que saiu sobre isso no jornal, um velho amigo amantes de cães e competições falou sobre isso, ele havia sido morto tentando salvar uma garotinha que não tinha sido identificada – Jonathan falou observando as mulheres. – Não sabia que isso teria tanta relação conosco.

Vivienne tornou a falar e contou que depois dessa fatídica situação a relação com Alexander tornou-se um caos ainda maior. Principalmente após descobrir que a empresa da família Hoffman era fachada para o que eles verdadeiramente eram: comerciantes de armas. Contou que lendo alguns papéis no escritório e no computador acabou lendo sobre trocas de informações sigilosas com potencias internacionais e nacionais, misseis, bombas, armamento e artilharia pesada sendo solicitada por diversos países, principalmente Rússia.

A morte da sua filha não havia sido ao acaso, mas tudo fruto do trabalho dos Hoffmans e a sua empresa falsa. Todos envolvidos com eles eram considerados alvos e sua filha foi apenas o resultado disso.  Ao terminar de contar toda aquela história, Vivienne segurava suas lágrimas, sendo consolada por Elizabeth e Kitty que estavam mais ao seu lado. Henrique, Jonathan e Camilla ficaram petrificados com aquelas revelações, achavam que a mulher a frente deles tinha o casamento dos sonhos, invejado por qualquer pessoa, porém era tudo falsas aparências e ela passou pelo inferno na terra. Embora, Vivienne preferiu por não contar as lembranças dos abusos para seus pais, seria algo ainda mais chocante.

- Precisamos denunciá-lo, quero aquele canalha atrás das grades, falarei agora mesmo com alguns dos meus conhecidos. – Jonathan disse pegando o celular. Vivienne o impediu.

- Papai pare, não podemos simplesmente denunciar o Alexander, não percebe o que acabei de dizer? Ele tem influência, contatos, o senhor não entende. – Vivienne estava desesperada. – papai, eu estava sendo vigiada.

- Senhor, posso garantir que minha equipe e pessoal já estão investigando sobre ele. – Elizabeth falou de forma tão assertiva que Vivienne não sabia o que dizer. – Eu já assumi o caso da Enne e a abertura do divórcio, é claro que precisamos da assinatura do Alexander, porém, estou fazendo o rol de partilha de bens e a solicitação de pedido de pensão alimentícia para ela. Sua filha está sob os meus cuidados e não deixarei que ocorra algo. Como pode imaginar ou saber, minha família possuí também grande influência no Estado e o Heinz são conhecidos não só dentro como fora do país. Posso garantir que podemos combater fogo contra fogo. Além de garantir a proteção dela – a ruiva não imaginava que Elizabeth já havia tomado tanto a dianteira do seu caso. Ela não mentiu ou enganou a outra ao informar que assumiria seu caso.

Vivienne sabia que Elizabeth tinha uma família bastante influente e que conseguia governar algumas sistemáticas, ela falou um pouco sobre a história da família e de como eles poderiam ocultar, mudar leis e influenciar algumas coisas na sociedade, percebeu que quando ela falou “fogo contra fogo” dizia respeito ao grau de influencia que ambas as famílias, tanto os Hoffmans como os Heinz tinham. Nesse caso, uma luta de influencias e poder político, economico e estatal estava prestes a começar por causa dela e ela nem se dava conta.

- Lizz, Vih, também podem contar comigo e as empresas Hernandez para qualquer coisa! Vamos acabar com esse idiota do Alexander e fazer um happy hour por isto! – dizia o moreno com um ar leve, embora, tentasse esconder sua preocupação.

Eles conversaram mais sobre algumas estratégias que estavam desenvolvendo para obter mais informações sobre o jovem comerciante de armas, depois falaram do futuro de Vivienne, o novo emprego de assistente, até abordarem sobre Kitty e o ingresso na residência de medicina, que rapidamente desconversou e a conversa foi dando um tom mais leve com o cair da tarde. Aquela conversa havia tomado mais tempo do que todos podiam imaginar.

Jonathan e Camilla se despediram da filha apertadamente e amorosamente, depositando cada um, beijos em sua cabeça. Disseram que podiam contar com eles e não se preocupassem. Kitty também abraçou a irmã, informou que não poderia ficar ali hoje com ela, retornaria com seus pais. Henrique disse que ele estaria ali para tudo. Abraçou a pequena e informou que dali iria sair com a Malu, voltando provavelmente amanhã pela parte da tarde.



 

 

 

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