BELLUM
São José dos Campos, estado de São Paulo
Elza corria fardada, seguida por alguns praças usando farda também.
--Dez minutos, dez minutos! – a negra cantava enquanto corria – Dez minutos correndo no sol!
--Dez minutos, dez minutos! – os homens cantavam repetindo o que ouviam – Dez minutos correndo no sol!
--O que será que acontece ali? – Major Paz perguntou intrigado – Por que não estão vestindo o uniforme de TFM?
“Ai, ai, Elza...” – Tenente Luiza pensou revirando os olhos
***
--Aguardo que os senhores me entreguem os orçamentos dos projetos revisados até quinta impreterivelmente! – coronel Lima informava aos demais – Após estes últimos cortes de verbas temos que nos adequar e sem demora, sob pena de impactarmos os cronogramas bem mais que o esperado! – falava com seriedade – Alguma dúvida? – silêncio no auditório – Dispensados! – levantou-se
Os militares se levantaram, prestaram continência para o mais antigo que deixava o local e saíram após ele.
--Mais um corte! – Major Paz reclamava ao sair – Esse governo quer nos destruir, não é possível!
--Governo de um ex rebelde comunista que se finge entendedor de Economia! – Elza respondeu de imediato – Mas façamos nossa parte da melhor forma!
“Ela cisma com isso que Ferdinando Patrick é um comunista! Nunca nem foi!” – Luiza pensou – “Desisto de argumentar!”
Os três militares seguiam juntos pelo mesmo corredor.
--Elza, diga-me por curiosidade. – Paz olhou rapidamente para a subordinada – Por que você corria com os praças vestindo farda? Não entendi porque não usaram o uniforme do TFM.
--Eu marquei com eles para que chegassem no laboratório às 13h e aconteceu que dois dos homens se atrasaram por 10 minutos. – explicava enquanto caminhavam – Então, pra evitar novos atrasos, fomos todos correr sob o sol por 10 minutos pra que não se esqueçam de honrar seus compromissos como se deve.
“Não acredito nisso!” – Luiza pensou
--Mas você podia ter se poupado e usado o TFM. Eles que ficassem com suas fardas! – o major comentou
--Com todo respeito, major, se assim eu fizesse não seria uma líder como devo ser. – esclareceu – Eu dou o exemplo em todas as coisas e meus subordinados ficam sem argumentos de qualquer forma.
Balançou a cabeça. – Perfeito! – sorriu para a negra – Sou obrigado a concordar com você. – olhou para as duas mulheres – Fico por aqui. – parou diante de uma sala – Até logo. – prestou uma continência rápida
--Senhor. – as duas responderam em coro prestando continência
Enquanto seguiam seu caminho Luiza resolveu perguntar: -- Elza, perdoe, mas quem se atrasou com você?
--Sargentos Gonzalez e Resende. – respondeu de pronto – Mas agora duvido que o façam novamente. Inclusive porque os colegas que chegaram na hora também tiveram que correr no sol por causa deles. – seguia olhando em frente – Os demais farão pressão de agora em diante pra que eles sejam mais atenciosos com os horários.
--Você não acha que de repente pode ter sido muito dura nesse caso? – falava com jeito – Soube que sargento Gonzalez levou um tombo ontem e embora não tenha sido grave ele caminhava mancando um pouquinho. – seguiam lado a lado – E sargento Resende é muito amigo dele. Natural que busque ajudar. – explicava a situação – Eles devem ter se atrasado porque Gonzalez está andando mais devagar, tanto que percebi que corria com dificuldades junto com o grupo.
--Então saíssem mais cedo de onde estavam. – parou diante da sala que iria ocupar. Luiza parou também – Entenda que não estamos aqui pra ser mães de ninguém! – olhava para a colega – Hierarquia e disciplina devem ser respeitados sempre! Foi o excesso de permissividade que levou o Brasil a essa bagunça que é hoje. – falava como pensava – E se o partido de Luiz Horácio ganhar as eleições, tudo tende a piorar!
Balançou a cabeça contrariada. – Mas Elza, existem as regras, eu sei, porém nós temos sempre que avaliar caso a caso e...
--Segundo tenente Luiza Rosa, -- interrompeu a fala da outra – eu ainda sou mais antiga que a senhora! – falava com gentil firmeza – Está querendo questionar meus métodos e, acima disso, questionar o lema hierarquia e disciplina?
--Não senhora! – respondeu humildemente
--Foi o que pensei. – sorriu brevemente – Boa tarde e nos encontramos amanhã pra repassar o planejamento orçamentário dos projetos que coordeno. Às 8h em ponto! – firmou
--Sim senhora! – concordou
Cumprimentaram-se com uma continência rápida e cada uma seguiu seu rumo.
“Ela é uma profissional ótima, inteligentíssima, eficiente e dedicada, mas é tão dura!” – Luiza pensava enquanto caminhava – “Imagino como será conforme progredir na carreira!”
“Ela é uma profissional excelente, dedicada e muito gentil, pena que pense que veio trabalhar aqui pra ser assistente social!” – Elza sentou-se diante de seu computador – “Ela é intendente, tem que se preocupar com administração e contabilidade, não é pra ficar perdendo tempo com peninha de subordinados que não respeitam horário!” – ligou a máquina e voltou ao trabalho
***
--Alvíssaras, alvíssaras, oh, pomba negra que voa pelos ares trazendo no bico a mensagem da Esperança! Agradecei-vos aos Céus! – Machado recitava gesticulando – Finalmente, depois de um longo e taciturno desvio, eis que nosso tenente-coronel Goulart recupera a direção original, a rota de voo traçada pela mão do Destino, e aporta em solo joseense, para daqui não mais partir! Comemorai-vos, cidade bendita! – sorria – Só Deus Todo Poderoso e Maria Mãe Santíssima podem mensurar este sentimento nobre que me abunda e transborda em minh’alma! – gesticulava – É muita emoção neste peito varonil de sargento! – abriu os braços
Achou graça. – Obrigado, meu amigo! – abraçou o homem com força – Só mesmo você pra me receber com estas palavras!
Elza aguardava ansiosa o momento de abraçar o tio.
--Agora é você! – Goulart sorria para sua filha do coração – Quantas saudades, Elzinha! – abraçou-a com força – Quantas saudades!
--Pareceu uma eternidade! – fechou os olhos emocionada – Mas finalmente o senhor voltou!
Olhou para Elza com os olhos marejados ao romper o abraço. – Voltei e vamos servir juntos, como sempre sonhamos! – puxou Machado para um abraço coletivo – Nós três! – abraçaram-se com força
--Vamos embora? – Elza convidou ao se separarem – Vamos sair dessa rodoviária e ir pra casa! – sentia-se radiante
Começaram a andar. – Prestimoso tenente-coronel, vosso lar vos aguarda em festa! – Machado dizia enquanto marchava – Recebemos o caminhão da vossa mudança no sábado e deixamos tudo em posição de sentido! Vossas poltronas clamam: sentai-vos e descansai-vos ao final do dia sobre minhas fofuras brejeiras!
Goulart achou graça. – Obrigado! Depois dessa viagem longa, preciso muito de tais fofuras! – olhou para Elza – Fiquei muito feliz em saber que conseguiu tirar seu pai das fainas de rancho pra devolvê-lo da onde não deveria ter saído! – sorriu
--Meus superiores gostam do meu trabalho e eu também esperei o momento certo pra trazer o assunto. – pegou o chaveiro e desbloqueou o alarme do carro – Agora só falta nós trazermos nossa cabo Fernandão de volta!
“Elza está dirigindo!” – Goulart pensou impressionado – “Minha menina dirigindo!” – sorriu
--Contamos com vossa astúcia, prestimoso! – Machado pediu ao parar diante do carro em posição de sentido – Minha tenente rebentinho roga por vosso apoio de modo a termos a garbosa cabo de volta ao seio do nosso lar!
--Pai, pelo amor de Deus, para com isso de me chamar de tenente rebentinho? – Elza pediu contrariada ao abrir a mala do carro
“Imagino esses dois servindo juntos!” – Goulart pensou divertido antes de colocar as bagagens no porta malas com a ajuda de Machado -- Podem deixar essa parte comigo! – garantiu – O comandante atual do Instituto é meu colega de turma. A garbosa volta pra nós, estejam certos! – Goulart falava com convicção
***
Elza e Goulart conversavam na sala da casa do homem, enquanto Machado anunciava aos vizinhos que o tenente-coronel retornava ao lar.
--Militares da vila joseense, preparai-vos! – Machado clamava em voz alta -- Mostrai vosso respeito e postai-vos em continência, um! – prestou continência – O prestimoso tenente-coronel Goulart retorna à caserna paulista!
--Ai, ai... – Elza revirou os olhos ao ver o pai através da janela – Por quanto tempo ele vai ficar clamando aí fora? – sentou-se no sofá
--Deixe ele. – fez um gesto despreocupado – É a forma que ele tem de comemorar e extravasar sua felicidade. – sorria – Eu me sinto honrado! – sentou-se também
--Ao longo dos anos tenho tentado me acostumar com essas doideiras do meu pai, mas às vezes não dá! – cruzou as pernas – Por exemplo, quando fui transferida pro Instituto e deixamos a casa que a gente morava pra ocupar uma casa de oficial desse lado da vila, meu pai marchou usando o uniforme de desfile militar por uma semana diante da nossa porta! – gesticulou -- Só parou porque dei uma voz de comando exigindo um toque de recolher! – contava – Quando consegui tirar ele da faina do rancho, ele só faltou anunciar no jornal! Arrumou até uma boca de ferro pra ficar falando aqui na porta, mas eu assimilei, sabe? – olhava para o tio – Mas essa história de tenente rebentinho eu não aguento! – revirou os olhos
--Ele te chama assim no Instituto? – perguntou curioso
--Desconfio que sim, mas como a gente não tem interface lá dentro, não sei. – passou a mão no cabelo – E sinceramente eu tenho medo de saber!
Achou graça. – Pode deixar que vou dar meu jeito de fazer com que isso não vingue no Instituto. – assegurou -- Tenente rebentinho... – sorriu – Da mesma forma, não vá me chamar de tio quando estivermos no trabalho. – advertiu educadamente
--Com certeza não vou, tenente-coronel Goulart! – concordou bem humorada -- Mas, me fala... – queria saber – Como conseguiu voltar? Depois de tantos anos de insistência, por que deu certo dessa vez?
--O governo atual já percebeu que não vai ganhar as eleições. – Goulart começou a falar – Eles trocaram o Comando mais de uma vez, fizeram várias articulações tentando ganhar forças, mas perceberam que não vai funcionar. – esclarecia – Luiz Horácio provavelmente vencerá Casé Terra no primeiro turno e a tendência é que no segundo aconteça igual. – olhava para a negra – Então os que estão no Comando hoje não sofrem pressão de ninguém pra manter perseguições antigas.
--Entendi. – balançava a cabeça – Nessas circunstâncias, tomara que realmente dê certo trazer a cabo Fernandão de volta! – considerou – Ela não vê a hora!
--Vai dar, esteja certa! – garantiu – Vai dar!
--Tenente-coronel Goulart, é prestimoso, sargento Machado, é homem valoroso, -- cantava do lado de fora – falta a cabo Fernandão, é garbosa, como não? – marchava – Tenente Elza, rebentinho, vem marcando seu passinho...
--Ai, pai, não acredito! – Elza levantou-se revoltada e abriu a porta – Sargento Machado, sentido! – deu voz comando – Direita, volver! Ao meu comando, marche! – ordenou
O sargento marchava empinado em direção à casa de Goulart.
Goiânia, estado de Goiás
--Se o amor se vai, -- Kedima cantava enquanto fazia comida – que vazio imenso, fica em nossa vida quanta solidão... – observava as panelas -- Se o amor se vai, vão-se as alegrias e sem fantasias sofre o coração...
Yara encostou-se no portal da cozinha e cruzou os braços apreciando.
--Quando já não estás, sob a luz da lua, as pequenas ruas já não são iguais... – tampou as panelas que estavam destampadas -- Se o amor se vai, se o amor se vai... – cantava
Roberto Carlos – Se o Amor Se Vai [1]
--Eita, que ela é fã do homem! – a indígena brincou
--Oi, menina! – olhou sorridente para a outra – Eu gosto desse cantor, não nego. – pegou o bate mão para secar as mãos – Aí vou lembrando das músicas, vou cantando e me distraindo aqui.
--Tô vendo! – aproximou-se da idosa – E a senhora sabia que ele vai fazer um show em Brasília? – colocou as mãos para trás – Lá no Estádio Mané Garrincha! – anunciou – Vai ser de quinta a domingo da semana que vem.
--Eu sei, vi na TV. – puxou uma cadeira para se sentar – Mas o que eu posso fazer? Só sonhar, né? Quando é fé, um dia eu vou...
--Às vezes é fé e os sonhos se transformam em realidade! – colocou um envelopinho em cima da mesa
--O que é isso? – Kedima pegou o envelope desconfiada – Carta de quem? – abriu – Oh, meu Deus, valei-me Nossa Senhora! – levantou-se de um pulo – É um ingresso pro show!! – sorriu empolgada – Um ingresso pro show!!
--Que a senhora vai assistir muito bonitinha na quinta-feira, logo na abertura! – Yara dizia animada – Já tá tudo certo: a Paróquia Universitária organizou uma excursão pra levar as pessoas pra assistir o show e voltar pra cá. – explicava – Seu assento no ônibus tá reservado!
--Ai, meu Deus! – cobriu os lábios com as mãos – Eu num show desses?? – não acreditava
--Pois é, tá vendo? – respondeu brincalhona – A senhora vai chegar lá esbanjando glória com aleluia!
--Own, meu bebê! – abraçou-a com força – Adorei esse presente! – sentia-se feliz – E por que você não vai junto? – queria saber – Porque não gosta do cantor?
A indígena não desejava que Kedima soubesse que ela não teve dinheiro para comprar mais de um ingresso. – É que nesse dia teremos uma Assembleia muito importante no Comuna e não posso perder. É uma Nacional bem decisiva! – justificou-se – Mas fique tranquila que o pessoal da Paróquia é gente boa e o abrigo vai ficar aos cuidados de Marcio. Quando eu voltar da sede, fico aqui fazendo seu papel. – deu um beijo na testa da idosa – Pode ir, curtir seu show tranquila e voltar despreocupada que tudo vai dar certo, se Deus quiser!
--Ah, minha menina! – olhava para Yara embevecida – Que Deus te abençoe sempre!
***
--Como é do conhecimento de todos, o núcleo de São Paulo do nosso Comuna propõe que o Partido apoie a candidatura do camarada Luiz Horácio de forma irrestrita neste segundo turno e trabalhe pelo fortalecimento da esquerda no nosso país! – Renata discursava diante dos presentes – Esse Colegiado é decisivo pra firmar de vez nossa posição neste momento! – gesticulava – Está dado, companheiros! O camarada Luiz Horácio será o novo presidente do Brasil e não podemos perder o bonde da História! – gesticulava – Se não fizermos uma composição agora com a chapa do camarada, não teremos espaço no momento da transição e tampouco depois! – buscava convencer os demais -- Não podemos deixar passar a oportunidade de implantar um governo do e para o proletariado! -- encerrou sua falação deixando o microfone na mesa ao se sentar
--Lembro aos camaradas do núcleo de São Paulo, bem como a todos os demais, que o Comuna já havia discutido esse tema e nos decidimos pelo apoio crítico, somente para derrotar Casé Terra, que representa uma opção pior, mas sem o desejo de fazer qualquer tipo de composição partidária! – Yara retomava a palavra – Luiz Horácio e seu partido NÃO representam os ideais que o Comuna segue e há várias razões pra que eu lhes diga isso! – olhava para os demais – Primeiro porque uma chapa que tem como vice um empresário e que desde já mostra seu interesse em conciliar com vários segmentos que combatemos, como o agronegócio, não é uma chapa de esquerda real! Não é uma chapa classista! – argumentava – Segundo que devemos nos lembrar da postura do partido em questão na greve histórica de 1995! – gesticulava – O que fez a Central Plúrima dos Trabalhadores no momento mais decisivo da greve e qual partido controla essa Central mesmo? – provocou – Por fim, sejamos realistas: as eleições são burguesas, os partidos são financiados por empresas, latifundiários e vários expoentes do Capitalismo opressor! Acreditar que um governo do e para o proletariado se estabeleça através das urnas é cuspir sobre todo o estudo marxista que fizemos até então! E mais que tudo, uma ilusão demagógica e falaciosa muito grande!
--Apoiada! – muitos gritaram
“Puta que pariu, Yara não vai botar areia na minha proposta de novo!” – Renata pensava enfurecida – “Dessa vez eu costurei muito bem e tô levando fé!” – cruzou os braços nervosamente
--Dito isso, vamos abrir para votação. – olhou para Omar – Camarada, por favor, registre. – voltou a olhar para os demais – Aqueles que estão de acordo com a proposta da camarada Renata, por favor, levantem a mão. – a indígena observou as reações e ficou pasma – “Não acredito!” – pensou decepcionada
--Eu não acredito! – Celeste olhava para todos os lados em estado de choque – Vocês ouviram o que a presidente perguntou, camaradas? – levantou-se – Vocês ouviram? – um burburinho se formou no salão mas ninguém respondeu – Meu Deus! – sentou-se consternada – Não é o Comuna que eu conheço...
Os indígenas Maria e João contavam quantas pessoas haviam erguido a mão para, ao final, informar a Omar.
--Aqueles que discordam, levantem as mãos. – Yara continuou a falar e levantou a mão
“Porr*, tá muito equilibrado!” – Renata pensava angustiada – “Puta que pariu!”
Maria e João novamente contaram os votantes.
Yara abaixou a mão. – Abstenções? – reparava no grupo
--Resultado da votação: -- Omar falou em voz alta – 119 votos a favor, 114 votos contra e 1 abstenção! – chocou-se com o resultado – “Não acredito que essa proposta passou!” – pensou
--Ah! – Renata comemorou dando um soco no ar
--Eu não tô acreditando! – Maria comentou com o namorado – João, o que diabos aconteceu aqui?!
--Também não entendi! – respondeu boquiaberto – Que pena que camarada Jurema não pôde vir! – balançou a cabeça – Mas também, perderíamos mesmo com o voto dela... -- lamentou
--Isso posto, -- Renata se levantou vitoriosa com o microfone na mão – como presidente do Partido creio que nossa camarada Yara deva declarar nosso apoio oficial e irrestrito à chapa do camarada Luiz Horácio! – olhava para a indígena – Nossa estrutura de imprensa tá pronta pra ajudar em tudo que precisar! – ofereceu
Yara abaixou a cabeça, respirou fundo e ergueu o olhar para contemplar todos os presentes. – Quando eu ingressei no Comuna, o objetivo principal aqui não era a busca de uma oportunidade de chegar ao poder através da composição com partidos que se desviaram do Comunismo há muito tempo! – desabafou
--Ora, camarada, por favor! – um dos presentes se levantou de cara feia – Pela primeira vez na História o nordeste vai ter a chance de deixar de ser palco pra indústria da seca! – argumentou – O Comuna de Pernambuco apoia camarada Luiz Horácio! – afirmou convicto
--A gente nunca vai se eleger do jeito como vem fazendo ao longo dos anos! – outro homem presente se levantou também – O Comuna da Bahia apoia o camarada Luiz Horácio!
Várias pessoas começaram a falar ao mesmo tempo até que Yara se manifestou novamente. – Senhoras, senhores, sem tumulto aqui dentro, à ordem! – pediu com energia – Eu não vou insistir em apelar pro entendimento dos ideais do Comuna porque vejo que não há espaço pra isso e também nunca contestei os resultados de nossas assembleias! – olhava para os demais – Porém não aceito o que se decidiu aqui! –sentia o peito doer – Renuncio à minha posição de presidente do Partido e formalizarei a decisão emitindo uma nota de repúdio! – informou
--O que? – Renata se surpreendeu – “Que maravilha!” – comemorava por dentro
Uma confusão se formava entre os presentes.
--Não, Yara, não faz isso! – Natália sussurrava aflita
--Questão de ordem! – Celeste anunciou ao se levantar – Proponho a convocação de uma Assembleia Extraordinária urgente pra decidir os rumos e diretrizes do Partido! – olhava para todos – Sou de opinião que sigamos para uma ruptura, pois não há conciliação entre os dois grupos antagônicos que observo aqui hoje!
--Apoiada, companheira! – Omar concordou
Maria, João e vários presentes expressaram seu apoio. Natália sentia-se perdida. Várias pessoas tumultuavam o ambiente falando ao mesmo tempo.
--Assembleia Extraordinária marcada para daqui a uma semana! -- Yara anunciou ao microfone – Camarada Omar fará a convocação formal e prepararei os pontos de pauta, incluindo a votação pra escolha de outra pessoa para a presidência do Partido. – olhava para os demais – Será a última Assembleia presidida por mim!
--Aproveito o ensejo para lançar a minha candidatura! – Renata se manifestou mais uma vez – Tenho perfeito entrosamento com os porta vozes da chapa do Luiz Horácio e já demonstrei aos camaradas aqui presentes minhas habilidades de articulação! – fazia propaganda de si mesma – Não adianta apenas militarmos pra mobilizar o povo nas ruas, também é necessário saber dialogar e negociar!
--Como se um dia ela tivesse feito alguma militância de fato! – Celeste resmungou – Confunde negociata e politicagem com negociação!
--O objetivo dessa Assembleia não é a auto exaltação! – Yara rebateu a loura – Então, por favor, comporte-se como se deve! – advertiu de cara feia – Declaro encerrada às 22 horas e 20 minutos a Assembleia Nacional do Partido Comuna ocorrida em 10 de outubro de 2002! – desligou o microfone e juntou seus pertences em meio a muito burburinho. Não conseguia ouvir coisa alguma. Sentia imensa dor e tristeza, mas controlava-se para não chorar diante de todos
Quando se preparava para partir, sentiu que alguém a segurou pelo braço. – Eu te perguntei há dois anos atrás se você tava preparada pra comprar uma treta comigo! Lembra disso? – Renata perguntou olhando nos olhos – Eu te disse que sabia negociar e que contigo tudo era na base da porr*da! – rememorava – Você me atrapalhou em muita coisa nesse tempo que passou, mas um dia a casa cai e a real é que investir só na porr*daria não é o suficiente pra ganhar uma luta! – sorriu sarcástica – E foi por isso que eu ganhei!
--O que você chama de porr*daria eu chamo de trabalho e militância honestos! – desvencilhou-se da outra – Eu lamento muito que tenhamos perdido dessa forma, só que não te invejo! Não queria ser uma “vencedora” – fez aspas com os dedos – como você, Renata! – desprezava a rival política – Você é exatamente igual a tudo aquilo que criticamos o tempo inteiro no Comuna! -- afastou-se andando rapidamente
Renata observou que a indígena saía do auditório seguida por vários. “Não me importa que o Comuna rompa!” – pensava – “Agora o próximo passo é batalhar a presidência do Partido e me preparar pra vir morar aqui!” – sorriu mais uma vez – “Depois eu batalho a transferência do QG pra São Paulo e volto pra casa!” – fazia planos
***
--Gente, a coisa saiu do controle hoje na Assembleia! – Natália falava preocupada – Yara não podia ter renunciado à presidência! – reclamava – Renata vai ganhar e é aí que tudo vai ficar uma merd*! – gesticulava nervosamente
--Ela não teve escolha, camarada! – Celeste concordava com a indígena – No lugar dela teria feito a mesma coisa!
--Mas e agora, como ficamos? – João perguntou agitado – O Comuna vai rachar e a gente vai pra onde? Fazer um partido novo?
--Vamos ver se na próxima Assembleia a gente consegue fazer alguns mudarem de posição! – Omar dizia – O placar da nossa derrota foi bem apertado!
Alguns dissidentes do Comuna conversavam em um barzinho perto da sede. Yara não prestava atenção ao que diziam. Sentia-se decepcionada e triste.
--Camaradas, dona Kedima vai chegar do show em mais ou menos meia hora. – levantou-se da mesa e deixou sua parte da conta sobre ela – Vou indo pro abrigo. – olhou para os demais – Preciso muito conversar com minha velhinha sobre tudo isso.
--Quer que a gente vá junto, camarada? – Mathias ofereceu – Tá muito tarde pra uma mulher ficar andando sozinha por aí. Tem que ter cuidado com ladrão e tarado!
--Não vai acontecer nada, fiquem tranquilos. – pegou o crucifixo do cordão e o beijou – Deus me protege, minha mãe e mais uma tribo inteira. – deu tchauzinho rapidamente – Até mais! – saiu andando rapidamente
--Ela ficou arrasada... – Natália comentou com Celeste
--E quem não? – a mulher respondeu chateada – Foi como se alguém tivesse morrido... -- lamentou
Caminhando rapidamente, Yara lembrava de uma conversa que ela e Kedima tiveram no passado.
“--Tudo seu é muito extremo, muito visceral. – observou – A dedicação ao Comuna, por exemplo! Acho um tanto demais da conta!
--Ah, é que eu gosto... – bebeu um gole de chá – Mas busco conciliar tudo que me interessa na vida... dentro do meu tempo. – defendia-se
--E nisso tá certa, mas cuidado com os extremos! – advertiu – Toda instituição é composta por pessoas falíveis e o Comuna tem gente boa e ruim. Não se apegue demais, não endeuse o Partido demais, pra não se decepcionar quando algo chato acontecer. – aconselhou – E um dia vai acontecer, faz parte da vida!
--O Comuna não é como os outros partidos, dona Kedima! – defendeu a instituição – Ele é diferente, não faz coalizões, não aceita doações de gente rica, não aceita ficar nas mãos de ninguém! – falava com orgulho”
“Ela tava certa...” – Yara pensava com lágrimas nos olhos – “Eu acreditei demais...” – controlava-se para não chorar
***
Yara entrava no abrigo e se surpreendeu ao ver que a sala estava cheia. – Que foi, pessoal? – reparou que o clima era tenso – Aconteceu alguma coisa? – não entendia – Dona Kedima já chegou, cadê ela? – olhava para todos os lados
--Então... – Ítala pensava em como falar – Ela não volta hoje não... – olhava para a indígena com receio
--Como assim não volta hoje? – sentiu o coração acelerar – Será que alguém pode me dizer o que tá acontecendo aqui? – perguntou nervosamente
--É melhor ser direto, pessoal! – Marcio tomou a dianteira e decidiu falar – Yara, há coisa de uns 40 minutos o Corpo de Bombeiros ligou. – a indígena sentiu o sangue gelar – Parece que na altura da descida pra BR-450 um caminhão desgovernado pegou em cheio o ônibus que trazia o pessoal do show... – tentava não se emocionar – Dona Kedima tá internada em estado grave...
--O que??? – perguntou em choque -- Não acredito! – andava em círculos – Eu cuidei de tudo com tanto gosto pra ela ver o show e... -- um turbilhão de emoções apertava o coração da indígena. “Deus, Pai Amado, Virgem Santíssima, não me deixem perder minha velhinha, eu vos suplico!” – implorava em pensamento--- Em que hospital ela tá internada? --- perguntou nervosamente para o colega – Fala, Marcio!
--No Hospital de Emergência 24h de Brasília. – respondeu de pronto – Quando você chegou a gente tava aqui discutindo como é que vai ser pra acompanhar ela em outra cidade. – estava preocupado
--Eu não sei como é que vai ser! – olhava para os demais -- Só sei que se ela tá em Brasília, é pra lá que eu vou agora! – saiu rapidamente de casa
--Yara, espera! – os colegas gritaram sem sucesso
Brasília, Distrito Federal
Yara caminhava pelas ruas a ermo. Kedima estava internada no CTI e os médicos já haviam informado que seria muito difícil que ela sobrevivesse ao que vinha passando. Olhando sem ver as ruas diante de si, a indígena perdia-se em algumas lembranças e lágrimas.
“--Ô, meu monte Sinai, mas é tudo tão caro... – Yara lia os preços dos ingressos – Eu não vou ter condição de comprar dois! – falava consigo mesma – “Não sou chegada a esse cantor, mas seria massa fazer companhia à dona Kedima num programa que ela iria adorar!” -- pensou
--Yara? – padre Juvenal reconheceu a indígena – Há quanto tempo! Lembra de mim? – sorriu para a mulher ao se aproximar
--Claro que lembro, tudo bem? – cumprimentou educada – O senhor estava com o pessoal da Comissão dos Religiosos Católicos que recebeu padre Camilo e eu no aeroporto quando voltamos da Holanda! – reconheceu igualmente – Veio comprar ingressos pro show também? – perguntou curiosa
--Sim. – parou diante dela -- O pessoal da Paróquia Universitária tá organizando uma excursão pra levar alguns fieis pra ver o show na quinta, que é a abertura. – explicava – Vim com a missão de comprar trinta e nove ingressos! – falava animado – E claro, um deles é meu!
--Quinta! – olhou novamente a tabela de preços – Se eu comprar um ingresso pra esse mesmo dia vocês deixam minha velhinha ir junto com o grupo? – pediu – Eu não poderei ir junto, mas fico segura em saber que ela estará com o pessoal da igreja!
--Ora, mas será um prazer recebê-la! – respondeu de pronto – Ela será a integrante que faltava pra completar nossa excursão!”
“Eu não poderia imaginar que ia acontecer um acidente!” – dizia para si mesma – “Não foi minha culpa, eu não matei dona Kedima...” – chorava dolorosamente buscando se convencer
Outras lembranças irromperam inesperadamente.
“--Tamos precisando fazer compras urgentemente pra essa Casa! – Alice dizia enquanto verificava as dispensas e armários na cozinha – Irmã Justina sempre se perde na hora de verificar como estamos de mantimentos! Acabou o arroz e o feijão!
“E fazer compras é sempre tão cansativo...” – Yara pensou chateada – Posso não ir dessa vez, mãe? – pediu – Eu queria mais tempo pra estudar pruma prova...
--Tudo bem, querida, você sempre vai. Não tem problema que dessa vez não possa ir. – fez um gesto despreocupado – Chamo irmã Yeda pra me fazer companhia! – decidiu”
“E ela acabou indo fazer as compras sozinha e foi atropelada por um caminhão!” – Yara pensava – “Se eu não tivesse tido preguiça, ela poderia não ter morrido...” – chorava com mais intensidade – “Mamãe poderia estar viva agora e tudo teria sido muito diferente...” – sentia-se culpada
“--Todo mundo bem aí? – Celeste perguntou ao se aproximar do grupo que voltava a se ajuntar – A polícia chegou rachando pra cima da gente, né? – comentou impressionada -- Que inferno!
--Camarada Paulo! – Jurema olhava para todos os lados – Alguém viu ele? – perguntou preocupada
--Ele pulou o muro de uma casa abandonada perto do bar. – Yara informou – Fui lá procurar por ele mas já tinha ido simbora. – passou a mão nos cabelos – Esperto como ele é, a essa altura já deve tá lá na Casa! – referia-se ao alojamento
--Vamos embora, pessoal! – Matias chamou batendo palmas – Amanhã temos que acordar cedo e não quero nem sonhar em perder a reunião com o pessoal do gabinete do ministro da Agricultura!
--Você não acha que a gente deveria procurar pelo camarada Paulo? – Jurema perguntou preocupada – Vai que ele se perdeu?
Achou graça. – Se é alguém que conhece essa cidade, esse é camarada Paulo! – Yara respondeu tranquilamente – Fique calma que com certeza ele tá bem!”
“E eu nem tava animada praquela comemoração!” – Yara pensava – “Depois acabei acreditando que era por causa daquele furdúncio com a polícia...” – não parava de chorar – “Se eu tivesse dado ouvidos a Jurema, poderíamos ter procurado por camarada Paulo e ele não teria sido assassinado como foi...” – sentia-se muito mal – “Eu só faço merd*, não tem outra palavra! É por isso que me dei tão mal no passado, porque eu só faço merd*!” – parou de andar ao chegar em um ponto de ônibus
***
--E esse jantar de hoje, hein? – suboficial Tatiana perguntava animada – Teremos que usar farda ou podemos ir à paisano? – queria saber – Com esse calor eu não queria ter que usar o passeio completo, mas se for o caso encaro!
--Passeio completo, será? – suboficial Elane perguntou descrente – É isso mesmo, tenente Elza?
--Fiquem tranquilas, nós podemos ir à paisano. – a negra respondeu enquanto dirigia – A única observação é que o traje é esporte fino.
--Ainda bem que você me disse pra vir prevenida! – tenente Luiza olhou para a outra – Do contrário, ia passar vergonha ou então ter que ser a figura fardada no meio da multidão!
Elza achou graça. – Sempre que viajarmos à serviço, é importante separar roupas pra esses eventos formais. – aconselhou – O máximo que pode acontecer é a roupa não sair da mala, mas é melhor tá sempre de prontidão do que ser pega de surpresa!
--E... como faremos? A gente se encontra lá no restaurante, tenente Elza pega a gente no hotel...? – Tatiana tentava cavar uma carona
--Ah, que coisa triste... – Luiza observou assim que Elza parou no sinal fechado – Uma indígena mendigando no ponto de ônibus! – olhava para a mulher – Fico tão triste com as maldades que fazem com nossos índios... -- lamentou
Elza olhou na mesma direção e chocou com o que viu. “Yara??” – o coração disparou – Meu Deus! – exclamou surpreendida – “Mas o que será que aconteceu pra ela tá ali daquele jeito?” – pensou condoída
--É... tenente, o sinal abriu. – Elane avisou gentilmente
--Foi nessa cidade e num ponto de ônibus que queimaram um indígena vivo! – Elza manobrou o carro e buscou parar próxima ao meio fio – Nunca esqueci disso.
--Vamos parar? – Luiza não entendeu – Elza, o que...?
--Você trouxe a carta, não trouxe, Luiza? – olhou para a outra tenente ao parar o carro
--Trouxe, tá aqui na bolsa, por que? – não entendia
--Então passa pro meu lugar, leva o carro e vocês vão juntas pro jantar. – decidiu – Digam aos demais que fiquei indisposta e não pude ir! – abriu a porta para sair
--Ela tá falando sério? – Tatiana não entendia o que se passava
--Elza! – Luiza abriu a porta do carona e saiu do carro também – O que tá acontecendo, pra onde você vai? – aproximou-se da outra
--Eu vou ajudar aquela mulher! – apontou para a indígena – Quero fazer por ela o que nunca poderia fazer pelo indígena que mataram. – dizia parte da verdade – Agora entra no carro e vai embora com as subs, Luiza! Por favor! – pediu
--Ah... – ficou surpresa – Mas... você tá com dinheiro, vai ter condições de ir pro hotel e...? – preocupava-se com a colega de trabalho
--Não se preocupe comigo! – pediu ao se afastar caminhando – E bom jantar! – acenou brevemente e seguiu para o ponto de ônibus
Luiza suspirou e voltou para o carro assumindo o lugar da motorista. – Tati, Elane, uma das duas passa aqui pro lugar do carona, por favor? – pediu antes de partir
--Eu vou! – Elane abriu a porta de trás e trocou de lugar rapidamente – Pode ir! – falou ao fechar a porta do carona
--O que aconteceu afinal? – Tatiana perguntou quando Luiza começou a dirigir – O que deu nela que desistiu do jantar só porque viu aquela índia mendiga no ponto de ônibus?
--Ela foi ajudar aquela mulher. – Luiza repetia o que ouviu – Não sei o contexto, mas a história daquele indígena que queimaram no ponto de ônibus aqui em Brasília há uns cinco anos atrás mexeu muito com ela... – pausou brevemente – É o que sempre digo pra vocês: tenente Elza é uma pessoa ótima, ela apenas é rigorosa e preza muito pela hierarquia e disciplina! – prestava atenção no trânsito
--Eu não acho ela ruim! – Elane respondeu de pronto – Só acho rosca fina demais. – ajeitou o cinto de segurança – Mas, pelo menos ela age como líder! Nesse caso aqui dessa missão, por exemplo, o hotel de trânsito só tinha três vagas, então ela se prontificou a ficar num hotel separado. – considerou – Se fosse outra oficial, tinha deixado Tati ou eu pra se virar por aí!
--É verdade! – Luiza considerou – E ela alugou esse carro e deixou ele na minha mão sem apego nenhum!
--É... – Tatiana balançava a cabeça – “O que me interessa é que terei carona garantida pra ir pro jantar!” – pensava – “O resto que se dane!” -- sorriu
Elza aproximou-se da indígena e observou que dormia. Abaixou-se ao lado dela e chamou gentilmente: -- Yara? Acorde, por favor?
“O que?” – reconheceu a voz e abriu os olhos – Hã? – levou um susto ao ver a negra fardada e abaixada a seu lado – O que? – olhava para todos os lados
--Calma! – pediu com carinho – Sou eu, Elza, lembra? – tocou o rosto da outra – O que aconteceu? O que faz aqui?
Levantou-se rapidamente. – Dormi aqui. – olhou para o relógio – Foi isso... – não encarava a outra mulher
A militar se levantou também e gastou uns segundos observando a indígena. Percebeu que ela havia chorado. – Uma vez você me salvou e me pediu confiança. – falava mansamente – Eu confiei! Fui com você pra onde quis me levar. – aproximou-se da outra – Agora sou eu que te peço: confia em mim e vem comigo?
Yara olhou para a negra sem nada responder. Pouco mais de dois anos haviam se passado desde a última vez que se viram e agora, em um momento duro de sua vida, eis que Elza reaparece inesperadamente. Vê-la fardada, no entanto, era muito desconfortável.
--Então é isso? – olhou para si mesma – Minha farda te incomoda? – deduziu com certa decepção – Não consegue confiar em mim apenas por causa dela?
Sentiu-se mal ao ouvir aquilo. Sabia que estava sendo preconceituosa como Elza fora no passado. – Eu... – respirou fundo – Eu confio!
Enquanto isso, em outra parte da cidade.
--Depois dessa reunião de hoje com o partidão tô achando que rola da gente conseguir algum carguinho na equipe de transição! – Romero falava empolgado – Trabalhar em algum GT, coisa do tipo! – olhava para a mulher – O que você achou? Será que a gente se dá bem nessa? – sorria
--Porr*, camarada, sejamos humildes! – Renata respondeu enquanto bebia um café – Mesmo que seja uma atividade não remunerada, o importante é tá dentro, aparecer na vitrine! – sorriu – Tem que pensar a longo prazo! – bebeu mais um gole – Sempre!
--Tá certa... – finalizou seu café e olhou rapidamente para o relógio – Vamos descer pra Goiânia? – convidou – É bom a gente chegar logo lá e aproveitar o tempo pra se articular com os camaradas! – aconselhou – Temos que garantir sua eleição pra presidente do Comuna na Extraordinária de amanhã!
--Fique tranquilo que já dou minha vitória como certa! – finalizou seu café também – Soube que camarada Yara passa por sérios problemas particulares e talvez nem apareça amanhã. – debruçou-se sobre a mesa – Do grupo dela, ninguém vai se candidatar pra presidência se bem conheço aqueles merd*s, e no meio dos outros, ninguém tem força pra concorrer comigo! – sorria – Tá no papo, tá ligado?
***
--Agora já ficou mais molinha. – Elza comentou enquanto massageava as costas da indígena – Não tá mais dura como pedra do jeito que tava quando comecei. – saiu de cima da outra e se sentou na cama – Prontinho! – sorriu – Como se sente?
Sentou-se devagar mexendo o pescoço e a cabeça. – Sem dúvida, bem melhor! – mexeu os ombros – Como aprendeu a massagear bem assim? – perguntou ao olhar para a outra
--Aprendi com uma pessoa que estudou três anos de massoterapia pra impressionar a rapaziada. – pensava em Patrícia – Foi um conhecimento muito útil! – brincou
--Imagino que sim! – ajeitou-se para se sentar melhor na cama – Obrigada! – agradeceu de coração – Por isso, por faltar a um evento do seu trabalho, por me trazer pro seu hotel e... pela camisola emprestada! – sorriu e abaixou a cabeça
“Ela é tímida?!” – surpreendeu-se -- Não tem porque me agradecer! – colocou um travesseiro para apoiar as costas – Além do mais você precisava tomar um bom banho, lavar o cabelo e tirar aquela blusinha vermelha com foice e martelo estampados na frente! – brincou – “Tá bem melhor usando minha camisola, que ficou gostosamente justa!” -- pensava
--Também te prefiro de camisola do que de farda! Aquele trem abafa as aleluias de qualquer mulher! – olhou rapidamente para a outra e abaixou a cabeça novamente – “Ô, mulher, isso não é hora pra ficar reparando em aleluia alheia!” – pensou se recriminando
Achou graça apesar de não entender muito bem o que a outra queria dizer. -- E você... não quer me contar por que tava naquele ponto de ônibus tão abandonada? – queria saber – Por instantes me pareceu que você esperava a morte chegar. Muito emblemática aquela sua atitude!
--Talvez fosse isso mesmo... – passou a mão nos cabelos – Fiquei dois dias ali...
--Dois dias?! – surpreendeu-se – Nossa, Yara, você precisa comer alguma coisa! Até agora só bebeu água! – preocupou-se
--Agradecida, mas não tô com fome... – dizia a verdade – Ainda tô meio anestesiada... – continuava de cabeça baixa
--Mas por que? – insistiu gentilmente – Você não quer desabafar?
--Realmente eu preciso! – levantou-se da cama – Mas você não vai gostar de ouvir porque parte de tudo passa por coisas que aconteceram no Comuna! – caminhou até a janela do quarto – E eu não queria brigar...
Levantou-se da cama também. – A gente não precisa brigar. – caminhou até a outra e virou-a de frente para si – Acho que há dois anos atrás selamos um acordo sem palavras. – olhava nos olhos – Uma vez juntas, só nós duas, não haveria brigas... – acariciou gentilmente o rosto da indígena – E eu não quero brigar com você. – dizia a verdade – Fale sobre esse Partido e eu prometo que não vou fazer nenhum comentário duro a respeito. – recolheu a mão que acariciava a outra
Balançou a cabeça concordando. – Então eu vou resumir as coisas em ordem cronológica pra você entender. – encostou-se na parede e cruzou os braços – Assumi a presidência do Comuna em 99 e na mesma época uma mulher muito perigosa e ambiciosa assumiu a presidência do nosso núcleo em São Paulo. – contava a história – Ela vinha com um monte de planos e ideias que desvirtuavam os objetivos do Partido mas eu consegui cortar a implementação de todas elas e isso a incomodava bastante! – lembrava dos fatos – Só que depois do resultado do primeiro turno das eleições, os ventos mudaram de direção e numa Assembleia que aconteceu na quinta passada, ela conseguiu uma vitória importante e isso acabou comigo! – olhava para Elza – Foi como se alguém que eu amo tivesse morrido, entende? – gesticulou – E aí vem a pior parte de tudo. Lembra que te falei que moro num abrigo? – a negra balançou a cabeça confirmando – A senhora que é a dona da casa e administra as coisas lá é um amor de pessoa! É como se fosse uma nova mãe que a vida apresentou pra mim! – explicava – O nome dela é Kedima e ela sofreu um grave acidente de trânsito na madrugada de sexta passada, voltando de um show que aconteceu aqui em Brasília! – os olhos marejaram – Eu não sabia de nada, voltei pro abrigo depois daquela Assembleia infernal só querendo conversar com ela, querendo um colo e fui pega de surpresa com essa notícia horrível! – derramou uma lágrima – E desde então ela tá no CTI do Hospital de Emergência da cidade... – agitou-se inquieta – Eu vim pra cá assim que soube de tudo, fiquei acampada lá no hospital, mas depois que os médicos desenganaram a condição dela, não aguentei... – andou um pouco pelo quarto – Fui pra rua, andei à ermo e parei ali, naquele ponto de ônibus me sentindo um lixo e a mais miserável das mulheres...
Sentia imensa pena da outra. – Mas se você ficou no ponto de ônibus por dois dias, são dois dias sem notícias dela! – deduziu – Não pensa que tudo pode ter mudado? – foi até a bolsa e pegou o telefone celular – A primeira coisa a fazer é ligar e pedir notícias. – foi até o ramal telefônico do quarto – Deixa eu só pedir na recepção o número de atendimento do hospital. – sentou-se na cama – Qual o nome completo do hospital e da dona Kedima? – perguntou interessada
A indígena estava impressionada com a atitude da militar. -- Hospital de Emergência 24h de Brasília, unidade de Águas Claras. – respondeu de pronto – E o nome dela é Kedima Yahiah.
Após conseguir o número do hospital junto à recepção, Elza usou o celular para se comunicar. Depois de alguns minutos de espera soube que a situação de Kedima permanecia na mesma. – Pronto. – levantou-se da cama novamente – Já sabemos que ela continua viva. – colocou o celular na mesinha de cabeceira – Então é hora de controlar o desespero. – aproximou-se de Yara – Você não vai deixar de vê-la no hospital! – pediu – Não quero que passe o resto da vida arrependida por ter ficado longe quando não deveria. – olhava nos olhos – Não repita a mesma atitude que tive com minha tia Gracinha!
Ficou envergonhada e se afastou ficando de costas para a outra. – Você não teve culpa pelo que aconteceu com a sua tia, mas eu tive culpa no caso de dona Kedima! – afirmou com firmeza – Assim como tive culpa pela morte da minha mãe adotiva e do camarada Paulo! – falava com muito sofrimento
--Mas por que? – não entendia – Da onde você tirou isso de assumir essas culpas todas?
--Minha mãe morreu atropelada por um caminhão quando eu era adolescente e a gente morava em Olinda! – começou a contar – Eu tive preguiça de ir no mercado com ela, que acabou indo sozinha e daí aconteceu aquela fatalidade... – vislumbrava o rosto da mãe em sua mente – Se eu não tivesse agido daquela forma, a gente podia ter ido depois que eu voltasse da escola e ela poderia estar viva até hoje...
--Yara, não faz isso... – aproximou-se mais uma vez e tocou as costas dela
--A gente saiu pra comemorar depois de um dia maravilhoso mas a polícia veio pra cima de nós e camarada Paulo se perdeu do grupo. – continuava contando – Uma das minhas amigas ficou preocupada, queria que a gente procurasse por ele, mas eu achei desnecessário, porque ele era esperto e imaginei que já tivesse até chegado no alojamento universitário. – mirava um ponto no infinito – Também estaria vivo não fosse por mim!
–Mas quem poderia imaginar que iria acontecer o que aconteceu?? – argumentou
--E dona Kedima... – virou-se de frente para a outra – Eu não tive dinheiro pra comprar dois ingressos pro show do cantor favorito dela e comprei um só! Fiz isso porque a Paróquia Universitária de Goiânia organizou uma excursão pra ir ver o show e eu confiei de deixar ela ir sozinha com eles... – derramou outra lágrima – O show foi exatamente no dia da Assembleia que te falei... – sentia o peito doer – E ela agora tá a beira da morte por minha causa!
--Criatura, não foi por sua causa! – Elza argumentou emocionada – Pare com isso porque você não teve culpa de nada, de nenhuma dessas fatalidades que me contou!
--Como não tive? – chorava controladamente – Eu sou como um rei Midas ao contrário! – afastou-se mais uma vez – Tudo que eu toco vira merd*! E não tem outra palavra, é isso mesmo! – sentia raiva de si mesma – É merd*!
Elza estava chocada com o que ouvia.
--A minha tribo foi exterminada num genocídio, passei anos da minha vida morando em várias cidades, em casas de religiosas ou abrigos mantidos pela igreja, me ferrei muito depois que a minha mãe morreu... – chorava com mais emoção – E achei que depois do Comuna e de dona Kedima seria diferente, mas não foi! – andava de um lado a outro – Falhei na condução do Partido, falhei com minha velhinha, nunca tive sequer competência pra... – calou-se bruscamente – “Pra manter um relacionamento!” – pensou sem coragem de verbalizar – As pessoas que eu amo invariavelmente vão embora ou simplesmente... querem me esquecer e esquecem... – sentia-se muito mal – Eu deveria ter morrido em 1979... – chorou com mais intensidade
--Você queria um colo, não é? – foi até a indígena e a segurou por um braço – Dou meu colo pra você, vem! – guiou as duas até a cama e se sentou – Deita aqui no meu colo, vem? – acolheu a outra com carinho – E chora tudo que você precisa chorar... – beijou a cabeça dela
Yara fechou os olhos e se abraçou com Elza chorando muito.
Goiânia, estado de Goiás
--E dona Kedima continua na mesma... – Celeste conversava com Natália na sede do Comuna – Mas camarada Yara simplesmente sumiu há dois dias! – falava com preocupação – O pessoal do abrigo não a vê desde que voltou da Assembleia da semana passada! – deu um suspiro – Cheguei ir à delegacia hoje com camarada Omar pra prestar queixa do desaparecimento dela, mas disseram que tinha que esperar por 48h e estávamos apenas com 46h de sumiço! Acabaram nos despachando sumariamente! – achou graça por considerar absurdo – Pretendo voltar lá amanhã pra ver se fazem alguma coisa! – balançou a cabeça contrariada
--Meu Deus! – arregalou os olhos – E agora, camarada Celeste, o que será que se deu dela? – ficou tensa – Será que aconteceu alguma coisa? – andava de um lado a outro – Aquela criatura perdida em Brasília, sem rumo, triste como ficou... – olhou para a outra – E agora?
--Eu não sei de mais nada! – andava pela sala – Pra completar, amanhã é o dia da Extraordinária e camarada Yara vai fazer muita falta! – passou a mão nos cabelos – A loura vai fazer a festa e provavelmente será a nova presidente do Partido! – não se conformava – A que ponto chegamos?
--Gente... – Natália sentia-se perdida – Parece que tô viajando num trem que descarrilhou!
Brasília, Distrito Federal
Yara voltava do banheiro após ter lavado o rosto.
--Agora que você já chorou tudo que precisava senta aqui em frente a mim e vamos conversar sobre cada coisa que você me falou! – Elza pediu e a indígena obedeceu – Eu fiquei muito preocupada com a visão que você tem de si mesma porque eu também já sofri muito com uma visão apequenada a respeito de mim!
Abaixou a cabeça. – É como penso...
--Mas pensamento também se muda! – segurou o rosto da outra com as duas mãos – Yara, você e ninguém jamais poderia prever o que aconteceu em todas as situações que me falou! – afirmou enfática – Você não tem culpa de nada! De nada! – olhava nos olhos – E você que conviveu tanto no meio religioso deve ser uma mulher de fé, então não se deixe fraquejar agora! Não importa o que os médicos digam, a última palavra é de Deus e sempre vai ser! – admirava o rosto da mulher – Você vai acompanhar dona Kedima e não vai desistir não importa o que! – aconselhou – Ela não espera menos de você e nem eu! – a indígena arrepiou-se ao ouvir aquilo – Você é uma sobrevivente, escapou de um genocídio cruel, viveu fugindo, ficou órfão por duas vezes e ainda assim se tornou uma mulher incrível, militante conhecida e admirada por muitos, além de ter se formado numa Universidade ótima! Você foi escolhida pra ser presidente do seu Partido e tenho certeza que não entrou em negociata nenhuma pra isso! – sorriu – Então se depois de tudo você se deixar abater por palavra de médico, eu vou ficar muito decepcionada, porque afinal de contas, você me inspirou! – admitiu – E muito!
--Eu?? – ficou pasma – Eu te inspirei?? – não acreditava
Soltou o rosto da outra e abaixou a cabeça. – Quando eu tava sofrendo pra caramba por conta daquela sacanagem que faziam comigo em São Carlos, vi a reportagem do genocídio. – lembrava – Foi a segunda vez que te vi na TV, porque a primeira foi quando seu camarada Paulo foi assassinado... – pausou brevemente – Aí eu pensei: se ela pode ter voz, espaço de fala e poder de influenciar, por que não eu? Por que eu preciso passar por humilhações desnecessárias até hoje e ser silenciada? – levantou a cabeça e sorriu – E daí eu virei o jogo e fiz muitas coisas!
Yara mal podia acreditar. – Nunca imaginei que inspirasse alguém! Muito menos alguém como você, que é totalmente contrária à minha ideologia política!
Sorriu. – Pra você ver que a vida nos prega essas peças...
Sorriu também e não foi capaz de expressar o bem que aquelas palavras lhe faziam.
--Você trabalha em que, Yara? Como tem feito com seu trabalho uma vez que desde a semana passada ficou por aqui?
--Trabalho na elaboração de políticas públicas e atendimento à população de rua pela prefeitura de Goiânia. – respondeu de pronto – Mas confesso que tô faltando desde sexta por causa dessa coisa toda...
--Não pode! – reclamou – Você tem que se justificar, explicar o que tá acontecendo, até pra não dar abandono de emprego! – aconselhou
Abaixou a cabeça envergonhada. – Não quero que pense que sou malandra, porque não sou!
--Eu sei que não é! – acreditava – Mas você tem obrigações e precisa se justificar no trabalho! Quanto ao seu Partido, você tá numa guerra e eu quero te ajudar! – gesticulou brevemente – Me faz um resumo dessa treta porque eu quero entender muito bem o que aconteceu pra ter te decepcionado tanto!
Respirou fundo e sorriu novamente. – Tá disposta a rever seus conceitos sobre Comunismo? – provocou
--Me conta primeiro e eu avalio depois. – pediu sorridente – Vai?
--Tá bom. – concordou – O negócio é o seguinte, a presidente do núcleo de São Paulo e o pessoal dela têm dois objetivos principais: -- enumerou nos dedos – ter poder e controlar o Partido. – explicava -- Pra controlar o Comuna, eles trabalham pra levar pra terra deles o QG e a presidência do Partido, coisa que a gente tem conseguido travar até aqui. E pra ter poder, eles têm insistido em fazer uma composição com a chapa de Luiz Horácio e com isso cavar algum cargo, alguma oportunidade na equipe de transição ou na equipe do governo propriamente dita. O que der. – achava tudo absurdo – Bati muito contra isso e o máximo que eles haviam conseguido foi o apoio crítico do Comuna, ou seja, a gente apoia a chapa de Luiz Horácio por reconhecer que Casé Terra seria uma opção bem pior, porém sem isso de composição!
--Eu não entendo isso! Você é contra o apoio a um governo comunista? – a militar achava estranho
Achou graça. – É isso, garota, mudança de paradigmas pra você: nunca numa eleição, do jeito que as coisas funcionam, vai se eleger um partido realmente Comunista prum cargo tão importante quanto a Presidência da República! – esclareceu – As eleições são burguesas! Ganha quem consegue mais dinheiro e se dá melhor na propaganda diante do povo! – gesticulava – Luiz Horácio tem um empresário como vice e já mostrou a disposição de fazer um governo de conciliação! E não é isso que o Comunismo prega! – tentava fazê-la entender – O Comunismo é classista, a gente luta contra a exploração do ser humano e nunca se vai combater a exploração quando você faz acordo com o explorador!
--Você realmente acredita nisso, né? – perguntou admirada – Que o Comunismo pode ajudar o mundo a ser um lugar melhor!
--Esse é meu objetivo de vida: fazer minha parte pra fazer do mundo um lugar melhor! – respondeu com muita verdade
--Eu acredito... – admirava-se com Yara – E então, a partir do momento que Luiz Horácio ganhou no primeiro turno, cresceu os olhos do pessoal do Comuna e a proposta do núcleo de São Paulo foi vitoriosa na tal Assembleia de quinta! – deduziu
--Exatamente! E isso foi uma decepção imensa! Eu não esperava tamanha traição! – desabafou – Tudo bem que eles ganharam apertado, mas ganharam! – balançou a cabeça contrariada – E foi uma dor imensa ver a maioria do Partido cuspindo sobre nossos ideais apenas pela sede do poder! – pausou brevemente – E foi por isso que eu renunciei à presidência do Partido!
--Jura?? – perguntou surpreendida – Mas e aí, como fica isso?
--E aí que amanhã vai ter uma Assembleia Extraordinária pra eleger alguém pra assumir a presidência no meu lugar e discutir os rumos do Partido. – finalizou a história – Em suma é isso! – pausou brevemente – Eu me sinto como se algo tivesse morrido dentro de mim, não sei explicar... – gesticulou – Amanhã camarada Celeste vai propor a cisão do Partido... – suspirou – Será a pá de cal...
--Cisão por causa dessa divisão entre vocês? – buscava entender
--Isso. – balançou a cabeça -- E muito provavelmente, Renata deixa a presidência do núcleo de São Paulo e assume o Comuna a partir de amanhã... – achou graça do absurdo -- Canalha!
--Renata?! – levou um impacto ao ouvir aquele nome – Essa Renata é... Renata Vilani??
--Você conhece?? – perguntou surpreendida
Elza levantou-se da cama nervosamente. – Conheço... – caminhou até a janela e olhou para fora – Parece que Renata tem essa infeliz capacidade de... matar algumas coisas dentro das pessoas...
Yara gastou uns segundos pensando até que concluiu: -- Eu te encontrei na Paulista perto do café onde tinha me reunido com ela... – levantou-se rapidamente – Ela foi a pessoa que você amou e feriu seu coração?? – parou diante de Elza
--Agora vamos pensar friamente nessa situação! – não respondeu à pergunta – Você fez muito bem em ter renunciado à presidência porque isso tira de você o ônus de uma composição que trai os ideais comunistas. Mas não é sábio romper o Partido, porque isso é tudo que Renata e o pessoal dela querem! – aconselhou – Você precisa participar da Assembleia de amanhã! – afirmou com veemência – E você e os seus têm que ficar no Partido e fazer a oposição mais cerrada que poderia ser! – olhava para a indígena – Façam com que a presidência dela seja uma coisa difícil, trabalhosa, quase inviável! – cruzou os braços – Então, como eles são fracos, porque são gente de politicagem e não de luta, naturalmente vão pular fora do Partido. E com isso, vocês sairão fortalecidos e a presidência do Comuna vai naturalmente voltar pra você!
Estava impressionada com o raciocínio de Elza mas queria entender o papel de Renata na vida dela. -- Me diz o que ela fez morrer dentro de você! – insistiu
--Não, Yara... – passou a mão nos olhos úmidos
Sentia-se incomodada com a dor que percebia na outra. – Eu vou fazer tudo que você me falou! – garantiu – Volto pra Goiânia amanhã cedo, vou trabalhar, digo pro meu superintendente o que tá acontecendo com dona Kedima e à noite presido a Extraordinária! – olhava nos olhos da outra – Vou ficar acompanhando minha velhinha, me pegando com Jesus e Nossa Senhora, e não vou deixar que nada abale a minha fé! – prometeu – Por fim, vou ser a oposição mais ferrenha que Renata poderia ter!– falava com intensidade -- Ela não vai ter vida fácil!
Sorriu novamente. – É isso aí.
--Fiquei triste em saber que aquela praga te fez mal! – segurou o rosto de Elza com as duas mãos -- E... eu não creio que isso mude nada pra você, mas... saiba que eu não esqueci! – afirmou com muito sentimento – De nada! Por mais que tentasse...
Suspirou. – Nem eu... – respondeu em voz bem baixa
--Se ela não soube dar valor... – alternava seu olhar entre os lábios e olhos da negra – Há quem veja o que ela não conseguiu ver! – puxou-a gentilmente para um beijo carinhoso
“Ai...” – derretia-se ao sentir as mãos da indígena deslizando por seu corpo – Ah... – gem*u quando interromperam o beijo – Eu não quero falar sobre Renata e o que aconteceu com a gente, -- envolveu o pescoço da outra com os braços -- mas te basta saber que... – pensava se devia falar ou não – Fazia muito tempo que alguém não me via tão eu mesma, tão vulnerável, quanto você me viu...
--Nunca vivi com ninguém o que experimentei com você! – falava com sentimento – Mas dessa vez, tudo que eu queria era passar a noite com você nos meus braços sem pensar em mais nada! – beijou-a novamente – Eu sei que fora daqui nossas vidas voltam a se separar, voltam a não dar espaço pra nós, mas o dia de hoje ainda não acabou e eu queria aproveitar tudo que me resta dele com você!
--Se isso é um pedido, eu aceito! – respondeu antes de beijá-la apaixonadamente
Elza e Yara não entendiam o que estavam vivendo, mas não buscavam entender, apenas sentir.
“Ô, glória!” – a indígena pensou embevecida
Goiânia, estado de Goiás
--Agora vamos colocar em votação a proposta da camarada Celeste sobre a cisão do Comuna. – Omar presidia a Assembleia Extraordinária
“Isso, coloca em votação e vamo acabar logo com essa porr*!” – Renata pensava – “Já faturei a presidência, agora só me falta a cisão pra facilitar minha vida!” – mal disfarçava a satisfação
--Questão de ordem! – uma voz conhecida se fez ouvir
--Yara?! – Natália olhou para traz ao reconhecer a voz – Ai, graças a Deus!
--Graças a Deus! – Celeste sussurrou para si mesma – Nada de mal aconteceu com ela!
--Camarada Omar, demais camaradas, -- aproximava-se da mesa diretora – tive uns contratempos devido a sérios problemas pessoais mas estou aqui. – virou-se de frente para os participantes – Gostaria de assumir a direção dessa que será minha última Assembleia enquanto presidente do Comuna! – informou
--Mas é claro! – Renata respondeu fazendo média – Está no seu direito, camarada, quem vai negar? – sorria
Nenhum dos presentes demonstrou discordâncias.
--À disposição, camarada. – Omar cedeu o lugar
--Obrigado! – agradeceu ao colega e pegou o microfone – Antes de colocarmos em votação, eu gostaria de tecer alguns comentários. – olhou para a Celeste – Já que a proposta é sua, camarada, tenho seu acordo? – perguntou
--Prossiga! – Celeste concordou
--Desde que ingressei no Comuna me interessei em conhecer a história do Partido e aprendi que ele nasceu de um sonho. – olhava para os demais – Sonho de pessoas que desejavam mudar o mundo, -- sorriu – simples assim! – caminhava pelo auditório – Pessoas que acreditavam com todas as forças que não é admissível haver gente passando sede e carente de qualquer serviço de saneamento básico enquanto outras nadam em piscinas de 100 mil litros de água mineral! Pessoas que acreditavam que não é aceitável que haja quem passe fome enquanto se jogam fora, diariamente, toneladas de alimentos! – falava com sentimento – Gente que não aceitava que alguém fosse diminuído por ser mulher ou negro ou indígena ou pobre ou LGBT ou deficiente físico ou seja lá pelo que for! Gente que defendia o direito de ser com o sacrifício da própria vida se fosse necessário! – gesticulava – Eu conheci o Comuna que encampou o Fora Ferdinando em 92, que lutou contra a eleição de Ferdinando Patrick em 94, que virou o país de cabeça pra baixo nas greves de 95, o Comuna que estampou manchetes em 97, o Comuna que agitou em 99, o Comuna que nunca ficou de fora de nenhum movimento importante desse país, simplesmente porque organizou quase todos eles!
--Isso Yara! – Natália estava arrepiada – Tô entendendo o que você quer!
--Comuna! – alguns gritaram
--Comuna é luta!! – outros bradaram
--O Comuna é classista, camaradas. O Comuna é Comunista! – parou novamente diante da mesa – E esse Comuna, me perdoem, não separa! – deu um soco na mesa – NÃO SEPARAAAA!! – gritou
--Não separa!! – vários gritaram
--Proposta retirada! – Celeste se levantou – Não separa!!
--Não separa, não separa, não separa!! – os presentes davam socos no ar
--Não separa!! – Omar se levantou ao gritar
Renata ficou pasma com o que viu.
Yara desligou o microfone deixando-o em cima da mesa e ficou frente a frente com a loura. – Você pode ter ganho a presidência e a sua tão desejada composição com a chapa de Luiz Horácio, mas vai cortar um dobrado pra fazer desse Partido o seu quintal de negociatas! – falava entre dentes – Queria guerra, companheira? – sorriu sarcástica – Pois é guerra que você vai ter!
--Não separa!! – os presentes continuavam gritando
“Puta que pariu!” – Renata pensou contrariada
São José dos Campos, estado de São Paulo
Elza trabalhava no laboratório quando viu que Goulart se aproximava ao lado de Machado.
--Em continência! – ordenou aos presentes
Todos pararam e prestaram continência ao mais antigo que entrava no recinto.
--À vontade. – Goulart ordenou depois de prestar continência ao grupo – Tenente Elza, vamos para sua sala agora mesmo. Tenho uma notícia para lhe dar.
--Notícias deveras retumbante! – Machado postava-se em posição de sentido
--Sim senhor. – concordou – Por favor, vamos. – seguiu com os homens conforme solicitado
Ao entrar na sala com os demais, Elza fechou a porta e aguardou ouvir a notícia que seu tio lhe trazia. – Pois não? – perguntou inquieta – E o que seria, senhor?
--Prepare-se para estar na rodoviária no dia 06 de janeiro de 2003, tenente! – Goulart fingia-se formal
--Na rodoviária...? – deduziu o que seria – Cabo Fernandão? – arregalou os olhos – Ela vai voltar?? – sorria
--Mais cheia de garbo que uma cisne branca feminil voando pelo céu azul de São José dos Campos! – Machado respondeu
Sentia vontade de gritar de alegria. – Meu Deus! – cobriu os lábios com as mãos
--Pode se soltar agora, tenente. – Goulart permitiu sorridente – Será admitido da sua parte este pequeno momento de indisciplina!
--AHAHAHAH!!! – a negra não resistiu e gritou pulando – A família junta novamente, não acreditooo!!
--O prestimoso, a garbosa, o varonil e a rebentinho juntos novamente! – Machado falava com alegria
Elza repentinamente parou de pular e franziu o cenho. – Rebentinho, pai? – reclamou – Mas que inferno!
--Sargento Machado! – Goulart aplicou voz de comando – Eu já disse e repito que o senhor está proibido de falar essa coisa de tenente rebentinho, não disse?
--Sim senhor, tenente-coronel! – prestou continência – “Eles têm razão! Sou um sargento de escol, meus gestos, movimentos e palavras devem ser friamente calculados!” – espremeu os olhinhos – “Chega de tenente rebentinho! De agora em diante, minha Elzinha será tenente empoderada!” -- decidiu
Fim do capítulo
Música:
[1] Se O Amor Se Vai (Si El Amor Se Va). Intérprete: Roberto Carlos. Compositores: Bebu Silvetti / Carlos Colla / Roberto Carlos / Roberto Livi. In: Roberto Carlos. Intérprete: Roberto Carlos. CBS, 1988. 1 CD, faixa 5 (4min10)
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Sem cadastro
Em: 30/01/2025
Elza está quase uma, Viola Davis, em Mulher Rei!!!
Como eu passo pano pra ela, vou preferir não me pronunciar em relação a algumas atitudes ou falas que eu não concordo. Mas, já gosto de Luiza! Ela é o contraponto que Elza precisa, quando, a mesma, não está próxima a Yara. Uma, futura amiga mas pesente, já, que a única é Alê. Mesmo, ela fazendo jus da sua hierarquia para mostrar quem manda.
Dez minutos, dez minutos!! Yara que chegue atrasada no próximo love delas, que o castigo é certo!!! Às vezes eu acho que ela até já concorda, com o que Yara prega e acredita e, entenda os verdadeiros ideais do Comunismo e, tenha lido o livro, porém não é o tipo de pessoa que dá o braço a torcer, tão fácilmente. A não ser quando Yara tá por perto.
Goulart voltou! Acho que ele intensifica esse jeito mais implacável dela. Mas que bom que Fernandão, também, está de volta. Ela faz Elza enxergar de uma forma melhor. Sem falar que Machado já estava muito tempo sem a fiel escuderia, dele.
Valoroso Machado está radiante!!! Ele ver a vida em posição de sentido, descansar, avante e marche. Pra parar ele, só com voz de comando. Tenente Rebentinho já sabe como parar o pai kkk. É como dizer pra uma criança brincar de estátua, se quiser dois minutos de sossego. Ele é muito fofo! Mainha me chama de Caçulita até, hoje. O segredo é deixar fluir e vivenciar essas demonstrações de Amor! Agora, no ambiente de trabalho é complicado.
A ambição de Renata, só cresce! E pra piorar o Comuna rachou e Yara foi apunhalada em seus ideais!
Sensação de descrença, de não reconhecer os seus Camaradas de luta! Este sentimento já nos rodeia a muito tempo. Não está presente só no Comuna, mas nos nossos lares, com os nossos amigos e ambiente de trabalho. Tá tudo dividido e nada dominado! Quem disciplinar os pensamentos, primeiro, ganha. O " já ganhou" não existe, mais! Agora é voto, a voto. Nem nas pesquisas dá mais pra confiar.
"Deus me livre não ser baiana!" Baêa minha p. ! Nordestino é massa!!!
Renata é um câncer no Comuna!
Yara precisa passar as mãos calejadas dela, com certa intensidade, no rosto de Renata!
Como as situações ruins nunca andam só, dona Kedima entra pras estáticas dos acidentes de trânsito ou para as imprudências alheias.
Yara não suportou mais um golpe! Passou a se culpar por todas as perdas de pessoas importantes que passaram por sua vida. Ficou vulnerável a ponto de perder o medo, se deixando exposta as maldades alheias. Como se a mente só focasse em uma única coisa e, nada ao redor fizesse sentindo. É neste momento que a alma se desliga e o vazio prevalece.
Tava na hora da mulher dela ir salvar ela, né?!
Essas ligações são interessantes! Estranhas, mesmo. Você passa uma vida sem ver a pessoa, mas quando se encontram é como se tivessem se visto ontem. Não fica uma brecha, uma lacuna, um vazio entre elas. Sobram assuntos e tudo parece ter graça. Você de alguma forma internaliza o outro. Transborda!
É visível o quanto Elza se torna uma mulher sensível, quando está perto de Yara. E o quanto Yara renova suas forças, quando está com ela.
Renata que lute, viu, fi?! O chumbo vai vim grosso.
É interessante, como as coisas que as separam parecem pequenas quando estão juntas, por mais que haja um incômodo. E como há uma cumplicidade, até mesmo nas coisas que elas divergem.
Elza nem parecia a mesma Tenente quando acolheu Yara com carinho em seu colo.
Quando elas irão perceber que tudo isto é muito mais que um lance casual?
A "Tenente Elza," só voltou neste momento entre elas, pra colocar a cabeça de Yara nos eixos de novo. E a Tenente Empoderada demonstrou ser uma boa articuladora. Renata não terá vida fácil e o Comuna Não Separa!!
Minh@linda!
Em: 02/02/2025
Oi Autora!
Boa noite
O meu nome de usuário não tem nada a ver com Seyyed e Isabela, não. É como eu chamo as minhas migas, aqui onde eu moro. "Minha linda, Minha gostosa, Meu amor, meu Xuxu", essas coisas.
Eu preferia mais Seyyed e Camile kkk
Minh@linda!
Em: 02/02/2025
amigas
Minh@linda!
Em: 02/02/2025
Que bom que a Yara da vida real, também, saiu vencedora em sua militância!
Mas e a Elza da vida real? Quem foi que te inspirou pra criar a personagem com tanta realidade, no que remete a uma mulher preta, já que você não é uma?
Solitudine
Em: 21/02/2025
Autora da história
Olá querida!
Eu não sei te responder isso de modo convincente. Meu processo de criação é meio sensório. Não sei explicar.
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Sem cadastro
Em: 30/06/2024
Batendo palmas aqui fiquei toda arrepiada e amei! E o rebentinho? Kkkkkk
Solitudine
Em: 10/07/2024
Autora da história
kkkkk Esse final me arrepia também. Só quem já viveu algo do tipo um "não separa", sabe como é.
Beijos,
Sol
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Samirao
Em: 22/10/2023
Esse CAPS me arrepia toda!!!
Solitudine
Em: 11/11/2023
Autora da história
A mim também!
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Femines666
Em: 01/04/2023
Esse NÃO SEPARA!! ficou martelando aqui na cabeça! Demais!!!
Solitudine
Em: 08/04/2023
Autora da história
É o tipo de coisa que só os militantes entendem! Vejo que você é do "ramo"! kkkk
Beijos,
Sol
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Femines666
Em: 01/04/2023
Esse capítulo foi a minha cereja do bolo até aqui! Fiquei arrepiada!! Yara e Elza unidinhas, que TUDO!!!!
Fernandão e Goulart de volta! Dá-lhe tenente Rebentinho kkkkkk
Solitudine
Em: 08/04/2023
Autora da história
Olá querida!
Desculpe a demora nas respostas, mas a vida tem andando muito atribulada.
Que bom que você continuou empolgada com a história. Fico feliz!
Beijos,
Sol
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mtereza
Em: 04/01/2023
A história está cada vez melhor amando .
Resposta do autor:
Que bom! Continue com a gente e me deixando saber o que está achando! Alegra a caipira, viu, fi? Pode vir mesmo que seja para dizer que o conto está um trem sem base nenhuma!
Beijos,
Sol
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Joabreu
Em: 20/12/2022
Boa tarde,
Reencontro e desta vez viajamos na vibe cute do cafuné-colinho. #Amomuitotudoisso
Renata você tá fudida! Lol
BBL
Jo Abreu {}
Resposta do autor:
Olá querida!
E quem não gosta de um cafuné colinho, não?
Renata vai penar para encarar Yara no Comuna! rs
Beijos,
Sol
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Vanderly
Em: 10/12/2022
Boa noite!
My God!
Não sei o quê aconteceu, mas cá pra mim achava que tinha comentado esse capítulo e ao lê a tua resposta do comentário ao capítulo anterior, fiquei esperando a resposta desse aqui, e nada de chegar. E quando vim conferir cadê? Não tinha comentário nenhum. Será quê não comentei? Estou muito confusa aqui. E desconfiada, pois pra mim comentei....
Eu fiquei triste com o acidente de dona Kedima, já estou pensando: eita que a autora matou a boa velhinha.
Esse reencontro da Elza com a Yara foi lindo! Pena quê nesse capítulo imenso a autora resolveu apaziguar os ânimos das moças, mas está certo. Nessa hora a Yara estava precisando era de colo e cafuné.
Esse sargento Machado é uma lenda. Kkkkkk
Sol, risadas é o quê não faltam nas tuas histórias.
Pode deixar que não vou sumir.
Autora, eu fiquei curiosa aqui. Porque a senhorita se denomina "caipira". Sério mesmo que tu não é assumida? Eu não sou assumida pra todo mundo, mas também não escondo. Eu só acho que não preciso saí contando pra todos. Não vejo nenhum hétero levantando bandeira e propagando pra o mundo inteiro a sua sexualidade, acho que isso só interessa pra quem for íntimo nosso.
Abraço.
Vanderly
Resposta do autor:
Olá querida!
Não, por favor, não fique desconfiada! A caipira nunca apaga comentários, nem mesmo se eventualmente surja algum que me mande cair fora do site! rs Às vezes, talvez por um fluxo muito grande de dados, o site apresenta esses pequenos bugs, como comentários que vêm repetidos ou que não vêm. Comentei três vezes a história de uma amiga e não foi postado, somente quando insisti em outra ocasião. Então, esteja certa: eu jamais apagaria um comentário seu ou de qualquer outra pessoa que venha aqui expressar sua opinião. Muito pelo contrário, adoro receber esse retorno.
Dona Kedima infelizmente se acidentou, mas confia. A caipira nunca deixa pessoa idosa desamparada. ;)
Sim, dessa vez nossas meninas não estavam com a luz da sensualidade acesa. Era mais necessário o Amor aceitação e acolhimento. Fico feliz que isso tenha te tocado. A mim, certamente, esse tipo de coisa fala bem alto.
Machado é uma figurinha ímpar.
Você já leu outra história minha? Ah, danadinha, e nem veio comentar para eu saber o que achou, né? tsc, tsc, isso não se faz, ai, ai, ai! rs
Não suma, não suma! Faça uma caipira feliz nestes tempos de iniquidades! (olha meu lado machadiano se manifestando! rs)
Uai, porque eu sou caipira, sô!
E sim, vergonha da minha vida, não sou assumida mesmo! Concordo com seu ponto de vista, mas não tenho coragem de encarar como seria me assumir aqui no meu meio, na minha família, no trabalho... porque você não precisa levantar bandeira, mas uma vez do lado de fora do armário, as línguas se aquecem e a notícia se espalha.
Talvez um dia, não sei. Tenho muitas coisas guardadas dentro de mim. Parte de quem sou é fake na vida real, para que não me "descubram". E sou fake aqui no virtual, para que não me "descubram" também.
Cada pessoa com suas dores, pois é...
Beijos,
Sol
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Dessinha
Em: 07/12/2022
Esse amor entre essas meninas é lindo demais. E eu devo confessar que essa é uma das melhores que já li na vida, tudo tão real, tudo tão bem sincronizado, prende muito nossa atenção, tanto que leio e releio, e percebo que perdi partes, embora lendo tão atentamente sempre. A autoria está de um super parabéns, riquíssima, essa merece ser um livro se já não o for. Nós merecemos obras assim espalhadas por aí.
Resposta do autor:
Olá querida!
Você voltou!!! Pensei que tivesse largado a caipira de mão.
Some não! Volte sempre para comentar pois é muito bom e importante saber como vocês recebem a história!
Fico muito lisonjeada com essa percepção tão positiva. Obrigada!
Não é um livro. É apenas um humilde conto postado aqui no Lettera.
Se tiver posteriormente paciência e coragem (porque a caipira escreve é trem!) leia os outros contos que postei nesse site e me diga o que achou, por gentileza.
Beijos,
Sol
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Zaha
Em: 07/12/2022
Hola, Sadikii querida,
Então começamos, again, com uma cena de Elza.
No transcurso do capítulo pudemos ver uma Elza desde de intolerante, durona e muito inflexível com os erros dos seus subordinados,usando de certo poder de hierarquia(não porque seja ruim). Até sua doçura, compreensão, mostrando suas vulnerabilidades com Yara, como antes. Essa dureza e ser centrada também ajudou a Yara em seu momento tão delicado. Falaremos mais adiante sobre isso.
Elza é boa, só achei ela um pouco dura com outra mulher. Mas bem, cada um lida com a liderança de forma que melhor foi ensinada ou achava melhor. Sem falar que a vida dela fora da família sempre foi dura e ela teve que lutar para conseguir seu espaco, ser disciplina foi uma constante em sua vida.Como mulher,negra e lésbica teve que se esforcar mais para se destacar em tudo e como boa lider que é e ela acha que deve ser assim, só n gostei mesmo da frase que usou da hierarquia. Mas, ela é muito mais do que a cáscara que mostra e vimos com Yara, pois Yara tem esse poder nela. Duas mulheres fortes que foram influenciadas uma pela outra, tirando forças em momentos diferentes…quem diria?!!
Adoro o pai, mo descolado...rebentinho é bonitinho, carinhoso, mas uma mulher dura como ela deixa a vulnerabilidade mostrar-se....é compreensível que não se sinta bem, nunca se sentiu ...parece que papi aceitou no final!!!
Um capítulo que apesar de mostrar muita politicagem de verdade, um sistema podre, teve seus momentos divertidos, teve drama tb é um momento muito delicado para nossa Yarinha. O estado de Kedima. Mas eu vou falando mais adiante ...não gosto de apenas comentar e deixar…
No começo também vimos Elza ainda implicando com o comunismo, como se a culpa fosse sempre deles,mas acho que ela pode entender um pouco melhor, através de Yara, apesar dos ideais serem divergentes, inclusive ,como vimos e repito, lhe deu forças e inspirou Yara a n desistir e lutar. Yara também implicou com a farda, ainda que no gesto apenas…
Voltando ao que comentei acima, vimos uma Elza bastante atenciosa, solidária e preocupada. Nessas horas de dificuldades, uma pessoa como ela é ideal, o pânico não abala ela, ela sabe separar as emoções, é muito racional…isso é bom para focar no importante e não se desesperar.
Yara parece uma fortaleza em pessoa, a vida lhe deu meios para isso, mas tem uma fraqueza com as perdas, o luto em geral, não só mortes, mas pessoas que a deixaram pelo caminho. Por isso sempre se meteu a fundo no partido, pois confiava que não a deixaria, não a decepcionaria, mas eventualmente, sempre perdemos algo, mas sabemos que nos faz crescer e olhar as coisas desde outro panorama. Sempre se pode encontrar outra forma.
Kedima estava correta em certa parte, ela se envolveu demais pelo que acreditava não sabendo que existem pessoas com ganas de poder e aí que morava o perigo dela dar tudo, não devemos dar tudo, quando existem outras pessoas envolvidas, não podemos vencer todas as batalhas, mas acho bonito a dedicação dela com o partido e com um ideal, acreditar em algo, utopia demais pra algo de difícil realização, não impossível, o que passa....mas agora, acho que terá mais pés na terra....
As duas ,juntas, por um momento, por uma noite, pensando só no presente, bem, quem sabe o que o futuro brindará, mas uma coisa é certa, Yara foi a porta que Elza necessitava para sua luta interna, para lutar por seu espaço e tb para abrir seu coração!! As duas dando esperancas uma à outra!! Sabia que Renata ia ser pega. Em algum momento as duas saberiam e uniram forças...até para superar essa dor que Renata marcou na alma delas…
Falando da canalha, (deveria falar lá em cima, mas como já tinha escrito algumas coisas, ficou difícil organizar no mesmo lugar…) quando falei sobre a decepção de Yara, Renata manipulou bonitinho o povo do partido. Desde quando sabe dialogar, ela sabe é manipular....Yara fez bem em separar, pois se desvirtuou com o tempo o verdadeiro propósito e afinal de contas não é isso que acaba passando na política ou em qualquer outro meio? Nos desviamos do caminho e dos ideias por ter mais poder?!! Renata fez isso...se deixou engolir pelo próprio sistema...Renata abusou geral tb...nem ligando pro que outro ser humano tava passando e do partido que luta pelo povo...aproveitando da fraqueza alheia..mas agora vamos ter uma guerra, Yara veio com tudo!!!Mostrou para que veio!!!
Falando da culpa, Yara passou por muitas perdas e todas ela sendo salva porque não esteve no lugar...é normal sentir culpa quando um sobrevive e o outro não, quando não estava com eles, já por si, um sente que a decisão está com eles, iam morrer pq era sua hora. Mas a culpa é difícil de ser superada e de fazer o outro olhar que estar vivo não é ruim. Tudo passa como deve ser, a não ser que um tire a vida… Alice faleceu como devia ser, ela necessitava passar por todo esse caminho para ser a mulher que o Partido necessitava..cheio de paixão, força, ética, lutando pelo povo!!
Colocar a responsabilidade em si mesmo é muito cruel. Sobre Paulo e Kedima, ela se sentiu pior ainda porque estava tão aferrada ao partido, então outra culpa horrorosa. Ela seria morta junto com Pulo...então, quando não estamos no lugar é porque nossa hora não chegou, no máximo sairia machucada...ela deve permanecer viva pq ela faz parte da mudança por isso sempre foi"salva"... É o mal do sobrevivente….
Espero que Kedima tenha tempo para suas últimas palavras, ela é idosa e sinceramente, pode não sobreviver…mas tem algumas questões a abordar sobre sua filha…então, tudo pode acontecer…
Então, acho que é isso…da próxima irei separar, minha cabeça não tá dando kkkkkk. Isso passa pq eu escrevo antes e de repente vc escreve embaixo toda análise que já fiz antes,pensando que vc vai desenvolver no próximo caps, então fica sem sentido e tenho que mudar kkkkkkkk
Te digo, vou ler a pohaa toda de uma e dps o que meu cérebro lembrar vai ser…e ele n ajuda mt!!! Kkkk
Beijão
Resposta do autor:
Lailérrima Sadikérrima!
Je t'admire pour ton intelligence! Adorei esse comentário!
Você tem feito avaliações maravilhosas sobre Elza e Yara, desnudando as duas com precisão. Adorei a frase: Yara foi a porta que Elza necessitava para sua luta interna, para lutar por seu espaço e também para abrir seu coração!!" Exatamente isso! Elas, em seus respectivos momentos de dureza, encontraram uma na outra o que faltava para superar mais uma adversidade!
Exatamente! Renata deixou-se engolir pelos vícios do caminho espinhoso da política e trabalha desvirtuando os ideais de um partido que nasceu cheio de nobreza e ideais grandiosos. A sede pelo poder, dinheiro, fama, essas coisas cegaram a loura. Essas coisas cegam muita gente!
Verdade, Lailets! Todo sobrevivente tem seus momentos de gratidão e seus momentos de culpa. Você se pergunta porque! Por que escapei, por que consegui, por que estou aqui? É uma realidade que perturba algumas vezes.
Kedima terá o tempo dela. Vejamos o que virá! rs
Você comentou muito bem. Não se preocupe!
Beijos caipirescos,
Sol
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Young
Em: 07/12/2022
Oi Solzinha!
Eu não sabia, mas quando a gente favorita uma história recebe notificação de atualização pelo e-mail. Bem legal do site!
Li o capítulo durante o almoço e até errei o garfo na boca! Tão bonito, tão intenso. Elza e Yara quando se encontram é tão puro e romântico. E aquele ar de amor proibido. Você tá fazendo uma história linda e super oportuna!
E a dona Kedima, poxa... como vai ser o destino dela agora Sol?
Machado me diverte à beça! Tenente rebentinho foi show! rs
Também estou impressionada com a forma como você descreve isso de política, partido... show!
É isso. Até a próxima!
Young Cy
Resposta do autor:
kkkk Olá querida! Nem eu sabia!
Que bom que você gostou tanto do capítulo! Mas espero não ter trazido distúrbio na sua refeição.
Amor proibido... elas se proibem, não? Muito mais que uma questão geográfica!
Dona Kedima não está esquecida, fique certa! Confia na caipira!
Machado é um capítulo à parte. Ele me diverte também.
Obrigada por sua receptividade tão positiva!
Beijos,
Sol
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Mille
Em: 07/12/2022
Oi Sol
Como assim vc colocando nossa velhinha em acidente isso não se faz kkkk
E novo encontro de Elsa e Yara, gostei de ver a rebentinha dando colo a Yara.
Enfim a família está de volta com a chegada da cabo Fernandao.
Bjus e até o próximo capítulo
Resposta do autor:
Olá querida!
Tudo bem?
Uai, o trânsito é perigoso, tem dessas coisas... a pobre estava no lugar errado e na hora errada. Mas confia na caipira. Não deixo velhinha largada no vento! rs
kkk A rebentinha foi um porto seguro para uma indígena sofrida.
Fernandão está chegando! Aí o clã ficará completo!
Obrigada, querida!
Beijos,
Sol
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Zaha
Em: 07/12/2022
Olá Samirao...oxente??!!! Na recebi mensagens e tb nao desfavoritei....vou ver o que deu de errado....
Já tenho o comentário pronto, só falta organizar...me espere pra postar um novo, por favor? Tenho duas consultas hj, e n posso ajeitar agora, entao, pode ser que de notinha esteja pronto!! Agradeco de qualquer forma...
Vou ver o q tá rolando...mas n recebi nada! Quanto as mocitas...eu busquei todas que vc tinha me pedido um tempo atrás...se tiver mais, me envia de novo pq nao chegou!!!
Beijos e se cuida!
Resposta do autor:
Olá querida Lailets!
Vocês duas juntas ninguém segura! kkk
Beijos,
Sol
PS: vou parar de responder agora mas volto mais tarde e ainda hoje
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Dandara091
Em: 07/12/2022
Alô autora!
Esse capítulo foi só emoção! História linda!
#voltakedima
#elza&yara
#aleluiapraserfeliz
Resposta do autor:
Esse veio repetido. Sinal de você tentou com fé! rs
Beijos e obrigada,
Sol
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Dandara091
Em: 07/12/2022
Alô autora!
Esse capítulo foi só emoção! História linda!
#voltakedima
#elza&yara
#aleluiapraserfeliz
Resposta do autor:
Olá querida!
Obrigada por sempre vir aqui comentar e me divertir com certas hashtags! Aleluiapraserfeliz foi ótima! kkk
Beijos,
Sol
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Samirao
Em: 07/12/2022
Sadikii leia as inúmeras mensagens que te mandei pelo Letteta please e volta a favoritar. Sem vacilaciones! Huahuahua Também quero ajuda com aquelas mocitas que te falei bjuss
Resposta do autor:
kkk Ai, meu Pai!
O que vocês estão aprontando dessa vez?
Deixa esse trem de favoritação quieto, mulher! Se ela não gosta mais dos contos, tem esse direito.
Fique mansa aí, menina!
Beijos,
Sol
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Samirao
Em: 07/12/2022
Habibem!!! Eu postei o CAPS novo ontem e... caiu um toró e fiquei sem Internet huahuahua mas agora voltei com pique redobrado! Amore melhor CAPS até agora eu amei de paixão! Concordo com Ed fiquei toda arrepiadinha. Aquela atitude da Yara foi super habibem! Elza & Yara amor de aleluia bandida! Amei!!!
Masss olha só quero minha Kedima de volta!! Bjuss
Resposta do autor:
kkkk Eita que quando volta com pique redobrado ninguém segura essa mulher!
Obrigada pelos seus elogios, apoio e dedicação de sempre!
Amor de aleluia bandida! kkk Vou usar isso aí em algum momento! rs
Fique tranquila. Você sabe que a caipira nunca deixa suas velhinhas desamparadas!
Beijos,
Sol
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Irina
Em: 07/12/2022
Olá Kotinha!
Este capítulo me emocionou deveras. Nem sei dizer ou explicar-me! Estou a amar a história!
Estou a amar este mundo interior entre Elza e Yara! Estive a viver isso no passado e vosso conto resgata-me doces recordações.
Com estima,
Irina
Resposta do autor:
Olá querida!
Muito feliz com sua presença constante nesse conto!
O mundo interior, perfeito! Você captou uma das intenções!
Obrigada pelo carinho de sempre!
Beijos,
Sol
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Seyyed
Em: 07/12/2022
Carrara caipira puta que paroles (agora estou no francês hehe). Concordo com a tua Samira que esse foi o capítulo mais foda de todos e eu fiquei arrepiada em vários momentos. A conversa Elza Yara foi linda!!! Yara e o não separa PUTA que PARIU!!! Tu entende de política!! Não é de hoje que percebo isso... Tu é ou foi política! Diz o número aí que eu voto! Hahaha
Nota DEZ DEZ DEZ!
Resposta do autor:
Olá querida!
Agora atacando no francês, oh, mon Dieu! kkkk
Obrigada que vocês estão gostando tanto! E que bom que o encontro das duas mexeu com você!
kkkk Política não. Militante sim.
Obrigada! Com nota dez passei de ano! rs
Beijos,
Sol
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Lea
Em: 07/12/2022
Esse Sargento Machado tem problema! Kkkk
"Tenente Empoderada"kk A Elza qualquer hora dessas "morre",com esses pai dela!
*
Amei o capítulo! Esse livro é PERFEITO!
BOM DIA!!!!!
Resposta do autor:
Olá querida!
Machado é uma figurinha ímpar! rs
Elza tenta, mas nem sempre consegue superar as birutices paternas! rs
Obrigada por considerar este humilde conto como um livro. Fico feliz que esteja gostando.
Volte sempre para comentar e se um dia tiver força e coragem (porque são grandes) de ler os outros que já escrevi, me diga o que achou, por favor.
Beijos,
Sol
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Marta Andrade dos Santos
Em: 07/12/2022
Uma levanta outra sempre quando precisa.
Resposta do autor:
Olá querida!
Exatamente assim está acontecendo!
Beijos e volte sempre,
Sol
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kasvattaja Forty-Nine
Em: 06/12/2022
Olá, tudo bem?
''Guerra!''
''Bellum omnium contra omnes''
A nossa Autora ''usando'' as ideias de Thomas Hobbes para ''construir'' esse capítulo? Será que Kasvattaja ''está navegando na maionese?'' Quem sabe...
E aconteceu o que Kasvattaja achava que não deveria —olha só Kasvattaja dando pitaco sem ser chamada — acontecer: Elza e Yara ''amantes''...
Pois é, querida Autora, um capítulo que nos preparará para grandes mudanças na história...
Kasvattaja só acha!
Falando em Roberto, vamos de uma música emblemática, e nada romântica como pensam muitos, mas que pode flutuar sobre o capítulo: ''Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos''...
''Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar''
Aqui, cantada pelo homenageado. Segue o link:
https://www.youtube.com/watch?v=Iilc78Vbp_A
É isso!
Post Scriptum:
''A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão. ''
Massimo Bontempelli,
Poeta
Resposta do autor:
Olá minha querida Kasvattaja!
Não, Thomas Hobbes não! Na verdade, me apoiei mesmo no Vade Mecum militar e nos embates que marcaram o capítulo. Existem vários tipos de guerra, como a pequena e a grande Jihad e a caipira certamente olha mais para dentro do que para fora numa hora como essa. Não sei se me fiz clara. Mas apologia à violência ou à desconstrução ou ao interesse individual acima do coletivo, nenhuma!
Eu sei que você não queria ver as protaganistas juntas, do ponto de vista amoroso ou sensual, mas a história leva a caipira; não somente a caipira leva a história. Amantes é a palavra que a língua portuguesa nos dá, mas talvez elas tenham sido algo mais que isso. Algo a se considerar. Às vezes, coisas do tipo acontecem. Por que não?
Temos grandes mudanças na história em vários momentos. Pessoas tão viscerais como Yara e Elza mudam de direção bruscamente o tempo todo, mesmo que o alvo a ser atingido por elas não mude. Nem todo alvo é estático. Trabalho muito com isso; movimento o tempo inteiro.
Espero que você ainda esteja gostando apesar da decepção com a caipira. Lailinha me disse que você está escrevendo um conto, o qual tenho certeza que deve ser maravilhoso. Como tenho passado muitos problemas familiares ainda não consigo acompanhar. Mal dou conta deste, que tem me refugiado abaixo de Deus. Ciente do envolvimento que temos ao escrever, agradeço ainda mais por você ter voltado.
É pedir demais dizer: não suma? rs
Beijos,
Sol
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Solitudine Em: 01/02/2025 Autora da história
Olá Minha Linda!
Aliás, esse seu codnome tem alguma relação com a forma como Seyyed chamava Isabela ou nada a ver com esse trem?
Mas, voltando ao capítulo e seu comentário maravilhoso.
Elza é uma pessoa muito disciplinada, dura consigo mesma e dura com o que ela entende como conduta inadequada. Parte por auto defesa, parte pela influência do meio em que sempre viveu, em especial a forma como Goulart entende a vida e guiou tudo em seu pequeno clã interfamiliar. Luiza é uma militar igualmente séria porém menos radical.
Fernandão é uma pessoa lúcida, embora meio muito louca. Machado não poderia passar mais tempo sem ela. E sim, ele é um fofo romântico.
Maama me chama da mesma forma que chamava quando eu era criança. E dá bronca igual também! kkk
Renata é a personificação da politicagem na política e ela vai encontrar em Yara o que sempre encontrou: uma oponente de peso! Ainda mais agora que Elza deu o apoio que nossa indígena precisava.
A conexão Elza e Yara é real, complexa e aparentemente inexplicável. Como lidarão com isso? Você verá!
E o Comuna não separou! Confesso que me arrepiei quando escrevi pois foi inspirado em uma situação em que esta pseudoYara que vos escreve encarou uns trem pesado por demais da conta dentro da militância; e sob as graças de Deus, vencemos! rs
Beijos,
Sol