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A Revolução por Alex Mills

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Palavras: 7249
Acessos: 692   |  Postado em: 03/03/2022

Um aviso

No dia seguinte eu me encontrei mais cedo com Samuel na Helena, onde ele me questionou sobre Aurora e Amy, ficando animado com o rumo dos últimos acontecimentos como se eu tivesse anunciado meu casamento. Eu não o culpava no fundo, porque era uma grande novidade quando eu estive sozinha por tanto tempo e era ele quem se mantinha como foco em nossas conversas. Não que ele se incomodasse. Mas confesso que era uma boa mudança no ritmo.

— Então está preparada para o encontro? — Ele gostava de me provocar.

— Não tem encontro! — Defendo-me. — É só um lanche normal que fazemos, mas ela estará junto. É só isso.

— Continue se dizendo isso até acreditar. — Ele sorriu. — Quando conhecerei a Aurora?

— Ou você vai lá em casa, ou espera mais alguns dias. Ela vai tirar o curativo e eu poderei passear com ela.

— Estou vendo que ela está te mudando. Nunca imaginei que você fosse aceitar um cachorro na sua casa.

— Eu estou apavorada com a ideia de que quando voltar para casa não vai restar nada dos meus móveis. Mas Amy disse que os brinquedos vão mantê-la entretida, ela me enviou alguns vídeos de como fazer uns atrativos para não a deixar entediada lá.

— Estou louco para conhecê-la. Ela é tão linda pelas fotos.

— É, não é? Ela é tão linda e fofa. Impossível resistir àquele charme.

— Aw, e eu achando que não teria mais chances contigo.

Eu me virei ao reconhecer a voz de Amy, e ela sorria para mim. Gesticulei para que se sentasse, e ela o fez do meu lado no sofá de canto. Ela tinha uma touca vermelha na cabeça que prendia os cabelos e deixava apenas algumas mechas soltas. Usava uma camisa escura com as mangas dobradas, um jeans na mesma coloração e tênis que a deixava mais alta pelos saltos.

— Eu estava falando da Aurora. — Pontuo, e ela me ergueu uma sobrancelha.

— Então eu não tenho mais chances? Eu sabia que devia ter tomado cuidado com aquela cachorra.

— Você tem razão. Ela roubou meu coração. Você perdeu as chances.

— Então vou aceitar aquela sua ideia e fugir com ela, assim vou te obrigar a vir atrás de mim.

— Não se atreva. Aurora é minha. Contente-se com Lênin.

— Somente se eu manter minhas chances, escritora.

— Que barganha injusta. — Movo a cabeça de maneira negativa, mas ela acabou rindo e beijando minha bochecha. — Tudo bem, justo.

— Foi o que pensei. — Ela sorriu e se virou para Samuel, que somente nos observava. — Olá! Nem te vi aí parado.

— Há quanto tempo! — Ele falou irônico. — Como vai?

— Muito bem, e você?

— Ótimo. Já pediu alguma coisa?

— Não, ainda não. O que vocês tão tomando?

— Café com leite. Essa aí não desiste do capuccino.

— Estou vendo, vou ser obrigada a pedir um igual já que só a vejo tomando isso.

— Não precisa. — Digo, tomando um gole e oferecendo a ela. — Mas é o melhor.

— Então eu vou acreditar em você. — Ela bebeu um gole, sorrindo para mim. — Vou pedir um igual.

Ela chamou pela garçonete e fez seu pedido. Era a mesma que tinha entregado o bilhete dela para Samuel, e eu não deixei de reparar no olhar fulminante que Amy lançou para ela enquanto fazia seu pedido, como se afirmando que ela não tinha conseguido atrapalhar seus planos. Seu pedido não demorou a ficar pronto e logo estávamos todos comendo juntos.

— E Aurora? — Ela me perguntou. — Está se adaptando?

— Ela? Perfeitamente. Disse que o sofá é dela e ai de quem tentar tirá-la de lá. Nem parece que a atropelei. Está perfeitamente bem.

— Oh, que espertinha ela. — Ela riu. — Leve-a ao meu consultório até o fim da semana e eu verei como está a pata dela.

— Claro, ela vai ficar feliz em te ver.

— Por falar em felicidade, você me deve um autógrafo.

— Devo? — Troco um rápido olhar com Samuel enquanto a vejo tatear a bolsa.

— Oh, não achou que eu me esqueceria de procurar, achou? Mas eu sou insistente, e tive que passar a noite procurando por algum livro de Ana. — E ela pareceu encontrar, porque retirou meu antigo livro publicado no meu nome. — Foi o único que achei, e isso me fez pensar em várias coisas.

— Eu posso imaginar.

— Você disse que estava de férias, achei que fosse por isso. Mas é um livro de muitos anos atrás, você não teria férias de anos, não é? Então achei que não publicasse mais. Mas você não me disse se fazia algo além de escrever. Cheguei à conclusão de que não publica com o seu próprio nome, mas como eu saberia qual? Eu nem sabia seu sobrenome.

— Martins. — Samuel comentou, eu reviro os olhos para isso.

— Sim, Martins. — Amy concordou, eu somente apoiei a cabeça em minha mão sobre a mesa, imaginando onde aquilo iria dar. — Achei curioso que você publicou esse livro na mesma editora em que a Isa Miranda publica. E as datas batem. Seu sumiço como Ana e o aparecimento de Isa.

— Não quer dizer nada. — Pontuo.

— Realmente, eu não vi lógica nenhuma. Mas ontem você me falou de um livro que não fez tanto sucesso, sobre um herói com nome de dragão que queria matar todos os dragões e acabou se tornando um. — E ela voltou a mexer na própria bolsa, retirando outro livro, o mesmo do qual falava. — Você tinha razão, foi difícil achar esse. Imagina minha surpresa ao não encontrar seu nome na capa. Achei que quisesse me ganhar falando da autora que gosto, mas não me parece seu estilo.

— Não, realmente. — Concordei, soltando um suspiro, mas acabei sorrindo com a linha de raciocínio que ela estava seguindo.

— Então resolvi tirar a prova. — Ela pegou o celular e pareceu digitar, alguns segundos depois o meu, que estava ligado sobre a mesa, acendeu a notificação de uma mensagem. — Eu enviei uma mensagem a Isa Miranda para elogiar o filme. E ela me respondeu, acredita?

— Eu acredito. — Peguei o celular e abri a mensagem, porque era da página de Isa e a mensagem era de Amy, mas a foto era do cachorro, que eu julguei ser Lênin. “Você fica linda sorrindo, Isa”, era o que ela dizia na mensagem, eu acabei sorrindo, porque ela tinha decifrado tudo realmente. — Bem... — Eu respondi a mensagem, erguendo os olhos para ela. “E você fica linda bancando a investigadora.” — E agora, o que vai fazer com isso?

— O que? Você vai me dar um autógrafo, Isa Miranda, porque você me fez perder uma noite preciosa de sono.

— Tudo isso por um autógrafo, vet? — Eu a provoquei, mas aceitei a caneta que ela me ofereceu, começando a assinar meu nome em ambos os livros, acrescentando uma dedicatória.

— Você devia dar um prêmio de verdade para ela. — Samuel falou. — Com tantas pessoas tentando descobrir, e olha quem consegue.

— É, eu realmente deveria. — Ergo os olhos dos livros para ela, recosto no estofado e bebo o último gole do capuccino. — Diga, e você terá.

— Oh, eu não fui tão longe para ganhar algo com isso. — Ela riu, guardando os livros.

— Mas você merece ainda assim.

— Bem, se insiste, eu decidirei isso depois. — Ela ainda sorria, contente apesar do cansaço.

— Eu não sei se sabe a importância, mas por favor, sequer pense sobre isso perto dos outros. Eu estaria arruinada se soubessem quem sou nessa altura.

— Eu posso imaginar. Você teve seus motivos para criar Isa Miranda e não continuar divulgando seu trabalho com seu nome. Eu não seria maluca em comprometer o que você criou.

— Ela é completamente paranoica sobre isso, acredite em mim. — Samuel comentou em tom descontraído, mas eu sabia que era o jeito dele de falar sobre algo sério. — Eu já levei vários puxões de orelha só por falar o nome de quem você sabe bem.

— Então eu não direi também. Eu ainda sou sua fã, mas eu quero conhecer mais sobre você, Ana, comprometer sua outra identidade iria prejudicar meus planos.

— Então você tem tudo planejado afinal. — Falo calma, incapaz de afastar a sensação de alívio que suas palavras me causaram.

— Sim, eu só vou precisar da sua ajuda com os votos de casamento, só para não soar muito controladora. — Isso me fez rir, Samuel gargalhou. — Não se preocupe, eu tomarei cuidado. Sei que acabamos de nos conhecer e você não tem a obrigação de confiar em mim, então se tiver que assinar algum contrato de confidencialidade eu não terei problemas em o fazer.

— Não, você não precisa fazer isso. Admito que era uma grande preocupação minha se você soubesse, mas nessa altura você já teria feito o serviço de divulgar o que sabia antes de vir aqui me dizer.

— Ah, ninguém acreditaria em mim. Eu vim coletar sua confissão e amanhã vou lançar em toda mídia.

— Agora faz mais sentido. — Sorrio, inclino na sua direção e seguro seu rosto em mãos, baixando meu tom. — Eu sou Isa Miranda, meu verdadeiro nome é Ana Martins. Acho que deu para gravar agora, não é?

— Sim, deu. — Ela não se incomodou, sequer tentou se afastar. — Seus olhos são mais escuros de perto.

— Os seus são mais claros.

— Se forem se beijar posso gravar? — Samuel perguntou.

— Ah, você ainda está aqui. — Reclamo, revirando os olhos antes de me afastar de Amy. — Não posso fazer nada em frente a crianças.

— Você é tão má. — Ele reclamou.

— Há quanto tempo você sabe sobre a identidade dela? — Amy questionou, olhando para ele.

— Eu sempre soube. Ela nunca soube guardar segredos de mim.

— Oh, querido, você nunca saberia isso. — Pontuo, cruzando os braços. — Mas sim, ele sabe desde o começo. Me ajudou com o nome e os disfarces.

— Só ele sabe?

— Manuela também.

— Você deve ser muito boa em se camuflar então. Nem mesmo seu editor sabe?

— Não. Eu tenho que ir lá às vezes. Mas estou sempre com o disfarce para ele não ver meu rosto e ele não sabe meu nome.

— Uau. — Ela realmente parecia impressionada, eu vi que ela tinha várias perguntas, ao menos imaginava que deveria possuir diversas com o que tinha descoberto, mas ela decidiu não as fazer. — Eu vou deixar Isa descansar hoje. — Ela me piscou o olho.

Ela provavelmente queria tempo para absorver o que tinha descoberto, e eu precisava do mesmo tempo para receber o impacto de que alguém tinha descoberto em tão pouco tempo ao meu lado. Eu precisava melhorar meu álibi enquanto Ana para que ninguém me associasse à Isa tão facilmente. Samuel foi embora pouco tempo depois, então Amy decidiu me dar uma carona para casa uma vez que vim andando à lanchonete.

Ficamos do lado de fora do carro em frente à minha casa por um tempo, em silêncio. Eu sabia que ela estava se segurando com as perguntas e eu resolvi dar crédito a ela.

— Obrigada. — Digo, atraindo sua atenção, seu cenho franzindo em confusão. — Você me tirou um peso das costas descobrindo sobre Isa agora.

— Agora?

— Sim, agora, quando estamos nos conhecendo. Eu odeio mentiras, e sei que sou hipócrita por isso porque me escondo atrás de uma personagem, mas é diferente quando tem pessoas perto de mim. Com os fãs é diferente, eu posso manter a distância.

— E você tem certeza de que não quer me manter como uma fã?

— Você dificilmente se manteria somente como fã, Amy. A menos que seja o que queira agora. — Inclino a cabeça, sem receber uma resposta. — Eu entenderia. Muita coisa tem acontecido em torno de Isa Miranda e eu não te julgaria se achar que é o tipo de coisa que você não quer lidar. — Desvio o olhar de volta para a minha casa, recostando no carro. — Ultimamente nem eu sei se consigo lidar com tudo que tem acontecido.

— Isa Miranda tem atraído atenção de muitos grupos contra as bandeiras. — Ela comentou devagar.

— Sim. Não era realmente a minha intenção ser associada a esses movimentos mais extremos. Eu só... Eu só queria que as pessoas enxergassem os livros como aliados. Que não tomassem por normal a forma que temos que viver aqui. Que elas lutassem para mudar, mas não para destruir tudo.

— Você fala de mudanças nos livros. E toda mudança gera um caos.

— Eu não queria incitar ninguém ao caos, mas é o que está acontecendo. E eles não estão gostando disso. Se os grupos não me esquecerem, acho que nunca voltarei dessas férias.

— Eles quem? Sua editora?

— Editora é uma peça pequena.

— Oh. — Ela se surpreendeu, parecendo absorver essa informação.

— E mesmo que eu volte a publicar, acho que não será mais como antes. Se eu continuar atraindo esse público, é capaz que eles me cancelem para sempre.

— O que?

— Não é nada que você tenha que se preocupar, Amy. — Olho para ela, sorrindo de lado. — Eu comecei tudo isso. Agora tenho que lidar com as consequências.

— Isso é errado. Você apenas escreve, você não comanda grupo nenhum.

— Não é o que eles estão achando.

— E se mudasse de editora?

— Não mudaria realmente o problema. As editoras respondem a um mesmo órgão assim como todos nós. Eu só... preciso ir devagar. Deixar a poeira baixar. Escrever algumas coisas normais para acalmar os ânimos. Assim eles deixam de perguntar pelo meu nome, deixam de me procurar.

— Eles estão querendo saber sua identidade?

— Se já não sabem, sim. Isso ou meu chefe queria me assustar o suficiente.

— Você precisa de proteção.

— Proteção? Amy, eles são a lei. Vão calar quem eles quiserem se significar que estão protegendo o que acreditam. Eu sou apenas um peixe pequeno que eles estão vendo como tubarão e vão exterminar se eu morder.

— Você não pode simplesmente deixar de escrever o que quer porque eles estão incomodados com o resultado.

— Eu não faço as regras aqui, babe.

— Ana... — Ela respirou fundo, e dessa vez se aproximou de mim, apoiando as mãos no carro e me encurralando naquele lugar. — Eu não quero que nada aconteça a você.

— Nem eu a você.

— Então deixe-me oferecer proteção a você.

— Você? O que vai fazer, vet? Vai enviar os cachorros atrás deles? — Sorrio com a ideia, mas ela continua séria.

— Algo assim. Você não tem que se preocupar.

— É claro que tenho que me preocupar. O que está me propondo aqui?

— Apenas que ninguém faça nada contigo diretamente.

— E como vai garantir isso? Você está envolvida com um desses grupos? Porque se estiver, isso só vai piorar as coisas para mim. Então não faça nada.

— Ao menos me diga se tentarem algo contigo.

— Você saberia de um jeito ou de outro. — Sorrio, tocando seu queixo. — Você está escondendo algo também, não é? Sobre você.

— Sim, e eu sinto muito por isso. Eu vou te contar, só me dê um tempo.

— Tudo bem. Não é como se eu estivesse em posição de te julgar.

— Você me diria sobre Isa? Se eu não tivesse descoberto e dito hoje.

— Se isso aqui fosse adiante? Sim, eu te contaria.

— É bom saber. Eu vou te contar. Só não hoje. É uma longa história e eu quero te preparar para isso.

— Você é casada?

— O que? Não! Não é esse tipo de coisa. — Ela acabou rindo, incrédula, mas eu estava feliz pela tensão ter passado.

— Você decidiu? — Pergunto com um pequeno sorriso. — Sobre seu prêmio.

— Oh, meu prêmio. — Ela continuou me mantendo ali, eu não a impedi de continuar. — Você está livre sábado, escritora?

— Hoje ainda é segunda. Está com tanta pressa assim, vet?

— Eu quero garantir que não tenha qualquer compromisso com antecedência. — Ela se aproximou, olhando-me de perto. — Então não me enrole. Tem algum compromisso?

— Talvez eu mude de cidade, de nome, de casa.

— Eu descobriria mais cedo ou mais tarde e iria atrás.

— Oh, que medo. — Rio, segurando sua cintura e invertendo nossa posição quando percebo que ela continuava se aproximando. — Segure as rédeas, vet. E não, não tenho compromisso. Estou de férias, lembra?

— É bom saber. — Ela riu baixinho. — Significa que posso te encontrar na lanchonete nos outros dias?

— Sim, você pode, se quiser.

— Não pense que desisti de finalizar os quarteirões, Ana. — Ela sorria mais leve, e eu me demorei um instante a mais naquele sorriso.

— São poucos agora. — Admito, inclinando-me e beijando sua bochecha. — Vá para casa, vet. Nos vemos amanhã.

— Está bem, boa noite, Ana.

— Boa noite, Amy.

Eu não a vi o resto da semana, nem mesmo quando fui ao seu petshop com Aurora para tirar o curativo, soube que ela não estava lá e outra veterinária me atendeu no lugar dela. Ela me mandava mensagem, dizendo que estava resolvendo outros problemas fora do consultório, mas que me encontraria no petshop antes que terminassem os cuidados de Aurora. Eu ainda enrolei mais algum tempo, comprando alguns brinquedos e uma nova coleira para ela, além de fazer o registro dela como minha cachorra. Eu a estava mimando e ela não estava reclamando nem um pouco.

Eu encontrei Amy enquanto colocava as novas posses de Aurora no porta-malas, ela sorriu para mim, mas eu percebi o quanto estava cansada. Ela se abaixou para falar com Aurora primeiro antes de depositar um beijo na minha bochecha, silenciosamente recostando no meu carro. Não digo nada e faço o mesmo. Aurora parece estranhar, porque ela pulou em mim, animada e cheia de energia, pedindo atenção.

— Ela quer passear. — Amy falou por fim. — Vem, vamos dar uma volta. Acho que preciso respirar um pouco.

— Você precisa descansar. — Pontuo, olhando-a. — Não devia trabalhar tanto, vet. Vá para casa dormir um pouco, o mundo não vai acabar se dormir.

— Talvez, mas eu queria mesmo te ver, então me dê um desconto.

— Que mentira, você veio aqui só porque Aurora estaria junto e você continua com os seus planos de a roubar de mim.

— Eu não vou precisar roubá-la se eu tiver a dona perto, não é? — Ela me olhou com um sorriso convencido, eu me demorei olhando seu sorriso, porque senti falta de o ver durante aquela semana.

— Está bem, vet. Vamos dar uma volta.

Ela pareceu aliviada, então me guiou pela rua depois de eu trancar o carro propriamente. Aurora andou do meu lado porque eu mantive a coleira justa, pessoas passavam do nosso lado naquela manhã e eu não queria descobrir da pior forma se ela seria amigável com todos. O verão tinha chego quente aquele ano, eu tinha colocado uma calça slim de ginástica com camiseta e tênis, meus cabelos presos num rabo no topo enquanto as laterais na frente continuavam soltas.

Amy estava de jeans, regata e colete, todos em tonalidades escuras enquanto eu mantive cores clara. Seus cabelos estavam presos numa trança justa nas costas. Eu me perguntava o que ela esteve fazendo para parecer tão cansada.

— Aurora se recuperou bem. — Ela comentou após um tempo.

— Sim, e tem estado animada. Ao menos agora posso fazer caminhadas com ela perto de casa.

— Isso é bom. Passeios fazem bem aos cachorros, deixam eles cansados.

— Sim, minha mobília agradece.

— Destruindo demais?

— Ela mastigou os pés das minhas cadeiras ontem à noite. — Isso a fez rir, eu somente balancei a cabeça, conformada. — Ao menos não engoliu nada.

— Que bom. Como estão indo suas férias?

— Ah, nada divertidas. — Isso atraiu sua atenção, ela me ergueu a sobrancelha. — Digamos que eu fui parada na rua ontem enquanto voltava da Helena e interrogada pelos soldados.

— Interrogada? Mas por que?

— Você não tem olhado minha página esses dias, não é? — A página de Isa, mas ela devia ter visto meu desconforto para pronunciar o nome porque ela pareceu mais preocupada.

— Não, não tive tempo. — Ela pegou o celular, eu parei de andar porque Aurora decidiu defecar na faixa de gramado da calçada e eu tive que esperar. — Você publicou um texto. — Ela parecia ler ainda. — Ah. — Então me olhou.

— Eu sei, não devia ter feito uma provocação. Eu só... estava entediada.

— Você fez uma piada sobre as férias serem uma salinha de espera de uma base militar móvel. — Raciocinou, guardando o celular.

Base militar móvel era uma tenda que montavam quando iriam revistar e interrogar pessoas em geral na rua. Também havia a Base Militar de Treinamento e a Base Central dos militares; eu preferia não descobrir as ocultas.

— Mas como isso te fez ser interrogada na rua?

— Cinco minutos depois da publicação meu editor estava me ligando, mandando eu apagar. Mas nessa altura todos já tinham visto e compartilhado.

— Ele contou sobre a sua identidade?

— Eu não tenho certeza. Os soldados não falaram o nome, pareciam inseguros sobre isso, como se suspeitassem, mas tinham medo de estarem errados e acabarem causando uma comoção.

— O que eles queriam saber então?

— Onde eu estava, com quem, se tinha testemunhas. — Eu peguei uma sacola no bolso e então coletei a sujeira de Aurora, jogando numa lixeira ali perto. Voltamos a andar. — Tinha pessoas passando na rua e eles estavam muito incomodados com o movimento. Eu não sei. Disseram para eu tomar cuidado com as minhas atitudes porque tinham um preço e eu não gostaria de pagar por elas.

— Eles te ameaçaram. — Constatou. — Ana, isso é sério. Se eles não sabem sua identidade, ao menos desconfiam, e isso é perigoso.

— Eu sei. Eu não postarei mais nada que os provoque na página, eu fui uma idiota em achar que passaria despercebido.

— Não é sua culpa, não foi o que quis dizer. Só estou dizendo que eles temem o que você representa. E se estavam com medo de dizer seu nome perto dos outros, eles temiam que fizessem barulho para te defender.

— Você acha que esses grupos querem minha proteção? — Eu usei essa palavra de propósito, porque era o que ela tinha me oferecido na outra noite.

— São esses grupos que eles temem que você influencie, não é? Claro que as pessoas desses grupos iriam querer você inteira e apta a continuar escrevendo.

— Eu tenho recebido mensagens desde então. — Digo mais baixo, mantendo os olhos à frente.

— Ameaças?

— Também. — Sorrio infeliz com a recordação. — Mas de alguns grupos também, oferecendo apoio. Fizeram doações na minha página... bastante generosas. Mas aceitar o dinheiro é aceitar a ligação com eles. Eu não sei o que fazer.

— Samuel ou Manuela sabem sobre isso?

— Não, eu não quero que eles fiquem envolvidos. Desculpa, eu não quero envolver você também. Eu não devia estar te dizendo nada.

— Ei, está tudo bem. Estou contente que esteja abrindo isso comigo, você não pode lidar com tudo o que está acontecendo sozinha.

— Eu só não sabia mais para onde correr. Tenho medo que usem você ou Samuel como um meio para me atingir.

— Não se preocupe comigo, mas foi uma boa ideia não dizer nada a Samuel. — Ela segurou minha mão e envolveu nossos dedos, eu olhei o gesto e então a olhei nos olhos castanhos, ela estava séria e determinada. — Eu vou te ajudar com isso, você não está sozinha.

— Me ajudar como?

— Só confie em mim como me confiou o nome de Isa.

— No que eu estou exatamente confiando aqui? — Paro de andar, porque tinha visto uma dupla de soldados vindo em nossa direção na mesma calçada.

— Em mim, Ana, só em mim. — Ela se aproximou para me olhar de perto, ainda segurando minha mão. — Eu não te causaria problema algum.

— E eu te causaria algum?

— Problema nenhum. Pelo contrário. — Ela sorriu.

— Tudo bem, eu vou pensar melhor sobre isso. — Eu beijei sua testa e então sua bochecha. — Vamos voltar.

— Sim, vamos. — Ela olhou na direção dos soldados, então seguimos na outra direção, voltando por onde tínhamos vindo. — Você não esqueceu nosso encontro amanhã, não é?

— Não. — Rio. — Mas talvez seja melhor se adiássemos, você sabe, se quiser descansar. Você não parece mais inteira que eu essa semana. E talvez seja melhor tirar o final de semana para dormir e relaxar.

— Não, não. Eu tenho tudo planejado para amanhã. Eu vou te buscar de manhã e vou te manter entretida o dia inteiro. — Ela me olhou com um sorriso cheio de expectativas. — Sem falar que será melhor nos mantermos ocupadas juntas do que ficarmos pensando em todos os problemas, não acha?

— Sim, parece bom para mim. Sinceramente acho que é justamente o que estou precisando agora.

Voltamos para junto do meu carro em frente ao seu petshop. Ela se despediu de Aurora depois que eu a prendi em segurança no banco traseiro e fechei a porta, voltando a olhá-la. Eu não sabia o que ela estava escondendo de mim, mas naquele momento não importava, era somente Amy a minha frente, a mulher que vem buscando ficar próxima de mim desde o começo.

— Não apronta nada até amanhã, vet. — Digo em tom de brincadeira.

— Nada me impediria de encontrar você amanhã. Tome cuidado você.

— Eu vou tentar.

— Me avise se te interrogarem de novo. — Ela pausou, os soldados passaram por nós, lançando olhares, mas não pararam e seguiram seu caminho. — E não fique na rua sozinha.

— Está bem. — Rio, porque era curioso ter sua preocupação em mim tão exposta. — Tente descansar hoje.

— Só porque você está pedindo. — Ela se inclinou e pressionou os lábios na minha bochecha demoradamente; eu toquei seu rosto e ela se afastou, mas ficou perto. — Pense no que eu te disse. Eu posso mantê-los longe de você.

— Querida, eu preciso entender exatamente o que você está me propondo aqui. — Eu precisava entender como estava tão inclinada a aceitar sem saber o que era. — E eu não vou te apressar em me dizer.

— Eu sei. Mas não diminui minha preocupação com o que eles podem fazer contigo.

— Não se preocupe com isso, eu vou tomar mais cuidado nos momentos que estou entediada.

— Me envie uma mensagem se estiver entediada, eu ficaria feliz em te ocupar.

— Muito oportunista você. — E eu queria não gostar da ideia. — Tenho que ir agora, combinei com Samuel de o apresentar a Aurora.

— Tudo bem, eu farei esse sacrifício e te deixar ir. Mas só porque eu sou muito boa e porque Samuel me ajudou a chegar aqui.

— Quão bondosa você. — Reviro os olhos enquanto ela se afasta, sorrindo mais leve. — E se dê um pouco de crédito. O mérito é todo seu, ele só nos apresentou porque a garçonete quis nos pregar uma peça.

— E pregou, mas eu consegui o que queria no fim. Então te vejo amanhã.

— Sim, até amanhã, Amy.

Ela ficou ali enquanto eu dava partida no carro e seguia de volta para casa. Eu não sabia pontuar o exato motivo pelo qual eu me sentia tão atraída por Amy e não conseguia erguer todas as minhas defesas para impedir sua aproximação. Talvez fosse aquele sorriso fácil, ou talvez fosse sua insistência e espontaneidade em se aproximar.

Havia um mistério a ser desvendado, mas eu estava disposta a continuar até saber tudo, da mesma forma que ela se dispôs a saber meus maiores segredos, eu queria merecer os dela.

Samuel chegou pouco tempo depois em minha casa, então ele conheceu Aurora. Minha cachorra não tinha qualquer problema com visitantes e fez festa para o receber, além de aceitar suas brincadeiras. Ela só rosnou quando ele tentou sentar no lado que ela estipulou ser dela no sofá. Fora isso era só alegria e modelo, porque adorava tirar foto.

— Ela é tão fofa e simpática. — Samuel repetiu enquanto acariciava a cabeça dela. — Como ela está te aguentando?

— Ha-ha. Muito engraçado. Ela me ama.

— Ela parece gostar mais de mim.

— Você é só uma distração. Quando ela se cansar de você ela volta para mim.

— Eu sou inesquecível! Ela nunca vai largar de mim. Acho que serei obrigado a levá-la comigo para o encontro. Sophie vai adorá-la.

— Ei, minha cachorra, minhas regras. Ela só sai comigo, simples assim. E ela não é uma bijuteria para você esbanjar para a sua vítima. — Pontuo com tom leve. — Que horas que você vai encontrar com ela afinal?

— Daqui a pouco. — Ele olhou no relógio do celular.

— E vai desse jeito? Oh, por favor, as coisas estão tão ganhas com a professora já que se dá ao luxo de vestir qualquer trapo no seu armário para encontrá-la?

— Oh, desculpa se não estou à sua altura. — Ele quem revirou os olhos. — Eu não tinha planejado ficar tanto tempo, sua cachorra monopolizou todo o meu tempo.

— Há quanto tempo está de olho nessa professora?

— Alguns meses, ela se faz de difícil. — Ele recostou no sofá, somente o olhei, esperando que continuasse. — Eu quero saber se realmente vale a pena! Mas no fundo eu sei que sim. Ela é séria e direta, inteligente, sofisticada. Ela dá aula para o quinto ano com tanta classe que as crianças nem causam problema.

— Oh, Samuel está apaixonado.

— Talvez. Confesso que faz tempo que uma mulher não atrai minha atenção dessa forma. Ela rejeitou meus pedidos para sair tantas vezes.

— Provavelmente achou que você era um galinha.

— Talvez. — Repetiu, erguendo a sobrancelha para mim. — Mas eu não sou. Eu nem tenho tanto tempo assim. Aquelas crianças me deixam exausto o suficiente para só pensar em dormir quando chego em casa.

— Mas pelo visto a professora vale a pena seu tempo livre. Qual o nome dela mesmo?

— Sophie. Ela é professora de matemática. Ela é realmente boa nisso. Aquelas pestes a adoram.

— Elas adoram você também que eu sei. Vivem te enchendo de doces no dia dos professores e no seu aniversário.

— Isso é verdade. — Ele riu. — Falando nisso, abriu uma vaga para professora substituta do 8º ano. Camila entrou de licença maternidade e a outra substituta sofreu um acidente e eles estão procurando alguém desesperadamente.

— 8º ano? Bem, acho que consigo lidar. Você pode me indicar?

— Claro, considere feito.

— Ótimo. Tem sido um tédio ficar com tempo livre demais.

— Bom, eu tenho que voltar para casa, tomar banho e me encontrar com Sophie. Diga a Manuela para parar com essa vida de baladeira.

— Oh claro, direi com certeza. — Eu não diria nada, e ele sabia.

— Vê se não se atrasa amanhã para o seu encontro com Amy! Eu puxaria a sua orelha. — Ele se levantou, eu acabei sorrindo enquanto o acompanhava para a porta.

— Oh, não, ela virá me buscar aqui. Impossível me atrasar.

— Sei, então vê se não assusta a garota. Ela realmente parece legal e parece estar te fazendo bem. Estou torcendo por você.

— Eu não quero afastá-la mais, se isso serve de alguma coisa. — Giro o trinco, abrindo a porta. — Então deixarei que as coisas aconteçam naturalmente amanhã.

— É bom te ouvir falando assim. Boa sorte para nós!

— Se comporte, Samuel.

— Não se comporte, Ana!

Reviro os olhos, ele foi embora. Aurora queria passear de novo, eu cedi, porque ela era adorável pedindo. A noite estava quente e eu precisava espairecer também. Eu encontrei soldados pelo caminho, mas eram os que faziam a ronda no bairro, então não me preocupei. O que me preocupou foi quando me vi entre um grupo de pessoas ao meu redor. Quatro pessoas vieram à minha frente e outras quatro atrás, quando notei já era tarde e elas me tinham encurralada no meio da calçada.

Não eram soldados, pareciam pessoas comuns. Três homens e o resto mulheres, com aspecto maduro. Cada um tinha seu próprio estilo de roupa, de forma que eu não conseguia associá-los a nada.

— Vocês querem alguma coisa comigo? — Perguntei, sem realmente olhar para um em específico.

— Você é Ana Martins? — Uma mulher alta, com cabelo black power e roupas formais me perguntou.

— E quem quer saber?

— Eu sou Deborah Schnizer. Faço parte da facção Pró-Independência. Esses são meus companheiros.

— Pró-Independência? Eu nunca ouvi falar.

— E por acaso eles deixam que alguém saiba de grupos organizados?

— Os Sem Bandeiras fazem bastante barulho sem precisar de ajuda.

— Eles são uns idiotas que querem atenção, não são nada demais. — Ela sorriu enquanto os outros riam baixo. — Não queremos esse tipo de atenção.

— Eu estou mais interessada com o que querem comigo, nesse momento. Ou a técnica de recrutamento de vocês é essa abordagem intimidadora?

— Eu sinto muito que tenhamos gerado essa impressão. — Ela se aproximou e estendeu a mão para mim, sua altura considerável para alguém como eu, que tenho altura mediana. — Eu não quero te intimidar. Eu quero que sejamos aliadas, Ana Martins, ou devo dizer Isa Miranda?

— De onde você tirou essa informação? — Estreito os olhos, ignorando sua mão.

— Você não tem uma grande proteção dos dados na página da Isa Miranda. É fácil entrar na sua conta e descobrir sua localização, por isso foi fácil te achar. Mas não se preocupe com isso. Eu tenho mantido sua identidade a salvo há algum tempo. Eu protegi sua página das tentativas de invasão.

— Depois de ter invadido? — Pergunto com ironia.

— Foi melhor que tenha sido eu e não outros grupos.

— E quem garante que está falando a verdade? Eu nunca disse que sou Isa. Eu só estou passeando com minha cachorra e vocês me pararam de repente.

— Imaginei que não fosse acreditar tão fácil. — Ela sorriu e se abaixou, estendendo a mão para Aurora.

Eu desejei que ela mordesse ou ao menos rosnasse, mas ela abanou o rabo e deixou que Deborah acariciasse sua cabeça. Reviro os olhos para a cena, Deborah somente riu, parecendo apreciar a interação com minha cachorra.

— Ela sabe que não represento perigo nenhum. — Ela me disse. — E você vai saber disso também, Ana. — Ela tateou o bolso do casaco e retirou um celular, começando a digitar. — Seu login na página é MirandaOficial e a senha é pizzadechocolate69. — Ela ergueu os olhos para mim e me mostrou a tela do seu celular, ela fazia realmente login na minha página. — Preciso dar um ok para entrar?

— Tudo bem, você está certa. — Suspiro derrotada. — O que você quer comigo?

— Nada. — Ela sorriu e se levantou, guardando o celular.

— Mas eu quero. — Outra mulher se aproximou e ficou do lado dela, junto a um homem. — Eu sou Trisha e esse é Marcus.

Trisha não era tão alta quanto Deborah, mas era tão linda quanto, eu me praguejei por reparar nisso. Ela tinha o tom de pele um pouco mais claro, o cabelo com tranças escuras, presas juntas sobre um ombro. Ela usava roupas combinando, parecia ter estilo ou profissão na moda, porque era a que estava mais bem vestida e que chamava a atenção. Marcus tinha a barba por fazer, uma expressão séria e olhos escuros, cabeça raspada e pele bronzeada, tinha estilo mais social como Deborah.

— E o que você quer? Porque até onde percebi terei que pagar um preço pela minha identidade. — Digo com seriedade, sentindo-me impaciente em meio a tantas pessoas.

— Eu quero que continue escondida, Ana Martins. Mas quero dar à Isa a chance de continuar falando sem censura. — Trisha falou com voz suave, mas com certeza do que falava, de forma que não deixava dúvida pelo seu tom manso.

— Se não sabe, minha identidade já está comprometida.

— Não, não está.

— E os soldados me interrogando é alucinação?

— Eles estão interrogando muitas pessoas, você não é a única. Eles têm uma ideia da sua aparência por causa das câmeras da sua editora. Mas não conhecem seu rosto, você fez bem em o esconder até hoje.

— Minha editora responde a eles, logo, se eu falar o que eles não querem que seja dito, eu não poderei mais publicar nada.

— Você pode. As pessoas tem doado dinheiro na sua página para bancar a produção dos seus livros de maneira independente. Você terá sua própria marca, por assim dizer, e nenhuma editora para te censurar. Você só tem que romper o contrato e continuar escrevendo, manter sua identidade como civil intacta como qualquer pessoa.

— E eu vou escrever o que vocês querem que eu escrava? Não parece uma troca tão diferente.

— Não quero que escreva nada diferente do que tem escrito. Mas se vai deixar de lado seus vínculos com a editora, você terá liberdade para deixar claro a mensagem que tem tentado passar por trás dos seus romances.

— E por que eu faria isso?

— Porque queremos a mesma coisa que você. — Marcus resolveu falar, seus olhos intensos em mim. — Queremos mudanças, para todos. Mas para isso as pessoas precisam ter alguém em quem se espelhar, em se apoiar.

— E vocês querem tornar Isa Miranda nesse símbolo?

— Queremos que Isa seja uma inspiração. — Trisha respondeu. — Ela já tem atraído atenção, só queremos que continue fazendo isso sem as amarras de uma editora.

— E o que o seu grupo organizado quer, afinal? Para o que Isa Miranda estaria inspirando as pessoas? Os Sem Bandeiras querem o extermínio das bandeiras e dos representantes.

— Eles querem o caos. — Marcus franziu o cenho, incomodado com a comparação implícita na minha pergunta.

— Não queremos acabar com as bandeiras nem com os representantes. — Trisha voltou a explicar. — Queremos que mudem a forma de liderar e compartilhem as informações de maneira clara, sem censura e sem violência. Para isso precisamos que mudem os atuais representantes e que as pessoas se tornem mais ativas nas tomadas de decisões deles.

— Simples assim? — Estreito os olhos, sentindo-me cética. — E como exatamente vocês pretendem convencê-los a mudarem de representantes?

— Eu não terei qualquer problema em compartilhar essas informações com você.

— Tão logo você retribuir a confiança que estamos depositando em Isa Miranda. — Deborah sorriu para mim, um sorriso convencido. — Tudo o que você precisa saber agora é que não diremos nada sobre a identidade de Isa, e nem deixaremos que descubram. Logo, nada mais justo que não comente sobre nosso encontro com ninguém.

— Isso é fácil. — Reviro os olhos. — Não é como se eu quisesse envolver mais pessoas na lista deles para investigar.

— Viu? Simples.

— Nos encontraremos de novo então, Ana. — Trisha estendeu a mão, eu aceitei, apertando. — Enviarei meu contato na sua página quando tiver uma resposta para nós. Então marcaremos um encontro mais agradável.

— Tudo bem.

— Boa noite, Ana. — Ela se afastou, o restante do grupo fez o mesmo.

— E você pare de ler minhas mensagens na página. — Aponto para Deborah, que gargalhou.

— Claro! — Ela ergueu as mãos em sinal de rendição. — Aguardarei pelo encontro agradável assim sendo. — Ela piscou na minha direção.

— Tome cuidado com a sua namorada. — Marcus me disse, cruzando os braços, olhos duros em mim.

— Minha namorada? — Repito.

— Marcus, deixe-a em paz. — Deborah o repreendeu, pressionando a mão em seu ombro.

— Amy Fontenelle não é tão inocente quanto parece. — Ele falou mesmo assim, e eu o encarei com pouca ou nenhuma paciência, porque não gostava do tom que ele estava usando.

— Marcus-

— Ela é só uma piranha mimada que está te enganando desde o começo.

— Marcus, não é? — Falei entredentes, sentido minha boca seca e meu coração acelerado. — Eu vou deixar algo claro para você e seu grupo. Eu não quero ninguém se intrometendo na minha vida pessoal, nem com as pessoas com quem eu me importo. — Aponto o dedo no seu peito, mantendo meus olhos fixos nos dele. — Eu não me importo com o que você sabe ou com o que você quer com isso. Mas se voltar a falar o nome dela, eu juro que será a última coisa que você falará. Eu fui clara? Eu não tenho problema nenhum em quebrar os seus dentes, e faria isso agora mesmo.

— Oh, essa é a minha garota! — Deborah parecia contente apesar de tudo, rindo depois de empurrar Marcus pelos ombros. Após um longo instante me encarando ele virou as costas e foi embora junto aos demais. — Finalmente alguém peitou aquele idiota! — Deborah ainda comemorava, e me abraçou, querendo me parabenizar. — Estou orgulhosa de você!

— Ah por favor, ele não pode simplesmente achar que pode falar o que pensa e ficar por isso mesmo. — Digo, metade da minha raiva passando por causa da animação dela.

— Eu penso da mesma forma! Mas ele acha que porque é ex-marido de Trisha isso o torna imune.

— Ex-marido? — Eu devo ter feito uma careta, porque ela riu.

— Péssima escolha, eu também acho. Mas ela caiu em si em tempo, vamos concordar. — Ela sorriu abertamente para mim. — Não se preocupe com ele, sua namorada só o irrita porque sabia de tudo antes de nós e porque a Resistência Avant tem mais recursos que nós e tem armas.

— Resistência Avant? — Massageio a ponte do nariz, fechando os olhos com todas aquelas informações. — Onde estou me metendo?

— Ah, não se preocupe! Eles têm os mesmos ideais que nós, mas eles têm armas e dinheiro. — Ela riu, sem se incomodar.

— Ela sabia de tudo sobre o quê?

— Sobre a Isa! — Falou como se fosse óbvio, e eu a olhei, erguendo a sobrancelha. — Ok! Eu falo demais, eu sei disso. Eu vou embora antes que a torne sua ex-namorada. — Ela tocou meu ombro e se afastou. — Eu sou sua fã Ana, ninguém nunca peitou Marcus desse jeito. Espero nos encontrarmos em breve. — Ela me enviou um beijo no ar, então se afastou rapidamente pela rua.

Fim do capítulo

Notas finais:

E os grupos do zap estão formados, tudo organizado!

É Resistência Avant, Pró-Independência! Tem o grupo de quem é a favor da ditadura também hehe de qual deles vocês querem fazer parte? Passem o número que eu acrescento! Um dos representantes dos grupos entrará em contato com você!

ahahah

brincadeiras a parte espero que aproveitem.

Próximo capítulo tem mais interação Ana+Amy ;)  beeeem intensas.

Beijos gurias!


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Comentários para 4 - Um aviso:
Lea
Lea

Em: 06/03/2022

O casal nem deu o primeiro beijo e já vem DR.

Os ideais dos grupos são tão diferentes assim,por ter tanta desavenças entre eles? Já sabes que os poderes aquisitivos são diferentes !

Se os grupos descobriram quem é Isa,quem garante que logo os generais e soldados também não vão descobrir?? A Deborah falou que a indentidade da Isa ficará segura. Até quando???


Resposta do autor:

Ahahah será que vai ser DR mesmo?

Os ideais são semelhantes, mas a forma de  lutar por eles acaba sendo a diferenciação. E o que gera mais conflito também.

Aí que está e onde rola o grande medo da Ana. O momento que vão descobrir sua identidade. Será que a defesa de Deborah será o suficiente ou eles tem outra forma de descobrir?

Complicado revolucionar num cenário assim!

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kasvattaja Forty-Nine
kasvattaja Forty-Nine

Em: 04/03/2022

Olá! Tudo bem?

 

''— É bom saber. Eu vou te contar. Só não hoje. É uma longa história e eu quero te preparar para isso. ''

Pois é...

Ouvi — ou li, não tenho certeza — que a verdade tem de ser sempre dita. Se ela vai magoar-me ou não, eu decido.

Até aqui, muitas palavras foram ditas entre elas, mas a penumbra está ali. Que pena.

É isso!

 

Post Scriptum:

 

''Melhor a verdade que dói do que a mentira que produz falso alívio. ''

 

Augusto Jorge Cury,

 

Psiquiatra.


Resposta do autor:

Olha! A Kas veio de Jorge Cury! Que bela referência. Adoro.

E sim, Amyzinha tá escondendo o jogo, mas até quando? Será que vem briga no casalzinho?

Uma coisa é certa: treta virá!

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