Quinta Temporada - LIBERDADE III
Letícia deixou Mariângela e Camille na porta de casa. A costureira se despediu e entrou; sentia que as duas queriam conversar a sós.
--Foi muito bacana esse tributo, né? Eu não conheci a moça mas fiquei encantada. -- a professora comentou para puxar conversa
--Eu me lembro bem de quando aconteceu o assassinato. -- a loura respondeu -- Eu também não a conhecia, mas foi um crime que teve muita repercussão. A Tatiana lutou muito pra não deixar a coisa passar em branco ou cair no esquecimento. Depois Suzana assumiu o caso e não descansou até que tudo ficasse resolvido...
--Valeu a pena ter ido... e acho que pra sua mãe também foi muito útil.
--Com certeza! Ajudou muito pra esclarecer... a ela e a mim.
Depois de uns segundos em silêncio Letícia entrou no assunto que realmente queria abordar. -- Você ainda tá magoada comigo, não é? -- perguntou com delicadeza -- Nunca mais fizemos amor...
Olhou para as mãos -- Eu fiquei muito triste com sua reação e tenho pensado...
--Pensado em que?? -- ficou tensa
--Acho que eu não sou o tipo de mulher que você quer e gosta... é melhor a gente dar um tempo e...
--Camille, não! -- segurou o rosto dela com delicadeza -- Eu sei que fui rude, agi muito mal, mas não vamos entrar nessa de dar um tempo, por favor! -- olhava para ela com preocupação -- A gente só tem que aparar algumas arestas e...
--Eu vou passar um mês em São Paulo por causa do trabalho. -- interrompeu a fala da outra -- Saio daqui logo no começo de novembro. -- olhava para a professora -- Acho que esse um mês vai ser bom pra gente pensar melhor e rever certas coisas. Eu e você...
--O que?! Um mês em São Paulo?! -- encostou-se no banco do carro e olhou para frente -- Justo São Paulo!
--Ô, meu, qual o problema da minha cidade?! -- perguntou chateada
--É onde Fátima vive! -- bateu no volante
--Acha que vou pular na cama dela pra me consolar? -- abriu a porta do carro -- Não faço isso, Letícia! Não sou como você! -- saiu e fechou a porta com força
--Camille! -- saiu do carro também e chamou
--Boa noite, Letícia! -- abriu o portão e entrou em casa
A professora respirou fundo e deu um soco no teto do carro. Depois entrou e fechou a porta.
--Ela me diz isso hoje! -- fez cara feia -- Eu viajo amanhã pra trabalhar na usina e quando voltar ela já tá de mala pronta pra ir pra São Paulo! -- respirou fundo -- Eu não sei porque me permiti gostar dela, me envolver, eu não sei! -- ligou o carro -- Droga! -- foi embora
*****
Juliana entrava no prédio quando surpreende Selma e Ruy sentados na poltrona do hall.
--Juliana! -- Selma levantou-se animada -- Temos que conversar!
--É isso aí! -- Ruy levantou-se também -- Nós estamos sabendo de tudo! -- sorria -- Vimos você no Youtube!
--Boa tarde pros dois, tá? -- cruzou os braços -- Quer dizer que a dupla agora já vem me abordar até na porta de casa? -- perguntou fazendo um bico
--Os tempos exigem! -- Selma respondeu sorridente -- Vamos entrar, tomar um café, comer um bolo...? -- piscou -- Adoro um bolo de fubá!
--Mas veja só! -- exclamou contrariada -- Vambora gente, vamos subir! -- apertou o botão do elevador
Ao entrar no apartamento, Ruy falou: -- Gostei daqui, viu? -- foi adentrando -- Ih, mas os cômodos são grandes! -- sumiu da visão da enfermeira -- Nossa que cama imensa!
--Fique à vontade! -- Juliana falou ironicamente e balançou a cabeça -- "Eita, povo abusado, viu?” -- pensou
--Juliana, nós sabemos de tudo e vimos tudo, garota! O que foi aquilo?? Seu discurso foi maravilhoso!!! Um monte de gente viu e gostou! -- Selma entrou na cozinha e abriu a geladeira -- Oba, tem sorvete! -- exclamou -- Nossa, tem um monte de coisa gostosa aqui!
--Ô, Selma, dá pra deixar de ser abusada? -- foi até ela e fechou a porta da geladeira -- Vamos conversar na sala! -- levou a mulher pelo braço -- Senta aí! -- ordenou apontando para o sofá
--Calma, Ju! -- respondeu sem graça
A enfermeira adentrou o apartamento e voltou trazendo Ruy pelo braço. -- E você conforme-se com a poltrona, viu? -- mandou-o se sentar e ele obedeceu -- Eu hein, já tava até deitado na minha cama! -- reclamou
--É que é grande, macia... -- ele se justificava
--E o cafezinho? -- Selma perguntou -- Depois do café com bolo a gente podia atacar aquele sorvete, hein? -- propôs
--Tem nada disso, não, minha filha! -- sentou-se e cruzou as pernas -- Nessa casa ninguém bebe café! E vocês chegaram aqui sem avisar pra me cercar, então vão é passar fome! No máximo dou um copo d’água pra cada um! -- olhou para eles com seriedade -- O que os dois querem de mim, hein? -- foi direta
Selma e Ruy se entreolharam e se acomodaram melhor na poltrona. Ele começou a falar: -- Nós soubemos que você andou liderando protestos contra a degradação da saúde pública no Rio de Janeiro e reclamando dos baixos salários de sua categoria. -- pausou -- Alguém filmou seu discurso e jogou no Youtube! Tá bombando! -- sorriu
--Ah, mas eu falei mesmo! A saúde pública vai de mal a pior! E nossos salários são uma piada! -- desabafou -- Ser uma profissional de saúde séria e comprometida se torna cada vez mais difícil!
--Juliana, você tem tudo que deveria ter pra ser uma candidata forte! Por favor, ainda tá em tempo de se lançar como candidata a deputada estadual! -- Selma pediu
--Gente, mas vocês não me deixam, né? Eu já me filiei ao partido, vou nas reuniões que posso ir, será que não se contentam com apenas isso? -- perguntou contrariada
--Ju, me responda uma coisa: -- Ruy falou baixo -- foi você quem descobriu e dedurou aquela quadrilha de desvio e revenda de remédios, não foi? -- seus olhos brilhavam
--Nós temos certeza de que foi você! -- Selma complementou
--Têm certeza como, gente? Eu não tive relação com aquilo! -- mentiu -- Estão viajando na maionese!
Eles não acreditaram mas ficaram quietos. -- Bem, seja como for, candidate-se! Você tem potencial e podemos trabalhar na sua campanha! -- Selma ofereceu -- As eleições 2006 estão aí!
--Eu nem sei o que faz uma deputada estadual! -- comentou
--Um deputado estadual legisla, propõe, emenda, altera e revoga leis estaduais, além de fiscalizar as contas do Governo Estadual e criar Comissões Parlamentares de Inquérito; resumidamente é isso.37 No seu caso, se eleita, trabalhará na Assembléia Legislativa Estadual do Rio de Janeiro. -- a repórter esclareceu -- No futuro, vamos lançar você como candidata a deputada federal!
--Mas já tá contando com o ovo no fiofó da galinha? -- retrucou -- Eu não disse que aceitava!
--E você tem um sobrinho homossexual que foi vítima de homofobia! Não sente vontade de lutar contra essas coisas? -- Selma a instigava -- Não sente vontade de lutar pela melhoria das condições de saúde? Por mais respeito e seguridade aos idosos? Qual a melhor forma de fazer isso do que sendo uma deputada?
--Ah... -- pensava -- Mas uma deputada séria tem que trabalhar muito, brigar muito e...
--E desde quando você tem medo de brigar e trabalhar? -- a repórter provocou
Ruy aproveitou o ensejo para entrar mais a fundo na questão. -- Eu vou te explicar sobre nossa recente coligação partidária, Juliana. -- ele falava -- Nós nos coligamos com diversos partidos de esquerda pra podermos competir nessas próximas eleições!
--Mas vocês não disseram que o PCons era um partido puro? Como é que já estão nessa de se coligar? -- não entendia
--Pra que um candidato se eleja, considera-se a votação do seu partido político ou coligação de partidos, além da votação recebida pelo candidato.37 O PCons é um partido pequeno! Se a gente não fizer uma coligação, não vai conseguir eleger ninguém! -- Selma respondeu
--Você entende sobre o quociente eleitoral e o quociente partidário? Quer que eu explique? -- Ruy perguntou
--Explique. -- respondeu desanimada -- "Se eu não quiser ele explica também, qual o remédio?” -- pensou
--Olha só, presta atenção: -- o advogado explicava -- o quociente eleitoral é calculado dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo número de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral. O resultado vai ser um número decimal que se arredonda para um número inteiro! O quociente eleitoral é o mesmo para todos os partidos!38
--Sei. -- a japonesa respondeu
--Já o quociente partidário, como o nome indica, é determinado pra cada partido ou coligação. Você divide o número de votos válidos dados sob a mesma legenda, ou coligação de legendas, pelo quociente eleitoral. O número de cadeiras obtidas por cada partido corresponde a parte inteira do quociente partidário.38 -- pausou -- Daí se conclui, que quando se faz uma coligação você aumenta o numerador dessa divisão e consequentemente aumenta o número de cadeiras possíveis pra ocupar. É pura matemática simples!
--Aí, vamos dizer que a coligação ganhou 7 cadeiras. -- a repórter explicava -- Os candidatos mais votados dentre os partidos componentes da coligação é que ocuparão essas cadeiras! -- pausou -- Apostamos que você tem condições de ser uma candidata forte! Você é carismática, conhecida e respeitada no hospital, os pacientes que você cuidou gostam de você, os parentes deles também e agora essa repercussão no Youtube! Você tem potencial! -- tentava convencê-la
--Mas pra bancar uma candidatura tem que ter dinheiro! -- argumentava -- Cadê o dinheiro? Eu não vou aceitar patrocínio de gente descarada pra poder construir uma campanha, não mesmo!
--Nós concordamos com você! Faremos uma campanha dentro das posses do partido e contaremos muito com a internet e o boca boca! -- Ruy respondeu -- Aceite, por favor!
--Ai, eu não sei! -- a campanhia tocou -- Deixa ver quem é! -- levantou-se para atender
--Ela disse que não sabe! Antigamente dizia simplesmente não! -- Selma cochichou -- Estamos chegando lá, Ruy! -- sorriu
A japonesa abriu a porta e Soraia, a síndica do prédio, entra como um foguete. -- Juliana, a gente precisa conversar! A coisa é pesada! Mais que pesada: é heavy! -- olhou para Selma e Ruy -- Ué? Esses dois aí eu não conheço! -- exclamou surpresa e se jogou no sofá -- Senta aí, Juliana, fica à vontade! -- ordenou
--Mas... -- a japonesa acabou obedecendo -- Dona Soraia, até quando vai continuar com essa mania de entrar aqui assim, hein? -- cruzou os braços
--Sou sindica do prédio, meu bem, eu gozo de direitos especiais! -- gesticulava -- Gente, eu preciso desabafar senão eu morro! -- olhou para os três -- Vamos fazer um simpósio aqui e agora pra debater sobre um assunto muito sério: minha neta e sua vida sexual de lésbica da nova geração!
--Oba! -- Ruy esfregou as mãos -- Adoro esses assuntos picantes!
--Fala aí, dona, estamos ouvindo! -- Selma respondeu interessada
--Eu mereço! -- a enfermeira revirou os olhos
--Minha neta continua com aquele visual tosco de pagodeiro do futebol, carregando os óculos escuros na cabeça ao invés de botar na cara! Imaginem vocês que agora usa cuecas e tudo mais! Disse que seu nome é Hugo: o gostosão! -- pausou -- Devo salientar que está na quinta namorada! Quer dizer, é a quinta que traz pra casa!
--Sim, mas vamos a parte picante! -- o advogado pediu -- Desenvolva, desenvolva!
--Abaixa esse fogo, Ruy! -- a japonesa ralhou
--Essa namorada atual é mais velha que ela e casada!! -- deu um tapa no braço de Ruy -- Muito da casada e tem quatro filhos!
--Gente! -- Ruy exclamou
--E o marido é malandro brabo! Do tipo que pega pra matar! -- deu um tapa na coxa de Selma
--Eita, que babado forte!
--E a senhora quer que eu faça o que? -- Juliana perguntou revoltada -- Eu já disse que não tenho o que fazer no caso de sua neta!
--Preciso de sua ajuda! -- abriu a bolsa -- Eu peguei o celular de minha neta! Quero ligar pra tal mulher e dizer uns bons desaforos, mas não sei o nome dela! -- pegou o aparelho e estendeu para a japonesa -- E também não sei mexer nesse telefone! É muito moderno pra mim!
--Mas isso tá errado! Não pode pegar o celular dela. E além do mais como eu vou saber identificar a mulher?
--Use a sua intuição lésbica! -- respondeu naturalmente -- Tome, veja! -- continuava com o braço esticado
--Pega, Ju, pega!! -- Selma pedia empolgada
--Humpf! -- fez um bico e pegou o telefone das mãos da outra
--Vê a lista de contatos aí, Ju! Vai que a gente descobre? -- Selma pediu -- Vamos fazer uma pesquisa! -- sentou-se do lado da japonesa
--Ai, eu ajudo! -- Ruy sentou-se do outro lado. A japonesa estava imprensada pela dupla do PCons -- Ela deve ter salvado com um status VIP ou coração!
--Eu mereço mesmo, não é possível! -- reclamou enquanto acessava a lista de contatos -- Ih! Olha os nomes: Atodaboa, Bonitona, Coisatarada, Danadinha, Eitapoposão, Fuckfuck, Gostosuda, Hipnótica, Iheuvougoz*r, Jápeguei, Kicoisaboa, Lambelambe, Loirasapeca, Madametesuda, Nopeitinho, Olhaquecoxas, Potrancasafada... -- acabou rindo -- Ah, mas tá difícil, viu? E essa sua neta não é mole, cruzes!
--Ei, espere! Fiquei na dúvida entre a Lambelambe e a Potrancasafada! -- Soraia falou -- Porque já ouvi minha neta usando esses termos nos últimos dias! Ah! -- lembrou -- Também pode ser a Loirasapeca!
--Ah, vamos ligar pra descobrir! -- Ruy tomou o celular das mãos de Juliana e ligou -- Alô! Olha, querida, eu achei esse celular e procuro pela dona dele. -- mentiu -- Você conhece a Lambelambe ou falo com a própria? -- sorriu e logo em seguida desmanchou o sorriso -- Ela desligou! -- falou decepcionado
--Por que será, hein? -- a japonesa perguntou ironicamente
--Vê a Potranca! -- Selma pediu
--Vamos lá! -- ligou e aguardou -- Oi, eu falo com a Potrancasafa...? -- fez uma careta -- Nossa, ela me xingou e desligou na minha cara!
--Me dá isso aqui! -- Selma tomou o telefone das mãos do amigo e ligou -- Olá, eu achei esse celular e gostaria de saber se você conhece a dona dele. Aliás, eu falo com a Loirasapeca? -- pausou e olhou para Soraia -- Ela pergunta qual delas!
--A mais sapeca que tiver! -- Soraia instruiu
--Isso é coisa de maluco! -- Juliana perdeu a paciência e se levantou -- Chega! Vai todo mundo pra suas respectivas casas porque pra mim já chega!
--Juliana, você expulsa sua síndica? -- perguntou em choque
--Minha síndica, não! Síndica do condomínio! -- puxou-a para que se levantasse e a mulher obedeceu -- Selma e Ruy, levantando e circulando! -- ordenou
--Mas, Ju... -- Selma lamentava -- Eu tô esperando a Sapeca vir me atender!
--Chega disso, levanta daí essa bunda imensa que Deus te deu e vaza! -- ordenou -- Você também, levanta daí, Ruy! E rua! Todo mundo pra rua! -- os dois se levantaram constrangidos. A japonesa abriu a porta e ficou parada esperando -- Vai lá, gente! Xô!
--Ah, mas eu sabia!! -- Hugo aparece na porta -- Eu sabia que a senhora estaria aqui na casa dessas sapatas da terceira idade pra fofocar sobre a minha vida! Devolve meu celular! -- estendeu a mão
--Epa!!!!!!!! Olha lá como fala! -- Juliana pôs as mãos na cintura -- Escuta aqui, sua lombriga de fiofó de pobre, eu não faço fofoca e não tenho culpa que tua vó vem aqui pra me azucrinar! E fica na tua aí porque você tem que ralar muito pra chegar aos pés de uma japonesa do meu naipe! -- fez cara feia -- Some daqui! -- empurrou-a
--Ei! -- Hugo protestou
--Eu não devolvo o telefone, não! Quero saber o número daquela pistoleira que te enfeitiçou! -- Soraia protestou desaforada tomando o celular das mão de Selma
--Ô, Selma, vamos embora que a coisa não tá legal! -- Ruy cochichou e saiu às pressas com a amiga
--Dona Soraia, por favor! -- Juliana foi conduzindo a mulher para fora -- Tchau!
--Eu vou aumentar o condomínio em 40%, viu? Vai ter obra na garagem e vou mandar fazer um nova impermeabilização da laje com direito a dedetização no final! Vou mandar pintar tudo que não se move!
--Vamos ver! -- fechou a porta -- Mas que diabo! -- reclamou -- Acho que vou convidar Ivone pra jantar comigo um dia desses, viu?
******
Tatiana abriu sua caixa de e-mails e se surpreendeu ao ver que havia uma mensagem do correspondente internacional da Olhe! com status de urgente. Novembro estava em seus primeiros dias.
“Uai?” -- pensou intrigada -- Vamos ver o que ele descobriu! -- clicou para ler o e-mail
Em pouco tempo, seguindo as pistas que Tatiana lhe dera, o repórter já havia devassado uma documentação bastante comprometedora sobre o fluxo de um dinheiro suspeito vindo do Brasil e levou o assunto ao conhecimento das autoridades norte americanas, uma vez que tinha relacionamento com a Promotoria de Nova York. Ele informou também que as autoridades locais já andavam investigando sobre os mecanismos de lavagem de dinheiro internacional e que as recentes descobertas acenderam os ânimos dos investigadores.
--Minha nossa! -- exclamou surpresa -- Ele quer que eu vá pra Nova York conversar com o promotor!! -- falava sozinha -- Gente... -- levantou-se e ficou andando pela sala -- Meu visto ainda é válido, mas com que dinheiro eu vou pra lá? Embora ele tenha me mandado carta convite pra facilitar minha entrada nos Estados Unidos isso não paga as despesas de viagem... -- parou de andar e pôs as mãos na cintura -- Acho que vou ter que pedir um empréstimo a Tamires...
03:00h. 14 de novembro de 2005, Edifício Rubro Negro, Flamengo, Rio de Janeiro
Lady dormiu ansiosa pensando na ultra-sonografia que iria fazer. Estava para descobrir o sex* de seu bebê. Priscila se prontificou a acompanhá-la, o que a deixou mais segura.
A jovem mãe se debatia na cama por conta de um sonho diferente...
“Lady caminhava por um lugar escuro. Segurava uma lanterna apagada.
--Nossa, que coisa cega! -- falava sobre si mesma -- Ai, ai, ai, meu Pai, clareia os caminhos dessa pecadora! -- pedia
--Lady, você é uma pistoleira... -- ouvia a voz de Charles em um tom sinistro -- UAUAUAUAUAUA!!!
--Nossa, que coisa medonha! -- gritava apavorada
--Tira esse filho, Lady, mãe solteira é coisa feia... -- a voz de sua mãe ecoava fantasmagórica -- ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ!!!!!
--Nossa, que coisa horrorosa! -- gritava
--Lady, você é ridícula... -- vozes perdidas bradavam na escuridão -- HAHAHAHAHAHA!!!!!
--Isso é bullying, viu? Não vale! -- respondia desesperada -- Ai, minha santa, me proteja! -- clamava -- Eu sei que tudo pode mudar, tudo vai mudar...
https://www.youtube.com/watch?v=Y0JbdPuEnuM
“Tudo vai mudar,
Quando essa luz se acender...”
E as luzes se acenderam.
“Você vai me conhecer,
Vai me ver de um jeito que nunca viu...”
Lady viu Priscila em cima de um palco, usando somente um tapa sex* e sapatos de salto.
--Amiga, mas eu nunca te vi assim! -- arregalou os olhos
“Tenho sede de som,
Eu tenho fome de luz...”
A dentista caminhava sensualmente até Lady, que não tirava os olhos dela.
“Tenho a força, tenho o dom,
Don't you know quem eu sou?
Remember my name...”
--Priscila! -- exclamou
“Vem...” -- Isabela, Tatiana e Lila aparecem repentinamente cantando em corinho. Todas apresentavam-se como a dentista
--“Vem pro meu lado forever, vem pra bem dentro de mim...” -- Priscila disse ao puxar Lady de encontro a seu corpo
--Nossa, que coisa intensa! -- a jovem gestante arregalou os olhos
--“Vem...” -- as três amigas cantavam
--“Vem que eu vou longe e vou fundo, vem que eu te faço feliz...” -- a morena continuava dizendo
Lady suspirou.
--“Vem...” -- e segue o corinho
--“Vou te contar meus segredos, você vai rir e chorar...” -- a dentista olhava nos olhos da amiga
--Conta tudo, Pri! -- Lady pedia
--“Vem...”
--“Vou te mostrar o meu mundo...”
--Mostra tudo amiga! -- Lady olhou-a de cima a baixo -- Se bem que você já tá mostrando é coisa! -- mirou os seios da morena
--“Vou te tirar pra dançar...” -- as duas começaram a dançar valsa
--“Remember, remember, remember...”
--Ai, amiga! -- Lady soltou Priscila e começou a rodopiar -- Não te entendo, não sei o que tu queres... E afinal, quem tu és? -- rodopiava ensandecida
--“Eu sou carnaval, eu sou o charme e o soul, sou o samba e o rock'n'roll, sou o som da festa, eu sou verão! Eu já sei cantar...”
--E canta bem! -- Lady exclamou -- Parece até a voz daquela Sandra de Sá!
--“Vou aprender a voar,” -- pegou Lady pelo braço e começaram a voar como nos filmes de Peter Pan -- “Vou on-line digital, etc e tal, remember my name!”
--“Vem...”
--“Vem pro meu lado forever...”
--Já tô amiga, já tô! -- as duas continuavam voando
--“Vem pra bem dentro de mim...”
--Essa coisa de ir pra dentro a gente tem que conversar melhor, sabe? Sou nova nisso, e aí já viu!
--“Vem...”
--“Vem que eu vou longe e vou fundo, vem que eu te faço feliz...”
--Vou!!! -- Lady gritou alegremente
--“Vou te contar meus segredos, você vai rir e chorar...”
--Vou!!! -- a jovem mãe continuava cantando
--“Vou te mostrar o meu mundo, vou te tirar pra dançar...” -- e nesse momento, a morena solta os braços de Lady
--AHAHAHAHAHAHAH!!!!!! -- ela grita apavorada em queda livre
E o corinho segue cantando: -- “Remember, remember, remember...”
Soul de Verão -- Sandra de Sá [a]
--AHAHAHAHAHAHAH!!!!!!!!!!!!!!!! -- Lady acorda desesperada
--Mas, meu Deus, o que é isso??? -- Priscila chega correndo
--Que medo! -- Lila aparece também -- Lady, tens um agudo digno dos piores filmes de Hitchcok!
--Ai, amigas! -- passou a mão nos cabelos e depois na barriga -- A maternidade tem me feito ter uns sonhos tão proféticos, reveladores e cheios de significado! -- olhou para as duas -- Eu preciso entender essas mensagens! Algo me diz que -- mirou o infinito -- the truth is out there!
--Eu, hein, Lady! -- a dentista fez um bico -- Fica vendo Arquivo X até tarde e aí dá nisso! -- voltou para o quarto -- Pára de bobeira e vai dormir porque amanhã é dia de exame!
--Lady, guria, escuta! -- Lila sentou na cama dela -- Por apenas quatrocentos reais eu te ministro um curso tribásico de interpretação de sonhos e tu serás capaz de decifrar esses enigmas por si mesma! -- ofereceu sorrindo
--Mas será possível que você não respeita nem uma parturiente desprezada pela sociedade, Lila? -- perguntou de cara feia -- Me cobrando por isso, eu, hein?
--Bá, tudo bem, eu sou curiosa! -- sorria -- Conta o que foi e eu mentalizo e interpreto!
--Humpf! -- fez um bico -- Tá, eu conto porque você é a única fazedora de aum que eu tenho a mão!
--Única o que??
--Eu sonhei que caminhava sozinha em um lugar escuro ouvindo vozes que me condenavam por meu estado interessante!
--Isso se refere a teu momento de provação! -- cruzou as pernas -- Continue!
--Aí, as luzes se acendiam e Priscila aparecia de salto alto e tapa sex*! Mais nada! -- pausou -- E que corpão, viu, menina?
--Hum... sei...
--Aí ela cantava e vocês apareciam de backing vocal! Você, Tati e Isa! -- pausou -- Ah, e vocês também usavam só um tapa sex* e saltos altos!
--Eu, hein, guria? -- ficou chocada -- Tu não te contentas com uma só?
--Ah, mas eu nem reparava em vocês! -- esclareceu -- Então Priscila me dizia umas coisas, menina... Aí a gente voava pelo espaço e no melhor do passeio, ela me largou e eu caí!
--Por isso gritavas? Pela queda livre?
--É! Tive tanto medo!
--Pra mim é tudo muito claro, daí! Esse sonho mostra tua dicotomia temporal com Priscila, teus dois momentos distintos. O antes e o depois, o ontem e o hoje! -- mirou a amiga nos olhos -- "Antes do esclarecimento, cortar lenha e carregar água. Depois do esclarecimento, cortar lenha e carregar água".39
--Lila, mas você fala umas coisas que eu não entendo! -- cruzou os braços intrigada
--Olha, Lady, vou direto ao ponto: não queria ser eu a te dizer, mas tu és lésbica!
--O que?! -- pôs a mão no ventre
--Mas não quer assumir porque tens medo!
--Meu Deus, eu sou lésbica e não sabia... -- ficou pensativa
--Tens que ter uma conversa séria com Priscila, pois o amor está acontecendo e tu nem te notas!
--Então... Então Priscila é... -- estava estupefata
--Tua marida! -- afirmou convicta
--Minha nossa, -- pôs a mão no peito -- eu casei sem perceber!! -- concluiu em choque -- Bem que a cigana me avisou... Aquela Diega da praia era um prenúncio... -- pensava -- Mas, e ela? Será lésbica também??
--Claro, Lady! -- afirmou enfática -- Priscila entregou tudo quando fomos te buscar naquela clínica! Não viu quem não quis! Ela mostrou... -- fez um gestual -- aquela coisa!
--Mostrou?! E como é que eu não vi?
--Porque tu estavas fragilizada, assustada, abalada... Mas eu vi tudo!
--Meu Pai... -- pensava -- E será que ela já sabe que é lésbica?? -- pôs a mão sobre os lábios -- Alguém tem que avisar!! -- pausou -- Mas quem??
***
Lady e Priscila estavam na sala de espera aguardando o momento do exame. Quando finalmente a atendente chamou, a morena havia ido ao banheiro.
--Pode entrar, senhora. -- a técnica falou -- Lady Dy da Silva, não é? -- perguntou olhando para a guia do exame -- "É cada nome que me aparece...” -- balançou a cabeça
--Sou eu, sim, mas é que tô aguardando uma pessoa... -- respondeu encabulada -- Aí não sei se entro, se espero na porta...
--Pode deixar que na recepção as meninas vão orientar seu marido. -- respondeu sorridente -- Enquanto isso a senhora veste aquela camisolinha ali, -- apontou -- e deita aqui. Eu já preparei o aparelho. -- sorriu
--Ah, tá. -- foi se trocar -- Mas não espero marido, não. Espero marida! -- respondeu orgulhosa -- Mas não diz isso pra ela ainda, não, porque ela não sabe, viu? -- advertiu
“Como é?” -- a mulher pensou espantada
--Ué, que diabo de camisola é essa? -- perguntou desconfiada -- Tá rasgada! -- protestou
--É assim mesmo, senhora. -- conteve a vontade de rir -- "Então essa tal de Lady além de sapatão é doida? Ai, ai...” -- balançou a cabeça novamente
Priscila foi conduzida por uma recepcionista até a sala do exame e chegou no momento em que a técnica despejava gel na barriga de Lady.
--Vem cá, amiga! -- a gestante chamou sorridente -- Vai começar!
--Ai, finalmente vamos saber o sex* dessa criança! -- sentou-se ao lado do leito
--É... -- a técnica começou a falar -- vocês têm preferência? -- deslizava o cabeçote de ultra-som na barriga de Lady
--Ah, eu não me importo com isso! O importante é que tudo dê certo! Enviadinho ou enviadinha, pra mim tanto faz!
--Que venha com saúde! -- a dentista desejou
“Enviadinho ou enviadinha?!” -- a técnica não entendeu -- E... já pensaram em nomes?
--Sabia que ainda não? -- Lady constatou -- É que foram tantas emoções! Eu nem parei pra pensar! -- olhou para a técnica -- Por exemplo, minha mãe acha que o nome do filho da gente tem que ter força, então ela colocou meu nome de Lady Dy por causa da força da princesa!
--Ah! -- riu brevemente -- Meu pai colocou meu nome de Ester por causa da minha avó. E ele também achava que era um nome forte. -- continuava fazendo o exame
--O nome da criança tem que te dizer alguma coisa, eu acho! -- Priscila falou -- Se não for um nome cujo significado você admire, deveria ser ao menos o nome de uma pessoa querida, marcante... -- pausou -- Sabe que nem sei porque meu nome é Priscila...? -- pensava
-- Olha, Pri, -- Lady apontou -- o bebê!!
A dentista debruçou-se sobre o leito e ficou olhando. -- É tão interessante, né? Uma vida vinculada a você...
--Olha, o coraçãozinho!! -- exclamou excitada
--Coração?! Que é isso, Lady? -- Priscila retrucou
--É... Na verdade é a cabeça, senhora. -- a técnica tinha vontade de rir
--Ih, olha, é menino!!! -- concluiu surpresa
--Por que diz isso? -- a morena perguntou
--Ali, ó! -- apontava -- Gente, que menino é esse? -- arregalou os olhos -- "Como pode já ter um tão grande? O pai é fraco, fraco...” -- pensou
--Lady, pelo amor de Deus... -- a dentista revirou os olhos
--Senhora, isso aqui, -- mostrou com a seta do mouse -- não é um pipizinho mas o cordão umbilical... -- calou-se -- "Que mulher maluca!” -- estava se divertindo
--Vê a cor dos olhos! -- pediu
--Lady, ultra-som não vê isso, não! -- Priscila fez um bico -- E cor de olho? Aos cinco meses? Você nem parece uma futura engenheira, viu?
Ester não agüentou e riu.
Com a continuação do exame a técnica pôde concluir: -- Ao que tudo indica, senhora, é uma menina! -- sorriu
--Ai, que legal! -- Priscila exclamou empolgada
--Uma menina... -- Lady repetiu e se lembrou da conversa que teve com a cigana há tempos atrás:
“--Você terá um homem em sua vida. Ele vem de longe, depois de uma crise muito séria.
--O que?? -- arregalou os olhos -- Crise? Será que ele vem doente? Mal vou casar, ficarei viúva?
--E passará um bom tempo ao lado de uma mulher. Aliás, vejo uma outra mulher do seu lado que ficará contigo a vida toda.”
“É isso... Charles foi o enviado e minha enviadinha é a mulher que ficará comigo a vida toda!” -- Lady concluiu
--Pronto! -- terminou o exame -- Temos aqui uma bela menininha que vai nascer muito bem, se Deus quiser. -- sorriu para as duas -- Agora só falta escolher o nome!
--Priscila! -- Lady exclamou
--O que? -- a morena perguntou olhando para a amiga
--Estou dizendo que o nome da enviadinha será Priscila! -- havia acabado de decidir
--Lady... -- a morena estava estupefata
--O nome da criança tem que nos dizer alguma coisa, não é? -- sorriu -- E pra mim esse nome diz muito... Afinal de contas você salvou a vida dela. -- segurou a mão da morena -- E a minha...
--Ai, Lady, eu... -- a dentista ficou sem palavras -- eu tô tão emocionada... -- sorria
A técnica pegou papel toalha e colocou ao lado de Lady. -- Pra senhora remover o gel. -- levantou-se constrangida -- Vou dar licença pra que se vista. -- olhou para as duas -- Mas não demorem porque tenho ainda mais dois exames pra fazer. -- saiu da sala
Priscila e Lady não deram atenção ao que Ester falou. Elas se olhavam sorridentes e emocionadas. Ambas estavam, apesar de todos os receios, apesar das dificuldades que teriam pela frente, muito empolgadas e felizes com a pequena mulher que estava para chegar em suas vidas.
Lourdes e Valadão presenciavam aqueles pequenos momentos de felicidade cúmplice entre as duas amigas.
--Fico admirado com a coragem de Gisele, Lourdinha. -- olhou para a mulher -- Em tão pouco tempo ela já se dispôs a voltar...
--Gisele nunca foi medrosa, meu querido! -- olhou para ele -- E muito me orgulha que ela esteja disposta a não repetir os mesmos erros. -- voltou a olhar para Lady e Priscila -- Estas duas moças darão a ela o que precisa: amor, carinho, -- olhou para a dentista -- disciplina e, -- olhou para Lady -- uma boa dose de leveza...
--Se Deus quiser, Gisele não errará tanto dessa vez! -- Valadão desejou esperançoso
--Se Deus quiser... -- Lourdes sorria
***
Seyyed estava em casa sozinha. Era feriado e Isa havia ido ao apartamento de Ipanema para resolver alguns assuntos com a inquilina.
A morena ainda usava o colar cervical, mas o desconforto na nuca havia diminuído consideravelmente. Fazia fisioterapia para recuperar o braço e a perna, porém as dores ainda a torturavam e tinha dificuldades para andar. Usava um andador dentro de casa e na rua locomovia-se com uso de cadeira de rodas.
Havia acabado de orar pedindo a Deus que a ajudasse a suportar o que passava, que lhe desse forças e que não a deixasse desistir, se revoltar ou desesperar. Minutos depois o interfone toca. Levantou-se com dificuldade e foi atender. -- Alô.
--É da casa da Seyyed? -- uma mulher perguntou
A mecânica ficou desconfiada. -- E quem deseja?
--Aqui é Nilza! Desculpe o abuso, mas Lina e eu viemos visitar. Murilo, Julinho e Fernanda estão com a gente.
--Oi!!! -- ficou feliz -- Abuso nenhum! -- apertou o botão para abrir o portão -- Abriu?
--Abriu!
Colocou o interfone no lugar e foi abrir a porta. Quando eles chegaram exclamou: -- Gente, que surpresa boa! -- sorria animada
--Ah, minha filha, a gente tinha que vir!! -- Nilza abraçou-a com jeito e beijou-lhe o rosto -- Que bom te ver! -- sorria -- "Ah, meu Deus, coitada dessa criatura!” -- tentava disfarçar a tristeza que sentia ao vê-la
--Eu digo o mesmo!
--Vem cá, meu anjo! -- Lina a abraçou -- A gente não vai demorar, pode deixar! -- beijou seu rosto -- "Meu Deus, ela ficou aleijada!” -- pensou penalizada
--E eu quero mais é que demorem! -- olhou para os jovens especiais -- E vocês? Não falam comigo, não, é? -- brincava
--Claro que fala! -- Murilo abraçou-a -- Saudade, Ed!
--Também tô com saudade! -- sorria
--Você tá bonita! -- Julinho falou ao abraçá-la
Riu. -- Como sempre um cavalheiro! -- brincou
--Oi, Ed! -- Fernanda a abraçou -- Eu nado até hoje! -- sorriu
--Dá pra notar, olha o corpão! -- brincou -- Mas vamos sair da porta! Todo mundo dentro de casa, por favor! -- convidou -- E nada de tirar sapatos ou ficar de pé. Entrando e se sentando! -- sorria
Eles entraram e se sentaram nas poltronas. Ed fechou a porta e caminhou com o andador em direção ao sofá.
--Por que usa isso, Ed? -- Murilo perguntou estranhando
--Porque eu ainda tô machucada, querido. -- sentou-se -- Um dia eu melhoro! -- pausou -- Eu peço mil perdões pois não tenho o que oferecer pra vocês... -- desculpou-se
--Nem pense nisso, querida! -- Nilza respondeu -- Nós não viemos te dar trabalho, viemos te visitar! -- sorriu -- Diga-nos, como está passando? -- perguntou interessada
--Recuperando. -- sorriu -- Ainda não posso trabalhar, mas quando melhorar vou procurar emprego em alguma oficina.
As duas mulheres ficaram ainda mais penalizadas ao ouvir isso.
--Nós ficamos muito tristes com o que houve. -- Lina falou -- E soubemos que ainda não se descobriu nada sobre os culpados...
--Mais ou menos... -- respondeu reticente -- João e Léo, dois mecânicos que trabalharam com a gente, estão desaparecidos desde o começo de outubro. A delegada Suzana, que é minha amiga irmã, conseguiu evidências que convenceram o delegado que investiga o caso a fazer uma busca nas casas deles e a polícia encontrou um dinheirão escondido lá. Isso foi ontem!
--Meu Deus! -- todos exclamaram ao mesmo tempo
--Eles ganharam dinheiro pra explodir a oficina?! -- Nilza perguntou decepcionada e surpresa
--É o que se suspeita! E foram tão sem noção que guardaram o dinheiro em casa! -- a morena respondeu -- Fizeram uma busca na casa de Rubens também, com base no meu depoimento e no dinheiro que foi apreendido, só que nada encontraram, daí eu pedi que não insistissem mais nisso. -- pausou -- O homem tá de coma, o filho e a nora sofreram um acidente e é uma barra muito pesada sobre a esposa dele.
--Ele botou uma coisa na oficina. -- Julinho falou -- Eu vi.
--O que, menino? -- Lina perguntou -- O que você viu?? -- todos olhavam para o jovem
--Rubens botou uma coisa engraçada perto do gancho. -- tentava explicar com gestos que se referia à ponte rolante -- Eu bem vi.
A mecânica lembrou-se de um detalhe. -- Eu ia ficar até mais tarde consertando a ponte rolante e ele me aconselhou a voltar pra casa por causa da previsão de chuva. Parecia que estava louco pra me ver longe do equipamento. -- olhou para eles -- Agora que Julinho me diz isso, tudo me leva a crer que foi realmente ele quem colocou as bombas na oficina... -- calou-se -- "Suzana tinha razão!” -- pensou
--Eu bato nele! -- Murilo fez cara feia
--Era como se ele quisesse evitar que você se machucasse! -- Nilza concluiu
--Quem teve a idéia de fazer isso me queria viva... -- pausou e brincou -- Que bom, né? -- riu
--Você quer que Julinho diga isso na delegacia? -- Lina ofereceu -- Posso ir com ele!
--Não... -- balançou a cabeça -- Embora Rubens tenha feito uma tremenda cafajestagem comigo, agora ele tá na pior. Eu queria que a verdade aparecesse, mas... -- pausou -- Bem, vamos falar sobre assuntos melhores. -- olhou para os jovens -- Que têm feito?
--Vou na escola, ajudo mamãe... -- Murilo respondeu -- Eu quero trabalhar com você de novo, Ed!
A morena ficou emocionada e condoída. -- Ah, querido... -- sorriu para ele -- Isso ainda vai demorar um tempo...
--Eu nado! -- Fernanda falou -- E vou na escola e ajudo mamãe!
--Que bom! -- ela respondeu -- E você, Julinho?
--Vou na escola... e quero trabalhar com você!
--Como eu disse, vai demorar pra vocês voltarem a trabalhar comigo. Vai demorar... -- balançou a cabeça
--Nós imaginamos. -- Nilza respondeu com tristeza -- Olha, Seyyed, eu tenho uma coisa pra te dizer. -- olhava para ela -- Quando meu ex-marido fez o que fez, eu pensei que fosse morrer. -- lembrava -- E aí você chegou e começou a levar Murilo pra sua oficina, deu oportunidade a ele e mostrou pra todo mundo que meu filho não era um inútil. -- emocionou-se -- Trabalhar com você mudou tudo pra ele, mudou tudo pra mim! Nunca seremos capazes de te agradecer por isso!
--Nossa, eu... -- emocionou-se também
--Eu te amo, Ed! -- Murilo falou e se sentou no braço da poltrona em que ela estava
--Eu também, querido! -- segurou a mão dele
--E eu! -- Julinho se sentou no outro braço de poltrona e segurou a mão dela
--E eu! -- Fernanda se ajoelhou em frente a ela
--Eu também! -- lutava para não chorar -- Vocês querem me matar de emoção, é? Ultimamente eu ando muito chorona, aí, já viu! -- riu
--Eu também não sei como agradecer por sua atenção com minha filha e por ter chamado Julinho pra trabalhar contigo. Minha irmã só não está aqui porque ficou muito resfriada, mas ela me pediu pra te dizer que não esquecerá jamais o que fez por meu sobrinho! -- falou com muita gratidão
--E foi um prazer! -- respondeu com sinceridade -- De todo coração!
--Nós, -- Nilza se levantou -- conversamos com todos os pais dos jovens especiais que trabalhavam e trabalharam com você, daí nossa demora em vir te visitar. -- pausou -- Posso te dizer que nenhum de nós vai exigir de você um centavo sequer, do contrário. -- estendeu um envelope pardo -- Queremos mostrar nossa gratidão!
--Gente! -- a morena ficou pasma -- Nossa... eu fico sem saber o que dizer!
Fernanda pegou o envelope das mãos de Nilza e colocou sobre o colo da morena. -- Vê? -- pediu
Seyyed sorriu e olhou o conteúdo daquele envelope. Havia um cartão assinado por todos eles e uma soma em dinheiro. Não conseguiu conter as lágrimas ao ler o que estava escrito. -- Que coisa linda! -- passou a mão nos olhos -- E esse dinheiro, por favor! Sem ofensas, vocês são pessoas que lutam com dificuldade, não podem ficar fazendo isso!
--Fizemos de coração, Seyyed! -- Lina se levantou ao dizer -- Sabe que somos cristãs, e é isso que um cristão tem que fazer. Você merece, por favor, não recuse!
--E no que precisar de nós, estaremos do seu lado! -- Nilza falou -- Estamos aqui representando todas as famílias, e falamos em nome de todos!
Os jovens beijaram seu rosto, cada um de uma vez. A morena ficou tão feliz como não saberia expressar. Não pelo dinheiro, mas pela atitude daquelas pessoas. Era como a história do dracma da viúva. Aquelas famílias eram humildes e qualquer centavo lhes custaria muito. Aquela, dentre todas e sem desmerecer as demais, era a contribuição que lhe parecia a mais valiosa.
***
Olga dormia tranquilamente ao lado de Mariano. Sonhava.
“Caminhava na beira da praia quando uma suave melodia chamou sua atenção. Ao som de violinos Maria de Lourdes se aproximava caminhando sobre as ondas.
--Dona Lourdes! -- sorriu e correu até ela para abraçá-la
--Olá, meu bem! -- beijou a testa da outra
--Fico tão feliz em vê-la novamente! Tão feliz em ver que está bem e cheia de luz! -- sorria
Lourdes segurou o rosto dela. -- Falar com você é sempre um prazer, mas infelizmente o tempo é curto. -- olhava-a com meiguice -- Tenho trabalhado muito, Olga. Deste lado de cá não se fica à toa e por isso venho procurá-la. Você precisa se preparar para cumprir o que lhe cabe!
--E o que é?
--Além de seus filhos, você terá muitos outros a orientar. Muito trabalho a espera!
--Do que fala?
--Valdecy desencarnará dentro em breve e você deverá assumir a direção da Casa Espírita no lugar dele.
--Eu?! -- perguntou surpresa
--Ele indicará seu nome pouco antes de partir, você terá uma forte oposição, mas não deverá desistir por causa disso. Terá de enfrentar dissabores e ouvir o que não quer. -- pausou -- E a oposição começará dentro de seu lar!
--Mariano... – concluiu decepcionada
--Você precisa conduzir a Casa rumo ao estudo minucioso da doutrina, estimular os médiuns a uma atuação ativa e trabalhar mais no atendimento fraterno. É preciso que a caridade seja praticada com mais empenho e que um intenso trabalho de saneamento mental seja levado à efeito. -- falava com seriedade -- O Rio de Janeiro transformou-se, assim como todos os grandes centros deste planeta, em uma imensa zona de fluídos perniciosos! Os espíritos ainda perdidos nas trevas da ignorância fazem sua fortaleza às custas dos pensamentos e atitudes desequilibradas das pessoas da cidade.
--Sei que os tempos inspiram cuidados... Pode-se perceber!
--Virá um tempo em que as pessoas se tornarão reféns de suas próprias alucinações. Monta-se um poderoso império do mal em torno de uma droga que será um gravíssimo problema de saúde pública, mais que todas as outras. -- alertava -- Há muitos espíritos, encarnados e desencarnados, que trabalham para adiar este momento, mas ele não tardará a acontecer. -- olhava nos olhos da outra -- Precisamos de toda ajuda possível e todos aqueles com um mínimo de condições serão inspirados a dar sua contribuição. É necessário atuar mais fortemente na luta de regeneração da Terra. O tempo se esgota...
--Entendo que vivemos momentos decisivos, mas terei eu condições de me sair bem diante de tamanhas responsabilidades? -- estava receosa -- Nunca estive em tal posição e...
--Você está preparada, Olga. Basta ter força e muita fé! -- pausou -- Não estará sozinha! Mantenha-se em clima de oração e sempre receberá inspiração quanto ao que fazer!
Olga ficou pensando e respondeu confiante: -- Eu aceito!
--Não vai se lembrar dos detalhes de nossa conversa quando acordar, pois não deve ser assim, mas terá uma vaga noção do que a espera. O tempo vai clarear suas idéias. -- passou a mão na testa dela -- Que Deus a abençoe, minha filha!”
Olga acordou repentinamente e sentou-se na cama. Mariano dormia e não se mexeu.
“Dona Lourdes me disse tantas coisas mas não lembro de quase nada...” -- pensava -- "Eu terei de fazer algo de muito sério, mas o que será?” -- não conseguia recordar -- "Ajude-me Senhor, eu Lhe suplico, a estar pronta na devida hora!” -- pediu mentalmente
***
Tamires estava em São Paulo. Havia recebido um pedido de Tatiana para que pesquisasse nas Juntas Oficiais e Cartórios da cidade sobre as trans*ções de uma certa empresa de fachada na bolsa de valores. O promotor de Nova York descobriu que além das empresas citadas por Anselmo, havia mais uma outra instalada no Uruguai, a qual era usada pelos contraventores para adquirir imóveis e carros importados. A referida empresa se apoiava em trans*ções lícitas na bolsa de valores para repatriar o dinheiro de volta ao Brasil.
Ainda nos Estados Unidos, a jovem repórter aguardava os achados da irmã para que as investigações em território norte americano continuassem.
No segundo dia de pesquisas, a advogada teve uma surpresa. “Ora, ora, se não é um documento da tal empresa...” -- pensou sorridente -- "Quanta grana! Também pra comprar um prédio inteiro...”
Enquanto isso, Romeu estava na mesma cidade investigando sobre os laboratórios de crack. Já havia descoberto dois deles no Rio de Janeiro, os quais o levaram para onde se encontrava naquele momento. Tinha amigos pesquisando nos demais estados.
“Mas que astuto!” -- pensou -- "Disfarçam como pasta de dente...” -- sorriu -- "A criatividade dessa gente do submundo me surpreende!” -- continuava seu caminho disfarçado de carteiro -- Bom dia! -- abordou o segurança -- Trouxe correspondência pra vocês e não sei onde deixo. Aqui não tem caixa de correio nem nada!
--Correspondência? -- ficou desconfiado -- "Mas quem mandaria alguma coisa pra cá?” -- perguntava-se mentalmente
--É esse pacote aqui! Veio do Rio! -- a encomenda tinha como remetente um dos laboratórios cariocas
--A portaria é pra lá! -- apontou para um beco -- Mas eu vou com o senhor! -- fez cara feia -- Não é qualquer um que pode entrar aqui!
--Muito grato! -- sorriu -- "Eles têm criatividade mas contratam uma gente burra...” -- Romeu achava graça e disfarçava para não rir
10:10h. 04 de dezembro de 2005, Restaurante 476, Guaratiba, Rio de Janeiro
Letícia e Camille almoçavam juntas. Após um mês de trabalho em São Paulo a loura havia retornado para o Rio.
--Não imaginava que você estaria me esperando na saída do desembarque. -- provou o pirão -- Meu, que delícia! -- exclamou satisfeita
--Não foi à toa que te perguntei o horário do vôo. -- sorriu -- Foi uma boa surpresa?
--Sabe que foi. -- respondeu com sinceridade -- Não só pela carona. -- comia
--É, mas você nem quis saber de ficar comigo ontem... -- lamentou
--Ah, Letícia, mamãe tinha feito almoço pra mim... -- respondeu com jeito -- Além do mais eu tinha que dar atenção a ela, arrumar minhas coisas... -- comeu um bolinho -- E hoje eu disse que meu tempo seria todo seu! -- pausou -- E a senhora, aprontou muito nesse mês que passou? -- perguntou curiosa
--Trabalhei como louca, isso sim! -- bebeu um gole de refrigerante -- Duas defesas de doutorado, uma de mestrado, duas de fim de curso, provas pra corrigir e um relatório de encerramento de projeto. -- riu brevemente -- E foi até bom, sabia? -- cortava o peixe -- Do contrário, -- olhou para ela -- teria ficado o tempo todo pensando em você... -- falou sedutoramente. Camille corou. -- E você? O que aprontou em sua terra natal?
--Estudei, trabalhei, trabalhei, estudei e fui no cinema duas vezes. -- riu
--Só isso? -- perguntou desconfiada -- Não se encontrou com Fátima? -- pausou -- Assim, pra visitar...
--Não, Letícia. Fátima por essa época está no Canadá competindo!
--Vejo que está bem informada... -- respondeu tentando disfarçar a contrariedade
--Nós mantemos contato, nunca escondi isso de você. -- deu uma garfada -- Gente, que comida boa! -- comia com gosto
“Muda de assunto, Letícia, você não quer discutir com ela agora, quer?” -- pensou -- E agora? O que vai acontecer nesse treinamento? Quando termina?
--Vai terminar no começo de agosto. -- cortava a lula -- E agora em janeiro a gente vai pra Salvador e só volta em abril. -- comia
--Eu não acredito, Camille! -- soltou os talheres e exclamou contrariada -- Por que sempre me fala as coisas assim, hein? Não acredito que não soubesse disso antes!
--Mas eu não sabia! -- respondeu de cara feia -- Fomos informados sobre isso na véspera de voltar pra cá! -- olhou para ela -- Fala como se eu vivesse te escondendo as coisas e armando!
--Não é isso, é que eu... -- pausou -- A gente entrou nessa de dar um tempo e fiquei pensando... -- pegou os talheres de volta -- Temos que conversar sobre nós, Camille... -- voltou a comer
--Eu sei. -- bebeu suco -- Vamos fazer isso hoje, mas não aqui.
--O que vai fazer nesse final de ano? -- perguntou para mudar de assunto -- Onde vai passar natal e ano novo?
--Vou passar o natal em casa com mamãe e nosso pessoal, mas vai ser uma festinha simples. O ano novo ainda não sei como vai ser. A gente costumava a ir pra Goiânia, mas com o problema que Tatiana tem passado não vai haver festa lá. -- comia
--Quem é o ‘nosso pessoal’ a quem você se refere? -- perguntou curiosa
--Meu tio, dona Olga, Ricardinho, Ed, Isa, Renan, Suzana, Juliana e Flávia.
--Seyyed vai passar o natal com você?? -- tentava disfarçar a contrariedade
--Ela é praticamente da minha família, Letícia. -- respondeu naturalmente -- Aliás, eu queria saber se você gostaria de passar o natal com a gente também. -- convidou -- Basta levar alguma coisa de comer e uma bebida.
A professora sorriu empolgada. -- Sério? E sua mãe? O que ela pensará disso?
--Ela disse que concorda. -- terminou de almoçar -- Que comida gostosa! Bem da hora esse lugar, viu? -- admirava o ambiente
“Hum, então minha sogra até que gosta de mim...” -- pensou satisfeita -- Eu aceito o convite. E pra dizer a verdade eu te perguntei isso porque queria saber se vocês aceitariam passar o ano novo na casa da minha tia. É bem animado, vai um monte de gente e só precisa levar bebida. -- sorria -- Eu já falei com ela e você pode convidar sua mãe, seu tio, a mulher dele e os filhos dela. -- pausou -- Isso inclui Seyyed e Isa. -- complementou à contra gosto
--Tá, eu vou falar com eles.-- pausou -- Letícia, -- falava baixo -- comi tanto que nem agüento sobremesa ou café.
A professora riu. --Também não. Vou pedir a conta então. -- chamou o garçom
--Pra onde vamos quando sairmos daqui? -- olhava para a outra
--Conversar. -- sorriu
***
Letícia e Camille entraram em um quarto de motel na Barra. A loura colocou a bolsa em cima de uma pequena poltrona quando sentiu-se agarrada pela outra que lhe sussurrou: -- Eu tava doida de vontade de ter você novo... -- mordeu-lhe a orelha -- Não sabe como me deixa louca... -- deslizava a mão para dentro de sua calcinha -- Adorei ter feito as pazes...
--Letícia, calma! -- desvencilhou-se com jeito e virou-se de frente para a professora -- Nós nem escovamos os dentes, estamos suadas... Vamos tomar um banho, cuidar da higiene... -- sorriu -- Eu gostei de almoçar naquele lugar lá em Guaratiba, adorei o ambiente bucólico e amei a comida, mas não quero ficar namorando você com gosto de peixe na boca. -- afastou-se -- Além do mais, nós temos que conversar primeiro, você não acha?
--Tem razão! -- sorriu -- E que bom que gostou! Eu queria mesmo te dar uma recepção de boas vindas depois daqueles nossos desentendimentos bobos...
--Eu pensei muito na gente... -- olhou para a professora -- Não queria que terminássemos...
--Nem eu! -- segurou-a pelos braços -- Eu quero você, Camille, será que não vê isso? -- seu olhar era firme
--Vamos cuidar da higiene... -- ela pediu -- Por que não prepara a banheira enquanto eu escovo os dentes? -- propôs
“Oba, ela está disposta!!” -- pensou animada
--Não quer dizer que a gente vá fazer sex*, criatura tarada! -- parecia ler os pensamentos da professora -- Vamos conversar. -- foi até a bolsa e pegou escova e pasta -- Fazer essas coisas depois de comer do jeito que comemos dá consumição!
--Consumição?! -- riu -- Eu, hein? -- foi preparar a banheira
Em poucos minutos as duas estavam na banheira. Letícia massageava as costas da loura.
--Que massagem deliciosa... -- fechou os olhos
--VOCÊ é deliciosa! -- beijou o pescoço dela
--Mas sou sexualmente muito limitada, não é? -- perguntou magoada
A professora ficou encabulada com a lembrança do que havia dito. -- Desculpe, Camille! -- beijou a cabeça dela -- Eu fui uma idiota em ter dito aquilo. Perdoe-me, por favor!
A loura virou-se de frente para ela e envolveu a perna em sua cintura. -- Entenda uma coisa, Letícia, eu não sou como você ou como as amantes que teve. E não quero dizer que sou especial por causa disso. Na verdade até gostaria de ser como vocês, mas eu não sou. -- mexia nas trancinhas dela -- Eu não vejo sentido em ficar mudando as posições, porque eu não acho que seja isso que torna o sex* melhor. Eu acho que o que vale é aquele sentimento de pele com pele, a satisfação em sentir o toque da outra pessoa, o carinho, o desejo, a cumplicidade... -- olhava para ela -- Eu sou deficiente física e não sou tão versátil. Há posições que me incomodam, que me cansam demais, que me desconcentram... São as minhas limitações.
--Tudo bem, eu não vou mais insistir pra gente tentar posições novas. Vamos deixar que as coisas fluam naturalmente. -- sorriu
--E sei que te incomoda muito o fato de eu não fazer sex* oral em você, mas... Isso é uma barreira minha. -- pausou -- Não é fácil pra mim...
--A gente vai trabalhar isso, pode deixar. -- segurou o rosto dela -- Você já superou várias barreiras... -- sorria -- E prometo que nunca mais serei grosseira com você novamente.
--Eu fiquei tão envergonhada, me senti tão diminuída...
--Não vai acontecer mais! -- sorriu -- Você é o máximo, pode acreditar! -- beijou-a com carinho
--Eu sei que você está acostumada com mulheres que não têm frescuras na cama, mas eu...
--As pessoas são diferentes, Camille. -- acariciava o rosto dela -- Graças a Deus, senão tudo seria muito sem graça. -- beijou-a novamente
--Acha mesmo que eu seja o máximo? -- perguntou sorrindo
--Acho, não, tenho certeza! -- olhava sedutoramente para ela -- E... à propósito; -- mordeu a orelha dela -- não vai rolar consumição nenhuma agora! -- sussurrou e voltou a beijá-la em seguida
Camille gem*u ao sentir os dedos da professora buscando abrigo entre suas pernas.
***
Suzana estava em sua escrivaninha juntando as últimas informações passadas por Tatiana. Sentia que faltava muito pouco para concluir aquela investigação. “Eu não vejo a hora!” -- sorria
De repente mãos possessivas massageiam seus ombros. -- Meu nenenzinho não quer brincar comigo? -- Juliana sussurrou sedutoramente -- Hum? -- lambeu o pescoço dela
--Sempre! -- levantou-se rapidamente e ficou frente a frente com ela -- Se você quer, você tem! -- puxou-a para um beijo intenso
--Não! -- empurrou-a e se afastou fazendo um charme -- Eu quero bem devagar! Assim não! -- encostou-se na porta sorrindo
--Faço do jeito como quiser! -- caminhou para perto dela
--Vá pra cama! -- deteve a aproximação da delegada esticando os braços para segurá-la pelos ombros -- E me espere lá. -- sorriu -- Nua de preferência!
--Agora! -- saiu correndo para o quarto e se despindo ao mesmo tempo
Juliana riu. “Nhambiquara safada!” -- mordeu o lábio inferior
A morena estava sentada e nua na cama aguardando pela japonesa, que não tardou a chegar usando calcinha preta e um corpete da mesma cor. Usava saltos altos.
--Uau! -- arregalou os olhos -- Ah, mas eu vou...
--Vai ficar aí! -- ordenou -- Eu disse que quero bem devagar. -- caminhou sensualmente até a cama -- E quem manda aqui sou eu, Suzana Mello! -- engatinhava na cama olhando para a morena
--Ô, Ju, assim eu não agüento... -- babava
--Aguenta, sim! -- sentou-se no colo dela -- Olha o que temos ali! -- indicou a mesinha
Suzana olhou e viu um pequeno pote. -- Chocolate! -- pegou para ver
--Eu quero brincar com chocolate... -- mordeu o lábio inferior da morena
--Me diz o que quer que eu faça e eu faço! -- estava louca de excitação
A japonesa riu brevemente. “Adoro ver essa empolgação toda!” -- pensou -- Por que não tira minha lingerie, -- sussurrou no ouvido dela -- e me saboreia com chocolate? -- sugeriu
--Ô, meu Pai... -- abriu o pote -- É hoje! -- passou o dedo e tirou um pouco do creme, deslizando-o em seguida pelos lábios e pescoço da amante -- Eu vou comer você inteira! -- falava rouca de desejo
--Isso... -- sorria
A delegada deitou-se sobre a japonesa e começou a beijá-la e lambê-la, saboreando o chocolate em seus lábios e pele. Aos poucos despia a amada de suas roupas íntimas, cobrindo-a com uma fina camada de chocolate que ia sendo consumida entre beijos, mordidas e lambidas bastante provocadores e sensuais.
--Ai, Suzana, você é o máximo! -- fechou os olhos ao sentir que seus seios eram devorados pela amante -- Ah!
A morena continuou o jogo até chegar aonde mais queria. Desprezou o chocolate nesse momento e mergulhou entre as pernas da japonesa.
--Ai, Su... -- respirava ofegante e se deleitava com o que a delegada fazia com a língua -- Ah...
Atendendo ao pedido da enfermeira, Suzana saboreou a amante sem pressa, interrompendo o que fazia por repetidas vezes para prolongar as sensações de prazer da parceira antes que ela atingisse o orgasmo.
--Ah!!! -- gritou puxando as cobertas -- Ai, Su... -- sorriu -- Você foi cruel comigo...
--Cruel? -- beijou a barriga dela -- Mas não era isso que você queria? -- sorriu -- Eu entendi você dizer pra ir devagar... -- mordeu sua pele -- E eu obedeci...
--Hum... -- segurou-a pelos cabelos -- Agora eu quero minha índia com calda de chocolate!
--Tô à disposição! -- sorriu e mordeu o queixo dela
--E não vou tão devagar! -- reverteu as posições -- Porque sei como você deve estar! -- pegou o potinho e foi despejando uma trilha de chocolate desde os lábios até o sex* da morena
--Vai dar conta de tanto doce? -- perguntou acariciando o rosto da japonesa
--Quer apostar? -- começou a lamber e morder a amante provocativamente
--Caraca, minha linda... -- sentiu um arrepio pelo corpo -- você é... ai!! -- gemia
A enfermeira sorriu e foi seguindo aquela trilha com mais volúpia, ao ponto que arranhava a amante a ponto de marcá-la.
--Sabe que eu gosto assim... ah!!! -- falava com dificuldade, a respiração ofegante denunciava o seu prazer
--Eu sei tudo de você, Suzana Mello! -- deslizou o dedo pelo sex* da morena e lambeu -- Gostosa...
--Ah!!! -- gem*u -- Eu não vou agüentar...
--Você não vai esperar muito! -- agarrou-lhe pelas coxas e começou a provocá-la com a língua, evoluindo o ritmo até enlouquecer a delegada completamente
--Ahahah!!! -- gemia alto
--Ainda quer brincar mais, meu nenenzinho? -- mordeu a coxa dela -- Hum?
--Não brinca com fogo, mulher! -- segurou-a pelos braços e rapidamente a deitou de bruços na cama -- Você sabe que quando eu começo... -- deitou-se sobre ela -- não quero parar! -- sussurrou no seu ouvido
--Ai, Suzana... -- gem*u excitada
--Você vai ter que pedir muito pra eu parar! -- começou a beijá-la e mordê-la enquanto suas mãos deslizavam por todas as partes do corpo da japonesa -- Muito!
--Ah!!! -- sorria -- "Ai, será que dou conta?” -- pensava enquanto sentia-se tomada por assalto
***
Juliana e Suzana estavam na cama deitadas nos braços uma da outra. Haviam acabado de voltar do banho.
--Se você não tivesse me levado pro chuveiro acho que eu não agüentaria andar até o banheiro... -- a japonesa comentou preguiçosamente -- Pensei que iria morrer, sabia? -- sorriu
--Eu disse que ia ter que me implorar pra eu parar. -- beijou a cabeça dela – Não mandei me provocar daquela maneira.
--Eu sei que minha índia é canibal mas não resisto a brincar com fogo... -- acariciava o braço da amante -- Valeu a pena!
--Se valeu... só acho que vou ficar com a glicose alta depois dessa noite. -- riu
--Nós vamos. -- corrigiu e suspirou -- Fico feliz que você mantenha essa empolgação toda comigo apesar de minhas celulites e outros defeitinhos...
--Pára com isso, Ju. Nós somos um casal maduro e o tempo também passa pra mim. -- abraçou-a com mais força -- Não me importam celulites ou coisas do gênero, eu te amo e ponto final! -- exclamou com ênfase
--Eu também te amo! -- olhou para ela e beijou-a nos lábios -- E muito! -- sorriu e novamente deitou a cabeça no ombro da morena
O telefone tocou surpreendendo a ambas. -- Nossa, quem será a essa hora? -- a enfermeira perguntou curiosa
--Hum, deve ser um camarada meu! Pedi pra ele dar umas piruadas e confirmar umas suspeitas minhas. -- estendeu o braço e pegou o telefone -- É sobre o caso da oficina de Ed. -- explicou antes de atender -- Alô!
--Enquanto você investiga, -- sentou-se e pegou o controle remoto -- vou ver as notícias no Brasil e no mundo. -- ligou a TV
Após alguns minutos de notícias apresentou-se um caso que havia repercutido bastante ao longo do dia. Três jovens de classe média alta, os quais haviam desaparecido desde o final de agosto, haviam sido encontrados mortos em um terreno baldio.
--Graças ao empenho do delegado Felipe Gonçalves, os corpos recentemente encontrados neste terreno baldio -- a repórter se encontrava no local -- puderam ser identificados como Hugo Maciel, Bernardo Alencar e Orlando Lins Ferreira. -- enquanto isso eram exibidas fotografias dos três rapazes -- A polícia suspeita que os jovens foram vítimas de alguma espécie de ritual de magia negra.
--Gente! -- Juliana exclamou -- Suzana, olha! São aqueles playboyzinhos que bateram na Ed, olha! -- cutucava a perna da amante sem tirar os olhos da TV
--Como é? -- despediu-se do colega e desligou -- O que foi, menina? -- sentou-se também
--O que nos leva a acreditar na hipótese do ritual, -- o investigador afirmava -- foi a semelhança da cena do crime com o que aconteceu na Floresta da Tijuca em maio de 2001. Naquela ocasião, uma seita liderada por Lucas Damaso praticou um ritual macabro executando cinco homens em iguais condições ao que observamos com estes rapazes.
--Eu lembro disso! Na época li no jornal! -- a japonesa falou
A reportagem fez uma breve menção ao caso Patrícia Feitosa.
--Hum... -- Suzana coçava o queixo -- que coisa esquisita... -- ficou pensativa
--As famílias dos jovens estão inconsoláveis! -- mostravam-se imagens de pessoas fazendo um protesto nas ruas de Ipanema
--Não, não, eu não aceito!! -- a mãe de Hugo gritava -- Meu filho era um menino tão bom... Um coração de ouro, incapaz de fazer mal a uma mosca!
--O que???? -- a enfermeira indignou-se -- Teu filho era um marginalzinho sem vergonha, mulher! Larga de mentir!!!
--Hugo era tão bom, tão humano... -- o pai dele se lamentava e chorava
--Que bom, o que? -- Juliana reclamava -- Você não foi lá limpar a barra dele, meu filho? Mesmo sabendo que o safado era marginal? Agora chora, cachorro, chora! Não soube criar, chora!
--Que é isso, Ju? -- Suzana perguntou espantada
--Meu Bernardo, não, não, não!!!! -- a mãe do jovem gritava -- Aquele menino era tão bom, tão amigo... -- gesticulava como louca -- Um menino puro...
--Menino puro???? -- a japonesa continuava discutindo com a televisão -- Um menino puto, isso sim!! Mau elemento da pior categoria!! Não soube criar, agora chora, sua vaca!!
--Ô garota! -- a delegada teve que rir
--Orlando era um sujeito do bem, sabe? -- a namorada dele falava emocionada -- Essa violência louca tem que acabar, viu? Paz, o Rio quer paz!! -- levantou a mão
--O Rio quer paz? Quer paz e os graciosos aí gostavam de bater nos outros na rua, minha filha! Tudo um bando de marginalzinho sem vergonha! Homofóbicos!! -- acusava -- Quer paz e sustenta a guerra! -- a japonesa continuava revoltada -- Ai, isso me dá um ódio! -- cruzou os braços -- Se esses caras fossem gente boa, eu daria toda razão a esse pessoal, mas o trio maligno aí? -- apontou para a televisão -- Procurou fumo pro cachimbo e achou! -- deu um soco na mão -- Agora pai e mãe, que não souberam criar, ficam aí na rua desfilando com camisetinha com o rosto do filho e chorando! Tinha era que vestir uma blusa escrito assim: “Eu não soube criar, agora deu nisso: choro e me dano!”
A delegada teve que rir novamente. -- Ai, ai, Ju... -- balançou a cabeça
--E não é, Suzana? -- olhou para a morena -- Muita gente boa é vítima da violência e nesses casos eu apóio a mobilização e o protesto das famílias, mas uns sem vergonhas como aqueles caras?? Bando de marginalzinho e a família vem fazer drama na televisão? Ah, me poupe! Minha fofura não chega a tanto!
A morena brincou com o cabelo da amante e sorriu. -- Eu te entendo, mas não dá pra ser tão radical. Crime é crime, não importa o passado da vítima.
--Mas eu concordo que tem que punir quem fez isso! Não concordo é com essa palhaçada aí! -- virou-se para a TV
A reportagem apresentou, de longe e mais uma vez, a imagem dos corpos. Suzana deu um salto na cama.
--O que foi, amor? -- Juliana perguntou surpresa
--Ali! -- apontou para a televisão mas uma outra notícia já começava a ser dada -- Eu juro que vi o símbolo da facção criminosa que nós investigamos talhado no muro perto do lugar onde acharam os corpos... -- olhou para a amante -- Algo que me diz que... -- ficou pensando
--Os bandidos se uniram a feiticeiros pra ganhar mais força?
--É... -- continuava pensativa -- Eu não conheci o tal do Orlando mas os outros dois, com certeza, eram usuários de drogas... Eu sei porque os investiguei...
--No que está pensando, amor? -- estava curiosa
--Acho que preciso ligar pra Tatiana...
--Por que?
--Temos que fazer uma visitinha a Lucas Damaso...
***
--Minha filha, eu não sei o que há de errado com seu pai! -- Ana andava em círculos pela sala -- Ele anda sei lá como que não quer nem fazer festa de natal ou de ano novo aqui na cobertura! -- fazia uma cara feia -- Também não quer ir pra lugar nenhum, vê se pode? -- pôs as mãos na cintura -- Acredita que ele chegou a me propor de passar essas festas de fim de ano na igreja? -- riu brevemente -- Acho que Anselmo pensa que virou São Francisco de Assis! Daqui a pouco ele vai ficar nu pela rua pra agasalhar os mendigos e vai ser preso por atentado ao pudor!
“Pra quem diz que sofre tanto com papai na contravenção, mamãe não me parece ter qualquer restrição em usufruir do dinheiro dele...” -- Isa pensava -- Mãe, eu acho que de fato não convém esbanjar em festanças de final de ano. Se papai anda tão estranho como você diz é porque sabe que algo ruim está pra acontecer. -- cruzou as pernas -- Essa situação dele é uma coisa muito séria e eu nem sei como tudo isso vai acabar...
--Não sabe como tudo isso vai acabar? -- perguntou com ironia e sentiu um ódio tomar conta de si -- Poderíamos estar todos livres disso agora se você não tivesse feito a burrice de recusar as duas propostas que recebeu! -- falou entre dentes olhando para a bailarina
--Mãe, por favor! -- levantou-se chateada -- Não jogue nas minhas costas a culpa pelas conseqüências das escolhas que vocês fizeram!
--Vocês?? Vocês?? -- perguntou fazendo um drama -- Eu não sabia que Anselmo tinha se envolvido com o que se envolveu! -- mentia -- O que você espera que eu faça? Que eu me mate ou que vá morar debaixo de uma ponte porque não concordo com o que ele faz??
A ruiva tentava se controlar para não discutir. -- Mãe... Será que não lhe ocorre que o dinheiro que mantém esse vidão de vocês é um dinheiro sujo de sangue? -- falou em tom mais baixo -- Você não tem que se matar ou morar debaixo de uma ponte, mas não queira que papai viva dando festas. -- calou-se e ficou olhando para ela -- Por que não passam o natal com a gente? -- segurou as mãos da mulher mais velha
--O que? Na casa da aleijadinha? -- soltou as mãos de Isa -- Nem pensar! -- ficou de costas para a filha
--E porque não passamos o ano novo só nós quatro? Você, papai, Ed e eu? -- ofereceu
--Naquele corticinho onde vocês moram? -- riu -- Ah, minha filha, por favor! -- virou-se de frente para a ruiva novamente -- Mesmo que Anselmo não queira ir, eu darei meu jeito e vou pras festas de Mimi Siane! Ela e o marido estão planejando uma comemoração de final de ano pra abalar os alicerces dessa cidade! -- gesticulava
Isabela olhava tristemente para sua mãe. -- Por que você se importa tanto com bobagens, mãe? Essas coisas não lhe acrescentarão em nada na vida! Todas elas são passageiras...
Ana ficou novamente furiosa. -- O que deu em você também, hein, Isabela? -- fez cara feia -- Assim como seu pai, agora você é metida a santa? -- falava com deboche -- Não sou obrigada a gostar da mediocridade porque você pegou essa mania de querer se rebaixar por causa de uma mecânica falida e aleijada!
--Pára com isso, mãe! Não fala dela assim! -- pediu agoniada -- Você mudou tanto... Parece que não tem mais sentimentos...
--Mas agora vejam só... -- estava indignada -- Eu não sei porque deixei você entrar! -- abriu a porta e ficou esperando -- Vá embora daqui, Isa! -- ordenou -- Ou prefere que eu te expulse como fiz da outra vez? -- parecia a ponto de bater na filha
Isabela respirou fundo e se encaminhou para a porta. -- Você está fora si! O que fala não é por você, mas pelos infelizes espíritos que te dominam! -- olhava nos olhos dela -- Mas eu não vou desistir! Você vai se curar disso. Pena que agora não perceba o quanto está doente!
--Doente é você!! -- gritou e a empurrou para fora batendo a porta com força
“O que eu faço, meu Deus?” -- a ruiva pensava enquanto se dirigia para o elevador -- "Orações no centro serão suficientes?” -- balançou a cabeça negativamente -- "Acho que meus pais, cada um a sua maneira, estão com os dias contados...” -- entrou e apertou o botão do térreo -- "Será que eu deveria ter mesmo ido embora com Ana ou Diva?” -- encostou a cabeça na chaparia do elevador -- "Mas se eu fizesse isso...” -- suspirou -- Ai, que saudade de quando a minha vida era fácil! -- exclamou ao descer no térreo
--Humpf! -- uma velhinha ouviu e fez um bico -- Essa aí reclama de barriga cheia! -- resmungou enquanto entrava no elevador com a acompanhante -- Ela não sabe o que é vida difícil!
“E nem a senhora!” -- a acompanhante pensou
13:00h. 27 de dezembro de 2005, a caminho do Complexo Penitenciário de Gericinó, Bangu, Rio de Janeiro
Suzana dirigia e Tatiana viajava a seu lado.
--Psicopatas são vaidosos, costumam ser bastante narcisistas e são extremamente observadores. -- a delegada advertia -- Lucas vai se sentir lisonjeado em ser entrevistado por você, mas tenha cuidado pra não cair no jogo dele. Ele vai te estudar nos mínimos gestos e pode te manipular sem que você se dê conta... Vai querer deixá-la transtornada!
--Eu andei lendo sobre psicopatas, já que considero que as pessoas que chefiam esse império de sangue que é o tráfico de drogas são todas psicopatas. Pode deixar que estou ciente do perigo que Lucas representa. -- respondeu com segurança -- E também confio que se eu fraquejar você me vai me dar a mão. -- sorriu para a delegada
--Pode crer! -- sorriu também e pausou por uns segundos -- Os assassinos de Patrícia já passaram por poucas e boas no presídio! É curioso como os presos têm tanto ódio dos estupradores... Nem sei se eles sobreviverão por muito mais tempo... -- comentou -- Lucas não. Ele fica em regime especial e realmente não se mistura com os outros presos... -- olhou rapidamente para Tatiana -- Eu tenho muitos receios, sabe? Quando menos se esperar Lucas vai ter a pena reduzida por bom comportamento. Aí volta pras ruas e mata mais mulheres inocentes!
--Mas como pode ser isso? -- perguntou indignada -- Lucas Damaso fez até o teste de Rorschach e o laudo acusou psicopatia! Como pode ter pena reduzida por bom comportamento?40 Ele é um perigo!
(Nota: o teste de Rorschach é uma técnica suíça que utiliza placas com manchas de tinta para a avaliação psicológica de uma pessoa 40)
--Na época do julgamento, a acusação insistiu no reconhecimento do resultado desse teste e a advogada que cuidava do caso acreditava que o portador desta patologia não tem recuperação. Ela andou estudando e conversando com psiquiatras forenses e, baseada no parecer deles, solidificou essa opinião. Só que ele acabou sendo enquadrado como um criminoso qualquer. -- pausou -- A verdade é que pessoas como Lucas Damaso são o grande problema do sistema penitenciário!40
--Por que, uai? Eu não consigo entender isso!
--Psicopatas, sociopatas e portadores de transtorno de personalidade são classificados no Código Penal Brasileiro como semi-imputáveis. Eles não são doentes mentais, entendem o caráter criminoso de suas ações, mas ainda assim comportam-se de forma hedionda. -- explicava -- Depois da reforma do Código nos anos 80, quem se enquadra na semi-imputabilidade é equiparado ao criminoso comum ou ao doente mental. Se nivelado ao criminoso comum, ele é enviado à cadeia e pode ganhar uma redução de um a dois terços da pena. Do contrário é enviado pra tratamentos psiquiátricos em um manicômio ou casa de custódia.40 -- suspirou -- Lucas, apesar de ter sido interno de um manicômio por muitos anos no passado, foi pra cadeia...
--Mas Lucas foi condenado a 150 anos de prisão! Mesmo uma redução de dois terços disso o deixaria preso por 50 anos!
--Isso é tudo fita, menina, porque ninguém cumpre mais do que 30 anos! E se o preso cumpre um sexto disso com bom comportamento ele vai pras ruas em regime semi aberto.40 Ou seja, os 150 anos se transformam em cinco!
--Minha nossa!! -- arregalou os olhos
--Se Lucas Damaso fosse julgado como semi-imputável e igualado ao inimputável, que é o indivíduo que não tem condições de entender o caráter criminoso dos seus atos, ele pegaria, inicialmente, o máximo de três anos de medida de segurança. Terminado esse período, ele não iria pra rua e seria submetido a exames psiquiátricos.Apresentando periculosidade persistente, seria encaminhado a um hospital psiquiátrico pra receber tratamentos até praticamente o fim da vida! 40
--Hum, entendi! Então se ele pegasse o inicial de três anos, poderia parecer um absurdo diante da opinião pública, mas estes três anos seriam equivalentes à prisão perpétua!
--É isso aí! Foi importante que o caso fosse muito divulgado pela mídia, inclusive pra me proteger, mas o efeito colateral disso é que dificilmente é reconhecida a inimputabilidade e imposta a medida de segurança, por mais psicóticos que sejam os crimes. As pessoas tendem a acreditar que quem vai pra tratamento psiquiátrico não é punido.
--Como se ficar detido em um manicômio judiciário fosse uma coisa fácil... -- balançou a cabeça e ficou pensando -- Então quer dizer que lá pra 2007 Lucas pode ser posto em liberdade? -- olhou para Suzana
--Pois é, minha amiga... pois é... -- lamentou preocupada
***
--Yamaki, minha cara... -- Lucas sorria -- Além de me honrar com sua visita inesperada ainda traz uma bela amiga repórter pra me entrevistar! -- olhou para Tatiana
--Precisamos conversar com você, até porque certamente poderá nos ajudar a desvendar alguns enigmas... -- a delegada falou
--No que puder ser útil... -- respondeu orgulhoso e novamente olhou para a jornalista -- Lembro bem que você foi a Ariadne que deu o fio pra Yamaki poder seguir pra dentro do meu labirinto... -- referia-se a atuação dela no caso de Patrícia
--Vejo que o senhor entende de mitologia... -- Tatiana respondeu simpática
--Entendo. -- confirmou orgulhoso -- Mas não me chame de senhor, por gentileza. Pode me tratar por Lucas.
--Tudo bem.
--E se também entende de mitologia, deve saber que Ariadne termina sozinha. -- olhou rapidamente para a aliança da jovem
--A solidão não me assusta. -- mostrou o gravador -- Será que posso gravar nossa conversa?
--Claro! -- ele cruzou as pernas -- Eu não tenho mais nada a esconder. -- portava-se bastante solícito
A jovem ligou o aparelho e fez uma breve introdução do caso até poder chegar ao assunto que motivou aquela visita. -- Recentemente foram encontrados os corpos de três jovens rapazes desaparecidos desde o final de agosto e ficou muito nítido que foram sacrificados em algum ritual de magia. -- mostrou algumas fotos de jornal que Lucas pegou para ver -- De acordo com as informações que temos, os três eram usuários de drogas e tinham passagem pela polícia, sempre devido a agressões contra homossexuais, nordestinos e mendigos. Também observamos o símbolo de uma determinada facção do tráfico de drogas no local onde os corpos foram encontrados. -- apresentou outra foto impressa -- Gostaríamos de ouvir sua opinião a respeito, uma vez que entende de magia e de muitos outros assuntos. -- tentava puxar pela vaidade dele
Lucas ficou analisando aquelas fotos e respondeu: -- Com certeza foi um ritual de magia. -- olhou para as duas -- E de um tipo que eu jamais faria porque não me interessa!
--O que quer dizer? -- Suzana perguntou curiosa
--Eu não quero poder material, isso é algo ilusório demais. -- colocou as fotos uma ao lado da outra sobre a mesa -- Quem encomendou isso deseja ter poder e mantê-lo por tempo indeterminado. -- pausou -- Vejam o que fizeram com estes corpos! -- apontou -- Foi um sacrifício de sangue dos mais aterrorizantes. -- afirmou calmamente
--Mas... -- Tatiana interferiu -- essa cena em muito se assemelha com o que foi feito com aqueles homens na Floresta da Tijuca, não? -- olhava atentamente para ele
--Claro que não! -- respondeu ofendido -- Eu sacrifiquei aqueles homens porque eles colocaram nosso grupo em perigo por já terem sido presos e ao mesmo tempo eu estava pedindo a proteção dos espíritos. -- pausou -- O caso desses rapazes é totalmente diferente! São pessoas viciadas no mal e nas drogas, representam um banquete farto e delicioso aos espíritos malignos!
--Então, está nos dizendo que eles não foram escolhidos à revelia? -- a repórter perguntou -- Os traficantes que encomendaram o ritual precisavam de pessoas com traços específicos de personalidade?
--Não eles, mas a pessoa que conduziu a cerimônia. -- respondeu como se estivesse dando uma aula -- A maioria dos magos das trevas preferem escolher crianças, jovens moças ou pessoas frágeis o suficiente para serem pegas e não opor muita resistência, como idosos ou deficientes mentais. Porém, gente de alto nível, como parece ser o caso dessa pessoa aqui, -- apontou para as fotos -- escolhemos as vítimas que melhor atendem aos propósitos dos espíritos que queremos agradar e, claro, aos nossos propósitos pessoais. -- sorriu -- Admiro profissionais com tamanha elegância!
Tatiana e Suzana sentiram o sangue ferver de revolta mas se esforçaram para não demonstrar isso.
--Desconfio que essa mesma pessoa sacrificou mais dois homens. -- a delegada tirou dois objetos da mochila e os colocou sobre a mesa -- Esse boné é de um homem chamado Léo, -- apontou -- e essa flâmula de time é de um outro chamado João. Será que poderia ver pra nós o que houve com eles? -- pediu -- Afinal de contas você tem poder pra isso! -- olhava para ele
--Você também teria se estudasse um pouco mais, Yamaki. Nunca pensou em se unir com seus índios pra fazer algumas caçadas no Além? -- brincou -- Poderia mesmo fazer uma visitinha àquela moça que tanto lutou pra vingar. -- olhou para Tatiana -- Tem sonhado com ela? -- piscou
“Gente, como ele sabe que eu sonhava com a finada?” -- pensou em choque -- Será que poderia fazer o que a delegada pede? -- insistiu
--Posso sim, mas agora é minha hora de fazer algumas perguntas. -- continuava sorrindo -- Será que posso?
--Claro. -- a jornalista respondeu
--O que te motiva a investigar essas coisas? Ainda se sente culpada pela morte de sua amiguinha lésbica? -- provocava
--Nunca me senti culpada. -- mentiu
--Yamaki lutava porque sentia culpa... Ainda sente? -- olhou para a delegada que permaneceu impassível -- Acho que as mulheres sempre se sentem culpadas por alguma coisa. Talvez até mesmo por não terem nascido homens... -- provocava
--Não... -- a morena balançou a cabeça -- “A verdade é que os homens precisam das mulheres pra tudo, até pra nascer.”41 -- respondeu tranquilamente
Lucas sorriu. -- Ou então... -- voltou a olhar para a jornalista -- talvez você queira provar alguma coisa aos outros... Seu sotaque não é daqui e eu sei bem como as pessoas do sul recebem a gente que vem de outros lugares. -- olhava atentamente para ela -- E uma bela jovem negra é sempre vista como uma mucama, não é mesmo? -- falava mansamente -- Imagino as provocações que você ouviu na faculdade... Imagino quantas vezes duvidaram do seu... -- reparou-a de cima a baixo -- potencial.
--Graças a Deus não passei por nada de mais. -- tentava manter-se tranqüila
--Ah, sim, claro. Ninguém nunca deve ter zombado de você ou reparado que sua pele é bronzeada demais. -- debochou -- Sua ambição talvez seja algo bem mais nobre... Mas “toda ambição requer renúncia”.42 Já sabe o que vai renunciar? Talvez seja o rapazinho que usa a outra aliança desse casamento, não? -- apontou para a mão dela
Tatiana estava transtornada com aquilo. Suzana prestava atenção nas reações dela.
--Ambição, cobiça, desejo... -- ele mudou sua posição na cadeira -- As pessoas gostam de revestir seus desejos com objetivos admiráveis, mas tudo não passa de um anestésico pra transformar uma coisa feia em algo bonitinho ou cheio de significado... -- fez um bico -- Mas o fato é que "amamos o desejo e não o desejado”43. Seja lá o que for o que se deseje...
A jovem permaneceu calada por mais alguns segundos até que respondeu: -- E você deve entender disso muito bem, não?
--Acha que fiz isso no caso de sua amiguinha Maria que queria ser João? -- provocou
--“A pessoa frustrada em algum dos seus desejos, muitas vezes ocultos, ou em certas necessidades e, principalmente, em suas crenças, transforma a frustração em arma psicológica e até em agressão física contra tudo e todos que simbolizem ou remetam àquele aspecto mal resolvido.”44 -- olhava nos olhos dele
Lucas riu contrariado. -- Acho que me lembrei porque nunca gostei de repórteres! -- afirmou de cara feia
--Que tal agora você fazer o que te pedi? -- Suzana interferiu -- Assisto uns programas na TV a cabo que mostram pessoas que conseguem descobrir o paradeiro de qualquer um com sua mediunidade. Sempre lembro de você quando assisto.
--Eu não trabalho do lado dos mocinhos, Yamaki. -- continuava de cara feia
--Claro. -- ela sorriu -- E talvez você não possa, não consiga... -- provocou
Ele gargalhou. -- VOCÊ não pode, Yamaki! -- segurou o boné e a flâmula -- EU sim! -- fechou os olhos e se concentrou
Tatiana e Suzana ficaram caladas prestando atenção. Após um tempo que pareceu uma eternidade, ele falou: -- Esses homens estão mortos. -- mantinha-se de olhos fechados -- Eles mexiam com carros...
--Eram mecânicos. -- a delegada confirmou
--Eles tinham assuntos a tratar com uma mulher... um dinheiro a receber...
--Sim, eles receberam um bom dinheiro de alguém... -- Suzana continuava estimulando
“Como pode ser isso? Que coisa incrível!” -- Tatiana pensava intrigada
--Eles explodiram um lugar a mando dessa mulher e ela... -- mexeu a cabeça -- ela tem força!
--Alguma traficante, empresária...
--Muito mais que isso! -- sorriu -- Feiticeira! Bruxa das trevas!
--E quem os matou? -- Tatiana perguntou -- Essa mulher?
--Vejo muito sangue e desespero. -- balançou a cabeça -- Sim, foi um ritual.
--Onde eles estão? -- a delegada perguntou
--Em um lugar cheio de lixo... Um lixão enorme, monstruoso... -- fez cara feia -- Ela não é como eu! Eu tirava o melhor da natureza e de seus elementais, jamais iria pra um lixão! -- abriu os olhos -- Humpf, que decepção!
--E onde ela está? Essa mulher? -- a jornalista perguntou curiosa
--Não... -- jogou o boné e a flâmula sobre a mesa -- Vamos deixar que Yamaki faça alguma coisa. Senão fica muito fácil, minha jovem Ariadne. -- sorriu
“Pode ser pura loucura minha, mas acho que sei onde encontrar essa mulher...” -- pensava no local de onde viu Ana sair quando estivera em Bonsucesso
***
Ricardinho estava sentado no colo de Romeu.
--Ó! -- mostrou uma folha de papel
--Ah, então você me desenhou! -- exclamou orgulhoso segurando a folha
--Mamãe, papai e vovô. -- mostrou
--E quem são essas duas aqui?
--Tia Mai e Camille! -- respondeu sorrindo
--Veja Olga! -- Romeu mostrou a ela -- Meu neto desenhou Mari aqui do meu lado!
Olga riu. -- Ai, ai, Romeu... -- balançou a cabeça -- "Ele não desiste...” -- pensou
Nesse momento Mariano e a irmã chegam juntos da rua.
--Romeu? -- o contador sorriu -- Que surpresa!
--Humpf! -- Mariângela fez um bico -- "Lá vem bomba!” -- pensou
--Que surpresa digo eu! -- levantou-se com a criança nos braços -- Não esperava que fossemos nos encontrar aqui hoje! -- sorriu para a loura
--Muito menos eu... -- exclamou contrafeita -- "Ô meu Pai, livrai-me deste mal!” -- pedia
***
Ricardinho e Mariano brincavam com o carrinho que o menino ganhou do avô enquanto Olga conversava ao telefone com uma amiga. Mariângela voltava do banheiro.
--É... -- Romeu se aproximou dela -- Viu o desenho que meu neto me deu? -- mostrava o papel a ela
--Vi. Muito bonitinho. -- respondeu sem muita graça
--Ele desenhou você e eu juntos. -- apontou sorrindo -- As crianças sentem as coisas...
--Ele ainda é muito novinho. Também acredita em papai Noel e no coelho da Páscoa! -- retrucou indo para a cozinha
Romeu foi atrás. -- Sabia que estou envolvido em investigações seriíssimas? -- tentava impressioná-la -- Estou bastante avançado em minhas descobertas e quando tudo for revelado você vai ver! As estruturas desse país serão abaladas!
A costureira enchia um copo com água. -- Que bom. -- respondeu sem empolgação
--Que bom?! É só isso que me diz? -- parou em frente a ela -- Estou correndo riscos inimagináveis! Posso morrer de uma hora pra outra!
--Ah, tá. -- tentava passar -- Será que poderia me dar licença? -- estava ficando impaciente
--Mari, por que se faz de durona? Sei que toda mulher se encanta com homens fortes, decididos e arrojados. -- passou a mão na cabeça calva -- Eu sou o próprio 007 brasileiro! -- fez um olhar sedutor enquanto mostrava os bíceps
--Humpf! Eu não suporto 007! -- olhou para ele de cara feia -- Mentiroso, chato e sem vergonha! Tudo que eu detesto em um homem! -- encaminhou-se para voltar para a sala
--Mari! -- segurou o braço dela e a puxou de encontro a seu corpo -- Eu sou o cara que pega você pelo braço, que esbarra em quem for que interrompa os seus passos! -- novamente caprichou no olhar -- Eu tô do seu lado pro que der e vier;
o herói esperado por toda mulher!
--Eu, hein! -- exclamou de cara feia
--Por você eu encaro o perigo, sou seu melhor amigo, Mari! -- cerrou os olhos -- Esse cara sou eu!
--Cala a boca, Romeu! -- desvencilhou-se dele -- Que diabo! -- foi indo para a sala
--Mari, por favor! -- seguia atrás dela -- Eu sou o cara que pensa em você toda hora,
que conta os segundos se você demora!
--Sinto que eu vou é embora! -- olhou para Mariano -- Me leva pra casa, meu irmão?
--Mari...
--Romeu, -- Mariano parou diante dele de cara feia -- eu já não lhe pedi pra deixar minha irmã em paz? -- cruzou os braços
--O que está havendo, afinal? -- Olga acabava de desligar o telefone
--É ele, Olga! Me perseguindo! -- a costureira reclamava -- "Que pena que eu não trouxe minhas luvas de boxe!” -- pensou
--Tudo bem, deixem que eu vou embora! -- pegou a pochete e se abaixou para beijar a cabeça de Ricardinho -- Mas fique sabendo, Mari, que você ainda vai se arrepender por não ver a verdade dos fatos! -- foi a até a porta e a abriu. Lançou-lhe um último olhar -- Esse cara sou eu! -- saiu
--É cada coisa... -- Mariano foi fechar a porta
--Só me faltava essa! Romeu dando uma de Roberto Carlos! -- a costureira resmungava -- E eu que nunca nem gostava da Jovem Guarda! -- fez cara feia
Ricardinho foi até Mariângela e puxou a saia dela de leve. -- Tia?
--Que foi, meu amor? -- olhou para ele
--Esse caia sou eu! -- repetiu o avô
--Ah! -- todos riram e a costureira o colocou no colo -- Você, sim! -- beijou a cabeça dele
Fim do capítulo
Músicas do Capítulo:
[a] Soul de Verão (Fame). Intérprete: Sandra de Sá. Compositores: Dean Pitchford / Michael Gore. Tradução: Nelson Motta. In: A Lua Sabe Quem Sou. Intérprete: Sandra de Sá. WEA, 1996. 1 CD, faixa 5 (5min21)
Cantada de Romeu:
Esse Cara Sou Eu. Intérprete e Compositor: Roberto Carlos
Comentar este capítulo:
jake
Em: 26/03/2024
Olá autora!!!
Letícia só pisa na bola. Aff! Lady me diverti, cada sonho! rsrs... D.Mari e seus pretendentes .Ricardinho e um fofo...
Solitudine
Em: 02/04/2024
Autora da história
Olá dona Jake!
Letícia tanto pelejou mas vacilou. Ela ainda era imatura no que dizia respeito ao amor.
Gosta dos sonhos de Lady? Eu também! kkk
Mariângela tanto fugia mas toda hora aparecia um! Sim, Ricardinho é uma gracinha!
Beijos,
Sol
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Samirao
Em: 07/10/2023
Vou fazer com todas tá? Sabia que eu amo Lady? Huahuahua
Solitudine
Em: 11/11/2023
Autora da história
Eu sei! kkk
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Femines666
Em: 11/03/2023
E esses sonhos da Lady como pode? kkkkk No começo eu pensava nela e dizia
Moça, você é machista!
Agora adoro!!! E me divirto! Lila também é uma parada! A síndica da Ju também me faz gargalhar!
Resposta do autor:
Olá querida!
Lady mudou! Ela começou bem machista e provinciana e daí foi evoluindo. Mas não deixou de ser doidinha! rs
Que bom que tem se divertido!
Beijos,
Sol
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Seyyed
Em: 14/09/2022
Que porra de síndica é essa hein? Hahaha Esses sonhos da Lady são demais! Ela tá com os pneus arriados pela Priscila? Hahaha Casal mais improvável. Pior que tu deu a deixa na capa da história hehe
Todo mundo me ama, tá vendo? Charme de Seyyed é foda! O que você vai aprontar prá minha mãe hein? Pega leve caipira adoro a Olguinha
Resposta do autor:
Creia que existe isso! kkkk Falo de síndicas, síndicos e etc.
Lady é criativa até quando sonha. Cuidado que isso é contagioso!
Todo mundo te ama. Você fez por onde. Eu nada farei contra Olga, tenha medo não. Confia na caipira!
Beijos,
Sol
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Samirao
Em: 14/09/2022
Falando em história nova cê vai deixar eu ler antes?? Já tem quantos caps? Vai postar quando nesse mês, no outro... Mas vai ser nesse ano!!!
Fiquei curiosinha! Huahuahua
Demora muito não honey!
Bjusss
Resposta do autor:
Calma, menina!!! No momento certo, você verá e este momento ainda não chegou. ;)
Beijos,
Sol
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Samira Haddad
Em: 23/04/2020
Também gostei de você ter tocado no tabu da magia negra. Embora eu morra de medo!!!
Resposta do autor:
Esse assunto estava me provocando naquela época. Realmente deveria tê-lo abordado.
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Gabi2020
Em: 22/04/2020
Solzinha!!!
Letícia e Camille um relacionamento sem uma base sólida, muito complicado, as duas sofreram. As sombras de Ed pairou durante todo o relacionamento delas, Camille não se entregou por completo.
"Olha os nomes: Atodaboa, Bonitona, Coisatarada, Danadinha, Eitapoposão, Fuckfuck, Gostosuda, Hipnótica, Iheuvougozar, Jápeguei, Kicoisaboa, Lambelambe, Loirasapeca, Madametesuda, Nopeitinho, Olhaquecoxas, Potrancasafada... -- acabou rindo -- Ah, mas tá difícil, viu? E essa sua neta não é mole, cruzes!" Senhorrrrr... Que lista!
Que sonhos loucos da Lady e sempre a Prisicila se fazendo presente em trajes mínimos! Kkkkk...
Lady, Lady a maluquinha mais engraçada da história... Kkkkkkkk... Até pra fazer um exame ela apronta.
Adoro esses arroubos da Juliana, chega a ser engraçado, mas em tempo, tudo o que ela disse é verdade, sou fã dessa japa.
Dona Mari nunca deu moleza, ô mulher brava!!
Beijos querida!
Resposta do autor:
Gabinha!!!
Letícia e Camille teve muito a coisa das expectativas. Não dava.
Para não colocar os nomes reais, Hugo deu apelidos condizentes com suas percepções de alcova. kkkk
Sabia que essa coisa de Lady e Priscila não estaa nos meus planos? Foi pedido de algumas autoras. Aí eu mudei o trem e desviei para onde elas queriam.
Às vezes a gente precisa dar uns arroubos para ver se a coisa flui como deveria. Hoje mesmo dei um numa reunião.
Beijos,
Sol
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Solitudine Em: 20/05/2024 Autora da história
Olá querida!
Esse "mundo das magias" precisa ser estudado e compreendido. Um dia eu chego lá, mas em Maya a ideia foi despertar o interesse nas coisas do Espírito. Obrigada por suas palavras gentis!
Priscila teve sua carga espiatória! kkkk
Que bom que há personagens que te divertem. Eu também gostava de brincar com elas. rs
Beijos,
Sol