Capítulo 91

Capitulo 91 - O Dois Tons

de Otherside - Como a vida deveria ser, por Elin Varen

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Capítulo 91 – O Dois Tons.

 

O Dois Tons ficava perto de uma estação do metrô.

Por isso, depois do almoço, as três seguiram de ônibus até a estação de trem.

Rebeca estava particularmente animada.

Nunca havia andado de trem.

Janis, que já tinha vivido a experiência, não estava tão animada quanto ela.

— Não é nada demais — disse Janis.

Rebeca continuou olhando para tudo.

— Mas eu nunca andei.

— Você entra, senta e depois desce.

— Só isso?

— Só.

Mesmo assim, Rebeca continuou animada.

Quando chegaram à estação, Ester tirou o dinheiro da bolsa e entregou a Rebeca.

— Vá até a bilheteria e compre três bilhetes de ida e volta.

Rebeca deu um pequeno pulo.

— Tá bem!

Saiu quase correndo.

Janis ficou olhando.

— É impressionante o quanto ela consegue ficar feliz com coisas tão simples.

Ester sorriu.

— Isso facilita a vida.

Pouco depois, Rebeca voltou com os bilhetes na mão.

— Aqui!

Ester pegou um deles.

— Certo. Agora presta atenção.

Mostrou a catraca.

Explicou como colocar o bilhete.

Rebeca observou cuidadosamente.

— Entendeu?

— Uhum.

— Agora você guarda os três na carteira para usarmos no retorno.

Rebeca abriu a mochila e tirou a carteira.

Era cheia de estrelinhas brilhantes.

Ester ficou olhando.

— Você não tinha uma mais chamativa?

Rebeca franziu a testa.

Olhou para a carteira.

Depois para Ester.

Ficou claramente ofendida.

Mas decidiu não entrar na provocação.

Guardou os bilhetes.

— Vamos.

As três seguiram para a plataforma.

Havia bastante gente esperando.

Rebeca olhou ao redor.

— Tem muita gente.

Janis apontou para a plataforma.

— Isso quer dizer que o trem está quase chegando.

— Como você sabe?

— Porque sempre fica assim.

Rebeca continuou observando.

Então ouviu o som da composição se aproximando.

Seus olhos se arregalaram.

— É ele?

— É.

O trem chegou.

As pessoas começaram a se movimentar.

Ester segurou firme o braço de Rebeca.

— Vem.

— Espera...

As portas se abriram.

Ester empurrou a menina para dentro.

Rebeca perdeu o equilíbrio.

— Ai!

Caiu sentada em um banco.

Janis entrou logo depois.

Ester entrou em seguida.

Olhou para Rebeca.

— Ótimo!

Apontou para o banco.

— Conseguiu um lugar para sentar.

Rebeca olhou para ela, ainda tentando entender como havia ido parar ali.

— Que escolha eu tive?

Janis começou a rir.

Ester também.

Rebeca cruzou os braços.

— Eu não estou vendo graça.

Janis sentou ao lado dela.

— Você vai gostar.

Rebeca olhou pela janela.

O trem começou a andar.

Ela abriu um sorriso.

— Já estou gostando.

Janis balançou a cabeça.

— Eu sabia.

O passeio ganhou qualidade quando os vendedores começaram a aparecer.

Um passou oferecendo salgadinhos.

Outro, doces.

Depois vieram refrigerantes, brinquedos e uma quantidade surpreendente de objetos que Rebeca não fazia ideia de que alguém compraria dentro de um trem.

Até facas apareceram.

Rebeca arregalou os olhos.

— Eles vendem tudo aqui?

Janis deu de ombros.

— Quase tudo.

Rebeca olhou para um dos vendedores.

Depois para Ester.

— Será que eles aceitam cartão?

Ester balançou a cabeça.

— Provavelmente não.

Chamou um dos rapazes.

— Quanto?

Pouco depois, as três estavam abastecidas.

Salgadinhos.

Balas.

Chocolates.

Refrigerante.

Rebeca abriu um pacote de confeitos de chocolate.

Enfiou alguns na boca.

Depois mais alguns.

Falou com a boca cheia:

— E você tem a cara de pau de me dizer que não é nada demais.

Janis riu.

— Não é um cruzeiro para as Bahamas.

Rebeca mastigou.

— Mas tem chocolate.

Janis olhou para Ester.

Ester deu de ombros.

— Ela tem um argumento.

Rebeca sorriu, satisfeita.

Passadas algumas estações, um aviso sonoro começou a tocar por toda a composição.

Uma mensagem informava que o comércio dentro dos trens era proibido.

Rebeca congelou.

Olhou para o pacote de salgadinhos.

Depois para o chocolate.

Então virou lentamente o rosto em direção a Ester.

Ester continuava comendo tranquilamente um salgadinho apimentado.

Rebeca arregalou os olhos.

Ester percebeu.

— Melhor acabarmos com as provas do crime, não acha?

Rebeca olhou para o pacote.

Depois para Ester.

Depois para Janis.

Janis começou a rir.

— O quê?

Ester deu outra mordida.

— Não podemos deixar evidências.

Rebeca imediatamente começou a comer mais rápido.

— Isso é sério?

Janis já estava gargalhando.

— Vocês estão agindo como se tivessem assaltado um banco!

Ester apontou para o salgadinho.

— Você não sabe o que eles fazem com testemunhas.

Janis se dobrou de tanto rir.

Rebeca tentou não rir também.

Falhou.

As três continuaram a viagem, comendo as últimas “provas” enquanto o trem seguia em direção ao Dois Tons.

Depois de algumas estações, chegou a hora de trocar o trem pelo metrô.

As três desceram.

Rebeca olhou para trás enquanto a composição se afastava.

— Já acabou?

Janis riu.

— Ainda não.

— Tem mais?

— Tem.

Rebeca abriu um sorriso.

— Então tá.

Caminharam até a outra plataforma.

Pouco depois, o próximo trem chegou.

Dessa vez, Rebeca não esperou Ester segurá-la.

Assim que as portas abriram, entrou junto com as outras duas.

Olhou rapidamente para os bancos.

Havia um lugar vazio.

Foi até ele e sentou-se.

Ester entrou logo depois.

Parou diante dela.

— Muito bem.

Rebeca ergueu o queixo.

— Aprendi.

Janis sentou-se ao lado.

— Olha só.

— O quê?

— Na primeira vez você foi empurrada para dentro.

Rebeca fez uma careta.

— Eu estava aprendendo.

— E agora?

Rebeca ajeitou-se no banco.

— Agora eu sou profissional.

Ester riu.

— Profissional depois de um trem.

— Exatamente.

Janis olhou para ela.

— Quanto tempo até você pedir outro chocolate?

Rebeca abriu a mochila.

— Já tenho.

Janis começou a rir.

— Claro que tem.

O trem começou a andar.

Rebeca olhou pela janela.

Estava cada vez mais animada.

Não apenas porque estava indo a algum lugar.

Mas porque estava descobrindo, aos poucos, como era fazer coisas que nunca havia feito antes.

E, dessa vez, ninguém precisou empurrá-la para dentro.

O metrô estava mais vazio do que o trem.

Havia bancos livres.

As pessoas estavam espalhadas pelo vagão, algumas sozinhas, outras conversando em pequenos grupos.

Rebeca sentou-se perto da janela.

Dessa vez, não estava interessada apenas na paisagem.

Ficou observando as pessoas.

Um homem lia.

Uma senhora conversava ao telefone.

Dois rapazes riam de alguma coisa no banco à frente.

Uma criança brincava com uma mochila.

Rebeca olhava tudo.

Até que seu olhar parou.

Do outro lado do vagão, havia duas meninas.

Pareciam ter mais ou menos a idade dela e de Janis.

Estavam sentadas lado a lado.

Conversavam baixinho.

Uma delas apoiou a cabeça no ombro da outra.

A outra sorriu.

Depois segurou a mão dela.

Era simples.

Natural.

Como se não houvesse absolutamente nada de estranho naquilo.

Rebeca ficou olhando.

Seu peito apertou.

Uma lágrima pequena escorreu pelo rosto.

Ela nem percebeu.

Janis percebeu.

— O que foi?

Rebeca limpou rapidamente o rosto.

— Não é nada.

Janis se aproximou.

— Ei, Esquilinho...

Rebeca continuou olhando para frente.

Janis ficou alguns segundos esperando.

— Conversa comigo.

Rebeca não respondeu.

Apenas continuou olhando.

Janis seguiu o olhar dela.

Quando viu as duas meninas, entendeu.

— Ah, tá...

Rebeca baixou os olhos.

— É bonito.

Janis olhou novamente para o casal.

Depois para Rebeca.

— Sim.

Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.

— É bonito, sim.

Rebeca respirou fundo.

A lágrima seguinte não caiu.

Janis não perguntou mais nada.

Apenas ficou ali, um pouco mais perto dela.

E as duas continuaram olhando pela janela enquanto o trem seguia viagem.

Quando finalmente chegaram à estação em que deveriam descer, Rebeca acompanhou Janis e Ester para fora.

Assim que pisou na rua, percebeu que havia alguma coisa diferente.

Não sabia dizer exatamente o quê.

Talvez fosse o movimento.

Talvez fossem as lojas.

Talvez fossem as pessoas.

O quarteirão onde ficava a clínica de Miriam era mais arrumado.

As fachadas eram bem cuidadas.

Havia lojas de grife, clínicas de estética, vitrines organizadas e uma certa aparência de que tudo deveria estar exatamente no lugar.

Ali era diferente.

Muito diferente.

As ruas pareciam mais vivas.

Livros eram vendidos em barracas improvisadas.

Uma loja de doces dividia a calçada com uma loja de discos.

Mais adiante, havia instrumentos musicais expostos na vitrine de uma pequena loja.

Pôsteres estavam colados em paredes.

Cartazes apareciam uns sobre os outros.

Uma banca tinha revistas empilhadas de qualquer jeito.

Rebeca diminuiu o passo.

— Janis...

— Hm?

— Olha aquilo.

Janis olhou rapidamente.

— O quê?

Rebeca apontou para uma banca de livros.

— Tem um monte.

— Tem.

— Podemos parar?

Ester respondeu antes de Janis:

— Depois.

Rebeca fez uma pequena careta.

Continuaram andando.

As pessoas passavam depressa.

Algumas carregavam bolsas.

Outras seguravam pastas.

Havia gente conversando, discutindo, rindo, entrando e saindo das lojas.

Todo mundo parecia ter algum lugar para chegar.

Algum compromisso urgente.

Alguma coisa para fazer.

Rebeca, ao contrário, queria parar.

Queria olhar.

Queria saber o que havia atrás de cada vitrine.

Queria ler os cartazes.

Ver os desenhos nas capas dos discos.

Descobrir quem havia pintado aquela parede.

Sentia uma necessidade crescente de absorver tudo.

— Rebeca, vem.

Ela percebeu que havia ficado para trás.

Acelerou o passo.

— Já vou.

Janis esperou por ela.

— Você gostou daqui?

Rebeca olhou ao redor.

— É diferente.

— É.

— Parece...

Procurou a palavra.

— Vivo.

Janis sorriu.

— Eu gosto daqui.

Continuaram andando.

Mais alguns metros.

Então Janis parou.

— Chegamos.

Rebeca levantou os olhos.

À sua frente estava uma fachada diferente de tudo que havia visto naquele quarteirão.

O nome estava ali:

DOIS TONS.

O Dois Tons funcionava em uma casa antiga.

Daquelas que pareciam ter sido construídas para abrigar muito mais do que uma família.

A fachada amarela se destacava entre as árvores, cercada por detalhes brancos que contornavam as janelas, as portas e os arcos da varanda. Havia uma pequena sacada no andar superior, colunas ornamentadas e uma cobertura inclinada que dava à construção um ar quase teatral.

Mas o que realmente chamava atenção era que aquela casa antiga havia sido tomada pela arte.

Uma grande faixa vertical atravessava a fachada, formada por blocos de cores diferentes, como uma pintura geométrica que subia do térreo até o telhado.

As cores não pareciam ter sido escolhidas para combinar com a arquitetura.

Pareciam ter sido colocadas ali justamente para quebrar a solenidade da construção.

Perto da entrada, uma placa anunciava:

DOIS TONS

Ao redor dela, pequenos cartazes, adesivos e trabalhos de alunos se acumulavam sem muita cerimônia.

Alguns estavam tortos.

Outros cobriam parcialmente os anteriores.

Havia desenhos, pinturas, pequenos anúncios de oficinas e até trabalhos que pareciam ter sido feitos por crianças.

Nada parecia ter sido colocado ali para ficar perfeito.

Tudo parecia ter sido colocado ali porque alguém havia feito alguma coisa e queria que ela fosse vista.

O jardim era igualmente vivo.

Plantas cresciam junto aos muros, vasos ocupavam os cantos da entrada e, atrás da casa, era possível perceber que havia mais espaço.

Rebeca ficou alguns segundos em silêncio.

Olhou para a fachada.

Depois para os cartazes.

Para as pinturas.

Para a varanda.

Para a faixa colorida que subia até o telhado.

Parecia estar tentando decidir para onde olhar primeiro.

Janis parou diante do portão.

— É aqui?

Ester olhou para a fachada.

— É.

Janis sorriu.

Rebeca continuou olhando.

— Parece uma casa.

Janis riu.

— É uma casa.

— Não parece um ateliê.

— É justamente por isso que é um ateliê.

Rebeca franziu a testa.

— Não entendi.

Janis abriu o portão.

— Você vai entender.

Rebeca deu um passo.

Depois outro.

Antes de entrar, voltou os olhos para a fachada.

Havia alguma coisa naquele lugar.

Ela ainda não sabia o que era.

Mas, pela primeira vez desde que Helba havia mencionado a oficina, Rebeca não pensou no cinema.

Os olhos das duas percorriam o espaço de um lado para o outro.

Tintas.

Pincéis.

Papéis.

Cavaletes.

Desenhos.

Telas.

Tudo parecia chamar sua atenção ao mesmo tempo.

— Olha isso...

Janis não respondeu.

Rebeca virou-se para ela.

Janis havia diminuído o passo.

Caminhava devagar.

Muito devagar.

Seus olhos percorriam as prateleiras.

Ela parou diante de uma delas.

Pegou uma embalagem de tinta.

Leu o rótulo.

Virou a embalagem.

Conferiu alguma informação no verso.

Depois colocou exatamente no mesmo lugar.

Seguiu adiante.

Pegou outra.

Observou.

Colocou de volta.

Rebeca ficou olhando.

— Janis?

— Hm?

— Você está bem?

— Estou.

A resposta saiu baixa.

Quase distraída.

Janis continuou andando.

Rebeca foi atrás.

Passaram por uma mesa cheia de papéis.

Janis parou novamente.

Pegou um bloco.

Passou o polegar pelas folhas.

Sentiu a textura.

Olhou a gramatura indicada na embalagem.

Devolveu.

Depois olhou para uma caixa de lápis.

Pegou.

Abriu.

Conferiu as cores.

Fechou.

Guardou novamente.

Rebeca observava tudo.

Havia alguma coisa estranha.

Não em Janis.

No modo como ela estava ali.

Rebeca estava descobrindo aquele lugar.

Janis parecia estar...

Reconhecendo.

Como se estivesse procurando alguma coisa que já conhecia.

Como se soubesse onde certas coisas deveriam estar.

Como se cada prateleira despertasse uma lembrança que Rebeca não conseguia alcançar.

Ela continuou seguindo.

Janis passou por uma parede coberta de trabalhos.

Parou.

Olhou alguns desenhos.

Não sorriu.

Não comentou.

Apenas ficou ali.

Rebeca se aproximou.

— Você já veio aqui?

Janis finalmente olhou para ela.

— Não.

Rebeca franziu a testa.

— Tem certeza?

Janis sorriu de leve.

— Tenho.

E voltou a caminhar.

Rebeca permaneceu alguns segundos parada.

Depois correu para alcançá-la.

Ainda não sabia explicar o que estava sentindo.

Mas uma coisa começava a ficar clara.

Ela não estava vendo Janis conhecer o Dois Tons.

Estava vendo Janis reconhecer alguma coisa.

E, por algum motivo, aquilo parecia importante.

As duas estavam tão distraídas que não perceberam a aproximação.

— Finalmente.

Rebeca e Janis se viraram ao mesmo tempo.

Helba estava parada alguns passos atrás delas.

— Foram as últimas inscritas a chegar.

Rebeca arregalou os olhos.

— As últimas?

— Uhum.

Rebeca olhou ao redor.

— Onde estão os outros?

Uma voz respondeu antes que Helba pudesse dizer qualquer coisa.

— Lá atrás.

As duas olharam.

Uma mulher vinha caminhando na direção delas.

Era baixa.

Muito baixa.

Magra.

Usava roupas largas e confortáveis, que pareciam escolhidas muito mais pela praticidade do que pela aparência.

Por cima delas, havia um avental marrom.

Gasto.

Cheio de manchas de tinta.

O cabelo era de um rosa vivo, quase impossível de ignorar.

Os braços estavam cobertos por tatuagens diferentes entre si — algumas pequenas, outras maiores, espalhadas pela pele sem obedecer a nenhum padrão aparente.

Mas o que mais chamava atenção eram os óculos.

Grandes.

Muito grandes.

As lentes aumentavam seus olhos e, de algum modo, faziam com que ela parecesse ainda menor.

Rebeca ficou olhando.

A mulher parou diante delas.

— Estávamos esperando vocês chegarem para começar.

Helba fez um gesto na direção dela.

— Essa é Samira.

Samira sorriu.

— Oi.

Rebeca ficou olhando para ela por alguns segundos.

Não sabia explicar exatamente o motivo.

Talvez fossem os cabelos cor-de-rosa. As tatuagens. O avental coberto de tinta. Os óculos enormes.

Talvez fosse a maneira como ela ocupava aquele lugar, como se estivesse completamente à vontade dentro dele.

Pela primeira vez na vida, Rebeca teve a impressão de estar diante da adulta mais legal que já tinha conhecido.

Então sorriu.

— A senhora é muito bonita.

Samira piscou.

Pareceu surpresa.

Depois riu.

— Obrigada.

Rebeca sorriu ainda mais.

— Gostei do seu cabelo.

— E eu gostei do seu.

— E eu gostei das suas tatuagens também.

Samira levantou um dos braços.

— Dessas eu gosto bastante.

Rebeca se aproximou um pouquinho.

— Você pintou o avental?

Samira olhou para a própria roupa.

— Não.

Fez uma pausa.

— Ele se pintou sozinho.

Rebeca soltou uma risadinha.

Helba revirou os olhos.

— Não incentive.

Samira sorriu.

— Ela já chegou incentivada.

Janis não havia dito nada.

Continuava olhando para Samira.

Não sabia exatamente o que estava acontecendo.

Havia alguma coisa naquela mulher que lhe parecia estranhamente familiar.

Não a aparência.

Não o jeito de falar.

Era outra coisa.

Uma sensação.

Como se estivesse diante de alguém que entendia alguma parte dela sem precisar perguntar.

Janis não conseguia explicar.

Mas, automaticamente, endireitou a postura.

Sentiu respeito.

E uma espécie de identificação que não sabia de onde vinha.

Samira percebeu o olhar.

Voltou-se para ela.

— E você deve ser Janis.

Janis assentiu.

— Sou.

— Prazer.

— Prazer.

Samira sorriu.

Janis sorriu de volta.

Por alguns segundos, nenhuma das duas falou.

Helba observou a cena.

Depois bateu palmas uma vez.

— Certo. Agora que todo mundo finalmente chegou...

Samira apontou para o fundo do ateliê.

— Vamos?

Rebeca assentiu imediatamente.

Janis foi logo atrás.

E, enquanto caminhava, ainda olhou uma última vez para Samira.

Não sabia explicar por quê.

Mas gostava dela.

Muito.

 

 

Fim do capítulo

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