Capitulo 72 - Bem-vinda em Casa
Capítulo 72 – Bem-vinda em Casa.
O carro parou diante da casa.
Por um instante, nenhuma das duas se moveu.
Miriam desligou o motor.
— Pronta?
Rebeca demorou alguns segundos para responder.
— Acho que sim.
— Excelente.
— Por quê?
— Porque eu também não estou.
A menina lançou um olhar desconfiado.
— Tia...
— Estou brincando.
— A senhora é péssima nisso.
— Discordo.
As duas desceram.
O fim da tarde estava agradável.
E, apesar de toda a conversa daquele dia, Rebeca sentiu o estômago apertar novamente.
Não era medo.
Ou pelo menos não exatamente.
Era expectativa.
Miriam percebeu.
Sem dizer nada, estendeu a mão.
A menina segurou.
Subiram os poucos degraus da varanda.
Então a porta se abriu.
Augusto apareceu.
Grande.
Sorridente.
E completamente desprevenido.
— Bem-vindas.
Silêncio.
Rebeca parou.
Augusto parou.
Miriam parou.
Durante alguns segundos, ninguém disse nada.
A menina ficou olhando para ele.
Tentando conciliar o homem das memórias.
O homem das histórias.
O homem das preocupações.
Com o homem parado na sua frente.
Então alguma coisa chamou sua atenção.
Ela piscou.
Olhou de novo.
Piscou mais uma vez.
E os lábios começaram a tremer.
Augusto franziu a testa.
— Rebeca?
A menina levou uma mão à boca.
Tentando impedir.
Falhando miseravelmente.
— O que foi?
A resposta veio na forma de uma gargalhada.
Repentina.
Incontrolável.
Violenta.
Augusto olhou para Miriam.
— Eu perdi alguma coisa?
Miriam observou a sobrinha.
Depois observou o marido.
Então seus olhos desceram.
Devagar.
Até o avental.
O avental florido.
A compreensão chegou instantaneamente.
— Ah.
— Ah o quê?
A gargalhada da Rebeca piorou.
Augusto continuava sem entender.
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo?
— Rebeca.
A menina tentou responder.
Não conseguiu.
— Rebeca.
Mais risadas.
— Rebeca, está tudo bem?
Ela assentiu.
Com lágrimas surgindo nos cantos dos olhos.
— Tem certeza?
A resposta demorou alguns segundos.
Porque ela precisava respirar primeiro.
— O avental.
Silêncio.
Augusto olhou para baixo.
Viu as flores.
Fechou os olhos.
Devagar.
Como um homem que acabava de compreender o próprio destino.
Miriam cruzou os braços.
Observou o avental.
Assentiu.
— Miriam...
— O quê?
— Não.
— Não o quê?
— Não faça isso.
A mulher ignorou completamente o pedido.
Observou o avental.
As flores.
As alças.
O bolso frontal.
Então assentiu.
— Másculo na medida certa.
A Rebeca perdeu completamente o controle.
— Obrigado por colocar a cereja do bolo da minha humilhação.
Miriam sorriu.
— Sempre feliz em ajudar.
— Eu percebi.
— Além disso...
Ela apontou para o avental.
— ... as flores combinam com seus olhos.
Augusto fechou os olhos novamente.
Então algo curioso aconteceu.
Augusto começou a rir também.
Porque era impossível não rir.
Depois de semanas preocupado com aquele reencontro.
Sem saber o que dizer.
Sem saber como agir.
Sem saber se a sobrinha o aceitaria.
A primeira interação dos dois tinha sido uma gargalhada causada por um avental.
E, honestamente?
Poderia ter sido muito pior.
— Eu estava cozinhando.
— Eu sei. — Rebeca falou entre gargalhadas.
— O avental era o que estava limpo.
— Claro que era. — A menina limpou as lágrimas do canto dos olhos.
— Estou falando sério.
— Eu também.
Mais risadas.
Miriam observou os dois.
Então cruzou os braços.
Satisfeita.
Porque aquela tinha sido, sem dúvida alguma, a recepção menos traumática da história dos reencontros familiares.
— Vocês terminaram?
— Não.
— Ainda não.
— Ótimo.
Ela apontou para dentro da casa.
— Porque o jantar está esfriando. E eu me recuso a permitir que um homem vestido de jardim botânico tenha trabalhado à toa.
A Rebeca praticamente dobrou de tanto rir.
E Augusto decidiu que, se sobrevivesse àquela noite, iria queimar aquele avental.
Então entraram na casa.
Ainda tentando recuperar o fôlego.
Foi nesse momento que Rebeca sentiu o cheiro.
Ela parou.
Piscou.
Inspirou fundo.
Depois inspirou novamente.
O aroma vinha da cozinha.
Quente.
Confortável.
Familiar.
E, pela primeira vez desde que tinha visto o avental, sua atenção foi desviada para outra coisa.
— Nossa...
A gargalhada diminuiu.
Augusto pareceu genuinamente aliviado.
— Finalmente.
— O quê?
— Uma reação que não envolva rir da minha humilhação.
A menina apertou os lábios.
Travando uma nova crise.
Miriam desapareceu na cozinha.
Voltou segundos depois com um copo de água.
— Tome.
— Eu estou bem.
— Tome.
A menina obedeceu.
Porque já aprendera que certas discussões eram inúteis.
Tomou um gole.
Respirou fundo.
E finalmente olhou para o Augusto.
De verdade.
Sem rir.
Sem nervosismo.
Sem medo.
— Me desculpe.
Augusto ergueu uma sobrancelha.
— Pelo quê?
— Pelo avental.
— Ah.
Ele deu de ombros.
— Tudo bem.
— Mesmo?
— Claro.
Um sorriso apareceu.
Pequeno.
Gentil.
— Eu gosto de fazer a alegria das pessoas.
A Rebeca ficou imóvel por meio segundo.
Exatamente o tempo necessário para compreender o que tinha ouvido.
Então a gargalhada voltou.
Violenta.
Incontrolável.
Pior que a primeira.
A água quase foi parar no lugar errado.
Ela tossiu.
Tentou respirar.
Falhou.
Tentou de novo.
Falhou novamente.
— Rebeca!
Miriam já estava do lado dela.
— Eu estou bem!
— Você claramente não está.
— Estou sim!
Mais risadas.
Mais tosse.
Mais desespero.
Miriam olhou para o marido.
Depois para a sobrinha.
Depois novamente para o marido.
— Nós dois somos péssimos tutores.
— Não somos tão ruins assim.
— Augusto.
— O quê?
Ela apontou para a menina.
— Veja o estado da Rebeca.
Augusto obedeceu.
A Rebeca estava vermelha.
Com lágrimas nos olhos.
Tentando desesperadamente recuperar o fôlego.
— Ela está feliz.
— Ela está quase desfalecendo.
— É um detalhe.
— Não é um detalhe.
— Eu acho que é.
Miriam fechou os olhos.
Como quem pedia paciência ao universo.
— Viu?
Ela apontou novamente para a sobrinha.
— É por isso que eu digo que somos péssimos exemplos.
— Discordo.
— Claro que discorda.
— Estou sendo otimista.
— Você está sendo cúmplice.
A Rebeca finalmente conseguiu respirar.
Apoiou o copo na mesa.
Enxugou os olhos.
Olhou para um.
Olhou para o outro.
Então balançou a cabeça.
— Vocês são impossíveis.
— Eu sei.
— Eu também sei.
A resposta veio dos dois ao mesmo tempo.
O que provocou uma nova onda de risos.
Menor daquela vez.
Mas muito mais tranquila.
Porque, pela primeira vez desde que o carro tinha parado na frente da casa, a Rebeca percebeu uma coisa:
Ela não estava com medo.
Nem um pouco.
Depois de alguns minutos, a crise de riso finalmente passou.
Ou pelo menos ficou administrável.
Miriam observou a sobrinha por alguns segundos.
Então assentiu.
— Ótimo.
— O quê?
— Agora que você recuperou o controle dos seus pulmões...
A mulher apontou para a escada.
— Suba e tome um banho.
— Tá bom.
Miriam apontou para si mesma.
— Eu vou fazer o mesmo.
Depois apontou para o marido.
— Enquanto isso, seu tio termina de colocar a mesa.
Augusto ergueu uma sobrancelha.
— Terminar?
— Sim.
— Eu já coloquei a mesa.
— Então admire seu trabalho.
Quando desceram novamente, alguns minutos depois, a casa estava tomada pelo cheiro da comida.
E foi impossível para Rebeca não parar no último degrau.
A mesa estava posta.
Os pratos organizados.
Os talheres alinhados.
E, no centro, uma travessa de rondelli fumegante.
Ela sentiu água na boca imediatamente.
— Uau.
Augusto pareceu satisfeito.
— Espero que goste.
A resposta veio sem nem precisar pensar.
— Eu amo.
O sorriso dele aumentou.
— Isso é bom.
— Muito bom.
— Porque eu fiz comida suficiente para alimentar um pequeno exército.
Miriam puxou uma cadeira.
— Ele está exagerando.
Augusto sentou-se também.
— Não estou.
— Está sim.
— Miriam, existe rondelli para os próximos três feriados nacionais.
Rebeca olhou ao redor da mesa.
— O Júnior não vai jantar?
Augusto suspirou.
— Mais tarde.
— Onde ele está?
— Ensaiando. Ele tem uma apresentação importante na sexta.
— Ah.
Miriam continuou cortando o próprio rondelli.
Mas o sorriso que surgiu no canto dos lábios não passou despercebido por Augusto.
— O que foi?
— Nada.
— Você está fazendo aquela cara.
— Que cara?
— Aquela cara.
— Não faço ideia do que está falando.
Augusto voltou-se para Rebeca.
— Está vendo o que eu tenho que enfrentar?
— Estou começando a entender.
Rebeca acabou rindo.
Menos do que antes.
Mas daquela vez por um motivo diferente.
Porque a cena era simples.
Estranhamente simples.
Uma mesa.
Uma família.
Uma travessa de comida quente.
Nada extraordinário.
E talvez fosse justamente por isso que parecia tão especial.
Augusto serviu o primeiro prato.
Depois o segundo.
Então passou a travessa para ela.
— Fique à vontade.
Rebeca aceitou.
E, por um instante, observou as mãos dele.
As mesmas mãos que seguraram a dela tantos anos antes.
Na saída daquela sorveteria.
A lembrança surgiu de repente.
Sem aviso.
Sem esforço.
Ela piscou.
Depois sorriu para si mesma.
Pequeno.
Quase imperceptível.
— O que foi?
A voz de Augusto a trouxe de volta.
— Nada.
A menina pegou o garfo.
— Só estou feliz que o avental não tenha contaminado a comida.
O silêncio durou exatamente meio segundo.
Então Miriam começou a rir.
Augusto fechou os olhos.
— Eu sabia.
— Sabia o quê?
— Que eu nunca mais teria paz.
Fim do capítulo
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Socorro
Em: 12/06/2026
Tô amando o Augusto,,
Quero ver o jr e Rebeca juntos essa casa vai pegar fogo kkkk
Elin Varen
Em: 14/06/2026
Autora da história
O Augusto conquistou meu coração também!
Agora, Júnior e Rebeca juntos? Aí é pedir para a paz abandonar a casa por alguns dias.
Estou aguardando esse encontro com a mesma empolgação de quem compra ingresso para assistir ao caos acontecer.
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Elin Varen Em: 14/06/2026 Autora da história
Hoje eu consegui!