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Otherside - Como a vida deveria ser por Elin Varen

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Palavras: 1203
Acessos: 88   |  Postado em: 10/06/2026

Capitulo 72 - Bem-vinda em Casa

Capítulo 72 – Bem-vinda em Casa. 
 
O carro parou diante da casa. 
Por um instante, nenhuma das duas se moveu. 
Miriam desligou o motor. 
— Pronta? 
Rebeca demorou alguns segundos para responder. 
— Acho que sim. 
— Excelente. 
— Por quê? 
— Porque eu também não estou. 
A menina lançou um olhar desconfiado. 
— Tia... 
— Estou brincando. 
— A senhora é péssima nisso. 
— Discordo. 
As duas desceram. 
O fim da tarde estava agradável. 
E, apesar de toda a conversa daquele dia, Rebeca sentiu o estômago apertar novamente. 
Não era medo. 
Ou pelo menos não exatamente. 
Era expectativa. 
Miriam percebeu. 
Sem dizer nada, estendeu a mão. 
A menina segurou. 
Subiram os poucos degraus da varanda. 
Então a porta se abriu. 
Augusto apareceu. 
Grande. 
Sorridente. 
E completamente desprevenido. 
— Bem-vindas. 
Silêncio. 
Rebeca parou. 
Augusto parou. 
Miriam parou. 
Durante alguns segundos, ninguém disse nada. 
A menina ficou olhando para ele. 
Tentando conciliar o homem das memórias. 
O homem das histórias. 
O homem das preocupações. 
Com o homem parado na sua frente. 
Então alguma coisa chamou sua atenção. 
Ela piscou. 
Olhou de novo. 
Piscou mais uma vez. 
E os lábios começaram a tremer. 
Augusto franziu a testa. 
— Rebeca? 
A menina levou uma mão à boca. 
Tentando impedir. 
Falhando miseravelmente. 
— O que foi? 
A resposta veio na forma de uma gargalhada. 
Repentina. 
Incontrolável. 
Violenta. 
Augusto olhou para Miriam. 
— Eu perdi alguma coisa? 
Miriam observou a sobrinha. 
Depois observou o marido. 
Então seus olhos desceram. 
Devagar. 
Até o avental. 
O avental florido. 
A compreensão chegou instantaneamente. 
— Ah. 
— Ah o quê? 
A gargalhada da Rebeca piorou. 
Augusto continuava sem entender. 
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo? 
— Rebeca. 
A menina tentou responder. 
Não conseguiu. 
— Rebeca. 
Mais risadas. 
— Rebeca, está tudo bem? 
Ela assentiu. 
Com lágrimas surgindo nos cantos dos olhos. 
— Tem certeza? 
A resposta demorou alguns segundos. 
Porque ela precisava respirar primeiro. 
— O avental. 
Silêncio. 
Augusto olhou para baixo. 
Viu as flores. 
Fechou os olhos. 
Devagar. 
Como um homem que acabava de compreender o próprio destino. 
Miriam cruzou os braços. 
Observou o avental. 
Assentiu. 
— Miriam... 
— O quê? 
— Não. 
— Não o quê? 
— Não faça isso. 
A mulher ignorou completamente o pedido. 
Observou o avental. 
As flores. 
As alças. 
O bolso frontal. 
Então assentiu. 
— Másculo na medida certa. 
A Rebeca perdeu completamente o controle. 
— Obrigado por colocar a cereja do bolo da minha humilhação. 
Miriam sorriu. 
— Sempre feliz em ajudar. 
— Eu percebi. 
— Além disso... 
Ela apontou para o avental. 
— ... as flores combinam com seus olhos. 
Augusto fechou os olhos novamente. 
Então algo curioso aconteceu. 
Augusto começou a rir também. 
Porque era impossível não rir. 
Depois de semanas preocupado com aquele reencontro. 
Sem saber o que dizer. 
Sem saber como agir. 
Sem saber se a sobrinha o aceitaria. 
A primeira interação dos dois tinha sido uma gargalhada causada por um avental. 
E, honestamente? 
Poderia ter sido muito pior. 
— Eu estava cozinhando. 
— Eu sei. — Rebeca falou entre gargalhadas. 
— O avental era o que estava limpo. 
— Claro que era. — A menina limpou as lágrimas do canto dos olhos. 
— Estou falando sério. 
— Eu também. 
Mais risadas. 
Miriam observou os dois. 
Então cruzou os braços. 
Satisfeita. 
Porque aquela tinha sido, sem dúvida alguma, a recepção menos traumática da história dos reencontros familiares. 
— Vocês terminaram? 
— Não. 
— Ainda não. 
— Ótimo. 
Ela apontou para dentro da casa. 
— Porque o jantar está esfriando. E eu me recuso a permitir que um homem vestido de jardim botânico tenha trabalhado à toa. 
A Rebeca praticamente dobrou de tanto rir. 
E Augusto decidiu que, se sobrevivesse àquela noite, iria queimar aquele avental. 
Então entraram na casa. 
Ainda tentando recuperar o fôlego. 
Foi nesse momento que Rebeca sentiu o cheiro. 
Ela parou. 
Piscou. 
Inspirou fundo. 
Depois inspirou novamente. 
O aroma vinha da cozinha. 
Quente. 
Confortável. 
Familiar. 
E, pela primeira vez desde que tinha visto o avental, sua atenção foi desviada para outra coisa. 
— Nossa... 
A gargalhada diminuiu. 
Augusto pareceu genuinamente aliviado. 
— Finalmente. 
— O quê? 
— Uma reação que não envolva rir da minha humilhação. 
A menina apertou os lábios. 
Travando uma nova crise. 
Miriam desapareceu na cozinha. 
Voltou segundos depois com um copo de água. 
— Tome. 
— Eu estou bem. 
— Tome. 
A menina obedeceu. 
Porque já aprendera que certas discussões eram inúteis. 
Tomou um gole. 
Respirou fundo. 
E finalmente olhou para o Augusto. 
De verdade. 
Sem rir. 
Sem nervosismo. 
Sem medo. 
— Me desculpe. 
Augusto ergueu uma sobrancelha. 
— Pelo quê? 
— Pelo avental. 
— Ah. 
Ele deu de ombros. 
— Tudo bem. 
— Mesmo? 
— Claro. 
Um sorriso apareceu. 
Pequeno. 
Gentil. 
— Eu gosto de fazer a alegria das pessoas. 
A Rebeca ficou imóvel por meio segundo. 
Exatamente o tempo necessário para compreender o que tinha ouvido. 
Então a gargalhada voltou. 
Violenta. 
Incontrolável. 
Pior que a primeira. 
A água quase foi parar no lugar errado. 
Ela tossiu. 
Tentou respirar. 
Falhou. 
Tentou de novo. 
Falhou novamente. 
— Rebeca! 
Miriam já estava do lado dela. 
— Eu estou bem! 
— Você claramente não está. 
— Estou sim! 
Mais risadas. 
Mais tosse. 
Mais desespero. 
Miriam olhou para o marido. 
Depois para a sobrinha. 
Depois novamente para o marido. 
— Nós dois somos péssimos tutores. 
— Não somos tão ruins assim. 
— Augusto. 
— O quê? 
Ela apontou para a menina. 
— Veja o estado da Rebeca. 
Augusto obedeceu. 
A Rebeca estava vermelha. 
Com lágrimas nos olhos. 
Tentando desesperadamente recuperar o fôlego. 
— Ela está feliz. 
— Ela está quase desfalecendo. 
— É um detalhe. 
— Não é um detalhe. 
— Eu acho que é. 
Miriam fechou os olhos. 
Como quem pedia paciência ao universo. 
— Viu? 
Ela apontou novamente para a sobrinha. 
— É por isso que eu digo que somos péssimos exemplos. 
— Discordo. 
— Claro que discorda. 
— Estou sendo otimista. 
— Você está sendo cúmplice. 
A Rebeca finalmente conseguiu respirar. 
Apoiou o copo na mesa. 
Enxugou os olhos. 
Olhou para um. 
Olhou para o outro. 
Então balançou a cabeça. 
— Vocês são impossíveis. 
— Eu sei. 
— Eu também sei. 
A resposta veio dos dois ao mesmo tempo. 
O que provocou uma nova onda de risos. 
Menor daquela vez. 
Mas muito mais tranquila. 
Porque, pela primeira vez desde que o carro tinha parado na frente da casa, a Rebeca percebeu uma coisa: 
Ela não estava com medo. 
Nem um pouco. 
Depois de alguns minutos, a crise de riso finalmente passou. 
Ou pelo menos ficou administrável. 
Miriam observou a sobrinha por alguns segundos. 
Então assentiu. 
— Ótimo. 
— O quê? 
— Agora que você recuperou o controle dos seus pulmões... 
A mulher apontou para a escada. 
— Suba e tome um banho. 
— Tá bom. 
Miriam apontou para si mesma. 
— Eu vou fazer o mesmo. 
Depois apontou para o marido. 
— Enquanto isso, seu tio termina de colocar a mesa. 
Augusto ergueu uma sobrancelha. 
— Terminar? 
— Sim. 
— Eu já coloquei a mesa. 
— Então admire seu trabalho. 
Quando desceram novamente, alguns minutos depois, a casa estava tomada pelo cheiro da comida. 
E foi impossível para Rebeca não parar no último degrau. 
A mesa estava posta. 
Os pratos organizados. 
Os talheres alinhados. 
E, no centro, uma travessa de rondelli fumegante. 
Ela sentiu água na boca imediatamente. 
— Uau. 
Augusto pareceu satisfeito. 
— Espero que goste. 
A resposta veio sem nem precisar pensar. 
— Eu amo. 
O sorriso dele aumentou. 
— Isso é bom. 
— Muito bom. 
— Porque eu fiz comida suficiente para alimentar um pequeno exército. 
Miriam puxou uma cadeira. 
— Ele está exagerando. 
Augusto sentou-se também. 
— Não estou. 
— Está sim. 
— Miriam, existe rondelli para os próximos três feriados nacionais. 
Rebeca olhou ao redor da mesa. 
— O Júnior não vai jantar? 
Augusto suspirou. 
— Mais tarde. 
— Onde ele está? 
— Ensaiando. Ele tem uma apresentação importante na sexta. 
— Ah. 
Miriam continuou cortando o próprio rondelli. 
Mas o sorriso que surgiu no canto dos lábios não passou despercebido por Augusto. 
— O que foi? 
— Nada. 
— Você está fazendo aquela cara. 
— Que cara? 
— Aquela cara. 
— Não faço ideia do que está falando. 
Augusto voltou-se para Rebeca. 
— Está vendo o que eu tenho que enfrentar? 
— Estou começando a entender. 
Rebeca acabou rindo. 
Menos do que antes. 
Mas daquela vez por um motivo diferente. 
Porque a cena era simples. 
Estranhamente simples. 
Uma mesa. 
Uma família. 
Uma travessa de comida quente. 
Nada extraordinário. 
E talvez fosse justamente por isso que parecia tão especial. 
Augusto serviu o primeiro prato. 
Depois o segundo. 
Então passou a travessa para ela. 
— Fique à vontade. 
Rebeca aceitou. 
E, por um instante, observou as mãos dele. 
As mesmas mãos que seguraram a dela tantos anos antes. 
Na saída daquela sorveteria. 
A lembrança surgiu de repente. 
Sem aviso. 
Sem esforço. 
Ela piscou. 
Depois sorriu para si mesma. 
Pequeno. 
Quase imperceptível. 
— O que foi? 
A voz de Augusto a trouxe de volta. 
— Nada. 
A menina pegou o garfo. 
— Só estou feliz que o avental não tenha contaminado a comida. 
O silêncio durou exatamente meio segundo. 
Então Miriam começou a rir. 
Augusto fechou os olhos. 
— Eu sabia. 
— Sabia o quê? 
— Que eu nunca mais teria paz. 
 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 72 - Capitulo 72 - Bem-vinda em Casa:
Socorro
Socorro

Em: 13/06/2026

AUTORA,

Cd vc ?????

tenho ansiedade kkkk


Elin Varen

Elin Varen Em: 14/06/2026 Autora da história
Hoje eu consegui!


Responder

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Socorro
Socorro

Em: 12/06/2026

Tô amando o Augusto,,

Quero ver o  jr e Rebeca juntos essa casa vai pegar fogo kkkk


Elin Varen

Elin Varen Em: 14/06/2026 Autora da história
O Augusto conquistou meu coração também!

Agora, Júnior e Rebeca juntos? Aí é pedir para a paz abandonar a casa por alguns dias.

Estou aguardando esse encontro com a mesma empolgação de quem compra ingresso para assistir ao caos acontecer.


Responder

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