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Otherside - Como a vida deveria ser por Elin Varen

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Palavras: 1503
Acessos: 65   |  Postado em: 26/05/2026

Capitulo 62 - Você está onde deveria estar

Capítulo 62 - Você está onde deveria estar. 
 
Naquela noite, as duas estavam estranhamente quietas. 
Não brigavam pelo controle remoto. 
Não discutiam sobre filme. 
Não implicavam uma com a outra a cada trinta segundos. 
Só estavam… sentadas lado a lado no sofá. 
Tentando desesperadamente agir normalmente. 
O problema era que agora ambas tinham consciência demais da presença da outra. 
Da perna encostando sem querer. 
Do cheiro de protetor solar misturado com shampoo. 
Do fato de que Janis ainda lembrava perfeitamente da Rebeca de biquíni. 
E da Rebeca lembrar perfeitamente da expressão da Janis olhando pra ela. 
A televisão continuava ligada na frente delas. 
Nenhuma das duas fazia ideia do que estava acontecendo no filme. 
Na varanda, Miriam balançava lentamente na rede. 
Um livro aberto sobre o colo. 
Silêncio confortável. 
Só o som distante do mar entrando pela casa. 
Então, do nada: 
— Você tá vendo o filme mesmo? — Janis perguntou baixo. 
Rebeca demorou dois segundos pra responder. 
— Não. 
— Ah. 
Silêncio outra vez. 
Mais alguns segundos. 
— Você? 
— Também não. 
A televisão explodiu alguma coisa dramaticamente. 
Nenhuma das duas reagiu. 
Porque o verdadeiro evento catastrófico estava acontecendo no sofá mesmo. 
Perto das dez da noite, Miriam fechou o livro que estava lendo na rede. 
Olhou para dentro da sala. 
As duas continuavam no sofá. 
Quietas demais. 
Claramente fingindo assistir ao filme. 
Miriam arqueou uma sobrancelha. 
— Vocês vão ficar bem sozinhas? 
As duas responderam ao mesmo tempo: 
— Sim. 
— Não. 
Silêncio. 
Janis e Rebeca viraram o rosto uma pra outra imediatamente. 
— O quê? — perguntou Rebeca. 
— Nada — respondeu Janis rápido demais. 
Então tentaram outra vez. 
— Não. 
— Sim. 
As duas pararam. 
Se encararam de novo. 
Miriam cruzou os braços lentamente. 
Claramente se divertindo. 
— E então? 
Mais silêncio. 
Depois, ao mesmo tempo outra vez: 
— Sim. 
Miriam segurou o sorriso com dificuldade. 
— Que bom que chegaram a um acordo. 
Janis afundou um pouco mais no sofá. 
Rebeca encarou a televisão como se estivesse tentando fugir espiritualmente do próprio corpo. 
Miriam começou a caminhar em direção ao corredor. 
— Boa noite, meninas. 
— Boa noite — responderam juntas. 
Miriam começou a caminhar em direção ao corredor. 
— Boa noite, meninas. 
— Boa noite — responderam juntas. 
Janis observou Miriam desaparecer no corredor. 
Alguns segundos depois, a luz do quarto apagou. 
E a porta permaneceu aberta. 
Silêncio absoluto na sala. 
Só o barulho distante do mar. 
As duas permaneceram sentadas lado a lado. 
Sem coragem de olhar diretamente uma pra outra por muito tempo. 
Rebeca respirou fundo devagar. 
Então, muito cuidadosamente, aproximou a mão da Janis sobre o sofá. 
Devagar. 
Quase tocando. 
Mas antes que os dedos se encontrassem, Janis levantou rápido demais. 
— Tô com sede. 
Silêncio. 
Ela claramente percebeu o próprio surto um segundo tarde demais. 
Então apontou desajeitadamente para a cozinha: 
— Quer água? 
Rebeca tentou não rir. 
Falhou um pouco. 
— Quero. 
Janis voltou alguns minutos depois carregando dois copos. 
Entregou um pra ela. 
As duas sentaram novamente no sofá. 
Lado a lado. 
Bebendo água como se aquilo fosse uma atividade emocionalmente complexa. 
O filme continuava passando na televisão. 
Nenhuma das duas fazia ideia do que estava acontecendo. 
Quando terminaram, os copos foram colocados na mesa de centro quase ao mesmo tempo. 
Silêncio outra vez. 
As duas ainda sentadas lado a lado. 
Janis respirou fundo devagar. 
Então, tentando agir normalmente, aproximou a mão da Rebeca sobre o sofá. 
Muito de leve. 
Só que, no instante em que percebeu o toque quase acontecendo, a própria Rebeca entrou em curto-circuito emocional. 
Levantou rápido demais. 
— Tem sorvete na geladeira. 
Janis piscou. 
— O quê? 
— Você quer? 
A pergunta saiu rápida. 
Claramente improvisada pelo desespero. 
Janis segurou a risada. 
— Quero. 
Rebeca praticamente fugiu até a cozinha. 
Voltou pouco depois carregando um pote de sorvete e duas colheres.  
Sentou novamente no sofá. 
Ainda evitando olhar diretamente pra Janis por tempo demais. 
Janis pegou o pote. 
Observou a tampa. 
Depois estreitou os olhos. 
— Isso aqui parece estar na geladeira desde a era do gelo. 
Rebeca finalmente soltou um risinho. 
— Drama. 
Janis deu a primeira colherada. 
Parou. 
A expressão dela mudou imediatamente. 
— Meu Deus. 
Rebeca arregalou os olhos. 
— O quê? 
Janis virou o pote na direção dela. 
— Isso tá horrível. 
Rebeca pegou uma colherada também. 
Dois segundos depois: 
— Eca! 
As duas começaram a rir. 
Janis afastou o pote como se fosse radioativo. 
— Isso definitivamente foi fabricado no tempo dos dinossauros. 
Rebeca levantou imediatamente. 
— Vou pegar umas balas. 
Ela jogou o sorvete no lixo da cozinha e voltou com um pacote enorme de balas coloridas. 
As duas sentaram outra vez lado a lado no sofá. 
Agora mastigando balas em silêncio. 
Sem olhar diretamente uma pra outra. 
Porque claramente nenhuma das duas sobreviveria a isso naquele momento. 
A televisão continuava ligada. 
Ignorada. 
O barulho do mar vinha da varanda. 
E no corredor, a porta do quarto da Miriam permanecia aberta. 
Rebeca pegou mais uma bala. 
Desembrulhou. 
Comeu sem olhar diretamente pra Janis. 
Silêncio. 
A televisão continuava ligada. 
Ignorada pelas duas. 
Então Rebeca perguntou baixinho: 
— O que a gente faz agora? 
Janis afundou um pouco mais no sofá. 
Pensativa. 
— Eu não sei… 
Silêncio dramático. 
Então, do corredor: 
— Que tal irem dormir? 
As duas congelaram imediatamente. 
Janis virou o rosto devagar na direção do corredor escuro. 
— Ela está nos espionando. 
Rebeca afundou o rosto nas próprias mãos. 
— E nem se envergonha disso. 
Depois da intervenção espiritual da Miriam, as duas finalmente decidiram ir dormir. 
Ou pelo menos fingir que tentariam. 
Janis entrou no próprio quarto. 
Rebeca no dela. 
Silêncio. 
O som do mar continuava entrando pelas janelas abertas. 
Janis virou de um lado da cama. 
Depois do outro. 
Bufou. 
Passaram-se talvez… cinco minutos. 
Então ela levantou. 
Abriu a porta devagar. 
E encontrou Rebeca parada no corredor no exato mesmo instante. 
As duas congelaram. 
Silêncio. 
Janis estreitou os olhos. 
— Tá fazendo o quê? 
Rebeca respondeu rápido demais: 
— Eu ia beber água. 
Pausa. 
— E você? 
Janis apoiou a mão na nuca. 
— Ah tá. 
Tentou parecer casual. 
— Eu também. 
As duas assentiram lentamente. 
Como se aquela situação fosse completamente normal. 
Então caminharam lado a lado até a cozinha escura. 
Sem acender a luz. 
Pegaram água. 
Beberam em silêncio. 
Encostadas na pia. 
Sem saber exatamente o que fazer agora que tinham conseguido chegar ali. 
Janis olhou discretamente pro lado. 
Rebeca claramente fez a mesma coisa no mesmo instante. 
As duas desviaram o olhar imediatamente. 
Silêncio outra vez. 
Depois de alguns minutos absolutamente improdutivos, voltaram pros quartos. 
Mais silêncio. 
Mais alguns minutos. 
Então: 
clic. 
Duas portas abrindo quase ao mesmo tempo. 
As duas apareceram outra vez no corredor. 
E pararam imediatamente. 
Janis começou a rir primeiro. 
Baixinho. 
— E agora? 
Rebeca cruzou os braços rapidamente. 
— Eu ia ver se a porta tá trancada. 
Janis piscou. 
— Eu também. 
Silêncio. 
Então Rebeca assentiu com extrema seriedade. 
— É… 
Pausa dramática. 
— Segurança é importante. 
— Fundamental. 
As duas foram juntas até a porta da sala. 
Janis girou a chave. 
A porta já estava trancada. 
Silêncio. 
As duas continuaram olhando pra fechadura como se esperassem alguma coisa acontecer. Então, voltaram. Cada uma para seu próprio quarto. 
Alguns minutos depois, as duas portas se abriram quase ao mesmo tempo. Mais uma vez. 
As duas apareceram no corredor. 
Pararam. 
Se encararam. 
Janis soltou a risada primeiro. 
Baixinha. 
— E agora? 
Então, do corredor escuro: 
— Agora vocês deixam a tia Miriam dormir em paz. 
As duas deram um pulo. 
Silêncio absoluto. 
Janis levantou imediatamente as mãos. 
— Foi mal, tia Miriam. 
Do quarto, a voz sonolenta respondeu: 
— Desculpas aceitas. 
Pausa. 
— Agora voltem pra cama. 
Silêncio. 
— Sim, senhora — responderam juntas. 
Janis virou rápido e entrou no quarto. 
Fechou a porta. 
Rebeca ficou parada no corredor mais alguns segundos. 
Pensando. 
Esperando. 
Silêncio. 
Nada aconteceu. 
Então ela respirou fundo. 
E atravessou o corredor na pontinha dos pés. 
Devagarinho. 
Como uma agente secreta extremamente despreparada. 
Abriu a porta do quarto da Janis com cuidado absurdo. 
Entrou. 
Janis estava sentada na cama. 
Esperando ela. 
— Você tá doida. 
Rebeca não respondeu. 
Só começou a fechar a porta bem devagar. 
Quase fechando. 
Quase. 
Então: 
— PORTA ABERTA! 
Rebeca deu um pulo tão grande que quase bateu na parede. 
E Janis simplesmente desabou na gargalhada. 
— Sutileza um. 
Tentou recuperar o ar. 
— Rebeca zero  
Do corredor, a voz da Miriam veio outra vez: 
— Se vocês querem namorar, pelo menos façam isso com responsabilidade. 
Silêncio absoluto. 
Rebeca ficou vermelha instantaneamente. 
Dos pés até a raiz do cabelo. 
Janis cobriu o rosto com as mãos. 
— Meu Deus… 
E antes que qualquer uma conseguisse reagir direito, Rebeca simplesmente tomou uma decisão. 
Escancarou a porta do quarto da Janis. 
E se jogou na cama. 
— É sério que você vai levar isso adiante? 
Rebeca não respondeu. 
Só virou de costas pra Janis. 
Claramente fingindo uma dignidade que já não existia mais. 
Janis olhou para a porta aberta. 
Depois para o corredor. 
Depois pra Rebeca. 
— Isso não conta como desobediência, né? 
Do quarto ao lado, Miriam respondeu imediatamente: 
— Depende do que vocês pretendem fazer. 
Janis arregalou os olhos. 
— A gente não vai fazer nada! 
Silêncio. 
Então, do quarto ao lado: 
— Eu já tive a idade de vocês duas. 
Rebeca afundou o rosto no colchão imediatamente. 
Morrendo de vergonha. 
E Janis colocou as duas mãos na cintura. 
— A senhora tá tirando sarro da minha cara. 
— Boa noite, Janis. 
— Boa noite. 
Janis deitou ao lado de Rebeca. 
De barriga pra cima. 
Silêncio. 
O som do mar preenchia o quarto. 
Janis olhou pro teto. 
E começou a contar mentalmente. 
Um… 
Dois… 
Três… 
No “quatro”, Rebeca se virou. 
Devagarinho. 
E se enroscou nela igual um gatinho procurando lugar pra dormir. 
As pernas se embolaram. 
O braço dela passou pela cintura da Janis. 
E então, depois de se acomodar completamente… 
Ela deu um beijinho distraído no queixo da Janis. 
Janis congelou. 
— Pelo amor de Deus, Rebeca… Tenha dó de mim. 
Rebeca começou a rir baixinho contra o ombro dela. 
— Você é muito dramática. 
— Você não faz IDEIA do que tá fazendo comigo. 
A Rebeca ficou quieta por meio segundo. 
Claramente feliz demais com aquela informação. 
Então a voz da Miriam surgiu outra vez do corredor: 
— JÁ PASSOU DA HORA DE DORMIR! 
As duas prenderam o riso imediatamente. 
Rebeca enterrou o rosto no pescoço da Janis tentando não gargalhar. 
Janis fechou os olhos. 
— Ela nunca mais vai trazer a gente pra cá. 
— Vai sim. 
— Sua confiança é preocupante. 
Rebeca levantou um pouquinho a cabeça só o suficiente pra olhar pra ela no escuro. 
Ainda sorrindo. 
— Você vai me expulsar da cama? 
Janis olhou pra ela por alguns segundos. 
Praquele sorriso. 
Praquele olhar brilhando mesmo no escuro. 
Praquele absoluto desastre emocional que atendia pelo nome de Rebeca. 
Então passou a mão devagar pelo cabelo dela. 
— E por que eu faria isso? 
Rebeca ficou quietinha imediatamente. 
Janis puxou ela um pouco mais pra perto. 
— Você está onde deveria estar. 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 62 - Capitulo 62 - Você está onde deveria estar:
Socorro
Socorro

Em: 26/05/2026

Essas duas kkkk

adoro a tia MIRIAMMMMMM...

hoje eu dei boas risadas estou adorando acompanhar tudoooo ..

autora parabens ....  


Elin Varen

Elin Varen Em: 26/05/2026 Autora da história
Essas duas perderam completamente a capacidade de agir normalmente!

E a Miriam já desistiu de tentar entender… agora ela só supervisiona o caos..

Fico muito feliz que vc esteja se divertindo comigo nessa viagem!


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