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Otherside - Como a vida deveria ser por Elin Varen

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Palavras: 1996
Acessos: 86   |  Postado em: 07/05/2026

Capitulo 48 - Um Passo de Cada Lado

Capítulo 48 – Um Passo de Cada Lado. 

 

Acordada. 
Olhando pro teto. 
A frase voltava, insistente, como se não tivesse terminado de ser dita. 
Se quiser ter um futuro na música… me procure amanhã. 
Rebeca virou de lado. 
Depois de costas. 
Depois de volta para o teto. 
Não adiantava. 
Os pensamentos não diminuíam. 
Só aumentavam. 
Ideias. 
Imagens. 
Possibilidades. 
Um palco. 
Luzes. 
O som. 
O frio na barriga voltou. 
Mais forte. 
Ela sentou na cama de uma vez. 
Decidida. 
O corredor estava escuro. 
Silencioso. 
Rebeca parou na porta do quarto da Miriam. 
Pensou por meio segundo. 
E abriu. 
Miriam dormia. 
Respiração calma. 
Pesada. 
Rebeca se aproximou devagar. 
— Tia… 
Nada. 
— Tia… 
Miriam resmungou. 
— Hm…? 
Rebeca não hesitou. 
— Quando você decidiu ser médica? 
Miriam abriu um olho. 
Confusa. 
— Agora? 
— É importante. 
Miriam soltou um suspiro longo, ainda meio perdida entre o sono e a realidade. 
— Amanhã a gente conversa… 
— Por favooor… 
Arrastado. 
Manhoso. 
Irresistível. 
Miriam fechou os olhos. 
Respirou fundo. 
Perdeu. 
— Você faz isso de propósito. 
— Não faço… 
Mas fazia. 
Miriam se ajeitou na cama, abrindo espaço. 
— Tá… vem cá. 
Rebeca deitou ao lado dela. 
O quarto voltou ao silêncio. 
E então, o carinho. 
O dedo da Miriam deslizando de leve entre as sobrancelhas dela, num movimento lento, repetido. 
— Tá fazendo o quê? 
— Tentando te colocar pra dormir. 
— Isso é trapaça. 
— Eu sei. 
E continuou. 
— Eu não decidi de uma vez — disse Miriam, com a voz baixa. 
Pausa. 
— Foi acontecendo. 
Rebeca ficou quieta. 
— A medicina foi a maneira que eu encontrei de me relacionar com Deus. 
Outro intervalo. 
— No momento em que as pessoas mais precisam… eu estou lá. Ajudando. 
A respiração da Rebeca começou a desacelerar. 
Os olhos pesando. 
— Nem sempre dá pra resolver tudo — continuou Miriam. — Mas dá pra estar presente. E isso já muda muita coisa. 
O carinho não parava. 
Constante. 
Quase hipnótico. 
— Eu… gostei disso — murmurou Rebeca. 
— Então guarda — respondeu Miriam. 
— Não precisa decidir agora. 
Rebeca não respondeu. 
Já tinha dormido. 
Miriam percebeu. 
Diminuiu o movimento. 
Ficou ali mais um tempo. 
Só garantindo. 
Na manhã seguinte, a cama estava vazia. 
Miriam estranhou. 
Passou pelo quarto da Rebeca. 
Parou. 
A cama estava coberta de roupas. 
O closet aberto. 
E, na frente do espelho: 
Rebeca. 
Testando poses. 
Expressões. 
Concentração absoluta. 
— O que você tá fazendo? — perguntou Miriam, encostada na porta. 
Rebeca nem virou totalmente. 
— Me arrumando como uma pessoa que tem futuro. 
Miriam segurou um sorriso. 
Não comentou. 
Só saiu. 
Foi fazer café. 
*** 
Horas depois, o corredor da escola parecia diferente. 
Ou talvez fosse ela. 
Rebeca parou diante da porta da sala de música. 
Respirou fundo. 
Uma vez. 
Outra. 
E bateu. 
A porta se abriu. 
Helba apareceu, como se já soubesse. 
Rebeca sustentou o olhar. 
Sem hesitar. 
— Eu estou pronta. 
Helba observa. 
Um segundo a mais. 
Então, dá um pequeno sorriso. 
— Veremos. 
*** 
O caminho até a escola foi barulhento. 
Lara falava sem parar. 
Sobre a escola. 
Sobre as pessoas. 
Sobre coisas que ninguém tinha perguntado. 
— E aí tem uma menina na minha sala que— 
— E o professor de história— 
— E você vai ver, o intervalo— 
Janis só respondia com sons curtos. 
— Uhum. 
— Tá. 
— Sei. 
Ao lado, Galo não falava nada. 
Só observava. 
Cada um seguiu para sua sala. 
As aulas começaram. 
Passaram. 
E Janis não conseguiu dizer, depois, sobre o que eram. 
O caderno aberto. 
A caneta na mão. 
Mas a cabeça— 
longe. 
Muito longe. 
Rota. 
Tempo. 
Dinheiro. 
Distância. 
Tudo se reorganizando, repetindo, ajustando. 
De novo. 
E de novo. 
Até fazer sentido. 
O sinal tocou. 
Intervalo. 
No pátio, os três se encontraram. 
Lara voltou a falar imediatamente, como se tivesse sido pausada. 
— Vocês não sabem o que aconteceu na minha sala— 
— Tem um menino que— 
— E a professora— 
— Você tá legal? 
A pergunta cortou tudo. 
Janis olhou. 
Galo. 
Sério. 
Direto. 
Ela não respondeu. 
Só sustentou o olhar. 
Firme. 
Decidido. 
Galo entendeu. 
Levou meio segundo. 
Talvez menos. 
— Você vai vazar? 
Janis assentiu. 
Lara demorou um instante. 
— O quê? 
Olhou de um para o outro. 
— Como assim? 
— Não é óbvio? — disse Galo, simples. — Ela vai encontrar a mina dela. 
— Você enlouqueceu? — Lara deu um passo à frente. — Você não pode concordar com isso. 
Galo deu de ombros. 
— Eu sou um romântico. 
Lara passou a mão no rosto, incrédula. 
— Isso não é romance, isso é burrice! 
Janis não se mexeu. 
Ainda olhando para o Galo. 
Como se estivesse perguntando sem falar. 
Ele entendeu de novo. 
Suspirou. 
Enfiou a mão no bolso. 
Puxou a carteira. 
Abriu. 
E entregou o dinheiro pra ela. 
Lara soltou uma risada nervosa. 
— Não. Não, não, não. Vocês perderam completamente a noção. 
Janis pegou. 
Sem cerimônia. 
Sem agradecimento. 
Não por falta de gratidão. 
Mas porque aquilo já era maior do que palavras. 
Galo se aproximou. 
Mais perto. 
Baixou a voz. 
— Vem comigo. 
Eles atravessaram o pátio. 
Passaram por trás do ginásio. 
O barulho foi ficando mais distante. 
Mais abafado. 
Até sobrar só o som dos passos. 
O muro não era tão alto. 
Mas não era baixo. 
Lara vinha atrás. 
— Janis, você não pode fazer isso. 
Sem resposta. 
— Você nem sabe se vai dar certo. 
Silêncio. 
— E se der errado? 
Janis parou. 
Virou metade do corpo. 
Olhou para Lara. 
Não agressiva. 
Não fria. 
Só… certa. 
E isso foi pior. 
Galo já estava perto do muro. 
— Sobe aqui. 
Entrelaçou as mãos, oferecendo apoio. 
Janis não hesitou. 
Pisou. 
Subiu. 
Se impulsionou. 
A mão alcançou o topo. 
Um segundo de equilíbrio. 
Um segundo de escolha. 
Do outro lado, não dava pra ver direito. 
Ela olhou pra trás. 
Rápido. 
Só uma vez. 
Lara parada. 
Tensa. 
Galo com a mão ainda estendida, como se segurasse o impulso. 
Janis respirou. 
E pulou. 
Do outro lado, o som foi seco. 
Sem volta. 
Na rua, o silêncio veio primeiro. 
Janis não saiu andando. 
Ficou parada. 
Um segundo. 
Dois. 
Olhando em volta. 
Esperando. 
Nada. 
Nenhum grito. 
Nenhum adulto correndo. 
Nenhum “ei, você!”. 
Só a rua. 
Normal. 
Como se nada tivesse acontecido. 
Ela soltou o ar devagar. 
Puxou o zíper da jaqueta até o fim, escondendo a camiseta do uniforme. 
Aquela camiseta velha. 
Que já não servia mais no Galo. 
Mas que servia nela. 
Funcionava. 
Janis ajustou a mochila no ombro. 
E começou a andar. 
O ponto de ônibus não estava cheio. 
Melhor. 
Ela não pensou muito. 
Entrou no primeiro que apareceu. 
Sentou perto da janela. 
Olhos atentos. 
Cada parada parecia importante demais. 
Cada pessoa entrando, suspeita demais. 
Mas ninguém olhava. 
Ninguém ligava. 
O mundo seguia. 
E isso era estranho. 
Depois de alguns minutos, ela se inclinou na direção de um homem sentado à frente. 
— Esse ônibus vai pra estação de trem? 
Ele negou com a cabeça. 
— Não. Você tem que descer duas depois da próxima. 
Janis assentiu. 
Gravou. 
Desceu. 
Pegou outro. 
Depois mais um. 
Sem hesitar demais. 
Pensando rápido. 
Corrigindo rota. 
Como se já tivesse feito aquilo antes. 
Mas não tinha. 
A estação de trem era maior do que ela esperava. 
Gente demais. 
Barulho demais. 
Janis diminuiu o passo por um segundo. 
Só um. 
O suficiente pra entender o fluxo. 
Depois entrou. 
Seguiu. 
Observou. 
Imitou. 
Comprou a passagem. 
Passou pela catraca. 
Sem erro. 
Do trem, veio o metrô. 
Uma linha. 
Depois outra. 
Depois mais uma. 
Cada troca aumentava a distância. 
Da escola. 
Da casa. 
Da família. 
Janis conferiu o trajeto no celular. 
Uma vez. 
Duas. 
Três. 
Certo. 
Tinha que estar. 
Quando saiu da última estação, o ar parecia diferente. 
Mais aberto. 
Mais desconhecido. 
Ela olhou em volta. 
Reconheceu nada. 
Perfeito. 
Foi até uma banca de revista. 
— Você sabe onde fica essa rua? 
O homem apontou, sem muito interesse. 
— Duas pra cima, esquerda. 
Janis assentiu. 
Pegou algumas moedas. 
— Me vê essas balas… e esse chocolate. 
Pensou um segundo. 
Apontou para uma revista. 
— E essa aqui também. 
Guardou tudo na mochila. 
Ajustou de novo no ombro. 
E seguiu. 
O prédio apareceu antes dela perceber. 
Não era grandioso. 
Mas também não era qualquer lugar. 
Janis parou na calçada. 
Olhou. 
Subiu o olhar devagar. 
Confirmou o endereço. 
Certo. 
Era ali. 
O coração bateu mais forte. 
Não de medo. 
Ou não só. 
De expectativa. 
Ela ficou parada por um instante. 
Como se aquele fosse o último segundo antes de alguma coisa mudar de verdade. 
E então, deu o primeiro passo em direção à entrada. 
A recepção não era silenciosa. 
Longe disso. 
Parecia mais uma escolinha. 
Crianças correndo de um lado pro outro, risadas altas, um choro perdido no meio do barulho, brinquedos espalhados pelo chão. Uma televisão ligada em volume baixo tentando competir com o caos. 
Janis parou um segundo na porta. 
Observou. 
Aquilo não combinava com a ideia que ela tinha de clínica. 
Mas… também não parecia um lugar ruim. 
Só… vivo demais. 
Ela entrou. 
Desviou de uma criança que quase esbarrou nela. 
Olhou em volta. 
Rápido. 
Calculando. 
A secretária levantou os olhos no meio da bagunça. 
— Posso ajudar? 
— Tô procurando a Rebeca. 
— E quem é você? 
Janis deu de ombros. 
— Janis. 
A secretária hesitou. 
Pegou o telefone. 
— Doutora… é melhor a senhora vir na recepção. 
Pausa. 
— É importante. 
Janis soltou um meio sorriso. 
— Engraçado. Eu nunca fui importante antes. 
A secretária deu um risinho sem graça. 
E esperou. 
Miriam apareceu pelo corredor. 
O barulho continuava. 
Crianças correndo. 
Alguém chamando. 
Um brinquedo caindo. 
Ela veio andando mesmo assim, centrada, como se aquele caos não a atingisse. 
Braços cruzados. 
Já preparada para qualquer história. 
Até que viu. 
E parou. 
Reconheceu. 
Janis também não perdeu tempo: 
— Tem uma caneta? 
Miriam não respondeu. 
Só observou. 
Esperou. 
Janis inclinou a cabeça, como se considerasse. 
— Então… eu me mudei pra cá e resolvi fazer turismo pela cidade. 
Pausa leve. 
— Coincidência eu cair justo na clínica da senhora, né? 
O barulho continuava ao redor. 
Mas, entre as duas, silêncio. 
Miriam virou. 
— Venha comigo. 
Janis soltou o ar pelo nariz. 
Seguiu. 
— Nada de injeção, doutora. Eu só me faço de durona. 
A porta do consultório fechou. 
E o som morreu. 
O silêncio veio inteiro. 
Pesado. 
Agora era outro mundo. 
— O que você quer com a minha sobrinha? 
Direto. 
Sem espaço pra desvio. 
Janis sustentou o olhar. 
Dessa vez, sem piada imediata. 
— Se você pretende fazer parte da vida dela — continuou Miriam, andando devagar — então vamos estabelecer algumas coisas. 
Janis revirou os olhos. 
Mas escutou. 
— Primeiro: nada de aparecer sem avisar. 
— Justo. 
— Segundo: nada de fugir da escola. 
Janis estreitou os olhos. 
— Como a senhora... 
— Você está de uniforme. E não é tão discreta quanto acha. 
Silêncio. 
Um toque de vergonha. 
Outro de irritação. 
— Terceiro: você precisa provar que é responsável o suficiente pra estar com ela. 
Pausa. 
— Notas abaixo da média não são aceitáveis. 
— A senhora tá pedindo demais. 
— Estou sendo generosa. 
Miriam parou na frente dela. 
— E quarto… 
Agora, mais firme: 
— Se eu perceber que você é um problema… você se afasta. 
Silêncio. 
Janis soltou o ar, meio rindo. 
— Tá bom… já entendi. 
Inclinou levemente a cabeça. 
— Eu jamais desapontaria uma pessoa que passou anos estudando em cadáveres. 
Um micro silêncio. 
E então, Miriam sorriu. 
Quase imperceptível. 
— Sua mãe sabe que você está aqui? 
Janis deu de ombros. 
— Minha mãe voltou pra casa. Vai terminar o ano letivo lá pra conseguir transferência. 
— E você está morando com quem? 
— Com a minha vó. 
— Ela sabe que você está aqui? 
— Vai saber quando perceber que eu não vou aparecer pro almoço. 
O sorriso sumiu. 
— Vai ligar para as duas. 
Janis cruzou os braços. 
— Mulher… você tá mexendo com forças que não pode compreender. 
— Telefone. 
Janis pegou. 
Discou. 
— Alô? 
Um segundo. 
E então: 
— JANIS MARIE VALENTE. 
Janis fechou os olhos. 
— Vovó… não me chama de Marie. Eu não gosto do meu nome do meio. 
Pausa. 
— Janis Valente já tá bom demais. 
Miriam observava. 
Em silêncio. 
— O que aconteceu? Por que você ainda não voltou? 
— Eu vim ver a Rebeca. 
Outra pausa. 
— Sua namoradinha? 
Um meio sorriso escapou. 
— Sim, vovó. Sua nova neta. 
Silêncio. 
Pesado. 
— Eu não me lembro de ter te dado permissão pra atravessar a cidade inteira atrás de rabo de saia. 
Janis encostou na mesa. 
Tranquila. 
— Curioso. Eu também não me lembro. 
Silêncio. 
— Quando você chegar, a gente vai conversar. 
Mais firme. 
— E conversar muito seriamente. 
Janis suspirou. 
— Tá. 
— Mas uma coisa é certa… Você vai ficar de castigo. 
Ela fechou os olhos. 
— Já imaginava. 
Desligou. 
Olhou pra Miriam. 
— Podia ser pior. 
— Sempre pode. Agora, liga pra sua mãe. 
Janis fez uma careta. 
Mas discou. 
A segunda ligação foi mais curta. 
Mais tensa. 
Mais direta. 
Em determinado momento, Janis afastou o celular do ouvido antes mesmo da frase terminar. 
— Quando eu puser as minhas mãos em você... 
— Tá bom, mãe. Eu entendi. 
Pausa. 
— Não. Eu não tô discutindo. 
Outra pausa. 
— Tô na clínica. 
Ela olhou pra Miriam. 
— Quer falar com ela? 
Miriam pegou o telefone. 
— Ester… 
Um pequeno silêncio. 
— Faz muito tempo. 
A conversa mudou de tom. 
Mais adulta. 
Mais antiga. 
— Eu entendo. Mas ela já está aqui. 
Pausa. 
— E, sinceramente, acho melhor ela esperar. 
Olhou de lado para Janis. 
— As duas têm muito o que conversar. 
Outro silêncio. 
E então: 
— No fim do dia eu a levo pra casa. 
Uma resposta veio do outro lado. 
Mais dura. 
Mais curta. 
Miriam soltou uma risada sincera. 
— É muito mais do que ela merece? Pode ser. 
Pausa. 
— Mas ainda assim é o que eu vou fazer. 
Desligou. 
Devolveu o celular. 
Olhou para Janis. 
Agora sem ironia. 
— Você vai esperar. 
*** 
Miriam abriu a porta com cuidado. 
— Você vai ficar aqui. 
Janis entrou. 
O ambiente era diferente do resto da clínica. 
Mais quieto. 
Mais… pessoal. 
Um pequeno refúgio no meio do caos lá fora. 
Miriam indicou com a cabeça, já se virando pra sair: 
— Tem comida, água e suco na geladeira. 
Pausa. 
— Só não mexe na frasqueira preta com flores brancas. 
Olhou de lado. 
— É da minha secretária. 
Um meio segundo. 
— E eu tenho certeza de que você não quer ter problemas com ela. 
Janis soltou um leve sopro pelo nariz, quase um riso. 
— Anotado. 
A porta se fechou. 
Silêncio. 
Janis ficou de pé por um instante, olhando ao redor. 
E então percebeu. 
Não de uma vez. 
Aos poucos. 
Como peças se encaixando. 
O teclado. 
Com os fones apoiados de lado, como se alguém tivesse acabado de usar. 
Um suéter jogado sobre o banco. 
Despretensioso. 
Familiar. 
Um livro largado no travesseiro do beliche de baixo. 
Janis se aproximou. 
Devagar. 
Sentou. 
Pegou o livro. 
Virou. 
E ali estava. 
O nome. 
Rebeca. 
Escrito do jeito dela. 
Um sorriso escapou antes que ela percebesse. 
Pequeno. 
Quase bobo. 
Janis passou o dedo de leve sobre a capa. 
Como se aquilo fosse mais do que papel. 
Como se fosse presença. 
Sem pensar, puxou o livro contra o peito. 
Apertou. 
Um gesto rápido. 
Quase automático. 
Mas ficou. 
Por um segundo a mais. 
Como se, de algum jeito, aquele carinho pudesse atravessar a distância e chegar até ela. 
Janis fechou os olhos. 
E, pela primeira vez desde que pulou o muro, ficou em paz.

 

Fim do capítulo


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Comentários para 48 - Capitulo 48 - Um Passo de Cada Lado:
HelOliveira
HelOliveira

Em: 07/05/2026

Não vejo a hora a hora desse encontro....ansiosa


Elin Varen

Elin Varen Em: 07/05/2026 Autora da história
E eu acho que vocês vão me matar quando esse encontro finalmente acontecer.

Porque elas estão morrendo de saudade uma da outra… e vocês também já estão.


Responder

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Socorro
Socorro

Em: 07/05/2026

Volta logo kkk

Que capítulo! Quero logo o encontro das duas ...


Elin Varen

Elin Varen Em: 07/05/2026 Autora da história
Acho que o reencontro das duas vai precisar de atendimento psicológico coletivo!

Mas eu prometo que elas estão voltando uma pra outra aos poucos. Só que agora um pouquinho diferentes… e talvez ainda mais apaixonadas.


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