• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Otherside - Como a vida deveria ser
  • Capitulo 36 - Cordas da Liberdade.

Info

Membros ativos: 9600
Membros inativos: 1621
Histórias: 1980
Capítulos: 21,050
Palavras: 53,331,637
Autores: 812
Comentários: 109,191
Comentaristas: 2603
Membro recente: RIZE REZENDE

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • Desafio das Imagens 2026
    Em 23/04/2026
  • 10 anos de Lettera
    Em 15/09/2025

Categorias

  • Romances (880)
  • Contos (476)
  • Poemas (235)
  • Cronicas (230)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (7)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • Otherside - Como a vida deveria ser
    Otherside - Como a vida deveria ser
    Por Elin Varen
  • Onde o medo fez morada!
    Onde o medo fez morada!
    Por ellen souza

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • Brasão do amor
    Brasão do amor
    Por May Poetisa
  • Tomboy - Seja você! Não deixe o preconceito te ocultar
    Tomboy - Seja você! Não deixe o preconceito te ocultar
    Por May Poetisa

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (880)
  • Contos (476)
  • Poemas (235)
  • Cronicas (230)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (7)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Otherside - Como a vida deveria ser por Elin Varen

Ver comentários: 1

Ver lista de capítulos

Palavras: 2702
Acessos: 107   |  Postado em: 26/04/2026

Capitulo 36 - Cordas da Liberdade.

 

Capítulo 36 – Cordas da Liberdade.

 

Mais tarde, perto do almoço, Miriam foi até a sala de descanso.

Abriu a porta devagar.

O quarto estava silencioso.

Rebeca dormia no beliche de baixo.

De lado.

Respiração tranquila.

A bolsa caída no chão.

Ao lado do travesseiro, a caixa de brigadeiros.

Quase vazia.

Miriam se aproximou com cuidado.

Sentou na beirada da cama.

Tocou de leve no braço dela.

— Rebeca…

A menina resmungou qualquer coisa incompreensível.

— Rebeca. Vamos almoçar.

Os olhos abriram devagar.

Ainda pesados de sono.

Miriam abaixou um pouco a voz.

— Está tudo bem?

Rebeca demorou um segundo para entender o mundo.

Depois apontou para a caixa.

— Tá.

Pausa.

— Eu guardei um pra senhora.

Miriam olhou a embalagem aberta.

Restava um único brigadeiro.

Pequeno. Solitário. Importante.

Ela sorriu sem querer.

— Obrigada.

Rebeca já fechava os olhos de novo.

— De nada.

A menina terminou de acordar devagar.

Sentou na cama.

Ainda sonolenta.

Miriam pegou a caixinha.

Dentro, um único brigadeiro.

Levemente amassado de ter viajado de um lado para o outro.

Guardado até o fim.

— Vá lavar o rosto. Eu espero você na recepção.

Rebeca assentiu e saiu arrastando os pés.

Miriam ficou sozinha por alguns segundos.

Olhou para o brigadeiro.

Tão pequeno.

Tão simples.

Miriam estava acostumada a receber presentes caros. Por isso se surpreendeu ao se sentir tão tocada pelo gesto de Rebeca.

A menina havia ganhado a caixa como compensação pela manhã desagradável. Era conforto. E, ainda assim, quis dividir esse conforto com ela.

Nenhum presente de grande valor a havia emocionado tanto.

Pegou.

Levou à boca.

Doce demais.

Perfeito.

Mastigou devagar. Pensando.

Acreditava que estava fazendo bem ao buscar Rebeca. Mas talvez a menina não fosse a única beneficiada. Ao cuidar dela, também cuidava de si mesma.

Respirou fundo.

Fechou a caixa vazia.

E foi para a recepção esperar pela menina.

***

Elas saíram da clínica.

A rua seguia viva.

Movimento constante.

Portas abrindo.

Pessoas entrando e saindo.

Ali havia de tudo:

consultórios, escolas de idiomas, academias, salas de dança, livrarias, música, cursos.

Rebeca caminhava ao lado de Miriam.

Mas os olhos não paravam.

Uma vitrine.

Um cartaz.

Uma moça saindo com livros.

Alguém entrando para aula de violão.

Uma porta de estúdio entreaberta.

Tudo parecia chamar.

Miriam percebeu.

E sentiu, com desconforto, o tamanho do mundo que a menina ainda não podia alcançar sozinha.

Entraram em um restaurante simples.

Agradável.

Sentaram.

Miriam empurrou o cardápio na direção dela.

— Pode escolher.

Rebeca pegou o menu.

Dessa vez, olhou menos para os preços.

Mais para o que realmente queria.

Miriam notou o progresso e fingiu não notar.

O garçom saiu com o pedido.

Veio um breve silêncio.

Rebeca observava o salão.

As pessoas.

As mesas.

A rua do lado de fora.

Como quem ainda aprendia que podia estar em lugares assim.

Miriam abriu a bolsa.

Tirou um envelope.

Segurou por um instante antes de entregar.

Queria acertar o gesto.

Queria que parecesse o que era.

Não pena.

Não compensação.

Não suborno.

Só uma porta.

Estendeu.

— Isso é seu.

Rebeca pegou.

Abriu devagar.

Parou quando viu o cartão.

O nome dela gravado na frente.

Ficou olhando por alguns segundos.

Como se precisasse confirmar que existia.

— Isso é…?

— Seu cartão.

Miriam falou com simplicidade estudada.

— Para pequenas coisas. O que precisar.

Pausa.

Depois corrigiu, mais honesta:

— E para o que você quiser, dentro do razoável.

Rebeca passou o dedo no próprio nome.

Ainda sem levantar os olhos.

— Meu Deus…

Depois respirou fundo.

— Eu vou gastar tudo.

Miriam quase sorriu.

— Não vai.

— Porque eu vou te ensinar a não fazer isso.

Finalmente Rebeca olhou para ela.

Dessa vez direto.

— Por quê?

A pergunta saiu baixa.

Miriam entendeu o verdadeiro sentido.

Por que fazer isso por mim?

Sustentou o olhar.

— Porque liberdade também se aprende.

Rebeca continuou olhando o cartão.

Virou de um lado.

Depois do outro.

Ainda incrédula.

Ergueu os olhos.

— O que eu faço com isso?

Miriam deu de ombros.

— Você compra.

Pausa.

— Mas não pode passar do limite.

Rebeca franziu a testa.

— Limite?

Miriam se inclinou levemente sobre a mesa.

— É um valor máximo. Você pode usar o cartão até aquele valor. Depois disso… acabou.

Rebeca ouviu com atenção absoluta.

Miriam continuou:

— No final do mês vem a fatura. E a gente paga.

Olhou direto para ela.

— Se você gastar demais… vai ter que lidar com isso.

Rebeca assentiu devagar.

Como quem entendia metade e sentia o peso da outra metade.

Miriam pegou um guardanapo.

Apontou para o cartão.

— Você precisa de uma carteira. Pra guardar seus documentos… e isso aqui.

Depois falou como se fosse algo simples:

— Aproveita que você está com a tarde livre. Dá uma volta pela rua. Vê o que te agrada. E compra.

Rebeca congelou.

— Sozinha?

— Sim.

Silêncio curto.

— Só me promete uma coisa.

— O quê?

— Não falar com estranhos.

Rebeca deu um sorriso travesso.

— Eu vou ter que falar com os vendedores das lojas.

Miriam manteve a postura.

— De acordo.

Sem perder o ritmo:

— Mas se algum deles te convidar pra tomar sorvete…

Pausa.

— ou ir pra rodoviária… você recusa.

Rebeca arregalou os olhos.

— Rodoviária?!

Miriam deu um gole na água.

— Sempre desconfie de quem sugere rodoviária.

Rebeca riu.

A tensão finalmente cedeu.

Olhou o cartão mais uma vez.

Agora de outro jeito.

Não como quem recebe um objeto.

Como quem segura uma possibilidade.

***

O garçom se aproximou.

Conta em mãos.

Colocou sobre a mesa.

Rebeca olhou.

Depois olhou para o cartão recém-guardado na bolsa.

Uma ideia nasceu inteira no rosto.

— Eu posso pagar?

Miriam ergueu os olhos.

Surpresa leve.

Depois quase sorriu.

— Você é muito gentil.

Pausa.

— Mas não.

Rebeca murchou um pouco.

— Por quê?

Miriam puxou a conta para perto.

— Porque fui eu que trouxe você. E porque ainda não é assim que funciona.

Rebeca ficou pensando.

Miriam suavizou a voz.

— Um dia você pode me convidar pra almoçar. Aí sim.

Rebeca assentiu.

— Tá.

Depois completou, séria:

— Mas eu vou convidar.

Miriam segurou o olhar dela por um instante.

Já não sabia mais o que esperar daquela menina.

— Eu sei.

Pegou a conta.

Pagou.

E enquanto guardava o recibo, percebeu outra coisa: a fúria da manhã já tinha ido embora.

Rebeca parecia viver emoções como tempestades.

Fortes.

Barulhentas.

Passageiras.

E suspeitou que administrar aquilo seria bem mais difícil do que parecia.

Miriam voltou para a clínica tentando não pensar demais.

Havia prometido liberdade.

Agora precisava sustentar a promessa.

Mesmo que a ideia de deixar aquela coisinha emocionalmente instável andando sozinha pela rua lhe parecesse irresponsável.

Rebeca caminhou devagar.

Loja por loja.

Em algumas entrou.

Em outras, só espiou.

A carteira podia esperar.

Queria outra coisa.

Algo que fizesse sentido.

Foi então que parou diante da loja de instrumentos.

Já a conhecia.

Da janela do carro.

Do banco do passageiro.

Dos dias em que só passava em frente.

Nunca da calçada.

Nunca como alguém que podia entrar.

Ficou alguns segundos parada.

Criando coragem.

Depois abriu a porta.

O cheiro de madeira e verniz veio primeiro.

Olhou ao redor.

Violões.

Teclados.

Cabos.

Capas.

E então viu.

Preto.

Lustroso.

Sólido.

Bonito de um jeito quase ofensivo.

Um vendedor se aproximou.

— Posso ajudar?

Rebeca não tirou os olhos do instrumento.

— Eu posso… pegar?

— Claro.

Ele tirou o violão da vitrine.

Entregou a ela.

Não estava afinado.

Mas isso não importava.

Rebeca sentiu o peso.

O encaixe no corpo.

O cheiro novo.

Passou a mão pelo acabamento brilhante.

— Quanto é?

O vendedor disse o valor.

Já com capa e acessórios.

Ela fez a conta mentalmente.

Abaixo do limite.

Sentiu um quentinho subir no peito.

Liberdade tinha número.

E ainda sobrava troco.

Ergueu os olhos.

— Eu vou levar.

A capa do violão tinha alças.

Então Rebeca saiu da loja carregando o instrumento nas costas.

Ou sendo carregada por ele.

De longe, parecia uma menina magrela fugindo com um instrumento maior que o próprio juízo.

Seguiu rua abaixo.

Agora mais corajosa.

Entrou em uma papelaria.

Depois em uma loja de acessórios.

Saiu de lá com a carteira exigida por Miriam.

Cheia de estrelinhas brilhantes.

Com espelho por dentro.

Perfeitamente necessária.

Na livraria, demorou mais.

Passou os dedos por capas.

Leu contracapas.

Escolheu por fim: Utopia.

Tinha ouvido falar do livro em um filme assistido com Miriam.

E gostou ainda mais ao pensar que o pai jamais permitiria aquela leitura.

Levou sem hesitar.

Para encerrar a tarde, entrou em uma casa de doces.

Ali resolveu compensar moralmente o episódio odontológico.

Saiu com balas, chocolates e uma sensação renovada de justiça.

***

A clínica estava fechada para o almoço.

No fundo, a sala de descanso permanecia em silêncio confortável.

Luma almoçava sentada à mesa pequena.

Miriam ocupava o beliche de baixo.

Deitada por alguns minutos.

Tentando reorganizar a própria existência.

Foi quando a porta abriu sem delicadeza.

E Rebeca se estampou no cômodo.

Violão nas costas.

Sacolas nos braços.

Cabelo bagunçado.

Energia excessiva.

E jujubas na boca.

Luma quase engasgou de rir.

Miriam ergueu a cabeça devagar.

Olhou para o violão.

Depois para as sacolas.

Depois para a menina inteira.

Suspirou.

— Rebeca…

Pausa.

— Você lembrou da conversa que tivemos sobre limite?

Rebeca mastigou calmamente.

Engoliu metade.

Respondeu com dignidade absoluta:

— Eu não gastei tudo.

Silêncio.

Luma abaixou a cabeça para esconder o riso.

Miriam voltou a se deitar.

Fechou os olhos.

Luma tentou conter o riso.

Não conseguiu.

— Ela e o Júnior vão se dar bem.

Miriam ainda de olhos fechados:

— E é exatamente isso que está me preocupando.

Rebeca virou o rosto na hora.

Confusa de verdade.

— O que eu fiz?

Miriam ergueu a cabeça.

Observou a menina inteira: violão nas costas, sacolas no braço, açúcar no organismo.

— Nada demais.

Sentou devagar no beliche.

Estendeu a mão.

— Venha cá.

Rebeca se aproximou.

Miriam apontou para o violão.

— Me mostra sua nova aquisição.

Na mesma hora, a expressão da Rebeca mudou.

Toda a indignação anterior evaporou.

Ela tirou o violão das costas com cuidado cerimonial.

— Ele é lindo.

Luma murmurou:

— Já começou.

Miriam ignorou.

Ou tentou.

Rebeca sentou na ponta do beliche.

Ajeitou o violão no colo.

Passou os dedos pelas cordas com cuidado.

Ainda desajeitada no instrumento novo.

Mas segura no suficiente.

Então começou a tocar.

Uma música inteira.

Não com a mesma precisão que tinha no teclado.

Nem com a mesma intimidade.

Mas com algo impossível de ensinar:

presença.

Musicalidade.

Vontade.

Quando terminou, levantou os olhos discretamente para Miriam.

Esperando julgamento sem admitir que esperava.

Miriam assentiu uma vez.

— Assim que conseguirmos organizar seus horários na escola, vamos matricular você em um curso.

Rebeca piscou.

— Curso?

— Assim você melhora o que já sabe.

Rebeca segurou o instrumento um pouco mais forte.

Pensou.

Depois soltou, casual demais:

— Eu preciso mesmo ir pra escola?

Luma se levantou na mesma hora.

— Certo. Eu tenho muita coisa pra fazer na recepção.

Pegou as próprias coisas com velocidade suspeita.

E desapareceu.

Silêncio.

Miriam virou lentamente o rosto para Rebeca.

— Você está fazendo uma piadinha sem graça, não está?

Rebeca ficou vermelha.

Mas não respondeu.

Miriam se inclinou para frente.

A voz saiu firme.

— Você vai pra escola, sim.

Pausa.

— E vai ser uma das melhores alunas da classe.

Rebeca revirou os olhos de leve.

Miriam continuou:

— Não pra provar nada pra ninguém. Apenas porque é o certo a fazer.

A sala ficou quieta.

Rebeca olhou para o violão.

Dedilhou uma corda solta.

Baixinho.

— Isso foi bem autoritário.

Miriam cruzou os braços.

— Obrigada.

Rebeca continuou olhando para o violão.

Dedilhou uma corda.

Depois outra.

Sem encarar Miriam.

Quando falou, a voz saiu quase casual demais.

— Moisés sempre disse que menina não precisa se preocupar com escola.

Silêncio curto.

As duas ouviram o nome pousar no quarto.

Rebeca continuou:

— Que estudo é coisa pra menino. E que a gente só ia porque a lei obriga.

Miriam não respondeu na mesma hora.

Observou a menina.

O rosto neutro demais.

Os dedos inquietos demais nas cordas.

Então falou seca:

— A cada dia que passa, eu gosto menos do Moisés.

Rebeca soltou uma risada curta, sem querer.

Miriam se inclinou.

— E, só para constar, ele está errado em todas as frases.

Rebeca ergueu os olhos.

Miriam sustentou o olhar.

— Você vai estudar. Vai aprender. Vai escolher por conta própria o que faz da sua vida. E nenhum homem ignorante vai opinar sobre isso.

Rebeca dedilhou mais uma corda do violão.

Sem olhar para Miriam.

— A Rute não terminou a escola.

Miriam ficou imóvel por um instante.

Depois assentiu.

— Eu sei.

Pausa.

— E isso é algo que me deixa profundamente chateada.

Rebeca levantou os olhos.

— Foi por isso que a senhora não foi no casamento dela?

Miriam hesitou.

Escolheu a verdade.

— Em parte, sim.

Respirou fundo.

— Eu estava tão zangada com seu pai… que não queria olhar para a cara dele.

Silêncio curto.

Rebeca apertou os dedos no braço do violão.

— Moisés falou que o bebê da Rute não sobreviveu porque ela não teve paciência de esperar o casamento.

O rosto de Miriam endureceu.

Mas a voz saiu calma.

— Se Moisés fosse pago por cada besteira que fala…

Pausa.

— vocês seriam a família mais rica do país.

Rebeca soltou outra risada involuntária.

Miriam se inclinou um pouco.

— Escuta bem. Tragédia não é castigo. E sofrimento de mulher nenhuma é punição divina por desobedecer a um homem.

Rebeca ficou quieta.

O mundo acabara de mudar um pouco

Miriam respirou fundo antes de continuar.

A voz saiu mais calma.

— Sua irmã era muito nova na época.

Pausa.

— O corpo dela ainda não estava pronto para ter um bebê.

Rebeca escutava sem se mexer.

— Essas coisas acontecem mais do que deveriam. E quase sempre sobra para a moça carregar culpa que não é dela.

Miriam recostou no beliche.

— Felizmente, a Rute teve mais sorte do que muita menina nessa situação. O Josué ficou.

Silêncio breve.

Rebeca passou o dedo pelas cordas do violão.

Quase num sussurro:

— Ele é legal.

Miriam observou a menina por alguns segundos.

Depois falou com firmeza tranquila:

— Você vai se formar.

Rebeca ergueu os olhos.

— E vai ter uma história bem diferente da história da sua irmã.

Silêncio.

Miriam continuou:

— Ficando com a Janis ou não.

Rebeca quase deixou o violão escorregar.

— O quê?

Miriam ignorou o choque com elegância absoluta.

— Não é bom depender financeiramente de ninguém. De pessoa nenhuma.

Recostou-se melhor no beliche.

— Seu tio e eu somos casados. E, financeiramente, somos independentes um do outro.

Rebeca franziu a testa.

Como quem nunca ouvira aquilo.

Miriam explicou:

— Isso não significa falta de parceria. Pelo contrário. Facilita muita coisa. Eu posso dar uma vida boa para ele. E ele pode dar uma vida boa para mim. Porque estamos juntos por escolha. Não por necessidade.

O quarto ficou quieto.

Rebeca apertou os dedos no braço do violão.

Pensando em mais coisas do que sabia nomear.

Então puxou uma das sacolas.

Remexeu lá dentro por alguns segundos.

Depois tirou um saquinho de confeitos coloridos.

E uma barra de chocolate.

Estendeu para Miriam com a expressão mais inocente e bobinha que conseguiu fabricar.

— Pra senhora.

Miriam pegou.

Olhou os doces.

Depois olhou para ela.

— Obrigada.

Pausa.

— Espero que tenha sobrado saldo para o meu almoço.

Rebeca abriu um sorriso imediato.

— Sobrou sim.

Ergueu outra sacola.

— E eu comprei balas e chocolate pra Luma também.

Miriam assentiu.

— Então vá levar pra ela.

Olhou para o relógio.

— Antes que os pacientes da tarde cheguem.

Pausa.

— Eles são muito bons para farejar doces.

Rebeca levantou num pulo.

Pegou as sacolas.

O violão.

Quase tropeçou no próprio entusiasmo.

E saiu.

A porta se fechou.

O silêncio voltou por dois segundos.

Miriam se largou de costas no beliche.

Passou a mão no rosto.

E soltou um longo gemido para o teto:

— Meu Deus…

 

 

Fim do capítulo


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior
  • Próximo capítulo

Comentários para 36 - Capitulo 36 - Cordas da Liberdade.:
HelOliveira
HelOliveira

Em: 26/04/2026

Mirian criou uma monstrinha linda...

Tão bom vê-la descobrindo tantas coisas


Elin Varen

Elin Varen Em: 27/04/2026 Autora da história
Miriam abriu espaço para ela florescer… e agora essa “monstrinha linda” só está descobrindo o tamanho que sempre teve. É muito bonito ver Rebeca experimentando o mundo sem medo, aos poucos.


Responder

[Faça o login para poder comentar]

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web