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Otherside - Como a vida deveria ser por Elin Varen

Ver comentários: 1

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Palavras: 1723
Acessos: 81   |  Postado em: 23/04/2026

Capitulo 33 - O Que Ficou no Muro

Capítulo 33 – O Que Ficou no Muro

 

Janis entrou no quarto.

As latas de tinta e os sprays estavam lá. Esperando por ela.

Ela pegou uma lata de spray.

Examinou.

Já tinha visto gente fazendo arte com aquilo.

Mas nunca tinha realmente usado.

E agora?

Agora, estava ali.

No canto do quarto.

A parede branca na sua frente.

Ela se aproximou.

Testou o spray.

Um risco fino.

Depois um mais grosso.

A tinta escorreu um pouco.

Ela riu baixinho.

Não era tão fácil quanto parecia.

Mas não ia desistir.

Ela fez um desenho simples.

Um coração.

Depois outro.

E logo o risco ficou mais firme.

O spray se movia melhor.

Então ela testou o que sabia.

Algumas linhas.

Depois círculos.

Então, ela foi até o quintal.

O lugar onde ninguém iria vê-la.

Sem pressa.

Sem olhar para o lado.

Era só ela e a parede.

Fez uma linha.

Errou.

Fez outra.

Dessa vez, mais larga.

O traço saiu torto.

Ela olhou.

Não corrigiu.

Fez outro.

Mais forte.

Mais largo.

A tinta escorreu.

Ela deixou.

As horas passaram.

O sol se pôs.

A luz mudou.

E ela continuou.

Quando o dia amanheceu, Janis se arrumou para ir a escola.

Entrou na sala como sempre fazia.

Cabeça na carteira.

Os olhos pesados.

A professora falava.

Alguma coisa sobre prova.

Alguma coisa importante.

Janis nem tentou acompanhar.

Fechou os olhos.

Dormiu.

Sem culpa.

Porque, pela primeira vez, ela estava fazendo alguma coisa que importava de verdade.

***

Janis repetiu aquilo no dia seguinte.
E no outro também.

Dormia na escola.
Rabiscava no caderno durante a aula.
Voltava para casa pensando em sombra, curva, proporção.

À noite, saía de novo para o quintal.

A parede já não era branca.
Agora tinha marcas, testes, manchas cobertas às pressas, linhas abandonadas no meio.
Braços de figuras que nunca nasceram.
Pernas apagadas.
Rostos riscados até sumirem.

Ela tentava fazer Rebeca.

O rascunho já estava pronto.

No papel, tudo fazia sentido.

As linhas.

O movimento.

A leveza.

Mas na parede…

não era a mesma coisa.

O jeito de sentar tortinho.
Os joelhos juntos no balanço.
A cabeça levemente inclinada quando pensava.
O cabelo caindo para um lado quando o vento mexia.

Mas nada ficava certo.

Quando acertava o rosto, errava o corpo.
Quando acertava a postura, perdia a leveza.
Quando conseguia a leveza, a tinta escorria e estragava tudo.

Ela xingava baixo.
Cobria.
Recomeçava.

Na terceira noite, Janis estava cobrindo pela quarta vez o rosto de Rebeca quando ouviu a porta dos fundos abrir.

Ester apareceu de chinelo e robe, segurando uma caneca.

Ficou olhando a parede em silêncio.

— Tá parecendo gente.

— Some daqui.

— O nariz tá torto.

Janis lançou um olhar mortal.

Ester ignorou.

— Vamos na sexta.

Janis baixou a lata devagar.

— A gente ia no sábado.

— Eu sei.

Ela tomou um gole.

— Mudei de ideia.

Janis voltou a encarar a parede.

— Por quê?

— Porque essa cidade já encheu o saco.

Silêncio.

— Hoje colocaram mais cartas na caixa. O Moisés ficou pregando no portão. E eu não tô com paciência pra dar palco pra maluco.

Janis apertou a lata sem usar.

— Entendi.

Ester olhou de novo o desenho inacabado.

— É a Rebeca?

Janis demorou um segundo.

— Era pra ser.

Ester assentiu.

— Tá bonita.

— Não tá pronta.

— Então faz outra coisa.

— Não é assim que funciona.

— Tudo bem. Mas agora você tem um dia a menos.

Ester virou para entrar.

— E tenta melhorar esse nariz.

A porta fechou.

Janis ficou parada diante da parede.

Spray na mão.
Respiração curta.

Não faltava vontade.

Faltava tempo.

A data estava perto demais.
Agora mais perto ainda.

Rebeca merecia mais do que pressa.

Depois assentiu sozinha.

— Ainda não.

Pegou outra lata...

Cobriu parte do desenho.
Apagou o corpo inteiro.
Deixou apenas a estrutura do balanço.

As cordas descendo do alto.
O assento ligeiramente torto.
Uma sombra no chão.

Então fez o detalhe final.

Empurrou o movimento para dentro da tinta.
Uma corrente mais esticada de um lado.
A outra recuando.
Linhas suaves ao redor do assento.
A curva da sombra atravessando o piso.

Quem olhasse juraria que ele tinha acabado de ir para frente.
Ou estava voltando.

Como se alguém tivesse se levantado há um segundo.
Ou fosse sentar no instante seguinte.

Janis recuou alguns passos.
As mãos manchadas.
Os olhos ardendo de sono.

Sorriu cansada.

Ainda não sabia pintar Rebeca.

Mas já sabia pintar a falta que ela fazia.

***

 

As ruas estavam em silêncio.

Janis abriu a porta devagar.

A mochila nas costas.

As latas fazendo um som baixo.

Saiu.

Fechou sem barulho.

A rua estava vazia.

Fria.

Perfeita.

Ela caminhou.

Escolhendo o lugar.

O muro que ficava na quadra de vôlei do parque.

Grande o suficiente.

Visível o suficiente.

Ela parou.

Respirou.

E então:

— Tá fazendo o que aqui?

Janis virou.

Ester.

Sentada num banquinho.

Um livro aberto nas mãos.

Como se estivesse esperando.

Janis piscou.

— Cê tá de sacanagem comigo.

Ester virou uma página.

— Não.

Simples.

— Eu não vou deixar você perambulando sozinha pela rua.

Janis passou a mão no rosto.

— Puta merd*…

Virou de costas.

— Isso aqui é ridículo.

— É... Continua.

Janis soltou um ar pelo nariz.

Resmungou mais alguma coisa.

Mas não foi embora.

Não discutiu.

Só pegou a lata.

E começou.

Atrás dela,

Ester lia.

De vez em quando levantava o olhar.

Só pra conferir.

E voltava.

Como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

Janis não falou mais nada.

Só trabalhou.

O som seco do spray cortava o silêncio da madrugada.
Curto. Preciso.
Depois longo.
Depois em névoa.

Ela trocava de lata sem pensar.
Recuava dois passos.
Avançava um.
Corrigia.
Insistia.

Ester continuava atrás dela.
Virando páginas.
Cruzando as pernas.
Ocasionalmente olhando por cima do livro.

Nenhuma pergunta.
Nenhum conselho.
Nenhuma crítica.

Só presença.

O céu começou a mudar devagar.
Primeiro um cinza fraco.
Depois uma faixa azul distante.

Janis acelerou.

As mãos já doíam.
Os dedos estavam duros de tinta.
O ombro queimava do esforço.

Ela fez os últimos traços quase sem respirar.
A sombra no chão.
O brilho discreto numa corrente.
Uma pequena correção no assento.

Então parou.

Faltavam poucos minutos para o sol nascer.

Janis deu três passos para trás.
Olhou em silêncio.

No muro, o balanço parecia se mover sozinho.
Vazio.
Indo e voltando.
Esperando alguém.
Ou lembrando de alguém.

Ela engoliu seco.

Então, assinou: The Ghost.

Ester fechou o livro.

— The Ghost?

— Quem mandou a senhora me batizar com o nome de uma mulher morta?

Janis pegou as latas espalhadas, enfiou tudo na mochila e saiu correndo sem olhar de novo.

— Anda logo! — gritou por cima do ombro.

Ester levantou do banquinho com a calma de sempre e foi atrás dela, como se correr atrás de adolescentes malucas ao amanhecer fizesse parte da rotina.

Quando entraram em casa, Janis já estava ofegante.

Ester trancou a porta, apoiou o livro na mesa e falou:

— Não vou trabalhar hoje.

Janis ainda tentando recuperar o ar ergueu uma sobrancelha.

— O quê?

— Vamos tirar uma folga.

Ela puxou uma cadeira e sentou.

— Na verdade, nós duas estamos precisando de um descanso de verdade.

Janis ficou parada alguns segundos.
Depois apenas assentiu.

Dormiram até tarde.

Quando acordaram, a casa parecia diferente.
Mais silenciosa.
Mais vazia.

Fizeram a última refeição juntas naquela cozinha.
Sem pressa.

Pão quente.
Café forte.
Ovos mexidos.

Conversaram pouco.
Não por raiva.
Nem por tristeza.

Só porque algumas despedidas ficam grandes demais para caber em palavras.

Depois veio a mudança.

Janis abriu a porta do quarto e Ester ficou alguns segundos olhando.

As coisas dela estavam reunidas no centro do cômodo como se tivessem sido evacuadas às pressas.

Dois sacos pretos enormes.
Três caixas de papelão de tamanhos diferentes.
Uma mochila torta.
Uma pilha de livros amarrada com barbante.
E um abajur solto no chão, sem explicação nenhuma.

— Que porr* é essa? — perguntou Ester.

Janis deu de ombros.

— Minha mudança.

Ester chutou de leve uma caixa aberta. Dentro havia roupas, um tênis, revistas em quadrinhos velhas, um urso de pelúcia e uma chave de fenda.

— Você separou isso como?

— Por sentimento.

— Por sentimento?

— Se eu gosto, entrou na caixa.

Ester fechou os olhos por um segundo.

— Só espero que o urso sobreviva a viagem.

— Ela é durão.

Ester respirou fundo.

— Janis... ninguém no mundo arruma as coisas assim.

— Tô inovando.

Mesmo resmungando, Ester pegou um saco preto e levou até o carro.

Depois outro.

Ester carregava uma caixa até o carro quando o celular de Janis vibrou em cima da cama.

Janis largou um saco preto no chão e pegou o aparelho rápido demais.

Leu a mensagem.
Sorriu sozinha.

Digitou de volta.

Depois guardou no bolso como se nada tivesse acontecido.

Ester parou na porta.

— Quem é?

— Ninguém.

— Então sorriu por quê?

— Porque lembrei de uma coisa engraçada.

— Mentira ruim.

Janis ergueu outra caixa.

— A senhora devia se preocupar menos com a minha vida amorosa e mais com a hérnia que vai ganhar carregando isso tudo.

Ester estreitou os olhos.

— Você vai aprontar alguma coisa.

— Eu? Nunca.

Ela passou pela mãe carregando a caixa torta.

O celular vibrou de novo no bolso.

Janis mordeu o canto da boca para não sorrir outra vez.

— Tá vendo? — disse Ester. — Essa cara aí. Conheço essa cara.

— Que cara?

— Cara de problema.

Janis abriu a porta da frente com o pé.

— Então a senhora me conhece mal.

E saiu antes que Ester respondesse.

Quando o último saco foi levado para o carro, Janis ficou parada no meio do quarto vazio.

Pela primeira vez, dava para ouvir eco ali dentro.

Ela olhou ao redor.

— Pronto.

Mas a voz saiu menor do que ela queria.

Então foi para fora. Antes de entrar no carro, olhou para a casa onde cresceu.

Ester entrou no carro sem dizer nada.

Janis fez o mesmo.

O motor ligou.
A rua começou a ficar para trás.
A calçada.
O portão.
A janela do quarto.
Tudo diminuindo no retrovisor.

E, algumas quadras dali, no muro do parque, ficou balançando sozinho o que ninguém saberia explicar.

O que aquele balanço significava.

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 33 - Capitulo 33 - O Que Ficou no Muro:
Ana lucia
Ana lucia

Em: 24/04/2026

pequenos gestos,grandes despedidas,mudanças


Elin Varen

Elin Varen Em: 27/04/2026 Autora da história
Às vezes as maiores mudanças chegam assim: escondidas em pequenos gestos, em despedidas silenciosas, em movimentos que parecem simples… mas mudam tudo.


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