CAPÍTULO 6 – DOMÍNIO SILENCIOSO
Os dias foram passando em um ritmo calculado, como se Camilla estivesse cozinhando Julianne em banho-maria, mantendo a tensão no ar. Até então, não havia acontecido nada íntimo entre as duas, o que deixava Julianne intrigada. Era incomum para ela lidar com alguém que não tivesse pressa em exigir algo físico. Camilla, ao contrário dos clientes que já tinham cruzado o seu caminho, parecia saborear cada instante da espera, como se tivesse um plano silencioso por trás de cada gesto contido.
Julianne sabia que uma das cláusulas do contrato poderia se tornar uma pedra no sapato. No papel parecia fácil: exclusividade total, nada de atender outros clientes, nada de dividir sua atenção. Mas, na prática, ela ainda estava presa a compromissos que havia assumido antes de assinar com Camilla. Um deles, inclusive, estava prestes a bater na sua porta antes mesmo que ela pudesse imaginar.
Em uma quinta-feira, Julianne recebeu a mensagem de um antigo cliente insistindo em encontrá-la. Ela não viu mal algum em aceitar; era algo rápido, profissional, apenas um jantar sem segundas intenções. Pelo menos era o que queria acreditar.
O problema é que Camilla não era boba. Havia colocado um rastreador no celular de Julianne e monitorava a acompanhante todos os dias. Quando percebeu que ela não estava em casa, pediu que um dos seguranças que havia contratado fosse até o local indicado pelo GPS. O homem fotografou Julianne e enviou a foto para Camilla, que estava de plantão. Na mesma hora, a médica ficou irritada com a afronta. Um dominador jamais poderia aceitar que sua submissa quebrasse regras.
Então, Camilla ligou para Julianne, fingindo que não sabia onde ela estava. A acompanhante demorou a atender por estar com o cliente, se levantou da mesa e foi até o banheiro para falar com Camilla, dando alguma desculpa qualquer, pensando que a médica acreditaria. Coitada, lindo engano. Camilla informou que exigia que ela estivesse em seu apartamento às 23 horas, e que não poderia negar. Após desligar, Julianne voltou para o encontro com o cliente, tentando aparentar normalidade.
Naquela noite, quando Julianne entrou no apartamento de Camilla, não imaginava que a médica já sabia do encontro.
— Você demorou — disse Camilla assim que Julianne entrou, sem sequer disfarçar a impaciência.
— Eu tive um contratempo… — murmurou Julianne, tentando não parecer nervosa.
Camilla se levantou do sofá, os braços cruzados, postura ereta e firme. O tom de voz era calmo, mas carregava uma autoridade quase sufocante.
— Um contratempo, Julianne? É isso que você chama de quebrar uma cláusula que assinou comigo?
Julianne arregalou os olhos. — Como assim… vo... você sabe?
Camilla riu de leve, mas sem humor. Aproximou-se lentamente, os saltos batendo no piso de madeira com um som que parecia ecoar na cabeça de Julianne.
— Você acha mesmo que eu não saberia? Pensa que esconderia algo de mim? — Camilla inclinou o rosto, tão perto que Julianne pôde sentir o perfume intenso e marcante. — Você se encontrou com alguém, não foi?
Julianne tentou manter a calma, mas sua respiração denunciava o nervosismo. — Era um cliente antigo, Camilla. Eu não pensei que fosse um problema… apenas jantamos, não houve sex*.
— Não pensou? — interrompeu a médica, arqueando uma sobrancelha. — Eu fui bem clara, não fui? Exclusividade. Você é minha. Só minha. Me deve obediência.
Julianne engoliu em seco, mas não recuou. — Você realmente acredita que pode me controlar assim?
Camilla sorriu, aquele sorriso frio e perigoso que misturava charme e ameaça. Ela segurou o queixo de Julianne com delicadeza, mas com firmeza suficiente para não deixá-la escapar do contato visual.
— Eu não acredito, Julianne. Eu sei. Porque você assinou um contrato. Porque eu não deixo pontas soltas.
Julianne sentiu o coração acelerar. Havia algo de perturbador e, ao mesmo tempo, excitante naquele poder que Camilla exercia sobre ela.
— Eu… eu não queria te desrespeitar — sussurrou.
— E mesmo assim fez — retrucou Camilla, soltando lentamente o rosto de Julianne. — Então agora vai ter que lidar com as consequências.
Camilla caminhou lentamente pelo apartamento, cada passo calculado, o salto ecoando de maneira quase hipnótica. Julianne ficou imóvel, com o olhar fixo no chão, tentando aparentar calma, mas cada músculo do corpo denunciava sua ansiedade.
— Julianne — disse Camilla, a voz baixa, carregada de autoridade — você quebrou uma regra. E aqui, regras não são apenas palavras em um papel. Elas existem por um motivo.
Julianne engoliu em seco, o coração disparado. — Eu sei… eu errei…
Camilla se aproximou, parando a poucos centímetros de distância. Olhou para Julianne com intensidade, analisando cada reação, cada tremor, cada fio de cabelo desalinhado. — Errar tem consequências. E você vai sentir isso.
Sem aviso, Camilla agarrou a mão de Julianne, puxando-a suavemente para o centro da sala. O toque firme enviou um arrepio imediato pela espinha da acompanhante. Julianne tentou se esquivar, mas não havia escapatória. A tensão no ar era quase palpável.
— Primeiro — disse Camilla, deslizando a mão pelo braço de Julianne, subindo lentamente até o ombro — você vai se concentrar em mim. Em cada palavra, em cada gesto. Não vai pensar em mais nada. Só em mim.
Julianne respirou fundo, tentando controlar a mistura de nervosismo e desejo que crescia dentro dela. — Sim… — murmurou, a voz baixa.
Camilla sorriu, um sorriso que misturava malícia e comando. — Muito bem. Agora, ajoelhe-se.
Julianne hesitou, mas a firmeza do olhar de Camilla e a proximidade do corpo da médica a fizeram ceder imediatamente. O chão de madeira fria contra os joelhos aumentou a sensação de vulnerabilidade, e cada batida do coração parecia ecoar na sala silenciosa.
Camilla circundou Julianne como uma predadora, observando cada reação, cada respiração, cada suspiro contido. — Você gosta de tentar me desafiar, não é? — murmurou, a voz baixa e sedutora. — Mas aqui, agora, quem manda sou eu.
Julianne sentiu o corpo reagir involuntariamente ao toque próximo de Camilla, à respiração quente, ao perfume que a envolvia completamente. — Sim… você… — conseguiu dizer, quase sussurrando, enquanto o olhar da médica a dominava.
Camilla se aproximou ainda mais, deslizando as mãos pelas laterais do corpo de Julianne, guiando-a, mostrando que cada gesto seu seria avaliado e recompensado ou punido. O toque era simultaneamente firme e provocativo, carregado de uma tensão elétrica que deixava Julianne completamente rendida.
— Você está excitada — disse Camilla com um tom de voz que misturava reprovação e malícia — mas isso não é sobre prazer ainda. É sobre aprender que regras existem por um motivo. Que você é minha, e só eu decido quando algo pode ou não acontecer.
Julianne gem*u baixinho, incapaz de controlar a própria reação. — Eu… eu sei… — murmurou, a voz trêmula.
Camilla inclinou-se, passando o rosto ao lado da orelha de Julianne, sussurrando: — E agora, vamos transformar esse erro em uma lição que você jamais esquecerá.
A médica começou então a aplicar a disciplina, mesclando toques provocativos, comandos firmes e olhares penetrantes, cada movimento calculado para aumentar a tensão, o desejo e o controle. Julianne, vulnerável e ao mesmo tempo entregue, sentia a mistura de medo e excitação correndo pelo corpo. O clima entre elas era carregado de uma eletricidade intensa: um jogo de poder, desejo e entrega que nenhuma das duas queria interromper.
— Olhe para mim — ordenou Camilla, e Julianne obedeceu instantaneamente, absorvendo cada palavra, cada gesto. — Isso vai marcar você, Julianne. Cada regra quebrada tem preço. Mas se aprender, será recompensada de maneiras que ainda não imagina.
A noite avançava, e o apartamento parecia desaparecer ao redor delas. Havia apenas Camilla e Julianne, o poder e a entrega, a tensão e o desejo que cresciam a cada instante, deixando claro que aquela disciplina não era apenas correção, mas também uma dança perigosa de sedução, provocação e entrega completa.
Camilla manteve Julianne presa com o olhar, a intensidade da presença quase física. A médica sentiu a própria respiração acelerar, e percebeu que o corpo da acompanhante reagia a cada gesto seu, cada provocação. Mas não havia pressa. O objetivo era o controle, a dominância, e a antecipação que queimava lentamente entre elas.
— Deite-se — ordenou Camilla, com firmeza, apontando para a cama. Julianne obedeceu, sentindo um frio misturado com excitação percorrer o corpo.
Camilla caminhou ao redor dela, lenta, deixando que Julianne acompanhasse cada movimento. O perfume, a postura confiante, os olhos escuros e profundos: tudo contribuía para uma tensão quase palpável. Camilla ajustou a iluminação suave do quarto, criando sombras que acentuavam cada curva, cada gesto, cada sinal de tesão que emanava de Julianne.
— Sabe — começou Camilla, a voz baixa, quase um sussurro — você está completamente à minha mercê, mas não se preocupe… não vamos a lugar algum esta noite. Apenas você e eu, e tudo o que posso fazer é observar, provocar, testar…
Julianne desviou os olhos por um instante, ruborizada, e depois voltou o olhar para a médica, incapaz de resistir à mistura de comando e sedução que transbordava. — E… você… você quer apenas… provocar? — perguntou, com a voz trêmula.
Camilla sorriu, aproximando-se lentamente da cabeceira da cama, deixando a própria excitação visível na calcinha box. Um leve toque no braço de Julianne, um roçar de mãos, mas nada além disso. Cada gesto era calculado para intensificar o desejo sem permitir que ele se concretizasse.
— Exatamente — respondeu Camilla, os olhos brilhando de tesão contido. — Quero que sinta… que sinta tudo. A tensão, o calor, a antecipação… mas não vamos ceder agora. Não ainda.
Julianne respirou fundo, o corpo elétrico, o coração acelerado, mas aprendeu a controlar os impulsos, sabendo que cada provocação de Camilla era um teste. Camilla então se deitou ao lado dela, encostando o corpo suavemente, sem tocar de forma íntima demais, apenas o suficiente para que a presença fosse irresistível.
— Esta noite… vamos apenas dormir juntas — disse Camilla, a voz carregada de desejo contido. — Nada mais. Mas quero que saiba que cada toque meu, cada olhar… é só para você sentir o que poderia acontecer.
Julianne assentiu, incapaz de falar, absorvendo cada centímetro da situação. O calor da proximidade, a respiração misturada, o perfume marcante de Camilla, tudo isso deixava a acompanhante em um estado de tensão deliciosa, sem que houvesse sex*, apenas o erotismo da provocação e da entrega parcial.
A intimidade de Julianne estava encharcando a calcinha. Camilla havia lhe deixado com tesão, e tê-la assim tão próxima, sem poder tocá-la como gostaria era um tormento.
Camilla fechou os olhos por um momento, sentindo a própria excitação, mas manteve o autocontrole. Sabia que podia ceder, que poderia se entregar, mas não queria estragar o jogo de poder que estava criando com Julianne. A sensação de tesão era intensa, visível até no leve arrepio que percorria o corpo da médica, mas o objetivo era dominar, instigar, provocar — e não ceder.
As duas adormeceram naquela tensão silenciosa, lado a lado, cada uma sentindo o calor e a presença da outra, cada toque mínimo deixando marcas de desejo, cada suspiro carregado de antecipação. Nenhuma intimidade sexual aconteceu, mas a noite terminou carregada de erotismo psicológico, provocação e uma química que ninguém poderia ignorar.
O dia seguinte amanheceu devagar. A luz suave da manhã entrou pelas frestas da cortina, dourando o quarto e revelando duas mulheres que, embora ainda distantes em atitudes, estavam mais próximas do que jamais admitiriam em voz alta.
Julianne foi a primeira a abrir os olhos. Sentiu o corpo pesado, mas confortável, como se tivesse descansado de uma forma diferente. Ao virar a cabeça, viu Camilla ainda dormindo, deitada de lado, os cabelos escuros caindo sobre o travesseiro, a respiração calma e ritmada. Por alguns segundos, apenas a observou, quase em transe, fascinada pelo contraste entre a serenidade daquela expressão e a lembrança da tensão da noite anterior.
Camilla, por sua vez, acordou pouco depois, mas não se mexeu de imediato. Permaneceu de olhos fechados, consciente da presença de Julianne, sentindo o perfume discreto que vinha dela e o calor compartilhado. Quando decidiu se mover, abriu os olhos lentamente e a encarou com um pequeno sorriso enviesado.
— Dormiu bem, doutora? — a voz soou rouca, ainda marcada pelo sono, mas carregada de uma provocação velada.
Julianne arqueou uma sobrancelha, tentando esconder o rubor súbito.
— Dormi, sim. Apesar das… circunstâncias. — respondeu, escolhendo as palavras com cuidado.
Camilla riu baixo, um som quase íntimo, e se espreguiçou preguiçosamente, sem pressa, o corpo se movendo com uma naturalidade que deixava Julianne inquieta. Não havia necessidade de toque ou palavras explícitas: cada gesto dela era, por si só, uma forma de domínio.
— Ótimo. — disse apenas, levantando-se da cama com calma. — Tenho compromissos cedo.
Julianne assentiu, também se levantando, mas notou a diferença entre elas. Enquanto ela buscava ajeitar os cabelos e recompor a postura, quase rígida, Camilla parecia à vontade demais, como se a noite anterior tivesse sido apenas mais um capítulo de um jogo do qual ela detinha todas as regras.
- Tomei a liberdade de comprar algumas roupas pra você, pode olhar no closet. – Virou olhando para Julianne enquanto falava – Não se preocupe se quiser deixar roupas suas aqui, quando voltar estarão sempre limpas para usá-la.
Julianne ficou surpresa e caminhou até o closet de Camilla, abrindo o mesmo e se deparando com várias roupas do tamanho que ela usava.
— Creio que acertei seu tamanho. – Questionou Camilla observando Julianne da porta.
— Si...sim, obrigada. – Agradeceu sem jeito
— Lembre-se Julianne, quando for me agradecer por algo, use o senhora.
— Sim senhora. – Respondeu baixinho envergonhada.
—Vá tomar banho, quando você terminar, eu irei.
Julianne concordou e seguiu para o banheiro.
As mulheres fizeram suas higienes e depois foram tomar café.
Na cozinha, o silêncio foi preenchido pelo som do café sendo passado. Camilla se ocupava da cafeteira, movimentando-se com tranquilidade, enquanto Julianne observava em silêncio, apoiada na bancada. Era estranho como até as pequenas rotinas — o café, a água, o abrir de um armário — ganhavam uma camada de tensão quando estavam juntas.
Camilla quebrou o silêncio primeiro, servindo duas xícaras sem sequer perguntar.
— Sem açúcar, certo? — disse, oferecendo uma delas a Julianne.
Julianne aceitou, surpresa por ela ter reparado em um detalhe tão pequeno.
— Certo. — respondeu, tentando manter o tom neutro, mas incapaz de disfarçar a curiosidade. — Prestativa, hoje.
— Apenas atenta. — Camilla retrucou com um sorriso sugestivo, bebendo um gole de café antes de olhar diretamente nos olhos dela. — E você vai perceber que isso pode ser… perigoso.
As palavras ficaram no ar, carregadas de significados.
Pouco depois, cada uma seguiu sua rotina. Camilla deixou Julianne em casa, ela precisava pegar as coisas para ir ao estágio. Já de jaleco, buscava retomar sua seriedade habitual antes de ir para o hospital. Camilla, impecável em sua roupa alinhada, transmitia confiança ao se preparar para seus plantões. Mas, ao cruzarem o olhar antes de se despedirem no carro, elas sabiam que o que acontecera — ou melhor, o que ainda não acontecera — permanecia latejando entre elas, como uma promessa silenciosa que não podia mais ser ignorada.
Camilla havia enfrentado um plantão de quase vinte e quatro horas. Entre um atendimento e outro, aproveitava pequenos intervalos para olhar o celular e responder Julianne. As mensagens eram curtas, mas cheias de significado:
Julianne: “Sobreviva aí, doutora. Quero você inteira quando sair desse hospital.”
Camilla: “Sobrevivendo… só pensando em você. O café aqui não é tão bom quanto seu beijo.”
Julianne, que tinha terminado o estágio mais cedo naquele dia, havia combinado com a irmã Luísa uma ida ao shopping. A caçula precisava de roupas novas para ficar em casa e também passeios, e a acompanhante viu ali a oportunidade perfeita para usar o cartão Black que Camilla a havia presenteado, ainda na noite em que ela assinou o contrato.
No estacionamento, Luísa olhava para a irmã, confusa:
— Ju, você tem certeza de que a gente pode gastar nesse cartão assim… sem limites? — ela franziu a testa, segurando firme a bolsa.
Julianne sorriu com aquela confiança natural.
— Sim, maninha. Foi um presente. Ela disse que é pra gente usar sem preocupação.
Enquanto caminhavam pelas vitrines iluminadas, Luísa hesitou mais uma vez:
— Tá… mas quem é? Você ainda não me contou direito quem é essa pessoa misteriosa.
Julianne suspirou, parando diante de uma vitrine com vestidos.
— Eu tô conhecendo alguém. Uma mulher incrível, diferente de tudo o que já vivi.
— Uma mulher? — Luísa arregalou os olhos, surpresa.
— Sim. — Julianne confirmou sem se abalar. — Forte, segura, e que me trata como ninguém nunca tratou. Foi ela quem me deu o cartão.
Luísa demorou uns segundos, tentando processar, e depois riu baixinho:
— Tá… mas isso é sério, Ju? Não é só mais uma aventura?
— Não dessa vez — Julianne respondeu convicta, ajeitando os cabelos lisos. — Eu sinto que… ela vai ser importante na minha vida.
Dentro das lojas, Luísa se divertia experimentando roupas e sapatos, enquanto Julianne tirava fotos e mandava para Camilla, mesmo sabendo que a médica estava no plantão. Camilla, cansada, mas curiosa, respondia com emojis e comentários rápidos:
Julianne: “Olha essa blusa, Camilla. A Luísa amou, mas eu não sei se combina com ela.”
Camilla: “Combina sim, mas ela vai ficar ainda mais linda se sorrir. Diz pra ela que aproveite, eu quero ver minha cunhadinha feliz.”
Julianne riu ao ler a mensagem e mostrou para a irmã, que ficou vermelha.
— Cunhadinha?! — Luísa escondeu o rosto. — Vocês se conheceram praticamente ontem e ela já tá falando assim?
— É o jeito dela…Camilla e meiga e intenso ao mesmo tempo. — Julianne respondeu, mas no fundo sabia que aquela intensidade também a deixava balançada.
Depois de algumas compras, as duas foram até a praça de alimentação. Enquanto comiam, Julianne contou mais detalhes sobre Camilla — sem entrar em assuntos íntimos, mas deixando claro que se tratava de alguém especial. Luísa, mesmo surpresa, parecia feliz ao ver a irmã tão empolgada.
No final da tarde, já de volta em casa, Julianne recebeu uma ligação de vídeo de Camilla, direto da sala de descanso do hospital. O rosto cansado da médica apareceu na tela, mas os olhos brilhavam.
— E aí, minhas meninas, fizeram a festa no shopping? — ela perguntou com um sorriso cansado, mas sincero.
Luísa apareceu na tela, acenando tímida.
— Oi, Camilla… obrigada pelo presente. Eu nunca tive tanta coisa nova de uma vez.
Camilla sorriu, com ternura.
— Você merece, Luísa. Só quero ver vocês felizes.
Julianne observava a cena em silêncio, e aquilo a derreteu por dentro. Camilla estava conquistando não só a ela, mas também sua irmã — e isso mexia profundamente com seus sentimentos.
Trocaram mais algumas palavras e logo Camilla desligou para poder descansar um pouco e poder voltar depois para o plantão.
Naquela noite, antes de dormir, Julianne ficou rolando na cama, revendo cada detalhe do dia. Percebia que, apesar do contrato, algo muito maior começava a nascer.
Camilla saiu do plantão no dia seguinte, entrou no carro e seguiu para o seu apartamento. Assim que entrou, jogou a bolsa em cima do sofá e seguiu para o quarto, tirou as roupas e foi tomar uma ducha demorada, depois de sair, se jogou na cama sem roupa e adormeceu.
Enquanto isso, Julianne acordava junto com a irmã. As duas tomaram café apressadas, já que Luísa tinha prova naquele dia e não queria se atrasar. A acompanhante deixou a caçula na escola e seguiu direto para a faculdade.
No caminho, parou no semáforo e aproveitou para mandar uma mensagem para Camilla: “Oi Cah, tudo bem? Estou com saudade.”
Esperou alguns minutos, mas não teve resposta. Suspirou, guardou o celular e seguiu.
Durante a manhã, Julianne tentou se concentrar nas aulas, mas sua mente escapava constantemente para a noite anterior, para o olhar da médica, para o calor da pele dela. A lembrança a deixava inquieta, como se o corpo pedisse por mais.
Na hora do almoço, resolveu tentar de novo: “Imagino que esteja cansada… descansa, senhora.”
Mas novamente, nenhum retorno.
Camilla dormia profundamente, exausta, enquanto o celular vibrava em silêncio em cima da cômoda.
À tarde, Julianne seguiu para o estágio. Manteve a postura profissional, mas por dentro estava dividida entre a preocupação e a ansiedade. Não queria ser invasiva, mas também não suportava o vazio da ausência de resposta.
No fim do dia, foi buscar Luísa na escola. A irmã entrou no carro animada, falando sobre a prova e sobre uma amiga que estava organizando uma festa de aniversário.
— Você vai comigo, né, Ju? — perguntou a adolescente, já planejando tudo.
— Festa? Quando?
— Sexta-feira. Vai ser na casa da Ana. Todo mundo vai.
Julianne sorriu, balançando a cabeça.
— Vou pensar, Lu. Tenho muita coisa pra resolver…
— Anda, Ju! — insistiu a irmã, com aquele jeito típico de quem não aceitava um não como resposta. — Você nunca sai comigo a noite, só vive pra faculdade, pro estágio e para o seu trabalho noturno. Uma noite não vai te matar.
Julianne apenas riu, mas ficou em silêncio. Precisava falar com Camilla antes.
De volta em casa, ajudou Luísa com alguns exercícios de matemática, fez o jantar simples e jantaram juntas. Depois, a irmã foi para o quarto ouvir música e conversar com as amigas pelo celular, enquanto Julianne se jogou no sofá, o telefone na mão.
Abriu o aplicativo de mensagens mais uma vez. Nenhuma notificação. Nenhum sinal de Camilla.
Suspirou fundo, apoiando a cabeça no encosto.
— Será que estou me apegando demais? — murmurou sozinha.
A madrugada caiu, e em algum momento, exausta, acabou adormecendo ali mesmo no sofá.
Do outro lado da cidade, Camilla finalmente se mexeu na cama, abrindo lentamente os olhos. O relógio marcava quase três da manhã. Espreguiçou-se, ainda sonolenta, e só então notou as mensagens não lidas no celular.
Ao ver o nome de Julianne, um sorriso preguiçoso surgiu em seus lábios.
Ela digitou rapidamente:
Perdão, meu anjo… estava morta de cansaço. Prometo compensar você. Amanhã eu te vejo.
A mensagem foi enviada, mas Julianne já dormia profundamente.
Julianne acordou no outro dia com o sol entrando pelas frestas da persiana. Antes de se levantar, abriu o celular e viu a mensagem de Camilla da noite anterior. Sorriu, deslizando o dedo para digitar:
“Bom dia, doutora. Espero que tenha dormido bem.”
Do outro lado da cidade, Camilla já havia acordado, tomado um banho demorado e se arrumado com cuidado para ir ao hospital. Naquele dia, não atenderia pacientes, apenas revisaria algumas situações administrativas e cuidaria de detalhes da gestão do hospital.
Enquanto tomava café, recebeu uma nova mensagem de Julianne:
“Você vai precisar de mim sexta à noite? Vou sair com a Luísa e queria saber se tudo bem pra você?”
Camilla sorriu e respondeu:
“Pode ir sim, Ju. Só me avise quando chegar, que vou buscá-la em casa e você pode ficar comigo o final de semana todo. Não precisa se preocupar com a Luísa, deixarei um segurança e uma empregada para dar suporte no que precisar.”
Julianne sentiu uma pontada de alegria ao ler a resposta, digitando de volta:
“Perfeito. Vou avisar certinho então. E que tal um almoço hoje? Posso te ver um pouco antes do meu dia acabar.”
“Vamos sim. Podemos nos encontrar no Spot.”
Julianne se levantou, vestiu-se rapidamente e levou Luísa para o colégio. Durante o caminho ela informou a irmã que iria lhe acompanhar na festa de sexta e depois que chegasse iria lhe deixar com uma empregada e segurança que Camilla iria contratar. E que qualquer coisa que acontecesse ela poderia ligar a qualquer hora do dia ou noite. Depois de deixá-la na escola, seguiu para a faculdade, concentrando-se nas aulas e no estágio, mas com a mente inquieta pensando no encontro que teria com Camilla.
Quando a aula na faculdade acabou, Julianne se dirigiu ao restaurante combinado, exalava delicadeza e modernidade em cada detalhe de seu visual vestia uma calça branca de cintura alta, que se ajustava ao corpo com perfeição, destacando sua silhueta esguia de forma elegante.
Na parte de cima, uma blusa de alças finas em cetim rosé caía suavemente sobre sua pele, trazendo um contraste suave e romântico com a calça clara. Nos pés, sandálias de salto fino com tiras delicadas envolviam seus tornozelos, acrescentando um toque sensual e feminino ao caminhar. Carregava uma bolsa estruturada em tom off-white, com alça de corrente dourada, que equilibrava o look entre o casual refinado e o elegante. Os cabelos longos e lisos, perfeitamente alinhados, caíam emoldurando seu rosto com naturalidade, enquanto os acessórios discretos deixavam transparecer que sua beleza não precisava de exageros para se destacar.
Pouco depois, Camilla chegou, elegante como sempre, com um sorriso discreto ao avistar Julianne, ela estava vestida um conjunto em tom nude, composto por um blazer estruturado de botões dourados e uma calça de alfaiataria de caimento perfeito, realçava sua postura confiante e refinada. Sob o blazer, a renda delicada do body em branco quebrava a formalidade, trazendo sensualidade na medida certa, como um segredo revelado apenas a quem ousasse olhar com mais atenção. Nos pés, o salto alto alongava ainda mais sua silhueta, reforçando sua imponência. Seus cabelos soltos, levemente ondulados, emolduravam o rosto com um brilho natural que completava a aura de poder e charme. Elas se cumprimentaram com um abraço caloroso e se sentaram, pedindo algumas entradas e bebidas.
O ambiente do restaurante Spot estava cheio, mas acolhedor. O movimento dos garçons, o som baixo das conversas e o cheiro delicioso de pratos saindo da cozinha criavam uma atmosfera perfeita. Camilla ajeitou-se na cadeira, de frente para Julianne, o olhar firme e penetrante.
Camilla falou com voz baixa, porém firme
— Quero que coma devagar hoje, meu bem. Vai provar cada sabor e me mostrar que sabe obedecer.
Julianne sorriu tímida, mas aquele arrepio subiu pela espinha. O garçom chegou, e Camilla segurou o cardápio antes que Julianne o tocasse.
Camilla continuou falando
— Hoje, eu escolho por você. Confia em mim?
— Sim, senhora... - Julianne com as bochechas coradas, quase sussurrando.
Camilla adorou ouvir aquilo em público, mesmo em tom discreto. Olhando o cardápio, decidiu rapidamente.
— Vamos começar com a salada de pupunha com molho de mostarda e mel. Você vai experimentar e mastigar devagar, quero observar cada reação sua ao sabor.
Julianne mordeu o lábio, tentando conter o rubor no rosto. Camilla estendeu a mão por baixo da mesa, tocando a coxa dela com firmeza, apenas o suficiente para lembrar quem comandava ali.
— Cada garfada que você der será como se estivesse me provando. Quero que imagine minha pele em sua língua quando o molho tocar sua boca. - Camilla se inclinou e sussurrou ao ouvido da acompanhante
Julianne quase gem*u, mas se conteve, apertando os dedos contra a perna.
Quando os pratos chegaram, Camilla serviu Julianne, delicada, mas controladora. Levou um garfo até os lábios dela, como quem alimenta uma submissa com cuidado.
— Abre. Isso... boa menina. – Camilla ordenou.
Julianne abriu a boca, e ao mastigar lentamente, fechou os olhos, deixando o sabor invadir sua boca.
Julianne respirando fundo
— É delicioso...
— Continue. Quero ver você se deliciar com tudo que eu escolher.
O prato principal foi o penne ao molho de tomate fresco com manjericão e burrata cremosa. Camilla fez questão de partir a burrata lentamente, deixando o creme escorrer pelo garfo antes de oferecer a Julianne.
— Olha como escorre... quero que lamba com calma.
Julianne passou a língua pelo garfo como se fosse um ritual secreto, e Camilla a olhou com aquele brilho dominador.
— Está me fazendo enlouquecer... - Julianne sussurrou, provocando.
Camilla passou o polegar pelos lábios dela para limpar um resquício de queijo
— Ainda é só o começo.
O almoço seguiu entre mordidas e olhares intensos, cada detalhe transformado por Camilla em um jogo erótico e psicológico. Ao pedir a sobremesa, Camilla decidiu bolo de chocolate belga com calda quente.
Ela pegou uma colherada e, em vez de oferecer logo, deixou a calda escorrer de leve sobre o dedo antes de aproximar dos lábios de Julianne.
Camilla falou em tom firme
— Ch*pa.
Julianne obedeceu, sugando o dedo dela discretamente, com os olhos fechados, o sabor do chocolate misturando-se com a sensação de submissão que a dominava.
Camilla sorriu satisfeita, limpou a boca de Julianne com um guardanapo e a acariciou no rosto, como quem recompensa uma boa submissa.
Camilla em tom suave, mas cheio de autoridade
— Boa menina...
O olhar de Julianne brilhava de desejo, perdida entre a comida, a provocação e o controle de Camilla.
Camilla pegou a primeira colher com o pedaço de bolo de chocolate, levando até a boca de Julianne. — Abra… devagar. Quero ver você provar como se fosse meu presente.
Julianne obedeceu, saboreando lentamente, enquanto os olhos fixos de Camilla a observavam com desejo controlado.
Depois de alguns instantes de silêncio e olhares carregados, Camilla respirou fundo e tomou a mão de Julianne sobre a mesa. O tom de voz mudou, tornando-se mais suave.
— Agora minha menina precisa ir para casa… descansar. — Ela acariciou os dedos dela, firme, mas cuidadosa. — E eu… tenho que seguir para o hospital. Me esperam lá.
Julianne pareceu decepcionada, mas também compreensiva. — Eu queria que você viesse comigo…
Camilla ergueu o rosto dela com um toque sutil no queixo. — E eu vou… aqui. — Pressionou o indicador contra o peito dela, bem sobre o coração. — Você vai me sentir com você. Quero que se lembre dessa almoço, dessa mesa, de cada ordem e de cada cuidado… até a próxima vez que nos encontrarmos novamente.
Julianne sorriu, um sorriso tímido, mas cheio de desejo represado.
Camilla chamou o garçom, pagou a conta sem deixar que Julianne sequer tocasse na carteira, e levantou-se primeiro, oferecendo a mão como quem conduz uma princesa.
Na porta do restaurante, antes de saírem, Camilla encostou-se levemente à orelha dela e sussurrou:
— Quando chegar em casa… quero que pense em mim. Só em mim. E obedeça.
Deu-lhe um beijo lento no canto da boca, deixando Julianne em transe, antes de se afastar, pegando a chave do carro e entrando em sua BMW e partindo para o hospital.
Julianne permanecia parada, ainda sentindo o eco do toque, da voz e do controle invisível que a mantinha completamente dominada.
Camilla estacionou a BMW em frente ao hospital, respirando fundo antes de sair do carro. A adrenalina e a tensão do almoço com Julianne ainda percorriam suas veias, mas agora precisaria se concentrar em outro tipo de controle: o profissional.
Enquanto caminhava pelo corredor iluminado do hospital, a médica ajustava o jaleco e respirava de forma controlada. Cada passo, cada gesto precisava ser firme e preciso. O plantão administrativo exigia sua atenção, e Camilla entrou na sala de reuniões com a postura impecável, cumprimentando colegas com cortesia, mas com aquela autoridade natural que sempre comandava o ambiente.
Sentou-se à mesa, revisou relatórios e começou a atender ligações, cada detalhe administrativo absorvendo sua mente, como se a intensidade sensual do restaurante tivesse sido engarrafada e colocada de lado — pelo menos por algumas horas. Ainda assim, entre cada tarefa, sua mente se lembrava de Julianne, dos olhares e dos toques, arrancando pequenos sorrisos involuntários que ela rapidamente disfarçava.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Julianne chegava em casa. A porta se abriu e sua irmã, Luísa, já a esperava na sala, com o uniforme escolar impecável e um livro aberto no colo.
— Oi, mana! — Luísa disse, animada. — Como foi a faculdade hoje?
Julianne sorriu, entrando no apartamento e fechando a porta com cuidado. — Foi tudo bem… mas você parece animada. Aconteceu algo interessante?
— Ah, nada demais! — respondeu Luísa, mas o brilho nos olhos denunciava a curiosidade adolescente. — Só estava lendo um capítulo que adorei…
Julianne se aproximou do sofá, colocando a bolsa no chão e tirando os sapatos. — Que bom que gostou. — Ela se sentou ao lado da irmã, mas a cabeça e o coração ainda estavam parcialmente no restaurante, imaginando Camilla, suas ordens sutis, o toque intenso e a sensação de controle absoluto.
Luísa percebeu o leve sorriso de Julianne e comentou: — Você está estranha hoje, mana… mas parece feliz.
Julianne apenas riu baixo, desviando o olhar para a janela. — Só estou pensando em algumas coisas… — disse, mantendo a voz calma, mas deixando que o mistério pairasse no ar.
O contraste era evidente: a Camilla dominadora, intensa e provocante ainda existia na mente de Julianne, mas ali, na sala de sua casa, ela precisava assumir a faceta de irmã, estudante e responsável. Um jogo de máscaras e autocontrole que a fazia ainda mais fascinada por tudo que havia vivido com Camilla, e ao mesmo tempo, ansiando pelo próximo encontro.
Por volta das 22 horas, Camilla finalmente deixou o hospital. O plantão havia sido exaustivo, e cada músculo do seu corpo pedia uma pausa, uma massagem relaxante que aliviasse a tensão acumulada. Enquanto caminhava pelo estacionamento, a mente de Camilla inevitavelmente voltou-se para Julianne. Pensou em como a acompanhante poderia ser útil naquele momento não apenas como companhia, mas como alguém capaz de atender aos seus desejos de forma única.
Fim do capítulo
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