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Diamantora por AlphaCancri

Ver comentários: 1

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Palavras: 1965
Acessos: 95   |  Postado em: 09/04/2026

CAPÍTULO XXI

— O que você pretende fazer com as mulheres?

Em pé, frente à janela do quarto que sempre foi seu, Maia se virou para olhar Zahra:

— Ainda não sei. Decretar a morte de Luísa pode desencadear uma guerra com Ótice. 

Virou novamente de costas ao completar:

— Os guardas dela não estavam em grande número aqui em Diamantora. Mas ela tem um exército em Ótice. 

Zahra se aproximou e a abraçou por trás:

— E as outras?

Maia suspirou e só depois falou:

— Não vou decretar a morte de uma mulher grávida. E Chiara… nós crescemos juntas… não sei se eu consigo… 

Zahra acenou em concordância, acariciando os braços dela enlaçados nos seus:

— Deixe-as como prisioneiras. Você tem tempo para decidir o que fazer. 

Depois beijou o pescoço de Maia:

— Sabe que você me deixou bastante… instigada… falando daquele jeito, dando ordens, sendo superior a todos aqueles homens… 

Ela se virou de frente e deu um leve sorriso, segurando o pescoço de Zahra, como se fosse enforcá-la, mas sem fazer muita pressão:

— Então você gosta de mulheres que dão ordens? 

Zahra assentiu com a cabeça, com um sorriso nada inocente. Maia encostou os lábios nos dela enquanto falava:

— Eu posso te dar muitas ordens que terá que obedecer…

Zahra suspirou por um segundo e quando foi responder, foram interrompidas por batidas na porta. Se afastaram no momento em que o Comandante Magno entrou:

— Majestade. 

Ele fez a reverência e continuou:

— É só dar a ordem que começamos as execuções. 

Mas Maia precisava fazer outra coisa antes: 

— Ainda não. Vou falar com cada um primeiro. Quero ouvir da boca deles tudo o que planejaram, desde o começo. 

 

Entrou no calabouço com o Comandante Magno, Zahra e mais cinco guardas. Parou frente à cela em que estavam Milo, Martín, Oton e outros guardas de Luísa. Assim que a viram, cada um teve uma reação. Milo se manteve sentado, inexpressivo. Martín ajeitou o corpo, visivelmente desconfortável. Oton se jogou contra a grade:

— Maia, por favor! Eu faço o que você quiser! O que você quiser! Eu consumo nosso casamento, vamos ter filhos, vamos ser felizes… por favor! Por favor! Você pode comandar, eu fico apenas como seu esposo. Serei o melhor esposo de todo o reino, eu te prometo. Vou fazer tudo que você quiser…  

Magno bateu na grade e gritou:

— Calado!

Fazendo Oton se assustar e recuar. 

Só então Maia se aproximou um pouco mais. Surpreendendo a todos, ela começou a rir. Riu por longos segundos, parecendo realmente estar se divertindo. Depois falou:

— Assim você está me dando mais motivos para te matar. 

Depois olhou para Milo:

— A execução de vocês será em dois dias. E estou sendo muito benevolente. Deveria fazer você sofrer muito, Milo. Teve coragem de trair seu próprio rei. Meu pai te considerava um amigo. 

A voz dele continuava irritantemente serena:

— Majestade. Uma pena que tenha acreditado em tudo que esse homem lhe disse. E que todos os anos de lealdade que dediquei a este reino não tenham valido de nada. 

Maia vociferou na direção dele:

— Você deveria ter vergonha de dizer uma coisa dessas. Acha que eu esqueci como me tratou depois do meu casamento? Que esqueci quem estava com Oton quando me jogaram naquele rio? Pensa que acredito que foi uma coincidência terrível meu pai ter morrido pouco tempo depois de eu ter me casado? 

Ele se manteve quieto, mas olhando Maia nos olhos, que continuou: 

— Quero saber uma coisa. De quem foi a ideia? Sua? Ou de Luísa? 

Maia deu três passos e parou na cela ao lado, onde estavam as mulheres, que ouviam tudo o que era dito. 

 — E então, Luísa? Quem foi a cabeça por trás disso tudo? Você? 

A rainha levantou os olhos e a olhou, mas se manteve calada. 

Maia sorriu:

— Já imaginava que covardes como vocês não assumiriam a culpa. Vermes da pior espécie. 

Cuspiu no chão e então se virou para Olga:

— Você vai embora deste castelo. Sinto muito por seu filho nascer sem pai. Na verdade… é melhor do que ter que dizer que o pai é um fracalhão. 

Olga se levantou e se aproximou:

— Obrigada por sua benevolência, Majestade. 

A expressão de Maia se manteve fechada:

— Não é benevolência. Você não fez nada contra mim. Pelo contrário, se você não existisse, talvez eu nunca tivesse saído deste castelo e me transformado na pessoa que sou hoje. 

A olhou nos olhos e disse lentamente:

— Mas não faça eu me arrepender disto. Porque não terei pena nem de você nem dessa criança. 

Ouviram, na cela ao lado, Oton começar a chorar e gritar repetidamente que não queria morrer. Um dos guardas bateu contra as grades e mandou que ele se calasse.

Quando o choro dele ficou mais baixo, Maia finalmente olhou para Chiara: 

— Luísa me trair, eu entendo, ela nunca foi nada para mim… mas você… você era minha melhor amiga. 

Chiara, que estava de pé em um canto da cela, se aproximou:

— Maia… eu não sabia de nada disso… eu jamais faria algo contra você… eu achei, esse tempo todo… eu achei que você estava morta… 

Maia não se afastou, fechou a mão direita com força ao redor da grade que as dividia:

— Foi você quem me levou para aquele bosque…

Chiara estava desesperada:

— Eu não sabia! Eu jamais imaginei que Estefan…

O grito de Maia a assustou:

— Estefan não existe! 

Mas Chiara logo se recuperou:

— Maia, por favor, você tem que acreditar em mim… eu quase enlouqueci quando disseram que você estava morta… Eu sofri tanto… 

Maia riu na cara dela e aproximou ainda mais o rosto da grade:

— Estou vendo o quanto deve ter sido difícil para você... Criada pessoal da mulher que tentou me matar… 

O rosto de Chiara já estava molhado pelas lágrimas. Ela disse em um sussurro:

— Eu não sabia… 

Maia não fez questão de abaixar a voz quando concluiu, antes de se virar e sair:

— E sabe-se mais o quê você não faz nos aposentos dela. Especialmente na cama. 

*****

Chiara estava sentada no fundo da cela, afastada das outras duas mulheres. Não conseguia sequer olhar para Luísa. Se sentia mais do que traída, usada da pior forma possível. Luísa sabia de tudo, por todo aquele tempo. A rainha até tinha tentado conversar assim que foram colocadas ali:

— Chiara, eu juro que não sabia que eles queriam matá-la…

Mas se manteve firme e não a olhou:

— Não fale comigo. 

— Eu sei que eu errei… Eu assumo que trouxe Oton para conseguir o casamento, mas eu nunca pretendi matar Maia… Nunca quis fazer mal nenhum a ela…

Chiara colocou as duas mãos nos ouvidos e gritou:

— Eu não quero ouvir! Não fale comigo! 

Fazendo Luísa desistir e também se sentar em um canto. As três mulheres ficaram num silêncio absoluto, interrompido apenas quando Oton chorava ou gritava alguma coisa na cela ao lado. 

Até que ouviram a voz de Maia. Chiara se levantou imediatamente, mas se manteve no fundo da cela, ouvindo tudo que ela falava. Precisava conversar com Maia. Ela não podia acreditar que em algum momento Chiara também tinha se envolvido naquela trama terrível. Como ela poderia pensar que fosse capaz de lhe fazer algum mal?

Quando Maia, enfim, a olhou, Chiara viu nos olhos dela como estava magoada. Machucada.

Precisava mostrar que não era nada daquilo que ela estava imaginando. O desespero fez com que se embolasse nas palavras, as frases eram mal formuladas, não conseguiu dizer tudo que gostaria. E para piorar, de alguma forma, Maia sabia que ela e Luísa tinham uma relação íntima. 

Quando ela saiu, Chiara se deixou cair no chão gelado. Chorou compulsivamente, soluços sacudiram seu corpo. Sentiu uma mão em seu ombro e, quando se virou e viu que era Luísa, se afastou com um safanão, ficando de pé imediatamente:

— Não encoste em mim. Eu tenho nojo de você… 

Passou a noite toda em claro, sem conseguir sequer fechar os olhos. Guardas trouxeram água e restos de comida. Deu apenas algumas goladas na caneca, mas nem olhou para o alimento. 

Dentro do calabouço não entrava luz externa, só sabiam se era dia ou noite pelo movimento dos guardas. O que não fazia a menor diferença para Chiara. Estava envolta numa nuvem escura que a fazia ficar indiferente a tudo e todos. O pensamento era apenas em Maia. Já não se importava se também fosse condenada à morte, mas não queria morrer sem antes fazê-la acreditar que não participou da tentativa de assassiná-la. 

Sentiu algo cutucar seu braço e olhou para Olga, agachada perto dela:

— Ele está te chamando. 

Piscou algumas vezes antes de perguntar:

— Quem?

Olga apontou para a parede que dividia as celas:

— Milo. 

Não tinha ouvido nada. Olhou de relance para Luísa que fez um sinal negativo e conseguiu ler os lábios dela que se moveram sem nenhum som:

“Não vá.”

Aquilo teve o efeito inverso. Chiara se levantou e se aproximou do canto da grade. Não podia ver os prisioneiros do outro lado, mas podia ouvi-los perfeitamente. 

— Quem me chamou?

Ouviu um pequeno barulho de passos e depois a voz dele:

— Sou eu. Milo. Gostaria de lhe falar um instante. 

— Estou ouvindo. 

Ele ficou em silêncio por longos segundos — fazendo Chiara se questionar se tinha sido ouvida — antes de dizer:

— Sei que não é a melhor hora. Nem a melhor forma… 

Ela ficou em silêncio, se perguntando o que aquele homem que conhecia desde sempre, mas nunca tinha lhe dirigido a palavra, queria dizer num momento como aquele. 

— Mas estamos sem tempo, então preciso te dizer… 

Mais um instante de silêncio se fez. E ele enfim completou:

— Você é minha filha. 

*****

Maia entrou de novo naquele calabouço, dessa vez acompanhada por Zahra e Martelo, além de guardas da realeza. 

Olhou para os homens e ordenou: 

— Leve os dois. 

Oton imediatamente começou a gritar e se debater nos braços dos guardas, enquanto Milo se manteve em silêncio até o tirarem da cela. 

Pela primeira vez em sua vida, Maia ouviu a voz dele levemente alterada. Um pouco mais alta. Muito mais vacilante:

— Majestade, por favor, Chiara tem uma coisa para dizer. É importante. 

O nome da ex-amiga fez Maia levantar uma das mãos, fazendo os guardas pararem. Andou até a cela onde estavam as mulheres e perguntou diretamente para ela:

— Você quer me dizer alguma coisa, Chiara?

Ela se aproximou da grade e viu Milo preso nas mãos dos guardas.

Ele suplicou:

— Por favor. 

Chiara voltou seu olhar para Maia:

— Não tenho nada a dizer, Majestade. 

Milo arregalou os olhos e se desesperou:

— Ela é minha filha! Chiara é minha filha! 

Completamente surpresa, Maia encarou Chiara:

— Isso é verdade? 

— Não sei. Minha mãe nunca me disse nada…

Maia pareceu hesitante. Chiara observou a feição dela suavizar, e vislumbrou por um instante a Maia que conhecia:

— Você acha que pode ser verdade? 

A receptividade de Maia, a suavidade na voz, o olhar preocupado, aqueceram o coração de Chiara e um sorriso quase surgiu nos seus lábios ao responder:

— Pode ser, como pode não ser. 

E então Maia endureceu novamente:

— Sinto muito por você ter descoberto isso. Era melhor morrer sem saber quem é seu pai. 

Depois olhou para Milo:

— Isso não muda nada. Você matou o seu rei. E vai pagar com sua vida. 

Antes que pudesse se afastar, Chiara esticou o braço entre as grades e segurou o braço de Maia:

— Mesmo se ele estiver falando a verdade… esse homem nunca foi realmente meu pai.

 

Fim do capítulo


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Comentários para 21 - CAPÍTULO XXI:
HelOliveira
HelOliveira

Em: 09/04/2026

Gente que peninha da Chiara....e pra piorar ainda descobre um pai lixo


AlphaCancri

AlphaCancri Em: 16/04/2026 Autora da história
Chiara levando uma atrás da outra né rsrs
Mas no lugar de Maia eu também teria dificuldade em acreditar em qualquer pessoa, depois de tudo que aconteceu


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