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Diamantora por AlphaCancri

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Palavras: 2675
Acessos: 84   |  Postado em: 02/04/2026

CAPÍTULO XX

— Onde é que você esteve todo esse tempo?

Antes que Oton tivesse a chance de responder, Milo apareceu na porta:

— Majestade!

Fez a reverência antes de continuar:

— Fico muito feliz em vê-lo bem. 

Oton agradeceu rapidamente e disse — sentindo a proximidade de Martelo ao seu lado:

— Acredito que todos os Lordes já estejam aqui. Vamos ao salão… meu assunto tem urgência.  

Luísa não se mexeu:

— Quem são esses?

Apertou os olhos para examiná-lo melhor:

— O que aconteceu com sua orelha?

Oton sorriu e apontou para os homens:

— Esses? São meus amigos. 

Ignorou a segunda pergunta e voltou a andar, mas novamente foi impedido, agora por Milo:

— Majestade, não é melhor conversar a sós com seus conselheiros primeiro?

Rino soltou um longo suspiro, fazendo Oton acelerar:

— Não há necessidade. Milo, conduza todos os Lordes para o Salão do Trono… agora. E faça com que todos os criados também estejam lá, sem exceção.

O homem hesitou, mas acabou obedecendo. Luísa olhou acima dos ombros de Oton e viu um pequeno amontoado de homens, alguns com capas e capuzes. Quando Oton fez um sinal para que eles entrassem no castelo, Luísa segurou seu braço:

— Você vai deixar pessoas armadas entrarem? O que é isso? Você está sendo ameaçado? Eles querem moedas? Ouro?

Um pequeno objeto pontudo fez pressão em suas costas e Oton respondeu em alto e bom som, depois de engolir em seco:

— O que é isso, Luísa? São meus amigos! Vamos! Você também precisa participar dessa reunião. 

 O comandante da Guarda Real se apresentou:

— Majestade, acho prudente meus homens recolherem todas as armas dos… seus amigos. 

Oton olhou para ele ao responder:

— Estou dizendo que não há necessidade. Todos para o Salão do Trono agora. É uma ordem. 

Oton se virou e começou a andar, seguido de perto por Rino e Martelo e com o restante um pouco mais atrás. Luísa andou ao lado dele até um certo ponto. Depois ficou em um canto, observando aqueles homens estranhos entrarem no Castelo. Quando achou Martín, que estava tão receoso quanto ela, sussurrou para ele:

— Traga nossos homens para perto. Tem alguma coisa muito errada nesta história. 

Quando enfim entrou no salão do trono, os Lordes já estavam acomodados. Os criados entravam com as cabeças baixas, provavelmente imaginando algo de ruim, já que nunca eram convocados daquela forma. Ficaram todos em pé atrás das cadeiras ocupadas pelos lordes e conselheiros. 

 Oton estava de pé em frente ao trono, e os homens que ele chamou de amigos estavam ao seu redor, todos com as espadas visíveis no coldre. Deu ordens claras para que os Guardas Reais ficassem embaixo, nenhum deles subiu as escadas que levavam ao trono.  

Um homem se aproximou e sussurrou algo para que apenas Oton ouvisse. Ele então perguntou para a multidão:

— Todos os Lordes estão presentes?

Os Lordes que esperavam sem entender o que estava acontecendo se entreolharam e um deles confirmou.

— O comandante da Guarda Real?

O homem forte, com uma armadura que trazia uma longa capa, se adiantou. 

— Ótimo.

Oton olhou pelo grande salão e foi dizendo os nomes, enquanto os  encontrava:

— Milo… Olga… Luísa… Martín…

Continuou procurando sem encontrar:

— O maestre. Onde está o maestre do reino?

Um senhor de cabelos e barba brancos, vestido numa túnica cinza, se aproximou:

— Aqui, Majestade. 

Oton olhou para o homem ao seu lado e disse:

— Acho que podemos começar. 

Um dos encapuzados se aproximou e, de costas para todas as pessoas, falou mais alguma coisa no ouvido de Oton, que perguntou em voz alta: 

— Chiara. A criada, onde está?

Luísa quase se desesperou. Por que Chiara? Nominalmente Chiara. Se adiantou tentando não demonstrar qualquer emoção:

— É minha criada pessoal. Está ocupada nesse momento. 

O encapuzado que continuava de costas voltou a segredar algo para Oton, que disse:

— Ela precisa estar aqui. 

Ele falou para um dos guardas:

— Traga-a imediatamente. 

Assim que o homem saiu, um dos Lordes perguntou:

— Pode nos adiantar o que está acontecendo, Majestade? 

Naquele momento Oton pareceu nervoso. Inquieto. 

— Já irão descobrir. 

Virou-se de costas e conversou baixo com o encapuzado. A desconfiança pairava sobre todos naquele salão. Os guardas mantinham as mãos nos cabos das espadas, como se fossem precisar usá-las a qualquer momento. 

O guarda não demorou a voltar com Chiara. Oton se mexeu nervosamente, se aproximou do encapuzado e disse algo baixo. Só depois se voltou para a multidão: 

— Convidei todos aqui porque… uma pessoa queria lhes falar. 

Luísa se aproximou um pouco e apertou os olhos ao perceber que era do encapuzado que Oton falava. O pequeno homem se virou de frente, de cabeça baixa, e depois, em um movimento lento, tirou o capuz. 

Não era um homem. Era uma mulher. Maia. 

*****

Maia ouviu o som uníssono que reboou pelo salão. Misto de incredulidade e espanto. Olhou para a cara daquelas pessoas que pensou que nunca mais veria. Rino e Martelo se colocaram na frente da pequena escada que levava ao trono, assim como os outros homens se posicionaram ao redor. Zahra também tirou o capuz e se pôs ao lado dela. Gualter e Ramon seguraram Oton pelos braços, com uma espada em seu pescoço. 

Os guardas reais se aproximaram e desembanharam as espadas. Maia olhou para Oton que imediatamente gritou:

— Parem aí! Não avancem. Ainda não. 

O comandante ergueu a mão e os homens pararam, mas em total posição de ataque. A tensão era palpável no ar. 

Maia deu um passo à frente:

— Um prazer revê-los.

O salão agora era um completo silêncio. Um silêncio ensurdecedor. A voz de Maia formava um eco: 

— Precisava de todos reunidos aqui para que não haja nenhum mal entendido. Eu estou viva. E como única herdeira legítima, estou reivindicando o trono de Diamantora.

Fez uma pausa e depois completou:

— Alguém tem alguma objeção?

Milo foi o primeiro a se aproximar das escadas:

— Majestade… estamos todos absurdamente surpresos… e contentes… com sua volta. Não entendo a necessidade disto. Você é a rainha de Diamantora. E seu marido é o rei. O casamento contraído com a duquesa Olga está anulado com sua presença. Tudo volta a ser como era antes. Vossa Majestade poderia ter entrado no castelo sem tudo isto…

Maia olhou para ele, parado no pé da escada. Uma corrente de homens armados os separava:

— Você não entendeu, Milo. Eu estou reivindicando o trono. 

Apontou para Oton:

— Esse homem não é o rei de Diamantora. 

Milo continuou com a voz comedida:

— Com todo respeito, Vossa Majestade perdeu a legitimidade ao se casar. Imediatamente seu marido passou a ser o sucessor do trono. 

Maia deu alguns passos para o lado, para se aproximar de Oton:

— Acontece, Milo… que este homem não é quem ele diz ser…

Com um golpe rápido e certeiro, Maia chutou a parte de trás do joelho de Oton o fazendo se ajoelhar.

— Diga para eles qual é o seu nome. 

Oton balbuciou alguma coisa inaudível. Maia imediatamente agarrou seus cabelos e levantou sua cabeça. Depois tirou o punhal da cintura e colocou contra a garganta dele:

— Diga o seu verdadeiro nome.

Como Oton ainda hesitou, ela apertou a lâmina contra seu pescoço, fazendo um filete de sangue escorrer.

Oton começou a chorar e falou entre suspiros:

— Meu nome é Oton… Oton Sias.

A multidão se agitou por um instante. Pessoas se entreolharam, sussurraram, formando um vozerio ininteligível, até Maia levantar a mão e todos se calarem. Ela olhou para os Lordes, que agora estavam de pé, mas fez a pergunta para Oton:

— Você algum dia foi um duque de verdade?

 Ele respondeu quase engasgado:

— Não. 

Maia procurou o olhar de Luísa e foi olhando para ela que fez a pergunta seguinte:

— Você tem algum tipo de parentesco com a rainha de Ótice?

Mais uma vez Oton balbuciou: 

— Não. 

Todos os olhares se voltaram para Luísa. Ela estava lívida, sem reação, mas manteve os olhos em Maia. 

Numa atitude visivelmente desesperada, se aproximou das escadas: 

— Mesmo que isso seja verdade…

Depois se virou para os Lordes:

— Um casamento foi realizado… É um pacto de sangue… não pode ser desfeito. A partir do momento em que aquele homem se uniu a esta mulher, ele se tornou o herdeiro legítimo do Trono. 

Maia desceu as escadas até o último degrau, sem pressa alguma, saboreando cada segundo. O momento que imaginou durante todos os dias desde que decidiu voltar para Diamantora. Quando ficou frente a frente com Luísa, disse:

— Acontece, Majestade, que este casamento nunca foi consumado. 

Depois olhou para a multidão no salão e disse mais alto:

— Este homem nunca se tornou meu esposo de verdade… Por isso eu exijo que o Trono volte para quem pertence por direito, assim que o maestre atestar que ainda sou virgem. 

*****

Chiara estava na janela do aposento de Luísa, tentando entender alguma coisa do vai e vem de pessoas, quando um dos guardas a chamou:

— Sua presença está sendo solicitada no salão do trono. 

Andou até lá escoltada, tentando imaginar o motivo de precisarem de uma criada. Assim que entrou, todos os olhares se voltaram para ela. Viu Luísa do outro lado do salão, mas não seria possível chegar até ela naquele momento. 

Ainda estava tentando entender o que estava acontecendo quando uma pessoa encapuzada se colocou na frente do rei Estefan. Quando o capuz foi tirado, Chiara sentiu um choque que nunca tinha sentido em toda sua vida. Uma energia inexplicável percorreu seu corpo. Foi o exato oposto de quando recebeu a notícia de que Maia estava morta.

Cambaleou e se apoiou em um criado que estava ao seu lado, sem sentir as pernas. O coração parecia martelar ao mesmo tempo em que parava de bater. A língua enrolou dentro da boca e pareceu querer sufocá-la. Maia moveu os lábios e começou a falar. Maia estava a poucos metros dela. Maia estava viva. 

Foi voltando a si conforme ela ia perguntando coisas para Estefan. Que logo descobriu se chamar Oton. Quando ele revelou que não era primo de Luísa, Chiara a buscou com os olhos. A rainha estava nitidamente perplexa. Chiara foi, aos poucos, se dando conta do que estava acontecendo, encaixando as peças. Olhou de novo para Luísa, que agora falava com Maia, mas não a reconheceu. Então era verdade? Tudo que Maia desconfiava era verdade! Luísa a traiu. 

Voltou a olhar para Maia, tentando enxergar a jovem que perdeu naquele rio, mas ela parecia uma pessoa diferente. Não parecia ter mudado tanto fisicamente — os cabelos estavam poucos centímetros mais curtos, abaixo dos ombros, o corpo ficou maior, mais forte — mas ela parecia outra pessoa. Uma mulher. O rosto carregava uma seriedade de quem viveu uma vida inteira. 

Continuou analisando a nova Maia que tinha em sua frente. A cabeça estava cheia de perguntas… Como ela havia sobrevivido? Onde estava todo esse tempo? Quem eram aquelas pessoas? 

Acompanhou, atônita, quando Maia pediu que trouxessem uma mesa. Dois guardas levaram o objeto até o pé da escada do trono. Um buraco se abriu entre as pessoas. O maestre perguntou:

— Majestade, não é melhor fazermos isso em outro lugar?

Maia respondeu já se sentando na mesa:

— Não. Precisa ser aqui e agora. Para que todos saibam que é verdade. 

Um dos homens estendeu um pano que outro segurou do outro lado, tapando o corpo de Maia. Ela se deitou na mesa e a calça que usava caiu no chão. Visivelmente constrangido, o Maestre enfiou a cabeça por debaixo do pano.

Chiara observou — se espremendo entre os outros criados — a cara fechada de Maia, olhando fixamente para o teto. Os minutos pareceram horas, até o Maestre tirar a cabeça do pano e decretar:

— O casamento não foi consumado. 

*****

Já completamente recomposta, Maia voltou ao trono, mas sem se sentar:

— Comandante Magno. 

O comandante da Guarda Real se aproximou. Maia olhou nos olhos dele:

— Você fez um juramento ao assumir esse posto. Jurou ser leal à Coroa. Meu casamento não foi consumado, logo não existe.

Sua voz era firme:

— Meu pai foi o último rei legítimo. Eu sou a herdeira legítima. Posso contar com sua lealdade?

Imediatamente o homem se ajoelhou diante dela, e todos os outros guardas fizeram a mesma coisa. 

— Fico feliz em saber que ainda existem homens honrados neste reino. 

Depois olhou para os Lordes, que ainda estavam visivelmente aturdidos, e falou:

— Vou perguntar novamente. Algum de vocês tem alguma objeção?

Lorde Eduas se adiantou:

— Nós somos fiéis à Diamantora, Majestade. Somos fiéis à Coroa. E seremos fiéis a você, como fomos ao seu pai. Se me der a honra… eu mesmo tiro a vida desse usurpador. 

Maia ficou verdadeiramente grata:

— Agradeço muito, Lorde Eduas. Mas não é necessário que suje suas mãos por conta de um covarde. 

E então, finalmente, se sentou no trono. Era a primeira vez que fazia aquilo na vida. Foi de lá que decretou:

— A partir de hoje…

Apontou para a mulher que permanecia de pé ao seu lado:

— Zahra será o Braço da Rainha. 

Continuou ditando como se tivesse feito aquilo a vida toda:

— Comandante Magno continua à frente da Guarda Real…

Virou-se para Luísa:

— Declaro nulos todos os acordos feitos entre Diamantora e Ótice, levando em conta que sua rainha também estava envolvida no plano de tirar minha vida...

Depois olhou para Oton:

— E que a palavra de um homem qualquer não tem valia alguma. 

Não deu tempo para reações. Continuou falando tudo que teve muitos dias para pensar:

— Tem mais uma coisa que Oton quer nos dizer, não é mesmo?

Maia o olhou. Ele manteve os olhos baixos.

— Não é mesmo, Oton?

A voz de Maia saiu ameaçadora. O falso duque começou a falar, ainda preso nos braços de Ramon e Rino:

— Foi Milo…

Maia praticamente gritou:

— Ninguém está te ouvindo! Fale mais alto!

Oton pigarreou e aumentou um pouco o tom de voz:

— Foi Milo quem matou o rei Bartolomeu. Ele o envenenou. 

A comoção foi geral no salão. Maia esperou apenas segundos antes de voltar a falar:

— Portanto condeno o conselheiro Milo à morte, por traição ao reino e por ser um regicida. 

Dois guardas se aproximaram e agarraram Milo que, apesar do semblante estarrecido, não apresentou resistência. 

Depois Maia olhou para Oton:

— Condeno Oton Sias à morte, por participar de um complô contra este reino… e por tentar me matar. 

Os olhos de Oton se arregalaram. Ele se debateu enquanto gritava:

— Não! Não! Maia, você me prometeu… eu fiz tudo que pediu… você prometeu poupar minha vida! 

Maia fez um sinal para que Ramon aproximasse Oton dela. Ele se jogou no chão ao seus pés. Ela abaixou a cabeça para olhá-lo nos olhos:

— Eu menti. Assim como você fez comigo. 

Ele voltou a se agitar enquanto gritava:

— Maia, por favor, pela paixão que sentimos um pelo outro… 

Maia o contestou imediatamente:

— Eu nunca me apaixonei por você, mas sim pela encenação que você fez. 

Desesperado, ele segurou as pernas de Maia que imediatamente se soltou e acertou a face dele em um tapa estalado que ecoou por todo o salão. A voz dela soou ameaçadora quando disse:

— Nunca mais se atreva a encostar em mim. Nunca mais!

Ramon o levantou e o afastou. Maia disse seu último decreto naquele dia:

— Levem como prisioneiros: Luísa, seus guardas, Olga e Chiara… todos participaram do plano de tirar minha vida.  

E por fim, se levantou e soltou com toda a raiva, rancor e mágoa que tinha dentro de si:

— Vocês me humilharam de diversas formas. Me subestimaram, riram de mim pelas minhas costas, acharam que eu era uma pária, uma ninguém… Mas eu sou Maia Alina Benesi I, rainha de Diamantora. E esse é meu lugar por direito.

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 20 - CAPÍTULO XX:
HelOliveira
HelOliveira

Em: 03/04/2026

Como adorei esse momento....a Chiara entrou no bolo....

Milo e.Oton condenados a morte ...Maia agora tem mão pesada, foi direta e firme


AlphaCancri

AlphaCancri Em: 09/04/2026 Autora da história
Maia não poupou ninguém rsrs
Exercendo o papel de rainha que nunca pode exercer


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