• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Otherside - Como a vida deveria ser
  • Capitulo 23 - Doce Sonho

Info

Membros ativos: 9583
Membros inativos: 1619
Histórias: 1963
Capítulos: 20,884
Palavras: 52,821,418
Autores: 809
Comentários: 109,191
Comentaristas: 2603
Membro recente: Ali

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • 10 anos de Lettera
    Em 15/09/2025
  • Livro 2121 já à venda
    Em 30/07/2025

Categorias

  • Romances (874)
  • Contos (476)
  • Poemas (235)
  • Cronicas (229)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • Otherside - Como a vida deveria ser
    Otherside - Como a vida deveria ser
    Por Elin Varen
  • A Marca do Prazer
    A Marca do Prazer
    Por Naahdrigues

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • Desejo Carnal
    Desejo Carnal
    Por millah
  • Até Você Chegar
    Até Você Chegar
    Por AlphaCancri

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (874)
  • Contos (476)
  • Poemas (235)
  • Cronicas (229)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Otherside - Como a vida deveria ser por Elin Varen

Ver comentários: 1

Ver lista de capítulos

Palavras: 1667
Acessos: 55   |  Postado em: 03/04/2026

Capitulo 23 - Doce Sonho

Capítulo 23 - Doce Sonho

 

A voz dele começou antes dela abrir os olhos.

Rebeca sabia que era Moisés.

Não pelas palavras.

Pelo ritmo.

Ela abriu os olhos.

A boca dele se mexia.

Rápido.

Preciso.

Mas o som não chegava.

Só movimento.

Ele disse alguma coisa.

Apontou para a cama.

Débora entrou logo depois.

Já com a roupa dobrada nas mãos.

Rebeca olhou.

O tecido.

A cor.

A escolha.

Certa.

Sempre certa.

— Levanta, querida.

A voz da Débora vinha diferente.

Mais próxima.

Mais baixa.

Rebeca obedeceu.

Os braços levantaram quando ela pediu.

A blusa passou.

O tecido deslizou.

Débora ajeitou com cuidado.

Alisou a frente.

Puxou levemente a barra.

Como quem tenta deixar confortável.

A boca do Moisés ainda se mexia.

Rebeca via.

Mas não escutava.

Débora ficou atrás dela.

Os dedos separando os fios.

Desembaraçando com calma.

— Assim fica melhor.

A voz vinha.

Mas parecia distante.

Rebeca não sabia exatamente o que era “melhor”.

O sapato foi colocado.

A fivela ajustada.

Débora apertou o suficiente para não machucar.

E o suficiente para não sair.

Rebeca olhou para as próprias mãos.

Tudo estava no lugar.

Arrumado.

Inteiro.

Sem que ela tivesse escolhido nada.

Como uma boneca.

Não quebrada.

Montada.

Para caber.

A boca dele ainda se movia.

Débora deu um passo para trás.

Observando.

Como quem confere.

Rebeca assentiu.

Sem saber exatamente para quê.

E caminhou.

Sem se ver.

Sem se ouvir.

Só… indo.

***

A igreja era barulho.

Gente.
Luz.
Movimento.

Mas, para Rebeca, ainda não havia som.

— Essa é a irmã Ana Peccini.

A mulher sorriu.

A boca dela também se movia.

Rebeca tentou focar.
Não conseguiu.

Anos.

Ela tinha passado anos para chegar ali.

Escalas.
Repetições.
Correções.

Erros que não podiam existir.

Tudo para aquele momento.

E agora…

Nada fazia sentido.

O instrumento estava ali.
Pronto.

E ela… não.

— Vai dar tudo certo.

Débora.

Dessa vez, a voz chegou.

Fraca.
Mas chegou.

Rebeca virou o rosto.

— Eu estou orgulhosa de você. Mesmo que não consiga.

Aquilo não doeu.

Aquilo… pousou.

Como algo leve.
Que não cobrava.
Que não exigia.

Rebeca respirou.

Devagar.

Se não precisava conseguir…

Então ela podia não tentar.

A decisão veio limpa.

Sem esforço.

Ela ia errar.

Não por incapacidade.

Por escolha.

***

— Pastor, acho que a menina precisa respirar um pouco.

A voz da irmã Ana era firme.
Calma.

— Com o senhor em cima dela, fica um pouco mais difícil.

Moisés não gostou.

Isso dava pra ver.

Ele se inclinou um pouco.
Baixo.
Seco:

— A senhora está perdendo tempo com essa aí.

Dessa vez… Rebeca ouviu.

Claro.

Sem falha.

Alguma coisa encaixou.

Como uma peça voltando para o lugar.

O ar entrou.

De verdade.

Ela piscou.

O som voltou de uma vez só.
O ambiente inteiro invadindo.

Gente.
Passos.
Respiração.

Ela viu o pai se afastando.

E então...

Escolheu de novo.

Mas não como antes.

Não para desaparecer.

Para aparecer.

Rebeca se inclinou sobre o instrumento.

Os dedos rápidos.
Precisos.

Mudando tudo.

Configuração.
Volume.

No máximo.

Ela não olhou para ninguém.

Só começou.

Sweet Dreams.

Alto.
Cru.
Errado para aquele lugar.

Perfeito.

As primeiras notas cortaram o ar.

Gente virou.

Alguém tentou falar.

Ela não parou.

Moisés parou na metade do caminho.

Virou.

E viu.

Os ombros de Rebeca estavam soltos, o corpo relaxado.

As mãos deslizavam pelas teclas com leveza, como se aquele instrumento sempre tivesse sido dela.

A expressão no rosto não tinha tensão.

Pelo contrário.

Havia uma tranquilidade estranha ali.

Como se estivesse exatamente onde deveria estar.

Moisés deu um passo.

Foi o suficiente.

As mãos de Rebeca pararam sobre as teclas.

A última nota ficou suspensa no ar por um segundo antes de morrer no silêncio da igreja.

Ela não olhou para o pai.

Levantou-se do banco com calma e começou a caminhar em direção à saída.

O barulho de seus passos era quase inexistente sobre o piso.

Mas todos na igreja pareciam ouvir.

Quando chegou à metade do corredor, seus olhos procuraram apenas dois rostos.

Rute e Débora estavam sentadas lado a lado.

Rute tinha as mãos apertadas sobre o colo.

O rosto estava pálido.

Os olhos dela estavam presos em Moisés, como se já antecipasse a explosão que viria.

Débora, ao lado, não olhava para o marido.

O olhar dela estava fixo na filha.

E havia ali um sorriso pequeno. Breve.

Não de celebração.

Algo mais silencioso.

Orgulho misturado com a consciência de que aquilo mudaria tudo.

— Rebeca! – Moisés gritou.

A menina riu.

Então correu em direção à rua.

***

 

A igreja ficava a duas quadras da casa de Ester e Janis.

Naquela tarde, a sala estava tranquila.

Janis estava jogada no sofá, lendo uma revista em quadrinhos.

Ester assistia televisão, meio distraída.

Foi a música que atravessou a rua primeiro.

Alta demais.

Diferente demais.

Ester franziu a testa.

Janis levantou os olhos devagar.

Reconheceu na primeira nota.

— Não é…

A segunda frase confirmou.

Sweet Dreams.

As duas se encararam.

Janis levantou num pulo.

— Ela não fez isso.

A música aumentou.

Depois… silêncio.

Silêncio pesado.

As duas correram para a porta quase ao mesmo tempo.

Abriram.

E viram.

Rebeca já vinha pela rua.

Descalça.

Os sapatos abandonados para trás em algum ponto invisível.

A saia batendo nas pernas.

O cabelo solto, desalinhado.

E o sorriso.

Um sorriso tão aberto que parecia impossível caber no rosto.

Feliz como quem ganha um presente antes da hora.

Atrás dela vinha Moisés.

Gravata balançando ao vento.

Passos largos.

Rosto vermelho.

Ele gritava algo que o vento engolia.

Janis levou a mão à boca.

— Ela está fugindo.

Ester não respondeu imediatamente.

Observou.

A forma como Rebeca corria.

Não era desespero.

Não era medo.

Era cálculo.

Era ritmo.

Ela olhou por cima do ombro uma única vez.

E sorriu ainda mais.

Ester então disse, tranquila:

— Não. Ela não está fugindo.

Rebeca virou a esquina com leveza.

Moisés acelerou.

Mas naquele instante, ao perceber que estava no meio da rua, à vista de todos, ele diminuiu o passo.

Endireitou os ombros.

Ajustou a gravata.

Parou.

Olhou ao redor.

Respirou fundo.

E começou a caminhar.

Janis segurava o portão.

— Ele vai acabar com ela.

Ester manteve os olhos na esquina por onde Rebeca tinha desaparecido.

— Talvez.

— Então por que ela está rindo?

Ester cruzou os braços.

— Porque ela já venceu.

Janis virou para ela.

— Venceu o quê?

Ester respondeu baixo, quase para si mesma:

— Ele.

Moisés acelerou o passo.

Em busca de algo que já tinha escapado.

Janis mordeu o lábio.

— Você acha que ela sabe o que está fazendo?

Ester soltou um suspiro leve.

— Sim.

Lá no fim da rua, uma figura pequena ainda corria.

Não como quem foge.

Mas como quem conduz.

Ester completou:

— Ela não está fugindo, Janis.

Janis esperou.

— Está levando o pai para a última armadilha.

***

A porta do quarto bateu.

Rebeca arrastou a cama e empurrou a cômoda.

Bloqueio.

Peso.

Moisés tentou.

A maçaneta.
A força.

Nada.

Rebeca riu.

Alto.
Solto.

Descontrolado.

Como uma criança que não sabe a hora de parar.

— Ótimo. Fica aí.

Passos se afastando.

Silêncio.

Rebeca parou.

Respirou.

Esperou a porta da frente bater.

Então...

Moveu tudo de volta.

Sem pressa.

Sem raiva.

Saiu do quarto e desceu as escadas.

Foi para a cozinha.

Abriu uma das gavetas dos armários e pegou uma tesoura.

O primeiro corte foi torto.

O segundo, mais firme.

Os fios caindo.

Longos.

Pesados.

Inúteis.

Altura dos ombros.

Bom o suficiente.

Ela deixou o cabelo no chão.

Virou.

As mangas.

Cortadas.

A saia.

Mais curta.

Ajustada.

Rebeca olhou as próprias mãos.

Dessa vez—

Ela tinha escolhido.

O fogão acendeu.

Panela.

Cheiro.

Rotina.

Mas não a mesma.

Quando a porta abriu, bagunça.

Cabelo no chão.

Tecido cortado.

E, no meio disso, A mesa posta.

Jantar pronto.

Rebeca de pé.

Esperando.

Sem se esconder.

Moisés entrou primeiro.

O olhar varreu a sala.

— O que é isso?

Ninguém respondeu.

Débora abriu a boca.

— Eu...

Ele não deixou.

O primeiro movimento não foi um tapa.

Foi o braço.

Segurando forte demais.

Os dedos marcando.

— O que você fez?

— Cortei o cabelo — Rebeca explicou, como quem comenta o clima. — Estava pesado demais.

O olhar de Moisés foi do chão ao fogão. Do fogão à roupa. Da roupa ao cabelo.

— O que significa isso?

Rebeca inclinou levemente a cabeça.

— Significa que hoje temos arroz, feijão e frango. O senhor prefere o frango mais dourado ou mais suculento?

Não havia deboche.

Havia compostura.

Isso foi pior.

Irmã Ana tentou intervir.

— Moisés… talvez possamos conversar...

Mas ele já não ouvia.

— Você fez isso para me afrontar?

Rebeca sustentou o olhar.

— Não.

Pausa.

— Fiz porque quis.

Aquilo não era rebeldia histérica.

Era autonomia.

E foi isso que o desestabilizou.

Num movimento brusco, ele arrancou o cinto.

O som do couro cortando o ar ecoou antes mesmo do impacto.

Irmã Ana deu um passo à frente.

— Moisés, não!

Tarde.

O primeiro golpe acertou as pernas da menina.

O segundo golpe foi ainda mais forte e acertou braço e tórax.

Rebeca fechou os olhos por um segundo.

Não gritou.

Isso o enfureceu mais.

Ele a agarrou pelo braço outra vez.

— Suba.

Ela foi.

Sem arrastar os pés.

Sem chorar.

Subiu as escadas com o mesmo silêncio com que descera para cortar o cabelo.

***

Rute esperou até Moisés sair para deixar Irmã Ana em casa. Então, pegou o telefone.

Mãos trêmulas.

— Tia Miriam… sou eu.

Do outro lado, silêncio atento.

— Ele bateu nela. Na frente de todos nós.

Miriam não falou.

— O que mais me assusta não é isso.

— O que é então? — Miriam pergunta.

— A calma dela. Ela ficou parada, sem chorar. Como se o que ele fez não fosse nada.

No quarto Rebeca se sentou diante do teclado.

Os dedos tocaram devagar.

Uma sequência nova.

Melodia curta. Suspensa.

Miriam sussurrou do outro lado da linha:

— Augusto e eu chegaremos pela manhã.

 

 

Fim do capítulo


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior
  • Próximo capítulo

Comentários para 23 - Capitulo 23 - Doce Sonho:
HelOliveira
HelOliveira

Em: 03/04/2026

Rebeca fez uma escolha e pagou as consequências com Moisés fora de controle...vamos ver o que acontecera com a chegada da Miriam


Elin Varen

Elin Varen Em: 04/04/2026 Autora da história
Você pegou exatamente o ponto
Agora é ver se a casa da Miriam vai ser um refúgio… ou só uma pausa antes de mais conflitos.


Responder

[Faça o login para poder comentar]

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web