Capitulo 22 - Porta Fechada
Capítulo 22 - Porta Fechada
Janis estava esparramada no chão, desenhando.
Rebeca estava na cama.
Um livro nas mãos: Entrevista com o Vampiro.
A capa já estava gasta nas bordas — não pelo tempo, mas pelo uso.
Rebeca não lia por curiosidade.
Lia como quem abre uma fresta para respirar.
Louis não queria ser o que era.
E, pela primeira vez, ela entendeu que talvez também não precisasse aceitar tudo o que diziam que ela era.
O quarto estava quieto.
Seguro.
Até a voz da Ester.
— Rebeca.
As duas se olharam.
— Seu pai está aqui.
O ar mudou.
Janis já se sentou.
— Você não precisa...
— Eu sei.
Rebeca fechou o livro.
Ficou um segundo parada.
— Mas eu quero.
***
Moisés estava em pé.
Postura controlada.
Olhar baixo demais para ser natural.
— Eu vim conversar.
Ester ficou ao lado.
Presente.
— Você fala — disse ela, calma — e ela decide.
Moisés respirou.
— Eu errei.
A palavra parecia estranha na boca dele.
— Eu passei do limite.
Rebeca não respondeu.
— Eu quero consertar isso. Prometo que vou mudar.
Rebeca olhou para Ester.
Depois para ele.
Ela ainda queria acreditar.
— Tá.
***
O caminho de volta foi quieto.
Rebeca caminhava lado a lado com o pai.
O corpo tenso.
Mas tentando ceder.
***
A casa estava acesa.
Rute abriu a porta antes que batessem.
Josué apareceu atrás dela.
O olhar foi direto para Moisés.
Depois para Rebeca.
Silêncio curto.
— Entra — disse Moisés.
Rebeca hesitou.
Um segundo.
Mas entrou.
A sala estava igual.
Arrumada.
Imóvel.
Familiar demais.
Ela deu dois passos.
Ouviu a porta fechar atrás dela.
O som foi seco.
Depois...
o clique.
Rebeca parou.
Não virou.
Ainda não.
O ar mudou primeiro.
Um movimento atrás dela.
Rápido.
O couro deslizando.
Ela soube.
Não porque viu.
Porque reconheceu.
Débora apareceu.
De repente.
Entre os dois.
— Se você precisa descarregar a sua raiva em alguém…
A frase não terminou.
Rebeca não pensou.
Só sentiu.
Rute já estava na escada.
— Vem!
A mão firme no braço dela.
— Agora!
Rebeca resistiu um segundo.
— Rute...
— Vem!
Ela puxou.
Subiram.
Rápido demais.
A porta do quarto fechou.
Rute encostou o corpo nela.
Respirando forte.
— Fica aqui.
Rebeca ficou.
O coração ainda descendo da garganta.
Lá embaixo...
vozes.
Primeiro, baixas.
Depois não.
— Já chega!
Josué.
Mais alto do que ela já tinha ouvido.
Outro som.
Alguma coisa caindo.
Passos.
— Para com isso!
A voz da Débora.
Ou talvez não.
Rebeca não tinha certeza.
Rute apertou o trinco da porta.
Sem abrir.
Sem sair.
Mais um barulho.
Depois, silêncio.
Pesado.
Total.
Rebeca olhou para a porta.
Não desceu.
Não perguntou.
Não conseguiu.
Fim do capítulo
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