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Otherside - Como a vida deveria ser por Elin Varen

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Palavras: 451
Acessos: 100   |  Postado em: 31/03/2026

Capitulo 22 - Porta Fechada

Capítulo 22 - Porta Fechada

 

Janis estava esparramada no chão, desenhando.

Rebeca estava na cama.

Um livro nas mãos: Entrevista com o Vampiro.

A capa já estava gasta nas bordas — não pelo tempo, mas pelo uso.

Rebeca não lia por curiosidade.
Lia como quem abre uma fresta para respirar.

Louis não queria ser o que era.

E, pela primeira vez, ela entendeu que talvez também não precisasse aceitar tudo o que diziam que ela era.

O quarto estava quieto.

Seguro.

Até a voz da Ester.

— Rebeca.

As duas se olharam.

— Seu pai está aqui.

O ar mudou.

Janis já se sentou.

— Você não precisa...

— Eu sei.

Rebeca fechou o livro.

Ficou um segundo parada.

— Mas eu quero.

***

Moisés estava em pé.

Postura controlada.

Olhar baixo demais para ser natural.

— Eu vim conversar.

Ester ficou ao lado.

Presente.

— Você fala — disse ela, calma — e ela decide.

Moisés respirou.

— Eu errei.

A palavra parecia estranha na boca dele.

— Eu passei do limite.

Rebeca não respondeu.

— Eu quero consertar isso. Prometo que vou mudar.

Rebeca olhou para Ester.

Depois para ele.

Ela ainda queria acreditar.

— Tá.

***

O caminho de volta foi quieto.

Rebeca caminhava lado a lado com o pai.

O corpo tenso.

Mas tentando ceder.

***

A casa estava acesa.

Rute abriu a porta antes que batessem.

Josué apareceu atrás dela.

O olhar foi direto para Moisés.

Depois para Rebeca.

Silêncio curto.

— Entra — disse Moisés.

Rebeca hesitou.

Um segundo.

Mas entrou.

A sala estava igual.

Arrumada.

Imóvel.

Familiar demais.

Ela deu dois passos.

Ouviu a porta fechar atrás dela.

O som foi seco.

Depois...

o clique.

Rebeca parou.

Não virou.

Ainda não.

O ar mudou primeiro.

Um movimento atrás dela.

Rápido.

O couro deslizando.

Ela soube.

Não porque viu.

Porque reconheceu.

Débora apareceu.

De repente.

Entre os dois.

— Se você precisa descarregar a sua raiva em alguém…

A frase não terminou.

Rebeca não pensou.

Só sentiu.

Rute já estava na escada.

— Vem!

A mão firme no braço dela.

— Agora!

Rebeca resistiu um segundo.

— Rute...

— Vem!

Ela puxou.

Subiram.

Rápido demais.

A porta do quarto fechou.

Rute encostou o corpo nela.

Respirando forte.

— Fica aqui.

Rebeca ficou.

O coração ainda descendo da garganta.

Lá embaixo...

vozes.

Primeiro, baixas.

Depois não.

— Já chega!

Josué.

Mais alto do que ela já tinha ouvido.

Outro som.

Alguma coisa caindo.

Passos.

— Para com isso!

A voz da Débora.

Ou talvez não.

Rebeca não tinha certeza.

Rute apertou o trinco da porta.

Sem abrir.

Sem sair.

Mais um barulho.

Depois, silêncio.

Pesado.

Total.

Rebeca olhou para a porta.

Não desceu.

Não perguntou.

Não conseguiu.

 

Fim do capítulo


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