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Otherside - Como a vida deveria ser por Elin Varen

Ver comentários: 1

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Palavras: 2169
Acessos: 71   |  Postado em: 25/03/2026

Capitulo 20 - Pela porta da frente

Capítulo 20 — Pela porta da frente

O quarto parecia menor durante o dia.

A luz da manhã deixava tudo visível demais: a cadeira no canto, a dobra da cortina, a mochila caída ao lado da cama, a faixa arroxeada no braço que não combinava com a história oficial.

Rebeca estava sentada, as pernas esticadas, uma almofada nas costas. O corpo ainda doía em lugares diferentes. Alguns pontos latej*v*m quando ela respirava fundo. Outros só lembravam que existiam quando tentava mudar de posição.

Lá fora, a rua seguia.

Uma bicicleta passou.

Alguém chamou por outra pessoa no portão ao lado.

Uma bola bateu no chão duas vezes, depois três.

Tudo continuava.

Menos ela.

A porta se abriu sem cerimônia.

Rute entrou com uma pasta azul debaixo do braço e um estojo na mão, como quem vinha resolver um problema doméstico simples.

— Bom dia.

Rebeca ergueu os olhos, mas não respondeu.

Rute puxou a cadeira do canto e sentou. Abriu a pasta. Tirou folhas organizadas, com anotações à lápis nas margens.

— Trouxe as partituras do teste.

Silêncio.

— Você vai precisar aproveitar esses dias em casa.

Rebeca olhou para os papéis como se fossem de outra língua.

— Eu não pedi.

Rute levantou os olhos.

— Não precisa pedir. O teste continua marcado. Você perdeu um dia, não perdeu o mês inteiro.

Ela separou duas folhas e colocou sobre a cama, perto demais.

— O professor disse que você tem chance real. Só precisa se concentrar.

Chance real.

A frase ficou no ar como se fosse uma coisa boa.

Rebeca apoiou a cabeça na parede.

— Eu não quero.

Rute fez uma pausa curta. Não surpresa. Só ligeiramente contrariada.

— Você não quer agora.

— Não quero mesmo.

Rute pegou o estojo, abriu, tirou um lápis e uma borracha, alinhando os dois sobre a pasta como se isso ajudasse a pôr ordem no resto.

— Às vezes querer não entra na equação.

Rebeca soltou um riso sem humor.

— Que novidade.

Rute ignorou.

— Você tem talento. Não faz sentido jogar isso fora por birra.

A palavra bateu torta.

Rebeca virou o rosto para a janela.

Do lado de fora, a bicicleta continuava encostada no muro. Intacta. Quase insolente.

— Não é birra — disse baixo.

Rute ouviu, mas não pediu explicação.

Levantou-se, foi até a pequena estante, pegou os exercícios antigos e voltou.

— Vamos revisar percepção rítmica. Você faz sentada mesmo.

— Eu disse que não quero.

— E eu estou dizendo que é melhor ocupar a cabeça.

Rebeca apertou o lençol entre os dedos.

O problema era esse.

Se ocupasse a cabeça, o corpo aparecia.
Se ocupasse o corpo, a cabeça voltava.

Não havia lugar confortável para ficar.

Rute percebeu que insistir de frente não daria resultado imediato. Mudou o tom.

— Faz só uma parte. Depois eu deixo você quieta.

Quieta.

Como se quietude fosse presente.

Depois de alguns segundos, Rebeca puxou as folhas para perto. Não por concordar. Só por cansaço.

Rute assentiu, como quem registra uma pequena vitória.

— Começa por aqui.

Ela apontou a linha com o lápis.

Rebeca leu as notas. Conhecia todas. Reconhecia os símbolos, os intervalos, a lógica inteira daquele mundo. Era justamente isso que mais a irritava. O fato de ainda saber. O fato de ainda poder.

Fez a primeira leitura em voz baixa.

Errou.

Rute corrigiu.

— De novo.

Rebeca repetiu.

Errou de novo.

Dessa vez, não porque não soubesse.

Rute estreitou os olhos.

— Você está fazendo isso de propósito?

Rebeca não respondeu.

Os olhos haviam descido para o próprio braço.

A marca estava ali. Roxa nas bordas, amarelada no centro. O tipo de cor que o corpo produz quando quer lembrar.

— Rebeca.

Nada.

Rute seguiu o olhar dela e viu a mancha. Ficou em silêncio por um instante.

— Isso vai sumir.

A frase saiu automática. Um curativo verbal qualquer.

Rebeca voltou a encostar a cabeça na parede.

— Não é esse o problema.

Rute abriu a boca. Fechou. Não encontrou uma resposta pronta.

Guardou as folhas com mais força do que o necessário.

— Eu volto depois.

Saiu do quarto com a pasta apertada contra o corpo.

A porta ficou aberta.

Rebeca fechou os olhos.

Não dormiu.

Também não chorou.

Só ficou ali, imóvel, ouvindo a casa respirar em cômodos diferentes. O barulho de uma panela na cozinha. O rádio baixo em algum lugar. O telefone tocando e sendo atendido por Débora. Passos atravessando o corredor.

Nenhum deles era de Janis.

Isso doía de um jeito que ela não queria nomear.

No começo da tarde, Débora entrou com um prato raso, um copo de suco e um cuidado que não fazia perguntas.

— Trouxe sopa.

Rebeca fez menção de recusar.

Débora não deu espaço.

— Come um pouco. Depois você pode voltar a fazer cara feia.

Aquilo arrancou um quase sorriso.

Débora apoiou a bandeja no colo dela e ajeitou o travesseiro atrás de suas costas.

— Tá muito dolorido?

Rebeca deu de ombros.

— Um pouco.

Débora olhou o rosto da menina por tempo suficiente para perceber a mentira, mas não insistiu.

— Eu vou deixar a porta encostada. Se precisar, chama.

Encostada.

Não fechada. Não aberta demais. Encostada.

Débora sabia fazer isso com o mundo.

Rebeca tomou duas colheradas sem vontade. Depois mais três. Não era fome. Era obediência mansa a alguém que pelo menos parecia enxergá-la inteira.

Ainda assim, quando Débora saiu, o quarto voltou a ficar grande demais.

A tarde foi descendo lenta, arrastando luz pelo chão.

Janis não veio.

Não apareceu na janela.
Não chamou no portão.
Não mandou recado por ninguém.

Rebeca tentou dizer a si mesma que não se importava. Que talvez fosse melhor assim. Que talvez Janis tivesse se assustado e precisasse de espaço.

Mas cada minuto sem ela parecia confirmar outra coisa, mais feia:

Ela viu.
E foi embora.

No fim do dia, Rute tentou voltar com outra desculpa qualquer sobre escalas e intervalos. Rebeca disse que estava com dor de cabeça. Era verdade, mas não só.

Dessa vez, Rute não insistiu.

A casa foi escurecendo.

Luzes acesas em sequência. Panelas. Talheres. A voz de Moisés em algum ponto distante da sala, falando do mercado como se mercados fossem mais simples do que filhas.

Rebeca virou de lado com cuidado, puxando o lençol até o ombro.

A janela estava fechada.

Ela não lembrava de tê-la fechado.

***

Na casa de Ester, Janis também não estava cabendo em lugar nenhum.

Passou o dia em silêncio demais. Mexeu em coisas sem terminar nenhuma. Tentou desenhar e rasgou a folha na metade. Sentou à mesa antes do almoço, saiu antes da sobremesa, voltou depois sem fome.

Ester viu tudo.

Não comentou na primeira vez. Nem na segunda.

Só esperou a hora em que o silêncio da filha deixou de ser distração e virou presença.

No começo da noite, Janis estava sentada à mesa, empurrando arroz de um lado para o outro com o garfo.

Ester secou as mãos no pano de prato e sentou na cadeira em frente.

— Eu não fiquei com seu pai de primeira.

Janis levantou os olhos.

Aquilo veio de tão longe que pareceu truque.

— O quê?

Ester apoiou os antebraços na mesa.

— Meu pai não queria.

Disse como quem conta a previsão do tempo de muitos anos atrás.

— Falava de reputação, de futuro, de escolha certa. Essas coisas que adulto diz quando quer mandar na vida dos outros sem parecer que está mandando.

Janis ficou quieta.

Ester olhou para o prato dela.

— E eu obedeci.

Uma pausa.

— Foi horrível.

Janis não riu. Não ironizou. Só ficou ouvindo.

— Ele tava perto — continuou Ester. — Eu sabia onde ele estava. Sabia quando passava na rua. Sabia até o barulho da bicicleta dele dobrando a esquina. E, mesmo assim, era como se tivesse em outro país.

A cozinha ficou muito silenciosa.

— A senhora amava o meu pai desse jeito?

Ester sorriu de canto.

— Do jeito errado pros outros. Do jeito certo pra mim.

Janis engoliu seco.

Ester inclinou a cabeça.

— Teve uma época em que eu achei que dava pra viver obedecendo e esperando o sentimento diminuir.

— E diminuiu?

— Não.

Simples. Limpo.

— Aí um dia ele veio.

Janis franziu a testa.

— Veio como?

— Pela porta da frente.

Aquilo fez Janis erguer os olhos de vez.

Ester quase sorriu.

— Sem bilhete, sem recado, sem pedir licença demais. Veio porque o que ele sentia era maior do que o medo de desagradar meu pai.

Janis ficou parada.

Ester se levantou, pegou o copo dela, encheu de água e colocou de volta na mesa.

— Come antes que esfrie.

Só isso.

Não disse vai.
Não disse agora.
Não disse o nome de ninguém.

Voltou para o fogão como se tivesse falado de chuva.

Janis olhou para o prato. Depois para a porta da cozinha. Depois para a rua escurecendo além da janela.

Levantou.

— Ué — disse Ester, sem se virar. — Não ia terminar?

— Depois eu como.

Pegou a jaqueta no encosto da cadeira.

— Janis.

Ela parou.

Ester ainda de costas, mexendo alguma panela.

— Quando for… vai direito.

Janis não respondeu.

Saiu.

***

Na casa de Moisés, a campainha tocou quando o jantar já tinha terminado.

Débora foi quem abriu.

Por um segundo, só olhou.

Janis estava parada no portão sem o impulso leve de sempre. As mãos vazias. O rosto sério demais. Nenhum traço de janela, travessura ou improviso.

— Posso entrar?

Débora demorou menos do que o espanto sugeria.

— Pode.

Abriu mais.

Janis entrou. Limpou os pés no capacho por puro reflexo. Ficou em pé na sala como quem sabe exatamente onde está e, ao mesmo tempo, nunca esteve ali daquele jeito.

Moisés apareceu no corredor antes que Débora precisasse chamar.

Parou ao vê-la.

O olhar desceu da cabeça aos pés como se procurasse insolência.

— O que você quer aqui?

Janis sentiu a espinha endurecer, mas não baixou os olhos.

— Ver a Rebeca.

A resposta saiu mais firme do que ela se sentia.

Silêncio.

Moisés quase sorriu. Não de humor. De avaliação.

— Ela está descansando.

Débora olhou de relance para ele.

Depois para Janis.

— Eu posso perguntar se ela quer receber visita.

Aquilo interrompeu alguma coisa.

Moisés não gostou. Mas também não podia dizer não sem parecer pequeno na frente da própria sala.

Débora já tinha virado o corpo quando ele falou:

— Cinco minutos.

Janis assentiu uma vez.

Débora seguiu pelo corredor. Janis ouviu os passos diminuindo, depois a porta do quarto abrindo. Um murmúrio. Um tempo. O coração dela batendo nos lugares errados.

Quando Débora voltou, fez um leve gesto com a cabeça.

— Pode ir.

Janis passou por Moisés sem olhar diretamente. Ainda assim, sentiu a presença dele como se o ar do corredor estivesse ocupando espaço demais.

A porta do quarto estava entreaberta.

Ela parou no batente.

Rebeca estava deitada de lado, o cabelo um pouco bagunçado, o rosto mais pálido do que o normal. Virou a cabeça quando ouviu o movimento.

Os olhos das duas se encontraram.

Nenhuma falou na primeira respiração.

Janis entrou devagar.

Dessa vez, não pela janela.
Não rindo.
Não inventando apelido antes de chegar.

Só entrou.

Rebeca foi a primeira a quebrar o silêncio.

— Você demorou.

A frase saiu baixa, sem força suficiente para ser acusação. Justamente por isso doeu mais.

Janis fechou a porta até onde pôde sem trancar. Ficou perto dela, mas não perto o bastante para fingir normalidade.

— Eu sei.

Rebeca desviou os olhos por um segundo.

— Achei que você não vinha.

Janis olhou para as mãos.

— Eu também achei.

Silêncio.

A frase ficou ali, meio torta, mas honesta.

Rebeca respirou devagar, como se até isso precisasse de cuidado.

— Você ficou com medo?

Janis levantou os olhos.

Pela primeira vez desde a janela, não tentou parecer outra coisa.

— Fiquei.

Rebeca assentiu, sem ironia, como se reconhecesse uma resposta justa.

Janis deu um passo mais perto.

— Mas eu não queria que a última coisa entre a gente fosse eu indo embora.

Agora os olhos de Rebeca brilharam de um jeito cansado.

— Não foi a última.

Janis olhou o quarto. A cadeira. A cortina. A porta que não podia fechar. O espaço todo parecendo emprestado.

Depois voltou para ela.

— Não — disse. — Não foi.

Sentou na cadeira do canto, porque a cama parecia íntima demais para aquele cenário, e porque entrar pela porta da frente também significava aceitar as regras daquele lugar por alguns minutos.

Rebeca esboçou um sorriso pequeno.

— Isso é triste.

— O quê?

— Você na cadeira.

Janis soltou um sopro que quase foi riso.

— Eu vim elegante hoje.

A resposta fez alguma coisa no ar ceder.

Pouco.

Mas o bastante.

Rebeca fechou os olhos por um instante. Quando abriu de novo, Janis ainda estava ali.

E, pela primeira vez desde o hospital, o quarto não pareceu só um lugar de repouso.

Pareceu espera cumprida.

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 20 - Capitulo 20 - Pela porta da frente:
menteincerta
menteincerta

Em: 16/04/2026

Deu dó da Janis tão perdida com tudo


Elin Varen

Elin Varen Em: 16/04/2026 Autora da história
A Janis realmente está passando por muita coisa… e nem sempre é fácil saber como reagir quando tudo muda de uma vez.

Fico feliz que você tenha se conectado com esse momento dela.
Obrigada por acompanhar com tanto carinho


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