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Depois eu te conto... por Nadine Helgenberger

Ver comentários: 3

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Palavras: 4004
Acessos: 680   |  Postado em: 15/03/2026

Capitulo 34

 

Sem entender o rompante de desespero de Fedra, Sabrina a acolhia num abraço enquanto tentava secar-lhe a face molhada da enxurrada de lágrimas. Com a respiração irregular, Fedra segurava com força a mão de Sabrina como quem teme perder algo.

            -Eu sempre sonhei com isso... Sempre. Desde os trinta, bem antes da minha filha ir para a Europa. Eu trabalhei para isto a vida inteira. - Disse entre soluços.

Sabrina manteve o silêncio.

            - E agora aparece, assim, quase irrecusável...- olhou para Sabrina com os olhos vermelhos, completamente exposta. - Mas agora tu existes e é tão bom... é melhor do que qualquer coisa que eu tenha imaginado. Eu amo-te, Sabrina... muito.

Silêncio.

            -Mas eu...- A frase morreu.

Fedra desviou o olhar. Encarou o chão, depois a parede, como quem tenta olhar para um futuro que não consegue encaixar.

Ainda em silêncio, Sabrina apertou-lhe as mãos.

            - Eu já sei que adultos nem sempre conseguem viver dois sonhos ao mesmo tempo. E eu não tenho o direito de te pedir que abandones os teus. Eu não quero ser essa pessoa...eu não essa pessoa. - A voz soava baixa.

Silêncio e de repente a casa parecia maior, o ar denso quase sufocava Fedra.

Sabrina encarou-a com firmeza, ainda segurando as suas mãos.

            -Se eu pudesse ir contigo... isso ainda seria um dilema?

A resposta veio no segundo seguinte, sem qualquer hesitação:

            -Não! O meu mundo ideal seria esse. Eu no auge da minha carreira aos cinquenta anos... inteira. E tu ao meu lado, mas não como sacrifício, como escolha consciente. Mas eu não quero ganhar Bruxelas e perder a única coisa que hoje me faz sentir em casa.

Sabrina começou a rir, baixinho, até cair numa gargalhada.

Fedra encarou-a confusa.

            -Porque é que estás a rir?

Sabrina tentava controlar o riso frouxo abanando a cabeça, mas sem sucesso.

            - Estou a rir porque a vida tem um sentido de humor muito específico connosco. - Finalmente conseguiu articular as palavras.

            -Como assim? - O olhar de Fedra era expectante.

Sabrina respirou fundo e encarou-a com os olhos brilhando.

            -Eu também recebi uma proposta.

Silêncio absoluto.

Sabrina encarou Fedra que parecia congelada, e séria, continuou:

            - O projeto em que estou está a terminar. A empresa-mãe fez-me um convite, um ano em Glasgow, com possibilidade de integração numa equipa maior para desenvolver um projeto em Hong Kong.

A frase pareceu ficar suspensa no ar. Na cabeça de Fedra a palavra Hong Kong martelava.

Sabrina olhou para o chão por um segundo, depois voltou a encará-la.

            - Eu ando a digerir isto há dias. Tenho me sentido um bocado perdida.... por isso, outro dia esqueci o compromisso com a tua mãe. Eu estava completamente atordoada...ainda estou...

Fedra teve a sensação que as paredes da sala tentavam engoli-la.

            - Eu também sempre quis algo assim, não ir para Glasgow especificamente. Mas a validação do meu trabalho, o reconhecimento. O olhar profissional que diz: tu és suficiente.

Sabrina respirou fundo e foi a vez de ela ter as mãos apertadas com força.

            - Eu passei anos a duvidar de mim. A sentir que nunca era suficiente. Que havia sempre uma Lúcia qualquer mais brilhante, mais ousada, mais segura.

Sorriu com uma leve tristeza no olhar.

            - Esta proposta é a primeira vez em anos, que me sinto escolhida sem eu ter que implorar por espaço.

Sabrina respirou fundo.

            - Eu sei que tu és a pessoa que eu quero para o resto da minha vida, disso eu não tenho dúvida. Mas eu também preciso de saber que consigo sustentar-me no mundo grande. Que não sou apenas a metade de alguém.

Houve uma pausa hesitante.

            - E eu não me senti segura para te pedir que me esperasses. Mesmo acreditando que poderia funcionar. Já funcionou antes...

Fedra encarava Sabrina sem mexer qualquer músculo da face.

-Olha só a ironia, tu estás a sofrer porque achas que vais ter que escolher entre mim e Bruxelas... e eu estou a sofrer porque acho que vou ter que escolher entre ti e Glasgow.

Silêncio e elas se encaravam sérias, processando a avalanche de informações.

            -Então o nosso problema é irmos para lugares diferentes e não, uma ter de ir e a outra ficar e as consequências que daí poderiam advir...-Conjeturou, Fedra.

            -Ou quem sabe, sermos grandes ao mesmo tempo...no meu mundo, sempre entendi que apenas uma pessoa pode brilhar, que sempre há alguém em posição de vantagem...e eu, sempre, desde que me entendo por Sabrina, estive em situação de desvantagem...encolhida...

Soltaram o ar ao mesmo tempo como quem solta amarras de uma vida inteira.

            -Eu não quero que tu desistas de Bruxelas! - Sabrina disse convicta segurando o rosto de Fedra entre as suas mãos.

            -E eu não quero que desistas de Glasgow! - Respondeu Fedra com a mesma convicção.

Silêncio. Respiração partilhada e a sensação de que o mundo delas talvez estivesse a expandir.

            -Glasgow fica a menos de duas horas de voo de Bruxelas. - Disse Sabrina, enquanto mexia rapidamente no telefone.

Fedra piscou, como se estivesse a visualizar o mapa do mundo.

Sabrina continuou:

-Durante um ano nós segurámos uma relação que nem nome tinha. Cada uma na sua ilha, com seus fantasmas...todas com muito medo de dizerem o que realmente sentiam...eu pelo menos tinha...

Sabrina esboçou um leve sorriso.

            -E mesmo assim ficamos...- Concluiu Fedra. Lembrando rapidamente de tudo que tinham vivido até chegar naquele momento.

Sabrina apertou-lhe as mãos.

-Agora nossa relação tem nome, temos uma história madura. Temos escolha.

Ela inclinou a testa contra a de Fedra

-Se conseguimos naquela fase caótica... vamos conseguir agora. Porque agora não estamos a tentar descobrir se queremos. Nós sabemos.

Fedra voltou a chorar, mas já não é desespero. É emoção pura.

Sabrina continuou, serena, deixando claro o quanto cresceu:

-E se eventualmente não der certo... então talvez o amor não fosse assim tão forte. Mas eu acredito que é.

Fedra deu-lhe um pequeno estalo no braço.

-O meu é muito forte. Aguenta até uma distância maior... caso a senhora invente de passar uma temporada em Hong Kong.

Sabrina soltou uma gargalhada alta. Abraçou Fedra com força, enchendo-a de beijos pelo rosto todo.

-Amor, eu não vou para Hong Kong. O meu destino é Glasgow. Hong Kong, caso aconteça, serão viagens curtas.

Ela afastou-se só o suficiente para olhar Fedra nos olhos.

-Vamos estar próximas. Podemos nos ver pelo menos duas vezes por mês.

Fedra limpou as lágrimas, agora com um semblante mais decidido:

-Chamadas de vídeo diárias.

-Sim, afinal somos especialistas nisso. - Assentiu Sabrina.

Fedra endireitou-se no sofá, agora com o lado negociador em alta.

-Eu tenho algumas condições para discutir no contrato. Uma delas vai ser um voo mensal para Glasgow incluído no pacote.

Sabrina abriu a boca, surpresa.

Fedra continuou, agora com aquele brilho competitivo no olhar:

-O outro eu pago, o teu tu pagas. Três vezes por mês parece-me absolutamente razoável.

Sabrina começou a rir de novo, desta vez de puro orgulho.

-Estás a transformar um drama existencial numa planilha de Excel.

Gargalhadas

-Sou economista, querida. Resolvo crises com praticidade.

As duas riram entre lágrimas.

Sabrina segurou o rosto de Fedra mais uma vez, mas agora com leveza.

-Então temos um plano?

Fedra respirou fundo, olhando para ela como quem escolhe com consciência plena.

-Temos um plano!

Silêncio.

E depois Fedra acrescentou, mais baixo:

-Mas não é só um plano de sobrevivência. Eu vejo como um plano de crescimento, das duas.

Sabrina sorriu daquele jeito contido, mas completamente entregue.

-Eu quero ver-te mais feliz ainda e realizada enquanto eu corro atrás do que me faz sentir produtiva e feliz também. E quero que a gente volte uma para a outra no fim do dia, mesmo que esse fim do dia seja num ecrã.

Fedra encostou-se nela.

-Um ano.

-Um ano passa rápido. - Concluiu Sabrina

-E depois? - Questionou Fedra.

-Depois nós reavaliamos, como adultas que somos. Sem promessas eternas feitas no desespero, apenas escolhas renovadas.

Fedra procurou a boca de Sabrina com avidez e beijou-a com urgência. Entregaram-se ao carinho por alguns instantes até que depois de um longo suspiro, Fedra deixou claras as suas intenções.

            -Sabrina, nosso contrato não pode ultrapassar um ano. - Encarou-a com seriedade - temos que ter claro o prazo de validade para voltarmos a estar juntas. Se começarmos a abrir conceções...   

            -Ei, claro que não vamos abrir conceções. Um ano e ponto. Se ao fim desse tempo estivermos tão conscientes do que sentimos quanto estamos agora, vamos viver juntas seja lá onde for.

Fedra suspirou de alivio.

            -Desculpa se pareço uma doida, mas eu não aguento muito tempo sem isso...nunca cheguei nem perto do que nós temos com qualquer outra pessoa com quem me envolvi...consigo ser apenas Fedra, com todas as minhas certezas, vulnerabilidades, inseguranças...isso para mim é precioso demais...- As lágrimas invadiram-lhe o rosto sem pedir licença.

Sabrina abraçou-a tão forte, banindo qualquer resquício de dúvida.

            -Eu te amo, minha executiva de Bruxelas. Mal posso esperar para te visitar naquela cidade tão bonita.

            -E eu vou realizar um sonho que agora entendo porque não foi realizado antes...tinha que ser contigo, ah tinha...- Sorriu ganhando um beijo na ponta do nariz.

            -E posso saber que sonho é esse?

            -Nada demais, meu bem...conhecer Edimburgo.

Riram alto.

            -Ah, mas isso podemos realizar mal eu coloque os pés na Escócia. Eu também nunca fui e embora nunca tenha imaginado a cidade como um sonho meu, agora, considero-a como um sonho nosso.

Riram juntas trocando mais beijos.

Passaram as horas seguintes vendo mapas, ligações de transporte entre Glasgow e Bruxelas, preços, fuso horário, tudo isso entre risos, beijos e muitos planos.

***

Glória ouvia o relato das amigas numa estranha calmaria. Tentava acompanhar o plano que envolvia Glasgow, Bruxelas, voos estratégicos, um ano em países diferentes e o entusiasmo genuíno de ambas. Depois de absorver tudo, cruzou os braços dramaticamente balançando o olhar entre as duas.

-Ah, não, agora que eu finalmente tenho as minhas duas amigas a menos de vinte minutos de distância, vocês resolvem internacionalizar o sofrimento?

Sabrina riu.

-Internacionalizar o sofrimento? Dramática. - Fedra levantou uma sobrancelha controlando o riso.

-Eu lutei muito para ter este grupo estabilizado. Agora vocês vêm com o mapa da Europa aberto na mesa da sala. - Apontou o dedo para o mapa sobre a mesa.

Sabrina riu às gargalhadas.

            -Calma, Glória.  A partir do Sal, tens voos quase diários para Bruxelas e para o Reino Unido também. Não estaremos tão longe assim.

            -Como se fosse tão fácil para mim com uma criança a tiracolo...se bem que podemos ir nas férias...um tour pela europa.

As três riram.

            - Ai quem me dera ter talento para namorar mulheres. Talento? Tesão, é isso? Ah sei lá...parece que entre vocês as coisas são tão mais fáceis...- Delirou Glória para gáudio das amigas.

            -Será que são mesmo mais fáceis? - Perguntou Sabrina olhando com ternura para Fedra.

- Se não é, vocês tratam tudo com tanta maturidade que parece ser. Ninguém aqui está a impor a sua escolha à outra.

Fedra e Sabrina trocaram um olhar cúmplice, entendendo pelas palavras da amiga que sim, o que tinham era especial e que deveria ser salvaguardado com muito amor.

-A minha relação com o pai da minha filha terminou por competitividade, por ele querer impor seu estilo de vida, por insinuar que eu teria sempre de segui-lo, não obstante os meus próprios sonhos e durante muito tempo acatei, até me rebelar e a relação ir para o espaço. E essa não foi a minha única relação pautada pelo egoísmo...e vocês sabem muito bem, aliás, sabem tudo da minha vida. Ai, que saudades que terei dessas duas malucas.

Riram abraçadas.

            -Vamos brindar? - Propôs Fedra.

            -Vamos! Só me resta afogar as mágoas num legitimo francês.

Gargalhadas.

 

***

 

Fedra, sentada ao lado de Sabrina, na sala de dona Gracelina, divagava sem conseguir ser objetiva sobre o assunto que era a pauta principal das suas vidas naquele momento. Sabrina tentava transmitir-lhe confiança com o olhar e o aperto de mãos, mas nada parecia funcionar muito bem. Até que dona Gracelina interrompeu com sua calma de sempre.

            -Filha, estás a querer me dizer que tens uma proposta para o exterior e que já aceitaste?

Fedra arregalou os olhos e teve sua mão ainda mais apertada pela de Sabrina.

            -Como assim, mãe? Eu não disse nada...

            -Ah, esqueceste que tem que pariu fui eu? Chegaste aqui outro dia toda cabisbaixa e soltaste umas frases que eu logo entendi que estavas num daqueles momentos em que a vida exige que tenhamos ações claras. Não quis emitir qualquer opinião, pois sabes a mãe que tens...eu não me meto, filha, quero apenas o que for melhor para ti e acredito piamente no teu discernimento...

Fedra sorriu aliviada e logo em seguida começou a contar sobre Glasgow e a decisão que havia sido tomada.

            -Vocês decidiram juntas? - Gracelina fixou o olhar em Sabrina.

Sabrina respondeu firme:

-Sim!

            -Assim eu fico mais tranquila...minha filha pode ser bastante persuasiva...

            -Ah mãe, posso até ser boa de convencer, mas essa mulher é...

Elas se perderam numa troca intensa de olhares e dona Gracelina concluiu que finalmente sua filha tinha encontrado alguém para seguir pela vida.

            -Mãe...eu sei que tu és independente, mas precisamos organizar muito bem a tua rede...

            -O quê? - interrompeu Gracelina indignada.

            -Sim, mãe...vou estar longe...a Sabrina também...

            -Ah, e eu por acaso sou alguma velha dependente?

            -Não...claro que não...

            -Então, não te preocupes comigo. Tenho o Djaiss, outros tantos sobrinhos, a Adélia que é uma chata, mas como irmã é perfeita e sempre me apoia em tudo e ainda tem a minha neta que resolveu alongar mais a estadia por cá. Rede melhor do que essa, impossível. Vá minha filha, vá realizar teu sonho profissional que isso já é o motivo suficiente para a tua mãe ganhar mais uns 5 anos de vida.

            -Oh mãe...prometo deixar tudo organizado para que nada te falte e tu podes ir quando quiseres visitar-me em Bruxelas.

            -Ou visitar-me em Glasgow.

Dona Gracelina sorriu feliz.

            -Mas vê lá se não se acostumam demais com essa coisa de casas separadas, países diferentes...eu já não tenho idade para ficar pulando de aeroporto em aeroporto...

Fedra e Sabrina riram trocando mais um olhar cúmplice.

            -Um ano, dona Gracelina. - Disse Fedra.

            -E nada mais. - Concluiu Sabrina.

            -Vamos comer bolo com café para celebrar?

            -Sim!

***

 

O bolo com café estendeu-se pela tarde toda e Malia chegou perto do inicio da noite. Fedra aproveitou a reunião familiar sem qualquer planeamento e inteirou a filha dos novos planos.

            -Ah mãe, eu sabia. Aquele povo de Bruxelas não poderia deixar um talento como tu passar em branco. Sempre batalhaste tanto por isso e acredito que veio na melhor fase. Como se não bastasse ter uma mãe brilhante, ainda ganho uma...será que posso chamar-te de madrasta? - Fixou o olhar em Sabrina.

Gargalhadas altas.

            -Filha...- Fedra revirou os olhos repreendendo Malia.

            -Podes chamar-me do que quiseres...desde que sejam nomes carinhosos. - Brincou Sabrina.

            -Madrasta parece-te bem? Ou namorada da minha mãe? Quem sabe apenas Sabrina?

Mais gargalhadas.

            -Minha mãe brilhante, namora uma mulher tão brilhante quanto e ambas vão seguir rumo a uma aventura profissional na Europa...cada uma num país e a relação será mantida porque elas não têm dúvida do que sentem...e na verdade, nem eu...eu sou filha de uma mulher moderna, maravilhosa e que escolheu outra igualmente genial para seguirem juntas...mãe, podemos abrir uma garrafa de champanhe?

            -Sossega, garota. Já celebramos com café e bolo. - Contrariou Fedra.

            -Ah para...a ocasião pede algo mais simbólico. Um vinho?

            -Ok...oh criaturinha persuasiva...

            -Imagina a quem ela puxou...- Ironizou dona Gracelina para gargalhada geral.

Depois do primeiro impacto, a conversa ganhou um teor mais prático.

            -Como eu já havia dito, fico mais um tempo por cá... Eu e a Catarina estamos a desenvolver aquele projeto e há grande potencial de crescimento.

            -Fico mais tranquila que permaneças mais algum tempo aqui...a tua avó não gosta que eu pense assim, mas contigo por aqui, viajo mais descansada.

            -Vó Grace está em excelentes mãos...mãe, já contaste quantos primos tens?

Risos.

            -Mãe, e a nossa casa? A senhora hoje em dia mora mais com a Sabrina do que lá...

Risos.

            -Fica para ti, se quiseres, ou fechada.

            - Quero morar lá, ser mais independente. Quero pagar as minhas contas.

Fedra sorriu orgulhosa.

-Aprovo totalmente essa ideia, mas só pagas internet, água e luz.

Dona Gracelina gritou da cozinha:

-Comer, ela come aqui!

Houve uma explosão de gargalhadas.

            -Mãe, se eu quiser dividir a casa com a Catarina, tudo bem?

            -Malia, fazes da casa o que bem entenderes. Mas a Catarina vem para cá?

            -Sim, ela conseguiu um trabalho fixo aqui e também tem a comunicação do projeto que ainda não terminou e há essas ideias com a Malia. - Disse Sabrina sorrindo.

            -Ideias bastante promissoras! - reiterou Malia orgulhosa.

            -A casa é vossa!

            -É que ela tem uma namorada meio doida e eu não vejo muito futuro naquilo. Nem sei se aquela menina é mesmo namorada dela ou tudo não passa de um delírio da mente da Cat. Se morarmos juntas, as minhas despesas ficam mais baixas e eu tenho companhia da minha sócia para rir e me divertir.

Sabrina começou a rir muito.

-Catarina é brilhante como comunicadora e péssima em escolher parceiras. Tens razão, ela às vezes cria fantasias...

Mais gargalhadas num ambiente de casa cheia, família ampliada e muitas possibilidades.

***

A caminho de casa, Fedra decidiu seguir a sugestão da filha e informou a Sabrina que fariam uma paragem rápida numa delicatessen para que ela pudesse comprar o melhor vinho e queijos para celebrarem, agora num ambiente mais íntimo. Sabrina vibrou com a ideia.

            -Não vens comigo?

            -Não, vou aproveitar para fazer algumas chamadas importantes. Hoje eu não trabalhei e as demandas não esperam...

            -Tarada por trabalho...- Riu Fedra apertando a perna dela.

            -Por isso que me amas e nesse caso, são semelhantes que se atraem mesmo.

Risos altos com um beijo rápido na boca.

Dentro da loja mais sofisticada do segmento da Praia, Fedra observava as prateleiras de vinho, enquanto aspirava o cheiro de madeira e especiarias que sempre agradava seus sentidos. Tentava se decidir entre um italiano e um sul africano, quando levantou o olhar e viu José Carlos entrar por uma das portas acompanhado de uma jovem mulher. A moça mal entrou na loja, olhou fixamente para o espelho, claramente encantada com o próprio reflexo numa vitrine. Fedra desviou o olhar para o seu objetivo. Não estava com a menor paciência para conversas de circunstância. Contudo, não conseguiu ser mais rápida do que um aceno de cabeça de José Carlos, ao que respondeu num tom educado e distante. Com a atenção virada para os vinhos, sentiu uma leve movimentação nas suas costas.

            -Fedra, e de repente a cidade parece tão pequena...não esperava encontrar-te por aqui. - Acenou com elegância.

            -Olá, tudo bem? - Perguntou Fedra tranquila.

Ele respondeu com seu ar fanfarrão de sempre, acrescentando mais informação.

            -Continuas por cá ou conseguiste aquele posto que tanto almejavas? - Fedra tentava ser trivial.

Ele logo abriu um sorriso vitorioso.

-A vida está a mudar para melhor. Estou apaixonado - olhou discretamente para a moça mais jovem. -  E há a perspetiva de um grande cargo num dos escritórios da ONU aqui na Praia.

O tom era de quem comunicava ascensão social.

Fedra sorriu com educação.

-Que bom! Fico feliz.

Fedra fez menção de continuar a sua procura, mas ele inclinou para cima dela como quem vai contar um segredo.

            -Sabes como é... às vezes temos que fazer escolhas pessoais inteligentes. Há relações que nos impulsionam. Outras... podem atrasar o percurso.

A frase ficou no ar. Fedra manteve o olhar firme, sem piscar, ou reagir. Por fim, sorriu com elegância.

            -Obrigada pelo toque.

Ele esperava por confronto e ficou abalado quando ela voltou-se e escolheu um bom vinho francês e em seguida caminhou em direção à zona dos queijos.

Percebendo que seu veneno não tinha surtido qualquer efeito, voltou-se para a acompanhante, pagou a conta e saíram.

Um pouco depois, sozinha na rua, Fedra murmurou:

            -Idiota preconceituoso. - Riu sozinha. - Chefiar o maior escritório da minha Agência em Bruxelas deve ser mesmo uma despromoção.

***

            -Imita de novo, meu amor...vai...

            -Para Sabrina, tu já estás bêbada...

Gargalhadas.

            -O vinho é muito bom...e já é a segunda garrafa de hoje...não estou acostumada...

            -Aham...nada acostumada...

Risos com beijos.

            -Vá lá...por favor...

Fedra imitou o tom fanfarrão de José Carlos para gargalhada espalhafatosa de Sabrina que quase derrubou a taça de vinho.

            -Cuidado, sua maluca!

Risos.

            -Ele realmente acha que a ONU da Praia é o centro do mundo.

            -Ele acha que o mundo termina onde o ego dele começa.

Mais gargalhadas. De repente, Sabrina assumiu um ar mais sério.

            -Isso mexeu contigo?

Fedra parece pensar um pouco.

            -Antes teria mexido. Hoje... não. Eu não preciso provar nada a ninguém.

            -Ninguém!

Mais tarde, a casa estava em silêncio, a garrafa de vinho quase vazia e elas estendidas lado a lado no sofá. Fedra resolveu imitar mais uma vez o tom de José Carlos, arrancando muitas risadas de Sabrina.

            -E eu é que estou bêbada...- provocou Sabrina.

            -E não estás?  

            -Hum-hum...ligeiramente. - Colou-se em Fedra que gem*u satisfeita.

-Ele realmente acha que tu vais perder espaço por estares comigo?

Fedra grudou-se ainda mais em Sabrina.

-Ele acha muita coisa.

Sabrina puxou-a para cima dela.

-E tu?

Fedra hesitou um pouco, mas resolveu ser honesta:

-Eu sinto uma pontinha de insegurança.

Sabrina levantou uma sobrancelha.

-Insegurança de quê?

Fedra encostou a testa na dela.

-De ser trocada por uma escocesa maravilhosa. Ruiva, alta, aquelas que andam de sobretudo e falam com aquele sotaque impossível.

Sabrina quase derrubou as duas no chão de tanto rir.

-Acreditas mesmo nessa possibilidade, Fedra?

Fedra deu de ombros, meio teatral.

-Sei lá... eu longe de ti... tu a trabalhar com gente interessante... jantares internacionais... projetos globais...sei lá...

Sabrina estreitou os olhos.

-Posso ter o mesmo receio, não concordas?

Fedra riu.

-De quê?

-Tu em Bruxelas. Chefe poderosa, linda e cercada de diplomatas brilhantes.

Fedra aproximou-se mais, agora séria.

-Sabrina, tu és muito segura. Linda, sexy, inteligente e ainda és low profile de um jeito que enlouquece as pessoas.

Sabrina sorriu devagar.

-O povo adora. - Disse Fedra resignada. - Eu adoro...muito...muito...

Sabrina não resistiu. Beijou- com intensidade imediata, um beijo carregado de desejo.

-Vais ter de correr esse risco. - Provocou entre um beijo e outro.

Fedra prendeu-a com as pernas provocando um suspiro de desejo.

            -E tu vais ter de aprender a viver sem isso...- moveu-se sobre ela em pontos estratégicos provocando todos os sentidos da sua namorada.

            -Bandida! Que mulher deliciosa...provocante, sexy, gostosa, mandona...meu amor inteiro...- Delirou Sabrina arrancando a blusa de Fedra.

            -Mandona? Coitada de mim...contigo eu nem sei o que é isso...aiii...Sabrina...-Gem*u com a boca dela num dos seus seios.

Num rompante, Fedra prendeu-lhe os pulsos por instantes.

            -Um ano...é o máximo que eu aguento sem isso a qualquer hora que nossos corpos se acenderem...

Sabrina puxou-a ainda mais para si.

            -Um ano passa a voar, amor...e vamos estar juntas sempre...

            -Já me vejo a voar louca de saudades a Glasgow...-Sorriu mordendo-lhe o queixo.

            -E eu me vejo contando os minutos para te ver...tocar...fazer amor...não achas que estamos a falar demais?

            -Hum-hum...demais...cama?

            -Sim...-Puxou-a com pressa.

 

O quarto testemunhou rounds de desejo e amor intermináveis.

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Olá,

 

Esse quase não sai, mas eu sou obsessiva rsrsrs. Na próxima semana nao haverá atualização porque vou me mudar e estarei assoberbada e louca também rsrsrs.

O último capítulo seria o 35, mas se nao mudar de ideia, haverá mais um...bónus em homenagem às leitoras que comentaram ao longo da história, aqui e no facebook. Elas merecem, se nao desisti de me dedicar ao meu hobby, em grande parte foi em respeito a elas.

Um abraço.

Nadine Helgenberger


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Comentários para 34 - Capitulo 34:
rebarlow
rebarlow

Em: 16/03/2026

Esse Jose Carlos, heim... Pe no saco rsrsrsr

Eita que nossas heroinas estao internacionais haha! Essa soluçao nao me passou pela cabeça, amei.

Quero nosso capitulo bonuuuus!!! Chegando ao final com gostinho de saudade ja. 

Uma otima mudança para voce, desejo muitas coisas boas nessa nova fase, Beijooos!

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HelOliveira
HelOliveira

Em: 16/03/2026

Autora saída perfeita para resolver a questão da promoção, acho que isso aproximou mais ainda as duas se que é possível está...mas mostrou o quanto a relação dela está madura e mais sólida...

E obrigada por não ter desistido do hobby

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NovaAqui
NovaAqui

Em: 15/03/2026

Você resolveu muitíssimo bem o drama da promoção de Fedra.

Sabrina vai trabalhar em outro país que é menos longe. Muito bem bolado, NH! Amei a solução 

Pode colocar mais um capítulo que vou amar

Opa! Mudança? Uau! Que tudo! Boa mudança 

Boa semana nessa sua Terra Linda 

Beijão 

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