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Entre Votos e Silencios por anonimo2405

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Palavras: 8411
Acessos: 484   |  Postado em: 15/03/2026

Dependência Emocional

Rua lateral, Ipiranga — Segunda-feira, 17h38

Verena sentiu um aperto no peito que não tinha nada a ver com a cinta do sutiã ou a seda da camisa. Era o peso daquela garota se agarrando a ela como se o resto do mundo fosse um deserto. Ela soltou um riso fraco, enterrando o rosto por mais um segundo no pescoço de Valentina, aspirando aquele cheiro que agora parecia ser sua droga favorita.

— Valentina, olha para mim. — Verena pediu, a voz mansa, mas com aquele tom de quem sabe negociar até em situações de crise.

A garota negou com a cabeça, o rosto ainda escondido. Os dedos dela apertaram ainda mais o tecido nas costas da deputada.

— Não. Se eu olhar, você vai ligar o carro.

Verena sorriu contra a pele dela. Ela usou as pontas dos dedos para afastar os fios de cabelo da nuca de Valentina, descendo a mão devagar até encontrar a curva do rosto da adolescente. Com uma pressão suave, ela forçou o recuo, milímetro por milímetro, até que os olhos escuros e úmidos da garota fossem obrigados a encontrar os seus.

— A gente não vai conseguir fazer mais nada se você sumir do mapa assim. — Verena arqueou a sobrancelha, o brilho sedutor voltando ao olhar, mas agora temperado com uma doçura real. — E eu tenho planos. Planos que não envolvem apenas alguns minutos num carro parado.

Valentina piscou, os lábios ainda inchados e entreabertos.

— Que planos? — sussurrou, a voz manhosa fazendo o controle de Verena balançar perigosamente.

— Planos de te levar para um lugar onde a gente não precise se preocupar com vidros blindados ou com quem está passando na calçada. — Verena inclinou o rosto, roçando o nariz no dela, a voz caindo para aquele tom de segredo compartilhado. — Mas para isso, eu preciso te levar pra casa agora.

— Você vai sumir de novo. — A acusação veio rápida, carregada da insegurança de quem acabou de descobrir o que é desejar alguém assim.

Verena negou com a cabeça, os polegares acariciando as bochechas de Valentina.

— Eu não vou a lugar nenhum, pequena. — Ela deu um selinho demorado, sentindo o tremor nos lábios da garota. — Amanhã. Ou depois. Eu dou um jeito. Eu sempre dou um jeito, esqueceu? Eu vou te mandar uma mensagem. E a gente vai se ver de novo. Com calma. Sem pressa.

Ela esperou o impacto das palavras. Valentina suspirou, o corpo finalmente cedendo, os ombros relaxando contra os braços da mulher.

— Promete? — A pergunta saiu num sussurro, quase infantil, mas carregada de uma urgência que fez Verena querer cancelar todos os compromissos da semana.

— Prometo. — Verena selou a promessa com um beijo na testa, longo e protetor. — Agora, volta para o seu banco antes que eu perca a coragem de te deixar ir.

A garota finalmente soltou o abraço. O couro do banco rangeu quando ela se acomodou de volta no lado do passageiro, parecendo subitamente pequena demais naquele espaço. O silêncio que se seguiu era carregado, o peso da realidade começou a infiltrar-se pelas frestas da blindagem do Audi.

Verena não ligou o carro de imediato. Ela ficou parada, as mãos no colo, olhando para Valentina. A garota era um mapa vivo do que tinha acabado de acontecer: os lábios inchados, o cabelo bagunçado e aquele brilho febril nos olhos que nenhuma timidez conseguia esconder.

— Espera. — Verena esticou a mão.

Ela não tocou na pele da garota dessa vez. Pegou um lenço de papel no console e inclinou o corpo devagar.

— Seu rosto está marcado. — A voz da deputada saiu baixa, pragmática, mas com um traço de urgência que Valentina nunca tinha ouvido. — Se você entrar em casa assim, a gente não vai ter uma segunda chance. Talvez nem uma conversa mais.

Valentina travou. O pânico de ser descoberta bateu como um balde de água gelada, apagando o calor do beijo.

— Não… — A garota murmurou, a mão subindo frenética para os próprios lábios. — Tá muito ruim?

— Tá do jeito que tem que estar depois do que fizemos. — Verena deu um sorriso rápido e seco, limpando com cuidado o canto da boca da adolescente. 

A deputada passou o dedo pelo contorno do maxilar da menina, ajeitando uma mecha de cabelo. Depois, o olhar dela caiu para o pescoço de Valentina. O ouro da corrente brilhava contra a pele clara.

— Pequena… — Verena apontou para o colar. — Coloca por dentro da blusa. Pra você não correr nenhum risco.

Valentina obedeceu num reflexo, enfiando a joia para dentro do tecido. O metal gelado contra o peito serviu como um lembrete do perigo. Verena sabia, se alguém naquela família — o pai rígido, a mãe atenta, ou pior, Silvia — desconfiasse de um milímetro daquela relação, a catástrofe seria irreversível. Carreira, família, paz... tudo viraria cinzas.

Verena ligou o motor. O som suave do Audi preencheu a cabine.

— Vou te deixar na esquina da Silva Bueno. — Verena disse, os olhos fixos no retrovisor enquanto manobrava para sair da rua escura. — Mas só vou embora quando você entrar, tudo bem?

Valentina assentiu, o coração voltando a disparar, mas agora por medo. Ela olhava para a deputada e via a mulher voltando a vestir a armadura. O controle, a seriedade, o perfil de quem manda.

— Verena... — A garota chamou antes de chegarem ao ponto de desembarque.

— Oi?

— Eu… tô com medo

Verena parou o carro a meia quadra da casa da família Moraes. Ela virou o rosto. O olhar amoleceu por um segundo, quebrando a fachada de autoridade.

— Ei, pequena, tá tudo bem. Nada de ruim vai acontecer. Confia em mim? 

Valentina assentiu com um movimento mínimo de cabeça, os olhos brilhantes das lágrimas que ela tentava segurar.

—  Te aviso quando chegar em casa. — Verena esticou a mão e afagou as bochechas coradas. Valentina fechou os olhos, aceitando o toque. — Agora vai. Entra, toma um banho e lembra do que combinamos.

Valentina abriu a porta. O vento frio da noite a atingiu, trazendo-a de volta para o mundo real. Ela desceu, ajeitou a mochila e, sem olhar para trás, começou a caminhar rápido pela calçada.

No carro, Verena ficou observando a silhueta da garota sumir na penumbra da rua. Ela apertou o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

— O que é que eu estou fazendo... — murmurou para o vidro fumê, antes de acelerar e desaparecer na noite paulistana.

Casa da família Moraes — Segunda-feira, 18h05

O vento frio do começo da noite batia no rosto quente de Valentina.

Ela apertou a alça da mochila, os passos rápidos ecoando na calçada vazia. O som do motor do Audi se afastando já era uma lembrança distante, engolida pelo barulho do trânsito na avenida principal.

O coração dela martelava na garganta. O metal gelado do pingente de ouro, escondido por baixo da camiseta de algodão, queimava contra a pele. Cada passo a deixava mais perto do portão de ferro branco da própria casa. Mais perto da realidade que ela tinha esquecido nas últimas horas.

Ela parou na frente do muro. Puxou a chave do bolso da calça com a mão trêmula.

Respira. A voz rouca de Verena ainda ecoava em sua cabeça, misturada com o gosto fantasma de morango e perfume caro. A lembrança do polegar limpando o canto da sua boca fez o estômago dar um solavanco perigoso.

Ela enfiou a chave na fechadura. Girou. O estalo metálico pareceu alto demais.

A sala estava iluminada. A televisão ligada no jornal local, o som do chuveiro vindo do fundo do corredor e o cheiro de alho refogado da cozinha avisavam que a rotina da família estava a todo vapor.

Valentina fechou a porta da frente devagar, tentando não fazer barulho.

— Valen? É você? — A voz da mãe veio alta da cozinha.

O sangue da garota gelou. Ela abraçou a mochila contra o peito num reflexo de defesa, ajeitando instintivamente a gola da blusa.

— Sou eu, mãe. — A resposta saiu esganiçada. Ela pigarreou, tentando baixar o tom para algo minimamente normal. — Cheguei.

A mulher apareceu no batente da porta da cozinha, secando as mãos num pano de prato. O avental sujo de farinha, o cabelo preso num coque frouxo. A imagem do conforto doméstico, a exatos quinze metros de onde Valentina tinha acabado de ser prensada contra o console de um carro blindado pela esposa de sua prima.

O contraste quase fez a adolescente chorar.

— Você demorou. — A mãe franziu o cenho, os olhos varrendo a figura da filha da cabeça aos pés. — Aquele trabalho de história era pra hoje mesmo?

— Era... era sim. A gente perdeu a noção da hora montando os slides.

A mulher apertou os olhos. A intuição materna era um radar perigoso.

— E você veio a pé da casa da Bia? Sozinha essa hora?

— Peguei um Uber junto com o Pedro. — A mentira saiu mais rápida dessa vez, fluida. O medo de ser pega ensinava a improvisar. — Ele me deixou na esquina, tava com trânsito pra entrar aqui na rua.

A mãe pareceu aceitar a resposta. Voltou a secar as mãos, mas o olhar ainda estava fixo no rosto da filha.

— Seu rosto tá vermelho, filha. — A voz ganhando um tom de preocupação. Ela deu um passo à frente, erguendo a mão para checar a temperatura da filha. — Tá com febre?

Valentina recuou um passo brusco, quase tropeçando. Engoliu em seco. A mão voou para a própria bochecha antes que ela pudesse controlar o reflexo. A pele ali queimava, sensível pelo contato bruto que havia deixado marcado.

— É... é o vento. — Ela desviou os olhos para o chão de taco da sala, incapaz de sustentar o olhar da mãe. — Tava ventando muito no caminho do carro até aqui. Eu vou tomar um banho.

Ela não esperou a resposta. Passou pela sala quase correndo, os tênis batendo secos na madeira, em direção ao corredor.

— O jantar sai em meia hora! — A mãe gritou, abafando o chiado da panela de pressão.

— Tá bom!

Valentina trancou a porta do banheiro num baque surdo. Jogou a mochila no chão e encostou as costas na madeira, deslizando até sentar no chão frio.

O ar finalmente entrou nos pulmões numa lufada desesperada.

Ela puxou a gola da camiseta para baixo. O pingente de ouro com a letra 'V' caiu para fora, brilhando sob a luz amarela da lâmpada, zombando de todos os princípios que ela aprendeu na escola dominical. 

Valentina levantou-se num pulo. Apoiou as duas mãos na pia de mármore e encarou o espelho. A imagem refletida era de uma estranha. Os lábios estavam visivelmente mais inchados, mais escuros do que o normal. O cabelo desgrenhado de um jeito que o vento nunca conseguiria fazer. E os olhos... Havia um brilho culpado e elétrico neles.

A culpa veio com força, esmagando o peito dela. Como olharia para os pais no jantar? Ela abriu a torneira no máximo. Jogou água gelada no rosto, esfregando a boca com força, tentando apagar a evidência física de que tinha adorado cada segundo daquilo.

Valentina secou as mãos na calça com pressa e puxou o aparelho. Uma notificação brilhava na tela de bloqueio.

Já tô com saudade, pequena.

Apartamento Verena e Silvia — Segunda-feira, 18h54

A chave girou na fechadura com o peso de uma bigorna. Verena parou no corredor do andar por longos segundos antes de ter coragem de empurrar a porta. O gosto de Valentina ainda estava na sua boca — um fantasma persistente, elétrico e aterrorizante. Ela esfregou os lábios com as costas da mão pela décima vez desde que saiu do carro, ajeitou a gola da camisa e engoliu em seco. A guerra interna havia começado.

Ao abrir a porta, o cheiro de manteiga, vinho branco e cogumelos frescos a atingiu como um soco direto no estômago.

— Amor? É você? — A voz de Silvia veio da cozinha. Estava diferente. Vibrante. Alta. Quase musical.

Verena tirou os saltos, alinhando-os perfeitamente ao lado da porta. Uma tentativa inútil de colocar ordem no caos que havia se tornado.

— Sou eu. — Ela respondeu, forçando a garganta para que a voz saísse apenas com a aspereza do cansaço habitual.

Silvia apareceu na sala. Estava deslumbrante na sua simplicidade elegante de sempre. O cabelo preso displicentemente, um sorriso largo que não cabia no rosto e duas taças daquele Barolo que Verena guardava estritamente para grandes vitórias.

— Você demorou. — Silvia disse, aproximando-se. Ela não deu tempo para Verena respirar ou pensar. Envolveu o pescoço da esposa com um dos braços e lhe deu um beijo nos lábios. Um beijo carinhoso, de quem estava transbordando de alegria.

Verena fechou os olhos. A culpa rasgou seu peito de cima a baixo, tão afiada que ela quase perdeu o ar. Atua. Você precisa atuar.

— Trânsito... e o gabinete virou de cabeça para baixo no fim da tarde. — A mentira escorregou fluida. Fluida até demais. Verena abriu os olhos e entregou o sorriso contido e exausto de sempre. Ela olhou para as taças e depois para a cozinha. — Risoto de cogumelos e o meu vinho preferido no início da semana? Qual é a ocasião?

Silvia deu um passo para trás, mas não soltou a mão da esposa. Seus olhos brilhavam de um jeito que Verena não via há muito tempo.

— A clínica ligou.

O mundo da deputada parou de girar. O arrepio que subiu pela sua espinha foi puramente gelado.

— Ligou? — A voz saiu por um fio, quase inaudível.

— Ligou. Os meus exames estão todos perfeitos. — Silvia riu, um som solto, puro e emocionado, apertando os dedos de Verena com força. — Nós vamos fazer a transferência dos embriões na semana que vem, Verena. Nós vamos ter o nosso bebê.

Verena olhou para o rosto iluminado da mulher que amava. A mulher com quem construíra uma vida. A mulher que, em poucos dias, carregaria o seu filho. E então, como um flash maldito e incontrolável, a textura da pele de Valentina, o calor daquele beijo clandestino e a adrenalina do erro invadiram sua mente.

Ela puxou Silvia para um abraço apertado, escondendo o próprio rosto na curva do pescoço da esposa. Não porque quisesse se aninhar, mas porque sabia que, se Silvia olhasse dentro dos seus olhos naquele exato segundo, a farsa desmoronaria por completo.

— Isso é... isso é maravilhoso, meu amor — Verena sussurrou contra a pele quente de Silvia, apertando os olhos para segurar a queimação das lágrimas que não tinham o direito de cair.

A melhor atuação da sua vida. E, sem dúvida, a mais miserável.

Silvia quebrou o abraço devagar, mas não se afastou totalmente. Suas mãos subiram até o rosto de Verena, os polegares acariciando as maçãs do rosto da esposa com uma ternura que quase ardia.

— Você está pálida, meu amor — Silvia murmurou, o cenho franzindo de leve numa preocupação genuína. — O dia deve ter sido um inferno. Vem, senta. Hoje você não move um músculo.

Verena deixou-se guiar pela mão até a cadeira. Cada movimento parecia mecânico, ensaiado. Ela observou, em um silêncio anestesiado, enquanto a esposa servia os pratos. O vapor do risoto carregava o cheiro de um lar perfeito, seguro e intocável. Um lar que Verena havia acabado de fraturar irremediavelmente horas antes, na urgência de um encontro clandestino.

Silvia sentou-se de frente para ela e ergueu a taça de vinho. Os olhos escuros da advogada transbordavam uma alegria pura, sem ressalvas.

— Um brinde — Silvia disse, a voz macia. — A nós. E ao nosso futuro.

Verena ergueu a própria taça. O tinir fino do cristal ecoou pela sala como um alarme fúnebre dentro de sua cabeça.

— A nós — Verena repetiu. A própria voz soou estranha aos seus ouvidos. Oca.

Ela tomou um gole. O vinho desceu rasgando, pesado, enquanto Silvia sorria e levava o garfo à boca, completamente alheia ao furacão do outro lado da mesa.

— A Doutora Beatriz me explicou todos os detalhes hoje à tarde — Silvia começou, gesticulando suavemente com a mão livre, a aliança de casamento capturando a luz fraca do lustre. — O preparo do endométrio tá ideal. Eu já estava até... bom, eu sei que é bobagem e é muito cedo, mas eu passei a tarde inteira com abas abertas no notebook olhando tons de tinta pro quarto.

Verena tentou engolir o risoto, mas a comida parecia ter a textura de serragem. Ela forçou um sorriso, acenando devagar com a cabeça para encorajar a esposa a continuar.

— Você acha que verde sálvia é muito neutro? — Silvia riu de si mesma, balançando a cabeça. — Olha pra mim, eu tô tagarelando. Desculpa. Você chega exausta e eu despejo a maternidade inteira em cima de você.

E então, o golpe de misericórdia. Ela esticou o braço sobre a mesa e cobriu a mão de Verena com a sua. A pele da advogada era quente, familiar e macia.

O contraste foi violento. O estômago de Verena afundou. Aquele toque delicado sobre sua mão sobrepôs-se brutalmente à memória tátil que ainda queimava em seu corpo: a pele de Valentina, os lábios urgentes onze anos mais novos, as mãos inexperientes, mas desesperadas, puxando o tecido da sua roupa.

Uma náusea súbita subiu pela garganta de Verena. O peso daquela traição não era apenas um erro moral, era uma profanação contra a mulher maravilhosa que sorria à sua frente, planejando a cor do quarto do filho delas.

— Você tá muito quieta... — Silvia deslizou os dedos, entrelaçando-os aos de Verena com firmeza. — Foi a oposição de novo? O governador pegou no seu pé?

Verena olhou para as mãos unidas sobre a mesa de jantar. Apertou os dedos de Silvia de volta, como quem se agarra à beirada de um precipício.

— Foi... muita pressão nos bastidores hoje. — A mentira saiu um pouco mais ríspida dessa vez, o nervosismo vazando por uma fresta mínima. Ela ergueu os olhos para a esposa, lutando contra a própria respiração. — Mas passou. Eu tô aqui.

Silvia abriu um sorriso doce, do jeito compreensivo e apaixonado que ela sempre tinha. Levou a mão de Verena até os lábios e beijou os nós de seus dedos.

— Deixa o mundo da política lá fora, deputada — Silvia sussurrou, acariciando a pele de Verena. — Aqui dentro, eu cuido de você.

Apartamento Verena e Silvia — Segunda-feira, 20h30

O jantar terminou com uma eficiência que Verena agradeceu mentalmente. A transição para o sofá da sala, com as taças de vinho agora acompanhadas por pequenas taças de mousse de chocolate amargo que Silvia havia preparado, deu a ela os segundos necessários para recalcular a rota.

Ela estava falhando. Verena Castilho, a mulher que dominava plenamente qualquer debate no plenário, que engolia opositores no café da manhã, não ficava sem palavras. O silêncio prolongado era uma confissão. Ela precisava vestir a pele da esposa perfeita, e rápido.

Verena forçou a postura, relaxando os ombros contra o estofado e trazendo as pernas para perto das de Silvia, tocando os joelhos da esposa. Pegou a pequena colher de sobremesa e abriu um sorriso que exigiu um esforço descomunal de cada músculo do seu rosto.

— Me desculpa, meu amor — Disse, forçando um tom mais aveludado, a voz de quem finalmente deixava a armadura cair. — Eu deixei o cansaço do gabinete me engolir no jantar. Mas eu quero saber de tudo. A médica falou mais alguma coisa sobre a transferência?

Silvia sorriu, o alívio suavizando instantaneamente seus traços. Ela se ajeitou no sofá, os olhos voltando a brilhar com aquela empolgação contagiante que iluminava a sala inteira.

— Bom, ela me passou o cronograma das injeções que começam amanhã. — Silvia disse, gesticulando com a colher antes de levar um pouco do doce à boca. — E nós conversamos bastante sobre as probabilidades de fixação, já que o meu endométrio respondeu tão bem.

Verena levou uma colherada generosa da sobremesa à boca, assentindo devagar. Estava funcionando. Ela estava no controle da cena de novo. O gosto doce e amargo do chocolate derretia na língua enquanto ela mantinha o contato visual de uma esposa atenciosa.

— Como a qualidade dos dois embriões que vamos transferir é classe A, excelente — Silvia continuou, a voz subindo meia oitava, vibrando de pura animação — ela disse que as chances de fixarem os dois são altíssimas. Ou seja... é muito, muito provável que venham gêmeos.

Verena puxou o ar na exata fração de segundo errada.

Ela engasgou violentamente. O pânico foi tão visceral que a mousse travou na garganta, e ela precisou curvar o corpo para frente, tossindo forte e levando a mão à boca a tempo de não cuspir o doce inteiro na mesa de centro de vidro. A taça tremeu na sua outra mão enquanto ela tentava desesperadamente buscar oxigênio, os olhos arregalados de puro pavor.

Silvia caiu na gargalhada.

Foi uma risada gostosa, alta e solta, que preencheu o apartamento. Ela rapidamente tirou a taça da mão trêmula de Verena e começou a bater de leve nas costas da esposa, achando aquela reação a coisa mais adorável e previsível do mundo.

— Calma, deputada! — Silvia ria tanto que precisou encostar a cabeça no ombro de Verena. — Respira, pelo amor de Deus! Eu sei que a ideia de duas crianças correndo por esse apartamento assusta, mas a gente dá conta. Prometo que não vou deixar você enlouquecer sozinha.

Verena tossiu mais uma vez, o rosto vermelho, os olhos lacrimejando e o coração martelando contra as costelas como se fosse quebrar os ossos.

— Gêmeos? — Ela conseguiu grasnar, a voz esganiçada e irreconhecível.

— É! Imagina o trabalho, mas imagina a casa cheia! — Silvia respondeu, dando um beijo estalado na bochecha ainda vermelha da esposa, limpando uma lágrima de riso do próprio olho.

Verena engoliu em seco, tentando forçar o ar de volta aos pulmões. O humor trágico daquela cena seria cômico se não fosse devastador. 

Escola Estadual Professor Luiz Roberto Pinheiro, 07h55

O pátio cheirava a desinfetante barato e sono acumulado logo às sete da manhã. Valentina arrastou os pés para dentro da sala do terceirão, sentindo que o uniforme pesava dez quilos. Ela largou a mochila no chão, desabou na carteira e abaixou a cabeça sobre os braços. Queria só três minutos de paz antes do professor entrar.

Mas nada era mais alto do que o eco da tarde anterior rodando em loop em sua cabeça. O toque. O cheiro da pele de Verena. O beijo.

— Misericórdia. Passou um caminhão em cima de você ou você apanhou num beco escuro?

A voz de Carol não tinha um pingo de filtro. Valentina ergueu o rosto devagar, apertando os olhos contra a luz branca e impaciente da sala.

— Bom dia pra você também. — Valentina esfregou o rosto. — A Isadora ficou roncando e se mexendo a noite inteira. Não consegui pregar o olho.

Carol sentou na carteira ao lado, jogou a mochila na mesa e cruzou os braços. O olhar dela era cirúrgico, quase irritado.

— A Isadora. Aham. — Carol deu um riso seco e sem humor. — Engraçado. As camas de vocês ficam em paredes opostas, Valen. A não ser que a sua irmã de dez anos tenha aprendido a levitar de madrugada pra ir te chutar, essa é a pior desculpa que você já me deu. E olha que a concorrência é forte.

Valentina engoliu em seco. O estômago deu um nó. O silêncio entre elas ficou denso. Era a regra não dita: Ela simplesmente parou de contar as coisas. E Carol parou de perguntar com jeitinho. Agora, eram só voadoras diretas.

— Eu tô cansada, Carol. Só isso.

— É, eu tô vendo. — A garota descruzou os braços e puxou o caderno da mochila, a voz dura, mas com aquele fundo de preocupação que ela tentava disfarçar com grosseria. — Sabe qual é o seu problema? Você é péssima mentindo. Mas fica tranquila, eu não vou perguntar o que sugou a sua alma essa noite. Já desisti de tentar salvar quem tá louca pra pular de penhasco. Só faz o favor de não babar quando a aula começar.

Valentina desviou o olhar para a lousa suja de giz, sentindo a culpa e a vergonha morderem o estômago. Ela apertou as mãos debaixo da carteira.

Escola Estadual Professor Luiz Roberto Pinheiro, 09h30

O professor de biologia mal tinha colocado a pasta na mesa quando Valentina ergueu a mão, o braço levemente trêmulo. 

— Professor, posso ir no banheiro? É urgente.

Ele apenas fez um aceno de cabeça, já virando para a lousa. Valentina levantou da carteira tão rápido que quase derrubou o estojo da Carol, ignorando o revirar de olhos da amiga. Ela saiu para o corredor vazio e apertou o passo, o tênis rangendo no piso encerado. O coração batia na garganta, sufocando.

Ela empurrou a porta do banheiro feminino, agradecendo mentalmente por estar vazio. Entrou na última cabine, trancou o trinco de plástico com força e encostou as costas na porta fria, puxando o ar pela boca.

Suas mãos suavam quando ela finalmente enfiou a mão no bolso da calça e puxou o celular. A tela acendeu, iluminando seu rosto ansioso no cubículo mal iluminado.

A notificação brilhava na tela de bloqueio.

1 Nova Mensagem.

Valentina prendeu a respiração e deslizou o dedo.

[Grupo Família] Pai: Alguém viu minha trena? Deixei na pia ontem de noite antes de dormir.

Seus ombros despencaram. O ar saiu de seus pulmões de uma vez só, como um balão murchando. Ela fechou os olhos e bateu a parte de trás da cabeça na porta da cabine, soltando um gemido frustrado.

— Idiota. — Sussurrou para si mesma, a voz ecoando nos azulejos. — Você é muito idiota, Valentina. É claro que ela não ia mandar mensagem.

Mas a decepção não fez a vontade sumir. Pelo contrário. O estômago revirava numa mistura de carência e ansiedade que a deixava inquieta. A lembrança do beijo, de ter tomado a iniciativa e de ter sido correspondida com tanta fome, martelava em sua cabeça. Ela queria atenção. Queria que Verena lembrasse dela.

Engoliu a seco, abriu o WhatsApp e tocou na foto de perfil da deputada. Valentina encarou a barra de texto vazia. O polegar pairou sobre o teclado. A garota tímida que sentava no banco da igreja diria para guardar o celular. Mas a garota que tinha o gosto daquele beijo na memória estava faminta por atenção.

Valentina encarou o teclado. O polegar tremia de leve.

Digitou: Bom dia.

Apagou. Muito seco. Parecia que estava com raiva.

Digitou: Tudo bem?

Apagou de novo. Genérico demais. O rosto dela queimava só de pensar em como estava sendo patética, trancada no banheiro da escola, mendigando assunto. Ela não tinha repertório para isso, não sabia ser charmosa ou misteriosa.

Respirou fundo, sentindo o coração bater na garganta, e digitou rápido, antes que a pouca coragem evaporasse:

Bom dia. Desculpa mandar mensagem do nada, sei que você deve estar ocupada. Só queria saber se tá tudo bem.

Ela encarou a tela por um milissegundo. O estômago embrulhou de tanta vergonha. Era uma mensagem boba, insegura, de quem claramente só queria puxar papo.

Apertou Enviar, bloqueou a tela do celular no mesmo piscar de olhos e encostou a testa no azulejo gelado da parede, querendo que o chão do banheiro abrisse e a engolisse ali mesmo.

Gabinete da Deputada Verena Castilho, ALESP – 09h30

Verena jogou a pasta parda sobre a mesa de reuniões com força suficiente para fazer o copo de plástico de um dos assessores tremer. A sala cheirava a café forte e pânico matinal.

— Alguém quer me explicar — a voz dela era baixa, o que no vocabulário do gabinete significava perigo iminente — como é que uma nota sobre a votação do orçamento vai parar no portal de notícias da capital antes de passar pelo meu e-mail?

Na ponta da mesa, Thiago, o analista júnior de mídias, engoliu em seco, ajeitando os óculos.

— Deputada, a gente avaliou que o timing... o engajamento no Twitter de manhã é maior, e como a senhora já tinha se posicionado na comissão...

— Você avaliou? — Verena apoiou as duas mãos na mesa, inclinando-se para frente. O terno impecável não escondia a rigidez dos ombros. — Thiago, você é pago pra fazer card pro Instagram, não pra legislar. A nota diz que eu exijo o congelamento da pauta. Eu não exijo nada. Eu estou negociando com o relator do projeto. Você acabou de implodir uma ponte com a base do governo por causa de timing.

Encostada na parede do fundo, Rafaela girava uma caneta entre os dedos. Ela não disse uma palavra, mas o sorriso de canto denunciava que estava adorando o espetáculo.

— Eu posso apagar. — Thiago gaguejou, já com o celular na mão.

— Se você apagar, vira print da oposição. Se vira print, eu viro a amadora que recuou. — Verena fechou os olhos por um segundo, pressionando as têmporas com os dedos.

A dor de cabeça latej*v* na base do crânio. A noite anterior parecia um bloco de concreto no estômago. A risada de Silvia. O risoto. O quarto de bebê verde sálvia. Ela precisava gritar com alguém para não gritar consigo mesma.

Verena abriu os olhos e olhou para o fundo da sala.

— Rafaela.

A assessora parou de girar a caneta.

— Manda a assessoria de imprensa ligar pros jornalistas agora. Diz que a nota foi um vazamento de um rascunho da equipe técnica e que a minha posição oficial sai às onze. Controla o dano. E tira a senha do Twitter dele.

— Sim, senhora. — Rafaela desencostou da parede. — Mais alguma cabeça pra rolar hoje ou a guilhotina já fechou?

Verena lançou um olhar gélido para a amiga.

— Reunião encerrada. Todo mundo pra fora.

A sala esvaziou em menos de dez segundos. A porta bateu. Verena desabou na própria cadeira de couro, soltando o ar pesado. O silêncio do gabinete caiu sobre ela, denso e acusatório. Ela esfregou o rosto com as duas mãos, exausta. Estava perdendo o controle de tudo. Do mandato, do casamento, da própria sanidade.

Ela puxou o celular do bolso do blazer, com a intenção de ligar para o relator do projeto e tentar apagar o incêndio.

A tela acendeu antes que ela tocasse no leitor digital. Uma notificação solitária.

Valentina: 

Bom dia. Desculpa mandar mensagem do nada, sei que você deve estar ocupada no gabinete. Só queria saber se tá tudo bem.

O coração de Verena, que segundos atrás batia no ritmo acelerado da raiva, simplesmente parou.

Ela encarou a tela. A deputada estadual que acabara de triturar um assessor sem levantar a voz estava, de repente, com as mãos suando a frio por causa de uma mensagem de três linhas de uma garota de dezessete anos.

Ela fechou os olhos com força, puxou o ar pelo nariz e apertou o botão de bloqueio do aparelho, mergulhando a tela na escuridão.

— Foco, Verena — sussurrou para si mesma, a voz áspera.

Ela pegou o telefone fixo do gabinete e discou o ramal do gabinete do deputado Sampaio, o relator do projeto. No segundo toque, ele atendeu.

— Sampaio, é a Verena. Sobre a nota que saiu no portal...

— Castilho! Eu ia te ligar agora. Que palhaçada é essa de exigir congelamento? A base do governo já tá no meu pescoço querendo tratorar a pauta toda.

— Foi um erro primário do meu marketing, já mandei derrubar e a assessoria tá consertando. — Verena tentou imprimir o tom cortante e autoritário de sempre. Ela precisava dominar a narrativa. — A minha posição continua a mesma da comissão. Nós não vamos votar o texto base se vocês não alterarem o artigo quarto.

— Verena, o governo não vai ceder no artigo quarto. Ou você flexibiliza as emendas da saúde, ou o projeto vai pro plenário do jeito que tá e você perde o discurso.

Verena abriu a boca para rebater. Ela tinha o argumento perfeito. Tinha os números do orçamento decorados. Mas, de relance, seus olhos caíram sobre o celular virado para cima na mesa.

A tela acendeu de novo.

O coração de Verena deu um solavanco violento contra as costelas. Não era mensagem nova. Era só a tela avisando que a bateria estava em 20%. Mas foi o suficiente para o cérebro dela derrapar. O gosto da boca de Valentina invadiu sua memória de forma tão intrusiva e física que ela quase perdeu o fôlego. O silêncio na linha telefônica se esticou.

— Verena? Tá me ouvindo? — a voz de Sampaio soou impaciente.

— Eu... — A voz da deputada vacilou. A mulher que nunca recuava, engasgou. — Nós... nós podemos rever o texto das emendas, Sampaio.

Houve um segundo de puro choque do outro lado da linha.

— Sério? — Sampaio pigarreou, tentando disfarçar a vitória fácil. — Bom. Ótimo. Me manda a proposta da sua equipe até o meio-dia, então.

A porta do gabinete se abriu sem aviso. Rafaela entrou em passos silenciosos, com uma pasta azul na mão, indo direto para o arquivo no canto da sala.

Verena desligou o telefone no gancho com um baque surdo, o rosto pálido. Em um reflexo quase adolescente, a mão dela disparou sobre a mesa e virou o celular com a tela para baixo. O movimento foi rápido. Rápido até demais.

Rafaela parou no meio do caminho. Ela olhou para o telefone virado, depois para o rosto em pânico contido da chefe. A assessora não precisava ver a tela para saber que algo estava muito fora do eixo.

— Você tá cedendo emenda pra base do governo antes das dez da manhã? — Rafaela arqueou uma sobrancelha, o sorriso cínico voltando aos lábios. — Quem é você e o que você fez com a Verena Castilho?

Verena engoliu em seco, arrumando a postura na cadeira de couro, tentando desesperadamente colar os pedaços da própria máscara.

— É estratégia, Rafaela. Só isso.

Rafaela soltou um riso anasalado, caminhando até a mesa e batendo a pasta azul bem ao lado do celular virado. Ela se inclinou levemente para frente.

— Estratégia. Sei. — Ela cruzou os braços, os olhos fixos na deputada. — Só toma cuidado, chefe. Porque, seja lá qual for a crise que você tá tentando administrar nesse telefone... tá afetando o seu faro. E aqui dentro, quando a gente perde o faro, a gente vira jantar.

Verena sustentou o olhar, mas o estômago despencou.

— Era só isso? — cortou Verena, seca.

— Por enquanto. — Rafaela deu as costas, caminhando para a porta. 

Verena ficou sozinha. Com o celular virado. E a sensação esmagadora de que estava perdendo o controle de absolutamente tudo.

Escola Estadual Professor Luiz Roberto Pinheiro — Banheiro feminino, 09h35

A luz fria da tela do celular iluminava o rosto de Valentina no cubículo apertado. O cheiro de desinfetante barato parecia sufocante. Ela encarava a tela com a respiração suspensa.

Os dois tiques cinzas apareceram no canto da mensagem. Entregue.

Valentina sentiu o coração bater na garganta. Ela esperou o "Visto por último" sumir. Esperou os tiques ficarem azuis. Esperou a palavra Digitando... aparecer no topo da tela.

Um minuto se passou.

O status de Verena mudou para Online.

Valentina engoliu em seco, os dedos apertando as bordas do aparelho com tanta força que as pontas ficaram brancas. Ela estava lá. Tinha aberto a conversa. Estava lendo. Mas o Digitando... nunca veio.

Depois de trinta longos e agonizantes segundos, o Online desapareceu. Os tiques continuaram azuis, mas a barra de resposta permaneceu vazia.

Valentina continuou encarando a tela por mais dois minutos inteiros, recusando-se a piscar, esperando um milagre ou uma falha de conexão. Mas nada aconteceu. Verena leu. E foi embora.

O silêncio digital foi um soco no estômago.

Os joelhos da menina cederam e ela escorregou pela porta de plástico do cubículo até sentar no chão frio de cerâmica. Abraçou as pernas contra o peito. A ficha caiu com uma violência absurda. O que ela achou que estava fazendo? Como pôde achar que aquele beijo, que para ela tinha sido um terremoto, seria algo além de um erro passageiro para uma mulher casada e dona de um mundo que Valentina não fazia ideia de como funcionava?

Ela era apenas uma garota do terceiro ano do ensino médio, de um bairro suburbano, enchendo o saco de uma figura pública. Ela não era nada.

O primeiro soluço rasgou a garganta antes que ela pudesse segurar.

Valentina apertou a mão livre contra a própria boca, abafando o som. Os olhos arderam e a primeira lágrima transbordou, quente e grossa, escorrendo pela bochecha. Ela esfregou o rosto com as costas da mão, o tecido áspero do uniforme arranhando a pele, dizendo a si mesma para parar. Para, Valentina. Para de ser idiota.

Mas quanto mais limpava, mais as lágrimas desciam, silenciosas e carregadas de uma humilhação profunda. O celular escorregou de sua mão e caiu no chão, a tela apagando lentamente e deixando-a sozinha na penumbra.

A porta do banheiro rangeu. Passos pesados de tênis ecoaram pelos azulejos.

Valentina prendeu a respiração na mesma hora, as duas mãos cobrindo a boca com força. Ela espremeu os olhos, implorando mentalmente para que a pessoa usasse a pia e fosse embora.

Mas um soluço teimoso e rasgado escapou pela garganta.

Os passos pararam.

— Valen?

A voz de Carol.

O pânico misturou-se à tristeza como um choque elétrico. Valentina esfregou o rosto com desespero, borrando os olhos vermelhos e tentando limpar a bochecha molhada.

— Já... já tô indo — a voz saiu patética, falha.

Duas batidas secas e impacientes na porta de plástico da cabine.

— Abre essa porta, Valentina. Agora.

Ela hesitou, mas sabia que a amiga não ia embora. Destrancou o trinco devagar.

Carol empurrou a porta. O olhar duro da amiga amoleceu por uma fração de segundo ao ver Valentina encolhida no chão, destruída, com o celular jogado de lado. Mas a pena sumiu rápido.

— O que aconteceu? — Exigiu, agachando-se na frente dela.

— Nada. Eu só... tô com uma cólica horrível. Tá doendo muito.

Carol estreitou os olhos. E então, o olhar dela desceu.

O uniforme do colégio estava um pouco torto, revelando a correntinha fina e dourada no pescoço de Valentina. 

— Cólica.

— É... — Valentina desviou o rosto, fungando e puxando a gola da blusa.

— Mentira. — Carol segurou o queixo da amiga, forçando-a a olhar para cima. — É a Verena de novo, não é?

O coração de Valentina parou.

— Quê? Não, Carol, eu...

— Não mente pra mim, Valentina Moraes! — a voz dela subiu, indignada e magoada ao mesmo tempo. — Você tá nesse estado deplorável trancada no chão de um banheiro sujo por causa daquela mulher, não tá?

Valentina tentou recuar, mas as costas bateram no azulejo frio. As lágrimas voltaram com o dobro da força, rasgando qualquer disfarce.

— Carol, por favor... fala baixo.

— Falar baixo?! — Carol soltou o queixo dela, apontando para o rosto manchado de choro. — Olha pra você! O que ela fez dessa vez? O que foi? Te ignorou? Brincou com você e depois sumiu?

— Não é assim! — Valentina soluçou, abraçando os próprios joelhos, encurralada pelo pânico.

— É exatamente assim! Acorda, Valen! Ela é casada! Ela tem a vida dela, a casa dela, o mundo da política dela. E você é só a aluna do terceirão que ela usa pra inflar o ego e descarta quando cansa!

A verdade bateu de frente, sem filtro, arrancando o ar de Valentina. Ela escondeu o rosto nas mãos, o peito subindo e descendo numa crise de choro incontrolável e barulhenta.

Carol ficou em pé, respirando fundo. A raiva fervia, mas a dor de ver a melhor amiga se quebrando em pedaços por uma ilusão falou mais alto. Ela soltou um suspiro exausto, sentou no chão de azulejo ao lado da amiga e puxou a cabeça da amiga com força para o próprio ombro.

— Você vai acabar se destruindo por causa dessa mulher — Carol sussurrou, a voz embargada de raiva e carinho. — E eu não vou conseguir juntar os pedaços.

Valentina desabou. O choro, que antes era contido, virou um soluço rasgado que ecoou pelos azulejos. Ela escondeu o rosto na curva do pescoço da amiga,, agarrando o tecido do uniforme com as duas mãos, como quem se agarra a uma boia no meio do oceano.

Carol engoliu a seco, a postura defensiva murchando na mesma hora. Ela abraçou Valentina de volta, a mão descendo para afagar os cabelos da amiga num ritmo quase automático de proteção.

— Calma... respira, Valen. — Carol murmurou, a raiva dando lugar a uma preocupação genuína. — O que aconteceu? Me fala. O que essa mulher te fez?

Valentina tentou puxar o ar, tentou articular qualquer som, mas as palavras engasgavam na garganta. Ela só conseguia balançar a cabeça em negação, os ombros tremendo violentamente contra o peito da amiga.

O celular de Valentina estava jogado no chão, com a tela agora apagada. Carol soltou um suspiro pesado, esticou o braço e pegou o aparelho.

Ela sabia a senha de cor. Digitou os números rápido e a tela acendeu.

O WhatsApp ainda estava aberto.

A primeira coisa que viu foi a mensagem verde com aquele pedido desajeitado de desculpas. Os dois tiques azuis. E o vazio absoluto embaixo, escancarando que a deputada tinha lido e ignorado.

Mas o que a paralisou não foi a última mensagem. O polegar deslizou pela tela. Rolou para cima. E rolou de novo. O choque a atingiu como um tapa no rosto. Carol piscou, incrédula. Não era só um flerte unilateral. Havia um oceano ali. Dezenas de áudios de dois, três minutos de duração enviados no meio da madrugada. Textos longos. Respostas de Verena. Um histórico interminável e denso que gritava uma intimidade perigosa.

Ela parou de rolar a tela. A mão que segurava o celular começou a tremer de leve.

Ela achou que a amiga tinha ouvido seu conselho. Quando Valentina parou de falar da deputada meses atrás, presumiu que o surto adolescente tinha passado. Mas a verdade estava ali, brilhando na tela fria: Valentina não tinha se afastado. Ela tinha mergulhado no escuro, sozinha. E estava atolada até o pescoço.

Carol abaixou o celular devagar, o olhar fixo na parede do banheiro, absorvendo o peso do desastre.

— Valen... — a voz saiu num sussurro falho, uma mistura de choque e decepção. — Há quanto tempo você tá mentindo pra mim?

Valentina soluçou mais alto, apertando os olhos fechados, sem coragem de olhar para o rosto da melhor amiga.

Ela bloqueou o aparelho com um estalo seco. O som ecoou no do banheiro. Valentina encolheu os ombros no chão, esperando o grito. A bronca. O esporro que ela sabia que merecia.

Mas Carol apenas enfiou o celular da amiga no bolso da própria calça e se levantou.

— Levanta — a voz de Carol saiu dura, cortante, mas incrivelmente baixa.

Valentina balançou a cabeça, o peito ainda subindo e descendo pelos soluços.

— Carol, eu não consigo... eu não...

— Levanta, Valentina. Agora. — Carol se abaixou, agarrou a amiga pelos braços e a puxou para cima com uma força que não dava espaço para discussão. — O sinal vai bater em três minutos. Você vai até aquela pia, vai jogar água na cara e a gente vai voltar pra sala.

Valentina encostou na beirada da pia de mármore sujo, tremendo, as lágrimas ainda embaçando a visão.

— Eu não vou conseguir olhar pra ninguém... eu quero ir embora.

— Eu sei que dói. — Carol a puxou devagar, abraçando a amiga de lado e ajudando-a a ficar de pé, suportando parte do peso dela. — Mas o sinal já vai bater. A gente precisa sair daqui.

Então abriu a torneira, molhou algumas folhas de papel toalha e, com uma delicadeza que raramente usava, começou a limpar o rosto manchado e inchado da amiga.

Valentina apenas fechou os olhos, deixando-se cuidar, a respiração ainda falhando.

— O que eu faço? — sussurrou, a voz completamente rouca.

— Agora? Você termina de lavar esse rosto e a gente volta pra sala. — Carol jogou o papel na lixeira e segurou o rosto da amiga com as duas mãos, olhando no fundo dos olhos vermelhos. — E na hora da saída, você vai mandar mensagem pra sua mãe. Vai dizer que a gente tem trabalho de sociologia pra entregar e vai direto lá pra casa.

Valentina engoliu em seco.

— Fazer o quê?

Carol deu um meio sorriso triste, ajeitando o cabelo bagunçado de Valentina para trás da orelha.

— Você vai deitar na minha cama e vai me contar tudo o que aconteceu desde o dia em que você fingiu que tinha esquecido essa mulher. Sem pular uma vírgula. E eu vou te ouvir. Tá bom?

Quarto da Carol – 13h00

A mochila escorregou das costas e caiu com um baque surdo no chão de taco. A dona do quarto trancou a porta, encostou na madeira e cruzou os braços, respirando fundo para espantar o resto da tensão da escola.

Na cama de solteiro, Valentina já estava encolhida, abraçada a um travesseiro. Os olhos castanhos continuavam inchados, vermelhos pelo choro contido durante as últimas quatro aulas. O silêncio no ambiente era denso, cortado apenas pelo barulho distante da TV na sala.

— Quer água? — A voz soou baixa, quebrando o gelo.

Um aceno negativo com a cabeça foi a única resposta.

Carol caminhou até a beirada do colchão e sentou de pernas cruzadas, de frente para o furacão de culpa que havia se tornado sua melhor amiga. Ela tirou o celular do bolso da calça e o colocou com a tela virada para baixo sobre o criado-mudo. Uma rendição pacífica.

— Desembucha. E não tenta pular a parte que você acha que vai me deixar brava.

Os dedos nervosos apertaram a fronha do travesseiro com força. A respiração falhou duas vezes antes do primeiro som sair, frágil e carregado de vergonha.

— Ontem... a gente se encontrou.

— Entendi. Continua.

A garganta apertou. A imagem do carro luxuoso, do perfume amadeirado, do peso daquela mão na sua cintura. O rosto queimou de humilhação ao lembrar do silêncio devastador da manhã de hoje.

— Ela me levou pra comer um lanche. No carro mesmo... — A voz sumiu. Uma lágrima teimosa escapou, molhando o tecido do travesseiro.

A postura de Carol na beirada da cama enrijeceu. O tom de voz perdeu qualquer resquício de paciência.

— O que aconteceu no carro?

O arrepio gelado da culpa subiu pela espinha, misturado à lembrança física do calor daquela boca. A garota deitada apertou os olhos, a voz não passando de um sussurro esganiçado:

— Eu beijei ela.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Nenhuma bronca. Nenhum suspiro. Apenas o som da respiração falha no quarto.

Quando os olhos molhados finalmente se abriram, cheios de medo, encontraram uma expressão de puro e genuíno choque. A amiga estava paralisada, as sobrancelhas erguidas.

— Você... você deu um beijo nela? Na Verena?

— Foi só um selinho! — O desespero tomou conta, as palavras saindo atropeladas, tentando justificar o injustificável. — Eu achei que ela ia me afastar, que ia me dar uma bronca por ter feito isso, mas...

— Mas o quê?

A garota engoliu em seco, puxando o travesseiro com mais força contra o peito, como se ele pudesse protegê-la da própria confissão.

— Mas ela me puxou de volta. E me beijou de verdade.

Carol piscou duas vezes, tentando processar a informação. A boca abriu e fechou sem emitir som por alguns segundos.

— Espera aí. — Ela ergueu a mão, pedindo tempo. — Você beijou ela. E ela beijou de volta. De verdade.

Valentina assentiu devagar, o rosto ainda meio escondido, os olhos brilhando de lágrimas acumuladas.

— Tá. — Carol franziu a testa, a confusão substituindo o choque inicial. — Então me explica uma coisa: se vocês ficaram e foi recíproco... por que você tá chorando desde as nove da manhã como se alguém tivesse morrido?

Um soluço escapou, e Valentina afundou o rosto no travesseiro de novo, tremendo.

A amiga se inclinou para frente, a preocupação voltando com força total. O tom de voz baixou, cauteloso e protetor.

— Valen, olha pra mim. Ela fez alguma coisa que você não queria? Te forçou a algo depois disso?

Um aceno rápido e negativo debaixo da fronha.

— Ela te falou alguma merd* no carro? Te tratou mal?

Outro aceno negativo.

Carol abriu os braços, completamente perdida.

— Então o que foi, cacete? — Ela bufou, olhando para o teto antes de voltar os olhos para a amiga encolhida. — Foi... espera.

A ficha começou a cair, montando um quebra-cabeça que beirava o absurdo. Carol olhou para o próprio criado-mudo, onde o celular de Valentina repousava virado para baixo. Ela lembrou da tela no banheiro. Das três linhas inseguras. Do vazio embaixo.

— Valen, pelo amor de Deus... — Carol deixou os ombros caírem, a voz carregada de incredulidade. — Você tá nesse estado deplorável só porque ela não te respondeu hoje de manhã?

O choro de Valentina aumentou na mesma hora, um lamento agudo e envergonhado sendo abafado pelo travesseiro. Era a confirmação.

Carol jogou a cabeça para trás, soltando o ar pesado pela boca. Ela levou as mãos ao rosto, esfregando os olhos, sem saber se ria do ridículo da situação ou se chorava junto com a amiga. Aquela garota recatada, que até outro dia ficava vermelha só de cruzar o olhar com os meninos do grupo de jovens da igreja, estava completamente em frangalhos, destruída no chão de um banheiro público... por causa de um vácuo no WhatsApp.

O nível de dependência era assustador. O buraco era infinitamente mais fundo do que Carol imaginava.

 

— Meu Deus do céu, Valentina... — Carol murmurou, tirando as mãos do rosto e encarando a amiga com uma mistura de pena e espanto. — Você tá muito ferrada.

Fim do capítulo


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Comentários para 47 - Dependência Emocional:
Zanja45
Zanja45

Em: 17/03/2026

Autora, parabéns, você voltou a todo vapor!

Estamos bem servidos, agora!

Até o proximo!

PS:O novo capitulo pretendo ler amanhâ, porque o horário de hoje, já extrapolei!

Um grande abraço!


anonimo2405

anonimo2405 Em: 19/03/2026 Autora da história
Ahh obrigada minha querida.

Estou tentando compensar o tempo em que estive fora. E as férias tbm ajudam bastante rsrs.

Abraços! Bjs!


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Zanja45
Zanja45

Em: 17/03/2026

Ela está mesmo, pois está muito ansiosa, não consegue segurar as emoções. — S e ela quer dedicação exclusiva não vai ter. — Primeiro, porque Verena tem os compromissos dela, tanto pessoais quanto políticos— E também porque ela já passou da fase de adolecencia há muito tempo, apesar de que estar tendo comportamentos adolescentes quando o assunto é Valentina.


anonimo2405

anonimo2405 Em: 19/03/2026 Autora da história
Siim. E isso é só uma das muitas diferenças entre elas. Elas estão em fases da vida muito diferentes, querendo ou não isso sempre vai bater na porta delas.


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Zanja45
Zanja45

Em: 17/03/2026

Valentina entrou numa fase de depreciação e dependência terrível. — Que bom que ela tem uma amiga para tentar colocar um pouco de juizo na cabeça dela— porque ela rasgou o vèu que Valen estava tentando não enxergar. Só verdades nuas e cruas, para não dizer esmagadoras, porém realistas. Adorei o jeito dela ordenar para Valen " "levanta daí e lava essa cara e vamos voltar para a sala antes de o sinal bater". Tremenda demonstração de carinho e preocupação para com o bem estar dela. — Viva as boas amizades!


anonimo2405

anonimo2405 Em: 19/03/2026 Autora da história
É, Carol gora é âncora de realidade da Valentina. Em contrapartida, o Léo é o oposto.


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Zanja45
Zanja45

Em: 17/03/2026

Torcendo para que Verena não vire jantar de outros políticos, mas sim de Silvia, porque do jeito que ela está deixando rastros, não vai demorar a esposa descobrir. kkkk — bricadeira — Aquela lá está tão vidrada na maternidade que pensar em Verena traindo está difícil. — A não ser que haja algum vazamento de outros meios.


anonimo2405

anonimo2405 Em: 19/03/2026 Autora da história
kkkkkkk, é mas é bom ela ficar esperta. Na vdd, Verena precisa assumir a postura de mulher e resolver a vida de uma vez. Ficar com as duas não dá.


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Zanja45
Zanja45

Em: 17/03/2026

Até Isadora sobrou nas mentiras de Valentina, mas Carol que não é besta nem nada desbancou ela. Ela está muito pegajosa para o lado da deputada. Mostra - se claramente a carência dela. —Ela está insegura e implorando atenção, que ela mesma falou "mendigando" .—No entanto ela tem que saber que Verena tem outra vida, esposa e tudo mais. E ela não pretende deixar Silvia para ficar com ela. Ela está se iludindo com Verena, mas é até compreensível, pois ela ainda é adolescente e tendo as primeiras experências amorosas.


anonimo2405

anonimo2405 Em: 19/03/2026 Autora da história
Pois é. É bem isso, ilusão. Mas vamos ver o que vai dar né.

Abraço! S2


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Zanja45
Zanja45

Em: 17/03/2026

Silvia quase mata Verena com esssa história de gemeos. — Ela também sabe se divertir — Verena merecia uma dessas depois do que ela andou aprontando. — kkk! Ela teve que parar de atuar, pois foi demas o blefe para ela.


anonimo2405

anonimo2405 Em: 19/03/2026 Autora da história
kkkkkkk e olha que a chance de ser verdade é bem alta mesmo rsrs.


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Zanja45
Zanja45

Em: 17/03/2026

Valentina está saindo bem improvisando mentiras, mas quase que a mentira dela ia por água abaixo se a mãe checasse realmente para ver se ela estava febril. KKKK! — O vento levou a culpa — Se ela soubesse o tipo de vento que passou por Valentina, heim?! Que escandalo não iria ser? Nem quero pensar nas consequencias.


anonimo2405

anonimo2405 Em: 19/03/2026 Autora da história
Nossa, aí acabou tudo. Não ia sobrar nada.


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Zanja45
Zanja45

Em: 17/03/2026

Quero ver como ela vai sustentar duas relações, ainda por cima na base da mentira. — Pela fala dela ela quer manter o casamento com Silvia e Valentina vai ser apenas a outra— porque ela não quer ser descoberta, pois ela teme que Silvia descubra e tudo acabe virando cinzas.


 


anonimo2405

anonimo2405 Em: 19/03/2026 Autora da história
Exatamente. Essa vida que ela tá construindo, em cima de mentiras, não é nada legal e extremamente volátil. Sem falar que não sei até quando Valentina vai aceitar ficar nessa posição.


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Zanja45
Zanja45

Em: 17/03/2026

Valentina agiu como uma criança birrenta agora, sem querer largar Verena. — Hum a promessa de ser mais que um estofado de carro chamou a atenção da garotinha. KKK!

 


anonimo2405

anonimo2405 Em: 19/03/2026 Autora da história
Toda iludida rsrs


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Zanja45
Zanja45

Em: 17/03/2026

A verena não vale nada mesmo, consegue ser bem humorada nas horas mais impróprias. — Se agarrando como se o resto do mundo fosse um deserto, essa foi boa, muito boa mesmo.

 

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sky
sky

Em: 15/03/2026

Quando a bomba explodir será decepção pra Sílvia e toda sua família. Em contra partida temos a família extremamente religiosa da Valentina... o tanto que irão olhar com nojo e desprezo é imensurável

Será tratada com uma qualquer por toda congregação e sua base: FAMÍLIA! 

Prevejo muita dor e lágrimas até elas poderem explorar esse sentimento agora livres de qualquer amarra


lucys

lucys Em: 15/03/2026
Acho muito errado a atitude da verena. Tem uma mulher que ama e que terá seus filhos sendo traída dessa forma . Mas acredito que o amor entre Verena e Valentina é algo puro



sky

sky Em: 15/03/2026
Infelizmente a dor,mágoa,decepção por parte de ambos os lados que ainda não tem noção de toda história será gigantesca


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sky
sky

Em: 15/03/2026

Traição é imperdoável de todas as formas

A deputada está literalmente sendo escrota com a esposa e a adolescente.Usando uma como âncora de um barco furado

Enquanto enche o ego ao saber ter dominância diante de uma jovenzinhaundecided


anonimo2405

anonimo2405 Em: 17/03/2026 Autora da história
Olá Sky!

Olha, concordo e reitero o que disse no comentário anterior, traição é uma das piores coisas que o ser humano pode fazer. Isso gera sofrimentos indescritíveis.



sky

sky Em: 17/03/2026
É bem complicado...e quem já esteve numa situação assim sabe o quanto é semelhante à uma bomba relógio.
Triângulos é uma das energias mais pesadas que podemos mensurar e interpretar
No mais,essas duas (amantes) se amam só que enquanto uma tenta fugir do inadiável e óbvio;a outra ainda está tentando entender tudo isso que nada acontecendo com sua mente e coração


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Thalita31
Thalita31

Em: 15/03/2026

Olá, autora! 

  Desculpe, mas sinceramente, não consigo romantizar esse envolvimento entre a corrupta e a adolescente.    Para mim, ela tem o comportamento de homem hetero mulherengo que não pode ver uma novinha.   Se a Silvia conseguisse flagrar a corrupta traindo-a com a sua priminha. Acredito que ela num instante iria pedir a separação.    Enfim, parabéns pela escrita tão rica em detalhes. 


anonimo2405

anonimo2405 Em: 15/03/2026 Autora da história
Olá Thalita, boa noite!

Bom, primeiramente, obrigada pelo elogio! O objetivo é sempre dar ao leitor uma sensação de imersão. Então, se consegui em algum momento te transmitir isso, já fico muito feliz. E se não, continuarei dando meu melhor pra chegar lá.

E segundo, nao há o que desculpar. Entendo perfeitamente seu sentimento de indignação e talvez até certa angústia por ver essas injustiças. Eu como leitora, tbm já senti isso diversas vezes, as vezes pensava em parar com a leitura por não suportar algumas cosias rsrsrs. Mas a vontade de ver o desfecho sempre falava mais alto rsrs.

E de fato, traição é umas das piores atitudes que um ser humano pode ter. Pq geralmente vem de alguém que amamos. E isso jamais deve ser romantizado. E concordo que a Silvia muito dificilmente aceitaria manter o casamento com uma prova concreta.

E pra encerrar, deixo outra frase conhecida mas que acredito muito:

" Aqui se faz, aqui se paga"


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