Capítulo 39 – A Noiva de Outro
Narrado por Seraphina
O salão da Casa dos Montes estava iluminado por centenas de candelabros dourados. Os vitrais tingiam o ambiente com cores quentes e suaves. A música suave flutuava no ar, e risos ecoavam pelos corredores enquanto os convidados brindavam à união de Elara com o primo do conde.
Ela estava… deslumbrante.
Usava um vestido cor de marfim, com bordados de prata que reluziam sob a luz. O cabelo estava preso em um coque solto, com pequenas flores do campo trançadas entre os fios. Mas mesmo naquela beleza esplêndida, meu coração só enxergava uma coisa: o olhar.
Aquele olhar.
Triste. Perdido. Inquieto.
Um olhar que gritava por socorro em silêncio.
Horas antes, seus olhos diziam outra coisa. Diziam desejo, amor, entrega. Seu corpo havia se aquecido sob o meu, o gemido abafado em meu pescoço. Tínhamos nos amado como quem tenta estancar uma ferida aberta com ternura. Mas o mundo lá fora era cruel, e agora ela estava ali — prometida a outro.
As pessoas a cercavam, elogiando sua beleza, seu destino “afortunado”. E ela sorria. Um sorriso leve, mas vazio. Um sorriso que eu conhecia bem, pois também já o usei em público, tantas vezes… um sorriso que disfarça a dor.
Meus olhos cruzaram os dela por um segundo. E tudo congelou.
Ela desviou. Baixou o rosto. Seus dedos tremiam levemente ao segurar a taça. Só eu percebi. Porque só eu conheço cada detalhe dela. Cada expressão. Cada silêncio.
O noivo, o primo do conde, sorria largo. Tinha os olhos castanhos e ares de nobreza forçada. Tocava na cintura de Elara como quem exibe um troféu. E meu estômago revirava a cada gesto.
A dor se transformou em uma onda que subiu do peito até a garganta.
— Alteza? — uma dama se aproximou — A senhorita está pálida… está se sentindo bem?
— Não… — murmurei. — Me desculpe… preciso de ar…
Fingi um mal-estar e me retirei rapidamente. Cada passo apressado que dava, era como se o coração gritasse “Foge!”. Mas eu não tinha para onde correr. Eu havia perdido ela.
Assim que cheguei aos meus aposentos, desabei.
As lágrimas vieram antes que eu pudesse lutar contra elas. O soluço escapou da garganta como um grito sufocado há anos. Caí de joelhos ao lado da cama. Meu corpo tremia. A dor era física, real, como se estivessem arrancando algo de dentro de mim.
— Por que não posso te ter? — sussurrei para o vazio. — Por que o mundo é tão cruel com o amor?
Peguei o manto que Elara havia esquecido uma vez no meu quarto. O perfume dela ainda estava ali. E eu o abracei como se fosse ela.
— Eu te amo… — chorei, apertando o tecido contra o peito. — Eu te amo, Elara… e nada mais tem sentido sem você.
Naquela noite, o castelo estava em festa. Mas para mim, o mundo desmoronava. E mesmo assim… parte de mim ainda esperava. Esperava que, quando todos dormissem… ela batesse na minha porta de novo.
Mas a porta não se abriu.
E o silêncio foi a resposta mais cruel.
Fim do capítulo
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