Capítulo 40 – A Dor de Amar em Silêncio
Narrado por Seraphina
Os dias longe de Elara tinham sido um tormento, uma tortura silenciosa que espreitava cada batida do meu coração. As noites se tornaram longas e frias, mesmo sob os lençóis mais macios do reino. O lugar onde ela costumava deitar ao meu lado agora era só vazio. O travesseiro ao qual eu me agarrava não tinha mais o cheiro dela. E a ausência… era um fantasma constante.
Mas naquela manhã, os sinos anunciaram a chegada dos Montes — a família de seu noivo — e entre eles, estava ela.
Elara.
Do meu quarto, escondida por trás da cortina esvoaçante de linho branco, eu a vi descer da carruagem. O vestido azul-celeste balançava com o vento, e seus cabelos estavam soltos, como ela gostava nas tardes livres quando passeávamos pelo campo. Ela parecia... diferente. Mais mulher. Mais confiante. E ainda mais bonita.
Meu coração se apertou.
Então eu vi.
Ele desceu atrás dela e a puxou pela cintura com naturalidade, como se tivesse o direito. Elara não resistiu. Ela sorriu para ele. E… o beijou.
A cena se cravou na minha alma como uma lâmina fria.
Ela sorriu.
Para ele.
Ela estava sorrindo como sorria para mim? Aquela expressão era real… ou forçada como as minhas? O beijo foi leve, mas íntimo. Um beijo de quem está se entregando, de quem começa a aceitar um destino.
Senti meu peito se fechar.
Minha respiração falhou.
Me afastei da janela como se o sol tivesse queimado minha pele.
Elara… estava me esquecendo?
Ela… estava amando ele?
Tentei conter as lágrimas, mas elas vieram, silenciosas, traiçoeiras. Sentei-me na beirada da cama, apertando o medalhão que ela havia me dado, um dos únicos segredos que ainda dividíamos. Tudo em mim gritava. Tudo em mim implorava para que aquilo fosse mentira.
Como ela podia sorrir para ele, se havia chorado em meus braços?
Como ela podia beijá-lo, depois de dizer que era minha?
A dúvida era cruel. Mas o medo… ah, o medo era pior.
Medo de que ela tivesse se rendido.
Medo de que o tempo longe tivesse apagado em Elara o que em mim queimava mais a cada dia.
Eu era uma princesa, herdeira de um trono, destinada a um casamento político. Mas antes de tudo, eu era uma mulher apaixonada… por outra mulher. Por uma camponesa. Pela minha Elara.
Mas e se ela não fosse mais minha?
E se, naquele beijo, ela tivesse entregado o que restava do nosso amor?
Me levantei, cambaleante, e voltei à janela. Ela já havia entrado no palácio. Sumido pela porta dos fundos com ele. Não olhou para cima. Não olhou para mim.
E naquele instante, tudo pareceu perdido.
Fim do capítulo
Eu nem sei se existem palavras suficientes para explicar o tamanho da minha gratidão agora.
Ver minha história entre as mais lidas não é só uma conquista, é a prova de que sentimentos escritos com o coração realmente chegam em outras pessoas.
Sou profundamente grata a cada pessoa que tirou um tempo para ler, sentir, comentar, apoiar e acreditar no que eu escrevo. Vocês transformaram algo que nasceu dentro de mim em algo vivo, compartilhado, real.
Obrigada por caminharem comigo nessa história.
Vocês fazem tudo isso valer a pena. ?
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Zanja45
Em: 08/02/2026
Elara selou de vez a união dela com o primo do conde? Porque para Seraphina foi a ruína, ver Elara aceitando o destino ou até mesmo começando a sentir algo pelo duque. Foi um balde de água fria presenciar essa cena Para Seraphina foi como morrer.
Quero ver como Seraphina vai se portar diante de Elara, após ver o que ela viu.
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