Capitulo 5 - A água e o Fogo.
Narrado por Elara
Depois do baile, a madrugada não me deu trégua. Assim que os últimos convidados foram embora e o salão silenciou, Lady Alira me mandou ajudar a limpar o que restou da festa. Varri os pisos reluzentes até perder a sensibilidade nas mãos, recolhi taças de cristal que não poderia nem sonhar em tocar como convidada, e arrumei as mesas como se nunca tivessem visto vinho ou risos.
O corpo doía. Os pés, inchados. E o coração… o coração ainda latej*v*.
Porque durante toda a noite eu senti o olhar da princesa sobre mim. E aquilo era impossível. Insano. Ridículo.
“Você está ficando louca, Elara,” pensei mais de uma vez.
Mas como negar o calor que me subiu pelas costas quando vi aqueles olhos dourados cravados em mim? Como fingir que não notei quando ela hesitou em voltar a dançar, como se sua atenção estivesse presa onde eu estava?
Quando o sol finalmente se ergueu, escapando por entre as janelas altas do salão, peguei a trouxa de roupas sujas da noite — os vestidos finos das minhas irmãs postiças, os mantos de Lady Alira — e segui para o riacho, como fazia todos os dias.
Era meu momento de fuga. Ali, entre as árvores e a água corrente, eu podia respirar.
Deixei os tecidos de molho nas pedras, me ajoelhei para esfregar e, quando terminei, soltei os cabelos e me despi, desejando esquecer o cansaço e os olhares de julgamento. Entrei na água fresca com um arrepio suave, como se a natureza me abraçasse.
Fechei os olhos por um instante.
Pela primeira vez em muito tempo, me senti livre.
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Narrado por Seraphina
O dia seguinte chegou, mas meu corpo se recusava a aceitar os compromissos da corte.
Disse à minha aia que precisava de ar. Peguei meu cavalo, levei-o pelos atalhos fora dos portões e segui o som do riacho que serpenteava a floresta, como se meus pés soubessem onde minha mente ainda relutava em admitir que queria ir.
Eu não tinha planejado nada. Apenas segui o instinto.
Mas quando me aproximei da margem e afastei os galhos baixos de uma amoreira, meu coração parou.
Ali estava ela.
Elara.
Nua.
Seus cabelos soltos flutuavam ao redor do rosto, escorrendo como seda pelas costas molhadas. A luz do sol atravessava a copa das árvores, beijando sua pele como se o mundo reconhecesse a beleza que eu via.
Ela estava de costas, e ainda assim parecia tão… inteira. Tão forte e vulnerável ao mesmo tempo.
Eu devia ter ido embora. Ter me virado. Ter respeitado o momento íntimo.
Mas não consegui.
Fiquei ali, escondida entre os arbustos, em silêncio, admirando. Não com luxúria, mas com algo mais profundo, mais assustador.
Ela era linda. Mas mais do que isso, ela parecia sagrada. Como uma lembrança esquecida que o destino me fazia reencontrar.
E naquele instante, com o coração acelerado no peito, entendi que a presença de Elara me inquietava porque ela despertava em mim algo que eu nunca soube nomear.
Não era só curiosidade.
Era desejo.
Era conexão.
Era… destino.
Continua..
Fim do capítulo
Olá,
Até semana que vem pessoal.
Bjosss.
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