Capitulo 6 Labirinto de Sentimentos
Narrado por Seraphina
Voltei ao palácio cavalgando como se fugisse de mim mesma.
O vento batia no meu rosto, mas não era capaz de apagar o calor que queimava em minha pele. Cada vez que fechava os olhos, a imagem de Elara - com os ombros à mostra, os cabelos molhados colados à pele, os olhos fechados em paz - surgia de novo como uma pintura viva, gravada em fogo em minha memória.
Ao atravessar os portões do castelo, tentei recuperar a postura, erguer o queixo, retomar o controle. A princesa perfeita. A herdeira do trono. A que não se abala, a que jamais perde a razão.
Mas tudo em mim estava em desordem.
No instante em que entreguei as rédeas do meu cavalo ao estábulo, minhas mãos ainda tremiam. Subi para meus aposentos rapidamente, ignorando os cumprimentos dos guardas e dos criados no caminho. Bati a porta atrás de mim e encostei as costas contra ela, como se aquilo pudesse impedir meus pensamentos de escaparem.
"O que está acontecendo com você, Seraphina?", perguntei em silêncio. "Você está desejando uma mulher? Está desejando... Elara?"
Afastei a ideia com violência, como se fosse uma brasa.
Mas a verdade insistia em pulsar no meu peito, como um segredo que meu coração já sabia, mesmo que minha mente ainda lutasse para negar.
Nunca desejei ninguém. Não daquela forma.
Fui apresentada a lordes, a embaixadores, a jovens de sangue nobre que disputavam minha atenção com promessas e sorrisos ensaiados. Nenhum deles me fez sentir aquilo. Nenhum deles me tirou o fôlego com um único olhar. Nenhum deles fez meu coração acelerar ao ponto de doer.
Mas Elara...
Aquela criada simples, de olhos tão intensos quanto a floresta... ela me olhou como se enxergasse algo além do título, além das roupas, além da coroa. Como se me visse.
"Não pode ser," murmurei, caminhando até o espelho. Olhei para mim mesma, buscando nos meus próprios olhos alguma explicação. Algum traço de loucura.
Mas tudo o que vi foi medo.
Medo de sentir. Medo de desejar. Medo de não controlar.
"Preciso esquecer isso," disse com firmeza, pegando a bacia de água para me lavar. O toque frio talvez ajudasse a apagar o calor que Elara havia deixado em mim.
Mas quando fechei os olhos... ela estava lá outra vez. Sorrindo com doçura. Tentando se esconder do mundo, mas brilhando mesmo assim.
Suspirei fundo.
"Você é a herdeira de Aldoria. Tem responsabilidades. Um reino à espera. Um trono. Não pode... não pode se deixar levar por isso."
Mas mesmo enquanto dizia essas palavras, algo dentro de mim sussurrava: e se esse desejo for a coisa mais verdadeira que você já sentiu?
E, naquele instante, eu soube que afastar os pensamentos seria tão inútil quanto tentar impedir a noite de cair.
Elara havia entrado no meu mundo como um sopro de vento entre as muralhas. E a
lgo em mim... já não queria mais impedi-lo.
Fim do capítulo
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