Capitulo 7 O Que Eu Não Posso Sentir
Narrado por Elara
O sol já começava a se inclinar no céu quando terminei de estender as roupas no varal improvisado ao lado do casebre. A água ainda escorria pelas pontas dos meus cabelos enquanto eu me ajeitava como podia, vestindo meu vestido simples e amarrotado, com as mãos ainda ásperas do sabão.
O banho no riacho havia sido revigorante, mas o que realmente me deixou inquieta foi a estranha sensação de estar sendo observada. Por um instante, senti algo… como se um olhar me atravessasse a pele e tocasse direto a minha alma. Virei-me várias vezes, mas não vi nada além das árvores e o brilho da água. Devo estar ficando louca, pensei.
Suspirei e sacudi a cabeça, tentando afastar a sensação que insistia em ficar grudada em mim.
Com a cesta de palha vazia no braço, segui o caminho de terra batida até o centro da vila, onde a feira fervilhava de vozes, barracas coloridas e o aroma de pão recém-assado misturado ao das frutas frescas.
As moedas que minha madrasta me deu mal dariam para as compras, mas com jeitinho e paciência, consegui negociar legumes, dois pães e um pequeno pedaço de queijo. Enquanto caminhava, ouvindo os pregões dos feirantes e desviando das crianças que corriam descalças, meu olhar foi atraído pelos portões do palácio ao longe.
Eles se abriram.
Meu coração disparou.
Instintivamente parei, como se meus pés se recusassem a dar mais um passo. Meu peito doía de expectativa, e uma parte de mim – a parte que eu não entendia – desejava vê-la.
Seraphina.
Mas não era ela. Era apenas uma carruagem de nobre qualquer, seguida por guardas, passando sem me notar. Mesmo assim, meu coração demorou a se acalmar.
Por que ela estava nos meus pensamentos?
Eu nem a conheço direito. Ela é uma princesa, criada entre sedas e coroas. E eu… eu sou só uma criada de segunda, vestida com trapos e com as mãos sempre sujas de terra ou de sabão.
Mas havia algo nela. No jeito que ela me olhou durante o banquete. Seus olhos intensos encontraram os meus por um instante, e juro por tudo que é sagrado… parecia que ela via quem eu era por dentro.
Desde aquela noite, algo se remexe dentro de mim, como se uma parte esquecida da minha alma tivesse despertado.
Eu não sei o que estou sentindo pela princesa…
É errado?
É proibido?
É impossível?
Mas o que posso fazer quando meu peito aperta, quando meu corpo estremece ao lembrar do rosto dela, da forma como seus lábios formam palavras, como seus olhos percorriam a multidão e paravam em mim?
Algo nela me atrai, me assusta, me prende e me inquieta.
Seraphina…
Apenas sussurrar o nome dela já me faz sentir algo que nunca senti antes. Um calor tímido, um arrepio na espinha, um tremor que começa no estômago e termina no coração.
Talvez eu esteja sonhando alto demais.
Ou talvez… eu esteja descob
rindo, pela primeira vez, o que é se apaixonar.
Fim do capítulo
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Zanja45
Em: 12/01/2026
Ah, Elara não viu mas sentiu que alguém a observava.
Essa atração que ela está começando a sentir pela princesa está fazendo ela ficar mais viva, apesar de ver como algo impossível, proibido. No entanto algo na forma de Seraphina olhar para ela , meio que criou uma conexão entre elas e pela primeira vez vez na vida Elara está se apaixonando.
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