Segredos por Elliot Hells
Capitulo 57 Hospital Central de Nova Amsterdam recuperação da detetive.
Córdelia havia voltado para o quarto de sua sobrinha, Ficou acordado que Elizabeth dormiria lá por hoje para fazer companhia a prima, pois seus pais alegaram que estariam ambos de plantão médico em outro hospital de Nova Amsterdam.
Córdelia e Holand se despediram das garotas e tinham trazido roupas para ambas quando fossem liberadas amanhã pela manhã. Elizabeth tentou saber se poderia visitar a amiga detetive, mas agora o horário de visita estaria suspenso, só mesmo os acompanhentes estavam permitidos de entrar no quarto, além dos próprios médicos e enfermeiros.
Enquanto estava na recepção escutava os “clique-clique” dos saltos ecoando no piso de linóleo da entrada, ela virou para ver quem era e lá estava Sophie, desfilando com todo rigor e com duas bolsas cheias. A amiga não pode deixar de abrir um sorriso.
- Oi Lô, vem me dá aqui essas bolsas. – Liz pegou rapidamente para ajudar a amiga. – Vai ficar com a Rainha do Gelo?
- Oi albina, não a chame assim, ela ainda não recobrou a memória – Sophie dizia enquanto caminhava para o quarto da detetive. – Estou preocupada. Mas e você, o que faz aqui?
- Minha prima sofreu um acidente doméstico, uma picada de algum animal peçonhento, enquanto cuidava do jardim. Mas já está fora de perigo, será liberada ao que tudo indica amanhã. – apressou-se em dizer. – Hoje estarei acompanhando ela.
- Eu lamento, ela já foi medicada e sente-se melhor? – Sophie conversava.
- Sim, bem melhor. Tentei visitar a Val, mas o horário acabou de visita, então, quando for vê-la mande as minhas lembranças e melhoras para as memórias delas. – Elizabeth deixou Sophie a cinco passos da porta. Abraçou a amiga e se despediu depositando um beijo em sua bochecha carinhosamente.
- Certo, certo, eu direi para ela, melhoras para sua prima também, depois me apresente. – retribuiu o mesmo abraço e beijo.
- Pode deixar, Lô!
Despediram-se e Sophie entrou no quarto hospitalar da detetive.
O aspecto de Valquíria estava melhor a cada dia, embora ainda fosse um pouco difícil de conversa com ela, Sophie aguardava pacientemente para que as memórias da amiga voltassem.
- Uma de nossas amigas, Elizabeth, esteve aqui e mandou melhoras para você. – dizia enquanto entrava e colocava as bolsas na larga poltrona. – como está se sentindo hoje?
- Ah, obrigada e estou bem. – a pouca conversa novamente voltava-se a reinar.
- Trouxe algo para você. – Sophie retirava da sua bolsa o notebook da outra. – aqui, pensei que ajudaria a lembrar de algo.
- Você esteve na minha casa? – Valquíria estava irritada com a audácia da outra que não ligava, afinal, já esteve muito na casa da detetive, bem como ela na dela.
- Não importa se você acha que ultrapassei alguma linha, você já dormiu na minha casa e aparecia às 3h da manhã, me fazia trabalhar por 24h no departamento. Entrar e estar na sua casa é o mínimo do que já fizemos. – a legista soltou tudo de uma vez, Valquíria ergueu a sobrancelha, mas aquela atitude de fato poderia ajudar e ela sabia disso.
- Certo, obrigada!
Sophie estranhou, mas enfim um gesto de gratidão.
Aquele dia fizeram exatamente como de costume, Sophie tomou seu banho, trocou de roupa, trabalhou, tentou conversar com Valquíria sobre alguns casos e quando era tarde da noite, adormeceu. Mas diferente das outras noites, Valquíria estava com seu notebook e fuçava-o freneticamente. Dentro de diversas pastas, e caminhos secretos encontrou a pasta intitulada de “minhas investigações pessoais”.
Valquíria lembrava que sempre desejou manter uma pasta com as informações de cada pessoa que se aproximava dela para garantir que de fato aquela pessoa era “boa”. Não confiava muito nas pessoas. Surpreendeu-se quando de fato encontrou uma pasta dentro dessa pasta com o nome “Sophie Seyfried”. Estreitou seus olhos e clicou.
Observou a doutora e ela dormia calmamente. De fato, desde que voltou, todos os dias ela estava ali, sempre cuidando de si. Sendo companheira, protetora e amigável. Queria lembrar quem era essa mulher na sua vida e ali no seu computador deveria ter informações dela para ela mesmo, ou seja, informações seguras e certas.
Dentro daquela pasta continha mais pastas sequenciadas por anos. A começar pelo ano de 2015 até 2018. Clicou na pasta de 2015 e no primeiro arquivo intitulado “relatório” teve o resumo do que anotou sobre a legista. Começou a ler as primeiras linhas:
O primeiro caso compartilhado com a doutora Seyfried foi um sucesso. Diferente dos homens que estou acostumada a trabalhar desde que assumi esse trabalho, ela trata todos de igual por igual e impõe certo respeito. Lida bem com o avanço dos abutres da imprensa. O que alivia esse momento para mim. Para além disso, detém um poder observacional intrigante quanto a mim. Parece que sempre está por perto quando os abutres aparecem e começam a vasculhar sobre os casos. Ela esvai e os coloca no lugar como ninguém.
As primeiras linhas resumiam exatamente isso. Continuava a ler e havia traçado todo o perfil psicológico da legista que foi alimentado a medida que se aproximavam. Viu que no início a descreveu como uma pessoa dócil e de temperamento equilibrado. Com o passar dos anos escrevia que era alguém confiável e que podia contar. Recentemente em 2017 e 2018 Sophie já havia ocupado um lugar importante para a detetive a escrevendo como alguém essencial em sua vida, na qual poderia contar sem sombra de dúvidas.
Dentro de cada pasta, haviam cascatas de backups de conversas trocadas pelo telegram entre elas duas, milhares de fotos. Treinos e um depoimento de agradecimento por Valquíria ter salvo a vida de Sophie no momento do sequestro. Naquele exato momento a detetive escreveu em seu relatório: “Percebi que a simples ideia de perde-la, foi o golpe mais fatal que ocorreria em toda a minha vida. Vejo que Sophie conseguiu conquistar um lugar muito importante, no qual não poderia ser substituído ou repreenchido sem a sua presença. Não seria a mesma coisa sem ela aqui!”
Valquíria a encarava novamente. Sua cabeça parecia latejar um pouco, de fato fez um intensivo para recuperar as suas lembranças. Ao menos, aquela leitura a ajudou bastante e flashbacks invadiram sua mente. Ela recordou de muita coisa quanto a Sophie. Agora, aquele rosto alvo, não era estranho para si, aos poucos recuperava a sua importância e significado.
A forma que escrevia sobre a legista agora era diferente, principalmente com os últimos acontecimentos da legista ter sido sequestrada, da forma que ficou preocupada com ela e o pensamento de medo por quase perde-la. Decidiu por treinar a legista em defesa pessoal.
O relatório mais recente descrevia o seguinte:
O caso Lins mostrou-se diferente e com certa reviravolta, embora tenhamos resolvido, e por mais que já tenha passado por casos piores, situações mais drásticas e perigosas que colocavam a minha vida por um fio. Nunca temi tanto, quando senti que a vida de Sophie estava por um fio e que só dependia de mim para salvá-la! Quando a resgatei e salvei daquele porão, senti como se tudo no mundo pudesse ser perdido, com exceção dela, ela deveria estar sempre a salvo. Naquela noite, seu corpo tremia e estava assustada, não tinha a visto tão vulnerável.
Em nosso trabalho, correr risco é um dos requisitos, porém, nunca estamos prontos verdadeiramente quando o ruim nos encontra. Decidi por treiná-la, por dar para ela a segurança que deveria e ela ficou em minha casa por dez dias.
Os dez dias mais íntimos de toda a minha vida, dormir e acordar com ela. Dessa vez, não era eu que estava tendo pesadelos, era ela. Então, eu precisava velar pelo sono dela, passamos a compartilhar a minha cama. E cada vez que ela se assustava e se agitava no meio da noite em um sono pesado, eu a abraçava e só assim ela se acalmava, nunca soube se ela percebia isso ou não, pois não acordava e no outro dia estava melhor.
Corriamos, conversávamos e fora o melhor tempo que já tive. Ter a Sophie por perto dava um outro ar a minha casa vazia. Eu descobria um novo sentido e significado de família, de cuidado, de carinho, gostar e afeto.
A madrugada era longa e os arquivos e registros também. Saindo da pasta de Sophie, outra ao seu lado chamou atenção. A pasta estava descrita como “Elizabeth Heinz – a família Heinz”.
Valquíria havia escrito que Elizabeth Heinz era uma amiga bem antiga da doutora Seyfried, alguém que no início daquela amizade com a loira, ela tentou apresentar, contudo ela nunca estava disponível o suficiente para sair ou qualquer outra coisa do tipo. Demorou muito para se conhecerem formalmente e pessoalmente, contudo já sabia do histórico devasso da amiga da Sophie. Porém, a sua pesquisa não se restringiu apenas sobre a Elizabeth Heinz, mas resolveu fazer uma busca profunda sobre a família. E foi com a família que encontrou mais informações secretas.
A família Heinz, ganhou grande destaque muito antigamente. Até mesmo os próprios Heinz, não sabiam de toda a origem desde 1360. Toda a história com os Heinz surgia já quando ficou conhecida e densamente famosa. Contudo, antes mesmo disso, o primeiro Heinz conhecido e nascido em 1360 e viveu até 1429, foi Hans Von Heinz um cidadão comum e fortemente trabalhador que conquistou o coração da jovem Ginevra Bueri irmã mais nova de Piccarda Bueri, conhecida por casar com Giovanni di Bicci de Medici.
A história dos Heinz começa a se fundir e ir galgando diversos caminhos quando Giovanni Medici começa a instruir Hans Heinz por ver nele uma forte vontade e domínio de vencer na vida. Foi com a casa dos Medicis que os Heinz começaram a subir. Da Casa dos Medicis provieram quatro papas, que começaram a se tornar líderes do ducado de Florença. Desses papas, um coroou Carlos Magno von Heinz, mas não subiu a história, pois havia renunciado.
Durante um longo hiato e grande trabalho dos Heinz apoiando o crescimento dos líderes de Florença, os Medicis cresceram. Em 1508 ocorriam fortes desavenças e conflitos entre a família crescente da casa dos Heinz com os Habsburgo.
É claro que os Medicis, não poderiam ficar de fora, em resumo, a casa dos Medicis foram uma das mais ricas famílias da Europa por um longo período. Adquirindo grande poder político, dominando Florença, depois a Itália e até mesmo a Europa em geral. Contudo seu apogeu foi entre os séculos XV e XVII, até que sua linhagem direta extinguiu em 1737.
Não se sabia que na verdade Cosme III de Medici, o Grão-duque da toscana, embora tivessem três filhos: Fernando de Medici, Ana Maria Luísa de Medice e João Gastão de Medici, tinha tido um filho bastardo fora do casamento, unindo novamente os Medicis com os Von Heinz. Holand August Von Heinz e se fosse reconhecido naquela época, de Medici. Assim, devido a forte intriga que tiveram, por Cosme III, matar a mãe de Holand August para jamais manchar e contar que teve um filho fora da linhagem dos Medicis, ele silenciou matando-a.
Holand que na época era uma criança observou tudo e quando cresceu, matou os quatro últimos Medicis, sem dar a chance da darem uma linhagem para a casa dos Medicis. Contudo, antes de matar Cosme III, Holand August o fez assinar toda a riqueza da casa dos Medicis para o ducado dos Heinz, quadruplicando todo o poder da família. Formando uma grande potência.
Durante as guerras napoleônicas, o império foi dissolvido, mas somente após a derrota de Napoleão em 1815, criava-se a confederação Germânica, vinda a ser fundada por Holand August Von Heinz e que criou também a confederação da Alemanha do Norte, sendo percussora do Império Alemão.
O império alemão era governado pelas famílias reais, que incluíam reinos, grão-ducados, ducados, principados, cidades hanseáticas e território imperial. Como referencia, a Alemanha dominada e regida pelos Heinz, depois o Reino Unido e por fim a França. Essas três grandes linhagens formaram uma sociedade secreta, Metafisicus que lançaram as regras do torneio do grãn-Masters. Essa sociedade secreta Valquíria não sabia muito bem o que era e tinha sido impedida de descobrir por regimes federais, porém era até ali onde poderia saber. A rica, renomada família Heinz carregava um enorme segredo que não dominava somente Nova Amsterdam, mas grande parte global.
Seu relatório sobre a Elizabeth Heinz também não falava nada demais sobre a jovem, apenas que de fato possuía diversos bens e era boa treinando cachorros, além dos atributos construídos por ela mesma quanto advocacia e demais. Sua última informação é que ambas estão treinando a Blues para criarem um grupo K-9. Um pouco mais de flashbacks invadiu a sua mente do final de semana que passaram na casa de praia, lembrou da trilha que fizeram e de rostos desconhecidos anteriormente, mas que agora estava sendo recordado.
A outra pasta era sobre Henrique Hernandez, nada era tão relevante, alguns fatos da sua família e sobre está assumindo com seu avô as rédeas das multi empresas dos Hernandez. A pasta mais curiosa era a de Vivienne, sua família formada por médicos mais conhecidos de toda Nova Amstedam rapidamente conseguiu todo o histórico, juntamente com os casos de Kitty. O curioso era quando fundia as informações de Vivienne com os de seu marido Alexander Hoffman, as mesmas informações eram obtidas em todos os locais de forma resumida: herdeiro dos Hoffmans.
E claro, novamente era barrada quando pedia arquivos de natureza internacional, nunca conseguia preencher todas as lacunas quanto aos segredos dos Hoffmans. Nesse momento, podia dizer que 99,98% de sua memória havia voltado. De forma incomum, certamente. Mas as gravações e leituras feitas por ela mesmo para ela foram de tremenda ajuda.
Fim do capítulo
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