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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 4658
Acessos: 158   |  Postado em: 26/11/2024

Capitulo 52 Heinz e Maia (parte I)

Era uma sexta-feira a tarde, mais ou menos 16h30, Izzy estava cansada, reuniões de família, principalmente os Heinz de primeira linhagem a deixavam sobrecarregada e sem nenhum pingo de energia. Sabia que precisava relaxar e tirar um tempo para si, Bess havia combinado que ela ficaria em casa, enquanto a irmã poderia sair.

Por mais que a irmã tenha dito para ela se divertir ter uns encontros, desde que seu passado entrou na sua porta, ela não estava mais sendo a mesma. Dizia que teria encontros, quando na verdade ficava dentro do carro rodando pela cidade sem fazer nada em especial além de refletir.

Nesse dia, ela ficava responsável por estar com a Blues, a border collie, estava crescendo rapidamente, ficando mais peluda e maior. O treino com a equipe que a Valquíria sugeriu já havia começado, então a pequena havia aprendido a rastrear objetos perdidos, treino de resgate, a posição certa para indicar quando havia encontrado algo seja objeto ou pessoas. O treino de faro já foi utilizado para encontrar outras pessoas em um longo raio de distância. Porém, mais do que treino, hoje a border sairia apenas para relaxar, para socializar e interagir com outras pessoas de diversas idades e cães.

Izzy refletia que Sophie estaria preocupada com os acontecimentos com a Valquíria. No momento, estava sendo aconselhado apenas a legista ir para lá, pois ela estava com uma perda de memória, então faria o rodizio de pessoas aos poucos para a detetive fazer o reconhecimento.

Todos os dias Izzy falava com Sophie, perguntando se estava tudo bem e mesmo enviando comida e coisas que a legista gostava para sua casa para que ela não tenha que cozinhar, afinal, sabia que estaria sendo puxado trabalhar e conciliar com as idas no hospital. Então ela fazia sua parte como amiga.

A Heinz mais nova estacionava seu carro em um departamento do campus, saiu e logo dava espaço para a Blues, pedindo um fica. Retirou guia e todo o equipamento de água, bolinha dentre outros brinquedos. Era o campus da sua antiga universidade, no local onde havia um grande campo verde e ao longe um pequeno lago. Era afastado, poucos compareciam ali. Liberou Blues para sair e essa correu livre para o campo, sendo seguida por Izzy com a mochila nas costas. No inicio apenas viu a sombra de um cachorro preto e branco correndo para lá e para ca pegando uma bolinha com um salto no ar. Era lindo de se ver o movimento daquele cão. Algumas arvores robustas impediam de ver a pessoa que estava com aquele cão.

A Blues queria interagir com o cão, abanou o rabo, fez uma posição de playball para o cachorro maior a sua frente. Ele era bem peludo, mesma raça da blues, so que de uma linhagem de exposição. Ela ficava abaixada com um bumbum para cima, balançando a calda. Ele rapidamente entendeu a linguagem canina dela e retribuiu o playball e começaram a correr e brincarem[1]. O border preto com branco conduziu Blues até o lago e se jogaram num salto, eles começaram a nadar. Izzy ria alto ao longe, enquanto se aproximava dos cachorros e percebia que saindo por trás daquela árvore com grande copa, uma mulher morena, não ligou de imediato para ver. Apenas podia sentir que ambas não se fitavam e estavam concentradas em seus cachorros. A risada era mútua, até que aquele riso tornou-se familiar. Já tinha ouvido aquela risada doce em algum lugar, onde?

- Isso, Bessy, muito bom!! Quem é a sua nova amiga? – a morena se ajoelhava para falar com seu cachorro e depois a Blues começava a falar com ela, ambos molhados e depositando uns “lambeijos” no rosto da morena que apenas sorriu. A morena não parecia ligar em molhar suas roupas, aparentava se divertir.

Izzy se aproximou deles e percebeu que se tratava de Lorelai, um aperto em seu coração bateu. Blues que viu sua tutora se aproximando, correu feliz e se sacudindo para o lado dela. Lorelai se virou para ver quem era, e lá estava Izzy em pé atrás dela. Blues e Bessy começaram a correr e se esfregar naquele campo de grama. Durante uns três minutos elas se olhavam em silêncio, Lorelai ficou em pé e passou a encará-la de forma amigável.

- Eu não sabia que você tinha um cachorro. Ela é linda e parece que o Bessy gostou muito dela. – Falava tentando quebrar o gelo, além de aproveitar aquele momento leve que os própios cães estavam proporcionando. Estava constrangida, da última vez que viu Izzy a outra fugiu de si e quem tinha assumido boa parte da agenda de teatro era a Bess. Então, ali estava frente a frente com a gêmea mais nova.

Izzy franziu o cenho com o nome.

- Bessy? – seu tom saiu de pura dúvida e interrogação.

Por um momento Lorelai ficou sem jeito e envergonhada, a mulher impassível e chefe executiva era somente no escritório, fora dele era apenas uma pessoa comum. Principalmente pela pessoa a sua frente ser a pessoa que ela mais amou.

- Sim... é o nome dele. – disse descontraída. – ele tem três anos.

- Por que é que o nome dele parece a junção de Bess mais Izzy? – ergueu a sobrancelha e cruzou os braços.

- Ah, sabe que eu nunca havia percebido, nossa que coisa não é? – segurou o riso e desviava o olhar tentando não ser pega por esse fato.

- Você juntou nossos nomes para batizar o seu cachorro? – Bessy chegou e ficou ao lado de Izzy, fazendo um perfeito cumprimenta. Seja qual foi a reação anterior da Heinz, foi suavizada pelo cachorro e ele fez com que ela soltasse um sorriso também. Ela abaixou para acaricia-lo e ele retribuiu com uma lambida na face.

- Parece que ele gostou de você e são quase xarás, logo um cachorro reconhece outro. – Soltou uma piada sem se sentir e depois fechou os olhos com força e franziu os lábios como se castigasse a si mesma. “Mas que língua Lorelai! Que língua!”.

- Ao menos um dos Nunez Maia está gostando de mim verdadeiramente. – a alfinetada foi retrucada acidamente.

- Tudo bem, tudo bem – recuou alguns passos. – pelos cachorros vamos ficar em paz? Afinal eles sentem a atmosfera intensa e podem não ficar mais a vontade. – ela voltou a olhar os dois correndo livremente e um puxar do outro um graveto grande. – eles estão se dando tão bem, ao menos vamos deixar a linhagem Heinz e Maia serem pacificas neles?

Aquele argumento acabou por ser entendido por Izzy e de fato os dois borders estavam se dando muito bem e não queria quebrar isso por causa de algo assim. Izzy resolveu sentar e retirar da mochila dois potes com água para ambos. Com a brincadeira, ambos estavam cansados e haviam brincado muito.

Os cães deitaram com suas línguas para fora da boca, tremendo freneticamente, indicando o quanto estavam esbaforidos. Os dois borders estavam com os olhos estreitos indicando total relaxamento agora. A sintonia deles eram incríveis, diferente dos da tutora de cada um.

Lorelai que também estava com uma bolsa, retirava dos potinhos que a Nonna havia ajeitado para ela e para o Bessy alguns aperitivos, frutas desidratadas e os petiscos. Os olhos atentos de Elizabeth Victoria passeavam por cada atitude tomada por Lorelai. Estar com o seu passado a poucos centímetros de distancia. Sentia seu íntimo com um mix de sentimentos e odiava isso. Ali observando Lorelai, percebeu em seu pulso direito uma pulseira com um formato curioso como cadeado. Um fragmento de memória de sua adolescência surgiu em sua mente.

 

FLASHBACK OF POINT OF VIEW ELIZABETH VICTORIA

           

Como deveria ser recordado, após meus estudos na Alemanha com meus primos Joseph e Charlie, fomos mandados para os países que nossos pais estavam crescendo poderosamente. Aos 16 anos vim para o Brasil, na cidadezinha de Nova Amsterdam. Conheci a Lorelai na nossa escola do ensino médio, responsável pelas três formações.. Quando estava com 17 anos descobri ou melhor, acho que posso dizer “nós” descobrimos nosso gosto por mulheres, inclusive a minha atração por Lorelai. Mas não só isso foi descoberto, ela também descobriu nosso maior segredo, que eu era gêmea.

É claro que com essa descoberta, ela jurou não revelar jamais nosso segredo e acredito que isso manteve-se até agora. Além dos meus pais fazerem assinar um longo contrato. Nosso relacionamento, havia começado ali. Com nossos 17 anos.

Naquele tempo, era costumeiro na família de Lorelai, fazerem uma viagem em família para a França todas as férias e finais de ano. Estávamos namorando a poucos meses e justamente nossas férias do ensino médio haviam começado. Lorelai voltaria para a França, enquanto eu e minha irmã deveríamos ter novas aulas particulares para treinarmos e aprimorarmos nossas habilidades para o futuro jogo entre famílias que aconteceria aos meus 28 anos com meus primos, essa era a norma. Eu ainda não havia contado sobre isso para ela.

Achava que era loucura demais para ela entender, sendo assim, Bess me aconselhou a falar sobre isso quando ela voltasse. Por já estarmos em um relacionamento, Lorelai podia dormir em nosso quarto. Éramos três adolescentes conversando sobre tudo e todos e claro, gostávamos de pregar peças nela. Principalmente durante os primeiros dias que ela não sabia nos diferenciar. Ocorria momentos que trocava de lugar com a Bess, só para saber se a Lorelai saberia.

Nessa idade, Lorelai era sim a primeira pessoa e mulher que havia me envolvido seriamente, consequentemente, era a primeira pessoa da Bess também. Tudo em nossa vida foi compartilhado, nossos gostos, nossas roupas, nossa vida e pela primeira vez havia algo em mim narcísico e egoico, cujo nome era Lorelai.

Eu a queria só para mim e principalmente eu estava feliz em poder ter uma individualidade. Contudo, estar com Lorelai havia um preso. Nossos pais diziam que por sermos novas demais, deveríamos sim, compartilhar aquele momento a três. Principalmente, porque esse tipo de situação era novo para todos nós. Conversei com Bess sobre isso e errei por não ter feito isso antes.

- Izzy, desde o momento que a Lô – era assim que a Bess a chamava, cada uma tinha dado um apelido distinto para Lorelai. – entrou em nossas vidas e soube o nosso grande segredo, eu sabia que algo como a nossa possível individualidade estaria em jogo e essa parte cresceria.

- Você pensou nisso antes de mim? – indaguei para a minha irmã que estava comigo no nosso quarto. Eu sentada na cama, enquanto ela na nossa cadeira em frente a mesa de mogno do computador. Olhava gentilmente, sempre me olhava assim, protetora, gentil e benevolente.

- Sim, embora existam duas Elizabeth Victoria, acho que somente uma delas pode amar verdadeiramente a Lorelai. – minha irmã iniciou o assunto. – Lembra quando eu te aconselhei a saber se de fato você gostava dela?

- Sim, eu me lembro, você disse para eu falar com outras garotas. – disse prontamente e ela confirmou com a cabeça.

- Exato, nós saímos com outras garotas, tanto você quanto eu mesma e podemos saber que para nossa sorte, temos o mesmo gosto por mulheres. Porém, você descobriu também que de fato seu interesse amoroso era pela Lô e ela por você. Minha decisão a partir desse dia foi ser amiga dela e termos, enfim, nossa própria individualidade.

- Não sei se isso dará certo. Sempre fizemos tudo juntas e o que tudo isso implicará? Namorar com a Lorelai implica que você não pode namorar com mais ninguém e você nem mesmo teve a chance de conhecer alguém que de fato goste. – levantei da cadeira me ajoelhando na frente dela. – Por isso, vamos dividir.

Ela tocou no meu rosto e parava as lágrimas que caíam, embora eu soubesse da individualidade, também sabia que aquilo cortava qualquer chance da minha irmã conhecer alguém e ser feliz também. Nada mais justo do que compartilhar a minha felicidade com ela.

- Izzy, sabe que te amo muito. Você é minha irmãzinha caçula, mesmo que por cinco minutos, mas é a minha caçula e como mais velha sempre vou te proteger. – Bess dizia ao me levantar e se levantar também. Senti seu abraço. – Não é algo que somente nós duas podemos decidir. Lorelai também terá que ter voz nisso. Contudo, eu me decidi quanto a sermos amigas.

Eu retribui aquele abraço  e disse baixinho:

- Nossa vida não é certa. Você sempre deu preferencia aos meus gostos do que os seus. É minha irmã mais velha, sim! Embora sejamos uma Elizabeth Victoria na teoria e na prática sejamos duas, eu quero que nossa felicidade seja em conjunto! Não serei feliz, sem saber se está. Então, dividiremos sim!

Naquela noite, Lorelai dormiria conosco, pois no outro dia iria viajar para a França com sua família. Sendo assim, queríamos passar um tempo juntas. Ela chegou e entrou no nosso quarto, trazendo salgadinhos e umas bebidas. Lorelai era um ano mais velha do que nós, então teve a autorização de comprar as bebidas. Eu fui até a direção dela e a dei um beijo, assim ela soube que era eu.

- Trouxe algumas coisinhas para a nossa despedida. – informou com a mão cheia de sacolas.

Minha irmã levantou da cadeira e a ajudou a carregar todas aquelas coisas.

- Seu gosto pelo exagero me fascina, Lô, a loja que você assaltou sabe que tudo isso são só para três pessoas? – dizia Bess com seu humor afiado de sempre.

- Ah, acho que não, talvez na próxima eu informe para eles que é uma festinha à trois. – Lorelai pisca para ela, recebendo como resposta o revirar de olhos da minha irmã e depois um sorriso cumplice foi partilhado entre nós três. Era assim que ocorria nossa sintonia.

Abrimos todos aqueles lanches e começamos a jogar conversa fora, principalmente de qual universidade desejaríamos entrar.

- Qual vocês pensam fazer? – questionou Lorelai, tomando um pouco de cerveja Heineken. – é nosso último ano na escola.

- Faremos o que está previsto para fazermos. – Bess se apressou em falar e eu a completei.

- Direito. – conclui, e depois peguei a garrafa da mão de Lorelai e tomei um gole e passei para a Bess que tomou logo em seguida e devolveu para Lorelai.

- Vocês não podem fazer uma outra? Por que não tentam teatro junto comigo? – sugeriu ela.

- Teatro? – falamos Bess e eu juntas.

Uma gargalhada alta foi solta por ela.

- Vocês ficam sempre muito engraçadas quando fazem isso. – ela continuou – Se me lembro de todo o quesito e história vocês precisam ser uma só. O que já fazem muito bem e mesmo que vocês não precisassem sabem ler a mente uma da outra..

- Sim, acho que é... – comecei a falar e Bess disse por fim.

- Você não iria dizer poder de gêmea ia?- indagou ela.

- Claro que ía, por isso você é minha gêmea. – dei um beijo no topo da sua cabeça e voltei para meu lugar.

- Vejam, meus pais são desse ramo e cresci fazendo pequenas peças de escola e apresentações pequenas de teatro como figurante. – começou ela. – Atuar ajudará a lidar com situações difíceis e principalmente a poder dominar melhor o lance de vocês serem uma.

Ali foi nosso primeiro lampejo para adentrar no mundo da atuação e sabíamos que ela estava certa.

- Escutem, o que acham de treinarmos? – sugeriu ela e nós não havíamos entendido. – Eu quero dizer que eu namoro com uma de vocês, vamos improvisar. Vocês devem vestir a mesma roupa, uma ficará no quarto, enquanto eu entro e terá que agir como minha namorada para eu descobrir quem é e falar onde eu descobri.

- Quantas garrafas de cerveja você tomou para propor uma coisa dessas? – dizia a Bess.

- Cinco e esse jeito marrento só pode ser você Bess. – Lorelai falou e eu ri.

- Acho que seria interessante, principalmente porque faz sentido. – acabei por interromper o dialogo.

- Ótimo, agora a minha irmãzinha também deve está provando do mesmo alucinógeno. – Bess revirava os olhos.

- Não, escutem, isso seria bom, precisamos melhorar nossa atuação, principalmente com nossos familiares e também pelo que conversamos hoje. – disse e isso despertou o interesse de Lorelai.

- O que vocês conversaram hoje? – ela estava curiosa.

- Você saberá, concorda ser o nosso tema e estaremos sendo uma para ela? – sugeri para a minha irmã.

- Tudo bem, de acordo. – ela respondeu por fim.

- Esperem, para me localizar, será um assunto que vocês querem conversar comigo, mas ambas falarão para mim como se fossem a minha namorada e eu preciso dizer quem é quem ao final disso tudo e ver esse assunto?

- Exato.

Nós fomos para o closet que havia em nosso quarto, enquanto Lorelai ficou deitada na cama comendo alguns salgadinhos. Sussurrei para a Bess dizendo que ela podia e deveria beijar a Lorelai. Ela me repreendeu dizendo que eu estava louca. Talvez fosse o álcool falando, mas sim, se deveríamos sermos uma, era isso que ela deveria fazer. Sussurrei novamente.

- Seremos uma, você quer que ela ganhe? – toquei no lado competitivo dela.

- Certo. – sussurrou.

Saímos do Closet na mesma hora e pigarreamos igualmente, Lorelai olhou para a gente e sentou-se de supetão.

- Agora você deverá saber qual de nós sou eu – dissemos em conjunto e na mais perfeita sincronia. Era algo já intrínseco em nós.

E assim, uma de nós saiu da sala, enquanto a outra eu, ficou no quarto. Foi iniciado a conversa, conforme foi planejado. Daria início a primeira parte falando sobre o quão foi bom a sugestão dela sobre esse momento do teatro. Principalmente que seria importante para nós no futuro e poderíamos usufruir de novas técnicas. Acabei por dar um selinho nela em agradecimento, e ela me puxou para um beijo mais profundo, no qual apertei a cintura dela e desci o beijo para o pescoço, e mordisquei.

- Mas, ainda precisamos terminar alguns assuntos – parei aqueles beijos e sorri para ela.

- Por falar em terminar os assuntos, como será feita essa troca, lembrando que talvez eu esteja em desvantagem, algumas coisas devem ser mais as claras, não? – ela voltou a comer os salgadinhos e respondi as duvidas dela.

- A cada cinco minutos realizamos a troca aqui na sua frente. Em exatos 10 segundos, eu entrarei por aquela porta para me substituir. – como foi dito e feito a porta se abriu e lá estava eu, me olhando. Assim, ocorreu a troca.

- Viu? Será exatamente assim que iremos destrocar. – sorri para ela por um momento Lorelai ficou paralisada e começou a rir.

- O que houve, Lô? – Chamei pelo apelido que eu tinha dado para ela.

- Tudo bem, tudo bem, vocês são boas! – ergui a sobrancelha com a fala dela. – Eu achei que poderia de fato pegar vocês nessa, porém, vocês estão dando continuidade a fala uma da outra, mesmo estando distantes. – ela aplaudiu. – Devo reconhecer que não esperava por isso. Então, se você é a Bess, porque não me beija agora?

Ela analisava qualquer reação minha, e eu apenas sorri, pegando sua cintura e depositando um beijo no pescoço e depois fui subindo até seus lábios. Percebendo que ela havia me puxado para beijar com mais intensidade. Na certa, poderia ser o álcool nos corpos de nós três e por isso entramos no jogo. Parei de beijá-la pouco a pouco e disse:

- Mas ainda há outra coisa a discorrer agora. – disse.

- Logo agora? Definitivamente, estou achando que você é a Bess.

Eu não pude deixar de rir.

- Melhor guardar os palpites para depois, ainda falta outra troca.

Para o segundo assunto, trouxe algo mais delicado, sobre o que havia conversado com a minha irmã e de poder ter aquele compartilhar de experiência. E ali, ela me fez perceber uma coisa.

- Meu amor, acho incrível vocês serem gêmeas, mas como já disse antes, vocês duas são lentas quando algo envolve flerte, relacionamentos e pegadas. – franzi o cenho, pois de fato ainda não havia entendido. – Estamos tendo essa experiência de compartilhar relacionamento agora. – ela sussurrou e eu me dei por vencida. Ela estava certa.

Escutei um riso vindo dela.

- Do que está rindo? – indaguei.

- Dizem que duas cabeças pensam mais do que uma, porém não contavam com Elizabeth Victoria Von Heinz III fazendo o papel dela mesma e sendo firme nisso. – Depositou um selinho rápido.

- Acho melhor bolar algum plano, pois se eu não estou enganada, vocês vão destrocar em 5, 4, 3, 2, 1... – a porta se abriu.

Eu me vi caminhando até mim. Levantei e saí, deixando meu eu lá com ela.

- E então, o que achou do que eu disse? – indagou Lorelai, demorei a responder olhando em seus olhos.

- Acho que você de fato tem razão e supõe que sou ingênua demais. – me deitei com a cabeça no colo das pernas dela e a olhei. – Eu ainda acho que duas cabeças pensam melhor do que uma. – sorri.

Ela abriu a boca.

- Como você fez isso? Vocês estão com escutas, não é?? Isso não vale. Izzy, conta pra mim!! – ela me fez cocegas e não pude deixar de rir.

- Achei que você iria revelar tudo somente no final das trocas, assim não vale. – falava rindo.

- Não vale? O que não vale é vocês duas brincarem assim comigo. – Ela se afastou e subiu em cima de mim, colocando uma perna em cada lateral do meu corpo e sentou no meu abdômen. Tentei pará-la quanto as cocegas.

- Qual é a data do meu aniversário?- ela indagou.

- 10 de outubro, você nasceu em 1986. – disse prontamente.

- Minha comida favorita? – tentava dizer isso, enquanto se soltava das minhas mãos.

- ARRÁ! É uma pegadinha, você não tem, você ama boa comida. – ela tentava me vencer.

- Qual meu grande sonho?

Giramos na cama e dessa fez eu assumi a liderança e fiquei sobre ela, sentada em seu abdômen, prendendo os braços dela sobre a cabeça dela e sussurrei em seu ouvido.

- Você sonha em ser diretora e atriz de teatro. – rocei meu nariz na bochecha dela. Rapidamente ela envolveu seus braços em meu pescoço e me beijou lentamente e amorosamente. Retribuí o beijo da mesma forma. Tive que cortar aquele momento ao dizer.

- Tenho que destrocar... – estava me levantando vagarosamente, quando eu entro, destrocamos e a posição que assumi era a mesma de antes de estar por cima dela e sussurro. – quer continuar de onde paramos?

De repente, ela tenta uma armadilha comigo e indaga:

- Você sabe onde paramos? – indagou confiante, esperando um único deslize meu.

- Posso imaginar onde nós estávamos. – a beijei calmamente e ela retribuiu com um pouco mais de fervor naquele beijo. Arranhou minha nuca até as minhas costas, puxei levemente seu lábio.

- Tudo bem, tudo bem, parece que vocês se esforçaram muito para me confundir. – dizia. – podemos começar a desvendar o mistério de quem é quem.

Eu levantei e fui até a porta, peguei na maçaneta com a mão direita dando espaço para minha irmã passar.

- Muito bem, quem sou eu? – dissemos juntas prontamente.

Lorelai senta na cama e observa a gente em pé. Morde o lábio, de fato estava com dúvidas.

- Acho que a troca ocorreu sendo: Izzy, Bess, Izzy e Bess. Se bem que não tenho certeza, vocês usaram escutas, não foi?

Rimos em uníssono e acabamos por responder juntas.

- Não, mas da porta da para ouvir o que é falado, não notou que falávamos sempre em um mesmo e constante som, mais elevado do que agora? – ela deu dois tapas em nós. – isso doi, sabe?

- A ideia é doer mesmo! Mas então? Eu acertei? – dizia curiosa.

- Vamos deixar para você refletir.

 

            Jogamos conversa fora por mais um pouco e tanto eu como a Bess, entregamos uma pulseira em formato de cadeado contendo as seguintes letras B, I e L em sinal de que estaríamos sempre juntas.

FINAL DO FLASHBACK

 

Para quebrar aquele silêncio, Izzy falou o que Bess havia contado.

- Soube pela Bess que você fez uma nota de repudio no estúdio e protegeu a Vivienne da Renata e da Alanis. – dizia Izzy.

- Ah, esqueci que ainda continuam com os relatórios diários, não é? Bom se ela te contou, foi isso mesmo. Elas e as amigas estavam implicando a assistente pessoal de vocês. – começou Lorelai. – Para ela ser assistente, devo deduzir que ela sabe sobre o...

- O contrato? Sim, ela descobriu em um momento de recaída da minha parte. – Izzy não queria contar que foi por estar alcoolizada em uma boate pensando em Lorelai que havia estragado tudo novamente. – Eu não sabia que a Renata e as outras faziam isso com ela, talvez a culpa seja minha.

Lorelai franziu o cenho.

- Eu dormia com elas e talvez a falta de atenção tenha provocado algum mal entendimento.

Lorelai rolou os olhos quando soube que Izzy dormia com aquelas idiotas, se controlou para não dar alguma resposa. Decidiu ser amigável.

- Aquelas não eram boas pessoas para o estúdio, estão com outro contrato e em outra companhia. E o mais importante, Vivienne não receberá mais algum tipo de implicância ou qualquer outra pessoa naquele lugar!

- Por que a ajudou, foi sem segundas intenções? – Izzy foi direto ao ponto.

- Sem segundas intenções, se eu tivesse teria dito quando Bess invadiu meu escritório, mantive segredo e ela descobriu por conta própria como ela deve ter relatado.

- Sim, ela relatou, mas quis escutar.

- Quis saber o que eu estava tramando. – falou de supetão sem pensar muito. – Quero dizer, você está averiguando e tudo bem, é o natural. Mas não há, sabe que não gosto de injustiças.

De fato Izzy lembrava que quando Lorelai faliu as antigas amigas dela se afastaram e faziam bullying com ela, bem como sofreu com um dos empregos de assistente que arranjou. Ela seria uma mulher admirável, possuía tudo, perderá tudo, reconquistará tudo, mas havia conquistado algo ainda maior a empatia. Porém, uma mulher que aparentava ser tão formidável também quebrou e pisou em seu coração sem pensar duas vezes e por em cheque suas ações.

Izzy acabou por fita-la e olhando para aquela pulseira, teve seu coração mais apertado do que nunca.

- Você ainda tem ela? – indagou sobre a pulseira. As poucas palavras, não faziam sentido para Lorelai, porém ao perceber para onde a outra olhava, ela entendeu.

- Fala da pulseira? – mostrou um pouco mais de perto e depois recolheu para si, observando. – Nunca joguei fora, foi a única lembrança que me restou de vocês, como poderia me desfazer?

Izzy nada disse e Lorelai soube que precisava quebrar o silêncio com algo para descontrair.

- Por falar nisso, lembra as circunstâncias em que ela foi dada? Será que depois de tanto tempo você poderia me dizer qual foi a ordem daquela brincadeira que fizemos? Vocês duas nunca me contaram, não acredito que fizeram isso comigo.

Izzy tentava recordar.

- Está se referindo sobre o jogo que brincamos naquele dia antes da sua viagem?

- Esse mesmo, descobrir qual de vocês era você. – ela sorriu lentamente.

- Seu palpite foi qual mesmo? – Izzy tentava lembrar

- Eu disse que era: Izzy, Bess, Izzy e Bess.

- Era o contrário: Bess, Izzy, Bess, Izzy.



[1] Música a ser escolhida one republic “I ain’t worried

Fim do capítulo


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