Segredos por Elliot Hells
Pessoal perdoem o hiato de não ter mais postado,
muita coisa aconteceu. Principalmente problemas pessoais, depois de saude. Depois me envolvi com o projeto do meu novo livro. Segredos também participou de um concurso e o nosso queridinho também ganhou em primeiro lugar na categoria romance.
Quero deixar um agradecimento muito forte a todos que torcem e espera muito que essa história seja concluída.
Queria dizer - não desistam -.
Sem mais delongas, vamos continuar...
Capitulo 51 O retorno de Valquíria Van Dahl
O número de ucranianos que deixaram o país acabou passando de quatro milhões devido a guerra. Chernihiv e os arredores de Kiev registraram uma longa noite de bombardeios. Os ataques continuaram durante e depois da saída da Equipe de Repatriação brasileira. Os bombardeios russos a Mykolaiv deixaram mais de dez civis mortos e quarente e seis feridos[1]
A doutora Camilla Lamartine, estava no quarto de hospital no qual Valquíria estava internada. Ela analisava o monitor cardíaco, verificava a oxigenação. Durante as primeiras horas, muitos médicos de especialidades distintas observavam a paciente que havia voltado da sua missão muito ferida.
Quando saiu daquele quarto acabou dando de cara com a Doutora Sophie Seyfried que perguntou o estado dela.
- Você seria quem? – indagou Camilla como protocolo padrão do hospital.
- Sou a doutora Seyfried, esposa da detetive Van Dahl. – usou da mesma técnica que a outra fez da última vez. – como ela está e o quadro clínico?
Escutando a forma que a doutora falava Camilla foi honesta com ela.
- Quando ela chegou, o quadro não era um dos melhores. A paciente acordou e já adormeceu novamente, porém de acordo com as imagens da tomografia computadorizada, mostram que a detetive Van Dahl teve algumas costelas fraturadas, sem desvio significativo, da porção ântero-lateral costais à direita, com formações de calos ósseos incipientes. – segurando a prancheta com as informações médicas, Camilla começava a passar a primeira página e seguindo para a próxima explicando de forma detalhada a situação da outra. – há evidencias de laceração na coxa. – a médica continuava falando, enquanto Sophie ouvia com atenção. Começou a virar a folha, ajeitando seus óculos de aro arredondado.
- A situação foi bem grave em relação ao acidente.
- Sim, mas o quadro está estável. – informava a doutora. – fizeram alguns primeiros socorros nela quando a encontraram no território Russo. Ela teve muita sorte, apesar dos seus ferimentos e da tragédia que ocorreu.
- Ela já pode ficar com acompanhantes? – Sophie sabia que Valquíria não possuía mais nenhuma família por ela. Seus pais foram mortos, não possuía irmã, sua tia solteira que cuidou dela, acabou falecendo de câncer mamário a uns dois anos atrás. Não era intima da família por parte de pai, eles não ligavam se ela estava viva ou morta a muitos anos. Basicamente, estava ali sozinha.
- Sim, ela já está autorizada e você pode assumir isso. – Camilla olhou seu relógio e suspirou, havia outras urgências – eu preciso ir agora, mais tarde checarei se está tudo bem. – se despediu e saiu dali.
Sophie eram uma das poucas pessoas que sabia que a mulher ali naquele cômodo não gostava tanto de flores, principalmente tão perto dela. O departamento de homicídios estavam sendo “simpáticos” em enviar aquilo. Ela começou a realocar os jarros, deixando-os mais longe possível e retirando alguns dali e colocando como decoração em algumas mesas do corredor do hospital. O quarto havia ficado menos infestado de plantas. Sophie estava de costas para a cama de Valquíria quando escutou uma voz
- Ao menos alguém aqui teve a decência de retirar todas aquelas flores daqui. – aquela voz típica de resmungo a fez abrir um sorriso aliviado. – Acredito que meus colegas de trabalham gostam de me irritar.
A legista se virou com um sorriso brilhante
- Nem todos gostam de irritar você. – começou a se aproximar. – como está se sentindo?
- Você é muito gentil, mas não conhece meus colegas de trabalho. – ela olhou aquela mulher que se aproximava com um sorriso acolhedor e gentil. Não lembrava quando foi a última vez que alguém sorriu assim para ela. Parecia carregar um tipo de preocupação. – eu já estive melhor, presumo. Acho que me meti em algo complicado dessa vez. – o ar era sério e tentando entender a situação.
Sophie contou o estado que seu corpo físico estava e todas as informações que a doutora Lamartine havia informado. Seyfrield acabou analisando por hábito e cuidado com a outra, suas pupilas, fazendo-a acompanhar seus dedos.
- O que ocorreu com você na missão de repatriação? – Sophie perguntava enquanto checava ela mesmo os sinais vitais da outra como já era de costume entre elas.
- Eu... – uma pausa foi feita. – Eu não lembro, só consigo lembrar de sair rolando colina abaixo, fazer um curativo na minha cabeça e me arrastar por quilômetros até a próxima vila. Depois disso apaguei e só acordei agora nesse hospital. Mas quem é você e por que está fazendo tantas perguntas? Por acaso é alguma agente disfarçada do Governo Federal? – Valquíria arqueou a sobrancelha.
- Ah Val, não sabia que estava piadista. – Sophie a encarou, enquanto parava de checar seu pulso e o soro que foi colocado. Mas a expressão da outra era séria e isso a fez pensar. A cabeça da detetive estava enfaixada. – Valquíria, poderia me dizer seu nome completo, idade, departamento e dizer quem sou eu e o que conversamos na última vez que nos vimos?
- Meu nome é Valquíria Van Dahl, brasileira, solteira, tenho 30 anos, alias... 34 anos, sou detetive do departamento de homicídios. Fiz parte das forças armadas, me formei em direito, fiz especialização em medicina forense. – fez uma pausa após responder todas as perguntas de Sophie. - ... eu não sei o seu nome ou a razão de estar em outro país. Mas me informaram que eu estava em uma missão de repatriação. É só o que me falaram.
- Você não lembra de nada? Você se corrigiu na idade também, ia falar trinta. Além disso, você não sabe quem eu sou... – Sophie começou a refletir. – qual ano é para você?
A detetive suspirou.
- Eu já sei que estamos em 2018, observei os médicos falarem e a televisão. Mas... de fato pensei que estava em 2014, foi a razão de corrigir a minha idade. – foi sincera. – Quatro anos da minha vida são como borrões. – levou a mão a cabeça, pois começava a incomodar.
Sophie não havia reparado, mas na pequena mesa ao lado do único jarro de flores que estava sobrando, estava repousado o colar da sua família passado de geração em geração. Ela o tocou fitando-o.
- Eles me encontraram com esse colar no pescoço... – disse enquanto fitava Sophie. – mas eu não lembro de ter ele, a resposta mais lógica é que foi dentro do limite temporal dos últimos quatro anos. Alguém deve ter me dado.
- Eu emprestei para você, antes de ir para a missão de repatriação devido a guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Pedi para que ficasse a salva. – Sophie falou, enquanto estava fitando o colar e passando a mão nele. Valquíria a olhava detalhadamente, se perguntava quem era aquela mulher, por que daria algo tão valioso para ela? Precisava lembrar.
- Parece que somos próximas... – indagou Valquíria – quem é você?
Sophie virou para fita-la com um ar melancólico, estava feliz da outra está com vida, mas alguns fatos da sua memória haviam sido apagados temporariamente ou definitivamente? Ela solicitaria exames com toda certeza. Por hora, resolveu responder a pergunta da outra.
- Trabalhamos juntas no departamento de homicídios, sou a legista chefe e... – fez uma pausa. – e somos... amigas.
- Amigas? – Valquíria estranhou aquela colocação, não lembrava de ser intima de ninguém, nunca havia sido. – deve haver um equivoco na sua afirmação. Talvez, quisesse dizer, colegas de trabalho ou no máximo conhecidas, não? – reforçou a detetive, sem entender como a sua outra versão, para ela do futuro de quatro anos atrás, seria amiga de alguém.
- Não, quis dizer amigas mesmo. – Sophie reafirmou o óbvio.
- Impossível! – dizia
- Eu sei o que houve com seus pais em 2001, você adora fazer corridas matinais, quando era jovem aprendeu diversos tipos diferentes de artes maciais, deu aulas como substituta do professor como jovem aprendiz na época. Não gosta de flores, tem um nível alto de alergia. Baixa habilidade social para se expressar bem com as pessoas e principalmente em dizer que seus parentes faleceram, não por não ter compaixão ou simpatia com elas, sobretudo, porque odeia dar más notícias de familiares, pois sabe o quão doloroso a perda dos pais. Não gosta de dar entrevistas para repórteres, considera como abutres.
“Odeia os apelidos dados pelos colegas de trabalho. É viciada em trabalho, café e uma boa bebida no fim de algum expediente. Não descansa até resolver o caso. Odeia demonstrar fraqueza para os colegas de trabalho, os homens. Tem um gancho de direita forte demais e um chute lateral potente. Costuma dormir como um anjo, embora, acorde com alguns pesadelos... e sempre tem uma arma perto de você por não confiar nas pessoas.”
Valquíria agiu com um movimento rápido e ameaçador puxando Sophie para perto dela, podendo mata-la com um simples torcer de pescoço. Embora estivesse com algumas fraturas nas costelas, uma laceração na sua perna direita que agora não estava mais sob risco, seu porte e treinamento rígido a fazia controlar ou fingir aguentar dores. Aproximou de Sophie e sussurrava no ouvido dela:
- Como sabe que tenho pesadelos ao dormir? – quem de fato era aquela mulher e como ela sabia detalhes tão íntimos, basicamente quase tudo sobre ela? – Você é alguém do Governo Federal? Não tem como sermos tão intimas, é alguma espiã? Quem a mandou aqui? Você está associada a Yoko? Aquela filha da puta revelou o que para você?
Sophie sabia que era difícil para a detetive aceitar isso e de fato ela lembrava da velha Valquíria de quatro anos atrás, quando tinha trinta anos. E era exatamente isso, só que menos violenta. A legista, fez sinal de trégua e pediu para pegar seu celular, o que foi permitido pela detetive.
Ao pegar o celular e procurar o álbum com as fotos e registros que tinham juntas. Passou para a outra que pegou o aparelho e a soltou sem entender.
- Basta arrastar para o lado. – Valquíria pegou e ali visualizou as inúmeras fotos, vídeos, treinamentos, aniversários de Sophie. Corridas que faziam juntas, fotos na casa de praia de Elizabeth Heinz. E naquele pedaço de metal continha fotos suas juntas da loira a sua frente, fotos demasiadamente antigas que contavam uma grande história de ambas.
Ela não podia acreditar no que estava vendo...
Quatro anos atrás....
Era mais um homicídio que havia acontecido, nada fora do comum, além de ter sido solicitada no Instituto médico-legal, a partir daí teria que lidar com a nova legista. Valquíria foi a última a chegar no laboratório de autópsias, as outras duas pessoas que estavam na sala falaram com ela com breves acenos. A primeira pessoa era a doutora Sophie S. e seu auxiliar. Valquíria e os demais vestiam um avental cirúrgico e uma touca bufante.
- O que foi que eu perdi? – Valquíria dizia impassível com a mesma roupa dos demais. A única parte que estava visível era seus olhos marcantes que a Dra. Sophie não deixou passar despercebido.
Naquele momento a Dra. Sophie executava a autópsia, estava no Instituto desde que seu antigo professor, o Dr. Marcel convidara para fazer parte da equipe.
- Não perdeu nada, detetive. Acabamos de começar. – argumentou o auxiliar da doutora que identificava uma coisa no nariz da vitima. – uma pequena protuberância que poderá nos fornecer o DNA do indivíduo.
A Dra. Sophie Seyfried já era bastante conhecida tanto pelo instituto bem como pela imprensa local. O doutor Marcel havia deixado-a responsável em lidar com os assuntos jurídicos e testemunhar pelo instituto médico-legal. Todas as câmeras de TV sempre acompanhavam a sua majestosa figura. Por mais que não se conhecessem pessoalmente, a detetive Valquíria e a legista Sophie eram grandemente citadas pela imprensa, embora a primeira detestasse dar entrevistas e fornecer informações para os que ela os chamavam de urubus.
Fora devido aquela autopsia da Sophie que o DNA encontrado ligaria ao assassino. O comissário mais antigo do departamento, viria a oferecer um cargo permanente para a doutora Seyfried. Ela não recusou e juntamente com a detetive Valquíria passaram a solucionar demais crimes.
Tempo atual...
Após ver todas as memórias e recordações naquele celular metálico da doutora Seyfried, Valquíria ainda estava com a mente confusa e dolorida depois da quantidade de informação. O tempo começava a passar e a noite a se esticar ainda mais. Sophie dormia em uma poltrona reclinável. Garantindo que qualquer coisa que a detetive precisasse ela estaria ali.
Já a detetive, estava totalmente alerta. Boa parte da sua memória, especificamente quatro anos foram deletados e ela sabia que possivelmente deveria ter deixado algum alerta para ela mesma. Precisava sair dali e ir para casa e ver o que havia sobre ela, sobre a mulher ali que tentava velar por seu sono e sua recuperação. Será que era verdade? Será que eram amigas?
[1] Número de ucranianos que deixaram país passa de quatro milhões. https://g1.globo.com/mundo/ao-vivo/guerra-ucrania-russia-putin-invasao.ghtml
Fim do capítulo
Olha só quem está de volta!
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