O tempo e o convívio diário no mesmo espaço, serviram para desmistificar muitos medos que durante muito tempo quase paralisaram Walkiria. Os medos e as certezas de que os mesmos tinham fundamento, construíram uma mulher esquiva e muitas vezes avaliada como fria. A vida ao lado de Nahima era tão leve, que as crenças eram derrubadas quase que de forma impercetível. Walkiria, muitas vezes, apenas percebia que alguma coisa estava diferente, pelas observações quase sempre carregadas de bom humor da sócia. Greta a conhecia tão bem e, por isso mesmo, reconhecia a versão melhorada que se apresentava à medida que ela ia se permitindo viver novas experiências. Partilhar o espaço era com certeza uma grande experiência. O bicho de sete cabeças só existia na sua mente fixa. Claro que a convivência trazia alguns desafios, ainda mais por serem mulheres de temperamentos diferentes, mas a cada obstáculo contornado, a sensação de amadurecimento, era o coroar de certezas cada vez mais fundamentadas. Walkiria tinha tanto prazer em voltar para casa, que passou a adotar um ritual secreto. Antes de entrar, sacudia-se toda, deixando qualquer carga desnecessária do lado de fora do seu templo de amor, para daí entrar leve. A receção era sempre comparada a uma lufada de ar fresco, pôr do sol na pele, suspiro de esperança e nisso os dias iam passando num ritmo até então desconhecido, mas com certeza, muito apreciado.
Na cadência dos dias, o fim de ano se aproximava. Que ano!
*****
Ainda que estivesse bastante compenetrada no trabalho, Nahima não conseguiu abstrair-se da algazarra que seu cachorro fazia do lado de fora. Alongando os braços e pescoço, tentou ver através da janela o que acontecia lá fora, mas o angulo não era dos melhores, já que parecia que zumba estava à porta de casa. Sorrindo, levantou-se, alongou as pernas, suspirou e foi abrir a porta. Levou um valente susto ao encontrar Walkiria fazendo alguns movimentos como quem tentava se livrar de alguma coisa.
-Ah, não acredito que não consegui surpreender-te. - Wiki dramatizou.
Nahima riu alto ao mesmo tempo que a acolhia num abraço apertado. As bocas avidamente se encontraram numa sucessão de beijos.
-Hmmm, acho que preciso fazer isso mais vezes. Meu stress da manhã lá no hotel evaporou-se. - Riram na boca uma da outra.
-Meu amor, o que te trouxe a casa a essa hora? - Nahima sorria completamente feliz com a surpresa.
Antes que Walkiria pudesse responder, elas tiveram que se equilibrar para não cair, tamanha era a festa que os cachorros faziam tentando pular nelas.
-Vês esse mundano? Agora ele passa mais tempo em casa do que perambulando por essas montanhas. - Walkiria agachou-se para apertar zuri.
-Essa atitude tem um nome, ciúme.
Riram alto.
-Ele sabe que não é mais rei absoluto e quer marcar seu território. - Riram enquanto Wiki fazia carinhos em zuri.
-Wiki, não te esperava tão cedo e não tem nada para comer. Além disso, estive à procura de alguns documentos e deixei uma bagunça por onde andei...já sabes como sou. - Fez uma careta arrancando mais uma risada de Walkiria.
-Metade dessa frase é puro exagero. A senhora costuma desarrumar as coisas quando está aflita atrás de algum objeto, mas tem a maravilhosa mania de ir arrumando tudo em sequência. - Wiki riu entrando em casa. - Onde está o tsunami, Nahima? Exagerada! - Mais gargalhadas.
-Não almocei ainda. Comi frutas e bebei muita água...já sabes como fico quando estou entusiasmada com um projeto...
-Sei, e depois a maníaca por trabalho sou eu. - Riram abraçadas.
-Ainda bem que o trabalho te absorveu e não encontro nenhuma iguaria impossível de resistir. Estou tão acostumada às delicias que fazes que meu paladar já não se agrada com mais nada.
Gargalhadas com beijos.
-Vim desviar-te...posso? - Wiki fez uso de seu olhar mais irresistível.
-Sempre! - A resposta excitada de Nahima era o combustível perfeito. Sempre.
-Temos trabalhado tanto e aos fins de semana quase sempre estamos esgotadas...- Walkiria tentava convencer-se de que não era um absurdo aquela fuga a meio do dia. Afinal, ainda havia resquícios de sua aveia obsessiva por trabalho.
-Nem tanto, bambina - Nahima piscou, deixando Walkiria levemente ruborizada.
- Ah, mas para o que a senhora se refere, eu nunca estou esgotada e a minha namorada é quase uma máquina...
Gargalhadas com muitos beijos.
-Eu vou para onde quiseres me levar. - Sorriu dentro do abraço de Walkiria.
-Vais precisar de um biquíni...ah, já sei...a mochila sempre pronta para a próxima aventura.
Riram felizes.
-Hum-hum e que a senhora aprendeu e adotou o bom hábito.
Mais uma sucessão de gargalhadas felizes.
*****
No trajeto até ao destino escolhido por Walkiria, foram alternando momentos de profundo silêncio contemplativo, a conversas amenas sobre assuntos aleatórios. A música que se ouvia era My cafeine (Faith Richards) e Walkiria aproveitou uma paragem rápida para permitir a passagem de alguns animais, para deliciar seus olhos com a figura de Nahima. Ela sorriu e Walkiria mais uma vez teve a certeza absoluta que não queria estar noutro lugar.
-Ainda não sei para onde vamos, mas estou a adorar o percurso...- Sorriu e tamborilou os dedos na lataria do carro.
-Vais gostar...tem mar.- Foi a vez de Wiki sorrir deixando Nahima com a sensação de flutuar.
-Meu bem, já decidiste se vais mesmo ficar com o carro?
-Haja teste. - Riu. - Tiago disse que tenho todo o tempo do mundo para decidir, mas acho que sim. Ele é perfeito, não consome muito e nos leva em segurança e conforto para nossas aventuras.
-Sim, a robustez dele nos leva para os destinos mais íngremes.
-Hum-hum...chegamos em 10 minutos.
*****
Na aldeia de Rincão, uma remota localidade no litoral da ilha, Walkiria pegou a estrada para uma pequena praia quase deserta que ficava entre duas formações rochosas e que em dias claros, tinha uma vista maravilhosa para o vulcão da vizinha ilha do Fogo. Agraciadas por mais um momento de sorte, encontraram a praia completamente deserta. Um pouco além, havia a aldeia onde residia na sua maioria pescadores, mas àquela hora nem as crianças que adoravam pular dos rochedos estavam por ali. A única presença que se via e ainda assim, em alto mar, era um pescador no seu bote, provavelmente em busca de iscas para a faina do dia seguinte. Nahima esbaldou-se naquelas águas cristalinas como uma criança feliz. Nadou para mar alto, mergulhou para ver a infinidade de peixes coloridos e relaxou boiando de costas por largos minutos naquele mar de águas calmas. Walkiria, sempre aproveitava momentos junto ao mar para refletir, meditar e muitas vezes devanear. Nadou por algum tempo, pulou das rochas que era algo que lhe remetia à sua infância, mas passou a maior parte do tempo sentada, ora nas pedras, ora na pequena extensão de areia da praia, pensando nos acontecimentos do ano intenso que estavas prestes a terminar. Tinha-se permitido tanto...
O sol começava o seu espetáculo diário de despedida, e elas contemplavam toda a beleza do cenário alaranjado que remetia a um sonho perfeito. Sentadas nas pedras, obedeciam ao ritual de quando contemplavam juntas o pôr do sol, abraçadas, Wiki à frente e dentro do abraço de Nahima e ambas com os olhos postos na dança do sol. Ao longe via-se o majestoso pico do Fogo, quase envolto numa atmosfera que mais uma vez remetia a um sonho bom. Perfeição nos pequenos detalhes da natureza.
-Quando é que vamos escalar o vulcão? - Nahima, claro.
-Ai meu Deus, que essa mulher não para...
Risos.
-Meu bem, é logo ali...parece que podemos ir a nado.
-Ilusão...prefiro avião.
Gargalhadas altas.
-Nahima, eu arranquei-te da tua rotina e nem perguntei se já tinhas concluído o trabalho. Às vezes sou intempestiva...
Risos.
-Provavelmente a senhora está a adquirir hábitos de uma certa italiana - Risos. - Relaxa! Eu já tinha enviado algumas propostas ao James e só estava a aguardar o feedback. Trouxe telefone, Ipad, temos internet, tudo certo.
Suspiraram ao mesmo tempo e sorriram.
-Esse cenário me lembra demais o nosso primeiro encontro...a primeira aventura.
-Sim...quando me apaixonei por ti pela primeira vez. - Confessou Walkiria.
-A sério? - Nahima arqueou o corpo para trás e inclinou-o para a direita para tentar encará-la nos olhos.
-Sim, hoje eu sei que foi exatamente isso que aconteceu. Uma estranha invade a minha mesa, tira o meu sossego, algo que por si só tinha tudo para me irritar, e, no entanto, eu me apaixono por ela.
-Ah, será? - Nahima sorriu completamente embevecida. Adorava os rompantes reveladores de Walkiria.
-Obviamente naquele instante eu não me dei conta de nada disso, mas hoje eu sei que sim, me apaixonei por ti...pela primeira vez.
-Mas como, se quando o destino, ou o desleixo do hotel de Dália, anos depois me colocou à tua frente, tu sequer lembravas de mim?
Gargalhadas.
-Meu bem, eu vejo tanta gente, tantos clientes. É um vai vem de gente, que nem minha memória privilegiada consegue guardar um rosto especifico. Mas eu sabia que te conhecia. Lembras da tua provocação e eu entrei como uma doida. Eu, Walkiria racional e pratica que não perde tempo. Largos minutos com uma cliente, tentando lembrar de onde a conhecia. Se não era paixão...
Gargalhadas com beijos. Muitos.
-Me apaixonei pela segunda vez e de forma consciente e ainda houve a terceira, quando a senhora reapareceu como uma brisa numa tarde aleatória no meu hotel e de conluio com a Greta.
Gargalhadas.
-Abalaste o meu mundo por três vezes...mulher, tu és um acontecimento. - Suspirou e foi apertada ainda mais no abraço.
-Confesso que demorei a entender o que tinha acontecido naquele nosso encontro inusitado no Sal. Mas a realidade é que quase adiei a minha viagem e na nossa despedida, eu desejei muito que me tivesses beijado...
Walkiria sorriu, transportando a sua mente para aquela noite mágica.
-Durante muito tempo a tua pele de chocolate com pingos dourados de sal não me saía da cabeça, o olhar rasgado lindo, tua maneira de falar meio mandona e ao mesmo tempo meiga e tímida...que combinação letal...tu és tão linda, Wiki...linda...
-Essa paixoneta durou quanto tempo? - Walkiria riu com sua própria pergunta.
-No avião, já concluí que tudo não passava de delírio. Mas não demorou muito tempo para começar a fantasiar que te encontrava casualmente pelas ruas de Barcelona, ou Nápoles, quem sabe em Ancara...
-Wow, eu nunca fui à Turquia.
Risos.
-Na época eu fiz alguns trabalhos por lá e a minha fantasia me acompanhou. - Risos.
-Ah, mas a Carla sofreu bastante com meus delírios...
-A tua amiga do Sal?
-Ela mesma! Eu falava tanto de ti, que num de seus rompantes característicos, sentenciou que eu estava apaixonada por ti. Já deves imaginar a minha reação...
Gargalhadas.
-Hum-hum...
-Mas, depois do evento no Sal, eu não tive mais como negar...sim, tinha me apaixonado pela segunda vez, pela mesma mulher.
-Que sorte a minha! - Nahima estreitou ainda mais o abraço.
-Nunca pensei merecer te encontrar mais uma vez. Eu sei que sou um bocado bruta...
-Não és bruta...tens peculiaridades.
Risos.
-Sou, e sou plenamente consciente da tua paciência, inteligência emocional, para não me mandar dar uma volta em plutão.
Gargalhadas.
-Não me faltou vontade.
Gargalhadas altas.
-Tu és um presente que a vida me entregou 3 vezes...eu cuido muito bem dos meus presentes. Nahima, olha para mim. - Virou-se e encarou-a. - Que dia na minha vida eu largaria a rotina exaustiva de trabalho a meio da semana para vir a uma praia distante, relaxar? Nunca! Eu só via trabalho, me escondia atrás dele. Com isso, ia vivendo relações rasas, que pouco ou nada exigiam de mim. Até que um furacão derrubou meu prédio de 50 andares e sobraram apenas tijolos para a reconstrução.
-Gostei da analogia! - Nahima sorria com o corpo todo. -Walkiria, quando tiras a máscara, ninguém te resiste...o teu olhar é tão genuíno e intenso que desmonta qualquer um, no meu caso, eu me apaixonei a ponto de fazer qualquer coisa para viver a nossa história.
-E aturando meus surtos.
Risos.
-Não foi fácil e continuámos com nossos desafios. Mas se me perguntarem se faria tudo de novo, a resposta é um contundente sim. Eu vejo leveza nas coisas...nas pessoas...
-Tu és leve, no trato, na postura, encaras a vida com leveza e eu te amo exatamente por seres assim. - Os olhos de Walkiria brilhavam carregados de lágrimas.
Nahima respirou fundo e valendo-se de seu melhor sorriso, pediu:
-Meu bem, posso pedir uma coisa?
-Ah, mas é muita covardia... - Walkiria sorriu rendida.
- O quê?
-Isso é manipulação escancarada. Como ousas me pedir algo com essa cara de bebê feliz? Sabes que eu não resisto...
-Podemos ficar? Já vai anoitecer e adoraria dar um mergulho ao nascer do sol...
-Tu nunca cansas de uma praia...
-Eu não me canso de estar contigo numa praia...nunca vou me cansar. Esse lugar me trouxe tantas memórias boas...
-Quem sabe eu não te surpreenda...- Wiki fez cara de mistério, deixando Nahima ainda mais ansiosa.
-Vamos ficar?
-Trabalhamos amanhã cedo...
-Meu amor, sou nómade digital, trouxe meus meios de trabalho, e o hotel não sucumbe se amanhã chegares levemente atrasada.
Gargalhadas.
-Levemente...quem sucumbe sou eu, sempre. Sabes que não vamos regressar antes do almoço. - Sorriu.
-E o hotel estará firme e forte. Por favor...
Walkiria pôs-se de pé e estendeu-lhe a mão para ajudá-la a erguer-se.
-Vamos?
-Para casa?
-Confia em mim...
*****
Nahima olhava admirada cada detalhe do espaço onde se encontravam e sorria. Tudo muito simples e de bom gosto e o melhor de tudo, com as condições necessárias para passarem a noite.
-Tu tinhas a chave...estamos aqui, tem tudo o que precisamos para passar a noite...devo pular de alegria? - Pulou literalmente no pescoço de Walkiria.
-Para, sua maluca! Ah, eu já sabia que a senhora viria com essa fala mansa, que adora o mar e...porque não? - Tentou fazer uma cara blasé, mas sem sucesso.
-Tu és maravilhosa! MARAVILHOSA! Que casinha mais linda, e essa cama fofa? - Desabou na cama com as pernas para o ar.
Walkiria ria sem parar. Adorava a espontaneidade de Nahima. Desde sempre.
-A única condição é que estejamos amanhã às 10 horas em São Domingos. Tenho uma reunião importante...
-Chegaremos antes, eu prometo. Podemos até passar a noite acordadas...
-Para sua maluca. - Riu. - Eu preciso estar descansada e com a mente funcionando em pleno.
-Sim senhora. Prometo colaborar e ser uma namorada calmíssima.
-Não precisa exagerar e muito menos prometer o que não tens a mínima condição de cumprir.
Gargalhadas.
*****
Integradas aos costumes da aldeia piscatória, elas comeram peixe grelhado na brasa feito por pescadores na praia que ficava atrás do chalé onde passariam a noite. Uma delícia. Nahima, imediatamente estabeleceu ligação com os locais, quis conhecer tudo dos seus hábitos e sempre numa postura tão afável que ninguém oferecia qualquer objeção. Pelo contrário, em pouco tempo, ela já parecia amiga de todos. Mais uma característica que encantava Walkiria.
Depois de deliciarem-se com o peixe fresco na brasa, caminharam pela vila banhada por uma lua quase cheia e que convidava ao mistério. Essa mesma lua era vista da janela do quarto onde se entregavam a mais uma sessão de amor. Como já era hábito, pelo menos quando o amor era feito com calma, depois do êxtase, curtiam um silêncio confortável.
-Nós podíamos morar aqui. - Nahima sonhava de olhos abertos.
-Estás extasiada...
-Completamente...- Sorriu abraçada ao tronco de Walkiria. - Culpa dessa lua linda e do amor que tão bem fazes. - Concluiu.
-Meu bem, tu nunca conseguirias morar aqui. Gostas de movimento, da agitação dos centros, de conforto e mais, o aeroporto fica longe demais e a senhora adora viajar. - Riram alto na madrugada.
-Sim senhora com os pés plantados na terra, tens razão. Mas eu moro em São Domingos que está longe de ser um centro, eu me adapto...
-Hum-hum, dou-te uma semana aqui para correres de volta à civilização.
-Tu me conheces tão bem...
-Hum-hum e eu sou um livro aberto para a senhora...
-Nem tanto...não faço ideia de qual vai ser a tua resposta ao meu convite...
-Faça...
-Queres viajar comigo para conhecer a minha família? - O tom de voz de Nahima tinha um quê de hesitação.
Walkiria não conseguiu controlar um longo suspiro.
-Itália? - Tentava processar aquela ideia.
-Não, Brasil. Vai ser aniversário e batismo da minha sobrinha-afilhada. O núcleo vai estar reunido.
- Brasil? Tu sabes que sonho muito conhecer a Bahia. - Walkiria agitou-se na cama.
-Meu irmão mora em Brasília, mas podemos viajar dentro do Brasil, ir para onde quiseres...
-E o hotel?
-As donas dos hotéis nunca tiram férias?
-As que gerem, é mais complicado...
-Eu adoraria que fossemos juntas...não posso faltar, sou tia e madrinha e estou com muita saudade da minha família, principalmente do meu irmão...- Encarou-a com um olhar tão tranquilo que Walkiria quase disse sim sem ao menos refletir como era hábito.
-Vou pensar...preciso organizar muita coisa...
-Pensar e decidir que vai comigo...por favor...
-Para...o assunto é sério e sabes que com essa cara de bebê eu...
Nahima riu alto e pulou nela enchendo-a de beijos por todos os lados.
-Golpe baixo. Para Nahima...para...- E ria enquanto abria mais as pernas permitindo o encaixe dos corpos que a levava ao melhor dos mundos. Sempre.
*****
-Já estás com as passagens em mãos?
-Greta, sabes que não é tão simples assim...
-Não? Continuas a achar que não dou conta desse hotel? Nem eu e muito menos nosso staff maravilhoso?
-Deixa de ser doida...
-Para de ser controladora e vá viver. Sempre me disseste que um dos teus destinos de sonho era o Brasil. A oportunidade surge com a mulher que amas e ainda vais ponderar...ah, me poupe.
-E sobre a ideia que tive de usar parte do terreno que ainda temos disponível para construir uma casa...
-Não concordo. Sou mais adepta da ideia da Nahima. Wiki, se tens como construir uma casa, que seja longe do hotel. E o lote que ela sugeriu é perfeito, tem tudo o que gostas e é mais perto do mar que ela ama.
-Faz sentido...às vezes eu me sinto tão...
-Maravilhosa! É isso que tu és. Cheia de particularidades, coisinhas tão tuas e maravilhosa. Só por isso vou convidar-te para ser madrinha do meu filho. Mas isso tu já sabias, não é mesmo? - Riu.
-Sim, quando ele estiver na tua barriga ele saberá imediatamente que a madrinha sou eu.
Greta sorriu e acariciou a barriga.
-Não! Greta, tu estás gravida? GRAVIDA? Como assim?
-Durmo com o meu marido todos os dias e adoramos fazer amor...é uma forma de fazer filhos, não é?
-Idiota! - Walkiria chorava de emoção enquanto abraçava a amiga.
-Estou gravida e a senhora vai ser a madrinha. Eu e Gary não abrimos mão disso.
-Nem ousariam. Ah, Greta, como posso viajar agora?
-Eu estou gravida. Apenas isso. Continuo com todas as minhas faculdades mentais em dia, sendo a profissional que sempre fui, com a locomoção perfeita...é só uma gravidez, sua doida.
-Vou ser madrinha! - pulou de alegria. - Madrinha de um bebé lindo. Ai, falta muito?
-Aproximadamente sete meses...sossega.
-Vamos comemorar! Vou ligar à Nahima...ai que felicidade...
-Respira, Wiki.
-Posso abraçar-te? - Perguntou atrapalhada.
Greta puxou-a para um abraço e riram emocionadas.
*****
Sentada na varanda do bungalow no litoral norte da Bahia, Wiki acompanhava cada movimento de Nahima um pouco mais além na praia. Ela já tinha feito aproximadamente meia hora de yoga, meditado e agora nadava como uma eximia nadadora.
Tinha acordado e ela já não estava na cama e depois de seus momentos de rolar para lá e para cá para acordar o corpo, um banho rápido e vestido o bikini, lá estava apreciando um espetáculo que sempre seria memorável. Era viciada no seu flow, como Nahima provocava. Sim, completamente apaixonada pelos movimentos perfeitos daquele corpo, pelos rituais, por ela...
Estavam na Bahia. Sorriu. Tinha vencido todas as suas manias, o controle exagerado. Tinha se entregado aos prazeres da vida. Era bom andar de mãos dadas com Nahima pela vida.
Imersa em seus pensamentos felizes, demorou a perceber que o telefone tocava. Era o de Nahima. Ela não sairia da água, então atendeu depois de ver quem era.
-Diga à desapegada da minha irmã que estou com saudades dela. A sobrinha também.
Wiki riu.
-Nós também...
-Estou a brincar, eu sei que vocês estavam a precisar desses dias de descanso e a Bahia é insuperável.
-Estou apaixonada!
-Ah, estamos a planear umas férias no teu paraíso. A Sara já fez várias pesquisas e está encantada. Até Martina quer ir e meu pai vai para onde ela quiser.
Gargalhadas dos dois lados.
-Serão todos bem-vindos!
-Não vou mais perturbar-vos no paraíso. Diga à minha amada irmã que estamos com saudades e que dona Martina exige que ela passe por cá antes de irem embora.
-Mas nosso voo de volta, sai de Brasília.
Riram.
-O que minha mãe quer é que fiquem mais tempo por aqui. Mas se conheço bem a minha irmã, ela fará exatamente o contrário.
Mais risos.
*****
-Então, meu amor, vais fazer as vontades da dona Martina?
-E diminuir nossos dias aqui? Nunca! Passei uma semana lá, com minha mãe dando todas as ordens que ela adora e meu pai sendo o fofo que sempre foi. Matei as saudades, quase esmaguei Alana e Enzo de tanto amor e depois vim realizar o desejo do meu amor e ser mais feliz ainda.
-Temos mais dois aqui...apenas...- Sorriu.
-Vês? Sem chances de passar mais dias em Brasília. Uma noite e no dia seguinte, nosso voo de volta para casa. Jantamos todos juntos e todo mundo fica feliz.
-Estou muito feliz aqui, mas já estou com saudades de casa...do zuri, zumba, Greta, Gary...
-Do hotel!
Gargalhadas altas.
-Eu também estou com saudades de casa, meu bem. Saudades da nossa rotina maravilhosa, saudades até dos teus destemperos quando as coisas não saem como desejas...estás calma demais aqui...
Gargalhadas com beijos.
-Férias...mas a Walkiria séria e chata está escondida algures por aí...
-Quero voltar para casa para trabalhar muito e começar a planear nossas próximas férias.
-Minha aventureira...linda.
-Ao mar, amor?
-Ao mar!
De mãos dadas correram em direção ao mar que sempre seria celebrado como o cenário perfeito daquele amor.
FIM.
Fim do capítulo

NovaAqui
17/03/2024 às 08:11
Saudades de um romance delicioso da Nadine
Mansur
20/01/2024 às 11:17
Olá!
Gosto muito das suas histórias. São sempre cheias de sentimentos.
Obrigada por compartilhar conosco.
Nadine Helgenberger 23/01/2024 às 11:48
Bjs
Sione
30/12/2023 às 05:32
É moça, mais uma história concluída e com louvor, são raras as autoras que conseguem me prender, mais te confesso que você é a número um (1) nesse quesito.
Já li tantas aventuras contadas por você moça, e cada vez que termino uma, é difícil tirar ela aqui da cabeça, são tantas maravilhas que você conta sobre Cabo Verde, que já coloquei esse destino nos meus planos, (sonhar não custa nada né).
Muito obrigado por você sempre responder as nossas mensagens, isso é muito importante para nós, meros leitores de suas histórias, e diga-se de passagem, que histórias.
Nadine (moça) será que posso chama-la assim?
Como dizia Clarice Lispector:
Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.
E você moça sabe bem como isso funciona, teus trabalhos são maravilhosos, e sua simplicidade em transportar para nós leitores é magnífico.
Partiu para mais uma boa leitura.
Cris_chaos
10/12/2023 às 04:37
Nadine, só de ver o seu nome não preciso nem ler a sinopse para saber que irei viajar e me encantar com mais uma estória enriquecedora, linda e maravilhosa.
Na verdade nenhuma palavra aqui poderá reproduzir as sensações que você consegue nos proporcionar.
Parabéns por mais um show de escrita.
Perfeita de mais.
Nadine Helgenberger 14/12/2023 às 10:48
Muito obrigada.
Por mais mil shows de escrita, amém! rsrsrs
Bjs e mais uma vez, muito obrigada.
kasvattaja Forty-Nine
29/11/2023 às 04:45
Olá, tudo bem?
Olha só, querida Autora, mais uma bela obra terminada. Parabéns!
Suave, tenso, leve, instigante! Gosto de suas palavras.
Fico aqui, pensando, como seria maravilhoso você publicar todos os seus textos, transformá-los em livros digitais, físicos. Você merece, pois é uma boa escritora. Tem tanta coisa esquisita escrita por aí, e publicada. Quem sabe um dia, não é verdade?
Mais uma vez, parabéns!
É isso!
Post Scriptum:
'Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.'
Sêneca
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 11:31
Bjs
patty-321
28/11/2023 às 09:18
Mais uma estória maravilhosa! Parabéns Nadi e gratidão por tantas emoções. Ativo saúde, amor e luz. Bjs
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 11:27
Bjs
keique
27/11/2023 às 11:45
Ei Nadine,
Mais uma história inesquecível! Muito obrigada por dividir com a gente esse seu dom maravilhoso, mesmo sendo sempre um desafio as vezes difícil. Me emocionei muito e termino querendo mais como sempre! Mas o que posso fazer se adoro suas palavras? Ler você é sempre um presente!
Por favor não suma... Muitas energias boas pra você e meus sinceros agradecimentos!
Abraço
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 11:26
Muito obrigada.
Bjs
Mille
22/11/2023 às 09:28
Olá Nadine
Mais uma bela história, Nahima conquistou a Wiki.
Parabéns e volte com novo projeto
Bjus
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 11:25
Bjs
NovaAqui
21/11/2023 às 10:52
Saiu uma reportagem sobre o falecimento da Sara:
https://www.instagram.com/p/Cz4qUo3JSX6/?igshid=MzRlODBiNWFlZA==
Raf31a
21/11/2023 às 05:06
Maravilhosa como sempre! Parabéns pelo seu talento e obrigada por compartilhar conosco.
Assim que meu e-mail apitar novamente "sua autora favorita publicou no lettera", eu corro aqui para te acompanhar.
Muita SAÚDE, inspiração e sucesso na sua trajetória.
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 11:24
Seu email vai apitar, não sei quando, mas vai rsrsrs
Muito obrigada.
Bjs
HelOliveira
20/11/2023 às 02:41
Obrigada por compartilhar e nos presentear com essa linda aventura....agora fica a saudade dessa personagens maravilhosas.
Até a próxima aventura
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 11:23
Bjs
Vanny
20/11/2023 às 12:16
Escritora fabulosa, como faço pra ler No Encanto da Ilha novamente? Preciso
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 11:23
Ganhei um prémio literário com ele e será editado por uma editora. Em principio, agora em meados de 2024.
Bjs
Vanny 30/11/2023 às 08:52
Dandara091
20/11/2023 às 10:36
Alô Autora!
Hoje dia da Consciência Negra chegando nas parada negritude em alta um espírito de Palmares no ar... e aí a musa acaba a história ???? Cadê a consciência negra??? Êpa Babá meus caboclos e minhas preta velha segura a marimba e prende essa mulher pra não ralar peito nessa hora!!!
Sonhei até com essas malucas indo lá no barraco tá ligada? Foi cachorro e a porra toda junto. Levei geral pra laje liguei um som, piscina chamei umas chegada e o brejo abalou sabe qual é? Zoera de responsa! E tu acaba com as parada ???
E logo agora que a misteriosa mandou ver! Zero Dalia murcha! Wiki sapateando toda na categoria! E acaba????
Nunca escrevi tanto. Tô bolada e sem brusqueta literária
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 10:59
Fui, mas volto. Não estou aqui? rsrsrsrs
Eu sempre volto. Se não for aqui, há de ser em algum lugar e vocês que gostam do que escrevo, me acham rsrsrs
Zero Dália murcha kkkkkkkkk, Wiki sapateando na categoria kkkkkkk, mulher, minhas rugas agradecem kkkkkk para quê Yoga Facial se temos a Dandara? rsrsrs
Muito obrigada pela presença e pelas risadas garantidas. Volte sempre.
Bjs
brunafinzicontini
20/11/2023 às 03:18
Lindo final! Na verdade, lindo começo de vida a duas para nossas queridas heroínas! Nós também sentiremos saudade dessas duas! Belíssima história, Nadine! Duas mulheres de personalidade forte, características bem definidas, mas que mostraram o poder do amor na convivência de duas pessoas. Um sonho realizado para as duas! E vieram celebrar essa linda união na Bahia! Coisa mais linda!
Obrigada, Nadine! Foram momentos de grande prazer que sua criatividade nos proporcionou. Ficamos ansiosas à espera da nova história que, como já teve a bondade de anunciar, está delineada dentro dessa linda cabecinha privilegiada.
Grande abraço e um beijo carinhoso,
Bruna
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 10:55
Minha cabeça é tão cheia de ideias ( graças a Deus) que nem sei por onde começar. Qual história virá a seguir? Só Deus e minha vibe do dia saberão rsrsrsrs. Tenho umas três a fervilhar por aqui...veremos.
Muito obrigada.
Bjs
NovaAqui
19/11/2023 às 11:16
Que triste!
Que nosso pai maior conforte seu coração, o coração dos amigos e familiares da Sara!
Procurei a notícia agora na internet! Estava doente! Nova! Triste
Sinta-se abraçada
Mmila
19/11/2023 às 11:02
Parabéns sempre, por mais uma história maravilhosa!!!!!
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 10:52
Bjs
mtereza
19/11/2023 às 10:51
Mais uma história maravilhosa cheia de emoção e encantamentos obrigada por compartilhar o seu talento bjs e até breve
Nadine Helgenberger 30/11/2023 às 10:52
Bjs
Marta Andrade dos Santos
19/11/2023 às 08:48
Parabéns, Autora.
Nadine Helgenberger 19/11/2023 às 08:54
Bjs
NovaAqui
19/11/2023 às 08:36
Que capítulo delicioso para finalizar essa história linda
Parabéns, NH!.
Obrigada pelo presente
Obrigada por estar aqui!.
Volte sempre que sentir vontade
Boa semana
Sinta-se abraçada
Beijão
Nadine Helgenberger 19/11/2023 às 08:52
Volto sim.
Hoje estou um bocado triste. Morreu uma cantora que eu AMO e que já embalou tanta história minha. Se não me engano a música dela, Um ponto de luz, entrou no Romance No encanto da ilha e passei a história inteira ouvindo essa pérola. Faleceu aos 45 anos. Que tristeza! Enfim, a vida é assim mesmo...
Muito obrigada por sempre estar aqui e em todas as minhas aventuras literárias.
Abraço e fique com Deus