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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 4644
Acessos: 496   |  Postado em: 29/10/2023

Capitulo 16 Investigação

Sophie estranhou aquela manhã por não ter mensagem da sua amiga albina, será que estava tão ocupada assim com as coisas do estúdio ou estaria resolvendo alguma ação? Depois precisaria tirar um momento para visita-la, só não sabia quando poderia realizar isso. Deixou uma mensagem de bom dia para a amiga e perguntou como estava tudo no trabalho, enviou e foi tomar banho. Após terminar de tomar sua ducha matinal e fazer sua higienização, olhou para o celular novamente e nenhuma notícia de Elizabeth. Sim, pelo visto a manhã da outra começou com um pé esquerdo. Sabia que quando sumia assim pelas manhãs só podia significar uma coisa: tivera algum problema com alguma outra mulher ou trabalho. O de sempre.

Resolveu se arrumar e descer, Valquíria já se encontrava de pé, arrumada e com o notebook de Jéssica Lins em mãos, havia recebido mais comentários e certamente o plano poderia ser colocado em execução em breve. Ao fundo, ouvia o ancora do canal 11, a tensão com a Ucrânia e a Rússia estava cada vez pior, com toda certeza, aquela guerra fria sairia fora dos trilhos. Embora, já tenha sido encontrado bombas nos arredores de Kiev.

A loira deu bom dia e a detetive respondeu de igual forma fitando a outra, disse que já havia comprado o café para o dejejum. Tomaram café como de costume, depois a detetive deu as escutas explicando alguns pormenores. Dessa vez iriam em seus respectivos carros, pois deveriam chegar no bar, separadamente.

Elas seguiram para o departamento de polícia, no qual o dia passou como de costume. Sophie, investigava ainda mais o cadáver de Jéssica Lins e Valquíria fazia suas investigações sobre potenciais suspeitos. Ela tinha verificado o álibi da Carmen, a esposa de Jéssica e de fato batia, essa jovem possuía um álibi de ferro, porém, ninguém saía da lista de suspeitos da detetive até que o cenário se mostrasse definido.

Fez algumas pesquisas de pessoas vinculadas aos crimes de ódio no banco de dados do Estado, o mais recente eram um grupo de ativistas contra homossexuais que despertou-lhe interesse com as práticas de purificação. A quantidade de membros estava atualmente com 60, mas desses, apenas dez eram mulheres. Passou o decorrer do seu dia analisando cada nome, característica daqueles membros até que Sophie chega, informando que elas precisavam ir, estava próximo das 16 horas e o bar abriria as 17h, precisavam montar os equipamentos sem dar bandeira.

- Sim, iremos. – dizia compenetrada.

 

As duas mulheres seguiram para o bar, lá foram recebidas por Raquel que indicou que havia uma sala vazia nos fundos que podiam montar o equipamento e se trocarem. Valquíria e Sophie foram para lá. Enquanto, Sophie vestia o seu uniforme de garçonete sexy, Valquíria retirava as peças de roupas e colocava alguns adesivos tapa sex que a outra não entendeu a razão. Se perguntava "o que está fazendo"?

Algumas outras funcionárias ajudavam-na a utilizar chantilly e cerejas e claro ficar dentro de um bolo falso para um casal que havia ficado noivos. Essa apresentação seria o suficiente para não despertar muitas prováveis suspeitas de admirarem ela. Porém, Sophie não sabia de nada sobre essa parte da apresentação, estava tão assustada quanto. E principalmente, não pensava que Valquíria iria tão longe em um disfarce.

Enquanto fingia ser garçonete sexy, a dona do estabelecimento homenageou o futuro casal, parabenizando pelo recente noivado e como a felicitações da casa, haviam preparado uma apresentação. Alguns homens carregaram aquele bolo falso e colocaram no meio do palco e quando todo mundo começou a contar regressivamente a partir do 10, quando chegou em zero, saiu de lá uma Valquíria com braços, abdômen a mostra, tendo suas partes cobertas pelo tapa sex e o chantilly que haviam moldado como calcinha e sutiã.

Sophie quase se engasgou com o que viu. Uma coisa que Valquíria sabia ser, era profissional e encarar um papel quando tinha que fingir ser o que não é. A personalidade séria, de poucos amigos, sua falta de habilidade social tudo ficava para a Valquíria Van Dahl a detetive da homicídios. Enquanto a pessoa que torturava e lidava com pessoas barra pesada era a Yami, e ali era precisava ser tudo o que precisavam dela. E naquele exato momento, ela estava fazendo mais um papel de uma moça saindo do bolo. Sophie não podia acreditar no que estava vendo, a cada dia que passava sentia que sempre havia algo para se descobrir de Valquíria Van Dahl.

Todos aplaudiram a jovem que saiu do bolo e as noivas também. A festa e o lugar começaram a ficar mais agitados e todos descontraídos, do jeito que a detetive estava prevendo. Novamente Valquíria foi se ajeitar, mas dessa vez, para ser a pessoa que lidará com encontros, mais um papel deveria desempenhar.

Valquíria terminava de montar todo o equipamento para registro. Deixou um patrulheiro da polícia militar, fora do seu departamento responsável pela observação, o soldado estava na porta, esperando ela estar pronta. Quando terminou de montar o equipamento, a detetive deu de cara com a roupa da legista, um sorriso pequeno e discreto nasceu em seu rosto. Só agora voltava a ver Sophie.

Ela estava sorrindo pela outra ter aceito fazer parte de tudo aquilo e ainda está bastante animada e sentia a certeza que seria virada chacota depois daquela sua apresentação. Sophie estava assumindo bem o seu papel, estava sexy com uma saía tremendamente curta, com uma  roupa preta que enfatizava seus seios. Por baixo uma meia calça transparente. Seus cabelos estavam soltos, volumosos e arrumados, usava saltos, enquanto carregava uma taça de vinho para algum cliente aleatório.

- O seu disfarce de garçonete sexy está ótimo – sorriu a detetive.

- Exatamente, nas quintas-feiras o estabelecimento costuma colocar as funcionárias para este estilo de atendimento, um tanto burlesco. Inclusive adorei a sua apresentação, com qual tempo praticou? – ela disse rindo - Então, sim, hoje é o da garçonete sexy, amanhã seria da enfermeira sexy, pena que estarei de folga daqui - riu novamente.

- Eu sabia que você não iria me deixar esquecer isso. – Valquíria se aproximou, para ajeitar a escuta nela e estava tudo perfeito. – Pronto, está maravilhosa. Tome cuidado. – sussurrou no ouvido da outra -. E não precisei praticar, simplesmente surgiu do nada a coreografia.

Risos foram ouvidos. Até que tiveram que se afastar novamente e Sophie disse: - Você também tenha cuidado – disse em outro sussurro ainda próximas.

Valquíria não precisou se ajeitar tanto, afinal, seu disfarce era de alguém, esportista. Vestiu um traje semelhante ao esporte fino, para não perder um pouco de sua classe. Valquíria colocava as escutas em si agora e precisou sair do estabelecimento e só voltar as 17h00, o que já se aproximava, apenas deu uma volta no quarteirão em seu carro, viu que o perímetro estava limpo e voltou para o bar. Foi recebida por Sophie com seu disfarce de garçonete sexy.

- A mesa que usará já está pronta, me acompanhe. – disse, enquanto conduzia Valquíria até sua mesa. A doutora também levava uma bandeja com algumas bebidas. A música era relaxante e bem acolhedora, Van Dahl sentou e Sophie disse que logo mais voltaria com a bebida para ela.

Quando deu 18h, Valquíria tinha o seu primeiro encontro com Mikarla Silva. Uma jovem de cabelos curtos, estava coberta dos pés a cabeça com calça e jaqueta jeans escuro, parecia sorridente e de riso solto. Falava mais de si do que queria saber sobre Valquíria, isso era ótimo para a detetive, assim não precisava puxar muito assunto. Contou um pouco da sua infância, adolescência quando se descobriu homossexual, a expulsão de casa, a entrada no mercado de trabalho para tentar se sustentar, apesar dos contratempos, Mikarla tinha aprendido a nunca desistir ou mesmo deixar seu sorriso morrer.

Valquíria alternava entre olhar e prestar atenção no que Mikarla dizia e observar a doutora Seyfried que servia outras mesas e de quando em quando tinha algumas pessoas apertando a cintura da legista, o que a incomodava, quando isso acontecia chamava de quando em quando a legista para atender algum pedido para a acompanhante da mesa, perguntando se queria outra bebida, um aperitivo, o que normalmente pediam era outra dose da mesma bebida. Embora, quando alguém tentava apertar a doutora, ela tentava se livrar e esquivar profissionalmente. Mas a irritação dessas atitudes deixavam a detetive alerta. Após o longo discurso sobre a vida de Mikarla, ela indaga sobre como foi a experiência dela ao contar para seus pais que era gay.

- Meus pais morreram em um acidente aéreo, fui cuidada por uma tia. – dizia de forma simples, quando Seyfried se aproxima com seu decote chamativo e seios fartos, fazendo Valquíria a encará-la. Ela pergunta se desejam mais outra rodada de bebida. – Não obrigada, a Joyce e eu estamos tranquilas.

- Nesse caso, posso recolher o seu copo? – Seyfried pega com cuidado a taça usada por Mikarla e conduz para trás do bar. Naquele local ela já havia organizado todas as bolsas e coletas de provas. Guardou com cuidado a etiqueta do nome da primeira pessoa do encontro de Valquíria.

- Na verdade meu nome é Mikarla. - dizia a acompanhante.

"Ih, melhor prestar atenção no nome das suas acompanhantes, Val. - falava a legista pela escuta para Valquíria de forma silenciosa. - Ou me ver disfarçada deixou a maior detetive de Nova Amsterdam desfocada?"

Valquíria escutava o que Sophie dizia e segurava um pouco o riso, e então se dirigiu para Mikarla.

- Ah, lamento, deve ser o efeito da bebida. – mentiu Valquíria, ela sabia que o nome da moça era Mikarla, apenas já havia conseguido o seu objetivo, então não precisaria fingir o interesse.

O tempo passou e a pessoa do seu primeiro encontro foi embora, a música estava mais agitada agora. E seu segundo encontro estava prestes a começar.

- Adoro a postura que você assume, poderosa, intensa, calma e observadora, isso acaba me atraindo em uma mulher. – dizia a segunda pessoa do seu encontro. Uma loira com cachos revoltos, estilo dyke estava sentada a sua frente. Seus braços tatuados estavam a mostra, trajava uma camisa xadrez preto e branca com uma calça jeans e um tênis. Valquíria só conseguia lembrar do que Sophie dissera para ela "você precisa interagir, falar um pouco mais e não dizer somente o óbvio, poderá estragar o disfarce." Então ela fez exatamente o que a doutora recomendou.

Deu um meio sorriso discreto e comentou:

- Poderia explicar o que você quis dizer com isso? – embora ela soubesse que era apenas uma técnica para se paquerar e nada mais, como a mulher a sua frente poderia saber o que de fato ela era se não tinha falado nada? Sua postura estava imparcial, estava assumindo o papel que era de uma esportista, então o que ela falasse não seria dela Valquíria. Comentários sobre si, só fazia com que ela acreditasse se fosse de alguém que a conhecesse a muito tempo.

- Você é esportista, normalmente pessoas como você demonstram segurança, inteligência e gosta de observar o jogo ao seu redor. – essa mulher foi ousada e tocou na mão de Valquíria que foi observada por Seyfried. Por um momento a legista teve inveja da outra moça que tocava a mão da detetive.

Valquíria retirou suas mãos lentamente, explicou que havia se acidentado durante uma partida e estava com fortes dores em suas mãos, fingiu uma expressão de dor imediata. A outra pediu desculpas rapidamente. Por Sophie poder escutar o que estava ocorrendo, acabou sorrindo de lado com a estratégia da outra se livrar da mulher. Novamente ela apareceu e perguntou se as mulheres desejavam alguma coisa, Valquíria negou, apenas deixava que as outras bebessem, enquanto se mantinha sobrea com uma bebida sem álcool, na qual as pessoas do seu encontro não sabiam que estava sem. Sophie recolheu o segundo copo daquela noite e fez o mesmo procedimento que o anterior.

Com o passar do tempo, a música se tornava mais lenta e calma.

Valquíria havia passado pelo seu quarto encontro daquela noite. Antes de Sophie chegar, a loira feminina já estava de saída, alisando a perna da detetive. Sophie pegou o copo daquela desconhecida, e Van Dahl entregou o bilhete que havia recebido dela. Passou por mais três encontros até uma morena sentar em sua cadeira falando

- Safira? Eu sou Jennifer Arantes – disse uma mulher elegante, com o cabelo preso em um rabo de cavalo e um vestido azul tubinho. – Gosto de morenas assim como você, me chamam atenção.

- Oi, Jennifer, posso te oferecer uma bebida? – indagou Valquíria.

- Creio que não vou precisar mais, já bebi o suficiente, mais uma taça e estarei falando bobagens. – continuou a mulher. – Não leve isso para uma cantada, mas você parece com alguém que já vi por aqui antes. - a outra parecia sedutora - Ah, agora lembrei, com a mulher que havia sido morta, a... Jéssica. Você é bem parecida com ela.

- Você acha isso? – disse Valquíria tentando demonstrar interesse para fazer a outra falar mais, inclinou-se na mesa tentando se aproximar.

- Sim, o estranho é que fui a última a falar com ela em algumas noites atrás. Ela contava que era casada e perguntava para si mesmo se um dia a esposa seria capaz de perdoá-la. Acho que ela estava um pouco alta. Embora eu goste do que gosto, sempre tive muita fé dentro de mim e apenas disse para ela: um dos primeiros passos é pedir perdão para Deus, depois para a esposa e a si própria e não repetir mais esse delito. - dizia a outra. - Faço esses encontros, mas, traição para mim está fora de cogitação, é algo inaceitável para mim, sabe?

- Compreendo, precisamos corrigir nossos erros. - Valquíria estava suspeitando sobre aquele assunto.

- Sim, por isso eu não sai com ela, tenho meus princípios, não sair e paquerar mulheres casadas, é um deles. E principalmente quando estavam dispostas a trair. - a morena ali explicava.

Apesar da dificuldade, Valquíria conseguiu um copo com o DNA da última mulher, que ela suspeitou intensamente. Ali todos trabalharam muito e estavam exaustos. Naquela noite todos voltaram para as suas respectivas casas, pois no outro dia Sophie faria o teste de DNA de cada mulher ali inspecionada. 

X

A manhã chegou, Valquíria e Sophie chegaram ao mesmo tempo, elas se cumprimentaram e a detetive entregou o café que comprou para a outra, abrindo logo em seguida a porta do departamento. A loira agradeceu e passou por ela. O dia no departamento ocorreu "tranquilo" quando Valquíria se dirigiu para a sala de Sophie, ela bateu na porta da legista e a outra a mandou entrar.

- Queria mesmo falar com você. Não tenho boas notícias. Nenhuma das frequências dos alelos corresponde com o DNA isolado na tábua.

- Não temos nada? – Van Dahl a fitava novamente.

- Não.

- Detetive Van Dahl – corria um policial procurando por ela desesperadamente. – Detetive Van Dahl

- Aqui! - informou ela.

- Encontramos outra vítima, elas foram arremessadas pelo que falaram e parou no campo de esportes dos oficiais.

A primeira vítima uma mulher, jovem de trinta e dois anos, casada com uma mulher, a equipe de investigação com os documentos encontrados viram que ambas eram casadas. As mulheres foram conduzida para a sala da Doutora Seyfried que fez o mesmo procedimento de Jéssica Lins. Sophie averiguou que as esposas, Samanta Buarque e Simone Carla haviam estado na noite anterior no Prik bar, eram as noivas que haviam casado, no qual Valquíria tinha se apresentado.

A hora da morte foi correspondida com a de Jéssica Lins, possuía os mesmos versos bíblicos, as mesmas escoriações, o alvejante que limpou a pele, tudo estava exatamente igual, até mesmo a outra arma do crime. A legisla e a detetive estavam diante de um mesmo assassino.

- Tudo está apontando para um crime de ódio, Sophie – disse a detetive. - Você fez o exame de toxicológico nas duas?

- Sim, a mesma coisa da primeira vítima, negativo. Não havia nenhum sinal de veneno ou qualquer substância no corpo.

- Estou começando a pensar que não seja algo detectável no sangue. – falou a detetive. - Precisamos nos apressar ou teremos mais alguma outra vítima, Sophie. 

 Valquíria estava começando a ficar preocupada, o modus operandi era o mesmo, mas as vítimas não seguiam um padrão de esteriotipo, com exceção de que eram homossexuais. – Eu vou voltar para o bar e ver o que descubro, Sophie.

Valquíria voltou para aquele local, Raquel carregava algumas caixas de bebidas para repor o balcão. Valquíria queria saber o que ela sabia sobre as vítimas de ontem. Enquanto ela estava arrumando as garrafas de Vodka, mimosas, absolut e outros tipos de bebidas.

- O que sabe sobre as duas vítimas que segundo suas pulseiras estavam ontem no seu bar?

- Elas eram clientes frequentes da casa, detetive – dizia Raquel com pesar – sempre estavam juntas, eram um casal que aparentava estar bem. Aquele casal que você se apresentou no bolinho que preparamos e tudo, se conheceram aqui, pois é, nesse bar já aconteceu de muitas pessoas encontrarem a sua cara metade, de haver realizações de pedido de casamento. E agora está ocorrendo isso. – Raquel expressava preocupação.

- Não suspeitou de ninguém?

- Hum... não. – disse pausadamente – bom, pode não ser nada, mas a mesma pessoa que importunou a doutora Seyfried no dia que vocês estavam aqui, importunou o casal.

- Sabe dizer como era essa pessoa e se ela teve o encontro com a Jéssica Lins?

- Agora que você tocou no assunto, sim... estava.

 

                                                                                          x

Sophie havia terminado seu trabalho, caminhava pé ante pé para o estacionamento do departamento, onde só restava poucos carros ali. Tudo estava um breu, o trabalho daqueles dois corpos levara muito tempo. Enquanto ela caminhava, resolveu ligar para Valquíria, deixou chamar e estava caindo na caixa postal.

- Val, sou eu, Sophie. Estou saindo agora do departamento para ir para casa. Não te vi mais desde que foi para o bar, então se tiver mais alguma notícia sobre o caso e desejar passar lá em casa estarei esperando. Me avi.. – Sophie sentiu apenas duas mãos tapando a sua boca. Ela emitiu alguns grunhidos para a detetive conseguir localizá-la.

- Fique quietinha... – foi o que aquela voz falou e Sophie foi desmaiando ali mesmo.

 

                                                 --

 

Valquíria colhia os dados visuais do que Raquel estava falando e não prestou atenção no celular. Ao final do retrato falado que ela mesma teve que fazer, mostrou para a Raquel que conseguiu reconhecer a pessoa. Enviou um fax para o departamento de polícia para fazerem um escâner de reconhecimento facial. Após desligar o telefone, percebeu que havia uma mensagem de voz de Sophie. Ela apertou para escutar

"Val, sou eu, Sophie. Estou saindo agora do departamento para ir para casa. Não te vi mais desde que foi para o bar, então se tiver mais alguma notícia sobre o caso e desejar passar lá em casa estarei  esperando. Me avi.. – grunhidos indecifráveis e - Fique quietinha"

Valquíria  apertou o celular com tanta força que os nós dos dedos estavam esbranquiçados, o assassino havia pego a Sophie. Ela seguiu em disparada para o departamento de polícia após enviar o áudio de Sophie para ser analisado pela equipe, assim poderia isolar o fragmento de voz do suspeito.

O alarme já havia sido feito no departamento, todos estavam alvoroçados para encontrar o assassino, qualquer minuto que se passava era um minuto a menos para encontrar Sophie. Valquíria trocava de roupa, colocava um colete a prova de balas, as calças do uniforme e coturnos pretos. Seu coldre estava guardado na cintura.

- E então, alguma notícia? – inquiriu para o patrulheiro que estava isolando o áudio.

- A voz era feminina. Jovem, estava na casa dos 30 anos.

- Excelente, procuramos uma jovem com aproximadamente 30 anos e quanto ao retrato facial que a Raquel falou, nosso banco de dados encontrou algo?

- O rosto foi compatível com Alexia Carneiro, vive na rua Abel Montenegro, bairro de nova Hallen Amsterdam.

- Ok pessoal! Vamos lá!

                                                                                           x

Sophie não sabia onde estava ou o que estava acontecendo, mas quando acordou seus pés e mãos estavam amarrados. Sua roupa havia sido quase completamente tirada, restando ali, o seu sutiã e a calcinha. Parecia que aquele local era algum lugar subterrâneo. A única luz que havia estava sobre sua cabeça e impedia de ver qualquer coisa a sua frente. Ela estava com medo, horrorizada, como alguém conseguiria a encontrar naquele local que nem mesmo ela saberia dizer onde estava?

Uma voz falou naquele recinto, era um homem, seguido por uma mulher:

- Você não deve fazer ideia da razão de estar aqui hoje, não é minha jovem? – dizia a voz masculina.

- Mas não precisa temer, hoje é seu dia de sorte. – agora o lugar dava voz a uma mulher. – você foi a escolhida, sairá dessa vida de pecado e poderá descansar em paz!

Quando ambos aproximaram-se da luz, estavam encapuzados.

- Quem são vocês e o que querem, por que estão fazendo isso?

- Nós somos os escolhidos de Deus para realizar o processo da purificação. Andamos vendo a cada tempo que passa como a humanidade está se transformando, em uma verdadeira escoria, você não sabia disso? Mas eles não possuem culpa, foram apenas fracos demais. E nós somos os escolhidos para libertá-los dessa vida - ela informa sobre a água benta para fazer parte desse processo de purificação. - Logo você estará liberta minha jovem!

- O que vocês fazem é totalmente ilegal, é um homicídio, um crime de ódio contra as pessoas! – gritava Sophie, rubra de raiva, de medo, de horror.

- Homicídio? Mas nós apenas libertamos essas pobres almas. Agora chega de falar minha jovem. – eles aplicaram um tranquilizante em Sophie que aos poucos foi apagando.

- Iremos agora começar o tratamento de purificação, vamos lavar o corpo dela meticulosamente.

Valquíria foi uma das primeiras a chegar na casa informada, estava escuro. Bateu na porta uma vez, duas vezes... girou a maçaneta e nada. Girou os calcanhares para olhar a casa, "Aguente firme Sophie" pensava ela com a arma na mão. Mais algumas viaturas estavam chegando e se aproximando. O reforço estava se acumulando nos fundos da casa. Van Dahl tentou a porta dos fundos e novamente a porta estava trancada, apontou a arma para a moldura da porta e disparou dois tiros com o silenciador, chutou duas vezes a porta e a madeira se partiu.

Fez sinal para dois dos homens a seguirem, eles correram agachados, a cada cômodo revistado falavam "limpo". A sala, os banheiros, cozinha, quartos, tudo estava limpo, não havia ninguém. Estavam na casa errada? Era a suspeita errada? Não, era ali, Van Dahl sabia, sentia que Sophie estava ali. Alguns policiais estavam saindo, se comunicando pelo rádio. Algo estava muito errado.

Valquíria se encostou na ilha da cozinha, ficando inclinada e levando as mãos até a cabeça, olhando para frente.

- Sophie, cadê você? – suspirou.

Havia uma pequena fresta por trás de uma cortina, algo mínimo que somente naquela posição poderia ser visto. Valquíria se aproximou, fez força e puxou uma espécie de fundo falso dali e por trás havia uma porta que havia luz. Sim, havia luz. Ela retirou alguns grampos e tentou abrir de forma silenciosa. Desceu lentamente degrau por degrau até encontrar a sua frente um corpo com pés e tornozelos amarrados. Duas pessoas estavam ali e uma delas preparava uma seringa.

- Polícia, parados! – dizia Valquíria pedindo para aquelas pessoas afastarem do corpo. – Coloquem as mãos na cabeça e deitem no chão.

Eles estavam fazendo lentamente tudo o que a detetive falava e ela bradou raivosa um "AGORA!" extremamente exigente. A mulher seminua era Sophie. Valquíria falou pelo rádio informando que havia encontrado e deveriam descer. Antes dos policiais chegarem, ela encontrou um tipo de manta e cobriu a amiga.

Verificou o pulso de Sophie, estava fraco, mas aparente. Os policiais prenderam o homem de 50 anos, um ex-bispo.

- Vocês estão presos pelo assassinato de Jéssica Lins, Samanta Buarque e Simone Carla, além de do sequestro e tentativa de homicídio contra a doutora Seyfried. Vocês tem o direito de permanecerem calados, tudo o que vocês disserem poderá e será usado contra você no tribunal, vocês tem o direito a assistência da família e de um advogado, conforme o artigo 5º inciso LXIII da nossa Constituição Federal.

Enquanto, a jovem era a filha dele. Eles haviam assumido que mataram as três mulheres anteriormente, colocaram fentanil e misturaram com água para não ser detectado. Introduziram um console, pois fazia parte de um velho ritual de purificação. Assim as almas das outras mulheres estariam salvas. O homem e a filha foram presos.

Sophie foi levada para o hospital, porém sua situação não era grave, apenas estava com calmantes na corrente sanguínea e logo mais pararia de fazer efeito e poderia ter alta. Contudo, os médicos do Hospital Central de Nova Amsterdam desejava que ela passasse a noite ali para poderem observá-la. Valquíria não saiu dali por nenhum momento. Os pais de Sophie eram divorciados e nenhum deles morava no estado, praticamente ela estava sozinha ali, assim, a detetive se passou por esposa da vítima com uma documentação falsa feita rapidamente com a ajuda de um editor de imagens para acrescentar o Seyfried em seu nome. Assim, ela estava observando a doutora dormir calmamente.

Quando a madrugada chegou, Sophie acordou assustada e Valquíria a acalmou, disse que estava tudo bem e que estava segura, era um hospital e ninguém iria fazer nada com ela.

- Sou eu, Sophie. – a detetive falava de forma baixa, acariciando os cabelos loiros da outra que aos poucos se acalmou e voltou a dormir.

                                                                                             x

No outro dia, Sophie já encontrava-se em casa com Valquíria, ela havia tido alta e assim regressou, iriam comer para poderem voltar a trabalhar. Nenhuma das duas queria parar, Sophie não deixaria o medo lhe dominar, eram alguns ossos do ofício. Enquanto a loira estava um pouco deitada em sua cama, Valquíria recebia a ligação do chefe do departamento informando que ambas estavam de parabéns e receberiam algum tempo de folga para Sophie se recuperar. O caso, foi encerrado com sucesso e ambas haviam solucionado com maestria aquele crime de ódio horrendo. Ela agradeceu e desligou o telefone.

- Era o chefe, mandou melhoras, parabéns e estamos agora de folga até sua recuperação. – disse a morena quando deitou do lado da outra na cama. – O que você precisa?

- Conseguimos resolver o caso, mas infelizmente, não conseguimos fazer com que as pessoas entendam que temos o direito de amar quem quisermos e cabe ao outro ter respeito por isso. – suspirou Sophie. – o que eu preciso? Com um mundo assim, acho que só de uma taça de vinho para ficar tudo mais palatável.

Fim do capítulo

Notas finais:

Lembro que quando escrevi essa história era idos de 2018, por isso o ano dela é de 2018. De fato sim, demorei muito para dar continuidade. 

Não por não querer, mas por falta de tempo. Trabalho veementemente em minha carreira, além de está finalizando a universidade naquela época e segui para me especializar duas pós de forma concomitante no ano seguinte. O que deixou a obra em tremendo hiato. Paulatinamente fui escrevendo sem me cobrar, estudando, escrevendo, trabalhando, até que foram passando os anos e estipulei a meta para finalizar sem falta em 2023. E acreditem ou não, é um desejo quase 100% realizado. 

Então, ocorre que Segredos sempre me foi uma obra querida. Uma autora falando do seu filho, claro que ela falaria um pouco bem. (risos). Mas não é muito por aí. Como disse na minha bio, escrevo desde 2013-14 em outros sites da vida. 

Amo escrever sobre aventura, mitologia, todos com personagens para a representação LGBT. Pouco fiz histórias que remetem o cotidiano, só criei duas. A primeira eu ainda era jovem demais e por mais que seja a minha primogenita quanto ao genero de cotidiano e vida adulta. Ela precisa de reformas urgentes. Mas Segredos, marca uma fase e impacto muito importante para mim. A mudança da minha escrita, sua transformação e o que quero passar para o meu leitor. Além de algumas linhas serem de fato importantes e intimas para mim.

Segredos busca acolher todos!

De fato há um número gigantesco de personagens para cada um de nós nos identificarmos, conversarmos entre eles, nos encontrarmos nas linhas.

Como estava dizendo, a obra pode ter sido escrita em 2018, mas recentemente em 2023 passamos por votações horríveis para a proibição do casamento LGBT. Juridicamente falando, ferindo todo um leque de direitos fundamentais e mais. 

Podemos sim amar quem nos queremos e infelizmente, casos como o que Valquíria e Sophie resolveram, são comuns. Sofremos um preconceito aqui e ali. Às vezes, somos agredidos.

O momento que Sophie contempla é muito forte, ela sente na pele não só o medo do sequestro, mas o ódio dessas pessoas. Por isso a frase que ela apresenta ao final é repleta de significado e dor. O mundo está difícil de ser ingerido, de ser tragável, está difícil de engolir diante de tantas coisas.

Mas recorde, não estamos sozinhos, iremos sempre nos apoiarmos.

Espero que você tenha feito uma boa leitura e gostado do capítulo.

Comente, vamos interagir.

 


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Raf31a
Raf31a

Em: 15/11/2023

Adorando essa tensão sexual e cumplicidade entre essas duas.

Aguardando o desenrolar da história e ansiosa pelo capítulo em que Sophie vai finalmente fazer hora extra na cama com a Valquíria. 


Resposta do autor:

Muito bom ter você por aqui e fico feliz de como está achando.

 

Olha, ainda haverá muita, muita coisa. A Val é uma pessoa calma e terá muitas coisas ocorrendo.

 

Mas essas horas extras, será que ocorrerão? Hahahahahaha, há muita tensão mesmo. E a pobre da Sophie esperando tanto

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