Segredos por Elliot Hells
Capitulo 17 O contrato
Vivienne fitava as duas gêmeas sem aliviar o olhar. Fitou a gêmea que tinha certeza que não era a que foi buscar na boate, pois eram outras roupas e tinha o ar de controle da situação. Afinal a irmã da boate ainda estava cheirando fortemente a álcool. Deveria prestar bem atenção nesses detalhes, não saberia quando seria capaz de diferenciá-las novamente. Tudo o que ela tinha certeza era que: a Elizabeth Heinz da boate era a pervertida por sex*, a outra ela ainda não entendia. Talvez tenha sido com ela que teve assuntos mais sérios sem conotações sexuais, talvez tenha sido ela que a ajudou nos bastidores. Ela não tinha certeza, mas resolveu arriscar que assim seria, então encarou essa Elizabeth Heinz, conhecida pela irmã como Bess.
Elizabeth ou Bess, a encarava de volta parecia pensar muito no que iria dizer, afinal elas deram um passo muito errado que a deixaram em desvantagem. Precisaria cooperar.
- Tudo bem! – respondeu por fim
- Mas, Bess – interrompeu a outra.
- Tudo bem, Izzy. Deixe que resolverei isso, ela tem o direito de saber onde está se metendo. Ora, ela também não se encontra em algo tão satisfatório.
Vivienne nada entendia, mas aguardou as palavras da outra.
- Nossa família é antiga na cidade, não sabe disso porque passou a maior parte do tempo em outro estado quando saiu daqui e fazendo viagens internacionais. Investiguei o que pude sobre você. Estamos no poder tem várias gerações, mesmo tendo nascido na Alemanha, nós sempre estivemos atuantes aqui e participamos de um jogo, um jogo muito sério com membros e herdeiros contados, um jogo brutal. Todos os herdeiros que por sinal, só podem ter um único herdeiro para disputar a Casa Heinz, se existir mais de um, o segundo filho e o primeiro devem lutar contra si, até que sobre somente um filho ou herdeiro, em outras palavras, um deve ser sacrificado, independente de qualquer coisa.
" Uma regra um tanto genocida, mas estipulada por nosso patriarca, Holand Arthur Von-Franz Heinz I. Um tanto rígido. Ele casou três vezes e com cada mulher teve seus respectivos filhos, fazendo duelarem, entre si, ou melhor dizendo, matarem entre si para buscar a melhor posição de Gran Master da família Heinz. Existem três linhagens de Heinz, os primeiros, que são magnatas empresários, os segundos com talentos para a medicina e nós. Os Heinz terceiros, formados na arte da ciência jurídica ou ciência aplicada. Cada Heinz deveria expandir o seu próprio império e eliminar o herdeiro do outro. É algo que existe antes mesmo do nosso tataravô, você deve provar que é digno da linhagem e clã Heinz lá na Alemanha. Nosso ancestral, Holand Athur foi o único sobrevivente da sua geração. É um clã secreto com medidas e regras secretas, na qual temos uma total cobertura da embaixada e muitos membros e órgãos representativos."
"Nesse quesito, nosso familiar, Holand em busca de descobrir o verdadeiro herdeiro dentre os Heinz e sua linhagem passou a estipular a regra de que cada Heinz e suas respectivas linhagens, primeira, segunda ou terceira, deveria ter um único filho. Caso houvesse o aparecimento de mais filhos, eles deveriam duelar com o que sejam bons de verdade, quem ganhar seria concedido o direito de viver e quem perder... não terá um bom final. Essa era a regra para que não ocorresse essa disputa interna mais do que já estava havendo.
"A família detém o controle de muitas industrias, porém, o importante é o título e as vantagens que a ele se atribuiu com o passar dos anos. Bom, essa parte é um pouco mais burocrática. Acontece que nunca nessa geração – e até onde se sabe – não ocorreu um caso de gêmeos na nossa família. Se ocorreu, foi bem escondido. Os registros não falam disso, mas também estamos ocultando nossa história. Se antigamente ocorreu um caso semelhante, nossos antepassados conseguiram esconder muito bem e agora cabe a nós conseguir o mesmo feito. Se alguém da nossa família descobrir que nossa mãe teve gêmeas, uma de nós deverá ser morta, Vivienne."
"Para isso é assinado um contrato, tudo fica fora dos distritos legais, nós fazemos a nossa regra. E como eu disse, existem órgãos por trás com grande poder aquisitivo para qualquer uma de nós desaparecer e mesmo que nossos pais comprem a briga, a derrota é certa. Antes de nós já houveram quem tentou rumar contra as regras e a família foi morta. Não é algo pequeno, não é um jogo bobo, o que está em jogo são nossas vidas, Vivienne! Por isso, ser gêmea nessa família, não é algo normal, é uma maldição."
Vivienne teve receio de atrapalhar, mas ousou perguntar – Parece que o familiar de vocês era um eugenista sádico... condenar familiares a lutarem entre si para descobrir quem é o verdadeiro Heinz de linhagem? Isso é insano, macabro. – Vivienne se abraçava, ela tinha certeza que já tinha visto de tudo na humanidade, porém, agora estava diante de uma história ainda mais maluca. Claro que pelo semblante das duas mulheres, elas não tinham escolhas. Decidiu perguntar algo importante - Você disse que já descobriram antes...
A próxima pessoa a falar foi a outra Elizabeth, Izzy.
- Como sempre a culpa foi minha. – começou a irmã, que foi observada com olhos complacentes pela outra. – Ocorreu durante a nossa infância e inicio da adolescência. Conheci uma garota, foi logo quando começamos a descobrir nosso gosto sexual. Ela era linda, atenciosa. Estudávamos na mesma sala e como pode imaginar viramos melhores amigas. – sorriu sem vontade ao lembrar.
"Eu comecei a me envolver, a sentir coisas por ela, a me conectar mais e mais, porém somos duas pessoas e nunca tínhamos namorado com alguém e não sabíamos como poderíamos levar isso adiante. Em um dia ela nos descobriu acidentalmente, fizemos a proposta, oferecemos o dinheiro e ela recusou. Ela começou a se acostumar com quem falava, pois a cada 24 horas fazemos uma nova troca, afinal é injusto deixar a outra tanto tempo em um único local, temos que "viver"".- saiu de forma irônica seu tom. Prosseguiu com sua fala:
- Levamos durante muito tempo essa situação. Começamos a universidade, planos e planos eram feitos até que ela queria crescer mais profissionalmente também, um dia ela terminou com tudo, fugiu com um aspirante diretor que estava famoso na época e nos deixou. Disse que jamais contaria nosso segredo, mas tudo o que temos é uma promessa. Bom, que a gente supõe que nunca contou. Não sabemos dela, a menos que é dona de uma das maiores indústrias internacionais de teatro e cinema, basta procurar na internet, mas... é doloroso demais para ver.
- Por isso, você tem esse apetite sexual? Por um fora? – Vivienne não sabia o que estava dizendo.
- Ah, lamento se tenho uma vida sexualmente ativa, senhorita "eu não faço sex*"– disse Victoria.
- Mas que boca você tem! Sua súcubo – rebateu Vivienne
Bess suspirou passando a mão pelo rosto e pediu para Victória descer para tomar um banho. Ela foi a contra gosto descendo a passos firmes as escadas. Um silêncio reinou durante um tempo.
- Victoria amou aquela mulher, mesmo ela não merecendo. Foi a primeira namorada dela, bom... "nossa" primeira namorada. Embora, ela que tenha se envolvido sexualmente e amorosamente falando. Durou realmente muito tempo e era intenso demais para ela, ela dedicou cada momento para fazer aquela pessoa feliz. Eu nunca mais a vi daquela forma. A senhorita Lamartine, pediu para contar a história e assim fizemos. Todavia, ofendeu minha irmã, e não é algo que estávamos planejando. Por favor, assine o contrato e saía.
- Ela me ofendeu de volta! - quis justificar a ruiva.
- O que Victoria fez foi responder ao seu insulto de forma equivalente, sem mencionar que fez isso novamente. Incomoda-se tanto com a vida dos outros, senhorita Lamartine?
- Do que está falando? Não é isso... q...
- Como disse, assine e saía. – repetiu Bess enfaticamente.
Vivienne estava chocada e perdida, não sabia o que dizer naquele exato momento e não queria ofender a ninguém também. Estava cansada, metida em um contrato do qual não queria em uma situação que não queria e também não foi de seu ímpeto ofender. Contudo, ela não conseguia olhar para aquelas mulheres sem assim dirigir a palavra. Assinou sem pensar muito no acordo. Olhou uma última vez para a expressão da que se chamava Bess e que não a olhou nos olhos de volta e saiu descendo as escadas. Esbarrou com a outra irmã logo abaixo, ao mesmo tempo que se assustou disse:
- Não quis ofender... desculpe. – E saiu rapidamente porta a fora.
Victoria no andar de baixo fitava para sua irmã no andar de cima com uma sobrancelha arqueada como quem indagava "o que disse para ela?!", Bess nada mencionou apenas deu de ombros. Enquanto isso, Vivienne dirigia-se para o apartamento de Henrique, fechando a porta atrás de si.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: