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Segredos por Elliot Hells

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Palavras: 2111
Acessos: 441   |  Postado em: 29/10/2023

Capitulo 15 As duas faces (parte 2)

 

O sol já começava a brilhar, invadindo aquele cômodo, os cabelos cor de brasa estavam sendo iluminados pelo brilho solar. A respiração estava calma, serena, parecia estar dormindo tranquilamente. A mulher de cabelos prateados estava incomodada com aquela mordaça na boca da ruiva, precisava retirar, como também desatar suas mãos. Com todo cuidado e delicadeza que possuía retirou e ficou observando a outra dormir. 

Seus cílios eram longos, ruivos, suas sardas eram pequenos pontos, era realmente bela. "Ninguém acreditaria que você tem um pulso tão firme se a vissem assim." Bess pensou e sorriu ligeiramente, a analisou durante toda aquela madrugada, impassível.

 Fazia pesquisas sobre Vivienne Lamartine na internet, vasculhou em quatros horas toda a vida dela, não havia nada que ela não sabia, ao menos, nada que a internet não tivesse encoberto. E o que estava encoberto fez umas solicitações que receberia mais tarde. Sabia onde havia estudado, suas notas, as faculdades que poderia ter frequentado, com quantos anos casou. "Era realmente casada, quando a trouxe para casa, aquela marca no dedo anelar, era mesmo de um anel", pensou. Descobriu o nome dos seus pais e leu sobre o ex-marido de Vivienne, o jovem magnata Alexander. Com ele as informações eram mais sigilosas mais restritas. Ela não conseguia nem encontrar o local de nascimento, nenhum dado. Somente o nome da empresa e que era o segundo filho dos Hoffmans.

Na cama, Vivienne, despertou às sete e meia, parecia que não dormia assim a séculos. Quando acordou, olhou para um teto que não era o seu, uma cama que não era a sua, lençóis negros que não tinham o seu cheiro, era um outro aroma, um mais amadeirado, até familiar. Bess percebeu que a ruiva em sua cama estava despertando, "Não deveria ter desatado, onde eu estava com a cabeça?". Ela engoliu em seco quando viu os olhos verdes, intensos a encarando. A ruiva menor se encolheu na cama e via aquele rosto sério, com olhos azuis frios e cortantes a fitando, era uma Elizabeth Heinz totalmente diferente daquela que era libertina, ousada e devassa.

- Você? Há duas de você – Vivienne disse transtornada – Duas... como há duas de você? Quem é você?

- Eu sou Elizabeth Victoria Heinz III - dizia a mais alta.

- Mas eu a coloquei deitada na cama e você estava em pé, bem ali – apontou para onde a mulher estava antes. – Eu não sou louca, Eram duas de você, duas! Será que pode me explicar o que está acontecendo! – ela gritava.

Passos foram ouvidos escada acima e Elizabeth havia despertado e estava ali em pé no início da escada, estava assustada e preocupada com aqueles gritos da ruiva. Diante da ruiva, estavam duas Elizabeth's, duas delas, duas vizinhas novamente. Como isso era possível?

- Vocês... vocês são idênticas, há duas de vocês. - sentia começar a ficar sem ar.

- Vivienne peço que o que você escutará aqui deverá ser sigiloso. – sugeriu a mulher que estava no quarto com ela desde que acordara.

- Bess, você irá contar para ela? – Elizabeth se aproximou.

- Sim, não temos mais escolhas, só vai confundir a cabeça dela ainda mais. - Vivienne fitava aquela dupla idêntica conversarem, ignorando ela.

- Será que vocês podem parar de me ignorar! - mexia a mão em busca de chamar atenção e dizer que ainda estava ali.

Um suspiro pesado saiu da primeira que estava em seu quarto, a mais séria.

- Quem são vocês? - Vivienne queria saber.

- Eu já disse, eu sou Elizabeth Victoria Heinz... – disse a que havia suspirado, com cabelos para trás e alinhados, enquanto a que estava no pé da escada com cabelos bagunçados deveria ser a Elizabeth que Vivienne trouxera para casa, deduziu, pois ainda sentia o cheiro de álcool vindo dela – Nós somos irmãs gêmeas... porém...

- Porém, só existe uma de nós para a sociedade. Não há nos registros duas Elizabeth's Heinz ou que a família Heinz possuem duas filhas. Você não encontrará nada registrado. – disse a Elizabeth que estava na boate, continuando a fala da sua irmã.

"Minha nossa, elas até completam as frases uma da outra."  pensava Vivienne.

- Você pode me chamar de Bess e está aqui é a Izzy, ou... - falava a Heinz mais séria.

- ...Pode usar o segundo nome, Victoria. Por isso foram dados dois nomes. Elizabeth para a Bess, pois ela nasceu primeiro, com oito minutos de diferença e Victoria para mim. Nossos pais faziam isso para nos diferenciar. - a Elizabeth que exalava a álcool complementava a frase da outra.

Ao que Vivienne entendeu, a Elizabeth mais velha era a séria, também chamada de Bess, enquanto a devassa, súcubo era a Victoria ou a Izzy. A história estava confusa na cabeça de Vivienne, estava diante de duas mulheres idênticas que para a sociedade só havia uma? Que tipo de loucura era aquela? Tentava entender.

- Por quê? – replicou a ruiva com o cenho franzido.

- Longa história... - dizia a Heinz da boate.

- O caso é que queremos pagar para que você guarde nosso segredo, então qual é o seu preço? – Bess se levantou para fitá-la.

– Nós podemos cobrir qualquer valor, acima de cem milhões teremos que fazer algumas ligações. Então, vá em frente qual é o seu preço. – dizia Izzy.

- O que acham que eu sou para vocês me comprarem? - Vivienne estava irritada com aquilo e olhando-as, além de se sentir ofendida.

- Ninguém recusa dinheiro... - Bess falava o óbvio.

- Apesar de já ter ocorrido uma vez, Bess. - relembrou a irmã mais nova.

- Prefiro que não me lembre desse ocorrido, Izzy. – Bess se afastou, dando as costas.

- Que ocorrido? – inquiriu a ruiva curiosa e preocupada, tocando na que estava de costas para se virar e olhá-la.

- Nada que precise saber! – Bess respondeu de forma um tanto ríspida. – irá aceitar o dinheiro ou não? - seu tom saiu mais rude do que gostaria.

- O que já ocorreu? Eu preciso saber! - Vivienne também se exaltava - Ah, caramba! Vocês vão me matar se eu recusar ou se eu aceitar, é isso? Vão me enterrar? Ninguém poderia ser tão perfeitinha assim! - Vivienne andava de um lado para o outro com as mãos passando no cabelo. Estava assustada.

- Hã? – as gemas falaram juntas. – O que pensa que somos? - diziam juntas.

- Eu não sei a razão de ocultarem que são gêmeas, não é nada demais, existem milhares de gêmeos pelo mundo. Não são as primeiras ou as últimas e não há problema em ter albinismo, tá tudo bem. - As Elizabeth's a fitavam sem entender onde ela queria chegar com o albinismo. - Não sei se sabem, mas a chance de uma mulher engravidar de gêmeos não é algo raro, não é tão absurdo! Temos registros de uma mãe com sete gêmeos. Claro que a realidade dos albinos no Brasil é diferente dos outros países, não temos uma estatística registrada nos censos, porém, vocês estão bem. Então, não me interessa o segredinho bobo de vocês duas, já tenho problemas demais para enfrentar e não quero mais um para a cota. - se preparava para sair daquele quarto - Eu quero ir embora.

- Como o atual divórcio que está passando? – Bess a indagou, fazendo Vivienne parar no meio do caminho e voltar para fitá-la – Escute, podemos ajudá-la se assim preferir. Somos advogadas, lidamos com causas familiares o tempo todo...

- Assim como assuntos penais também. - Izzy levantou o dedo por um momento - E aproposito, não somos albinas. Nossos pais possuem cabelos claros, apenas isso. – explicou Izzy, pois entendia que Vivienne achava os cabelos das gêmeas prateados demais.

- Não preciso de vocês e não precisam se preocupar. Não irei revelar nada para ninguém e lamento a confusão sobre a questão de albinismo. – Vivienne tentava ir para a saída daquele quarto, quanto Izzy se colocou na frente dela.

- Você não entende Vivienne. Não é um segredo bobo, nossas vidas estão em jogo literalmente. Se não vai aceitar o dinheiro, terá que assinar um acordo de confidencialidade. – Izzy impedia que ela saísse. Bess aparentava estar um pouco impaciente.

- Não poderá deixar esse apartamento até assiná-lo. – A outra gêmea ali atrás se dirigiu para uma mesinha.

Bess retirou da mesinha de cabeceira um contrato que já estava redigido. Vivienne a olhou incrédula.

- Já temos um desse pronto, desde o primeiro ocorrido, então nós tomamos precauções. - explicou a mais séria.

- Você deverá ler. – Sugeriu a outra gêmea que estava obstacularizando a entrada com os braços cruzados.

- Está brincando, isso deve ter mais de cem páginas. – pegou o calhamaço e folheou rapidamente.

- Então sugiro que comece logo – sorriu dissimuladamente Bess, voltando a se sentar e cruzando os braços.

- Já era difícil suportar uma de vocês, agora terei que lidar com duas! Devo ter profanado o túmulo de Jesus para merecer tal punição. – sentou na cama.

- Não sei o motivo para resmungar, observei você durante horas e conseguiu dormir perfeitamente. Logo, não somos nós a causa da sua insônia. Acredito que você conseguiu dormir muito bem com a minha presença. – Bess sorriu para provocar a mais nova.

- Você me olhou dormindo? – ela estava chocada. – Pervertida, sua... sua... sua voyeur, agora tenho duas! Sabia que não era humanamente possível aquele apetite sexual lascivo, aquela mudança de humor da noite para o dia! Muito menos o fato de você usar duas mãos dominantes. - Vivienne falou todos os detalhes que recordava.

- Andou prestando bastante atenção em alguém que você diz odiar. Deveria assinar logo esse contrato – sugeriu Izzy. – E é humanamente possível sim! Eu que faço tudo, os gemidos que você tanto escuta sou eu que provoco, sabia? A Bess é mais quieta na dela. Então, é humanamente possível sim!

- Ah, minha nossa, mudou minha vida saber quem provoca mais gemidos. - Vivienne era irônica - Enfim, eu não irei ler ou assinar isso! Eu tenho meus direitos e mais o que fazer. Além disso, quem de vocês duas me roubou aquele beijo?

- Não sairá daqui sem assinar Vivienne! - Bess se colocou próxima da outra.

- E respondendo sua pergunta, claro que foi eu – dizia Izzy, apontando o óbvio.

- Em quem eu bati? – continuou Vivienne.

- Isso é mesmo necessário? - articulava Izzy, bufando.

- Respondam a droga da pergunta, em quem eu bati?? - Vivienne estava rubra como o seu cabelo.

- Em mim – disse Bess calmamente.

- Então eu bati na pessoa que não me beijou? - questionava Vivienne só para ficar mais claro.

Assim, Vivienne depositou um tapa no rosto de Izzy, deixando-a confusa e atônita.

- O que eu fiz agora?? - queixou-se a outra com a mão no rosto por estar ardendo.

- Isso foi por aquele beijo roubado, por ter me feito sair da minha casa de madrugada e por ter me feito bater na pessoa errada.  - explicava Vivienne.

- Tudo bem, tudo bem - Izzy ergueu as mãos em sinal de rendição - eu mereço isso, afinal foi a minha irmã que apanhou, então, raramente tenho a oportunidade de ter o troco.

Explicava Izzy, pois sempre se envolvia sexualmente com as outras e ironicamente, o destino colocava apenas Bess para levar os tapas das outras mulheres, deixando Izzy intacta desses momentos.

Enquanto isso, o tempo passava, Vivienne era obrigada a ler aquele maldito pedaço de calhamaço. Algumas coisas passavam em sua mente, quem teria compartilhou aquelas coisas com ela, quem teria a ajudado no estúdio? quem teria pedido desculpas. Ela terminou de ler e colocou a caneta em cima do contrato.

- Eu assinarei com algumas condições.

- Não está em posição de barganhar, senhorita Lamartine – dizia Bess.

- Muito pelo contrário, vocês que não estão! - Vivienne cruzou as pernas e braços. – aceito a oferta se eu precisar de um advogado, sei que é a mais competente daqui. Terá que me contar o que ocorreu com a outra pessoa que descobriu sobre vocês se está viva ou morta e todo o passado de vocês e no que estou me metendo. Quero saber os reais riscos e sempre que eu estiver com uma ou com a outra, vocês precisam dizer quem é quem, nada de joguinhos, se mentirem para mim e eu vou saber disso - apontava para elas - estará tudo acabado. Não assino por menos do que isso!

Um silêncio reinou no cômodo e as gêmeas se entreolharam.

Fim do capítulo


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