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Segredos por Elliot Hells

Ver comentários: 5

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Palavras: 4483
Acessos: 810   |  Postado em: 26/10/2023

Notas iniciais:

Vamos ao terceiro ato de Segredos, apertem o cintos, senhoritas!

Capítulo três - Conhecendo a vizinhança

A primeira noite no apartamento de Henrique havia sido péssima para a ruiva. Não havia conseguido dormir, muito menos cochilar, achou que no apartamento de H² seria possível, mas estava enganada. Estava em claro desde a noite anterior. E a pequena e agitada "festa da vizinha", não havia colaborado para a sua noite. Vivienne não acreditava que tais paredes poderiam ser tão finas ou a garota de ontem gemia extremamente alto. Foi para a cozinha e procurou sachês de café expresso. Colocou na cafeteira elétrica e esperou por dois minutos. Enquanto esperava, seu celular tocou na bancada da ilha de mármore branco da cozinha. Teve medo de olhar quem era e ficou observando aquele aparelho metálico vibrar de longe até a ligação cair. Suspirou mais uma vez. Suspiros faziam parte da sua vida agora. Levantou e foi pegar a xícara de café e o tomou. Estava tão gostoso, sentiu que por um momento havia algumas alegrias que se podia contemplar. Mais uma vez o telefone vibrou contra o mármore da ilha. Resolveu encarar e ver quem era.

- Henrique? - suspirou em alívio e sabia que não seria o último suspiro da manhã ou do seu dia. Atendeu o telefone com a melhor voz que pode. - Oi H²

- Olá Vivi, vim saber como está sua estadia. - a voz de Henrique acalmou seu coração que dava batidas fortes contra seu peito. - Como passou sua primeira noite?

- Não muito bem - confessou, e ele logo quis saber o motivo. - Sabia que sua vizinha é uma atriz de teatro chamada, Elizabeth Heinz, e que parece ter uma vida sexualmente ativa?

Os risos de Henrique fizeram Vivienne afastar um pouco o aparelho de seu ouvido.

- Lizzy é terrivelmente devassa! Cuidado com ela, até mesmo você corre perigo se entrar no campo de visão dela.

- Eu não estou interessada, nem nela ou em qualquer pessoa na face da terra. Na verdade, eu não acho que encontrarei alguém que funcione comigo. - sua voz fraquejou por um momento.

- Vih, não fala assim. O Alex é um idiota por ter deixado você escapar assim, uma mulher tão perfeita como você é e ele ser tão babaca de não cuidar de você direito, te dando amor.

- Eu não falo do Alex, Henrique. Eu não quero saber do Alexander, não quero que ele me encontre. - ela começou a balbuciar. - Eu o quero longe da minha vida, quero que ele pague por tudo o que fez!

- ....! - Henrique estava preocupado, o tom da amiga era de angustia e medo. Dava para perceber no seu tom de voz - O que realmente aconteceu entre vocês? Você me ligou em uma noite pedindo para ficar na minha casa, porque vocês não estavam bem e que você queria se separar. Vih, você está me escondendo alguma coisa?

Vivienne ficou calada por um momento. Até que Henrique a chamou novamente.

- Não Henrique.

- Você jura?

- Não posso jurar!

 

Henrique queria saber o que estava acontecendo, Vivienne nunca escondia nada dele ou de Catherine, pelo contrário, não conseguia pensar por si própria e sempre pedia conselho para o melhor amigo e para a irmã. Ao menos era assim, que ele lembrava da amiga. As irmãs Lamartine conheceram Henrique quando tinham dezesseis anos e dezoito anos. Ele havia se matriculado na sua escola e era o garoto mais legal que teve o prazer de conhecer. Passou a confiar ainda mais nele, quando ele foi capaz de assumir sua bisexualidade. Ele tinha medo de perder a amizade da garota, mas era algo que nunca aconteceria. Ficaram inseparáveis desde então. Henrique começou a frequentar a sua casa, fez amizade com Catherine que o adorou desde o primeiro momento. Além de ser tratado como um filho pelo senhor e a senhora Lamartine. Guardar tudo o que estava acontecendo consigo, a machucava e machucava a todos ao seu redor. Mas e se machucasse mais se eles soubessem? Ela não podia deixar as pessoas que ama sofrendo, seguiria calada. Se ergueria sozinha!

- Vivienne Lamartine? - ele disse. Vivienne sabia que ele estava mais do que preocupado. O que deveria dizer?

- Está tudo bem Henrique, eu falo sério - sorriu como sempre fazia nessas horas, mas esqueceu que ele não podia ver seu sorriso. Então o desfez e forçou uma voz mais alegre. - Eu só estou sendo uma boba por estar numa crise de casamento. Essas coisas ocorrem sempre.

- É só isso?

- Claro, não se preocupe.

- Eu quero muito voltar logo, para conversarmos. Se você se sentir sozinha, me ligue. Você sabe que pode me ligar a qualquer hora.

- Eu sei.

Uma outra voz avisou que Henrique deveria se apressar para uma reunião que ele teria e começou a se despedir, mas que ainda tinham muito à conversar. Após, encerrarem a chamada, mais um suspiro saiu de sua boca e tinha certeza que não seria o último. O celular tocou mais uma vez e ela achou que era Henrique, quando viu o nome no visor, soltou de repente na bancada.

- Alexander... cedo ou tarde aconteceria isso, não é Vivienne? - falou consigo mesma. - Basta ignorar. Basta ignorar, Alexander não pode fazer nada. Basta ignorar, Alexander não pode fazer nada. Não pode fazer nada. - falava como um mantra para tentar acalmá-la. 

Sua respiração estava acelerada, um pouco de ansiedade pairava, enquanto aquele celular continuava a tocar.

 

"Não ouse me desobedecer, Vivienne!" podia ouvir a voz dele na sua mente. O celular parou de tocar e seu coração voltava a desacelerar. O resto da manhã foi escutando mais e mais gemidos da garota da noite anterior. Isso estava irritando cada vez mais e mais a ruiva.

--

 

Quando a tarde chegou, ela sentia-se deprimida e entediada, ao menos os gemidos haviam cessado cerca de duas horas. Estava no balanço da varanda segurando uma pequena boneca de pano de cabelos ruivos. Apertava contra o seu peito mais e mais forte. Até que ouviu alguns suspiros e olhou para o apartamento da vizinha. Não olhou por curiosidade ou por necessidade. Simplesmente, foi um ato involuntário da sua parte. Conseguiu ver Elizabeth e mais outras pessoas, não era a mesma ruiva de ontem, era uma morena e outras garotas. Mas também faziam parte da peça, ela conseguia reconhecê-las. Lembrava do papel que a morena havia interpretado, era a irmã de Catharina, Bianca. Mas as outras pouco apareceram. As palavras de Henrique voltaram em sua cabeça: "Lizzy é terrivelmente devassa, cuidado com ela." Ao mesmo tempo a frase de sua irmã retornou em sua mente: "Ela tem aquele olhar, de quem faz sex* gostoso."

Se perguntava como Elizabeth conseguia manter tal ritmo de vida? O que será que a fazia ser assim? Era uma resposta que talvez nunca tivesse e por qual motivo teria? Vivienne concluiu que Elizabeth era totalmente diferente do que ela achava que era, não que ela tivesse tempo de formar algo sólido. Mas estava concluindo que a sua vizinha deveria tratar as mulheres como só mais um objeto sexual e ela desprezava esse tipo de gente. Outra vez seu telefone toca e para sua surpresa era Catherine, suspirou, mas dessa vez em alívio. Ela queria saber como a irmã estava e informou que não poderia visitá-la hoje. Foi chamada para cobrir uma recepcionista no plantão de um hospital. Vivienne, nunca entendia os empregos loucos da irmã, mas ficava satisfeita se assim a outra também fosse feliz. Conversaram até às vinte horas quando Catherine deveria se arrumar para partir.

Vivienne pretendia passar a noite lendo algum romance para se distrair e quem sabe pegar no sono, pois quando anoiteceu, os gemidos acabaram. Fez todos os preparativos, tomou um banho relaxante, jantou um pouco e lembrou que ainda não havia organizado os livros, suspirou em frustração. Estava no seu quarto com algumas luzes acesas da casa, retirando os volumes de livros novamente, quando as luzes apagaram de repente. Ela ficou totalmente no escuro. Isso não era bom, seu coração ficou descompassado, a respiração aos poucos começou a ofegar. Não conseguia ver os seus dedos. Tentou levantar e sair do quarto, sentia que tudo estava ficando quente, mesmo com as janelas abertas. Odiava o escuro, sim, agora ela odiava o escuro com todas as forças.

Começou a ouvir alguns passos.

"Está tudo bem Vivienne." pensou.

 

Mas nada parecia estar bem, nada parecia se mostrar bem. Ela pegou o celular que sabia que estava próxima de si. Afinal, havia acabado de falar com Catherine. Desbloqueou o aparelho e localizou o mecanismo da lanterna, sabia que estava tremendo, seu coração batia tão forte contra o peito que chegava a doer. Ela não havia percebido, mas começava a chover lá fora. Vivienne não sabia se andava ou se permanecia no quarto. Como ela odiava quartos escuros, sentia que cada parede a cada momento se aproximava, estreitando mais e mais contra si. Começou a sentir seu rosto úmido, "Será que está tendo infiltrações no apartamento do H²?" pensou, mas percebeu que estava chorando involuntariamente, suspirou outra vez. Esses suspiros nunca iriam cessar, ela sabia disso. Ao menos, não acabariam tão cedo. Suas mãos suavam frio, seu pescoço, testa e nuca começavam a produzir gotículas de suor que escorriam pelo seu corpo delgado. Todo seu corpo se mantinha em alerta, estava na defensiva, estava com medo, mas do que? Tentou acalmar os pensamentos teimosos que insistiam em chegar em sua mente. Mas estava quase se dando por vencida. Eram pensamentos fortes demais. Estava diante de um ataque de pânico, estava agachada no tapume de madeira.

- Eu não aguento isso. Eu não aguento, por favor, não faça mais isso comigo.

O medo estava consumindo o seu ser e nesse momento sua mente. Se sentia uma idiota por isso ainda afetá-la. Até que ela escuta baterem na porta. Será que Alexander está na porta? Ele já havia ligado pela manhã, como chegara tão rápido? Não quer ir ver quem é. E não poderia, como iria conseguir chegar lá? A pessoa do outro lado ainda insiste e continua a bater.

- Vivienne? - uma voz feminina e rouca a chamava. - Sou eu, Elizabeth. Você está bem? Acho que ocorreu algo devido a chuva. Os geradores do prédio não estão funcionando. Tentei ligar para a River, porém, não deu muito certo, queria saber se você tentou falar com ela?

Vivienne não conseguia responder, sua voz não saía. Sua mente se forçava a responder algo, mas não conseguia. Elizabeth chamou seu nome mais algumas vezes e então conseguiu falar coisa alguma, até que:

— Vá embora — disse à jovem com uma voz ríspida. Elizabeth percebeu do outro lado da porta a respiração entrecortada da outra, como se tivesse acabado de passar um tempo chorando. — Vá embora e me deixe em paz.- repetiu Vivienne no mesmo tom.

Ouviu a fechadura se destravar e a porta se abrir. Elizabeth estava segurando uma lanterna e viu Vivienne no canto da sala, com os joelhos dobrados sendo abraçada pelos seus braços. A atriz percebeu que Vivienne estava com uma expressão de total hostilidade, seus olhos estavam vermelhos e tristes, mas não de raiva, devido ao choro. O cabelo da garota era como brasa de fogo de tão ruivo, podia ver apenas com o flash da luz da lanterna que carregava em mãos. Liz falou calmamente, tentando não assustar a garota mais do que ela aparentava estar assustada. Falou em um tom calmo que não pretendia perturbá-la. Mas tudo o que Vivienne podia repetir era para a outra ir embora. Estava soluçando e escondendo o rosto nos braços. Aquela imagem parecia incomodar o íntimo da vizinha. Mais uma vez fora proferido pela ruiva um sonoro: Vá embora e me deixe em paz.

- Você está quase me irritando com esse comportamento! - exclamou a vizinha.

- E você é uma metida! - retrucou Vivienne ainda com lágrimas escorrendo, não queria a ajuda dela. Vivienne havia tido uma péssima noite por causa daquela pessoa a sua frente e já fazia muito tempo que não dormia dignamente. Seu humor estava péssimo e agora estavam sem luz, odiava parecer tão fraca, mas era e percebeu que estava com raiva daquela mulher na sua frente.

- Suponho que eu deva ser mesmo. - fora com essas palavras que Elizabeth resolveu por um fim aquela discussão sem sentido e pegou Vivienne no colo a contra gosto da outra, percebeu como ela era leve. Ela olhou para Elizabeth com raiva, perguntando o que a outra achava que estava fazendo. O tom da sua voz estava muito longe de indignação ou do puro ódio. Era algo inimaginável. A outra respondeu da forma mais lógica que achou:

- Estou levando você para casa comigo.

Vivienne não parecia querer se apoiar em Elizabeth, parecia que se aproximar da outra lhe causasse uma certa repulsa. Já havia observado a mulher, não por querer, mas ocorria. E não sabia as contas de quantas mulheres entraram naquele apartamento. Mal teve um dia de paz, a todo momento mais e mais gemidos eram ouvidos. Se juntassem todas as experiências sexuais da ruiva, não daria um dia de Elizabeth. Ela sentia que todas as mulheres eram, para Elizabeth, objetos. Odiava com todas as forças esse tipo de pessoa. Que tratava as mulheres como meros objetos, isso deixava a ruiva exalando raiva. Elizabeth teve um pouco de dificuldade para encontrar a saída no apartamento de Henrique mais logo tudo ficou mais claro quando viu a sua entrada e a luz de velas que projetavam dela. - Você estava no escuro, chorando. Acha mesmo que eu deixaria uma garota nesse estado? - questionou a vizinha ao retomar a fala.

A garota nada respondeu, não parecia se importar. Mas percebeu que nesse exato momento suas lágrimas pararam de descer. A mais alta deixou a ruiva sentada no sofá de couro negro. Tudo estava iluminado por velas, nenhum lugar escuro, isso deixou Vivienne um pouco mais confortável, apesar de desejar estar de baixo da chuva do que naquele apartamento. - Fique aqui, eu vou fechar sua porta e já volto.

Vivienne a olhou com relutância. Mas não respondeu nada.

- Eu vou voltar rapidinho, prometo.

Vivienne olhou para a estrutura do apartamento da outra mulher. Era totalmente diferente do de Henrique. A cozinha possuía conceito aberto também, mas diferente do amigo, possuía um pilar de sustentação que levava até o andar de cima. A cozinha tinha um designe sofisticado, detalhes rústicos e assoalho em madeira. Vivienne olhou para frente e havia mais dois degraus separando o ambiente da sala para a mesa de estar. Após esse ambiente parecia existir uma porta, não sabia o que era aquele compartimento. Analisou mais a sua esquerda e reparou em uma escada suspensa que a levava para o primeiro andar. Esse primeiro andar estava sob o ambiente da cozinha. Na lateral da escada haviam mais portas de madeira trancadas, foi até aí onde conseguia enxergar.

Em pouco tempo Elizabeth voltou, e entrava explicando como havia aberto a porta da ruiva. Contou que embaixo do extintor havia as chaves reservas do apartamento dela, assim como do apartamento de Henrique, no caso de alguma necessidade, ambos poderiam utilizar e foi exatamente o que fez. Foi um velho acordo que fizera com o rapaz. Ela não queria assustar a garota mais do que ela já apresentava.

Vivienne estava calada, porém, a cor estava retornando aos poucos em sua face. A outra fora até o pequeno bar e colocou em pequenos copos duas doses de tequila e perguntou se a outra bebia.

- Não quando posso evitar - disse um pouco rude, enquanto fitava a sacada. Mas logo retornando a fitar a outra a sua frente.

- Apenas hoje, você estava bastante pálida e isso ajuda o sangue a voltar um pouco para o lugar dele - disse a outra, tentando ser amistosa com a pequena. Com um pouco de relutância Vivienne aceitou e tomou um gole, fazendo uma careta. - Você se acostumará com o gosto.

- Não pretendo me acostumar.

Elizabeth sorriu de lado.

- Bom, você tem um gênio forte. - ela começou a analisar melhor a garota que estava sentada em seu sofá. Vivienne tinha olhos esmeralda, como ela havia percebido, mas suaves traços amarelados ao redor da íris. Cílios longos abaixo de sobrancelhas bem desenhadas e ruivas ao centro um delicado nariz salpicado de sardas pequenas. Seu rosto em forma de coração harmonizava com os lábios rosados que possuíam o formato perfeito, Elizabeth pensou, talvez, agora, devido ao líquido. Os cabelos ruivos como brasa estavam abundantes e competiam com o brilho das velas. Era uma garota de tez pálida e apesar de ser atualmente arisca, tinha o seu encanto. Essa era a analise que a outra acabara de fazer. Totalmente diferente do que Vivienne achava de si própria

Ambas estavam sentadas no sofá de canto, de couro, estavam um pouco distantes uma da outra. Liz fitava a jovem. Os olhos verdes refletindo nas brasas da vela, davam um tom avelã muito bonito. Vivienne, fitava o copo, como se ele fosse feito de algum material desconhecido por ela. A atriz resolveu quebrar aquele silêncio.

- A energia logo retornará, a empresa de luz mandarão em breve algum funcionário, consegui falar com River do seu apartamento. Acho que estou com alguma interferência no aparelho. Ainda não se sabe ao certo o que ocorreu. Enquanto isso, por que não nos conhecemos melhor? - sugeriu a outra, Vivienne nada disse. - Bom, nos esbarramos depois da peça. É amiga do Henrique?

Vivienne deu a impressão de que ia responder a pergunta dirigida a ela, mas abandonou tal ideia, os lábios se fecharam e não disse nada. Isso só fez com que Elizabeth prosseguisse com a conversa.

- Devem ser amigos de longa data, aposto. Mas só agora eu a conheço... Henrique escondeu você muito bem. - retomou a beber o líquido do seu copo.

Vivienne resolveu falar após esse comentário, bufando com certo ar de deboche.

- Se quer insinuar que viu muitos amigos do Henrique, mas alguém tão próximo como parece ser, não tenha visto...

Liz levantou as mãos em sinal de "calma" e ofereceu um sorriso.

- Não quis dizer nada, está interpretando da forma errada. Não estou julgando sua amizade com o Henrique. Para você estar no apartamento dele, deve ser alguém que ele confia muito e que gosta bastante. Já saímos muito e nunca o vi ceder o loft dele para ninguém. Eu só quis dizer que é uma pena que eu não tenha a conhecido antes. - explicava Liz enquanto tomava mais um gole da sua tequila. Fitando a ruiva.

- Senhorita Heinz, se está tentando me atrair com sua conversinha galanteadora como parece fazer muito com as jovens que entram aqui e se sua ajuda foi, justamente, com segundas intenções. Eu agradeço sua cortesia, mas irei sair imediatamente - disse Vivi levantando-se imediatamente.

O clima parecia está voltando a ficar tenso. Vivienne levantou-se de forma abrupta querendo sair de forma imediata daquele apartamento, pois compreendeu outras explicações vindas daquela atriz devassa. Na sua cabeça, Elizabeth estava fazendo joguinhos e ela não gostava disso, também pensava que a outra insinuava de que não era uma amiga tão importante do Henrique. Claro que isso tudo estava sendo estimulado pelo seu péssimo dia, a pressão das ligações do marido, mais as noites não dormidas devido a sua vizinha e para completar a falta de luz.

Elizabeth percebia que o assunto estava fugindo fora do seu controle e que a outra não parecia interpretar de forma correta suas intenções, decidiu levantar-se também para impedir a outra.

- Não... parece que estamos tendo uma comunicação meio falha aqui. Vivienne, pode não parecer. Mas, só estava me referindo ao seu comentário sobre a minha peça ontem à noite. Você falou tão bem sobre... eu não converso muito sobre as peças que atuo com outras pessoas além do trabalho. E deve saber que seu amigo não é muito fã desse tipo de coisa. Então, escutar algo como disse de alguém que me viu atuar, foi gratificante. Por isso, gostaria de ter te conhecido antes. - falou de forma sincera.

Vivienne nada dizia, apenas a fitava ainda em pé.

- Por favor, sente-se? - disse apontando para o assento. - Eu insisto.

- Tudo bem. - Vivienne retomou o local que estava e fitou a sacada novamente.

Liz acompanhou seus olhos e via a chuva cair graciosamente em um leve tamborilar.

- Você falou se eu estava tentando te atrair. Imagino que Henrique deve ter feito alguns comentários.

A ruiva virou para fitar o rosto de Liz, com o tremular da vela, ela pode analisar bem seus traços. Possuía um maxilar marcado, um rosto bem anguloso e harmonioso. Tudo parecia tão simétrico. Estava na cara que ela era uma verdadeira atriz, não só pela beleza, mas pela atmosfera que podia ser sentida e das excelentes críticas que a peça andava recebendo. Os cabelos prateados desciam repicados e desfiados um pouco acima dos ombros. Notou que uma de suas orelhas eram repletas de furos e com vários brincos prateados. Os cílios eram longos e levemente claros, revelando um tom diferente. O pescoço era longo e fino, mas ideal para sua altura que deveria ser em torno de 1,78 m. Liz era dona de um belo corpo esbelto. A calça jeans preta colada, rasgada nos joelhos revelava isso. Era óbvio que Vivienne reconhecia sua beleza. Estava diante de uma atriz, a maioria eram belas mesmo, mas Liz era diferente. A blusa branca regata revelava os braços albugíneo, com uma tatuagem aquarela no antebraço de um filtro dos sonhos. Era realmente bonito, Vivienne pensou, mas afastou tal pensamento tão rápido quanto surgiu.

- H² comentou algumas coisas. - revelou a pequena ao retomar a fala, fitando novamente a sacada. Sendo agora ela encarada pela maior.

- Espera, o que necessariamente aquele louco falou sobre mim para você? - Liz a fitou curiosa. - Deixe-me adivinhar, revelou que sou uma verdadeira libertina ou melhor, uma tentativa moderna do Casanova?

- Em resumo ele disse isso, só que as verdadeiras palavras foram: Liz é uma devassa, fique longe dela. - repetiu no tom sério.

- Que ultraje! - fingiu estar ofendida, levando a mão ao peito. Fora algo que fez os lábios da ruiva formarem a contragosto um sorriso. - Ora, vejam só. Você sorriu. Achei que cada momento comigo seria um martírio para você. Normalmente não tenho esse tipo de problemas com mulheres - confessou.

- Deve ser por que na maioria das vezes, não tem que dialogar com elas, só seguir ao ato final. - Vivienne retrucou de forma ácida, afinal ainda estava de mau humor.

Liz sorriu. A garota a sua frente era deveras irritadiça. Uma espécie de diamante bruto.

- Não me parecia tão mal-humorada ontem. - retrucou.

- Deve ser por que achava que teria uma bela noite de sono, mas me enganei com os treze mil gemidos que escutei em um espaço tão curto de tempo. - fitou a atriz de forma séria, sem tomar um gole do líquido no seu copo.

Elizabeth, sentiu-se pela primeira vez constrangida com tal afirmação.

Vivienne não estava tão acostumada a falar tudo o que pensava. Tentava sempre agradar e ser gentil com as pessoas, mesmo que forçadamente. Ao menos era assim que era antigamente. Lembrava que na época de sua adolescência era assim que agia. Era doce, ao menos achava que era. Mas, era uma forma de defesa. Porém, aquela mulher a sua frente, fazia com que perdesse todo o decoro, despertava seu pior lado que não sabia que tinha. Talvez tenha sido a péssima noite que tivera por culpa da vizinha e suas acompanhantes agudas. Seu humor não estava dos melhores e reconhecia isso, mas mesmo assim, antes, conseguia esconder totalmente seu lado grosseiro. Nesse exato momento, estava mostrando sem esforço algo para alguém que mal conhecia, além de ter observado seus momentos libidinosos com outras garotas da peça.

Liz se levantou caminhando para a sacada e abrindo-a convidando para que Vivienne viesse também. Havia notado que a jovem não parava de encarar a sacada desde que chegara, então queria mostrá-la mais de perto.

Vivienne assim fez, acompanhou a outra até a sacada e observou, não havia se acostumado com a vista ainda. Era perfeito. A ruiva estava fazendo alguma expressão a qual Elizabeth observava como se fosse uma visão jamais vista. Ela continuava a apreciar a vista e refletindo sobre sua vida, afinal, achava que refletir possuindo uma paisagem linda, era a combinação perfeita. Mas no meio de toda essa reflexão, não contava com a aproximação de lábios suaves forçados contra o seu. Eliza a estava beijando, repentinamente, Vivienne a afastou, as esmeraldas que carregavam nos olhos, pareciam rubis em braça. A visão do próprio ódio, sua face havia ficado vermelha, sendo possível se confundir com seu cabelo cor de brasa. Estava com tanta raiva que apenas saiu rapidamente. Elizabeth a acompanhou com o olhar e só após alguns segundos se deu conta do que havia feito. Não estava acostumada com esse tipo de reação feminina, simplesmente beijava quando tinha vontade de beijar.

- Espere Vivienne, eu... - tentou segurar o pulso da mais nova que se esquivou rapidamente com um olhar de medo agora.

- Eu disse... Elizabeth, se estava com segundas intenções, eu avisei para desistir!

Nesse exato momento as luzes voltaram, Elizabeth olhou para os olhos esmeraldas e não conseguia enxergar nada neles, estavam sem vida. A mais baixa retornou para seu apartamento silenciosamente, levando a chave do amigo.

 

Vivienne fala...

Eu acabei de mudar para o apartamento do H² e tinha ido a uma peça de teatro com a minha irmã, caso isso ainda não fosse o suficiente a energia do prédio acabou e ainda tive que suportar algumas crises que tive com dose dupla de reflexos do passado. Nada disso poderia ser comparado com o que ocorreu logo em seguida, como a minha vizinha poderia ter me beijado? eu achei que naquele palco ela fosse uma atriz esforçada, dedicada, até que as inúmeras mulheres entravam em seu apartamento sem parar e ainda por cima, eu fui uma das que entrou e inclusive, ainda fui beijada de repente.

Deixei a porta bem trancada, não sabia se estava segura com aquela súcubo logo ao meu lado. Verifiquei as trancas duas vezes e só então segui para o meu quarto me deitando na cama.

"Aquele maldito beijo!" pensei, o que de fato ela pensou que eu fosse? Só mais uma garota que ela poderia utilizar. Aquilo me deixava furiosa, mas por um momento percebi que tudo aquilo me fez esquecer por um momento do Alexander.

- Fiquei tão irritada a ponto de esquecê-lo... – disse ao esconder meu rosto com as mãos – só estava estressada, foi essa a razão de ter esquecido. Não quero mais pensar nisso, só de lembrar de tudo o que ocorreu me deixa com um gosto ruim na boca

Fim do capítulo

Notas finais:

O que acharam até agora? Adorarei ter uma troca de informações com vocês.


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Comentários para 6 - Capítulo três - Conhecendo a vizinhança:
Zanja45
Zanja45

Em: 28/01/2025

É verdade, Hells, possa ser que tenha acontecido isso mesmo, pois ela é muito rápida, não precisa nem cair na área para ser pênalti.


Elliot Hells

Elliot Hells Em: 02/02/2025 Autora da história
A Lizz é boa em ver tudo mesmo viu? Falou e disse, não precisa cair na área não. Ela vê a quilometros hahahahaha


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Zanja45
Zanja45

Em: 27/01/2025

Responder

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Zanja45
Zanja45

Em: 27/01/2025

parece que vai ser divertido essas duas se relacionando de alguma forma.


Elliot Hells

Elliot Hells Em: 27/01/2025 Autora da história
Vai ter muita coisa rolando entre essas duas e eu espero que vc se surpreenda pq... tem MUITOS SEGREDOS por trás.



Sem cadastro

Sem cadastro Em: 28/01/2025
Vai ter muita coisa rolando entre essas duas e eu espero que vc se surpreenda pq... tem MUITOS SEGREDOS por trás.


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Zanja45
Zanja45

Em: 27/01/2025

Elizabeth Heiz é uma atacante perigosíssima! laughing


Elliot Hells

Elliot Hells Em: 27/01/2025 Autora da história
kkkkkkkkkkkkkkkk EU RII!!! Atacante com força! se bobear, ela já pegou e ninguem nem sabe!


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Zanja45
Zanja45

Em: 27/01/2025

Estou gostando muito. E conhecer Liz está sendo muito bom. Liz achou que ia chegar assim já beijando Vivienne e ia te - lá de boa? 


Elliot Hells

Elliot Hells Em: 27/01/2025 Autora da história
Ela achou... ela é uma devassa, então ela simplesmente pensou que conseguiria conquistar Vivienne como todas as outras.


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