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A Revolução por Alex Mills

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Palavras: 3997
Acessos: 556   |  Postado em: 19/05/2022

Um epílogo

— O primeiro estouro foi escutado, a multidão se agitou, assustada, muitos temendo pela própria vida. O segundo foi seguido do terceiro, avisos certos do perigo. Um prenúncio do terror, do insano desejo de controle e violência. “Não se deixem romper!”, gritou uma voz, entre as diversas outras; então repetiu, mais forte, para atrair a atenção de todos perto e além: “Não se deixem romper pelos fascistas!” Então um a um, o coro se juntou à essa uma voz, tornando-se muitas, mas não somente isso, também se transformaram na força e na resistência contra o caos e a ignorância. Uma voz pode fazer a diferença, mas várias vozes se tornam uma constância impenetrável; uma barreira contra tudo aquilo que nos forçava a calar. Não vamos mais tolerar uma violação dos nossos direitos! Vamos às ruas, às mídias e onde quer que a nossa voz nos leve, mas jamais vamos ficar calados novamente. Vamos revolucionar o mundo se necessário, mas nunca mais apagados da história. Nunca mais quietos.

Fechei o livro e voltei a encarar o público à minha frente, sem necessariamente sentir o meu coração desacelerado como Amy alegou que aconteceria. Pelo contrário, ainda parecia que iria sair pela boca. Quando os aplausos vieram pela leitura que tinha acabado de finalizar, eu me senti tremer. O frio na espinha e o arrepio me fizeram procurar por janelas, uma busca automática que sempre antecedia a perda de noção do meu corpo.

Foi como ter saído da minha pele. Eu só sabia que estava vagando, e isso era sufocante, ao tempo que a agonia se instalava em tudo ao meu redor. O mundo está em ruínas! Minha mente gritou. Tudo vai explodir de novo! E talvez estivesse explodindo mesmo, mas nada eu poderia fazer. Senti medo ainda assim, medo de perder o que ainda me restava. E isso me tirava o ar, eu tentava respirar, mas o oxigênio fugia do meu peito, que já doía como se um pedaço de concreto tivesse despencado sobre mim e me esmagasse até a morte.

E a ideia de morrer me apavorava, também me incapacitava. Tentei alcançar o ar, mas parecia longe, parecia que não entrava mais nada nos meus pulmões. Acabou todo o ar do mundo, pensei. Eu vou morrer, agora não tem escapatória, vou morrer aqui mesmo.

Meu peito doeu uma dor excruciante, à medida que meu corpo permanecia imóvel e apático. Estou morrendo, estou morrendo. O ar não entra, estou morrendo; minha pele formiga, estou morrendo; não enxergo nada, estou morrendo; meu coração está explodindo, estou morrendo... é o meu fim.

— Vermelho, cinza, preto e branco. — Uma voz soou perto, de maneira lenta e com pausas. — Repete e respira fundo.

— Ver-verme... Ver-verme... lho-lho. — Tento repetir, mas minha boca estava tão seca e com gosto de fel que era impossível compreender o som e utilizar a melhor dicção. Mas tentar fez o ar entrar, então eu fiz uma nova tentativa para poder possuir mais oxigênio. — Ver... vermelho.

— Agora puxa o ar devagar, segura um pouco. — Ditou, e eu tentei seguir, sem escolha. — Solta, fazendo pequenas pausas.

Doeu, ainda doía muito. Respirar... o ar entrava, mas parecia como respirar gás. Ardia e corroía todos os meus brônquios por onde quer que fosse.

— De novo, fala de novo. Vermelho, cinza, preto e branco. Consegue ver? Estão aqui, olhe para eles e fale o que está vendo.

Ela estava certa, as cores começaram a aparecer conforme ela continuava ditando cada uma perto de mim. Elas tomaram a forma dentro de uma tela do tablet, cada uma no próprio espaço em formas quadradas, ocupando toda a superfície.

A dor não cessou, mas eu conseguia respirar e sentia o meu corpo novamente. Os sons vieram aos poucos conforme eu me concentrava nelas, com isso as pessoas também foram fazendo sentido. Elas passavam por nós, desavisadas do meu estado e curiosas com a interação. Estávamos do lado de fora da livraria em que passamos a manhã distribuindo autógrafos e fotos, enquanto a tarde foi destinada para a leitura do capítulo final do meu último livro. Diferente dos demais, esse era uma autobiografia da minha vivência ao longo da revolução, e por esse mesmo motivo era difícil conter as crises de pânico que me acometiam, sempre ocorriam quando eu não conseguia impedir os gatilhos de tomarem conta de mim.

— Menos uma, querida. — Amy sorriu para mim, ajoelhada diante de minhas pernas. Ela estava fofa com aquela touca de crochê laranja, cobrindo metade da franja na testa e ocultando os recentes dreads que ela tinha feito.

Seus dedos acariciaram minhas pernas numa tentativa de me assegurar; eu quis ressaltar que não sentia mais nada da cintura para baixo, mas ela sabia, e eu tinha a certeza de que a sua intenção era maior que a sensação em minha pele.

— O mantra das cores sempre ajuda. — Digo e mordo os lábios, sentindo-os trêmulos, mas também rachados.

— E você também é muito empenhada. — Ela tirou o tablet do meu colo e se sentou como se eu fosse a sua cadeira particular, além de se esquecer completamente que estávamos na calçada, que era pública, em frente de um estabelecimento.

— Não é porque sou cadeirante agora que te dá a liberdade de sentar em mim quando bem entende, sua folgada. — Protesto, mas ela somente ri e beija os meus lábios, pressionando os seus nos meus como se quisesse esquentá-los.

— Eu vou aproveitar todos os bônus e comodidades que eu posso ter contigo, achei que já tivesse se acostumado.

Era difícil me acostumar com a minha atual condição, e não com a folga dela na realidade. O fato de ter me tornado paraplégica após um atentado há sete meses, quando os soldados atacaram o mercado em que eu fazia compras e um pilar esmagou minha coluna era o que mais me afligia. Era como se fosse acontecer a qualquer momento, e aquele medo tirava o melhor de mim sempre que me via perto de várias pessoas e um som abrupto irrompia o ambiente.

— Você fica uma gracinha quando tenta ficar brava comigo. — Amy falou perto dos meus lábios.

— Devíamos ir embora, Amy... Já estamos aqui há quanto tempo? — Desviei o olhar dela para procurar por drones no céu, pois os soldados podiam estar me rastreando de alguma forma.

— Há mais tempo do que ficamos no estacionamento do cinema, semana passada.

— Amy... Vamos embora, por favor.

— Nós vamos, não se preocupe. Você só precisa segurar o seu joystick e pressionar o botão analógico para frente e então para o lado. O carro está estacionado na rua de trás.

— Você é tão folgada, Amy.

— É a única forma de te fazer passar um tempo do lado de fora. Além de eu aproveitar a carona no seu possante.

— Você não devia estar verificando a atividade do quarteirão? — Movo o dedo no pequeno painel digital que ficava na curvatura do apoio de braço, fazendo com que a minha cadeira motorizada avançasse para frente, e então para o lado enquanto girava o dedo.

— Ana... Estamos no centro comercial de Caneia. — Ela falou com cautela, mas eu nem a olhei, sentindo-me tensionar.

— Isso não garante nada. — Pontuei um tanto ríspida enquanto conduzia o meu pequeno veículo entre as pessoas, esperando que elas desviassem de nós e ignorando os olhares de reprovação por estar com uma passageira folgada no meu colo.

— Eles não têm alcance aqui, Ana. — Ela afirmou, com teimosia.

— Mas tem infiltrados, eles podem estar em qualquer lugar.

— Podem, realmente. Mas não temos como saber quem é aliado deles ou não. Então mesmo que eu monitore, mesmo que levante os dados de quem está armado, não vai mudar nada pois não temos como provar conexões. — Ela suspirou quando não digo nada, incapaz de assumir que ela tinha razão. — Eu estou aqui, Ana, não deixarei nada te acontecer.

O fato de ter acontecido o atentado quando ela não estava comigo também cresceu o medo de ficar sozinha. Eu me sentia incapaz de ir a qualquer lugar fora de casa se não estivesse com alguém. Já estava metade limitada numa cadeira de rodas, se alguém ou alguma coisa se colocasse no meu caminho, o que eu faria? Além da abordagem incessante dos fãs. Tinha diminuído com o passar do tempo e o costume de eles sempre me verem em público, mas depois do atentado... tudo se tornou mais difícil e penoso.

— Eu estou aqui. — Ela reafirmou, dessa vez a olhei, notando seu olhar distante e me fazendo constatar que ela afirmava isso para si mesma.

O não ter estado presente a fazia se culpar tanto... Eu não sabia como lidar com a sua culpa quando ela sequer tinha alguma coisa a ver com o que aconteceu. Como ela impediria bombas de explodirem? Amy era inteligente e ótima com armas, mas desamar explosivos e prever a ação dos soldados? Isso estava além das suas capacidades, eu sequer sabia se estava nos atributos de outra pessoa.

Havia se passado três anos desde o primeiro pronunciamento de Tereza. A mudança mais perceptível era a ausência de soldados em excesso nas ruas, e ninguém realizava interrogatório ou revistava as pessoas a menos que tivesse uma suspeita concreta que fosse passível de comprovação. As forças rebeldes do antigo grupo de Amy tinham integrado a força militar nas ruas para fortificar as defesas contra possíveis ataques de soldados renegados, aqueles que seguiram o General Marcondes e vários outros.

Podíamos trafegar livremente, mas não significava que estávamos mais seguros, pois ainda havia luta acontecendo. O General Marcondes foi vencido várias vezes, mas continuava reunindo pessoas para lutar pelo Antigo Regime; atualmente estava foragido, provavelmente junto aos aliados da Bandeira Branca, principais apoiadores do Antigo Regime e dos renegados.

Trisha, que agora liderava grande parte do que representava a Bandeira Azul, tinha me garantido que as forças renegadas estavam nas extremidades da cidade e não tinham poder suficiente para oferecer uma nova batalha. Mas que sim, ainda eram um perigo para lidar, não com violência, ela afirmava, mas com a sabedoria de educar as pessoas para não cometerem o erro de se juntarem na causa deles.

Foi pensando nessa mesma educação enquanto Amy dirigia para a nossa casa que eu pedi para que retornasse ao centro e fôssemos à Helena, a Cafeteria que herdava toda uma história. Ela ficou tão surpresa e contente com o pedido, que sequer reclamou o retorno que teve de realizar para atender ao meu quase capricho.

Nem reclamei muito ao retornar à minha nova companheira de duas rodas e acionar o painel digital para me empurrar rumo à entrada da cafeteria. Ela continuava a mesma, pois as reformas só tinham vindo para reparar o que eventualmente estragou com o passar do tempo, mas a sua essência continuava igual.

— O de sempre, Ana? — Fernanda, a nova garçonete, questionou por trás dos grandes óculos de grau que usava.

— Sim, o de sempre. Mas se puder acrescentar um cookie com gotas de chocolate eu agradeço.

— Claro. — Ela sorriu e anotou no pequeno bloco de notas antes de se voltar para Amy, sentada à minha frente. — E você, Amy? O que será hoje?

— Café com canela e aquele bolo de fubá, por favor. — Amy sorriu para ela antes de se voltar para o celular.

— Qualquer coisa vocês podem me chamar. — Ela terminou de anotar os nossos pedidos e se retirou, indo para o balcão entregar o papel.

— Agora você está analisando quem está perto de nós. — Observo, pois eu conhecia o olhar concentrado de Amy quando estava investigando o ambiente em busca de suspeitos.

— É um ambiente fechado. — Ela se justificou. — É só para saber se tem gente armada.

— E se tiver?

— Ao menos sei de que direção poderiam vir tiros.

— E eu sou a única paranoica do casamento.

— Na neurose e na psicose, até que a morte nos separe. — Ela soltou um risinho enquanto eu revirava os olhos, mas largou o celular e puxou a própria cadeira para perto da minha. — Estava só garantindo que pudéssemos aproveitar esse momento em paz, amor.

— Eu sei, e agradeço. — Beijei os seus lábios, sorrindo para o ar contente que encontrei nos seus olhos. — Estou feliz por estarmos aqui de novo.

— Eu também. É bom sair um pouco de vez em quando, não é?

— Sim... É só... difícil às vezes... Parece que nunca estaremos seguras novamente.

— Mas não podemos deixar de viver ainda assim, Ana. — Ela beijou a minha bochecha, então segurou a minha mão. — Pense um pouco. O que você gostaria de fazer? Lembre-se de todo o tempo em que ficou casada com Gwen, ou enterrada naqueles túneis, do que mais você teve vontade de fazer?

Tudo o que mais quis foi ver a revolução das ruas mostrando resultado e a Bandeira Azul perdendo terreno e poder. Não tinha imaginado que a líder da Bandeira seria ao nosso favor após um dos seus soldados matarem a sua filha e minha amiga. Por isso nunca tinha feito planos para o que aconteceria depois dessa luta, que ainda estava longe de terminar.

Anos passaram desde o primeiro livro e muitas batalhas se sucederam desde então. Tudo o que eu mais queria aconteceu, ou estava pelo menos em processo de evolução, já que não éramos mais revistados e interrogados nas ruas. As censuras e as leis estavam sendo revisadas, e muito já tinha mudado na atitude das pessoas. Pareciam mais animadas, com maior energia. Mesmo a arte e a cultura estavam renascendo das cinzas, coisas que pouco eram utilizadas desde que eu me lembro.

Mas o que fazer a partir de agora? Eu nunca pensei no passo seguinte.

— O que você gostaria de fazer? — Questionei ao invés de responder, pois não possuía qualquer resposta imediata.

— Mais momentos como esse, para começar. Então fazer alguns planos para o futuro, onde você se sentisse bem e eu pudesse montar um pequeno petshop.

— Você gostaria de uma casa maior? — Pergunto em tom sugestivo. — Para montar seu petshop onde tivesse um quintal maior, por exemplo.

— Não seria má ideia. — Ela considerou por um momento. — Você gostaria de me ter trabalhando perto?

— Seria mais cômodo, sim. Mas seria uma desculpa para eu poder te visitar no seu turno de trabalho. — Sorrio para o sutil tom rosado que assumiu suas bochechas. — E estaríamos protegidas uma perto da outra, não acha?

— Nisso estamos de pleno acordo. — Ela selou os meus lábios. — Acho que tem casas maiores e com um bom jardim no sul do estado, mas não tenho certeza.

— Ou poderíamos ir para outro estado.

Fernanda voltou com os nossos pedidos, servindo cada uma de nós e garantindo que era por conta da casa. Das poucas vezes que viemos sempre foi o mesmo discurso, mesmo que insistíssemos em pagar, a ordem era de que poderíamos usufruir de tudo. Nunca concordei, mas cheguei no ponto de não me importar mais com algo pequeno assim.

Bebi um gole do cappuccino e me deliciei com o gosto, ainda que não fosse o mesmo que de antigamente, não deixava de ser bom. Amy ficou quieta por um tempo, sem tocar no próprio bolo ou beber do seu café, e isso me fez respirar fundo, buscando por sua mão debaixo da mesa.

— Não precisamos sair da cidade, querida. Foi só uma sugestão. — Assegurei. — Deve ter boas casas que ofereceriam paz e segurança para nós.

— Mas acho que você possa ter razão. — Ela me olhou e apertou minha mão. — Nunca estaremos seguras no centro da cidade.

— Mas é onde todos os nossos contatos estão, não é? Estaríamos sozinhas.

— Criamos novos contatos, somos boas nisso, não acha? — Ela sorriu. — Podemos criar tudo do início, se significar que estaremos seguras e bem.

— Você acha que isso será possível, Amy? — Mordi o lábio, insegura. — Depois de tudo pelo que passamos... Parece que sempre teremos um alvo em nossas costas.

— Eu preciso acreditar, Ana, caso contrário não teríamos casado. Lutamos contra tudo e estamos vivas. Sei que não da forma que imaginamos, mas estamos melhor do que muita gente por aí.

— Isso é verdade. Você tem razão. Acreditamos que podíamos revolucionar as ruas, e conseguimos.

— Então acredite que vamos melhorar juntas, e nós lutaremos por isso.

— Claro que acredito, Amy. — Olho para ela mais seriamente. — Eu só tenho medo.

— E tudo bem ter. Mas enquanto continuar aqui e continuar tentando, estaremos bem.

Era inevitável não me deixar levar pela confiança e segurança que ela me passava. Toquei seu rosto com ambas as mãos, colocando as mechas castanhas para trás enquanto delineava suas linhas amadurecidas. Seu olhar, lá no fundo, quando me olhava de volta, possuía aquele mesmo traço meigo e persistente do qual eu me deixei envolver desde o primeiro encontro. Eu podia ter tudo com Amy, contanto que eu acreditasse que pudesse.

— Se não é o casal que eu mais adoro. — A voz característica de Samuel atraiu minha atenção e eu virei o rosto para ver a sua aproximação. — Que bom encontrar vocês aqui!

— Quem é vivo sempre aparece. — Digo num sorriso de lado, soltando o rosto de Amy, mas tendo as minhas mãos seguradas no colo.

— Cadê a sua hospitalidade, Ana? Não vai se levantar para cumprimentar um amigo?

— Você continua o mesmo canalha de quando nos encontramos da última vez.

Ele riu, sem se incomodar. Curvou-se para me abraçar e então repetir o mesmo com Amy. Puxou uma cadeira e se convidou para sentar, o mesmo abusado de sempre. Ele não tinha mudado quase nada. Os cabelos mais compridos estavam presos num rabo atrás e a barba estava bem feita. Os sinais de cansaço continuavam ali, acentuados abaixo dos olhos e no bocejo que soltou tão logo sentou.

— Se soubesse que encontraria vocês aqui, teria chamado Sophie para se juntar a nós. Assim eu não ficaria segurando vela.

— Agora você não gosta mais de segurar vela? — Questionei. — Achei que o segundo turno do cupido só estava começando.

— O cupido já está aposentado. — Ele gesticulou em direção a Fernanda.

— A gente casa e deixa alguns hobbies para trás. — Amy falou, um pequeno sorriso de lado quando a olhei. — Lembra quando a gente tinha o hobby de fingir namorar outras pessoas, querida?

— Está com saudades desse tempo, querida? — Ergui a sobrancelha, sorrindo com a recordação, pois já fazia algum tempo que não ligava para Gwen para atualizar as novidades e saber como o seu filho com Trisha e Deborah estava crescendo. Fazia pouco tempo que tinham adotado uma criança.

— Tínhamos uma vida atarefada, é só o que estou dizendo. E você sabe que prefiro agora.

— Eu nem vou perguntar como vocês estão, pois estou vendo que continuam do mesmo jeito. — Samuel revirou os olhos para nós, então fez o próprio pedido para Fernanda.

— Mas nós temos novidades dessa vez. — Amy se animou.

— Decidiram que vão me deixar adotar um dos filhotes de Aurora com Lênin?

— Eles estão felizes com os pais. — Pontuo. — E vão continuar lá.

— Você é tão egoísta, Ana.

— Eles são uma família, eu jamais iria separá-los.

— E se os filhotes tiverem mais filhotes?

— Eles foram castrados. — Amy ressaltou. — Mas é bom que a gente se encontrou hoje, parece até destino. Estávamos justamente decidindo sobre a nossa mudança.

— Vocês vão mudar de casa? — Ele olhou entre nós. — Estão planejando aumentar a família também?

— Não. — Ela riu e me olhou, como se considerando a ideia, mas então se voltou para Samuel. — Queremos um lugar calmo e afastado.

— Vamos sair da cidade. — Ressalto, atraindo a surpresa dele. — Mas não decidimos para onde ainda. Acho que ficamos animadas com a ideia.

— Vocês não podem sair da cidade. — Ele cruzou os braços, contrariado.

— Vai nos impedir? — Sorrio com a ideia, mas também curiosa com o motivo de ele se postar daquela maneira.

— Se vocês saírem da cidade, quem serão as madrinhas do Samuel Júnior?

— Você engravidou Sophie? — Amy questionou com surpresa. — Não acredito!

— Claro que sim, quem mais o faria? — Ele riu enquanto Fernanda servia o seu café com um donut recheado. — Queria mesmo encontrar vocês para dar a notícia. E nós concordamos que queremos vocês duas como boas influências para o nosso filho, ainda que eu conteste um pouco a parte da “boa influência” que vocês seriam, mas...

— Claro que seríamos boas influências! — Amy protestou e lançou um dos meus pães de queijo na direção dele, que somente segurou entre os dedos e comeu. — Seu idiota, iríamos adorar ter esse posto importante na vida do Samuel Júnior.

— Diz que Sophie não concordou com esse nome ridículo. — Bebo um gole do cappuccino para disfarçar o sorriso que brotou nos meus lábios, comovida com aquela proposta.

— Estamos em discussão ainda. — Ele soltou um risinho. — Mas o que você acha?

— Eu adoraria, Samuel. — Encaro a mesa e suspiro. — Na verdade me deixa aliviada que você confie em mim com algo tão importante.

— Eu nunca te culpei pela morte de Manuela, e não deixei de confiar em você por causa disso, Ana, já te disse isso um milhão de vezes.

— Eu não preciso de você para me culpar, eu já faço isso quase todos os dias. — Suspiro com o fato, mas balanço os ombros, conformada. — Ela deveria estar aqui hoje.

— Mas não está, Ana.

— E temos buscado todas as formas de não deixar a morte dela ser em vão. — Amy beijou a minha bochecha, simplesmente porque ela gostava. — Somos uma das cofundadoras do Instituto Manuela para Órfãos, após as lutas nas ruas.

— Ela ficaria orgulhosa do que conquistaram, Ana. — Samuel garantiu. — E eu culpo minha mãe por tudo o que aconteceu, não sobrou espaço para você. Então engula essa.

— Eu espero que o seu filho puxe mais para Sophie, porque ele seria insuportável se herdasse a sua genética. — Isso o fez gargalhar, aliviando a tensão nos meus ombros.

— Você continua a mesma, Ana.

— Talvez um pouco. — Sorrio. — Mas adoraria esse papel na vida do seu filho. Ainda assim eu gosto da ideia de morarmos afastadas dos centros. — Olho para Amy, que move a cabeça para concordar. — Sempre visitaremos você e Sophie.

— E vocês sempre serão bem-vindos em nossa futura casa. — Amy acrescentou.

— Mas eu preciso sair dessa cidade agora. Ela tem me sufocado.

— Se nada vai mudar a cabeça de vocês, eu já sinto a falta das duas. — Ela deu um meio sorriso, mas eu vi seus olhos marejarem por trás da xícara de café. — Vocês já têm uma data de partida?

— Não, ainda não. Mas será em breve. — Inclino-me sobre a mesa para tocar a sua mão sobre ela. — Não se preocupe, vamos estar sempre em contato.

— Não espero menos de vocês. Eu exijo que me liguem toda a semana!

Amy acabou rindo enquanto eu sorria. Era como estar de volta onde tudo tinha começado: Samuel, Amy e eu naquela mesma cafeteria. Mas agora era o começo de uma nova etapa, provavelmente longe de tudo o que eu já conhecia. Para quem tinha aversão a mudanças, eu tinha me tornado assídua por elas. Mudar significava sobrevivência, e eu queria viver por muito tempo.

Fim do capítulo

Notas finais:

E chegamos ao fim amados :) e amadas :D

 

'A Revolução' sempre foi uma história queridinha no meu catálogo de histórias não terminadas (que ainda tem várias :D ).

Ela já teve outras duas versões, mas fico feliz que essa tenha sido a escolhida, pois colou muito com o momento que acredito que estamos vivendo e que eu espero que não se torne realidade eventualmente rs

 

Eu quero deixar um agradecimento especial às queridinhas que comentaram do início ao fim e acompanharam a história de pertinho. Vocês aqueceram o coração da autora e foram motivo de não me deixar desistir de postar a história :)

 

Espero encontrar todos vocês mais vezes no que está por vir :D

Se quiserem sempre estar por dentro das futuras histórias, me segue no instagram e facebook, ou acesse linktr.ee/escritoraalex para ter acesso à todos os lugares em que estou.

 

Revolucionem-se! ;)


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Comentários para 15 - Um epílogo:
May Poetisa
May Poetisa

Em: 20/08/2022

Alex, parabéns! Como sempre você arrasou, suas histórias são incríveis.

E que tal um spin off do trisal? Adorei G, Deb e Trisha juntas *_*

Obrigada por criar personagens tão marcantes.

Muita criatividade sempre! Beijocas!


Resposta do autor:

Aaaaah dona May maratonou nesse final de semana! Que bom que A Revolução te agradou tanto, fico muito feliz <3

Menina, e se eu te falar que tem um capítulo extra desse trisal? ahahaha

Estou mexendo nos meus livros postados aqui por causa de um projeto em publicar todos, e a Revolução eu terminei escrevendo já pensando no conteúdo extra, e calhou do trisal ser o primeiro que veio como bônus. Acho elas uma belezinhas <3 quem diria que eu quase matei a G naqueles túneis e mudei de ideia no último parágrafo, por assim dizer hahahaha

 

Eu quem agradeço por ter se deixado levar e acompanhado essa história até o fim <3 é uma das minhas preferidas :D

 

Beijos, May!

Responder

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kasvattaja Forty-Nine
kasvattaja Forty-Nine

Em: 21/05/2022

Olá! Tudo bem?

 

Querida, Autora, que pena — para mim, é claro — que as meninas tivessem que terminar assim, mesmo que juntas. Esperava eu mais, afinal elas vão, ainda, enfrentar muitas coisas juntas e gostaria que elas tivessem todas as forças mentais — e físicas — para isso, mas it's alright!

Enfim, mais uma história terminada. Parabéns!

É isso!

 

Post Scriptum:

 

''O universo ajuda-nos sempre a lutar pelos nossos sonhos, por mais idiotas que possam parecer.

Porque são os nossos sonhos, e só nós sabemos quanto custa sonhá-los. ''

 

Paulo Coelho De Souza,

 

Escritor.


Resposta do autor:

Olha só quem deu as caras aqui novamente!

Olá Kas!

 

Uma pena que não tenha gostado :) mas fico feliz que tenha chegado até o fim :)

 

Todas as lutas acabam tendo uma sequela, e achei sensato dar uma margem real do que poderia acontecer em situações reais.

 

Mas é isso :D

 

Bom domingo para você Kasva! Até a próxima ;)

Responder

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HelOliveira
HelOliveira

Em: 20/05/2022

 Chegamos ao final mas foi difícil Ana cadeirante mas.uam.daa suas.surpresas né...mas isso só mostra o quanto ela foi determina em sua luta...Amy que ela no potinho...

Amei o trisal..

E para a autora meu muito obrigada...curti do início ao fim...e que sabe esse não seja o final né..

Parabéns


Resposta do autor:

Realmente, Ana nessas condições era para ser impactante, meio que para mostrar as consequências dessa luta. Mas Ana também é bem determinada, realmente :)

Amy é um amorzinho :D

 

Trisal veio bem a calhar não é? Uma gracinha.

 

Eu quem agradeço pela participação e incentivo, Hel! Significa muito para essa autora :D

 

Um ótimo final de semana!

Responder

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Lea
Lea

Em: 19/05/2022

Foi impactante ver a Ana em uma cadeira de rodas. Amy como sempre tentando deixar as coisas o mais leve possível.

Amei o trisal. A Gwen merecia encontrar o amor, e encontrou em dose tripla com a Trisha,a Deborah e o filho!

Enfim aos poucos as mudanças foram acontecendo,mas sabemos que a luta nunca acaba!

Obs: torcendo para uma possível continuação!

Agora vou colocar outra leitura em dia com BORN,meu mais novo xodó.   :-)

Aquele abraço Alex e boa noite!

Bjus


Resposta do autor:

Imaginei que seria impactante mesmo, muda completamente a vida essa questão.

Amy um amorzinho, como sempre :)

 

Gwen merecia muita coisa realmente, pena que é só um personagem e não dá para trazer à vida, não tenho essas habilidades ainda hehe

 

Aaaaah! Meu bebê chegou até você? Que ótima notícia! Espero que inteirinho :)

Espero que aproveite a leitura, dona Lea :D

 

Abraços Lea, ótima noite junto do meu bebê!

 

Beijos!

Responder

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