Uma morte
Se o primeiro livro tornou as ruas mais silenciosas devido ao medo da Bandeira Azul em ser contestada, o que gerou uma dose maior de controle e violência dos soldados; os livros seguintes consagraram uma explosão de protestos.
Com informações sobre os grupos e o que realmente acontecia dentro do governo ditador no Continente Sul as bolhas foram sendo furadas. E de maneira nada gentil. Mesmo os Sem Bandeiras se juntaram em nossa empreitada pela mudança, ainda que de maneira torta, eles tinham o mérito de chegar até a pessoas que nunca buscariam saber a verdade. Invadir a mídia e espalhar e-mails era a especialidade deles. Além de concordarem em me passar informações que eles conseguiam com essas invasões. Eram aliados e eu não os trataria diferente dos demais, por mais que continuassem com uma imagem negativa entre os demais grupos devido às suas táticas.
Ainda assim foi um processo conquistado à duros passos. Uma caminhada marcada por pegadas de sangue. E parte foi em decorrência de traidores.
Marcus foi um deles. Trisha tinha afirmado que daria um final a esse problema, e o que fez foi prendê-lo em busca de conseguir informações. Basicamente obrigá-lo a fazer um jogo duplo. Pouco ele disse, nenhuma justificativa por trair a mulher que além de ter sido casado, o deixou permanecer perto da liderança do Pró-Independência. Além de ter conspirado para tentar assassiná-la quando estávamos juntas no seu carro, na primeira missão que eu assisti.
Depois disso os membros passaram a serem investigados. Houve um burburinho dentro dos grupos, com alegações de todos estarem agindo como a Bandeira Azul para contê-los. Mas a verdade era que estávamos em guerra, e não podíamos nos dar ao luxo de nos vendar para lutar. Todos queriam ter certeza de que lutávamos juntos, sem se preocupar em ter um traidor nas costas, pronto para fincar uma lâmina quando menos se espera.
Já perdemos muito ao longo dos anos, não podíamos continuar sendo o lado com mais baixas. E foi assim que o grupo Resistência Avant se mostrou valioso quando os soldados avançaram contra os protestantes, sem se importar com idade ou a pacificidade dos participantes. Quando o General Marcondes ordenou que as tropas “dispersassem” a multidão e armas foram erguidas, Amy e demais membros se ergueram em defesa das pessoas.
Com máscaras e todo um aparato militar para se protegerem, eles revidaram fogo com fogo. Claro que não conseguiram impedir mortos e feridos entre os civis, mas os soldados também não estavam esperando por resistência que pudessem bater de frente. Eles recuaram, não para sempre, mas foi tempo suficiente para sentirmos o gostinho da vitória na primeira batalha. Eu chamei esse dia de o “Contra Golpe do Povo”, estampei o nome no quarto livro, junto ao sangue, mas também com a esperança de estarmos conseguindo avançar contra a opressão.
E aliado a isso, Deborah avançava junto do Pró-Independência para conseguir informações chaves para nos proteger da selvageria de retaliações. Não impedia, sofríamos perdas e perseguições a pessoas próximas, mas essas fontes serviam para não deixar que fossem longe demais. Era uma luta constante para manter a pressão maior para o outro lado, mas a verdade era que também lidávamos com a intimidação diária. A diferença era que podíamos revidar agora.
Era o que me dava inspiração para continuar escrevendo e propagando a mensagem de revolução. Nesses dois anos que passaram, eu me tornei mais sólida e consistente, mais engajada que nunca em manter o movimento constante e sempre adiante. Não tinha se tornado mais fácil lidar com todas as dificuldades, não me acostumei a estar distante de Amy e Samuel, mas eram sacrifícios diários que me via na obrigação de fazer em prol da causa. Não seria para sempre, e isso me consolava.
Aurora e os filhotes me faziam companhia a maior parte do tempo. Bastava ir até o jardim e eles me recebiam com toda a felicidade junto a Lênin, meu passatempo preferido. Com eles o tempo corria mais leve e sem preocupações. Além de que eram o meu lembrete de que nem tudo estava perdido se a semente da minha relação com Amy estava ali, sendo regada e velada com tanto amor.
Foi numa tarde assim em que eu estava com os cachorros no quintal enquanto Gwen cumpria sua missão como soldado, que eu ouvi a campainha tocar. Não estava esperando por visitas e não tinha recebido nenhuma mensagem dos meus contatos que poderiam vir em casa. Logo, isso significava algum problema. Considerei simplesmente ignorar, mas como esposa de Gwen, eu tinha que me tornar responsável pela casa. Se algum vizinho queria bancar o amigável eu era obrigada a responder.
Então deixei os cachorros no jardim e fui até a porta, ouvindo uma segunda vez a campainha, mas chequei pelo visor primeiro para me preparar. E ninguém mais que Joana Torres estava ali do outro lado. Nos encontrávamos com frequência sempre que eu ia até a Base Militar Oficial de Treino, ela até me desafiava por pontuação e acabávamos empatadas, mas nem na próxima vida isso nos tornava amigas. Suas provocações e sua falha em disfarçar o desprazer na minha presença só aumentava meu ódio por ela, e agora significava problemas.
Enviei uma mensagem para Gwen para alertá-la sobre a presença dela. “A noite está quente. Não demore.” Foi o que escrevi. Era o nosso código se algo estivesse acontecendo em casa, assim não iríamos atrair atenção indesejada e ela entenderia meu pedido de ajuda. Por precaução também enviei mensagem para Manuela, rapidamente digitando um “A pipoca está estourando”, sem necessariamente ser um código, mas esperava que servisse como um alerta com o assunto aleatório.
Respirei fundo, assegurando-me de que ela não podia fazer nada comigo sem provas dessa vez. Eu podia me defender. E eu teria algum suporte em breve. Eu só tinha que manter a calma e seguir como se fosse uma visita casual.
— Tenente Torres. — Cumprimento, mantendo a porta aberta somente o suficiente para que ela visse meu corpo. — É uma surpresa te ver aqui.
— Estava passando pela vizinhança, lembrei que já tinha terminado seu turno de trabalho, pensei que não faria mal fazer uma visita. — Ela sorriu, mas algo em sua postura rígida me dizia que não era verdade.
— Que bom saber que tem tanto apreço por mim para se prestar à uma visita fora de hora, Tenente. Mas não sei se seria apropriado. Como sabe, Gwen ainda não está em casa.
— Não é problema. Somos velhas conhecidas! E tenho certeza de que ficaria interessada em ouvir as informações que recebi sobre aquela nossa antiga amiga.
— Não lembro de termos amigos em comum, Tenente. — Estreito os olhos, sentindo-me desconfortável. O que ela estava tramando agora?
— Pois temos. — Ela se aproximou até estar com o hálito de café próximo do meu rosto, mas não recuei. — Ou já se esqueceu da Isa Miranda?
— Eu não lembro de ter falado que somos amigas, Tenente. Você mantém amizade com uma rebelde? — Inclino o rosto para ela e mantenho a expressão séria. — Porque seria algo muito inapropriado.
— Você e essa mania de se fazer de engraçadinha, Ana. Achei que tivesse te ensinado a parar com isso quando nos conhecemos. — Ela se manteve próxima, eu a mirei somente, notando sua veia saltar no pescoço como sempre acontecia quando a tirava do sério.
— Isso já faz tanto tempo, Tenente. Por que relembrar o passado? E de qualquer forma nada mudou desde então, eu não tenho nada com essa mulher. Se você tem informações dela, deveria reportar ao General Marcondes.
— Se eu estivesse no seu lugar me deixaria entrar para escutar. Ou eu posso enviar o vídeo da confissão de um rebelde que diz em detalhes sobre o seu relacionamento com aquela veterinária. — Suas palavras saíram ácidas, dessa vez eu me esforcei para mostrar confusão com o que ela estava dizendo.
— Eu já tive um relacionamento com uma veterinária, será que é disso que está falando? Já faz tanto tempo, Tenente. Por que reviver isso agora? Estou casada, lembra? E por falar nisso é melhor você ir, Gwen não gostaria de me ver despreparada para quando chega em casa. Eu tenho que cozinhar o jantar.
— Tenho certeza de que ela vai aceitar uma visita de uma colega de trabalho, mesmo fora de hora. Vocês não estão com falta de comida, estão?
— Não, não estamos. Mas você está sendo inconveniente, Tenente. — Suspiro, mostrando impaciência. — Tenho outros planos com a minha mulher. Se você realmente deseja fazer uma visita com mais tempo, volte amanhã à noite e nós lhe receberemos com festejos. Traga seu marido também, será muito agradável.
— Acho que preciso ser mais clara então. — Ela suspirou, também impaciente, então retirou um celular do bolso e me mostrou a tela destravada.
— O que é isso? — Aperto os olhos ao tentar entender, mas só havia a tela com o papel de parede de dois cachorros e seus filhotes. Logo em seguida reconheci Aurora e Lênin com os filhotes. — Mas o que... De quem é esse celular?
— Da rebelde que estive interrogando. — Ela virou o visor para si e guardou de volta no bolso. — Então? Tem certeza de que não temos sobre o que conversar?
— Eu não tenho certeza do que você quer conversar Tenente. Eu não tenho ligação com rebeldes, e minha única ligação com soldados é a minha esposa. Logo, por que eu teria interesse em saber sobre o seu interrogatório?
— Porque eu sei que mantém um caso com uma rebelde. Isso te torna tão culpada quanto a rebelde em si.
— Isso só torna você cheia de teorias de conspiração. — Sorrio, ainda que me sentisse nervosa com a situação, forcei-me a manter a calma. — Se tivesse alguma coisa verdadeira, não viria sozinha até a porta da minha casa. É uma medida desesperada sua de conseguir me incriminar por crimes que não tenho qualquer participação.
— Então serei mais clara, acho que vai me entender assim. — Ela sacou o bastão de choque e pressionou na minha barriga, forçando sobre minha blusa felpuda. Eu duvidava que a pelúcia iria impedir a descarga elétrica no meu corpo. — Ou me deixa entrar por bem, ou eu entro de qualquer jeito.
— Você está com medo das câmeras. — Afirmo, mas engulo em seco, temendo relembrar aquela sensação horrível vibrar em meus nervos novamente. — Se pudesse entrar à força já o teria feito.
— Eu não preciso entrar à força porque você me convidará para entrar. — Ela falou entredentes.
— As câmeras continuam gravando sua atitude desnecessária, Tenente Torres. É o que quer mostrar para os seus superiores quando eu te reportar por interrogar a esposa da Sargento Stewart sem provas?
— Você vai me deixar entrar se quiser encontrar sua amiga Manuela com vida. É só questão de poucas horas para ela morrer, você quer arriscar, Isa Miranda?
— Eu não sou Isa, você tem uma ideia fixa sobre isso, Tenente. — Pontuo, sentindo meu maxilar travar com aquela ameaça. Ela estava com Manuela?
— Como eu conseguiria o celular e a senha? Como eu saberia do seu caso com a veterinária que é líder de um grupo terrorista? A escolha é sua.
— Qual foi a última mensagem que Manuela recebeu, se esse celular for mesmo dela? — Resolvo arriscar, sem ter muitas ideias de como lidar com isso.
— Sua mensagem em código, falando sobre pipoca. — Ela sorriu, parecendo que tinha vencido. E tinha mesmo, porque agora eu precisava a deixar entrar e descobrir como lidar com ela. Ganharia tempo até Gwen chegar, com sorte. — E então?
— Está bem, você pode entrar. Mas não vai entrar com armas na minha casa, Tenente Torres.
— Como se você pudesse me dar ordens.
— É a minha casa. Você não pode encostar um dedo em mim sem provas, então eu exerço o direito aqui de decidir como uma visita entra na minha casa, e se você quiser entrar, vai retirar todas as suas armas. Caso contrário você sai daqui sem nada.
Ela podia continuar se recusando e eu insistindo, de qualquer forma eu ganharia tempo e ela não parecia estar com muito de sobra para gastar ali, na porta de minha casa. Então aceitou, retirou as armas ali mesmo e deixou sobre o tapete de entrada. Duas pistolas, o bastão de choque e uma adaga de lâmina escura. Se escondia mais alguma arma eu não duvidava, mas já diminuía as chances de me ferir de maneira definitiva.
— Você quer algo para beber, Tenente? — Forço educação ao caminhar em direção à cozinha. Se ela beberia eu não sabia, mas eu precisava umedecer a boca depois de toda essa conversa na porta de casa.
— O que tiver de mais forte. — Ela me seguia, fazendo-me sentir como se estivesse sendo caçada.
— Gwen herdou uma coleção de whiskey do pai, mas ela não bebe. Se você gostar, posso te servir.
— Claro, pode me servir.
Eu nem precisava me virar para notar o sorrisinho cretino com aquela frase. Então me concentrei em pegar uma das garrafas de whiskey e servir num copo apropriado, com duas pedras de gelo. Servi sobre um descansa copo no balcão, onde ela se acomodou na banqueta; girou o líquido com tom laranja e cheirou antes de beber um longo gole, parecendo aprovar.
— Algo para comer? — Ofereço enquanto me sirvo um copo d’água e bebo pequenos goles.
— Quanta hospitalidade. — Ela sorriu afiada. — Você tem aperitivos?
— Tenho salgadinho, amendoim, castanhas. O que prefere?
— Seria perfeito um pouco de tudo. Se não for incomodar, é claro.
Sua presença já me incomoda, quis dizer. Mas ao invés disso eu coloquei as três opções num pratinho com divisórias, próprio para isso, então servi para ela. Fiquei ali, tentando imaginar o que aconteceria. Se ela tinha interrogado realmente Manuela, por que vir até minha casa sozinha? Minha primeira hipótese foi a de que não possuía provas e não tinha conseguido arrancar muita coisa dela. A segunda hipótese era a de que não estava em posse de Manuela e veio somente tentar conseguir alguma confissão ou evidência contra mim. Conseguir o celular dela nem era um problema muito grande. Se ela realmente tinha conseguido uma confissão, por que me confrontar em casa?
— Adoro ver essa sua expressão de quem está tentando desvendar tudo. — A Tenente debochou por trás do copo, bebeu um gole e sorriu para mim. — Mas a verdade é que você precisa de mim tanto quanto eu preciso de você.
— Por que não vai direto ao ponto, Torres?
— Achei que quisesse esperar sua esposa chegar, estava com tanto empenho.
— E eu estou esperando por ela. Mas quanto mais rápido terminarmos essa conversa, mais rápido posso recebê-la em casa, sozinha. — Isso a fez rir, um risinho solto, descontraído, diria até debochado. — O que veio fazer aqui, Torres? Em plena sexta-feira.
— Está bem, vamos aos fatos. Estive te investigando e a todos que te rondam.
— Você não superou mesmo essa queda que tem por mim, mesmo depois do casamento? — Logo a interrompi, pressionando os cotovelos na pia e rebaixando a coluna para me apoiar. Eu queria provocá-la, tirar aquele ar superior dela que me irritava.
— Foi uma investigação independente. — Prosseguiu em busca de me ignorar, mas a veia do seu pescoço falava por si só sobre o seu irritamento. — Estive seguindo os passos de todo mundo. Estava quase desistindo, vocês são muito metódicos e possuem uma boa rede, eu admito.
— Então inventou uma teoria de conspiração. — Pontuo.
— Pare de negar, Ana. Não vai te ajudar em nada.
— Você só quer que eu gere provas contra mim, Tenente, e eu não vou cair na sua armadilha. Então a menos que me apresente provas, você só está falando bobagens para mim.
— Provas, você diz. — Ela suspirou, mas voltou a sacar o celular de Manuela. Deslizou o dedo de maneira despreocupada, então o depositou sobre o balcão, girando para mim. — É só apertar para iniciar e assistir à confissão.
Era um vídeo, aparentemente. Eu até tomei o cuidado de não deixar a minha digital no aparelho quando pressionei o iniciar, sentindo-me em alerta por qualquer armadilha vindo dela. Minha respiração travou quando vi o rosto machucado e ensanguentado de Manuela na tela, mesmo assim inconfundível. Ela estava amarrada numa cadeira de metal no que parecia uma garagem comum. Sua voz saiu trêmula porque ela chorava, as lágrimas se misturavam ao sangue e manchavam ainda mais a regata branca que ela vestia. Reconheci de imediato a vestimenta, porque ela tinha me pedido emprestado pela manhã. Lembro até de a ter alertado sobre o frio que faria e a obrigado a levar o casaco junto. Parecia ter sido há tanto tempo agora.
— Ana, eu sinto muito. Eu tive que contar para ela sobre Isa e Amy ou ela iria atrás do Samuel. Ele não sabe de nada, mas você sabe como soldados são, não é? — Ela fungou, mas acabou tossindo. Acabei me sentindo angustiada ao ouvir o chiado prolongado que saía dos seus pulmões. — Não deixe ela te parar, Ana. Não deixe nenhum soldado te parar, não importa o que tenha que fazer! A Revolução não pode parar! Vamos derrubar todos eles e quem se colocar no caminho!
Então o estalo do tiro ecoou, um buraco se abriu na testa de Manuela e sua cabeça caiu para trás. Senti minha pele gelar e minha boca secar, chocada com o que tinha acabado de ver. A Tenente executou Manuela a sangue frio. Por que ela viria aqui me mostrar isso e não me levar presa?
Olhei para ela, sentindo a raiva borbulhar e tomar conta de mim. Se ela veio me prender e ficar com a glória de ter descoberto a identidade de Isa Miranda, então descobriria da pior forma que eu não me entregaria tão fácil. Não colocaria a perder tudo pelo que tinha lutado e aberto mão nessa altura.
Tenente Torres abriu a boca para dizer algo enquanto fazia menção de retirar um objeto metálico de dentro do casaco militar. Mas antes mesmo que pudesse empunhá-lo, agarrei sua cabeça e forcei contra o balcão, ouvi o estalo alto e esperei que tivesse quebrado alguma coisa. Fiz o movimento mais uma vez, então outra e outra. Acertei o prato e o copo com o seu rosto. Sequer sabia de onde tinha vindo toda a selvageria, mas não importava. Manuela estava morta por causa dessa mulher desumana, e ela iria pagar por isso.
Ouvi seus xingamentos enquanto ela tentava revidar e se soltar ao mesmo tempo. Eu sequer me importava em saber o que ela queria comigo nessa altura. Já não importava mais. Mas eu ouvi o som de tiro e algo em mim queimou, então ardeu. Eu recuei porque senti que algo estava errado. Olhei meu corpo e percebi o sangue manchar minha blusa felpuda de vermelho. Toquei sobre as minhas costelas e gemi com dor, recuando até ter as costas no armário atrás de mim.
Tenente Torres empunhava uma pequena arma sobre o balcão. Ela cuspiu sangue sobre os cacos de vidros, mas era perceptível os vários cortes no rosto e o rasgo no supercílio e nos lábios. Tudo parecia sangrar no seu rosto e a imagem me satisfez por um instante. Eu não cairia sem ter feito algum dano a ela.
— Não, sua idiota. Olha o que me fez fazer. — Ela fez uma careta que a deixou ainda mais horrenda enquanto contornava o balcão, mas eu recuei para o outro lado. — Onde acha que vai? Fique parada. Eu preciso de você viva.
Claro que sim, pensei, caso contrário tinha acabado de me tornar um mártir. Então eu continuei me afastando e corri como consegui em direção às escadas. Ela parecia ter dificuldade em enxergar, porque tropeçou nos móveis conforme me seguia e tentava me impedir. Não que eu estivesse muito melhor, eu sentia o líquido escorrer pelo meu abdômen e me enfraquecer na mesma velocidade que molhava minha calça de ginástica. Eu não tinha muito tempo.
Cheguei ao meu quarto e tranquei a porta, indo até a gaveta da mesinha ao lado da cama, onde encontrei minha pistola com cabo de couro. A Tenente começou a socar a porta, então eu sabia que não tinha mais escolha senão acabar com ela de uma vez. Mas antes eu precisava contatar os grupos e tentar assegurar que eu sobrevivesse.
Então acionei o aplicativo que Deborah tinha criado para os grupos se comunicarem entre si e comigo. Havia uma função de emergência que exigia um código de segurança para ser acionado. Eu apertei e digitei o código. A tela ficou vermelha por um momento e a câmera se abriu. Deborah tinha me instruído a gravar o máximo de coisas possíveis em menos de 10 segundos, pois serviria de ferramenta para ajudá-la a me localizar se eu tivesse sendo levada para algum lugar. Como não era o caso, levantei minha blusa e mostrei o lugar onde a arma tinha me acertado, para saberem o tipo de gravidade e me enviarem um médico. Então direcionei ao meu rosto nos últimos sete segundos.
— Torres assassinou Manuela. Eu vou acabar com ela. As identidades estão corrompidas.
Eu deixei o celular sobre a cama enquanto a Tenente tentava derrubar a porta. Aproximei-me e tirei a trava da pistola. Estava fraca, sentia que podia desmaiar, e uma pressão absurda para respirar começava a me incomodar. Eu me negava a acreditar que morreria por causa daquela mulher, mas ao mesmo tempo fazia sentido. Ela foi quem iniciou as medidas mais radicais em minha vida para propagar a mensagem revolucionária. Agora queria me silenciar para sempre como fez com Manuela. Eu não podia perdoá-la.
Esperei perto da porta, calculando o momento certo em que ela se chocaria contra a madeira outra vez. Então destranquei e ela entrou de uma vez no meu quarto, cambaleante e confusa. Apontei a arma na altura do seu rosto e ela paralisou sem tentar erguer a própria arma. Parecia surpresa, e ao mesmo tempo amedrontada.
— Você não sabe o que está fazendo, Ana. Você vai se arrepender se puxar o gatilho. — Ela falou devagar com a voz trêmula. — Você se tornará uma assassina, e acredite em mim, não é um caminho com retorno.
— Posso me tornar uma assassina, mas não serei igual a você. — Afirmo, ainda que ouvisse meu tom sem a mesma certeza, porque respirar ficava mais difícil. Pressionei a mão sobre minhas costelas, tentando criar uma pressão.
— Você acha que é fácil assim?
— Não importa. Você matou minha amiga. O que pretendia fazer comigo agora? Me levar presa?
— Não, Ana. Se você somente me escutasse saberia que eu não tentaria nada contra você.
— Foi assim que perseguiu e prendeu Manuela?
— Ela era só um peão no meio do jogo, Ana. Mas não você. Com você viva e ao lado da Bandeira Azul, iríamos evitar a guerra que está por vir se essa loucura não parar.
— Guerra?
— Você acha que a Bandeira não vai revidar com força esses protestos? Acha que esse movimento de vocês já não aconteceu antes? Não seja idiota, Ana. Já aconteceu uma centena de vezes e em todas as revoluções as pessoas morreram e esqueceram a história. — Ela deixou a arma cair no chão, erguendo as palmas para cima na altura dos seios. — Não vai fazer bem a ninguém todo esse barulho nas ruas. Você quer ver todas essas pessoas morrendo?
— Será que não vê, Joana? Todas essas pessoas escolheram lutar pela liberdade, escolheram morrer tentando. Isso não é viver, Joana. Ter medo de andar na rua e de fazer o que quiser não é a vida que as pessoas merecem. Nós merecemos muito mais do que a Bandeira Azul e todas as outras bandeiras tem nos oferecido.
— Então você só terá o caos e a instabilidade. Porque era exatamente assim que as coisas funcionavam no passado antes das bandeiras.
— Eu prefiro o caos do que ser controlada pela falsa estabilidade que as bandeiras oferecem.
— Você está preparada para perder todos ao seu redor pela sua insanidade, Ana?
— Ana?! — Escutei Gwen me chamar no andar debaixo, com um tom urgente e apavorado. — Cadê você?
— Aqui em cima. — Gritei de volta. — Que você entenda que eu não perderei ninguém, Tenente Torres. Todos aqui estão lutando para que pessoas como você deixem de existir. Para que pensamentos como o seu deixem de dominar a sociedade.
— Você quer se sacrificar por uma causa perdida? Você ainda pode voltar atrás e ajudar as bandeiras a combaterem esses grupos, Ana.
— Então é esse o plano das bandeiras? Me obrigarem a trair os grupos?
— Você vai acabar vendo que é a única solução quando não restar mais ninguém em pé. — Ela desviou o olhar para a porta, eu percebi Gwen entrar devagar, a arma em punho apontada para Torres também. Sua respiração rápida me atingiu primeiro, até ela tocar meu ombro. — Renda-se Ana. Todos vão saber a sua identidade em questão de minutos. Eu chamei reforços.
— Há uma carreata de comboios vindo para a nossa casa, Ana. — Gwen falou no meu ouvido. — Precisamos ir. Eu vim o mais depressa que pude.
— Não vão saber minha identidade, Torres. — Afirmo. — Isa Miranda vai muito além de mim. Uma pena você não estar aqui para assistir à revolução nas ruas.
— Ana, não faça isso. — A Tenente implorou.
— Revolucione-se, fascista.
O tiro foi certeiro na sua testa, então ela caiu. Meu braço chicoteou para trás porque eu me sentia fraca, mas Gwen me segurou e me tomou em seus braços. Eu senti lágrimas no rosto porque eu tinha perdido Manuela e sequer poderia oferecer um funeral para ela. Mas eu sequer podia me dar ao luxo de estar em luto porque eu ainda precisava lutar para sobreviver.
Gwen foi me carregando para fora do quarto e pelo corredor, mas eu puxei o seu queixo para perto e ela parou antes de descer as escadas. Olhou-me com urgência, esperando que eu dissesse algo.
— As nossas coisas, G. Os cachorros. Não podemos ir sem isso. Sem eles.
— Não estamos sozinhas. Tudo ficará bem, você só precisa manter os olhos abertos e continuar respirando. Não durma, entendeu?
— Está difícil, G... eu não sei se-
— Você é a minha esposa e eu não te dei permissão para morrer, entendeu? Não vamos parar aqui, Ana. Por favor. — Ela se inclinou para perto e beijou meus lábios, mantendo-me firme nos seus braços. Eu não sabia dizer o motivo, mas sentir sua paixão e fervura naquele momento me fez encontrar uma nova energia para continuar tentando.
— Vamos embora, G.
Ela sorriu, movendo a cabeça para concordar, parecia até mais aliviada. Então ela me levou escada abaixo e eu notei a movimentação de soldados por todo o ambiente, o que me assustou, mas ao ver Tenente Graham relaxei.
— O carro está pronto. — Ele falou ao se aproximar de nós. — Suas coisas essenciais já foram levadas para o esconderijo.
— Esconderijo? — Perguntei, olhando entre ambos.
— A bala saiu? — Ele me ignorou por completo, direcionando-se à Gwen.
— Sim. Mas ela precisa de um exame e um médico. Deve ter perfurado o pulmão.
— Eu já enviei um para o esconderijo. Você precisa ser rápida e não errar, caso contrário as duas morrem.
— Eu sei.
— O GPS vai mostrar o ponto exato para saltarem, não pode haver hesitação porque o carro já está configurado para falhar. Vocês estando dentro ou não, nada vai impedir de acontecer.
— Do que estão falando? — Meus dedos pressionaram no casaco militar de Gwen, sentia-me confusa, mas também com raiva de estar sendo ignorada descaradamente.
— Eu te conto no caminho, querida. — Gwen me garantiu, olhando-me com um ar preocupado. — Obrigada, Tenente. Eu mandarei notícias quando chegarmos.
— Ótimo. Fiquem vivas, não importa o que aconteça. — Ele olhou entre nós com seriedade. — Eu te manterei informada.
Então fomos embora. Eu não sabia que plano eles tinham tramado, eu só sabia que queria sobreviver, não era justo morrer quando as lutas tinham começado a fermentar as ruas da maneira que sempre sonhei ver.
Gwen me colocou no banco do carona num carro que não era seu. Se tratava de uma caminhonete mais robusta e com a cor bege, não chamava a atenção e era mais usada em fazendas no interior leste e oeste do estado de Canéia. Eu me perguntei se era para onde iríamos. Ela tirou a própria camisa e vestiu somente o casaco militar, pedindo que eu pressionasse sobre o ferimento da bala. Assumiu o volante e saiu da vaga em frente à nossa casa cantando pneu.
— Eu preciso que você siga exatamente o que eu disser, quando eu disser, para o nosso próprio bem e sobrevivência. — Gwen começou a falar, atraindo minha atenção. — Você pode fazer isso sem me questionar, Ana?
— É uma decisão dos grupos?
— Sim, uma de emergência no curto tempo que tivemos. Mas todos de acordo.
— Está bem. O que eu tenho que fazer?
— Você vai precisar pular para o banco de trás depois que passarmos pelo pedágio. Provavelmente vão nos reconhecer e começará uma perseguição. Então vou precisar da sua ajuda para movermos esses corpos para os nossos bancos. Sei que está machucada, sei que está sangrando e fraca, mas-
— Corpos? — Eu a interrompi, então me movi para olhar para trás, sentindo-me assustar ao ver os dois corpos mortos no banco.
— Por favor, Ana, sem perguntas.
— Meu Deus...
— Você consegue fazer isso? Senão eu paro o carro e você dirige, então eu lido com os corpos.
— Eu nos colocaria em risco dirigindo nessa situação. — Desvio o olhar para frente, observando as pessoas do lado de fora na cidade. — Eu moverei os corpos.
— Será rápido, Ana. Depois será mais fácil.
— Não... não será.
Ter os corpos ali só significava uma coisa: fingiríamos a nossa morte. Não resolveria os problemas, mas nos ganharia tempo para recuar e planejar os próximos passos. O que me deixava desanimada nessa história era Amy ter concordado com isso. Ela sempre foi a primeira a se recusar a me matar de mentira, por que concordaria agora? Não havia mesmo nenhuma outra opção mais? Era uma situação tão sem saída e desesperadora para a fazer acatar uma ideia dessa, ou realmente era a única escolha? Amy tinha desistido de me manter viva?
Observar as pessoas lá fora me fez sentir uma momentânea raiva da ingenuidade deles sobre o que estava acontecendo. Como eu podia estar sangrando e eles ali, seguindo a vida normalmente? As coisas estavam tão erradas em tantas esferas naquela sociedade, as pessoas não sentiam a necessidade de se revoltarem? De irem contra o que lhes era ordenado? Quão cômodo era a rotina e o que consideravam benefícios de terem tanta obediência? Isso me deixava tão inconformada. Fazíamos tantos sacrifícios por pessoas que continuavam se aproveitando da própria ignorância. Valia a pena?
— Ana, se prepare. — Gwen me alertou com tom urgente.
Estávamos nos aproximando do pedágio para sair da cidade. Felizmente era uma cobrança automática, não precisávamos parar porque era uma região que poucas pessoas usavam. Normalmente os moradores e os comerciantes utilizavam mais a via, então os militares não viam motivos para aumentar a cautela ali. Pelo menos até agora.
Foi nós passarmos pelas cancelas que não levou cinco minutos para as sirenes da polícia se fazerem ouvir. Soltei o cinto de segurança e respirei fundo, mas até isso doía. Como eu iria pular para o banco de trás e ainda arrastar dois mortos eu não fazia ideia. Era mais fácil me sentar ao lado deles e esperar o ferimento tirar o melhor de mim.
Mas eu me forcei a girar no banco e então começar o processo de me locomover para trás. Eu perguntaria o motivo de ela não ter me colocado ali desde o começo para facilitar minha locomoção, dado o ferimento, mas lembrei que existia as câmeras nas cancelas. Para fingir a nossa morte eu precisaria ser vista e fotografada.
Gwen fez uma curva acentuada e eu caí sobre os mortos no banco de trás, sentindo arrepios diante dos seus corpos frios. Quis xingá-la, mas a dor me fez gem*r.
— Rápido Ana, passe o corpo da direita para o seu banco. Não temos muito tempo.
— Estou tentando, querida esposa.
Eu não me importei com a rispidez, porque ela sabia perfeitamente das minhas condições. Forcei-me a sentar entre os mortos e puxei o primeiro, à direita, depois de soltar o seu cinto. Olhando de perto, tínhamos algumas semelhanças, como altura, tom de pele e cabelo, até o mesmo penteado. Eles se empenharam em ter um corpo próximo do meu, eu sequer tinha como questionar como conseguiram isso e sob que circunstâncias.
Quando forcei o corpo no banco, mordi o lábio com força para conter o grito de dor, como se tivesse levado uma espetada entre as costelas. Gritar não vai me ajudar, foi o meu raciocínio, mas a verdade era que parar por causa da dor só iria nos matar. Engoli o grito e as lágrimas caíram. Mas o morto foi posto em meu assento e Gwen colocou o cinto de segurança nele. Menos um, pensei. Agora eu só não sabia como faria o mesmo procedimento com o próximo.
O mapa no GPS mostrava uma reta adiante entre as árvores. Era a última rua que passaríamos. As sirenes nessa altura estavam ensurdecedoras, mas eles não atiravam nem se lançavam no nosso carro. Achei estranho, porque os soldados fariam de tudo para nos parar, a menos, é claro, que me quisessem viva, como eu suspeitava, então seriam cautelosos e tentariam nos parar de outra maneira.
Fiz o mesmo processo de inclinar o próximo morto entre os bancos da frente, então Gwen pulou para o colo da carona morta e terminou de ajeitar o cadáver no banco do motorista enquanto uma mão mantinha a direção estável. Nessa altura toda a minha camisa e calça estavam molhados em sangue, eu sentia que podia desmaiar a qualquer instante e a dor me lembrava que ainda tinha algum tempo de vida.
Gwen pulou para trás e me ajeitou em seus braços, sentando de lado comigo entre as suas pernas. Abraçou-me com força enquanto eu me encolhia, rendendo-me ao seu aperto e a firmeza do seu corpo. Escondi o rosto em seu pescoço ao pressionar a testa na sua pele, sentindo o cheiro de suor mesclado ao perfume forte que costumava usar e eu odiava.
— Gwen... vamos morrer? — Perguntei baixo, esperando que ela não escutasse diante do som das sirenes ao nosso redor.
— Vamos. Mas não de verdade. — Sua voz tremulou, eu sentia seu coração bater rápido e forte em minhas costas e não sabia se isso me confortava ou me apavorava. — Não se preocupe, vai acabar rápido e eu vou cuidar de você.
Não demorou para a reta acabar e irmos de encontro a uma curva. Mas o carro começou a chacoalhar após um estouro que julguei ser de algum pneu. Gwen contraiu o corpo e tudo se silenciou. Eu me senti levitar, temi que fosse ser lançada para fora do carro a qualquer momento, que fosse sentir um impacto. Mas ouvi um baque e meu corpo se sacudiu até cair em algo fofo. Sentia ainda o corpo de Gwen agarrado ao meu e só por isso eu abri os olhos, tentando entender o que tinha acontecido. Se havíamos morrido, então foi a morte mais rápida e indolor que eu imaginava que seria. O que tinha acontecido?
Fim do capítulo
E aquele amor pela Tenente Torres, cadê?
Seus comentários, sempre bem-vindos e necessários ;)
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May Poetisa
Em: 20/08/2022
Poxa justo a Manuela, estou de mal Alex =/
Joana foi tarde, adorei que foi a Ana quem acabou com ela.
Resposta do autor:
O que era da Joana tava guardado, e assando! Nem passou do ponto :3
A Manuela era uma graça, realmente, não merecia ter pago o preço.
Dressa007
Em: 29/04/2022
Fiquei aflita com esse capítulo... Manuela se foi aquela covarde da Torres teve o que merecia em bora deveria sofrer mais um pouco ... agora deixo aqui a minha frase de efeito... para as sobreviventes... que a sorte esteja a seu favor ...
Resposta do autor:
Calme, respire fundo, acabou o capítulo, vai ficar tudo bem... Para quem sobreviver :D
Já pensou ela sofrendo mais? Mas até onde elas seriam diferente das Bandeiras?
Hahahha boa frase de efeito, soa familiar ahahah
Bom final de semana Dressa!
Beijos ;*
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HelOliveira
Em: 29/04/2022
Torres merecia ser torturada antes morrer....mas raiva ainda por ter matado Manuela.....
Mas que tá quase morrendo aqui sou eu autora, quase fico sem respirar...
E G ainda tirou uma casquinha beijando a Ana...
E agora Amy como fica...
Até o proximo
Resposta do autor:
Já pensou? Levam ela para torturar por informações? Que virada de jogo, mas não seria eles fazerem a mesma coisa que as Bandeiras fazem?
Calma! Respira devagar! Aspira pelo nariz, solta pela boca! Repete cinco vezes fazendo pausa, solta em pausas o ar. Pronto? Melhorou? :D
G é das espertas ;)
Amy fica ali, com vontade :D
Até o próximo Hel! Beijos e bom final de semana!
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Lea
Em: 29/04/2022
Foi tarde essa infeliz, torturar e matar a Manuela foi desprezível. Ana foi carteira,tinha que ser ela mesmo a dá um fim na Joana.
A revolução se intencificou,agora não tem mais volta, é vencer ou vencer.
Como desconfiei,realmente Marcus foi.o traidor
Que todas as mortes não sejam em vão.
Ana sobreviverá? Os grupos conseguiram seu êxito?
Estou começando a achar que poderia dá um belo trisal entre essas três. Certamente se tudo der certo!
Resposta do autor:
Logo a Joana, que era um amor? Ahahaha
Tinha que ser a Ana, concordo. Sonhei com esse momento hahaha
Marcus, aquela ratazana. Se passasse na mira da Ana já sabemos rs
Será que sobrevive? Os grupos se erguem? Confira as cenas do próximo capítulo nesse mesmo site e nessa mesma história :D
Não queria dar spoiler, mas tem um trisal com certeza, só que com outras individuas hehe
Agradeço por comentar dona Lea ;)
Born Logo chega quentinho por aí!
Bom final de semana!
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