Oioi, como vocês estão?
Capitulo 61 Eu sei o que lhe causei!
POV NATÁLIA
Sei que esse é um momento delicado pra Rafa e eu não a deixaria sozinha por nada, eu amo essa mulher e o que eu mais desejo é que ela seja sempre feliz. Em todos os momentos eu estava ao lado dela dando todo apoio que ela precisasse. O clima do jantar estava tranquilo e os pais de Rafa ainda não haviam descido e algumas pessoas já tinham chegado e olhavam com certa curiosidade pra nossa mesa. Rafa me apresentou alguns parentes e amigos, sempre abria um sorrisão quando ela me apresentava como namorada, isso deixava meu coração derretido de amores.
-Sabe o que eu estou pensando? –Rafa sussurrou em meu ouvido me tirando do transe.
-Em que você está pensando? –Sorri largamente pra minha namorada.
-Pensando em como você vai ficar linda vestida de noiva! – Meu coração deu uma pontada quando ela disse isso, casar com Rafa era uma das coisas que povoava meus pensamentos ultimamente.
-Eu amo você! Sabia disso? – Disse isso enquanto me encaixava em seu abraço.
-Eu também te amo! – Ela me beijava no rosto quando alguém pigarreou atrás de nós duas.
-Licença, Rafa? –Viramos e demos de cara com uma moça baixinha com cara de sonsa. – Sou eu, Katia!
-Nossa! Quanto tempo. –Olhei avaliativa e Rafa estava visivelmente sem jeito diante daquela cena.
-E ai como você está? –Rafaela se levantou e abraçou a menina, e eu olhei pra Carla com cara de quem não estava gostando nada daquilo. – Perdemos o contato e nunca mais nos falamos.
-Verdade, desde quando fui embora. –Elas batiam papo enquanto Carla e eu reviramos os olhos e Joca ria de nós duas. -- Eu estou bem e você? Deixa eu apresentar você, esses são meus amigos Joaquim e Carla e essa é minha namorada Natália.
-Muito prazer gente. – A inconveniente da garota apenas acenou não dando muita importância. – Não esperava te encontrar aqui, você está diferente, está mais bonita.
-Ah obrigada, você também está! –Meu sangue ferveu nessa hora, e eu precisava me controlar pra não levantar e colocar a nanica pra correr.
-Vou cumprimentar outras pessoas, depois a gente coloca o papo em dia. – Dei graças a deus quando ela se tocou, mas meu ódio aumentou quando ela puxou Rafaela e deu um beijo no rosto dela. – Tchau pessoal!
Ela se afastou e Rafaela sentou novamente ao meu lado recebendo olhares reprovativos meus e de Carla. Joaquim era um grande bobão e apenas ria da situação, confesso que queria rir também, mas não ia deixar Rafaela pensar que eu estava contente com a presença dessa tampinha anã de jardim.
-Atirada essa sua amiguinha! – Carla disse o que eu estava na mente, e eu olhei pra Rafaela com a sobrancelha arqueada. – Não fui muito com a cara dela.
-Carla, ela é só uma amiga de infância. – Joca gargalhava do nervosismo dela e da minha cara fechada. – Não começa.
Rafaela tentava desviar o assunto, mas o irmão ela voltou a nossa mesa e tocou no nome da garota novamente.
-Rafa a Katia veio falar com você? –Renato perguntou e Rafa balançou a cabeça em afirmação. – Lembro quando vocês duas namoravam e eu tinha que acobertar as duas lá na praça.
Renato soltou isso e o clima da mesa se fechou na hora.
-Namorada? – Interroguei confusa e me perguntando o motivo dela ter omitido isso.
-Nath, foi só um romance do passado. –Ela se enrolou toda tentando me explicar e meu humor a essa altura era péssimo. –Não foi nada sério.
-Entendi. –Respondi no automático e me virei pra frente.
Não respondi mais nada e cruzei minhas mãos embirrada, e provavelmente Rafaela notou que eu tinha ficado com raiva da situação. O irmão dela se aproximou novamente e disse que os pais dela queria vê-la.
-Papai e Mamãe desceram Rafa! – Renato cortou o assunto e o nervosismo dela era visível. – Vamos até lá?
-Não sei Rê! Não sei se é uma boa ideia. –Imediatamente eu segurei sua mão, lh passando segurança.
-Rafa, juro que você não vai se arrepender e vai gostar de ouvir o que a mamãe tem a dizer. – Ela me olhou como se pedisse pra eu acompanha-la.
-Eu estou com você meu amor! – Eu disse e apertei sua mão entre a minha.
-Vamos então!
POV RAFA
Natália segurou em minha mão e fomos até onde meus pais estavam de pé, meu coração estava acelerado e não sei o que me aguardava nesse reencontro. Mesmo depois da nossa ultima briga, eu não conseguia odiar a minha mãe e eu sofria cada vez que eu pensava nela.
-Oi minha filha! –Meu pai me abraçou novamente. – Sua mãe gostaria de conversar com você.
-Rafaela! – A voz aveludada da minha preencheu meus ouvidos e eu me virei pra ela.
-Oi Rosangela. – Eu a chamei pelo nome e ela suspirou.
-Filha? Acho que podemos abaixar as “armas”. – Meu pai tocou em meu ombro e Natália me olhou pedindo paciência.
-Filha, eu sei que você não tem motivos pra me perdoar, eu fui rude e cruel com você. – Minha mãe começou – Te tratei mal por não saber lidar com você, e desrespeitei por ter um pensamento diferente do seu, mas eu quero te pedir perdão minha filha, você não faz ideia do medo que tive em perder você, de não poder te abraçar novamente, de não poder olhar pra você. Eu não tive forças pra ir ver você no hospital, e sentia muita vergonha em procurar por você depois de tudo o que eu te disse.
Eu tentava processar tudo que ela me dizia, sentia minhas mãos frias, e meu coração batia rápido. Não sabia o que responder, não sei bem o que eu estava sentindo.
-Minha filha, eu sinto muito pelo mal que lhe causei, eu não espero que me perdoe agora e se você não me perdoar eu entenderei, mas eu não posso morrer sem você saber que eu te amo!
-Eu não sei o que dizer! – Eu disse rapidamente e todos me olharam. – Acho que vou voltar pro hotel.
-Amor, calma! – Natália, pedia pra eu não ser imprudente, mas eu não sei qual a resposta daria minha mãe, eu não sei se a perdoaria verdadeiramente, mesmo sentindo falta dela.
-É muita informação pra mim, eu tenho feridas que ainda não se curaram.
- Eu sei, eu tenho consciência de tudo o que lhe causei. – Ela tinha algumas lágrimas nos olhos. – Não quero forçar nada.
-Filha, pense com carinho. – meu pai interveio novamente, ele também tinha algumas lágrimas nos olhos. – Sua mãe se arrependeu de tudo o que lhe fez.
-Eu entendo pai, mas eu preciso processar tudo isso. – Eu o abracei e me direcionei pra minha mãe novamente. – Espero que você me entenda, eu só preciso pensar melhor.
-Eu entendo filha! – Ela abaixou a cabeça e Natália me deu a mão saindo da casa dos meus pais.
Saímos sem dizer mais nada, passamos na mesa e chamamos nossos amigos pra irmos embora, sei que meu irmão ficara chateado, mas depois eu converso com ele. O caminho até o hotel foi silencioso, Joca dirigia pelas ruas da minha cidade com atenção voltada ao caminho, enquanto Natália segurava minha mão entre a dela, Carla não fez pergunta alguma e eu tentava processar o que tinha acabado de ouvir da minha mãe. Chegamos ao hotel e fomos aos nossos quartos.
-Rafa? – Joca me chamou e eu o encarei. – Você sabe que estaremos sempre aqui com você, e apoiaremos qualquer decisão.
-Eu sei Joca e eu agradeço, não sei o que seria de mim sem você. – Sorri de lado e saímos do elevador. – Amanhã será um novo dia, vamos descansar um pouco.
Me despedi dos meus amigos e entramos no nosso quarto, apenas retirei meus sapatos e me sentei na cama e Natália sentou ao meu lado e me abraçou. E era ali que eu queria estar, dentro do abraço dela.
Fim do capítulo
Eitaaa!
Já estamos no fim!!!
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kasvattaja Forty-Nine
Em: 13/02/2021
Olá! Tudo bem?
Pois é! Essa história de perdão é complicada. É confortável para quem agrediu — não importa se verbal ou física — chegar e tentar — veja bem, tentar — explicar-se o porquê da agressão. Agora é fácil, mas lá atrás quando agrediu não pensou em nenhum momento no tamanho do estrago que estava fazendo.
Enfim, se é para a história caminhar para um final calmo e tranquilo para as meninas, principalmente Rafaela, que ela perdoe. Porém, é difícil de engolir essa história de perdão depois de tantos danos — físicos ou não.
É isso!
Post Scriptum:
''Não há pedido de desculpa que nos faça esquecer o passado. Sempre fica aquela pontinha de insegurança ou aquele pé atrás, porque infelizmente confiança é algo que não pode ser remendado.''
Augusto Cury
Resposta do autor:
Então, eu particularmente não perdoaria. Partilho de um pensamento onde não sei se acredito em desculpas, maaas quero deixar aqui algo leve, algo que não aprofunde muito nessas questões.
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